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  • Reciclação 2026, Fórum GD e Energia de Resíduos reúnem aproximadamente duas mil pessoas no primeiro dia 

    Sucesso de público, negócios gerados, evento pretende apresentar as principais tecnologias e oportunidades do setor de reciclagem e também de energias renováveis O Centro de Eventos Positivo, no Parque Barigüi, em Curitiba, está recebendo de forma unificada a 13ª Feira Reciclação, o 31º Fórum GD Sul/Sudeste e o 7º Fórum ABREN (Energia de Resíduos) entre os dias 29, 30 e 31 de juho. Realizado pelo Grupo FRG Mídias & Eventos e pela Monte Bello Feiras & Eventos, o megaevento iniciou suas atividades com a presença de cerca de duas mil pessoas segundo a organização, consolidando-se como um marco de público e de movimentação econômica para a capital paranaense. Com a presença de congressistas, empresários, investidores e lideranças vindas de todas as regiões do Brasil, a iniciativa vem atuando como um centro estratégico para debater o futuro da geração solar, bioenergia, transição energética e valorização de resíduos. Como foi o primeiro e segundo dia do mega evento A abertura do evento começou no dia 29 de julho com a abertura da Feira Reciclação, recebendo inúmeros expositores fortes do mercado renovável. Já o dia 30 contou com importantes lideranças políticas, setoriais e institucionais, como Tiago Fraga (Presidente do Grupo FRG), Yuri Schmitke (ABREN), Reginaldo Joaquim (Presidente da WCA), além de representantes do Governo do Estado do Paraná, da Prefeitura Municipal de Curitiba, ITAIPU Binacional, ABGD e órgãos reguladores. Ao longo do primeiro dia, o público acompanhou painéis técnicos dedicados ao cenário regulatório da Lei 14.300, novidades em armazenamento e transição energética, inovação para aceleração de vendas, modelos de financiamento e assinatura solar, além de soluções estruturais, segurança jurídica e eficiência em sistemas de geração distribuída. A programação do dia 30 foi encerrada com um grande momento de networking entre expositores, congressistas e investidores vindos de todas as regiões do país. Para Tiago Fraga, CEO do Grupo FRG Mídias & Eventos, o encontro representa um momento decisivo para impulsionar os negócios no setor: "O evento é um marco do setor de energias renováveis e também de reciclagem, tendo reunido a cadeia produtiva do setor, empresários, congressistas e, com certeza, daqui sairão grandes negócios. A gente espera aí, quem sabe, uma movimentação de até 50 milhões de reais em negócios realizados no evento", destaca Fraga. Valdir Bello, da Monte Bello Feiras & Eventos e organizador da feira, por outro lado, reforçou o balanço positivo do evento e convidou o público para o encerramento da programação: "A Reciclação junto com os fóruns, que o Tiago nomeou, foi um sucesso no primeiro e segundo dia, reuniu mais de duas mil pessoas e que amanhã, terceiro dia, a gente espera receber a mesma quantidade de público e promover uma geração de negócios entre expositores e consumidores do setor ambiental e da indústria da reciclagem e energia de resíduos. O evento vai amanhã até às 21 horas e todos estão convidados a participar. A entrada é gratuita e o evento está reunindo mais de duas mil pessoas de todas as regiões do Brasil e está sendo um grande sucesso", pontua Bello. Apoio institucional e chancela de marcas Chancelado pelo apoio oficial da WCA (World Carbon Association / Associação Mundial do Carbono), o evento conta com a presença de marcas de referência no ecossistema solar, de infraestrutura e soluções ambientais. Entre os patrocinadores e apoiadores estão empresas como INOXPAR, Bao Ribeiro Advogados, Carbon Global, CCM Estruturas, Inox Power, Garantia Solar BIPV, Matsuoka Engineering, Coli Advocacia, Estrutech, Sunfix, Bazico, Redivivus, Sanepar, TPI Power, Pwave Plan, EBP e Keppel Seghers.. Serviço ● Evento: 13ª Feira Reciclação | 31º Fórum GD Sul/Sudeste | 7º Fórum ABREN (Energia de Resíduos) ● Data: 29, 30 e 31 de julho de 2026 ● Horário: Das 12h às 21h ● Local: Centro de Eventos Positivo — Parque Barigüi (Alameda Ecológica Burle Marx, 2518 - Santo Inácio, Curitiba - PR) ● Entrada: Gratuita ● Informações e Inscrições: https://forumgdsul.com.br/ ● Realização: Grupo FRG Mídias & Eventos e Monte Bello Feiras & Eventos Reciclação 2026, Fórum GD e Energia de Resíduos reúnem aproximadamente duas mil pessoas no primeiro dia

  • Victron Energy destaca solução Microgrid e portfólio de energia independente na Intersolar South America 2026

    Arquitetura modular permite expandir sistemas off-grid sem substituir a infraestrutura existente, ampliando a capacidade energética com flexibilidade para aplicações em mineração, agronegócio, telecomunicações, infraestrutura crítica, eventos e outras operações de alta demanda; Fabricante que já cresceu 133% no Brasil em 2026, apresentará sua arquitetura de microrredes modulares para sistemas off-grid de até 400 kW, além de soluções para armazenamento de energia, aplicações híbridas e monitoramento inteligente. Brasil, 3 de agosto de 2026 - A Victron Energy, referência global em soluções para energia independente e armazenamento de energia, confirma sua participação na Intersolar South America 2026, principal feira da América Latina voltada aos setores de energia solar, armazenamento de energia (BESS), mobilidade elétrica e infraestrutura energética. O evento será realizado entre os dias 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo fabricantes, distribuidores, integradores, investidores e especialistas para discutir as principais tendências da transição energética. Em sua estreia com um estande próprio de 28m² (Rua W5, W5.33 – Pavilhão Branco), a empresa apresentará seu portfólio completo de soluções para geração, armazenamento e gerenciamento de energia. O grande destaque será a Victron Microgrid, nova arquitetura desenvolvida para ampliar a capacidade de sistemas off-grid de forma modular, escalável e altamente confiável. A solução representa uma evolução no conceito de microrredes ao permitir que múltiplos sistemas independentes operem de forma integrada, eliminando a necessidade de controladores centrais e reduzindo significativamente a complexidade dos projetos de grande porte. "A demanda por soluções energéticas mais resilientes, flexíveis e independentes da rede elétrica cresce em diversos segmentos da economia. A Victron Microgrid foi desenvolvida justamente para atender esse novo cenário, oferecendo escalabilidade, simplicidade operacional e elevada disponibilidade para aplicações críticas", destaca Edimar Prumucena, Gerente Victron Energy Brasil. A arquitetura utiliza módulos independentes chamados Power Banks, compostos por inversores/carregadores Victron, bancos de baterias, fontes próprias de carregamento em corrente contínua (DC) e monitoramento individual por meio da plataforma GX/VRM. Cada unidade opera de forma autônoma e é conectada a um barramento compartilhado em corrente alternada (AC), permitindo o compartilhamento automático da carga sem necessidade de comunicação dedicada entre os equipamentos. Segundo a Victron, o modelo permite ampliar sistemas isolados até 400 kW, utilizando equipamentos já consolidados em seu portfólio e dispensando alterações na arquitetura dos sistemas existentes. Além da facilidade para expansão, a solução elimina o chamado "ponto único de falha". Caso um dos Power Banks precise ser retirado para manutenção ou apresente alguma indisponibilidade, os demais módulos permanecem alimentando normalmente o barramento AC, garantindo continuidade operacional. Outro diferencial é a possibilidade de ampliar ou reduzir a capacidade instalada sem interromper o fornecimento de energia, característica especialmente importante para projetos cujo consumo varia ao longo do tempo. Aplicações em diferentes segmentos A Victron Energy acredita que a arquitetura modular atenderá principalmente mercados que demandam elevada flexibilidade operacional. Entre as aplicações estão empresas de locação de geradores, canteiros de obras, mineração, agronegócio, telecomunicações, eventos, infraestrutura crítica, comunidades isoladas e sistemas híbridos de grande porte. Outro mercado estratégico é a expansão de instalações off-grid já existentes. Em vez de substituir um sistema em operação, basta adicionar um novo Power Bank ao barramento AC, preservando toda a infraestrutura instalada e ampliando a capacidade energética conforme a necessidade do empreendimento. Ecossistema completo de energia Além da Victron Microgrid, os visitantes poderão conhecer no estande todo o ecossistema de soluções desenvolvido pela fabricante, incluindo inversores, carregadores de baterias, controladores solares MPPT, sistemas híbridos, equipamentos para armazenamento de energia (BESS) e plataformas inteligentes de monitoramento remoto que permitem acompanhar, em tempo real, o desempenho das instalações em qualquer lugar do mundo. A empresa também demonstrará soluções destinadas aos mercados residencial, comercial, industrial, rural, marítimo, telecomunicações, veículos especiais e aplicações totalmente isoladas da rede elétrica. Crescimento acelerado no Brasil A participação na Intersolar ocorre em um momento de forte expansão da Victron Energy no mercado brasileiro. O crescimento da geração distribuída, dos sistemas híbridos e do armazenamento de energia tem ampliado a procura por soluções capazes de oferecer maior autonomia energética e segurança no fornecimento. Refletindo esse cenário, a empresa registrou crescimento de 113% nas operações brasileiras ao longo de 2025 e alcançou 133% de expansão em participação de mercado no primeiro trimestre de 2026, consolidando o Brasil como um dos mercados mais estratégicos da companhia no mundo. Segundo a Victron, esse desempenho acompanha a rápida evolução do mercado nacional de armazenamento de energia, impulsionado pela eletrificação do agronegócio, expansão da infraestrutura de telecomunicações, aumento da demanda por sistemas híbridos, aplicações críticas e maior preocupação das empresas com resiliência energética. Fundada em 1975, a Victron Energy está presente em mais de 60 países e tornou-se referência internacional em soluções para energia independente, atendendo aplicações que exigem elevada disponibilidade, como hospitais, data centers, embarcações, residências, empresas, telecomunicações, infraestrutura crítica e sistemas instalados em regiões remotas. Durante a Intersolar South America 2026, a expectativa da empresa é reforçar ainda mais a sua presença no Brasil e na América Latina: “Queremos ampliar o relacionamento com distribuidores, integradores e projetistas e apresentar ao mercado tecnologias voltadas para uma nova geração de sistemas energéticos mais modulares, inteligentes e preparados para acompanhar o avanço da eletrificação em diferentes setores da economia”, diz o Gerente Victron Energy Brasil. Victron Energy destaca solução Microgrid e portfólio de energia independente na Intersolar South America 2026

  • Feira e congresso Intersolar South America trazem novidades da fonte solar e propostas para acelerar o crescimento do setor no Brasil

