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- Mineração descarbonizada: caminho sem volta
Mesmo com a mineração esperando a consolidação das tecnologias da transição energética, esforços para o net zero seguem avançando Mineração descarbonizada: caminho sem volta Por Fausto Almeida Em 2021, o anúncio de que as maiores mineradoras do mundo, reunidas no Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM), tinham se comprometido a neutralizar suas emissões antes de 2050 foi recebido com alegria, mas também com ceticismo. Afinal, a mineração é responsável, sozinha, por 7% das emissões globais de CO₂, usa energia de forma intensiva em todas as etapas produtivas e depende, em grande medida, de equipamentos poluentes, movidos a diesel, cuja operação responde por metade da pegada de carbono do setor. Os compromissos firmados em 2021, no entanto, vêm avançando. Temos visto, inclusive entre mineradoras que não fazem parte do ICMM, anúncios em série de projetos que têm em comum o fato de priorizarem a eletrificação como rota tecnológica para erradicar o uso de diesel no setor, além de investimentos em automação e digitalização, mirando ganhos de eficiência. Entre os provedores de tecnologia de eletrificação, só nós, da ABB, desde 2021, realizamos 26 estudos solicitados por mineradoras para suas extrações em nove países, dos quais seis já foram levados a cabo na forma de sistemas de trolley inteligentes para mover caminhões elétricos e híbridos, além de um sétimo sistema que se encontra em implementação. Além das atividades da ABB, outros indícios nos fazem crer que a descarbonização segue avançando. A pesquisa Mining’s Moment, estudo divulgado pela ABB em outubro do ano passado, feito junto a 412 executivos de mineradoras, provedoras de tecnologia e especialistas, trouxe tanto informações animadoras como dados que merecem atenção. Entre as boas notícias está o fato de que 42% dos respondentes disseram ter em suas empresas planos de curto prazo para descarbonizar frotas já em 2026 no curtíssimo prazo, portanto. Além disso, 63% disseram esperar ter ao menos 25% de suas frotas operando já sem o uso de diesel até o ano de 2030, ou seja, logo ali. Esses números claramente mostram que, em quase todas, senão todas as empresas do setor mineiro, a descarbonização já é compreendida como um processo necessário. Em muitas, seu custo já foi precificado e incorporado nos planos de investimento. Em algumas, o esforço já se materializa na aquisição de tecnologias e na capacitação de pessoal. Apesar disso, os mesmos números nos indicam que, em uma parcela importante do setor, a decisão pela descarbonização ainda não adquiriu contornos concretos, o que motivou a ABB a investigar, em um novo paper, as razões dessa hesitação estudo que pode ser consultado na íntegra aqui . Uma das principais razões para a hesitação é a falta de familiaridade com tecnologias de eletrificação disponíveis para efetivar a transição energética tecnologias que não são novas, é importante destacar, mas que não têm histórico longo de aplicação em operações de grande escala, o que gera dúvidas legítimas. Dúvidas como: E se daqui a cinco anos surgir uma tecnologia ainda mais eficiente? E se daqui a alguns anos eu tiver que fazer novos investimentos para adequar minha operação a novos padrões? Como serão os custos de manutenção de equipamentos hoje novos daqui a alguns anos, no final de seu ciclo de vida? A essas questões, a reflexão que o paper da ABB propõe é que a rota tecnológica da eletrificação é aquela que oferece as respostas mais concretas para os desafios da descarbonização e, não por acaso, vem sendo mais adotada em extrações no mundo todo. Todos os grandes fabricantes de maquinário, por exemplo, já contam com opções eletrificadas em seus portfólios, sem contar o fato de que os equipamentos a diesel de hoje já preveem, em seus projetos, integração total com tecnologias elétricas. Há dúvidas sobre questões técnicas relacionadas à eletrificação por exemplo, como resolver problemas ligados a flutuações de energia ou à disponibilidade de energia limpa que, nas operações onde existem, têm sido resolvidas, como mostra o paper. Além disso, não há qualquer indicativo de que a descarbonização deixe de ser uma necessidade, inclusive para a aceitação social da mineração, o que coloca o setor diante de outra questão: qual é o custo de não eletrificar ou de atrasar a eletrificação? Seja como for, o fato é que, mesmo hoje, todo o setor mineiro terá de enfrentar essas contingências; e a descarbonização seguirá como fator decisivo de competitividade para as empresas que agirem e optarem por ela desde cedo. Fausto Almeida: diretor de Mineração da ABB para América Latina Diretor de Mineração da ABB para América Latina Mineração descarbonizada: caminho sem volta
- Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026)
Nos últimos dois anos, o envolvimento dos irmãos Joesley e Wesley Batista no setor energético brasileiro continuou evoluindo — e com repercussões que vão além da publicação da medida provisória em 2024. Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026) 1. Da MP 1.232/2024 ao impacto no bolso dos brasileiros Em 13 de junho de 2024 , o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou a Medida Provisória 1.232/2024 , que passou a permitir que contratos de usinas termoelétricas compradas pela empresa Âmbar Energia — braço do grupo J&F , controlado pelos irmãos Batista — fossem transformados em Contratos de Energia de Reserva (CER) , cujo custo é repassado no valor da conta de luz de todos os consumidores. O texto original da matéria da Gazeta do Povo apontava que essa mudança poderia elevar a conta de luz dos brasileiros em mais de R$ 2 bilhões por ano durante 15 anos . 2. Crescimento da presença da Âmbar no mercado elétrico Desde então, a Âmbar Energia não só continuou a expandir seu portfólio de ativos, como também passou a atuar em segmentos estratégicos do setor: Aquisição de termelétricas no Acre: em 2025, a Âmbar comprou três termelétricas no estado do Acre que representam cerca de 20% do fornecimento local, marcando expansão geográfica e capacidade instalada da empresa. Compra da Eletronuclear: em outubro de 2025, a J&F, por meio da Âmbar, adquiriu participação majoritária na Eletronuclear , empresa que opera as usinas nucleares de Angra dos Reis (Angra 1, 2 e 3). A compra envolveu cerca de R$ 535 milhões e compromissos com dívidas e garantias de R$ 2,4 bilhões, consolidando a presença do grupo no setor nuclear. Venda de termelétricas pela Eletrobras: a Eletrobras concluiu a venda de sua última usina termelétrica para a J&F em outubro de 2025, por aproximadamente R$ 703,5 milhões, encerrando o processo de desinvestimentos da estatal em geração térmica e reforçando o portfólio da Âmbar. 3. Polêmica política e crítica pública O envolvimento dos irmãos Batista com o governo Lula tornou-se objeto de críticas na esfera política e civil: Deputados e Ministério Público questionam: parlamentares e órgãos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União (TCU) solicitaram explicações sobre possíveis favorecimentos na edição e aplicação da MP 1.232/2024, incluindo indícios de benefício indevido à Âmbar nas negociações com a Eletrobras e na conversão de contratos de dívida. Críticas do Senado: em novembro de 2025, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que o governo favoreceu o grupo J&F com esquemas de corrupção e mencionou a MP e seus efeitos sobre os custos de energia no país. Relatórios de entidades de transparência: organizações como a Transparência Internacional – Brasil denunciaram que empresários envolvidos em casos de macrocorrupção (como os irmãos Batista, que tiveram delações e processos no passado) têm acesso privilegiado ao governo, inclusive em decisões que impactam o setor de energia. 4. Governo e Âmbar negam favorecimento Tanto o Ministério de Minas e Energia quanto a própria Âmbar Energia afirmaram publicamente que: Não houve negociação informal ou favorecimento direto em relação à medida provisória ou às reuniões entre executivos e autoridades — que, segundo os órgãos oficiais, seguiram regras legais. As transações e negociações foram conduzidas com base na sustentabilidade econômica do setor energético nacional, diante de desafios como dívidas e risco de falência de distribuidoras. 5. O que muda em 2026 Em 2026, a discussão sobre a presença da Âmbar no setor energético e seu impacto permanece central em debates sobre: Transparência e governança no setor público e privado; Políticas de regulação da energia no Brasil; Efeitos econômicos para consumidores residenciais e industriais; Participação de grandes grupos empresariais em infraestrutura crítica. A trajetória dos irmãos Batista, que já esteve envolvida em escândalos anteriores e permanece sob escrutínio público e político, continua a ser observada de perto por órgãos de controle, legisladores e especialistas em energia. Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026)
