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- Minas Gerais acelera transição energética, amplia liderança solar e estrutura nova agenda para hidrogênio e biometano
Por Redação EnergyChannel Brasil Minas Gerais acelera transição energética, amplia liderança solar e estrutura nova agenda para hidrogênio e biometano Minas Gerais consolidou nos últimos anos uma posição de protagonismo no setor solar brasileiro e agora prepara um novo ciclo de expansão voltado a combustíveis renováveis, descarbonização industrial e mobilidade de baixo carbono. A apuração do EnergyChannel Brasil junto a dados oficiais e fontes do governo estadual indica que o estado combina escala instalada, base regulatória e planejamento estratégico para atrair novos aportes em energia limpa. Solar em escala recorde Com aproximadamente 13,7 gigawatts (GW) de potência instalada em geração solar — somando usinas centralizadas e sistemas distribuídos — Minas ocupa atualmente a liderança nacional no segmento. Dados do Empresa de Pesquisa Energética, consolidados no Balanço Energético Nacional 2024 , apontam que o estado respondeu por cerca de 23% de toda a eletricidade solar produzida no Brasil , com geração anual superior a 16 mil GWh . O desempenho é atribuído a três fatores principais: Alta irradiação solar ao longo do ano Disponibilidade territorial para projetos de grande porte Forte adesão à micro e minigeração distribuída A produtividade média dos sistemas fotovoltaicos mineiros gira em torno de 1.354 kWh por kWp instalado ao ano , indicador considerado competitivo no cenário nacional. Ambiente regulatório e crédito como motores de expansão A política estadual para o setor foi estruturada para reduzir entraves burocráticos e ampliar previsibilidade jurídica. Entre os instrumentos utilizados estão: Simplificação de licenciamento ambiental Incentivos tributários para micro e minigeração até 2032 Linhas de financiamento via Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais Programas de capacitação técnica para municípios Além da expansão solar, o governo publicou recentemente o Decreto nº 49.172/2026, regulamentando as leis estaduais que instituem as políticas de biogás, biometano e hidrogênio de baixo carbono. O texto estabelece diretrizes para integração dessas fontes à infraestrutura de gás canalizado. Biogás e biometano: agro como protagonista Outro eixo estratégico envolve o aproveitamento energético de resíduos agropecuários e urbanos. Minas, que possui forte base agroindustrial, vê no biogás e no biometano uma oportunidade de agregar valor às cadeias produtivas. Setores como: Suinocultura Avicultura Bovinocultura Laticínios Indústria sucroenergética passam a transformar dejetos e efluentes em insumos energéticos. O biogás pode ser utilizado para geração elétrica e térmica, enquanto o biometano pode substituir o gás natural em processos industriais e no transporte pesado, contribuindo para redução de emissões e diversificação da matriz. Compromisso climático e mobilidade Minas Gerais foi o primeiro estado latino-americano a aderir à campanha global Race to Zero, assumindo a meta de neutralizar emissões líquidas até 2050. O Plano Estadual de Ação Climática (PLAC-MG) prevê medidas como: Incentivo à eletrificação de frotas Estímulo a combustíveis renováveis Integração da mobilidade sustentável ao planejamento urbano Atualmente, veículos elétricos e híbridos contam com isenção de IPVA no estado. A agência Invest Minas também desenvolve a chamada “Rota da Descarbonização”, com roteiros setoriais para orientar empresas na transição energética. Hidrogênio verde entra no radar industrial Com ampla base renovável especialmente solar Minas busca posicionar-se como hub emergente de hidrogênio de baixa emissão na América Latina. Entre as iniciativas mapeadas pelo EnergyChannel estão: Plano estadual específico para hidrogênio Desenvolvimento de roadmap tecnológico pela Cemig Centro de pesquisa dedicado ao tema na Universidade Federal de Itajubá Projetos industriais em parceria com a Eletrobras Furnas A estratégia é usar a geração renovável abundante como base para produção competitiva de hidrogênio verde voltado à indústria pesada, exportação e descarbonização de cadeias produtivas. Desafios no horizonte Apesar do avanço, especialistas apontam pontos críticos para sustentar o crescimento: Redução da dependência estrutural da geração hidrelétrica Expansão de sistemas de armazenamento (BESS) Ampliação do acesso a crédito para pequenos produtores Modernização da infraestrutura de transmissão A consolidação dessas frentes será determinante para manter o estado competitivo diante da corrida global por investimentos em energia limpa. Minas Gerais em números Indicador Dado Atual Potência solar instalada 13,7 GW Participação nacional 23% Geração solar anual ~16.400 GWh Municípios com presença solar 853 Produtividade média FV 1.354 kWh/kWp/ano Meta de neutralidade 2050 Incentivo fiscal microgeração Até 2032 IPVA para elétricos e híbridos Isento Análise EnergyChannel Minas Gerais construiu uma estratégia que combina escala, regulação e sinalização política clara ao mercado. Ao articular solar, biometano e hidrogênio em um mesmo plano de desenvolvimento, o estado transforma a transição energética em agenda econômica não apenas ambiental. O próximo ciclo dependerá da capacidade de integrar armazenamento, infraestrutura de rede e financiamento estruturado. Se conseguir avançar nessas frentes, Minas pode não apenas liderar o Brasil, mas disputar espaço relevante no mapa latino-americano da nova economia energética. Minas Gerais acelera transição energética, amplia liderança solar e estrutura nova agenda para hidrogênio e biometano
- A Revolução da Geração Distribuída e o Desafio da Curva do Pato
A Revolução da Geração Distribuída e o Desafio da Curva do Pato O momento decisivo da energia Escrevo este artigo como defensor convicto da Geração Distribuída (GD), da modernização do setor elétrico e da transição energética. O Brasil e o mundo vivem um momento decisivo: ou avançamos para redes elétricas mais resilientes, descentralizadas e inteligentes, ou corremos o risco de enfrentar apagões em série, com impactos devastadores para a economia e para a vida cotidiana. A ameaça invisível: apagões em série A sociedade pouco imagina o risco que corre. Eventos climáticos extremos — temporais, tornados, enchentes, ondas de calor e estiagens prolongadas — já comprometem sistemas elétricos em diversos países. Mas não são apenas os fenômenos naturais que ameaçam: falhas estruturais, ataques cibernéticos e a própria rigidez de um modelo centralizado de geração podem levar a colapsos. O setor elétrico é subsidiado e, como sempre, a conta é repassada para alguém. No caso da GD, os benefícios são inúmeros: redução de perdas na transmissão, maior eficiência, democratização do acesso à energia limpa e, sobretudo, resiliência. Subsídios: a narrativa injusta É curioso observar como apenas os subsídios da GD são questionados. Hidrelétricas, termelétricas e linhas de transmissão recebem aportes bilionários, mas raramente são alvo de críticas. A GD, por outro lado, é acusada de “onerar” o sistema, quando na verdade contribui para reduzir custos estruturais e evitar investimentos gigantescos em novas usinas. Quantas Itaipús precisaríamos construir