    Mesmo com redução da potência adicionada em 2025, fonte solar segue como a segunda maior da matriz elétrica nacional Feira e congresso Intersolar South America trazem novidades da fonte solar e propostas para acelerar o crescimento do setor no Brasil São Paulo, 03 de agosto de 2026 - Em um momento desafiador para o setor de energias renováveis no Brasil, a Intersolar South America, maior evento de energia solar da América Latina, ocorre de 25 a 27 de agosto no Expo Center Norte, em São Paulo. Em 2025, segundo o estudo Global Solar Market Outlook 2026-2030, da SolarPower Europe com participação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o setor solar brasileiro adicionou 14,5 gigawatts-pico (GWp), queda de 23% em relação a 2024, que registrou adição de 18,9 GWp. Esse resultado mantém a fonte solar como a segunda maior da matriz elétrica nacional, com participação atual de 26,9% da capacidade instalada operacional. Desde 2012, o setor solar trouxe mais de R$ 320,4 bilhões em novos investimentos e gerou mais de 2,1 milhões de empregos verdes no Brasil, de acordo com a ABSOLAR. O atual cenário, apesar de desafiador, apresenta grandes oportunidades para um maior crescimento sustentável da tecnologia fotovoltaica no país. Nesse sentido, a feira Intersolar South America contará com expositores nacionais e internacionais, incluindo fabricantes, fornecedores, distribuidores, integradores de sistemas, empresas de engenharia, consultorias, instituições financeiras, prestadores de serviço, entre outros, que apresentarão produtos e soluções de última geração, além de modelos de negócio que contemplam toda a cadeia de valor da fonte solar. Paralelamente, o congresso Intersolar South America reunirá lideranças setoriais, autoridades, empreendedores, especialistas e acadêmicos para uma análise aprofundada do atual cenário, as principais tendências de mercado, desafios e gargalos, novas tecnologias, assuntos regulatórios, visões estratégicas e aspectos técnicos. Entre os destaques da programação, o painel Panorama estratégico da transformação do setor elétrico brasileiro, liderado por Rodrigo Sauaia, presidente executivo da ABSOLAR, trará uma visão geral sobre as transformações do setor elétrico brasileiro, impulsionadas pela expansão das renováveis, pela modernização tecnológica e por mudanças legais e regulatórias no mercado. Outro destaque será o painel Energia renovável distribuída na rede elétrica: oportunidades e desafios, comandado por Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, que abordará como a energia renovável distribuída está redesenhando a lógica de oferta e consumo de eletricidade, aproximando a geração dos centros de carga e dando maior autonomia aos consumidores. Adicionalmente, o painel Agregando demandas de grande escala no sistema: data centers, hidrogênio verde, mobilidade elétrica, eletrificação, apresentado por Camila Ramos, vice-presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, discutirá o crescimento de novas cargas como uma das maiores oportunidades no setor elétrico atualmente, e de que forma incentivos, programas e políticas, aprimoramentos regulatórios, investimentos e oportunidades de inovação podem integrar essas demandas no Brasil. A Intersolar South America é parte da The smarter E South America, maior aliança de feiras e congressos para o setor energético da América Latina. Também integram o evento: ees South America - voltada para sistemas de armazenamento de energia elétrica e tecnologias de baterias, essenciais para soluções off-grid e segurança energética. Power2Drive South America - focada em infraestrutura de recarga e veículos elétricos, conectando eletromobilidade e inovação urbana. Eletrotec + EM Power South America - dedicada à infraestrutura elétrica e à gestão inteligente de energia em edifícios, bairros e redes. Os links para visitação gratuita às feiras e aquisição de ingresso para os congressos estão disponíveis na página https://www.thesmartere.com.br/ingressos. The smarter E South America Data: 25 a 27 de agosto de 2026 Horário: 12h às 20h Local: Expo Center Norte Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333 - Vila Guilherme - São Paulo/SP https://www.thesmartere.com.br/ Sobre The smarter E South America Com suas quatro feiras paralelas de energia, The smarter E South America é a maior plataforma latino-americana para a nova realidade energética e de mobilidade. Sua abordagem abrangente nas questões do novo mundo da energia apresenta um cruzamento de soluções e tecnologias. The smarter E South America cria oportunidades de abordar todas as áreas essenciais da cadeia de valor do setor. Destacando geração, armazenamento, distribuição e uso da energia e as maneiras como esses aspectos interagem e podem se articular inteligentemente, o evento congrega interessados no futuro da energia vindos dos mercados mais influentes do mundo. Com o franco avanço do novo mundo da energia, oferecemos aqui informações gerais bem como notícias sobre mudanças importantes em geração, armazenamento, distribuição e uso de energia, e as maneiras como esses aspectos interagem. Feira e congresso Intersolar South America trazem novidades da fonte solar e propostas para acelerar o crescimento do setor no Brasil

  • Energia do varejo: o novo mercado será vencido fora do megawatt-hora

    A abertura da baixa tensão colocará milhões de consumidores no centro do setor elétrico. O vencedor será definido por confiança, escala, tecnologia, gestão de riscos e capacidade de transformar energia em uma plataforma de serviços. Energia do varejo: o novo mercado será vencido fora do megawatt-hora Por Silla Motta — artigo exclusivo para o Energy Channel O maior erro que o setor elétrico pode cometer é tratar a energia do varejo como uma versão reduzida do mercado atacadista. Varejo significa muito mais do que vender quantidades menores de energia para um número maior de consumidores. Significa operar com margens unitárias mais estreitas, milhares de contratos, diferentes perfis de consumo, alta expectativa de atendimento e uma exposição crescente à inadimplência, ao risco reputacional e à qualidade da experiência entregue. Durante décadas, as comercializadoras foram preparadas para negociar energia. Agora precisarão aprender a disputar clientes. Essa mudança parece sutil, mas altera completamente a lógica do negócio. No mercado tradicional, o diferencial estava concentrado na leitura de preços, na originação, na estruturação contratual e na gestão de portfólio. No varejo, essas competências continuam essenciais, porém deixam de ser suficientes. A comercializadora do futuro precisará ser, ao mesmo tempo, gestora de energia, empresa de tecnologia, distribuidora de produtos, operadora de crédito e marca de confiança. A energia continuará sendo o produto central. A experiência será o verdadeiro diferencial. A transformação já começou A energia do varejo deixou de ser uma promessa distante. Em 2025, o consumo no Ambiente de Contratação Livre, o ACL, cresceu 7,3% em relação ao ano anterior e alcançou cerca de 42% de toda a eletricidade consumida no Brasil. Enquanto a indústria permaneceu como a principal âncora em volume, os setores de serviços e comércio avançaram, respectivamente, 20,6% e 15%. Esse movimento revela uma mudança estrutural. O mercado livre já deixou de ser um ambiente restrito às grandes indústrias eletrointensivas. Supermercados, hospitais, hotéis, farmácias, redes comerciais, prestadores de serviços e pequenas e médias empresas passaram a ocupar uma parcela crescente desse espaço. Em 2025, a CCEE viabilizou a migração recorde de mais de 21 mil novas unidades consumidoras. No primeiro trimestre de 2026, outras 4.827 concluíram a migração, sendo que mais de 70% ingressaram por meio do modelo simplificado de gestão do varejo. Em abril, o movimento continuou: 1.213 consumidores migraram, e aproximadamente 75% deles entraram no mercado livre por meio da representação de um comercializador varejista. A CCEE informa que o ambiente já reúne mais de 90 mil empresas e pessoas físicas aptas a escolher seus fornecedores de energia. O varejo, portanto, já é a principal porta de entrada dos novos consumidores. A próxima abertura mudará a natureza do mercado A Lei nº 15.269, publicada em novembro de 2025, estabeleceu que a abertura do mercado para consumidores industriais e comerciais atendidos em baixa tensão deverá ocorrer em até 24 meses. Para os demais consumidores, inclusive residenciais, o prazo será de até 36 meses. Isso posiciona a abertura para os consumidores industriais e comerciais até novembro de 2027 e para os demais consumidores até novembro de 2028. O impacto dessa mudança dificilmente será medido apenas pelo aumento do número de unidades consumidoras. Ela mudará o perfil de quem compra energia, a forma como os produtos são apresentados, os canais de venda, os modelos de atendimento e os critérios utilizados para escolher um fornecedor. O consumidor residencial ou o pequeno comerciante possui uma relação diferente com a eletricidade. Ele conhece a conta de luz, mas raramente compreende a formação do preço, a diferença entre energia e uso da rede, os encargos setoriais, a sazonalidade, o risco de mercado ou as responsabilidades assumidas em um contrato de representação varejista. Para esse consumidor, o mercado livre será avaliado por perguntas muito objetivas: Quanto vou economizar? O preço poderá mudar? Quem resolverá um problema na minha fatura? O que acontece se a empresa deixar de operar? Posso trocar de fornecedor? Meu fornecimento corre algum risco? A empresa que responder a essas perguntas de maneira clara estará em vantagem. Aquela que tentar transferir a complexidade do setor ao cliente encontrará uma barreira difícil de superar. Preço atrai. Confiança decide. Na primeira etapa da abertura do mercado, a economia foi o principal argumento de venda. Essa comunicação cumpriu sua função: despertou interesse e tornou o ACL mais conhecido. No mercado de massa, entretanto, a promessa de desconto tende a se transformar em requisito básico. Quando várias empresas oferecerem percentuais semelhantes, o consumidor passará a comparar reputação, clareza contratual, conveniência, atendimento e segurança. É exatamente por isso que a própria Lei nº 15.269/2025 determinou, como condições anteriores à abertura da baixa tensão, a criação de um produto padrão e de um preço de referência para facilitar a comparação entre ofertas. A lei também prevê um plano de comunicação aos consumidores e a regulamentação do suprimento de última instância, destinado a proteger clientes em situações como o encerramento da representação por um agente varejista. Esses mecanismos são fundamentais porque liberdade de escolha sem informação adequada pode produzir apenas uma transferência de risco. O consumidor precisa saber aquilo que está contratando, quais parcelas permanecerão na fatura da distribuidora, quais condições podem alterar o preço, qual é o período de permanência e como funcionará uma eventual troca de fornecedor. Em um mercado com milhões de potenciais clientes, transparência deixará de ser apenas uma obrigação regulatória. Será um ativo comercial. Escalar vendas será mais fácil do que escalar confiança O varejo desperta interesse porque oferece um mercado potencial extraordinário. Entretanto, crescimento acelerado e crescimento sustentável representam coisas diferentes. Uma empresa pode adquirir milhares de clientes por meio de campanhas digitais, redes de parceiros, instituições financeiras, empresas de telecomunicações, associações comerciais ou plataformas de benefícios. O desafio começa depois da venda. Cada cliente exige cadastro, validação documental, análise de crédito, previsão de consumo, contratação de energia, faturamento, cobrança, atendimento e acompanhamento regulatório. Quando uma falha operacional é multiplicada por milhares de unidades, deixa de ser uma ocorrência isolada e passa a representar risco financeiro e reputacional. Desde 1º de julho de 2025, as novas migrações de consumidores com demanda contratada inferior a 0,5 megawatt e representação varejista obrigatória passaram a ser realizadas por meio do modelo simplificado da CCEE. A operação utiliza interfaces digitais, conhecidas como APIs, para automatizar a troca de dados entre comercializadoras, distribuidoras e a Câmara. A digitalização reduz tarefas manuais e aumenta a capacidade operacional. Ainda assim, tecnologia isoladamente resolve apenas parte do problema. Será preciso integrar sistemas comerciais, gestão de contratos, medição, faturamento, cobrança, análise de crédito, atendimento e gestão energética. A empresa que vender digitalmente e operar manualmente carregará uma fragilidade estrutural. No varejo, comprar energia será tão importante quanto vender A competição pela aquisição de clientes poderá estimular ofertas agressivas, descontos elevados e contratos desenhados para acelerar a expansão das carteiras. Essa corrida exige cautela. Uma comercializadora varejista precisa contratar energia para atender o consumo futuro de milhares de clientes cujos comportamentos podem mudar. Precisa prever crescimento, cancelamentos, inadimplência, variações de carga e exposição ao mercado de curto prazo. Uma carteira pulverizada reduz a dependência de poucos consumidores, mas aumenta a complexidade da previsão e da operação. O resultado financeiro dependerá do equilíbrio entre preço de venda, custo da energia, despesas comerciais, inadimplência, atendimento, tecnologia, garantias e capital de giro. Crescer sem precificar esses elementos poderá transformar uma grande carteira em um negócio de margem reduzida e risco elevado. No varejo, quantidade de clientes será uma métrica importante. Qualidade da carteira será ainda mais relevante. A segurança financeira passará a fazer parte do produto O consumidor costuma avaliar a proposta comercial, mas raramente analisa a saúde financeira da empresa que ficará responsável por sua representação no mercado. Essa percepção deverá mudar. A comercializadora varejista assume obrigações operacionais e financeiras perante a CCEE e administra a compra de energia dos clientes representados. A CCEE define procedimentos específicos para habilitação, atuação, manutenção e encerramento da representação varejista, incluindo requisitos técnicos, operacionais, organizacionais e financeiros. A abertura do mercado ampliará a necessidade de comunicar essas diferenças ao consumidor. Capital, governança, experiência dos gestores, políticas de risco, qualidade de crédito e capacidade de honrar compromissos deixarão de ser assuntos restritos aos bastidores do setor. Em um mercado no qual o cliente poderá escolher quem administrará sua energia, segurança financeira será parte da proposta de valor. O desconto poderá conquistar a assinatura. A solidez sustentará a relação. A energia do varejo será disputada por ecossistemas As comercializadoras tradicionais conhecem regulação, contratação, formação de preços, contabilização e gestão de riscos. Outros setores dominam marca, crédito, dados, tecnologia, distribuição e relacionamento com grandes bases de clientes. A combinação dessas competências deverá estimular novas parcerias e modelos de negócios. Bancos podem oferecer capacidade financeira e análise de crédito. Empresas de telecomunicações possuem milhões de clientes e canais recorrentes de relacionamento. Redes varejistas conhecem comportamento de consumo. Empresas de tecnologia dominam dados, automação e experiência digital. As comercializadoras carregam o conhecimento indispensável para transformar essas capacidades em produtos energéticos seguros. A disputa, portanto, tende a ocorrer entre ecossistemas, e não apenas entre empresas isoladas. O vencedor talvez nem seja aquele que possui a maior mesa de comercialização. Poderá ser quem conseguir combinar energia competitiva, uma marca reconhecida, canais eficientes, crédito bem estruturado e atendimento simples. O consumidor comprará soluções, e não apenas eletricidade A energia do varejo também abre espaço para ampliar o relacionamento com o cliente. Uma pequena empresa poderá contratar energia, eficiência energética, monitoramento do consumo, geração solar, armazenamento, infraestrutura para recarga de veículos elétricos e certificação de origem renovável em uma única plataforma. O consumidor residencial poderá integrar fornecimento, geração própria, bateria, veículo elétrico, automação e gestão do consumo ao longo do dia. Nesse modelo, a comercializadora deixa de atuar apenas como intermediária da compra de energia e passa a organizar a vida energética do cliente. Essa mudança amplia o valor gerado e reduz a dependência da margem obtida exclusivamente na comercialização do megawatt-hora. O cliente deixa de ser apenas uma unidade consumidora. Passa a ser parte ativa de um sistema mais digital, distribuído e flexível. O verdadeiro teste começa depois da migração O setor costuma medir o sucesso da abertura pelo número de novos consumidores. Essa é apenas a primeira medida. O sucesso real será avaliado pela permanência dos clientes, pela qualidade do atendimento, pela redução de conflitos, pela clareza das ofertas e pela capacidade de construir um mercado financeiramente seguro. A energia do varejo representa uma oportunidade histórica para aproximar o consumidor do setor elétrico. Representa também uma grande responsabilidade. Milhões de brasileiros formarão sua primeira opinião sobre o mercado livre a partir da experiência que tiverem com as empresas que os atenderão. Uma migração malconduzida poderá comprometer a confiança do consumidor. Uma boa experiência poderá transformar a relação da sociedade com a energia. A próxima fase do mercado livre será vencida por quem compreender que varejo significa proximidade, simplicidade, escala e confiança. O megawatt-hora continuará sendo comercializado. O verdadeiro produto será a tranquilidade do cliente. Sobre a autora Silla Motta é administradora de empresas, com MBA em Marketing pela PUC-Rio, e atua no setor elétrico desde 1997. Fundadora e CEO da Donna Lamparina, é estrategista com foco em segurança energética, inteligência de mercado, estruturação de comercializadoras, gestão de riscos e desenvolvimento de novos negócios. É conselheira de administração certificada pelo IBGC, integrante do Pacto Global da ONU, curadora, palestrante e moderadora de eventos do setor de energia. Contato: silla.motta@donnalamparina.com Energia do varejo: o novo mercado será vencido fora do megawatt-hora

