Bioenergia: O combustível do futuro já presente no Brasil
- Renato Zimmermann
- há 6 horas
- 4 min de leitura
A palavra bioenergia vem da junção de dois termos: bios (do grego, “vida”) e energia (do grego energeia, “atividade, força em ação”). Em essência, bioenergia é a energia obtida a partir de recursos biológicos plantas, resíduos orgânicos, óleos vegetais, algas, entre outros. É transformar aquilo que vem da vida em força motriz para movimentar carros, gerar eletricidade e até abastecer aviões.

No mundo atual, em que a transição energética e a busca por um mercado de baixo carbono são urgentes, a bioenergia surge como protagonista. Mais que uma alternativa, ela é uma necessidade.
O que é bioenergia e como funciona
Definição simples: energia produzida a partir de biomassa (matéria orgânica renovável).
Exemplos práticos:
• Etanol da cana-de-açúcar, usado em carros flex.
• Biodiesel, derivado de óleos vegetais e gorduras animais, misturado ao diesel fóssil.
• Biogás e biometano, obtidos da decomposição de resíduos orgânicos e de resíduos sólidos urbanos.
• SAF (Sustainable Aviation Fuel), combustível sustentável para aviação.
• Energia a partir de algas, cultivadas em tanques e transformadas em biocombustíveis de alta eficiência.
A lógica é simples: em vez de depender de petróleo, carvão ou gás natural, aproveitamos recursos renováveis que podem ser cultivados ou reaproveitados.
Bioenergia no Brasil: um gigante verde
O Brasil ocupa posição de destaque mundial. Estudos recentes mostram que o país pode dobrar sua produção de biocombustíveis até 2050, utilizando apenas parte dos 100 milhões de hectares de pastos degradados — sem necessidade de desmatamento e com potencial de reduzir em até 92% as emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, o país já é líder em etanol de cana-de-açúcar e vem ampliando a produção de biodiesel. Em 2024, entrou em vigor a Lei do Combustível do Futuro, que elevou os biocombustíveis a um novo patamar, incentivando biodiesel, etanol, SAF, diesel verde e biometano.
O potencial do biodiesel
O biodiesel merece atenção especial. Ele é produzido a partir de óleos vegetais (como soja e mamona) e gorduras animais. Misturado ao diesel fóssil, reduz emissões e melhora a qualidade do ar.
Vantagens:
• Menor emissão de poluentes.
• Geração de empregos no campo e na indústria.
• Diversificação da matriz energética.
No Brasil, o biodiesel já é misturado obrigatoriamente ao diesel comercializado. A meta é ampliar esse percentual gradualmente, fortalecendo o setor e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
Políticas públicas e incentivos
O governo brasileiro tem adotado medidas para consolidar a bioenergia como eixo da transição energética:
• Lei do Combustível do Futuro (2024): amplia o uso de biocombustíveis e cria metas de descarbonização.
• RenovaBio: instituído em 2017, é a Política Nacional de Biocombustíveis. Seu objetivo é expandir o uso de biocombustíveis, garantir previsibilidade ao mercado e reduzir emissões. O programa já evitou a emissão de mais de 147 milhões de toneladas de CO₂ entre 2020 e 2025, além de criar os Créditos de Descarbonização (CBIOs), negociados na bolsa de valores.
• Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares): lançado em 2022, organiza diretrizes e metas para gestão de resíduos sólidos no Brasil. Ele abre espaço para soluções como Usinas de Recuperação Energética (UREs) e biodigestão, que transformam lixo urbano em energia limpa, enquadrando-se como bioenergia.
• Política Nacional de Transição Energética: em fase de implementação, busca alinhar o Brasil às metas globais de descarbonização, integrando bioenergia, hidrogênio verde e energias renováveis em um plano estratégico de longo prazo.
Essas políticas não apenas estimulam a produção, mas também atraem investidores e fortalecem a imagem do Brasil como líder em energia limpa.
Bioenergia e a transição energética
O mundo caminha para um mercado de baixo carbono. A bioenergia é peça-chave nesse processo:
• Redução de emissões: substitui combustíveis fósseis por alternativas renováveis.
• Segurança energética: diversifica fontes e reduz dependência externa.
• Competitividade internacional: países que investem em bioenergia ganham destaque em acordos climáticos e mercados globais.
Para o Brasil, isso significa não apenas cumprir metas ambientais, mas também abrir portas para novos negócios e parcerias internacionais.
Oportunidades para diferentes setores
• Investidores: o mercado de bioenergia cresce com segurança jurídica e políticas públicas claras. Os CBIOs já movimentam milhões na bolsa de valores.
• Estudantes e profissionais: surgem novas carreiras em engenharia de energia, biotecnologia, agronomia e gestão ambiental.
• Agronegócio: aproveitamento de resíduos agrícolas e cultivo de oleaginosas para biodiesel ampliam a renda do produtor.
• Sociedade: energia mais limpa significa melhor qualidade de vida, menos poluição e mais empregos verdes.
• Gestores públicos de cidades: a produção de biogás e biometano a partir de lixo urbano é uma solução inteligente para o problema das metrópoles. Além de reduzir o volume de resíduos, gera energia renovável e contribui para a economia circular, tornando-se uma política estratégica para prefeitos e secretarias de meio ambiente.
Casos práticos no Brasil
• Etanol da cana-de-açúcar: consolidado há décadas, abastece milhões de veículos flex.
• Biodiesel de soja: o Brasil é um dos maiores produtores mundiais, com usinas espalhadas pelo país.
• Biogás de resíduos urbanos: cidades como São Paulo já utilizam aterros sanitários para gerar energia elétrica e biometano para transporte público. A primeira Usina de Recuperação Energética foi inaugurada em Barueri (SP), marcando um novo passo na valorização do lixo como fonte de energia.
• Aviação sustentável: empresas aéreas brasileiras começam a testar SAF, alinhando-se às metas globais de descarbonização.
• Bioenergia de algas: pesquisas avançam em universidades e centros tecnológicos, mostrando que algas podem ser cultivadas em larga escala e transformadas em biocombustíveis de alta densidade energética.
Energia da vida para o futuro e evento para se aprofundar no assunto
A bioenergia não é apenas uma alternativa, mas uma solução concreta para os desafios do século XXI. O Brasil, com sua biodiversidade e capacidade agrícola, tem todas as condições de liderar esse movimento.
O futuro energético será verde, e o país já está plantando as sementes dessa revolução. Para investidores, estudantes, agricultores, gestores públicos e cidadãos, a bioenergia representa oportunidade, inovação e esperança.
Em um mundo que busca reduzir emissões e preservar o planeta, transformar vida em energia é mais que uma metáfora: é o caminho para garantir que a vida continue pulsando.
E para quem deseja se aprofundar nesse tema, em março de 2026 acontecerá em Porto Alegre o Congresso Internacional de Bioenergia, junto com a Biotech Fair, reunindo especialistas, empresas expositoras e pesquisadores para discutir justamente essas soluções do biodiesel às algas, dos resíduos urbanos ao futuro da aviação sustentável.
Bioenergia: O combustível do futuro já presente no Brasil