- Impostos sobre tecnologia limpa e subsídios a fontes fósseis expõem contradições da política energética brasileira
A elevação do imposto de importação sobre equipamentos solares e de armazenamento ocorre em paralelo à manutenção de contratos bilionários para carvão e térmicas, levantando questionamentos sobre coerência, competitividade e o futuro da transição energética no Brasil. Impostos sobre tecnologia limpa e subsídios a fontes fósseis expõem contradições da política energética brasileira Por EnergyChannel Brasil Brasília — 03 de fevereiro de 2026 A recente decisão do Governo Federal de elevar as alíquotas do imposto de importação para bens de capital e bens de informática e telecomunicações, atingindo diretamente inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos acima de 75 kW , acende um sinal de alerta no setor elétrico brasileiro. Com a nova estrutura tarifária, os equipamentos passam a ser tributados em três faixas 7,2%, 12,6% e até 20% , impactando de forma imediata o custo de projetos solares, híbridos e de armazenamento em todo o país. Para o EnergyChannel , a medida representa mais do que um ajuste fiscal: trata-se de um retrocesso estratégico em um momento crítico para a transição energética, a segurança do sistema elétrico e a competitividade da economia brasileira. Tecnologia crítica tratada como bem comum Inversores e sistemas de armazenamento não são itens acessórios. Eles constituem a infraestrutura central do novo sistema elétrico, viabilizando: integração segura da geração solar e eólica à rede compensação de picos de carga estabilidade de frequência e tensão microrredes, autoprodução e projetos híbridos digitalização e descentralização do setor elétrico Ao elevar a tributação desses equipamentos, o Brasil passa a tratá-los como bens convencionais, ignorando seu papel estratégico em uma matriz cada vez mais baseada em fontes intermitentes e inteligentes. Indústria nacional não se constrói por decreto O discurso oficial de estímulo à indústria local esbarra em uma realidade incontornável: o Brasil não cria tecnologia de ponta da noite para o dia . Construir uma indústria nacional competitiva exige: investimento contínuo em educação técnica e engenharia estímulo à pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) previsibilidade regulatória e fiscal atração de fábricas, centros tecnológicos e cadeias completas de suprimentos Hoje, o país não possui escala, diversidade tecnológica nem capacidade produtiva suficiente para substituir, no curto e médio prazo, a oferta internacional de inversores de alta potência e sistemas avançados de armazenamento. Antecipar a penalização do mercado antes da maturação da indústria local cria um vácuo perigoso: projetos ficam mais caros imediatamente investimentos são postergados ou cancelados o armazenamento de energia avança mais lentamente a modernização do sistema elétrico é comprometida O contraste: impostos para renováveis, contratos bilionários para fósseis A elevação de impostos sobre tecnologias limpas ocorre em paralelo a decisões que preservam e ampliam custos associados a fontes fósseis . Em janeiro de 2026, o Ministério de Minas e Energia oficializou a prorrogação e contratação compulsória da energia do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda (SC) , a carvão, por mais 15 anos até 2040. O contrato, estimado em R$ 28,3 bilhões , foi firmado a um preço de R$ 564/MWh , cerca de 62% acima da média histórica observada em leilões recentes para usinas a carvão. O custo é integralmente repassado aos consumidores por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) . Na prática, enquanto tecnologias limpas e modernas enfrentam aumento de impostos , fontes poluentes e estruturalmente mais caras seguem amparadas por contratos, subsídios e socialização de custos . Térmicas, MPs e transferência de risco ao consumidor Esse padrão se repete em outras frentes do setor elétrico. Medidas recentes envolvendo usinas termelétricas e contratos convertidos em energia de reserva transferem riscos empresariais e custos operacionais para a conta de luz de todos os brasileiros, com impactos estimados em bilhões de reais por ano ao longo de mais de uma década. Independentemente das justificativas legais apresentadas, o efeito sistêmico é