se cada brasileiro investisse em geração e armazenamento dentro de sua própria propriedade? Quantos bilhões de dinheiro público seriam economizados se a sociedade fosse incentivada a produzir e gerir sua própria energia? A curva do pato: um problema estratégico A chamada Curva do Pato surgiu na Califórnia, identificada pelo operador independente do sistema elétrico (California ISO). O gráfico mostra como a geração solar reduz a demanda durante o dia, mas cria rampas abruptas de necessidade de geração térmica no fim da tarde. O formato lembra o corpo de um pato, daí o nome. No Brasil, o fenômeno já se manifesta. Segundo a EPE, o país registrou mais de 2 GW médios de energia solar desperdiçada (curtailment), especialmente no Nordeste. O Jornal da USP, em sua série Energia, destacou que a alternância entre solar e termelétricas cria a Curva do Pato, um problema estratégico que exige soluções de armazenamento e redes inteligentes. Armazenamento: a chave da resiliência O armazenamento é a peça que fecha o quebra-cabeça da transição energética. O Brasil já abriu leilões para reserva de capacidade de armazenamento, mas a sociedade não precisa esperar: tecnologias já existem para que residências, empresas e propriedades rurais façam seu próprio investimento. Os BESS (Battery Energy Storage Systems) permitem guardar energia em períodos de sobra e liberá-la em momentos críticos. Além disso, baterias podem ser sincronizadas com medidores inteligentes, armazenando energia quando ela está barata e injetando na rede quando está cara. Essa lógica transforma cada consumidor em protagonista da estabilidade do sistema. O problema está nos impostos elevados sobre baterias. Reduzir a carga tributária sobre tecnologias de armazenamento é uma medida plausível e urgente. Modernização das redes de distribuição A GD exige redes inteligentes, capazes de integrar múltiplas fontes e responder dinamicamente às variações de carga. A modernização das redes de distribuição não é luxo, mas necessidade. Sem ela, o risco de apagões aumenta e a transição energética fica comprometida. Investir em digitalização, sensores, automação e inteligência artificial é fundamental para que o sistema elétrico seja resiliente. O ataque dos setores oligopolizados Não podemos ignorar: a GD sofre ataques constantes de setores oligopolizados que defendem a geração centralizada. Esses grupos enxergam a descentralização como ameaça a seus privilégios. Mas a verdade é que a GD democratiza o acesso à energia, reduz custos e fortalece a segurança energética. Defender a GD é defender o futuro. Análise econômica: GD versus geração centralizada A geração centralizada exige investimentos bilionários em grandes usinas e linhas de transmissão. Esses custos são repassados ao consumidor por meio de tarifas e encargos. Além disso, há perdas significativas na transmissão: estima-se que entre 6% e 8% da energia gerada se perde no caminho até o consumidor. A GD, por outro lado, reduz essas perdas ao gerar energia próxima ao consumo. Isso significa menos necessidade de expansão da rede e menos gastos públicos. Um estudo da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) mostra que o custo nivelado da energia solar distribuída já é competitivo com fontes centralizadas em diversos países. No Brasil, a GD solar tem custo médio inferior ao da energia térmica, especialmente quando se considera o impacto ambiental e os subsídios ocultos das fontes fósseis. Se cada consumidor investisse em GD e armazenamento, o país poderia evitar a construção de novas usinas de grande porte, economizando bilhões em recursos públicos. Quantas Itaipús poderíamos evitar? A provocação é válida: Itaipu custou cerca de US$ 20 bilhões em valores da época. Hoje, construir uma usina desse porte seria ainda mais caro. Se cada brasileiro tivesse painéis solares e baterias em sua residência, empresa ou propriedade rural, poderíamos evitar investimentos dessa magnitude. A descentralização não apenas economiza dinheiro público, mas também fortalece a segurança energética. O caminho é a descentralização A transição energética não é apenas uma questão ambiental, mas de sobrevivência econômica e social. Apagões em série podem paralisar indústrias, hospitais e serviços essenciais. A GD, aliada ao armazenamento e à modernização das redes, é a resposta. Como defensor da descentralização, afirmo: precisamos proteger a GD dos ataques de setores que insistem em manter um modelo ultrapassado. A sociedade já tem as ferramentas, as tecnologias e a consciência. Falta apenas vontade política para reduzir impostos, incentivar o armazenamento e acelerar a modernização. O futuro da energia é distribuído, resiliente e democrático. E é nosso dever lutar por ele.
- 🇧🇷 EP5 – Dados: por que dados são o combustível da inteligência artificial
Série Especial EnergyChannel | Inteligência Artificial: Tudo o Que Precisamos Saber Por que dados são o combustível da inteligência artificial A Inteligência Artificial só existe porque existem dados. Sem eles, algoritmos não aprendem, não evoluem e não geram resultados relevantes. Entender por que dados são o combustível da inteligência artificial é fundamental para compreender o funcionamento e os limites da tecnologia. Quanto maior a qualidade, diversidade e volume de dados, maior tende a ser o desempenho dos sistemas inteligentes. O papel dos dados na evolução da inteligência artificial A rápida evolução da IA nos últimos anos está diretamente ligada à explosão de dados digitais. Fotos, textos, vídeos, sensores, transações financeiras e interações online alimentam modelos capazes de aprender padrões complexos. Essa relação explica por que dados são o combustível da inteligência artificial em praticamente todas as aplicações modernas. Tipos de dados usados na inteligência artificial Para entender melhor por que dados são o combustível da inteligência artificial , é importante conhecer os principais tipos de dados utilizados: Dados estruturados: planilhas, bancos de dados e registros numéricos Dados não estruturados: textos, imagens, vídeos e áudios Dados em tempo real: sensores, dispositivos IoT e sistemas conectados Cada tipo exige técnicas específicas de processamento. Qualidade dos dados: mais importante do que quantidade Nem todo dado gera inteligência. Dados incompletos, enviesados ou desatualizados comprometem resultados. Por isso, além de volume, a qualidade é determinante. Esse fator reforça por que dados são o combustível da inteligência artificial , mas somente quando são confiáveis, diversos e bem tratados. Dados, privacidade e responsabilidade O uso massivo de dados levanta preocupações legítimas sobre privacidade, segurança e consentimento. Coletar e processar informações pessoais sem critérios pode gerar riscos sociais e legais. Compreender por que dados são o combustível da inteligência artificial também implica discutir limites éticos e regulatórios. Quem controla os dados controla a inteligência artificial Empresas e países que dominam grandes volumes de dados possuem vantagem estratégica no desenvolvimento de IA. Esse cenário cria assimetrias econômicas e tecnológicas globais. Essa realidade mostra que dados são o combustível da inteligência artificial não apenas do ponto de vista técnico, mas também geopolítico. O futuro da inteligência artificial depende de dados À medida que novas tecnologias surgem, como sensores inteligentes e cidades conectadas, a produção de dados continuará crescendo. O futuro da IA será definido pela capacidade de coletar, interpretar e proteger esses dados. No próximo episódio, o EnergyChannel analisa os diferentes tipos de IA fraca e IA forte e os mitos em torno da consciência artificial. 🇧🇷 EP5 – Dados: por que dados são o combustível da inteligência artificial