  • A abertura da baixa tensão e a integração das soluções de energia

    A abertura do mercado livre para a baixa tensão representa uma evolução importante na relação do consumidor com a energia. Mais pessoas poderão escolher seu fornecedor e avaliar soluções adequadas às próprias necessidades. O ponto não é colocar essa direção em dúvida, mas reconhecer que a próxima etapa será diferente da atual. Residências e pequenos negócios formam um público heterogêneo. Não é razoável esperar que dominem formação de preços, indexadores, perfil horário, medição ou estruturas contratuais. A complexidade continuará existindo, mas precisará ser traduzida em decisões compreensíveis, sem reduzir a diversidade que a abertura pode estimular. O preço seguirá relevante, porém não será o único elemento de valor. Prazo, previsibilidade, flexibilidade, atendimento, condições de saída, origem da energia e serviços associados podem produzir resultados distintos entre propostas semelhantes. A competição varejista envolve a combinação entre preço e qualidade do serviço, além de gestão de risco, demanda e eficiência. Essa leitura não diminui o papel das comercializadoras. Ao contrário, amplia o espaço para que comercializadoras varejistas demonstrem valor na contratação, no acompanhamento do consumidor, na gestão de riscos e na integração de serviços. Simplificar a decisão sem empobrecer a solução poderá tornar-se uma competência central. O mercado livre também não chegará a um consumidor sem outras alternativas. A geração distribuída já integra a decisão energética de residências e empresas. Dependendo do perfil e das regras aplicáveis, solar e mercado livre poderão aparecer como alternativas distintas, complementares ou integradas em uma mesma arquitetura. Quando o arranjo técnico, contratual e regulatório permitir, a geração local poderá atender prioritariamente ao consumo da unidade, enquanto a contratação livre suprirá a parcela residual. Em configurações específicas, controles de exportação podem ser avaliados para limitar a injeção na rede, observados os requisitos de conexão, proteção e medição. Não é uma solução automática e exige avaliação caso a caso. A geração compartilhada ou por assinatura também poderá assumir papéis distintos. Em certos perfis, será alternativa ao fornecimento livre e em outros, poderá integrar ofertas mais amplas. Eficiência, automação, armazenamento e gestão da demanda completam esse conjunto. Não haverá uma tecnologia vencedora para todos, mas combinações mais adequadas a cada consumidor. Isso muda a natureza da concorrência. Comercializadoras, integradores solares, empresas de tecnologia e prestadores de serviços poderão competir em alguns pontos e cooperar em outros. O valor passará a considerar a capacidade de combinar contratação, geração, dados e gestão com coerência técnica e econômica. Para o consumidor, essa diversidade precisa vir acompanhada de comparabilidade. Não se trata de ensinar toda a estrutura do setor, mas de permitir que ele compreenda benefício estimado, prazo, reajustes, responsabilidades, riscos, serviços e condições de saída. Padronizar informações essenciais não significa padronizar ofertas nem restringir inovação. A experiência portuguesa ajuda a tornar essa diferença concreta. Mesmo com todos os consumidores de Portugal continental aptos a escolher o fornecedor, a ERSE mantém ficha contratual padronizada e simuladores de preços, condições e características ambientais. Em dezembro de 2025, o mercado livre representava 87,8% dos clientes e 95% do consumo em Portugal. Essa integração também depende de dados. Conhecer o perfil de consumo melhora o dimensionamento da geração local, a escolha contratual e a verificação dos resultados. O dado não deve servir apenas ao faturamento, mas apoiar consumidores e fornecedores na construção de soluções melhores. A abertura da baixa tensão não precisa ser entendida como oposição entre mercado livre e geração distribuída, nem como simples multiplicação de ofertas. Ela pode formar um ambiente em que diferentes agentes combinem competências para atender necessidades distintas. O sucesso dessa etapa não será medido apenas pelo número de migrações. Será medido pela capacidade de ampliar a liberdade de escolha, preservar a confiança e transformar alternativas técnicas e comerciais em benefícios compreensíveis e sustentáveis. A escolha é o ponto de partida. A qualidade da integração definirá boa parte do valor entregue. Sobre o autor: Felipe Figueiró é engenheiro eletricista, com mais de 12 anos de experiência no setor elétrico e dois MBAs voltados à inovação, liderança e inteligência de mercado. Atua como consultor, integrando engenharia, dados, regulação e visão de mercado para transformar informações complexas em estratégias, soluções eficientes e decisões práticas. A abertura da baixa tensão e a integração das soluções de energia

  • Da democratização do Pix à democratização da experiência: por que Customer Experience virou tema de Conselho

    Crédito: OpenAI / ChatGPT. Por Gilson Paulillo, Diretor Comercial da PAGAR, e Fabio Di Santoro, Head of Sales & Strategy da Plusoft Durante muito tempo, transformação digital significava digitalizar processos, automatizar operações e reduzir custos. Essa lógica funcionou enquanto a tecnologia era um diferencial competitivo. Hoje, ela se tornou o ponto de partida. O que realmente diferencia uma empresa é a capacidade de transformar tecnologia em uma experiência simples, integrada e relevante para o cliente. O Brasil oferece um dos exemplos mais emblemáticos dessa mudança. Quando foi lançado, o Pix parecia representar apenas uma inovação nos meios de pagamento. Poucos anos depois, ficou claro que seu impacto foi muito maior. Mais do que simplificar transações, ele criou uma infraestrutura pública digital capaz de alterar profundamente a forma como consumidores e empresas se relacionam. Com cerca de 170 milhões de usuários e um volume mensal superior a R$ 2 trilhões movimentados, o Pix reduziu barreiras de acesso aos serviços financeiros e acelerou a inclusão digital em uma escala inédita. Agora, com o Pix Automático, essa transformação entra em uma nova fase ao permitir que milhões de brasileiros passem a acessar modelos de pagamento recorrente e serviços digitais antes restritos a quem possuía cartão de crédito. Essa evolução amplia significativamente a base de consumidores digitais e traz uma consequência que vai muito além dos meios de pagamento: ela redefine as expectativas sobre toda a experiência oferecida pelas empresas. Quem resolve uma transação em poucos segundos espera a mesma agilidade para solicitar uma segunda via, renegociar um contrato, esclarecer uma dúvida ou contratar um novo serviço. Em outras palavras, a democratização dos pagamentos abriu caminho para uma nova etapa da transformação digital: a democratização da experiência. É justamente nesse ponto que Customer Experience deixa de ser uma iniciativa restrita às áreas de marketing ou atendimento e passa a ocupar espaço nas reuniões do Conselho de Administração. Afinal, cada novo consumidor digital representa não apenas uma nova transação, mas também uma nova expectativa em relação ao relacionamento com as empresas. Poucos segmentos sentem essa mudança de forma tão intensa quanto as utilities. Empresas de energia, saneamento, gás, telecomunicações e outros serviços essenciais administram operações extremamente complexas, atendem milhões de consumidores e concentram um dos maiores volumes de interações recorrentes da economia. Todos os meses há uma nova cobrança, uma nova leitura de consumo, uma solicitação de segunda via, uma negociação de débito, uma religação ou um pedido de atendimento. Cada um desses momentos influencia diretamente a percepção do cliente sobre a empresa. Historicamente, a competitividade nesses setores esteve associada à eficiência operacional e à confiabilidade da infraestrutura física. Hoje, essa equação mudou. À medida que os serviços se digitalizam e os consumidores passam a interagir por aplicativos, canais de mensageria e plataformas digitais, a experiência deixa de ser apenas um indicador de satisfação e passa a representar eficiência operacional, redução de custos e fortalecimento da confiança em serviços essenciais. Essa transformação acompanha um movimento mais amplo da economia. Os maiores ecossistemas digitais do mundo acostumaram as pessoas a resolver diferentes necessidades em uma única jornada. Conversar, contratar, pagar, acompanhar solicitações e receber suporte passaram a fazer parte de uma experiência contínua, sem que o consumidor precise compreender onde termina um sistema e começa outro. Naturalmente, essa expectativa passou a influenciar todos os setores. O cliente não enxerga departamentos, sistemas ou áreas internas. Para ele, existe apenas uma jornada. Pouco importa se uma informação está no CRM, na plataforma de atendimento ou no sistema financeiro. O que realmente importa é conseguir resolver seu problema de forma rápida, contextualizada e sem precisar repetir informações a cada novo contato. Essa mudança obriga as organizações a reverem a forma como estruturam suas operações. Atendimento, relacionamento, pagamentos, dados e tesouraria deixam de funcionar como áreas independentes para compor uma única experiência. É essa convergência que caracteriza a economia das plataformas e explica por que Customer Experience deixou de ser um tema operacional para se tornar uma pauta estratégica. Os reflexos já aparecem nos indicadores de negócio. Diversos estudos de mercado e cases reconhecidos por entidades como a Associação Brasileira de Marketing de Dados (ABEMD), pela revista Consumidor Moderno e por iniciativas da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) demonstram que empresas que colocam a experiência do cliente no centro de suas estratégias conseguem aumentar retenção, elevar índices de recomendação, reduzir churn, ampliar receita por cliente e diminuir significativamente o tempo de atendimento. Não se trata mais de melhorar um canal de relacionamento, mas de construir uma operação mais eficiente e preparada para crescer. Nesse cenário, os dados assumem um papel igualmente estratégico. Durante muito tempo, eles foram utilizados para explicar acontecimentos passados. Hoje, ajudam a antecipar comportamentos, identificar necessidades futuras e personalizar interações antes mesmo que o consumidor manifeste uma demanda. Cada contato deixa de ser apenas um registro operacional para se transformar em inteligência capaz de orientar decisões e aperfeiçoar toda a jornada. A evolução da inteligência artificial acelera ainda mais esse processo. Os novos agentes inteligentes vão muito além dos chatbots tradicionais. Eles compreendem contexto, executam tarefas, conduzem processos completos e mantêm o histórico das interações. Entretanto, seu desempenho depende menos da sofisticação do algoritmo e muito mais da integração entre dados, canais de atendimento, sistemas corporativos e infraestrutura financeira. Sem essa conexão, a IA apenas automatiza processos fragmentados. Quando esses elementos trabalham de forma coordenada, ela amplia produtividade, reduz esforço operacional e melhora significativamente a experiência do cliente. Essa integração também transforma o próprio papel do pagamento. Durante décadas, ele representou o encerramento da relação entre empresa e consumidor. Na economia digital, passa a ser apenas mais um momento da jornada. Integrado aos demais sistemas da organização, o pagamento deixa de ser uma simples liquidação financeira e passa a alimentar informações em tempo real, reduzir processos manuais, melhorar a conciliação financeira e gerar inteligência para novas interações. Essa visão tende a ganhar ainda mais relevância com a evolução do Open Finance, das discussões sobre Open Energy e da consolidação dos pagamentos iniciados por inteligência artificial. À medida que essas tecnologias amadurecem, a tendência é que as transações se tornem praticamente invisíveis para o consumidor, ocorrendo de forma integrada à própria experiência digital. Naturalmente, essa evolução também amplia a responsabilidade das organizações em relação à segurança, à governança de dados e à conformidade regulatória. Quanto maior a integração entre plataformas, maior será a necessidade de garantir transparência, proteção das informações e confiança em todas as etapas da jornada. Esses elementos não podem ser tratados como complementos da inovação; precisam fazer parte da arquitetura desde sua concepção. No fim, talvez a principal mudança seja conceitual. Durante décadas, empresas competiram por preço, produto ou eficiência operacional. Esses fatores continuam importantes, mas já não são suficientes para garantir diferenciação em mercados cada vez mais digitais. A próxima vantagem competitiva será construída pela capacidade de integrar relacionamento, inteligência de dados, infraestrutura financeira e experiência do cliente em uma jornada única, contínua e sem atritos. O Pix democratizou o acesso aos pagamentos digitais. A próxima etapa dessa transformação será democratizar a qualidade da experiência. Nas Utilities, esse movimento já deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade estratégica. Em setores que mantêm relacionamento recorrente com milhões de consumidores, cada interação representa uma oportunidade de fortalecer a confiança ou gerar frustração. As empresas que compreenderem essa dinâmica primeiro não disputarão apenas eficiência operacional. Disputarão relevância, fidelização e preferência em uma economia cada vez mais orientada pela experiência. Porque, no fim, a tecnologia continuará evoluindo. O diferencial estará na capacidade de conectá-la de forma inteligente para transformar milhões de interações em relacionamentos duradouros. É por isso que Customer Experience deixou definitivamente de ser um tema das áreas de atendimento para ocupar um lugar permanente na agenda dos Conselhos de Administração. Da democratização do Pix à democratização da experiência: por que Customer Experience virou tema de Conselho