claro:o consumidor final absorve o custo, enquanto o setor elétrico se afasta de uma trajetória mais limpa, eficiente e competitiva. Risco à segurança energética e à competitividade O Brasil caminha para uma matriz elétrica cada vez mais dependente de renováveis variáveis. Sem acesso amplo a armazenamento e eletrônica de potência de alta qualidade, o sistema: perde flexibilidade aumenta sua exposição a eventos climáticos extremos depende mais do despacho térmico eleva custos sistêmicos no médio e longo prazo Do ponto de vista técnico, dificultar o acesso a tecnologias críticas contradiz o próprio discurso de segurança energética . Visão EnergyChannel Fortalecer a indústria nacional é um objetivo legítimo e necessário.Mas onerar tecnologias essenciais antes de construir capacidade produtiva local competitiva não fortalece a indústria enfraquece o mercado . Uma política industrial moderna para o setor de energia deveria priorizar: incentivos claros à instalação de fábricas no Brasil programas robustos de transferência tecnológica financiamento estruturado para inovação estabilidade regulatória e fiscal A transição energética exige velocidade, escala e eficiência . Medidas que encarecem o acesso a tecnologias estratégicas, enquanto mantêm subsídios a modelos centralizados e poluentes, atrasam o país, reduzem competitividade e colocam em risco uma das maiores oportunidades econômicas e ambientais do Brasil nas próximas décadas . Impostos sobre tecnologia limpa e subsídios a fontes fósseis expõem contradições da política energética brasileira
- Transformação Digital 4.0: o que é e por que ela redefine a indústria, a energia e a infraestrutura global
A Transformação Digital 4.0 deixou de ser um conceito futurista para se tornar um fator crítico de competitividade, segurança e sobrevivência em setores estratégicos como indústria, energia, transporte e infraestrutura crítica. Mais do que a simples adoção de novas tecnologias, trata-se de uma mudança estrutural na forma como sistemas físicos, digitais e humanos passam a operar de maneira integrada, inteligente e conectada. Transformação Digital 4.0: o que é e por que ela redefine a indústria, a energia e a infraestrutura global Na prática, a Transformação Digital 4.0 combina automação avançada, conectividade em tempo real, análise de dados, inteligência artificial e cibersegurança , criando um novo modelo operacional capaz de aumentar eficiência, reduzir riscos e responder rapidamente a cenários cada vez mais complexos. Da digitalização à transformação real Durante muitos anos, empresas confundiram digitalização com transformação digital . Digitalizar significa converter processos analógicos em digitais como sensores substituindo medições manuais ou sistemas informatizando rotinas operacionais. A Transformação Digital 4.0 vai muito além disso. Ela redefine processos, cadeias de valor e modelos de negócio, conectando máquinas, sistemas, pessoas e dados em um ecossistema inteligente e dinâmico. Nesse novo ambiente, decisões deixam de ser apenas reativas e passam a ser baseadas em dados em tempo real , com apoio de algoritmos avançados. O papel central dos dados industriais No coração da Transformação Digital 4.0 estão os dados industriais . Sensores, controladores, sistemas SCADA, plataformas de gestão e dispositivos IoT geram volumes massivos de informações que, quando corretamente processadas, se transformam em inteligência operacional. Esses dados permitem: Antecipar falhas antes que elas ocorram Otimizar consumo de energia Aumentar a vida útil de ativos Reduzir custos operacionais Elevar padrões de segurança Dados deixam de ser apenas registros históricos e passam a ser ativos estratégicos . Conectividade, automação e inteligência A Transformação Digital 4.0 só é possível graças à convergência entre: Conectividade avançada , como 5G, redes privadas e fibra óptica Automação inteligente , com sistemas autônomos e robótica avançada Inteligência Artificial , aplicada à análise preditiva e otimização Edge e Cloud Computing , permitindo decisões distribuídas Esse conjunto cria ambientes industriais e energéticos capazes de operar com alta eficiência, resiliência e flexibilidade . Cibersegurança como pilar estratégico Com maior conectividade, cresce também a exposição a riscos digitais. Por isso, a cibersegurança deixa de ser um tema exclusivo da TI e passa a ocupar posição central na estratégia industrial. Infraestruturas