- 🌍 Políticas Públicas para um Planeta Viável | Episódio 6
Água como política de Estado: gestão hídrica no século XXI 🌍 Políticas Públicas para um Planeta Viável | Episódio 6 📦 Série Especial EnergyChannel – Políticas Públicas para um Planeta Viável Esta reportagem integra a série especial do EnergyChannel que analisa, de forma jornalística e independente, como decisões públicas moldam o futuro ambiental, social e econômico do planeta. Ao longo de 12 episódios, a série investiga o impacto real das políticas públicas em áreas estratégicas como energia, cidades, agricultura, tecnologia, educação e governança global. A água é um recurso essencial à vida, à produção de alimentos, à geração de energia e ao funcionamento das cidades. Ainda assim, por muito tempo, sua gestão foi tratada como um tema setorial ou secundário nas agendas públicas. No século XXI, essa abordagem se mostra insuficiente. Diante das mudanças climáticas, do crescimento urbano e da pressão sobre os recursos naturais, a água precisa ser tratada como política de Estado . Crises hídricas recentes em diferentes regiões do mundo evidenciam que a escassez não é apenas resultado de fenômenos naturais, mas também de decisões políticas — ou da ausência delas. Governança da água além das fronteiras administrativas Os sistemas hídricos não respeitam limites políticos. Bacias hidrográficas atravessam municípios, estados e países, exigindo modelos de governança integrados. Políticas públicas fragmentadas, baseadas em divisões administrativas rígidas, tendem a gerar conflitos, ineficiências e degradação ambiental. Experiências bem-sucedidas mostram que a gestão por bacias, com participação de múltiplos atores, amplia a eficiência e a legitimidade das decisões. Esse modelo exige instituições fortes, dados confiáveis e mecanismos de coordenação contínua. Infraestrutura hídrica e planejamento de longo prazo Reservatórios, sistemas de captação, tratamento e distribuição de água demandam investimentos elevados e planejamento de décadas. A ausência de políticas públicas consistentes resulta em perdas, desperdício e vulnerabilidade a eventos extremos, como secas prolongadas ou chuvas intensas. Além da infraestrutura cinza tradicional, cresce a relevância de soluções baseadas na natureza, como a proteção de nascentes, a recuperação de matas ciliares e a gestão de áreas permeáveis. Políticas públicas que integram essas abordagens aumentam a resiliência dos sistemas hídricos. Água, saneamento e saúde pública A gestão da água está diretamente ligada ao saneamento básico e à saúde pública. A falta de acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário adequado compromete a qualidade de vida, amplia desigualdades e sobrecarrega sistemas de saúde. Tratar a água como política de Estado significa reconhecer que investimentos em saneamento não são apenas obras de infraestrutura, mas políticas estruturantes de desenvolvimento social e econômico. Uso racional e conflitos de interesse A água é utilizada simultaneamente por diferentes setores agricultura, indústria, geração de energia e consumo urbano. Políticas públicas eficazes precisam equilibrar esses usos, estabelecer prioridades em situações de escassez e criar mecanismos de resolução de conflitos. Sem regras claras e transparência, disputas pelo uso da água tendem a se intensificar, especialmente em contextos de mudanças climáticas. A previsibilidade regulatória é fundamental para garantir segurança hídrica e estabilidade econômica. Tarifação, acesso e justiça hídrica A forma como a água é precificada reflete escolhas políticas. Tarifas inadequadas podem incentivar o desperdício ou comprometer o acesso de populações vulneráveis. Políticas públicas bem desenhadas buscam equilibrar eficiência econômica, sustentabilidade dos sistemas e justiça social. Reconhecer a água como um bem público essencial não elimina a necessidade de gestão econômica responsável. Ao contrário, reforça a importância de modelos transparentes e socialmente equilibrados. Dados, tecnologia e gestão inteligente Avanços tecnológicos permitem monitorar qualidade, quantidade e uso da água em tempo real. Sensores, sistemas de gestão digital e análise de dados ampliam a capacidade de antecipar crises e otimizar recursos. No entanto, a incorporação dessas ferramentas depende de políticas públicas que promovam inovação e capacitação institucional. A gestão hídrica do século XXI exige decisões baseadas em dados, integração entre setores e capacidade de adaptação contínua. Água como eixo estratégico do desenvolvimento A segurança hídrica é condição básica para o desenvolvimento sustentável. Sem ela, cidades se tornam vulneráveis, a produção agrícola se fragiliza e a geração de energia é comprometida. Tratar a água como política de Estado significa colocá-la no centro das estratégias nacionais e regionais de desenvolvimento. Mais do que responder a crises pontuais, políticas públicas eficazes precisam antecipar cenários, reduzir riscos e garantir que a água continue sendo um recurso disponível para as próximas gerações. 🌍 Políticas Públicas para um Planeta Viável | Episódio 6
- Bioenergia: O combustível do futuro já presente no Brasil
A palavra bioenergia vem da junção de dois termos: bios (do grego, “vida”) e energia (do grego energeia, “atividade, força em ação”). Em essência, bioenergia é a energia obtida a partir de recursos biológicos plantas, resíduos orgânicos, óleos vegetais, algas, entre outros. É transformar aquilo que vem da vida em força motriz para movimentar carros, gerar eletricidade e até abastecer aviões. Bioenergia: O combustível do futuro já presente no Brasil No mundo atual, em que a transição energética e a busca por um mercado de baixo carbono são urgentes, a bioenergia surge como protagonista. Mais que uma alternativa, ela é uma necessidade. O que é bioenergia e como funciona Definição simples: energia produzida a partir de biomassa (matéria orgânica renovável). Exemplos práticos: • Etanol da cana-de-açúcar, usado em carros flex. • Biodiesel, derivado de óleos vegetais e gorduras animais, misturado ao diesel fóssil. • Biogás e biometano, obtidos da decomposição de resíduos orgânicos e de resíduos sólidos urbanos. • SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável para aviação. • Energia a partir de algas, cultivadas em tanques e transformadas em biocombustíveis de alta eficiência. A lógica é simples: em vez de depender de petróleo, carvão ou gás natural, aproveitamos recursos renováveis que podem ser cultivados ou reaproveitados. Bioenergia no Brasil: um gigante verde O Brasil ocupa posição de destaque mundial. Estudos recentes mostram que o país pode dobrar sua produção de biocombustíveis até 2050, utilizando apenas parte dos 100 milhões de hectares de pastos degradados — sem necessidade de desmatamento e com potencial de reduzir em até 