  • Factorenergia aposta em IA, baterias e tecnologia para disputar a corrida bilionária do mercado livre de energia no Brasil

    Com apoio da Path Investimentos, grupo espanhol quer transformar pequenas e médias empresas em protagonistas da abertura do setor elétrico e aposta em inteligência artificial para escalar operação com alta eficiência. Brasil, 29 de julho de 2026 - A abertura do mercado livre de energia está prestes a inaugurar uma das maiores transformações da história do setor elétrico brasileiro. Com a perspectiva de que milhões de consumidores possam escolher livremente seus fornecedores nos próximos anos, empresas internacionais começam a disputar espaço em um mercado estimado em dezenas de bilhões de reais. Factorenergia aposta em IA, baterias e tecnologia para disputar a corrida bilionária do mercado livre de energia no Brasil Entre elas está a Factorenergia, que iniciou oficialmente sua operação no Brasil em parceria com a Path Investimentos. A estratégia combina inteligência artificial, plataformas digitais próprias, soluções integradas de energia e sistemas de armazenamento por baterias (BESS) para conquistar inicialmente pequenas e médias empresas (PMEs) e, posteriormente, consumidores residenciais. Com mais de 26 anos de atuação na Europa e América Latina, a companhia acredita que a experiência acumulada em mercados maduros pode acelerar sua expansão no Brasil justamente no momento em que o país inicia a liberalização completa do setor elétrico. Tecnologia substitui estruturas gigantes e coloca IA no centro da operação Ao contrário das comercializadoras tradicionais, que dependem de grandes equipes para operar, a Factorenergia afirma ter desenvolvido um modelo altamente digitalizado. Segundo o COO da Factorenergia Brasil, Gabriel Barreto, a empresa opera atualmente mais de 350 mil pontos de fornecimento de energia e gás utilizando uma estrutura de aproximadamente 400 colaboradores. Grande parte dessa eficiência vem da inteligência artificial. "Cerca de 74% do nosso atendimento ao cliente já é realizado por inteligência artificial desenvolvida por uma equipe dedicada na Espanha. A tecnologia faz parte do DNA da companhia e está integrada praticamente em todos os nossos processos", afirma Barreto. Enquanto adapta suas plataformas às particularidades regulatórias, tributárias e operacionais do Brasil, a empresa prepara sua estrutura para uma expansão acelerada da base de clientes. Mercado livre pode acelerar transformação das PMEs brasileiras Embora esteja apta a atender consumidores de diversos perfis, a empresa vê nas pequenas e médias empresas sua principal oportunidade de crescimento. Para Barreto, esse segmento ainda encontra barreiras técnicas e operacionais para migrar ao mercado livre, criando espaço para modelos mais simples e digitais. "A abertura representa uma mudança estrutural. Nosso objetivo é simplificar toda a gestão energética do cliente e oferecer soluções completas, reduzindo custos e aumentando competitividade." A estratégia vai além da comercialização de energia. A companhia pretende atuar como uma plataforma one stop shop, integrando geração distribuída, eficiência energética, gestão inteligente do consumo, comercialização de energia, gás natural e sistemas de armazenamento. Baterias entram na estratégia para reduzir custos e aumentar competitividade Entre as apostas da empresa, o armazenamento de energia ocupa posição estratégica. Os sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems) deverão ser utilizados tanto para elevar a confiabilidade do fornecimento quanto para reduzir despesas com energia durante os horários de maior tarifa. Segundo Barreto, estudos desenvolvidos pela empresa apontam potencial de economia entre 17% e 25% para consumidores com contas mensais entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. "O armazenamento melhora a qualidade da energia, reduz impactos provocados por oscilações da rede e permite deslocar o consumo para horários de menor custo." Os primeiros projetos-piloto já estão sendo desenvolvidos na Bahia e no Pará, combinando contratos de longo prazo no mercado livre com sistemas de baterias. Regulação ainda será decisiva para expansão do mercado Apesar do otimismo, a companhia reconhece que a abertura do mercado dependerá da definição de diversos aspectos regulatórios. Entre os principais pontos estão a regulamentação do supridor de última instância, os critérios para contratação dos consumidores, a implantação dos medidores inteligentes e as regras de faturamento entre distribuidoras e comercializadoras. Outro desafio será preparar os consumidores para um ambiente de livre concorrência. "A experiência internacional mostra que a abertura não acontece de forma instantânea. É um processo que normalmente leva entre cinco e dez anos até atingir maturidade”, destaca o COO da Factorenergia. Segundo o executivo, a infraestrutura de medição inteligente será um dos fatores mais importantes para o sucesso da abertura do mercado de baixa tensão. Brasil torna-se prioridade global após aquisição pela Marubeni A chegada ao Brasil ocorre em um momento de fortalecimento internacional da companhia. Recentemente, a Factorenergia teve 85% de seu capital adquirido pela SmartestEnergy, empresa pertencente ao conglomerado japonês Marubeni Corporation, ampliando sua capacidade financeira e tecnológica. Para Barreto, a combinação entre experiência internacional, plataformas digitais próprias e presença antecipada no Brasil cria uma vantagem competitiva importante. "Estar preparado antes da abertura efetiva do mercado nos permitirá iniciar esse novo ciclo com uma estrutura já consolidada para atender dezenas de milhares de consumidores." A operação brasileira inicia suas atividades com escritórios em São Paulo, Recife e Goiânia, em parceria com a Path Investimentos, oferecendo um portfólio que reúne comercialização de energia elétrica e gás natural, geração distribuída, eficiência energética, gestão inteligente do consumo e soluções de armazenamento. A corrida pela nova energia já começou A abertura do mercado livre promete alterar profundamente a dinâmica do setor elétrico brasileiro. Em vez de competir apenas por preço, empresas como a Factorenergia apostam em tecnologia, inteligência artificial e serviços integrados para conquistar consumidores cada vez mais exigentes. Mais do que vender energia, o desafio passa a ser oferecer uma plataforma capaz de reduzir custos, aumentar eficiência e transformar a gestão energética em um diferencial competitivo para empresas de todos os portes. Factorenergia aposta em IA, baterias e tecnologia para disputar a corrida bilionária do mercado livre de energia no Brasil

  • A Nova Era do Armazenamento de Energia: Segurança Jurídica e o Futuro dos Leilões no Brasil

    A Nova Era do Armazenamento de Energia: Segurança Jurídica e o Futuro dos Leilões no Brasil O Brasil se encontra em um ponto de inflexão crucial para o seu desenvolvimento energético. Com a recente aprovação pela ANEEL da abertura de Consultas Públicas para os editais dos Leilões de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP) de 2026, focados em sistemas de armazenamento em baterias (BESS), damos um passo definitivo rumo à modernização do nosso Sistema Interligado Nacional (SIN). A transição energética não é mais uma promessa distante, mas uma realidade que exige respostas rápidas e estruturadas. A publicação da Lei nº 15.269/2025 foi um marco histórico, reconhecendo formalmente o armazenamento de energia como uma atividade do setor elétrico e abrindo caminho para bilhões em investimentos. No entanto, o sucesso dessa nova fronteira depende, fundamentalmente, da segurança jurídica, isonomia e previsibilidade nas contratações. O Desafio do Rateio e a Base de Pagantes O cerne das discussões atuais reside na interpretação da Lei nº 15.269/2025 e na definição da base de pagantes do Encargo de Reserva de Capacidade (ERCAP). Observamos um debate intenso sobre a aplicação do § 6º do art. 3º-A da Lei nº 10.848/2004, que determina o rateio dos custos apenas entre os geradores de energia, e o art. 8º-A da Lei nº 9.074/1995, que estabelece obrigações específicas para novos empreendimentos que solicitarem acesso aos sistemas após a publicação da nova regra. A questão central é: a base de pagantes deve incluir todos os geradores ou apenas os novos entrantes? A resposta a essa pergunta moldará a atratividade e a competitividade dos leilões. É imperativo que a definição do rateio seja conduzida em um processo regulatório próprio, transparente e fundamentado em Análise de Impacto Regulatório (AIR). Decisões precipitadas ou exclusões arbitrárias podem comprometer a viabilidade dos projetos e afastar investidores. A celebração dos Contratos de Reserva de Capacidade (CRCAPs) não deve, a meu ver, ficar condicionada à conclusão prévia da regulamentação do rateio do ERCAP. Podemos e devemos adotar um modelo semelhante ao LRCAP de 2021, onde a contratação avançou paralelamente ao desenvolvimento da regulamentação do rateio. A urgência do sistema elétrico brasileiro não pode esperar pelos trâmites burocráticos, desde que haja um compromisso claro com a resolução dessas questões em tempo hábil. Baterias: De Solução Complementar a Ativo Estratégico Os sistemas de armazenamento deixaram de ser uma mera inovação tecnológica para se tornarem a espinha dorsal da flexibilidade e segurança do SIN. Com o crescimento exponencial das fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, o armazenamento surge como a solução definitiva para mitigar os eventos de curtailment (cortes de geração) e garantir o suprimento nos momentos de pico de demanda. A regulamentação aprovada pela ANEEL, com as modalidades de Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE) Autônomo e Colocalizado, oferece um leque de oportunidades para geradores, investidores e grandes consumidores. Estudos da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e análises de mercado da Greener já apontam para o enorme potencial de destravamento de investimentos com a clareza regulatória. O Papel do Estado e a Visão Estratégica A diretoria da ANEEL demonstrou sensibilidade ao tema ao sugerir a distribuição antecipada do processo de regulamentação do rateio, permitindo que o tema avance em paralelo à estruturação dos leilões. Essa postura proativa é essencial para garantir que os editais dos Leilões nº 05/2026 e nº 06/2026 sejam atrativos e juridicamente blindados. Do ponto de vista estratégico e tributário, os investidores devem estar atentos não apenas aos modelos de remuneração (receita fixa anual sujeita a descontos por desempenho), mas também à estruturação fiscal dos projetos de BESS. A importação de equipamentos, a nacionalização (no caso do Leilão 05/2026) e a incidência de impostos sobre a prestação de serviços ancilares exigirão um planejamento tributário minucioso para maximizar a rentabilidade. Conclusão Estamos diante do nascimento de um novo e pujante segmento na indústria elétrica brasileira. As baterias são a chave para destravar o potencial total das energias renováveis no Brasil, garantindo energia limpa, segura e acessível. O sucesso dos próximos leilões dependerá da capacidade do governo e dos agentes reguladores de estabelecerem regras claras, justas e previsíveis. O mercado está pronto para investir; precisamos apenas do sinal verde da segurança jurídica. Daniel Pansarella é executivo com vasta experiência no setor de energia solar, especializado em tributação, logística, cadeia produtiva de equipamentos e desenvolvimento de negócios para equipamentos solares nos mercados brasileiro e latino-americano. Atualmente, atua como Public Affairs & Business Developer Latam na Trina Solar, uma das principais fabricantes de módulos fotovoltaicos, Trackers e Storage do mundo. É também Vice-Presidente de Cadeia Produtiva do Conselho da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Diretor do Derex-FIESP e Conselheiro de empresas como Brasol (Siemens e BlackRock), Greener e Pacto Energia. Conheça mais em seu perfil no LinkedIn. A Nova Era do Armazenamento de Energia: Segurança Jurídica e o Futuro dos Leilões no Brasil