críticas, como redes elétricas, usinas, refinarias e plantas industriais, exigem arquiteturas de segurança robustas , integrando proteção de redes, dados, sistemas e pessoas. Na Transformação Digital 4.0, segurança não é opcional — é condição básica . Impactos no setor de energia e na indústria No setor energético, a Transformação Digital 4.0 viabiliza: Smart Grids e redes inteligentes Integração eficiente de fontes renováveis Operação remota e automatizada Maior confiabilidade do sistema elétrico Na indústria, permite: Produção mais flexível e personalizada Redução de desperdícios Manutenção preditiva Ganhos expressivos de produtividade Uma jornada contínua A Transformação Digital 4.0 não é um projeto com início, meio e fim. Trata-se de uma jornada contínua , que exige visão estratégica, investimento em tecnologia, qualificação profissional e uma forte cultura de inovação. Nos próximos artigos desta série especial do EnergyChannel, vamos explorar em profundidade os pilares tecnológicos , os desafios de segurança , a conectividade 5G , a automação avançada e os impactos globais dessa nova era digital. Transformação Digital 4.0: o que é e por que ela redefine a indústria, a energia e a infraestrutura global
- EP4 – Inovação no Campo: A Tecnologia que Alimenta o Futuro
O agronegócio vive uma das maiores transformações de sua história. Longe da imagem tradicional de um setor baseado apenas em força física e extensas áreas de terra, o campo se tornou um ambiente cada vez mais tecnológico, conectado e orientado por dados. A inovação deixou de ser um diferencial e passou a ser um fator decisivo para produtividade, competitividade e sustentabilidade. EP4 – Inovação no Campo: A Tecnologia que Alimenta o Futuro A agricultura moderna é resultado direto da integração entre ciência, engenharia, tecnologia da informação e conhecimento agronômico. Sensores, satélites, softwares de gestão e máquinas inteligentes estão redefinindo como os alimentos são produzidos no Brasil e no mundo. A era da agricultura digital A digitalização do campo permitiu que decisões antes baseadas em experiência empírica passassem a ser orientadas por dados. Sensores de solo, estações meteorológicas e imagens de satélite fornecem informações em tempo real sobre umidade, fertilidade, pragas e condições climáticas. Com esses dados, o produtor consegue agir de forma precisa, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência. A aplicação localizada de insumos, por exemplo, diminui custos e impactos ambientais, ao mesmo tempo em que melhora a produtividade das lavouras. Máquinas inteligentes e automação Tratores, plantadeiras e colheitadeiras evoluíram para verdadeiros centros de comando sobre rodas. Equipados com sistemas de navegação por satélite, inteligência embarcada e conectividade, esses equipamentos operam com precisão centimétrica. A automação reduz falhas humanas, otimiza o uso de recursos e permite operações em janelas climáticas cada vez mais curtas. Em países como Estados Unidos e Alemanha, o uso de máquinas autônomas já avança em escala comercial. No Brasil, a adoção cresce de forma acelerada, especialmente em grandes áreas produtoras. Big data e gestão no agro A inovação no campo não se limita à produção. Plataformas digitais integram informações financeiras, operacionais e agronômicas, permitindo uma gestão mais estratégica da propriedade rural. EP4 – Inovação no Campo: A Tecnologia que Alimenta o Futuro Com o uso de big data, produtores conseguem prever safras, avaliar riscos climáticos, negociar insumos e planejar investimentos com maior segurança. O agro passa, assim, a operar com a mesma lógica de eficiência e inteligência de setores industriais e financeiros. Biotecnologia e produtividade sustentável A biotecnologia é outro pilar da inovação no agronegócio. O desenvolvimento de sementes mais resistentes a pragas, doenças e variações climáticas permite ganhos expressivos de produtividade, sem a necessidade de expansão de áreas agrícolas. No Brasil, a adoção de tecnologias biológicas contribuiu para consolidar o país como um dos maiores produtores de grãos do mundo. Globalmente, a biotecnologia é vista como uma ferramenta essencial para enfrentar os desafios da segurança alimentar e das mudanças climáticas. Inovação como estratégia de sobrevivência Em um cenário de margens pressionadas, eventos climáticos extremos e exigências ambientais crescentes, inovar deixou de ser uma escolha. A tecnologia se tornou a principal aliada do produtor para manter competitividade e garantir a sustentabilidade do sistema agrícola. O campo do futuro será cada vez mais conectado, eficiente e integrado às cadeias globais de valor. E essa transformação já está em curso. No próximo episódio da série, o foco se volta para um elemento estratégico que conecta produção, eficiência e sustentabilidade: a energia no agronegócio e seu papel na transformação do campo . EP4 – Inovação no Campo: A Tecnologia que Alimenta o Futuro