92% as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, o país já é líder em etanol de cana-de-açúcar e vem ampliando a produção de biodiesel. Em 2024, entrou em vigor a Lei do Combustível do Futuro, que elevou os biocombustíveis a um novo patamar, incentivando biodiesel, etanol, SAF, diesel verde e biometano. O potencial do biodiesel O biodiesel merece atenção especial. Ele é produzido a partir de óleos vegetais (como soja e mamona) e gorduras animais. Misturado ao diesel fóssil, reduz emissões e melhora a qualidade do ar. Vantagens: • Menor emissão de poluentes. • Geração de empregos no campo e na indústria. • Diversificação da matriz energética. No Brasil, o biodiesel já é misturado obrigatoriamente ao diesel comercializado. A meta é ampliar esse percentual gradualmente, fortalecendo o setor e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. Políticas públicas e incentivos O governo brasileiro tem adotado medidas para consolidar a bioenergia como eixo da transição energética: • Lei do Combustível do Futuro (2024): amplia o uso de biocombustíveis e cria metas de descarbonização. • RenovaBio: instituído em 2017, é a Política Nacional de Biocombustíveis. Seu objetivo é expandir o uso de biocombustíveis, garantir previsibilidade ao mercado e reduzir emissões. O programa já evitou a emissão de mais de 147 milhões de toneladas de CO₂ entre 2020 e 2025, além de criar os Créditos de Descarbonização (CBIOs), negociados na bolsa de valores. • Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares): lançado em 2022, organiza diretrizes e metas para gestão de resíduos sólidos no Brasil. Ele abre espaço para soluções como Usinas de Recuperação Energética (UREs) e biodigestão, que transformam lixo urbano em energia limpa, enquadrando-se como bioenergia. • Política Nacional de Transição Energética: em fase de implementação, busca alinhar o Brasil às metas globais de descarbonização, integrando bioenergia, hidrogênio verde e energias renováveis em um plano estratégico de longo prazo. Essas políticas não apenas estimulam a produção, mas também atraem investidores e fortalecem a imagem do Brasil como líder em energia limpa. Bioenergia e a transição energética O mundo caminha para um mercado de baixo carbono. A bioenergia é peça-chave nesse processo: • Redução de emissões: substitui combustíveis fósseis por alternativas renováveis. • Segurança energética: diversifica fontes e reduz dependência externa. • Competitividade internacional: países que investem em bioenergia ganham destaque em acordos climáticos e mercados globais. Para o Brasil, isso significa não apenas cumprir metas ambientais, mas também abrir portas para novos negócios e parcerias internacionais. Oportunidades para diferentes setores • Investidores: o mercado de bioenergia cresce com segurança jurídica e políticas públicas claras. Os CBIOs já movimentam milhões na bolsa de valores. • Estudantes e profissionais: surgem novas carreiras em engenharia de energia, biotecnologia, agronomia e gestão ambiental. • Agronegócio: aproveitamento de resíduos agrícolas e cultivo de oleaginosas para biodiesel ampliam a renda do produtor. • Sociedade: energia mais limpa significa melhor qualidade de vida, menos poluição e mais empregos verdes. • Gestores públicos de cidades: a produção de biogás e biometano a partir de lixo urbano é uma solução inteligente para o problema das metrópoles. Além de reduzir o volume de resíduos, gera energia renovável e contribui para a economia circular, tornando-se uma política estratégica para prefeitos e secretarias de meio ambiente. Casos práticos no Brasil • Etanol da cana-de-açúcar: consolidado há décadas, abastece milhões de veículos flex. • Biodiesel de soja: o Brasil é um dos maiores produtores mundiais, com usinas espalhadas pelo país. • Biogás de resíduos urbanos: cidades como São Paulo já utilizam aterros sanitários para gerar energia elétrica e biometano para transporte público. A primeira Usina de Recuperação Energética foi inaugurada em Barueri (SP), marcando um novo passo na valorização do lixo como fonte de energia. • Aviação sustentável: empresas aéreas brasileiras começam a testar SAF, alinhando-se às metas globais de descarbonização. • Bioenergia de algas: pesquisas avançam em universidades e centros tecnológicos, mostrando que algas podem ser cultivadas em larga escala e transformadas em biocombustíveis de alta densidade energética. Energia da vida para o futuro e evento para se aprofundar no assunto A bioenergia não é apenas uma alternativa, mas uma solução concreta para os desafios do século XXI. O Brasil, com sua biodiversidade e capacidade agrícola, tem todas as condições de liderar esse movimento. O futuro energético será verde, e o país já está plantando as sementes dessa revolução. Para investidores, estudantes, agricultores, gestores públicos e cidadãos, a bioenergia representa oportunidade, inovação e esperança. Em um mundo que busca reduzir emissões e preservar o planeta, transformar vida em energia é mais que uma metáfora: é o caminho para garantir que a vida continue pulsando. E para quem deseja se aprofundar nesse tema, em março de 2026 acontecerá em Porto Alegre o Congresso Internacional de Bioenergia, junto com a Biotech Fair, reunindo especialistas, empresas expositoras e pesquisadores para discutir justamente essas soluções do biodiesel às algas, dos resíduos urbanos ao futuro da aviação sustentável. Bioenergia: O combustível do futuro já presente no Brasil
- Da Matéria-Prima ao Produto Final: Quem Controla a Cadeia, Controla o Valor
Na indústria do futuro, produzir bem não é suficiente. O verdadeiro diferencial competitivo está em controlar o caminho completo da origem da matéria-prima até o produto que chega ao consumidor. Da Matéria-Prima ao Produto Final: Quem Controla a Cadeia, Controla o Valor Durante décadas, a indústria global fragmentou suas cadeias produtivas em busca de eficiência máxima. Cada etapa passou a ocorrer onde o custo era menor. O modelo funcionou enquanto o mundo operou em estabilidade relativa. Hoje, ele mostra seus limites. A nova lógica industrial aponta para um princípio claro: quanto maior o controle da cadeia, maior a capacidade de gerar valor e resistir a crises . Cadeias longas criam valor e fragilidade A fragmentação permitiu ganhos de escala e redução de custos, mas também criou dependências difíceis de gerenciar. Um problema em uma única etapa pode paralisar toda a operação. Empresas altamente especializadas, porém desconectadas da cadeia completa, tornaram-se eficientes e vulneráveis. Na indústria do futuro, eficiência sem controle não sustenta competitividade. Verticalização volta ao centro da estratégia O conceito de verticalização nunca desapareceu, mas ganhou novo significado. Não se trata mais de fazer tudo internamente, mas de controlar os pontos críticos da cadeia . Isso inclui: Acesso a matéria-prima Processamento e refino Produção de componentes estratégicos Energia e logística Pós-venda e reciclagem Controlar não significa possuir significa garantir previsibilidade. Quem fica no meio da cadeia perde poder Empresas que atuam apenas em etapas intermediárias, sem diferenciação tecnológica ou controle de insumos, enfrentam margens cada vez menores. O valor tende a se concentrar: No início da cadeia (recursos e tecnologia) No