  • Armazenamento de energia acelera no Brasil e Victron Energy aposta em sistemas híbridos para liderar nova fase do mercado

    Empresa holandesa afirma que baterias de lítio consolidam nova revolução energética, impulsionada pelo avanço da geração solar, busca por independência da rede elétrica e expectativa em torno do primeiro leilão nacional de armazenamento; Empresa amplia rede de distribuidores e integradores em todo o país após avançar 133% em participação de mercado no primeiro trimestre de 2026. Brasil, 28 de julho de 2026 – O mercado brasileiro de armazenamento de energia entrou definitivamente em uma nova fase de crescimento. Depois da forte expansão da geração solar distribuída nos últimos anos, consumidores residenciais, empresas e produtores rurais passaram a enxergar as baterias como um ativo estratégico para reduzir custos, aumentar o autoconsumo da energia gerada e garantir maior segurança no fornecimento elétrico. Para a Victron Energy, multinacional holandesa especializada em sistemas híbridos, inversores e soluções para armazenamento de energia, essa mudança de comportamento marca o amadurecimento do setor no Brasil. A companhia avalia que entre 2025 e 2026 houve uma aceleração consistente da demanda por sistemas de armazenamento, impulsionada pelo aumento da base instalada de energia solar, pela necessidade crescente de resiliência energética e pelo avanço das tecnologias de baterias de lítio. "O armazenamento deixou de ser visto apenas como um sistema de backup. Hoje ele passou a ocupar um papel estratégico na gestão inteligente da energia, permitindo maior independência da rede elétrica, redução dos custos operacionais e maior eficiência no consumo da energia produzida", destaca Edimar Prumucena, Gerente Victron Energy Brasil. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), o mercado global de armazenamento por baterias deverá crescer mais de seis vezes até 2030, enquanto a BloombergNEF projeta investimentos de centenas de bilhões de dólares no segmento ao longo da próxima década. No Brasil, embora o mercado ainda esteja em estágio inicial, especialistas apontam um dos maiores potenciais de crescimento do mundo, impulsionado pelos mais de 40 GW de geração solar distribuída já instalados e pela necessidade crescente de modernização do sistema elétrico nacional. Lítio mantém liderança absoluta Na avaliação da Victron Energy, as baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP) continuarão dominando o mercado brasileiro pelos próximos anos. A tecnologia reúne características consideradas essenciais para aplicações de armazenamento: elevada segurança, longa vida útil, alta eficiência energética, milhares de ciclos de carga e descarga e baixa necessidade de manutenção. Outro diferencial está na integração dos equipamentos da Victron com diversos fabricantes internacionais de baterias certificados, permitindo desenvolver projetos flexíveis para diferentes perfis de consumidores, desde residências até operações industriais e agrícolas. Embora tecnologias emergentes, como baterias de sódio-íon e estado sólido, estejam em desenvolvimento, a empresa acredita que o LFP permanecerá como padrão da indústria no médio prazo devido à sua maturidade tecnológica e ao melhor custo total de propriedade. Empresas e agronegócio puxam expansão A Victron Energy observa que as melhores oportunidades de crescimento estão concentradas nos segmentos residencial de alto padrão, comercial, industrial e agronegócio. Empresas têm buscado soluções para reduzir os impactos das tarifas de energia e aumentar a confiabilidade operacional. Já no campo, propriedades rurais dependem cada vez mais de sistemas capazes de manter equipamentos essenciais funcionando mesmo em regiões onde o fornecimento elétrico apresenta instabilidades. A companhia também registra aumento da procura por soluções destinadas a aplicações críticas, como telecomunicações, hospitais, embarcações, veículos especiais, sistemas off-grid e microgrids. "A continuidade do fornecimento de energia tornou-se um fator estratégico para inúmeros segmentos da economia. É exatamente nesse cenário que os sistemas híbridos e inteligentes ganham relevância", avalia Edimar Prumucena. Queda do preço das baterias acelera adoção Outro fator que vem impulsionando o mercado é a redução dos preços internacionais das baterias de lítio. Na avaliação da Victron Energy, a comparação entre tecnologias não deve considerar apenas o investimento inicial, mas todo o ciclo de vida do sistema. As baterias LFP apresentam maior durabilidade, melhor eficiência energética, menor necessidade de manutenção e um número significativamente superior de ciclos quando comparadas às tradicionais baterias chumbo-ácido, tornando o investimento mais competitivo ao longo do tempo. Aliadas aos sistemas inteligentes da Victron, essas soluções permitem monitoramento remoto, gerenciamento avançado da energia e maior flexibilidade operacional, fatores que vêm acelerando a migração dos consumidores para tecnologias baseadas em lítio. Leilão de baterias pode mudar o mercado Outro movimento acompanhado de perto pela empresa é a realização do primeiro leilão brasileiro voltado ao armazenamento de energia, previsto pelo governo federal. Embora sua atuação esteja concentrada principalmente em sistemas distribuídos e microgrids, a Victron acredita que projetos de grande porte terão efeito positivo sobre toda a cadeia produtiva. Segundo a empresa, o desenvolvimento de empreendimentos utility-scale tende a ampliar os investimentos, estimular novos fornecedores, acelerar a evolução tecnológica e favorecer a criação de um ambiente regulatório mais sólido para o setor. "A expansão do armazenamento beneficia todo o ecossistema energético. Grandes projetos ajudam a desenvolver a indústria e tornam soluções distribuídas cada vez mais acessíveis e competitivas para consumidores residenciais, comerciais e industriais", afirma o Gerente da Victron Energy. Presença global e crescimento no Brasil Fundada em 1975, na Holanda, a Victron Energy está presente em mais de 60 países e é reconhecida mundialmente pelo desenvolvimento de soluções para conversão, gerenciamento e armazenamento de energia. Seu portfólio inclui inversores, inversores/carregadores, controladores de carga solar MPPT, baterias, sistemas de monitoramento remoto e equipamentos para aplicações híbridas e off-grid. Globalmente, a marca possui milhares de parceiros e integradores certificados e está presente em projetos de energia para embarcações, motorhomes, telecomunicações, data centers, hospitais, sistemas isolados, mineração, infraestrutura crítica e geração distribuída. No Brasil, a empresa vem ampliando sua participação por meio de uma rede crescente de distribuidores e integradores especializados, acompanhando a expansão da geração solar e o avanço das soluções de armazenamento: “Com um crescimento acima da média regional, o Brasil consolidou-se como um dos principais motores da expansão da Victron Energy na América Latina. O mercado brasileiro concentra uma parcela cada vez mais relevante dos negócios da companhia na região e desempenha papel estratégico na disseminação de soluções para armazenamento de energia, sistemas híbridos, microgrids, agronegócio e aplicações de alta confiabilidade”, ressalta Edimar Prumucena. Refletindo esse cenário de forte expansão, a Victron Energy participará da Intersolar South America 2026, em São Paulo, onde apresentará, em um estande próprio, seu portfólio completo de soluções para armazenamento de energia, sistemas híbridos e aplicações off-grid. A feira será a principal vitrine da companhia para demonstrar tecnologias voltadas aos mercados residencial, comercial, industrial, agronegócio, telecomunicações e infraestrutura crítica, reforçando a estratégia de ampliar sua presença no Brasil. O momento é impulsionado por um desempenho expressivo da empresa no país. A Victron Energy registrou crescimento de 113% em suas operações brasileiras ao longo de 2025 e alcançou uma expansão de 133% em participação de mercado no primeiro trimestre de 2026, consolidando o Brasil como um dos mercados mais estratégicos da companhia em nível global. Armazenamento de energia acelera no Brasil e Victron Energy aposta em sistemas híbridos para liderar nova fase do mercado