final (marca, serviço e relacionamento com o cliente) O “meio” da cadeia torna-se o ponto mais exposto à pressão de custos e concorrência global. Digitalização como ferramenta de controle A tecnologia tornou-se essencial para coordenar cadeias complexas. Plataformas digitais, dados em tempo real e inteligência artificial permitem: Monitorar fornecedores Antecipar riscos Ajustar produção Garantir rastreabilidade A cadeia do futuro é integrada por dados, não apenas por contratos. Energia e logística entram na equação do valor Controle da cadeia também envolve energia e logística. Custos energéticos voláteis e gargalos logísticos podem eliminar qualquer vantagem industrial. Empresas que investem em autoprodução de energia, contratos de longo prazo e soluções logísticas próprias ganham previsibilidade — e competitividade. A cadeia não termina na fábrica. Economia circular fecha o ciclo A indústria do futuro passa a enxergar resíduos como insumos. Reciclagem, reuso e remanufatura tornam-se partes estruturais da cadeia, reduzindo dependência de recursos virgens. Quem fecha o ciclo controla não apenas custos, mas reputação, acesso a capital e conformidade regulatória. Controle de cadeia é estratégia, não ideologia O retorno ao controle não representa o fim da globalização, mas sua maturação. Cadeias globais continuarão existindo, mas com maior diversificação, redundância e inteligência. Empresas que dominam sua cadeia não são necessariamente maiores — são mais preparadas. O valor mora no controle Na indústria do futuro, valor não está apenas no produto final, mas na capacidade de garantir fornecimento, energia, qualidade e continuidade. Quem controla a cadeia controla o ritmo do mercado. A fragmentação extrema perdeu força. O controle estratégico voltou a ser o novo diferencial industrial. Na próxima edição EP6 – Energia: O Novo Insumo Crítico da Indústria Por que energia deixou de ser apenas custo e passou a definir competitividade, localização e sobrevivência industrial. Da Matéria-Prima ao Produto Final: Quem Controla a Cadeia, Controla o Valor
- Curitiba recebe Fórum Regional de Geração Distribuída e reforça protagonismo do Sul na transição energética
Entre os dias 29 e 31 de julho de 2026, Curitiba (PR) será o centro das discussões estratégicas sobre geração distribuída (GD) no Brasil. Curitiba recebe Fórum Regional de Geração Distribuída e reforça protagonismo do Sul na transição energética A capital paranaense sediará a 31ª edição do Fórum Regional de Geração Distribuída – Sul/Sudeste, consolidado como um dos principais encontros técnicos e institucionais do setor elétrico nacional. Promovido pelo Grupo FRG Mídias & Eventos, o evento reunirá executivos, investidores, representantes do poder público, integradores, fabricantes e especialistas para debater os rumos da GD em um cenário de expansão acelerada e mudanças regulatórias estruturais. A edição de 2026 acontece em um momento decisivo para o setor, marcado por amadurecimento regulatório, consolidação de modelos de negócio e avanço tecnológico especialmente em armazenamento e digitalização da rede. Geração distribuída supera 43 GW e mantém ritmo de crescimento De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, o Brasil já ultrapassou 43,5 GW de potência instalada em geração distribuída solar, com cerca de 3,8 milhões de sistemas conectados à rede elétrica. O número representa aproximadamente 21 milhões de brasileiros beneficiados pela modalidade, consolidando a energia solar como principal vetor da descentralização da matriz elétrica. As projeções para 2026 indicam crescimento adicional de 15%, impulsionado por: Maior previsibilidade regulatória pós-Lei 14.300 Expansão do crédito e novas estruturas de financiamento Consolidação do modelo de geração compartilhada Avanço dos sistemas híbridos com armazenamento Sul e Sudeste concentram liderança estratégica As regiões Sul e Sudeste desempenham papel central nessa expansão. Estados como Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul figuram entre os líderes nacionais em potência instalada, sustentados por: Infraestrutura elétrica mais robusta Ambiente regulatório estadual favorável Maior densidade industrial e comercial Forte presença de integradores e desenvolvedores A escolha de Curitiba como sede reforça o posicionamento da cidade como polo de inovação, sustentabilidade urbana e planejamento energético inteligente. Integração com a Feira ReciclAção amplia agenda ESG A edição de 2026 será realizada de forma integrada à Feira ReciclAção 2026, evento voltado à indústria da reciclagem, saneamento ambiental e energias alternativas. A convergência entre os dois encontros amplia o debate sobre economia circular, eficiência energética e infraestrutura sustentável, conectando o setor elétrico às demandas reais da indústria, do comércio e das cidades inteligentes. A sinergia reforça uma tendência clara: a transição energética deixou de ser apenas pauta do setor elétrico e passou a ocupar espaço estratégico na agenda industrial e urbana. Temas centrais do Fórum GD Sul/Sudeste 2026 A programação técnica deve abordar questões estruturais para o futuro da GD no Brasil: O papel da geração distribuída na transição energética nacional Segurança jurídica e impactos regulatórios pós-Lei 14.300 Financiamento estruturado e novos modelos de negócio Digitalização, smart grids e inteligência energética Armazenamento e integração com novas fontes renováveis A expectativa é que o evento estimule discussões sobre o equilíbrio entre expansão da GD e sustentabilidade do sistema elétrico, especialmente diante dos desafios de compensação de energia e modernização das distribuidoras. Ambiente de negócios e amadurecimento do setor Com mais de 30 edições realizadas em diferentes regiões do país, o Fórum Regional de Geração Distribuída consolidou-se como plataforma de negócios, networking e construção institucional. Em um cenário de consolidação do mercado marcado por fusões, profissionalização das integradoras e maior presença de fundos de investimento encontros como esse ganham relevância estratégica. Curitiba, ao sediar a edição Sul/Sudeste, posiciona-se no centro do debate sobre descentralização energética, sustentabilidade urbana e desenvolvimento econômico de baixo carbono. Serviço 📅 Data: 29 a 31 de julho de 2026 📍 Local: Curitiba/PR (local a confirmar) 📧 Informações: contato@grupofrg.com.br 📞 Telefone: (41) 99176-2634 A edição de 2026 promete reunir os principais protagonistas da geração distribuída brasileira em um momento-chave para a consolidação da transição energética no país com o Sul e o Sudeste como motores técnicos, econômicos e regulatórios dessa transformação. Curitiba recebe Fórum Regional de Geração Distribuída e reforça protagonismo do Sul na transição energética
- BYD fecha venda de 10 mil veículos para a Localiza e acelera eletrificação da mobilidade no Brasil
Por EnergyChannel | Mobilidade Elétrica & Transição Energética BYD fecha venda de 10 mil veículos para a Localiza e acelera eletrificação da mobilidade no Brasil A expansão da mobilidade elétrica no Brasil ganhou um novo impulso após a parceria estratégica entre a BYD e a Localiza&Co para o fornecimento de 10 mil veículos eletrificados. O acordo, considerado um dos maiores já realizados no país nesse segmento, deve impactar diretamente o acesso da população e das empresas a tecnologias automotivas de baixa emissão. Acordo amplia oferta de veículos elétricos e híbridos O contrato prevê a incorporação gradual dos veículos à frota da Localiza ao longo dos próximos dois anos, com foco em locação tradicional, assinatura automotiva e gestão de frotas corporativas. A iniciativa surge após um período superior a um ano de testes operacionais conduzidos pela locadora para avaliar desempenho, eficiência energética e confiabilidade dos modelos da montadora chinesa. Atualmente, a Localiza opera mais de 630 mil veículos na América Latina, o que transforma a parceria em uma vitrine estratégica para a adoção em larga escala de carros eletrificados no país. Além disso, executivos das duas companhias indicam que o objetivo é ampliar o acesso da população à tecnologia elétrica e híbrida, reduzindo barreiras de entrada por meio de modelos flexíveis de uso, como aluguel e assinatura. Quais modelos fazem parte da negociação O portfólio incluído no acordo combina veículos 100% elétricos e híbridos plug-in, com foco em diferentes perfis de mobilidade. Entre os principais modelos confirmados estão: Song Plus – SUV híbrido plug-in com foco em desempenho e autonomia combinada elevada Song Pro – SUV eletrificado voltado ao equilíbrio entre eficiência e custo operacional Dolphin – Hatch elétrico compacto com maior espaço interno e autonomia ampliada Dolphin Mini – Subcompacto elétrico, hoje um dos veículos elétricos mais vendidos do Brasil O Dolphin Mini, por exemplo, possui versões com autonomia entre aproximadamente 250 km e 280 km, conforme certificação do Inmetro, posicionando-se como modelo estratégico para operações urbanas e frotas corporativas. Já o Dolphin tradicional amplia o espaço interno e a autonomia, podendo atingir cerca de 291 km com uma única carga, o que o torna mais versátil para deslocamentos urbanos e intermunicipais. Movimento estratégico para o mercado automotivo O acordo também reflete uma mudança estrutural no setor de mobilidade brasileiro. Ao incluir veículos eletrificados em larga escala na frota de locação, a Localiza passa a atuar como um canal de democratização tecnológica, permitindo que consumidores experimentem veículos elétricos antes de optar pela compra. Analistas de mercado apontam que o volume negociado representa cerca de 1,5% das aquisições totais da frota da locadora e aproximadamente 2% das vendas projetadas da BYD no país, indicando impacto relevante, ainda que gradual, na estratégia de expansão das duas empresas. Eletrificação como porta de entrada para novos modelos de negócio Além do aluguel tradicional, os veículos poderão ser utilizados em: Programas de assinatura automotiva Gestão de frotas corporativas Venda posterior no mercado de seminovos Soluções de mobilidade sob demanda Esse modelo contribui para acelerar a adoção da mobilidade elétrica, reduzindo custos iniciais para consumidores e ampliando o ciclo de vida comercial dos veículos eletrificados. Expansão da BYD e consolidação do Brasil como mercado estratégico O Brasil já se consolidou como um dos principais mercados internacionais da BYD. A empresa acumula centenas de milhares de veículos vendidos no país desde sua entrada no segmento de automóveis de passeio e mantém investimentos relevantes em produção local, com expectativa de ampliar a capacidade industrial nos próximos anos. A parceria com a Localiza reforça essa estratégia ao combinar escala industrial com acesso direto ao consumidor final, acelerando a curva de adoção de veículos de baixa emissão. Impactos para a transição energética Sob a perspectiva energética, o acordo vai além do setor automotivo. A ampliação da frota elétrica tende a: Aumentar a demanda por infraestrutura de recarga Estimular investimentos em geração renovável Reduzir emissões no setor de transportes, um dos maiores emissores de carbono Fortalecer o conceito de mobilidade como serviço (MaaS) Com locadoras assumindo protagonismo na eletrificação, o Brasil pode acelerar a transição energética no transporte leve sem depender exclusivamente da venda direta ao consumidor. BYD fecha venda de 10 mil veículos para a Localiza e acelera eletrificação da mobilidade no Brasil
- Supercondutores entram no radar da Microsoft e podem redefinir a energia dos data centers de IA
Por EnergyChannel | Especial Infraestrutura & Transição Energética Supercondutores entram no radar da Microsoft e podem redefinir a energia dos data centers de IA A corrida global por inteligência artificial está provocando uma transformação silenciosa, mas profunda, na infraestrutura elétrica dos data centers. No centro desse movimento está a Microsoft, que avalia o uso de supercondutores como alternativa estratégica para aumentar eficiência, reduzir perdas e sustentar o crescimento acelerado de suas operações em nuvem. A nova equação energética da IA Modelos avançados de IA exigem volumes massivos de processamento. Isso significa mais servidores, mais densidade computacional e, principalmente, mais eletricidade. O desafio não é apenas gerar energia limpa, mas distribuí-la internamente com eficiência dentro dos próprios data centers. Hoje, cabos convencionais de cobre e alumínio dissipam parte da energia em forma de calor. Essa perda, embora tecnicamente conhecida e inevitável, torna-se crítica quando aplicada a cargas de múltiplos megawatts por instalação. É nesse contexto que entram os supercondutores de alta temperatura (HTS). O que muda com os supercondutores Supercondutores são materiais que, quando mantidos em temperaturas criogênicas, conduzem eletricidade praticamente sem resistência elétrica. Na prática, isso significa: Transmissão de energia com perdas quase nulas Menor geração de calor Cabos fisicamente mais compactos Maior capacidade de transporte de potência por unidade de espaço Para data centers que operam em altíssima densidade energética, essa combinação pode alterar completamente o desenho da infraestrutura elétrica interna. Da geração à distribuição: eficiência como ativo estratégico A Microsoft tem investido pesado em energia renovável e contratos de compra de energia (PPAs). No entanto, produzir energia limpa é apenas parte da equação. A outra parte está na eficiência da distribuição. Se implementados em escala comercial, supercondutores poderiam: Reduzir a necessidade de grandes corredores de cabos Diminuir perdas térmicas que exigem sistemas adicionais de resfriamento Permitir maior densidade energética em racks de servidores Otimizar o uso de subestações internas Em um cenário onde data centers podem se tornar um dos maiores consumidores individuais de energia em economias desenvolvidas até o final da década, cada ponto percentual de eficiência ganha relevância estratégica. Parcerias e testes em andamento A Microsoft vem apoiando iniciativas tecnológicas focadas em supercondutores aplicados à infraestrutura energética. Testes laboratoriais já demonstram a possibilidade de entregar múltiplos megawatts diretamente a racks de servidores usando cabos supercondutores significativamente menores que os convencionais. O avanço ainda depende de desafios técnicos importantes, especialmente relacionados a: Sistemas de resfriamento criogênico Custos de produção dos materiais Escalabilidade industrial Mas o