  • A CRISE FINANCEIRA SILENCIOSA QUE COMEÇA A REDESENHAR O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO

    Há alguns anos venho defendendo, em diversos artigos, que a expansão do setor elétrico brasileiro somente será sustentável se vier acompanhada de crescimento responsável, disciplina financeira, gestão permanente de riscos e criteriosa seleção dos consumidores. A CRISE FINANCEIRA SILENCIOSA QUE COMEÇA A REDESENHAR O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO Sempre sustentei que a deterioração do crédito na economia real não poderia ser integralmente transferida para a cadeia elétrica sem comprometer sua capacidade de investimento. Os acontecimentos recentes demonstram que esse risco deixou de ser uma preocupação prospectiva para se tornar uma realidade que já influencia decisões de investimento em todo o setor. Talvez isso explique por que um dos maiores desafios do setor tenha recebido tão pouca atenção nos últimos anos. Enquanto o debate se concentrou na expansão das fontes renováveis, na abertura do mercado livre, na modernização regulatória e na incorporação de novas tecnologias temas que continuam fundamentais para a transformação da matriz elétrica brasileira, a deterioração da saúde financeira das empresas avançava de forma silenciosa. O aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais, a elevação do custo do crédito e a redução da geração de caixa dos grandes consumidores revelam que, mais do que um desafio regulatório ou tecnológico, o setor elétrico passa a enfrentar um desafio essencialmente financeiro. ESTRESSE MACROECONÔMICO E DETERIORAÇÃO DO CRÉDITO CORPORATIVO O cenário econômico brasileiro passou a exercer influência direta sobre o setor elétrico. Em 2025, foram registrados 977 pedidos de recuperação judicial, o maior número desde 2016, envolvendo 2.466 empresas, enquanto a inadimplência empresarial atingiu aproximadamente 9 milhões de CNPJs negativados e um estoque de dívidas de R$ 229,9 bilhões. Paralelamente, as recuperações extrajudiciais ganharam relevância, com passivos superiores a R$ 109 bilhões apenas em 2026. Esses indicadores revelam uma deterioração da capacidade financeira das empresas que ultrapassa setores específicos e alcança grandes consumidores de energia, como varejo, siderurgia, papel e celulose, sucroenergético, logística e shopping centers, reduzindo investimentos, consumo e capacidade de contratação de energia. O FIM DO CICLO DO CRÉDITO BARATO E A PRESSÃO SOBRE A GERAÇÃO DISTRIBUÍDA Esse ambiente coincidiu com uma profunda mudança nas condições de financiamento dos projetos de geração distribuída. Entre 2020 e 2022, a combinação de Selic em torno de 2% ao ano, elevada liquidez e forte disponibilidade de crédito favoreceu modelos de expansão baseados em aquisições e elevado grau de alavancagem. Com a manutenção dos juros em patamares significativamente superiores, o aumento das despesas financeiras, somado aos atrasos na entrada em operação dos ativos e à deterioração do crédito de parte dos consumidores, passou a pressionar o fluxo de caixa de diversas empresas. O caso da Thopen ilustra esse novo contexto ao apontar, em seu pedido cautelar, que a elevação do custo de passivos indexados ao CDI, associada a atrasos operacionais e receitas inferiores às projetadas, comprometeu sua estrutura financeira. O CASO THOPEN COMO ESTUDO DE CASO Dentro desse contexto, o caso da Thopen tornou-se emblemático. Após executar uma estratégia agressiva de expansão por meio da aquisição de ativos relevantes de geração distribuída, a companhia obteve tutela cautelar para suspender temporariamente execuções enquanto prepara seu pedido de recuperação judicial. Segundo informações constantes do próprio processo, a empresa atribui sua dificuldade financeira à combinação de diversos fatores: aumento expressivo do custo financeiro de passivos indexados ao CDI, atraso na entrada em operação de ativos, receitas inferiores às originalmente projetadas e atrasos na conexão de usinas já concluídas. Abaixo, a síntese das principais movimentações que ilustram esse movimento de expansão recente: Data Operação / Evento Capacidade / Ativos Valor da Transação Março / 2025 Aquisição da RZK Energia pela Pontal Energy (Lançamento Thopen) Meta: +500 MWp e 1M unidades consumidoras sob gestão R$ 1,0 Bilhão Junho / 2025 Aquisição de portfólio da Vip Air (BA, CE, PE, RN) 52 Usinas Solares GD (200 MWp) R$ 750 Milhões Outubro / 2025 Aquisição de usinas da Matrix Energia (7 estados) 45 Usinas Fotovoltaicas (120 MWp) R$ 556 Milhões Junho / 2026 Aprovação pelo CADE para compra da Biogás Energia Ambiental Aterro Sanitário Bandeirantes (Perus-SP) Não divulgado Independentemente das particularidades do caso concreto, trata-se de um exemplo importante de como crescimento acelerado, elevado nível de alavancagem e mudanças abruptas no ambiente macroeconômico podem comprometer estruturas financeiras originalmente consideradas sustentáveis. O caso não deve ser interpretado como uma característica da geração distribuída, mas como um alerta sobre os riscos inerentes a modelos de expansão altamente dependentes de financiamento. A GERAÇÃO DISTRIBUÍDA CONTINUA FORTE O DESAFIO ESTÁ NA ESTRUTURA FINANCEIRA Seria um equívoco concluir que a geração distribuída entrou em crise. Os números mostram exatamente o contrário. O segmento continua sendo um dos principais motores de crescimento do setor elétrico brasileiro, impulsionado pela competitividade da energia solar, pela busca por redução de custos e pela crescente descentralização da geração. O desafio não está na tecnologia. Também não está na demanda. O desafio está na sustentabilidade financeira de determinados modelos de expansão adotados durante o ciclo de crédito barato. Empresas excessivamente alavancadas tornam-se muito mais vulneráveis quando enfrentam aumento do custo do capital, atraso na geração de receitas ou redução da capacidade de pagamento dos próprios consumidores. ATRASOS DE CONEXÃO: UM RISCO SUBESTIMADO Outro fator que merece maior atenção diz respeito aos atrasos de conexão. Uma usina pronta para operar continua acumulando despesas financeiras, seguros, custos de operação e manutenção, depreciação e despesas administrativas. Entretanto, enquanto permanece aguardando autorização para conexão, simplesmente não produz receita. Para empreendimentos altamente alavancados, poucos meses de atraso podem comprometer completamente o fluxo de caixa originalmente projetado. A recente aplicação de multa de R$ 82,7 milhões pela ANEEL à Neoenergia Coelba por irregularidades relacionadas a processos de conexão demonstra que a fiscalização regulatória e, agora, começou a atuar com firmeza. Entretanto, a punição posterior não elimina o prejuízo financeiro suportado pelo empreendedor durante o período em que permaneceu impossibilitado de faturar. Esse é um risco que frequentemente recebe pouca atenção nas análises de viabilidade econômica. O EFEITO DOMINÓ O maior risco para o setor elétrico talvez não esteja em um evento isolado, mas no efeito em cadeia produzido pela combinação desses fatores. Empresas entram em dificuldades financeiras, reduzem produção, consomem menos energia, renegociam contratos, postergam investimentos, cancelam projetos de autoprodução e suspendem novas contratações de geração distribuída. Aumenta a vacância de ativos e diminui a geração de caixa dos empreendedores. O crédito fica mais caro, os bancos tornam-se mais seletivos e novos projetos deixam de sair do papel. Esse efeito dominó pode desacelerar investimentos justamente em um momento em que o Brasil necessita ampliar sua infraestrutura energética para atender ao crescimento da demanda e à transição energética. O NOVO PERFIL DO INVESTIDOR Essa mudança também altera profundamente o comportamento dos investidores. Durante o ciclo de crédito barato, a prioridade era crescimento acelerado, expansão territorial e aquisição de ativos. Hoje, liquidez, geração consistente de caixa, disciplina de capital, governança e qualidade do crédito dos clientes passaram a ocupar posição central nas decisões de investimento. A expansão continua importante, mas crescer deixou de ser suficiente. Será necessário crescer preservando equilíbrio financeiro. CONCLUSÃO Durante muito tempo acreditou-se que os maiores desafios do setor elétrico brasileiro seriam tecnológicos ou regulatórios. Esses fatores continuam essenciais, mas os acontecimentos recentes demonstram que uma nova variável passou a ocupar posição estratégica: a sustentabilidade financeira dos agentes que compõem toda a cadeia do setor. A transição energética continuará avançando, a abertura do mercado livre ampliará oportunidades e a geração distribuída seguirá expandindo sua participação na matriz elétrica brasileira. O diferencial competitivo, porém, tende a deixar de estar apenas na capacidade de construir mais usinas ou adquirir novos ativos. Em um ambiente de crédito mais restritivo, liquidez, disciplina financeira, gestão de riscos, baixa alavancagem e criteriosa avaliação do risco de crédito dos consumidores passam a ser fatores tão importantes quanto a eficiência operacional e a inovação tecnológica. Em última análise, o próximo ciclo de crescimento do setor será definido não apenas pela capacidade de investir, mas pela capacidade de crescer de forma sustentável. A energia continuará sendo um dos pilares do desenvolvimento econômico brasileiro, mas a solidez financeira tende a se consolidar como o principal diferencial estratégico para transformar crescimento em perenidade. Fontes: - Brazil Journal – “Thopen, empresa de GD da Denham, prepara pedido de RJ” (25/07/2026) - Pipeline Valor / Globo – planos da Pontal Energy e aquisição da RZK - UOL – levantamento de mais de 20 empresas listadas na B3 em recuperação judicial ou extrajudicial - Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (OBRE) – dados de recuperações extrajudiciais 2025-2026 - Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – dados de capacidade instalada de MMGD e multa de R$ 82,7 milhões à Neoenergia Coelba (julho/2026) A CRISE FINANCEIRA SILENCIOSA QUE COMEÇA A REDESENHAR O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO

  • Sindenergia MT ganha destaque nacional em evento do setor elétrico em São Paulo

    Presidente Carlos Garcia apresenta iniciativas de Mato Grosso e defende papel das PCHs e do armazenamento de energia na segurança do sistema Sindenergia MT ganha destaque nacional em evento do setor elétrico em São Paulo O Sindicato das Indústrias de Energia do Estado de Mato Grosso, Sindenergia MT, teve atuação de destaque em um dos principais encontros do setor elétrico brasileiro. O presidente da entidade, Carlos Garcia, participou do evento promovido pela Greener em São Paulo e apresentou as experiências e estratégias desenvolvidas em Mato Grosso para enfrentar os desafios da geração e distribuição de energia. Durante o painel "Curtailment: Estratégias para o reposicionamento de portfólios", Garcia trouxe uma análise sobre as perspectivas para as Pequenas Centrais Hidrelétricas, PCHs, e para os sistemas de armazenamento de energia. Segundo ele, essas soluções têm papel estratégico para garantir a expansão e a segurança do setor nos próximos anos. Na ocasião, o presidente também compartilhou iniciativas que vêm sendo conduzidas no estado, com destaque para o programa MT Trifásico. O projeto busca ampliar o acesso à energia trifásica no meio rural e fortalecer a infraestrutura elétrica, criando um ambiente mais favorável à atração de investimentos e ao desenvolvimento produtivo de Mato Grosso.Para Garcia, a presença do Sindenergia MT em eventos nacionais como o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico - ENASE e agora no evento da Greener, reforça a importância do estado nas discussões do setor. "É fundamental que a gente leve a voz de Mato Grosso para os principais debates do país. O estado tem experiências concretas, como o MT Trifásico, que mostram como é possível unir desenvolvimento, segurança energética e atração de investimentos. O Sindenergia segue atuando para promover um ambiente favorável ao crescimento do setor e para que Mato Grosso seja protagonista nessa nova fase do setor elétrico brasileiro", afirmou Carlos Garcia. O Sindenergia MT representa as indústrias de energia do estado e tem atuado na articulação com poder público, setor privado e entidades nacionais para debater políticas públicas, inovação e infraestrutura. A entidade reforça que seguirá contribuindo ativamente para os debates que impulsionam a evolução do setor energético brasileiro. O evento da Greener reuniu executivos, especialistas e autoridades para discutir os principais desafios e oportunidades do setor elétrico, com foco em temas como curtailment, armazenamento, transição energética e novos modelos de negócio. Sindenergia MT ganha destaque nacional em evento do setor elétrico em São Paulo

  • Como a Lojas Renner está redesenhando o varejo de moda com tecnologia, sustentabilidade e experiência do cliente