movimento sinaliza uma mudança de mentalidade: tecnologia digital e tecnologia energética passam a evoluir juntas. Impacto além da Big Tech Embora o foco inicial esteja em data centers de hiperescala, o uso de supercondutores pode extrapolar o universo da computação em nuvem. Aplicações futuras incluem: Linhas de transmissão urbana de alta capacidade Integração de grandes volumes de energia renovável Infraestrutura elétrica para polos industriais de alta densidade Se a curva de custos cair nos próximos anos, supercondutores poderão se tornar uma peça relevante na modernização das redes elétricas globais. Uma nova fase da transição energética digital A transição energética não se limita a trocar carvão por solar ou gás por eólica. Ela também envolve reinventar como a eletricidade circula. Ao explorar supercondutores, a Microsoft aponta para uma tendência maior: a convergência entre infraestrutura digital e inovação energética. A próxima etapa da revolução da IA pode depender menos apenas de chips mais poderosos — e mais de como a energia chega até eles. Para o setor elétrico, isso abre uma pergunta estratégica: estamos preparados para uma era em que eficiência de transmissão interna será tão importante quanto geração limpa? No EnergyChannel, acompanharemos de perto essa fronteira onde tecnologia, energia e geopolítica industrial se encontram. Supercondutores entram no radar da Microsoft e podem redefinir a energia dos data centers de IA
- China e Índia Redefinem o Futuro da Energia Limpa e Desafiam Velhas Regras do Desenvolvimento
Por EnergyChannel , 13 de fevereiro de 2026 China e Índia Redefinem o Futuro da Energia Limpa e Desafiam Velhas Regras do Desenvolvimento Num momento histórico para a transição energética mundial, China e Índia estão liderando um novo paradigma global na transição para fontes de energia limpas e pela redução da dependência de combustíveis fósseis um movimento que especialistas estão chamando de “era dos eletro-estados” ( electrostates ). Uma nova fase no crescimento econômico e energético Dados recentes indicam que a geração de energia a partir de fontes limpas na China está crescendo mais rápido do que a demanda por eletricidade , com recordes sucessivos de instalações solares e eólicas em 2025. Ao mesmo tempo, a produção de eletricidade a partir do carvão e gás natural tem diminuído algo que não ocorria simultaneamente nesses dois países há mais de 50 anos. Na prática, isso significa que o crescimento econômico pode estar gradualmente se desacoplando do uso de combustíveis fósseis nesses gigantes asiáticos um desenvolvimento que, até recentemente, muitos analistas consideravam improvável. China: pioneira no modelo electrostate A China é apontada por estudiosos e pela mídia internacional como a nação que está mais próxima de se tornar o primeiro verdadeiro electrostate um país cuja economia é sustentada principalmente por eletricidade limpa, com participação crescente de energia renovável. Nos últimos anos, o país investiu massivamente em indústria solar, eólica e armazenamento de energia, tornando-se também um dos maiores fornecedores globais de tecnologia limpa. Analistas observam que esse modelo não se limita a ações de mitigação climática, mas está também ligado à segurança energética e ao desenvolvimento econômico : ao reduzir sua dependência de combustíveis importados, a China fortalece sua autonomia econômica e constrói um setor industrial de alta tecnologia competitivo globalmente. Índia acelera e pode superar o modelo chinês na mesma etapa de desenvolvimento Enquanto a China estruturou sua transição energética principalmente com base em sua própria trajetória industrial pesada, a Índia está eletrificando sua economia ainda mais rapidamente e com menor intensidade de combustíveis fósseis por pessoa , segundo relatório do think tank Ember e divulgado pela CNN. Ainda que nenhum país tenha alcançado o status formal de electrostate , a Índia demonstra que é possível saltar diretamente para tecnologias elétricas e renováveis sem passar por décadas de dependência de petróleo e carvão , como ocorreu em muitos países industrializados no século XX. Partes desse avanço indiano incluem: expansão acelerada de energia solar, eólica e hidrelétrica; crescimento das vendas de veículos elétricos (EVs) incluindo veículos leves e de transporte público mais eficientes; menor consumo de combustíveis fósseis por pessoa em comparação com a China em estágio similar de desenvolvimento econômico. Impactos globais da transição asiática Essa mudança energética em duas das economias mais populosas e dinâmicas do planeta não apenas reduz emissões potenciais de carbono, mas altera as expectativas globais de como países em desenvolvimento podem crescer com energia limpa . Enquanto economias tradicionalmente desenvolvidas debatem metas de neutralidade de carbono e transições mais lentas, os modelos de China e Índia mostram que: a tecnologia limpa pode se tornar competitiva mais rápido do que se pensava; eletricidade renovável pode ser um motor de crescimento econômico; e novas formas de industrialização verde podem emergir sem repetir os modelos dependentes de combustíveis fósseis do passado. Desafios e limites Mesmo com avanços notáveis, coal ainda representa uma parte significativa da matriz energética em ambos os países , e a transição não é linear nem livre de desafios. Especialistas apontam que a consolidação de sistemas elétricos limpos exigirá investimentos contínuos em armazenamento de energia, infraestrutura de transmissão e integração de mercados. Além disso, a dependência em algumas cadeias de suprimentos como fabricação de painéis solares e baterias ainda coloca lacunas estratégicas que políticas públicas e parcerias globais deverão enfrentar nos próximos anos. O que está em jogo O avanço de China e Índia rumo a economias mais eletrificadas e menos dependentes de combustíveis fósseis representa um capítulo transformador da transição energética global e pode redefinir padrões e estratégias para outras regiões, como América Latina, África e Sudeste Asiático, que buscam crescer com energia mais barata, confiável e limpa. Com esse movimento, o mundo começa a experimentar não apenas uma mudança tecnológica, mas uma mudança estrutural de paradigmas sobre como as nações podem prosperar com neutralidade climática e resiliência energética um passo essencial no combate às mudanças climáticas e na construção de um futuro sustentável. China e Índia Redefinem o Futuro da Energia Limpa e Desafiam Velhas Regras do Desenvolvimento
- Empresa fundada por brasileiros no Canadá desenvolve soluções para infraestrutura de energia elétrica
Consultoria especializada atua com software usado por concessionárias e une expertise técnica brasileira aos padrões rigorosos do mercado norte-americano Empresa fundada por brasileiros no Canadá desenvolve soluções para infraestrutura de energia elétrica Fundada por três brasileiros que imigraram para o Canadá, a MagikDev é uma empresa especializada no desenvolvimento e consultoria para a plataforma Geo Network Management Smallworld, sistema de gestão de redes de serviços essenciais, como energia elétrica, água, saneamento, gás e telecomunicações. Sediada em Lethbridge, na província de Alberta, a MagikDev atende concessionárias e empresas no Canadá, nos Estados Unidos e no Brasil. Parceira oficial da GE Vernova, empresa global do setor de energia e proprietária do GNM Smallworld, a MagikDev trabalha com soluções que permitem às empresas mapear, monitorar e gerenciar ativos físicos de redes, como linhas de energia, postes, equipamentos e sistemas de transmissão, garantindo maior segurança operacional e eficiência nos processos de manutenção. Na prática, o GNM Smallworld funciona como uma espécie de mapa inteligente da infraestrutura física e é considerado um software crítico, pois orienta decisões que impactam diretamente a continuidade do fornecimento de serviços essenciais e a segurança de equipes em campo. “O software precisa estar absolutamente correto. Um erro de informação pode levar um técnico a acreditar que uma linha está desligada quando, na verdade, ela está energizada com milhares de volts”, afirma Ronaldo Terra, CEO da MagikDev. “Estamos falando de tecnologia que protege infraestrutura essencial e também vidas humanas.” Situações como as registradas em grandes centros urbanos brasileiros, onde eventos climáticos extremos comprometem redes de distribuição de energia, ajudam a ilustrar a importância de sistemas confiáveis de gestão de infraestrutura. Em cenários desse tipo, a capacidade de identificar rapidamente falhas, isolar trechos da rede e orientar equipes de manutenção com precisão é fundamental para reduzir o tempo de interrupção no fornecimento e aumentar a segurança das operações. Além de atuar com implementação, integração e suporte, a MagikDev se destaca também pelo desenvolvimento de soluções próprias. “Cada concessionária opera de uma forma diferente. Nosso trabalho é implementar o software, customizá-lo de acordo com a realidade do cliente e oferecer suporte contínuo para que ele seja usado da melhor maneira possível, ajudando as empresas a identificar falhas, planejar manutenções e responder com mais rapidez a ocorrências que poderiam resultar em interrupções no serviço”, explica Terra. Dentre essas soluções está um assistente baseado em inteligência artificial criado para operar de forma integrada ao GNM Smallworld, com foco em segurança da informação. A proposta é permitir que usuários façam buscas complexas e gerenciem objetos do sistema por meio de comandos de voz ou texto sem expor dados sensíveis ou comprometer a segurança das informações. Outra solução proprietária da empresa é o Job Orchestrator, que gerencia de maneira automatizada o monitoramento e o balanceamento de carga dos servidores de tarefas do GNM Smallworld para eliminar períodos de inatividade, garantindo eficiência máxima sem intervenção humana e impulsionando a lucratividade. Ronaldo Terra, CEO da MagikDev Divulgação A trajetória da MagikDev está diretamente ligada à experiência de seus fundadores. O time de liderança, formado pelo CIO Walter Cherfem e pelo COO Sergio Rodrigues, além de Ronaldo Terra, reúne décadas de atuação em projetos complexos de tecnologia, com especialização em GIS (Geographic Information Systems), gestão de redes e implementação de softwares para grandes organizações. Antes de fundar a MagikDev, os executivos já haviam participado de projetos estratégicos para concessionárias e empresas de infraestrutura em diferentes países. Como reconhecimento dessa atuação, a MagikDev será expositora e palestrante na conferência internacional Orchestrate 2026, promovida pela GE Vernova, que acontece em junho na cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. O evento reúne empresas e especialistas do setor de energia de diversos países para discutir o futuro das redes e da transformação digital. “A participação em um evento global como esse simboliza não apenas o crescimento da empresa, mas também a consolidação de uma história de empreendedorismo internacional”, completa Ronaldo Terra. Empresa fundada por brasileiros no Canadá desenvolve soluções para infraestrutura de energia elétrica
- ANEEL abre consulta pública para regulamentar armazenamento de energia no Brasil
A Agência Nacional de Energia Elétrica deu mais um passo na modernização do setor elétrico ao anunciar a abertura de consulta pública para discutir a regulamentação do armazenamento de energia no país. A iniciativa marca um momento estratégico para a consolidação de baterias e outras tecnologias como ativos estruturais do sistema elétrico brasileiro. ANEEL abre consulta pública para regulamentar armazenamento de energia no Brasil A medida atende a uma demanda antiga do mercado, que vinha cobrando regras claras para enquadramento regulatório, remuneração e conexão desses sistemas à rede. Por que o armazenamento virou prioridade Com o avanço acelerado das fontes renováveis variáveis especialmente solar e eólica cresce a necessidade de mecanismos que garantam estabilidade e flexibilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O armazenamento cumpre papel essencial ao: Suavizar picos de geração e consumo Reduzir despacho térmico emergencial Aumentar confiabilidade da rede Postergar investimentos em transmissão Melhorar qualidade e estabilidade de frequência Sem um marco regulatório definido, porém, projetos enfrentam incerteza jurídica e dificuldades de financiamento. O que está em discussão A consulta pública deverá abordar pontos centrais como: Classificação regulatória dos sistemas de armazenamento Regras de outorga e conexão Modelo de remuneração (serviços ancilares, capacidade, arbitragem de energia) Tratamento tarifário e encargos setoriais Integração com geração distribuída e mercado livre O objetivo é estruturar um ambiente que permita ao armazenamento participar de forma competitiva e transparente do mercado. Impactos para investidores e desenvolvedores A sinalização da ANEEL tende a destravar projetos que aguardavam definição regulatória. Hoje, investidores enfrentam incertezas sobre: Receita recorrente e previsibilidade de fluxo de caixa Elegibilidade para leilões regulados Possibilidade de contratação no Ambiente de Contratação Livre (ACL) Estrutura de financiamento junto a bancos Com regras claras, o Brasil pode acelerar a formação de um mercado relevante de baterias em escala utility e comercial-industrial. Tendência global e oportunidade brasileira Em mercados maduros como Estados Unidos, Europa e China, o armazenamento já é peça-chave da transição energética. O Brasil, com matriz majoritariamente renovável e forte crescimento da solar, reúne condições técnicas para ampliar rapidamente esse segmento. Especialistas avaliam que a regulamentação adequada pode posicionar o país como um dos principais mercados emergentes para armazenamento na América Latina, atraindo capital internacional e novos fabricantes. Próximos passos A consulta pública abre espaço para contribuições de agentes, associações, investidores e consumidores. Após análise das contribuições, a agência deverá consolidar uma resolução normativa definindo as bases regulatórias do setor. Para o mercado, o movimento representa mais do que um ajuste técnico trata-se da construção de um novo pilar estrutural do sistema elétrico brasileiro. O EnergyChannel acompanhará de perto os desdobramentos e os impactos práticos para desenvolvedores, investidores e consumidores de energia. ANEEL abre consulta pública para regulamentar armazenamento de energia no Brasil