    ENTREVISTA ESPECIAL - INDUSTRY 5.0 LEADERS Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel, Fabio Faccio, CEO da Lojas Renner S.A., explica como uma das maiores varejistas de moda da América Latina combina inteligência artificial, estratégia omnicanal, liderança ESG e eficiência operacional para construir a próxima geração do varejo. Por Ricardo HonórioEnergyChannel Durante décadas, o varejo de moda foi definido por coleções, vitrines e tendências sazonais. Agora, a indústria está sendo transformada por dados, inteligência artificial, integração de estoques, cadeias de fornecimento mais inteligentes e consumidores cada vez mais conectados e exigentes. Essa transformação vai muito além do comércio eletrônico. Ela representa uma mudança profunda na maneira como os produtos são desenvolvidos, produzidos, distribuídos, comercializados e experimentados pelos consumidores. No Brasil, a Lojas Renner S.A. tornou-se um dos exemplos mais relevantes dessa evolução. Depois de concluir o maior ciclo de investimentos de sua história, a companhia passou a operar como um ecossistema de moda e lifestyle mais digital, integrado, ágil e preparado para crescer com escala, eficiência e responsabilidade. Para a série editorial internacional “Industry 5.0 Leaders — Voices Shaping the Future of Production”, conectada ao documentário “Indústria 5.0 — Quem Controla o Futuro da Produção?”, o jornalista Ricardo Honório entrevistou Fabio Faccio, CEO da Lojas Renner S.A. Na conversa, o executivo detalhou as prioridades estratégicas da companhia, o papel da inteligência artificial no varejo, os investimentos em tecnologia, os compromissos ambientais e sociais e os planos de expansão da empresa para os próximos anos. Ao longo da entrevista, uma mensagem se torna evidente: o futuro do varejo não será determinado apenas pela adoção de novas tecnologias. Ele será construído pelas empresas capazes de combinar inovação, eficiência, responsabilidade e experiência humana. UM NOVO CICLO PARA O VAREJO BRASILEIRO A Lojas Renner encerrou recentemente o maior ciclo de investimentos de sua história. Os recursos foram direcionados principalmente à digitalização, ao fortalecimento das marcas e à ampliação da eficiência e da rentabilidade do negócio. Segundo Fabio Faccio, esse processo transformou a companhia em uma organização mais preparada para responder rapidamente às mudanças do mercado e às novas expectativas dos consumidores. Ricardo Honório — Quais são hoje as principais prioridades estratégicas da Lojas Renner no cenário atual do varejo brasileiro? Fabio Faccio — Ao longo dos últimos anos, concluímos o maior ciclo de investimentos da nossa história, direcionado ao avanço da digitalização, fortalecimento de nossas marcas e ampliação da eficiência e rentabilidade. Esses investimentos transformaram a Lojas Renner S.A. em um ecossistema de moda e lifestyle mais ágil, responsivo e preparado para crescer de forma escalável e sustentável. Nesse contexto, nosso propósito de encantar a todos, superando expectativas, continua a orientar cada decisão do negócio e a reforçar nosso compromisso em colocar o cliente no centro de tudo o que fazemos. Alinhadas a esse propósito, nossas prioridades são sustentadas por três pilares estratégicos: Moda e Lifestyle, Experiências Encantadoras e Marcas de Moda Responsáveis. O primeiro pilar expressa nosso compromisso de entregar as melhores coleções e variedade de moda, apoiadas por uma curadoria e por lifestyles inspiradores. Para isso, temos aprimorado nossa cadeia de suprimentos, reduzindo o tempo de resposta às tendências e aumentando a eficiência na gestão de estoques. O objetivo é oferecer coleções mais alinhadas às preferências dos clientes, com maior velocidade e qualidade, criando mais relevância e conexão emocional. Além da excelência em produto, trabalhamos para construir experiências encantadoras, que combinem conveniência, personalização e integração entre os ambientes físico e digital. Nesse contexto, a evolução da proposta omnicanal ganha papel central, com investimentos em digitalização das lojas, autoatendimento, integração de estoques e serviços, além do fortalecimento da jornada entre aplicativo, site e lojas físicas. A ambição é proporcionar uma experiência cada vez mais fluida, intuitiva e conectada, colocando o cliente no centro de todas as interações. Para sustentar essa experiência cada vez mais integrada e personalizada, a tecnologia e a inteligência artificial atuam como importantes habilitadores. Temos ampliado o uso de IA para previsão de demanda, personalização da experiência, recomendação de produtos e melhorias operacionais. Buscamos extrair mais valor do nosso ecossistema por meio da integração entre varejo, canais digitais e serviços financeiros, fortalecendo a fidelização dos clientes. A sustentabilidade permanece como um pilar estruturante da nossa estratégia e se materializa no compromisso de sermos uma referência em Marcas de Moda Responsáveis. Buscamos crescer com rentabilidade, mantendo práticas responsáveis e incorporando critérios ESG às decisões de negócio. SUSTENTABILIDADE COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO Para a Renner, sustentabilidade não é uma iniciativa paralela nem uma campanha institucional. Há mais de dez anos, o tema faz parte dos objetivos estratégicos da companhia e influencia decisões relacionadas a matérias-primas, fornecedores, logística, diversidade, emissões e circularidade. Em 2025, a estratégia de Moda Responsável passou a ter seus resultados auditados por uma terceira parte independente. A empresa também estabeleceu 12 metas públicas até 2030, organizadas em três grandes pilares: conexões que amplificam; relações humanas e diversas; e soluções climáticas, circulares e regenerativas. Ricardo Honório — A companhia tem se destacado em sustentabilidade. Quais iniciativas recentes podem ser destacadas nesse sentido? Como a companhia trabalha suas metas ESG e compromissos ambientais e sociais? Fabio Faccio — Há mais de dez anos, a sustentabilidade é um valor corporativo e parte central dos nossos objetivos estratégicos, refletindo a responsabilidade que assumimos enquanto líderes do varejo de moda no Brasil e agentes de transformação do setor. Nossa estratégia de Moda Responsável, que em 2025 passou a ter seus resultados auditados por uma terceira parte independente, é orientada por metas públicas e mensuráveis. Após o cumprimento dos compromissos estabelecidos para o ciclo 2018–2021, anunciamos objetivos ainda mais abrangentes e ambiciosos até 2030. O plano estratégico reúne 12 metas organizadas em três pilares conexões que amplificam, relações humanas e diversas e soluções climáticas, circulares e regenerativas que orientam toda a atuação do nosso ecossistema de moda e lifestyle. No pilar de soluções climáticas, circulares e regenerativas, a estratégia apoia a transição para uma economia de baixo carbono, com foco em eficiência operacional, inovação e circularidade. Assumimos o compromisso de alcançar a neutralidade climática, net zero, até 2050, com meta de longo prazo aprovada pela Science Based Targets initiative, a SBTi, alinhada à ciência climática e às melhores práticas globais. Avançando nessa frente, em 2025 lançamos coleções responsáveis pioneiras e alcançamos 73,9% de matérias-primas têxteis circulares e regenerativas, por meio do desenvolvimento da nossa cadeia de fornecimento. A circularidade é um dos pilares centrais da nossa estratégia, orientando iniciativas que vão desde o desenvolvimento de matérias-primas mais sustentáveis até ações que ampliam o ciclo de vida das peças e incentivam o reaproveitamento de resíduos têxteis. Um exemplo disso é o lançamento do primeiro Jeans Black reciclado do Brasil pela marca Youcom, em 2025. No ano passado, a Youcom também introduziu um zíper sustentável pioneiro no país, desenvolvido em parceria com a YKK, líder mundial na fabricação de zíperes. O produto é livre de substâncias restritas, produzido com PET reciclado e acessível em termos de custo. Ainda neste pilar, também registramos progressos importantes no uso de água. Atualmente, 68% das nossas peças de jeans e de sarja produzidas no Brasil são classificadas como de baixo consumo hídrico, e o nosso jeans não utiliza substâncias químicas restritas. Além disso, estamos avançando em iniciativas de logística reversa e reciclagem têxtil. Temos o EcoEstilo, nosso programa de logística reversa disponível nas lojas da marca Renner desde 2017 para roupas e desde 2011 para embalagens de perfumaria e beleza. O programa permite o descarte correto de itens pós-consumo e oferece destinação ambientalmente adequada para reciclagem. Em 2025, foram coletadas 48,7 toneladas de resíduos de perfumaria e beleza e 19,6 toneladas de roupas. Desde o início do programa, o volume acumulado chega a 404,7 toneladas de embalagens e 76,4 toneladas de roupas coletadas. Outro destaque é o Jeans for Change, iniciativa da Youcom, marca de moda jovem da Renner, que incentiva os clientes a descartarem jeans usados para reciclagem e transformação em novos tecidos. Em 2025, o programa arrecadou 7,6 toneladas de peças, utilizadas posteriormente no desenvolvimento de uma coleção de jeans reciclado, incluindo o primeiro jeans reciclado do Brasil na lavagem preta produzido a partir de peças arrecadadas em loja. UMA CADEIA DE FORNECIMENTO MAIS RESPONSÁVEL A estratégia ESG da companhia também alcança fornecedores e parceiros. A Renner desenvolve programas de qualificação, certificação e apoio técnico com o objetivo de elevar os padrões socioambientais da cadeia têxtil. Fabio Faccio — No pilar conexões que amplificam, trabalhamos para que nossa cadeia alcance altos níveis de desempenho em nossa classificação de conformidade, indo além dos requisitos legais e atendendo a padrões avançados de boas práticas socioambientais. Para isso, promovemos iniciativas de apoio técnico e financeiro que fortalecem e aceleram a adoção de práticas sustentáveis, essenciais para o cumprimento de nossos compromissos públicos. Como parte dessa estratégia, concentramos nossa cadeia de Fornecedores de Revenda no Brasil, o que amplia a qualificação e o desenvolvimento, fortalece o relacionamento e impulsiona o crescimento dos parceiros, gerando valor para seus colaboradores. Desde 2017, promovemos a qualificação dos Fornecedores de Revenda e seus subcontratados, com foco nos parceiros de maior volume e impacto ambiental, por meio do Programa Rede Responsável. A iniciativa combina engajamento, disseminação de conhecimento e projetos desenvolvidos em conjunto com nossos especialistas. O objetivo é fortalecer continuamente nossa cadeia de fornecimento, mitigando riscos, aumentando a resiliência e impulsionando modelos de negócio mais sustentáveis. No último ano, mantivemos a marca de 100% dos fornecedores de vestuário e de casa e decoração certificados em critérios socioambientais e auditados. DIVERSIDADE E LIDERANÇA A agenda social da companhia está estruturada em torno das pessoas que constroem diariamente sua operação. A Renner afirma ter intensificado programas de conscientização, formação de lideranças e governança de diversidade e inclusão. Atualmente, as mulheres representam 64,6% do quadro de colaboradores e 61,6% dos cargos de liderança. Pessoas negras representam 49% dos colaboradores e 39,9% das posições de liderança. No Conselho de Administração, três dos oito integrantes são mulheres, o equivalente a 37,5%. O conselho é 100% independente. Fabio Faccio — O pilar relações humanas e diversas é centrado nas pessoas que constroem diariamente a nossa companhia. No último ano, promovemos uma agenda intensiva de conscientização sobre Diversidade e Inclusão em toda a empresa, com a publicação de ferramentas de orientação, a formação de lideranças e a criação de um comitê executivo responsável por supervisionar e acelerar a estratégia de diversidade e inclusão. A diversidade está presente no dia a dia da organização. Isso se reflete na composição dos nossos times: 64,6% de mulheres no quadro de colaboradores; 61,6% de mulheres em cargos de liderança; 49% de pessoas negras no quadro de colaboradores; 39,9% de pessoas negras em cargos de liderança; 37,5% de mulheres, três de oito membros, no Conselho de Administração, que é 100% independente. Além disso, a companhia possui compromissos públicos para 2030 voltados à diversidade, equidade e inclusão: ter 55% dos cargos de alta liderança ocupados por mulheres; ter 50% dos cargos de liderança ocupados por talentos negros. Somos reconhecidos como a empresa mais sustentável de todos os segmentos de varejo no Brasil e estamos entre as líderes globais, de acordo com avaliações dos principais índices e ratings ESG. Isso é resultado de uma jornada consistente e de longo prazo, sustentada por uma estratégia sólida que se traduz em ações concretas e efetivas. Nosso compromisso vai além dos limites da companhia: buscamos gerar impactos positivos em toda a cadeia de valor, contribuindo para mudanças estruturais no setor têxtil e para o desenvolvimento social e ambiental das comunidades com as quais nos relacionamos. Entre os destaques estão ISE B3, Dow Jones Best in Class, S&P Global Sustainability Yearbook 2025, A List do CDP, MSCI, Sustainalytics, FTSE4Good e Ranking Revista Time, que destacou a Lojas Renner S.A. como uma das 20 empresas mais sustentáveis do mundo, em 2026. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ENTRA NO CENTRO DA OPERAÇÃO Na Renner, a inteligência artificial deixou de ser tratada como experimento. Ela já participa de processos relacionados à previsão de demanda, recomendação de produtos, personalização, produção de conteúdo digital e eficiência operacional. Os investimentos também alcançam e-commerce, aplicativo, WhatsApp, logística, lojas físicas e sistemas internos. Ricardo Honório — Como a Renner integra inovação e tecnologia em sua operação, tanto no digital quanto nas lojas físicas? Fabio Faccio — Na Lojas Renner S.A., nosso propósito de encantar a todos se traduz na busca constante por oferecer a melhor experiência possível aos clientes em todos os pontos de contato, tanto físicos quanto digitais. Nesse contexto, a inovação é um pilar estratégico para impulsionar a evolução contínua do negócio, antecipar tendências do varejo e responder de forma cada vez mais relevante às expectativas dos consumidores. Essa visão está presente de forma transversal em toda a companhia e está estruturada em quatro pilares estratégicos: Evolução de Produtos; Jornada dos Clientes; Produtividade e Eficiência; e Moda Responsável, sempre com foco no encantamento dos nossos clientes. Dessa forma, buscamos gerar valor para todos os nossos stakeholders — clientes, acionistas, colaboradores e parceiros — por meio de uma inovação orientada a resultados e de uma performance sustentada, consistente e concreta. Assim, contribuímos para o crescimento sustentável do negócio e para o fortalecimento de todo o ecossistema. Em 2025, dos R$ 858 milhões investidos pela companhia, em torno de R$ 352 milhões foram destinados a diversas frentes de inovação. Entre elas estão sistemas e equipamentos de tecnologia, abertura e remodelação de lojas, que também contam com atributos de inovação, como caixas de autoatendimento, equipamentos de leitura e identificação por radiofrequência, RFID, e dispositivos tecnológicos para os colaboradores, bem como nossas operações logísticas. Em 2026, dos R$ 1,05 bilhão projetados em investimentos, R$ 400 milhões são para sistemas e equipamentos envolvendo tecnologia e inovação. O MAIOR APLICATIVO DE VAREJO DE MODA ENTRE OS PLAYERS OMNI LOCAIS Entre as principais iniciativas contempladas pelos investimentos está a evolução das capacidades digitais da companhia. O aplicativo da Renner ultrapassou sete milhões de usuários ativos mensais e registrou cerca de um bilhão de visitas anuais em 2025. O canal digital alcançou aproximadamente 15% de participação nas vendas. Fabio Faccio — Investimos continuamente na evolução do nosso e-commerce, site, app e WhatsApp, utilizando dados e inteligência artificial para entregar experiências cada vez mais relevantes. Em 2025, o aplicativo da Renner, por exemplo, consolidou-se como o maior app de varejo de moda do Brasil entre os players omni locais, com mais de sete milhões de usuários ativos mensais e cerca de um bilhão de visitas anuais. O canal digital alcançou aproximadamente 15% de participação nas vendas, com crescimento consistente e maior rentabilidade. No ano anterior, também avançamos na aplicação de inteligência artificial como alavanca estratégica para a evolução da experiência digital e da eficiência operacional. Um exemplo é o provador virtual, disponível nos canais digitais da marca Renner. A solução permite que os clientes visualizem as roupas a partir de uma foto de referência, de forma simples e intuitiva. A experiência assistida apoia a decisão de compra ao ampliar a familiaridade com os produtos, facilitar a comparação visual entre diferentes peças e inspirar combinações de looks, tornando a jornada de compra mais fluida e engajadora. IA GENERATIVA E O AUMENTO DE 60% NAS VISITAS Uma das aplicações de inteligência artificial destacadas por Fabio Faccio está na produção de conteúdo digital para a linha infantil da marca Renner. A tecnologia passou a ser utilizada para criar imagens realistas de crianças utilizando os produtos. Segundo o executivo, a iniciativa contribuiu para um aumento de 60% nas visitas às peças infantis no comércio eletrônico. Fabio Faccio — Outra iniciativa relevante é a aplicação de Inteligência Artificial Generativa na Produção de Conteúdo Digital da marca Renner, especialmente na criação de imagens realistas de crianças utilizando nossos produtos. Historicamente, esse processo envolvia desafios operacionais significativos, uma vez que sessões fotográficas com bebês e crianças demandam tempo, estrutura especializada e nem sempre oferecem a diversidade necessária de perfis e contextos. Com o uso da IA, passamos a gerar imagens com maior variedade de biotipos, características físicas e contextos de uso, apresentando os produtos de maneira mais próxima da realidade. Essa evolução contribui para uma experiência mais completa para os clientes, que agora conseguem visualizar com maior precisão como as peças se adaptam ao corpo infantil, aumentando a compreensão dos produtos e apoiando a decisão de compra. Como resultado, registramos um aumento de 60% nas visitas às peças da linha infantil no e-commerce, evidenciando o impacto da iniciativa no engajamento dos clientes e na descoberta de produtos. Essas iniciativas reforçam o papel do digital como plataforma de inovação e diferenciação, com potencial relevante de impacto em conversão, engajamento e escala nos próximos ciclos de crescimento. A LOJA FÍSICA COMO PLATAFORMA TECNOLÓGICA A transformação digital não eliminou a importância das unidades físicas. Ao contrário, elas passaram a desempenhar um papel ainda mais estratégico dentro do ecossistema omnicanal. Caixas de autoatendimento com RFID já estão presentes em 70% das lojas da Renner e respondem por 40% do faturamento dessas unidades. Ao mesmo tempo, cerca de 70% dos pedidos digitais são retirados nas lojas físicas. Fabio Faccio — Nas lojas físicas, a tecnologia também desempenha um papel fundamental. Temos implementado soluções que tornam a jornada mais autônoma e rápida, como os caixas de autoatendimento com RFID, que estão presentes em 70% das lojas da Renner e representam 40% do faturamento dessas unidades. Também avançamos na integração dos estoques e dos serviços omnicanal, que permitem ao cliente transitar entre os canais com mais facilidade. A loja deixou de ser apenas um ponto de venda e passou a desempenhar um papel estratégico dentro de um ecossistema conectado, apoiando tanto a experiência quanto a operação logística. Como evidência dessa integração, aproximadamente 70% dos pedidos digitais são retirados em loja, sendo que parte relevante dessas interações resulta em compras adicionais. Essa complementaridade entre os canais contribui para ganhos de produtividade, aumento da eficiência operacional e fortalecimento dos resultados do negócio. A tecnologia igualmente está presente nos bastidores da operação, apoiando decisões relacionadas a abastecimento, distribuição de produtos, gestão de estoques e planejamento comercial. Isso nos permite ganhar eficiência, aumentar a assertividade e responder com mais agilidade às mudanças de comportamento do consumidor. No fim, nossa visão é que a inovação só gera valor quando melhora a experiência do cliente. Por isso, buscamos combinar tecnologia, dados e a força da nossa rede física para construir uma jornada cada vez mais integrada, personalizada e conveniente, independentemente do canal escolhido. O CONSUMIDOR JÁ NÃO SEPARA O FÍSICO DO DIGITAL Para Fabio Faccio, uma das mudanças mais profundas do varejo ocorreu na própria percepção do consumidor. O cliente não pensa mais em canais independentes. Ele espera começar sua jornada em uma plataforma e concluí-la em outra, sem perder continuidade, conveniência ou qualidade. Ricardo Honório — De que forma a empresa enxerga a evolução do comportamento do consumidor nos últimos anos? Fabio Faccio — Nos últimos anos, vimos um consumidor cada vez mais conectado, informado e exigente. Se antes havia uma distinção clara entre o físico e o digital, hoje essa separação praticamente não existe sob a ótica do cliente. Ele espera poder iniciar sua jornada em um canal e concluí-la em outro, com a mesma conveniência, agilidade e consistência ao longo de toda a experiência. Também observamos uma busca crescente por personalização e relevância. O consumidor espera que as marcas compreendam suas preferências e ofereçam experiências mais aderentes ao seu momento e às suas necessidades. Essa tendência tem impulsionado investimentos em dados, tecnologia e relacionamento para tornar as interações mais relevantes e assertivas. Outro movimento importante é o aumento da valorização da conveniência. Soluções como retirada em loja, entregas mais rápidas, integração de estoques e múltiplas opções de atendimento passaram a ser diferenciais relevantes na decisão de compra. Nesse contexto, a omnicanalidade deixou de ser uma vantagem competitiva e se tornou uma expectativa básica do consumidor. Na Lojas Renner S.A., entendemos essa evolução como uma oportunidade para fortalecer nosso ecossistema de moda e lifestyle e aprofundar ainda mais o nosso relacionamento com os clientes. Por isso, temos investido na integração entre canais, na personalização das jornadas e na construção de uma visão única do cliente, permitindo oferecer experiências mais fluidas, convenientes e relevantes. Esse movimento tem contribuído para ampliar engajamento, recorrência e fidelização, pilares fundamentais para a evolução do varejo de moda. EFICIÊNCIA OPERACIONAL E GESTÃO DE ESTOQUES A busca por eficiência envolve decisões relacionadas a produção, distribuição, abastecimento, estoques, logística e planejamento comercial. Em 2025, a companhia afirma ter aumentado as vendas ao mesmo tempo em que reduziu o volume total de estoque e, principalmente, a presença de produtos mais antigos. Ricardo Honório — Quais investimentos têm sido realizados para fortalecer a eficiência operacional e a experiência do cliente? Fabio Faccio — Temos realizado investimentos consistentes para fortalecer tanto a eficiência operacional quanto a experiência dos nossos clientes, sempre com uma visão integrada entre físico e digital. Nossa estratégia passa por tecnologia, logística, evolução do modelo de abastecimento, digitalização de processos e expansão omnicanal. Uma das principais frentes está relacionada ao aprimoramento do nosso modelo de execução de moda. Temos investido para aumentar a assertividade na gestão de produto, reduzir ciclos de produção e distribuição e aprimorar a alocação de produtos entre as lojas. Isso nos permite responder com mais rapidez às tendências e demandas dos clientes, além de operar com estoques mais eficientes. Em 2025, por exemplo, conseguimos crescer as vendas ao mesmo tempo em que reduzimos o volume total de estoque e, principalmente, o estoque mais antigo, um importante indicador de eficiência operacional. Também seguimos investindo em tecnologia e dados para aprimorar a tomada de decisão e tornar a experiência mais personalizada. A integração das informações dos clientes nos permite compreender melhor seus comportamentos e preferências, entregando comunicações, ofertas e jornadas mais relevantes em todos os canais. No campo da experiência, continuamos evoluindo nossa proposta omnicanal, conectando lojas, e-commerce, aplicativo e demais pontos de contato. Soluções como retirada em loja, integração de estoques, autoatendimento e aprimoramento dos processos logísticos tornam a jornada mais conveniente e sem atritos para o consumidor. Além disso, estamos investindo na expansão e na modernização das nossas operações, entendendo que as unidades físicas desempenham um papel fundamental dentro do ecossistema omnicanal. Elas não são apenas espaços de venda, mas também pontos de relacionamento, experimentação e apoio à operação digital, contribuindo para aumentar a conveniência e fortalecer a conexão com os clientes. Nossos investimentos estão direcionados a tornar a operação mais ágil, eficiente e integrada, ao mesmo tempo em que buscamos oferecer uma experiência cada vez mais simples, personalizada e relevante para os nossos clientes. ATÉ 170 NOVAS LOJAS RENNER NOS PRÓXIMOS CINCO ANOS Mesmo com o crescimento dos canais digitais, a expansão física continua sendo uma das principais alavancas da companhia. A Renner pretende abrir entre 140 e 170 unidades nos próximos cinco anos, podendo chegar a aproximadamente 600 lojas no Brasil. A estratégia será direcionada principalmente a cidades de médio porte, com populações entre 100 mil e 200 mil habitantes. A Youcom também deve acelerar seu crescimento, passando das 152 operações registradas no final de 2025 para uma rede de 260 a 290 lojas até 2030. Ricardo Honório — Quais são as perspectivas da Renner para crescimento e expansão nos próximos anos? Fabio Faccio — A expansão de lojas segue como uma das principais alavancas de crescimento da Lojas Renner S.A. Nos próximos cinco anos, a companhia pretende abrir entre 140 e 170 novas unidades da marca Renner, podendo alcançar até 600 unidades no país. A estratégia está concentrada principalmente em cidades de médio porte, entre 100 mil e 200 mil habitantes. No caso da Youcom, marca de moda jovem, o plano é acelerar as inaugurações e reformas em centros comerciais de alta circulação nas capitais, com previsão de alcançar de 260 a 290 lojas até 2030, ante 152 operações no fim do ano passado. Mesmo com a expansão significativa do número de lojas, nosso crescimento também continua ocorrendo de forma importante através das lojas existentes e com o aumento contínuo das vendas pelos canais digitais. Isso proporciona um crescimento omnicanal, em que cada um desses componentes alavanca os demais. ANÁLISE ENERGYCHANNEL A transformação da Lojas Renner demonstra que a próxima fase do varejo não será definida pela oposição entre lojas físicas e comércio eletrônico. A tendência é a formação de ecossistemas integrados, nos quais canais digitais, unidades físicas, inteligência artificial, logística, dados e serviços financeiros passam a operar de maneira coordenada. A tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a participar diretamente das decisões relacionadas a produto, estoque, relacionamento, produção de conteúdo, distribuição e experiência do consumidor. Ao mesmo tempo, o caso da Renner mostra que inovação e sustentabilidade já não podem ser tratadas como agendas separadas. Circularidade, redução de emissões, diversidade, rastreabilidade da cadeia e responsabilidade na escolha de matérias-primas passam a influenciar a competitividade, a reputação e a capacidade de crescimento das companhias. Essa combinação aproxima a estratégia da empresa dos princípios da Indústria 5.0. Nesse novo modelo, automação, inteligência artificial e dados não são objetivos finais. Eles devem servir à construção de operações mais eficientes, resilientes, responsáveis e centradas nas pessoas. A entrevista com Fabio Faccio revela uma empresa que tenta equilibrar escala, tecnologia, rentabilidade e compromisso socioambiental. Em um mercado marcado por mudanças rápidas no comportamento do consumidor, a capacidade de conectar essas dimensões poderá determinar quais empresas liderarão a próxima geração do varejo. Entrevista: Ricardo HonórioEntrevistado: Fabio Faccio, CEO da Lojas Renner S.A. Série editorial: Industry 5.0 Leaders — Voices Shaping the Future of Production Produção: EnergyChannel Network Como a Lojas Renner está redesenhando o varejo de moda com tecnologia, sustentabilidade e experiência do cliente

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