- Valmont Solar e a nova fronteira da transição energética: eficiência, tecnologia e otimização global de usinas solares
Como soluções inovadoras de rastreamento transformam terrenos desafiadores em ativos de alto desempenho e fortalecem a competitividade da energia solar em diferentes regiões do mundo Valmont Solar e a nova fronteira da transição energética: eficiência, tecnologia e otimização global de usinas solares São Paulo — A transição energética global está em um ponto de inflexão: com a demanda por energia limpa crescendo e metas climáticas cada vez mais ambiciosas, a eficiência na geração solar deixou de ser apenas um diferencial tecnológico para se tornar um critério estratégico de política energética e competitividade industrial. Nesse cenário, tecnologias avançadas como os trackers solares mecanismos que permitem que módulos fotovoltaicos acompanhem o movimento do sol ao longo do dia surgem como um elemento central da equação entre eficiência, custo e retorno sobre investimento. E é justamente nesse contexto que a Valmont Solar, especializada em engenharia de trackers solares, vem ganhando destaque como um protagonista global não apenas pela sua tecnologia, mas também pela forma como suas soluções estão integradas à evolução dos projetos solares em múltiplas geografias. Eficiência que reflete mais energia capturada O desempenho energético de uma usina solar depende de fatores que vão muito além da simples quantidade de painéis instalados. A forma como esses módulos são posicionados e ajustados ao longo do dia pode aumentar significativamente a captação de energia e a produção final do sistema. Sistemas de solar trackers, como os oferecidos pela Valmont Solar, permitem que as estruturas acompanhem a trajetória diária do sol, resultando em aumentos de eficiência operacional que podem chegar a 20 % ou mais em relação a sistemas fixos, dependendo do projeto e da localização geográfica. Esse ganho de eficiência é especialmente relevante em regiões de baixa irradiância ou com alta variabilidade climática, onde cada porcentagem adicional de energia capturada pode representar dezenas de megawatts a mais no balanço energético anual com impacto direto na segurança energética, receita da usina e retorno sobre o capital investido. Adaptação a terrenos irregulares: um diferencial para mercados emergentes Um dos desafios que muitas usinas solares enfrentam é justamente a topografia do território. Em países com relevo acidentado, a instalação de projetos pode implicar custos extras com terraplanagem e infraestrutura, reduzindo a competitividade do projeto como um todo. A Valmont Solar tem se destacado por sua abordagem diferenciada: em vez de aplicar soluções padrão, sua engenharia de trackers considera a topografia de forma detalhada. Isso permite que usinas solares em terrenos irregulares sejam concebidas com redução de custos indiretos e maior retorno energético ao longo do tempo, reduzindo a necessidade de grandes intervenções no solo e acelerando a entrada em operação dos projetos. Essa capacidade técnica é um elemento importante de competitividade para mercados emergentes de energia solar especialmente na América Latina, África e Sudeste Asiático onde muitos projetos encontram desafios logísticos de implantação em áreas de grande potencial solar. Produção local e integração da cadeia A Valmont Solar também investe na presença industrial regional, um aspecto cada vez mais valorizado por governos e investidores. No Brasil, por exemplo, a empresa inaugurou uma unidade produtiva de trackers em Minas Gerais, com capacidade para produzir 250 MW por mês e integrar eletrônica de controle localmente, reduzindo dependências de importações e fortalecendo as cadeias produtivas regionais. Essa estratégia de industrialização regional alinha-se com políticas públicas que incentivam a geração de emprego, o desenvolvimento tecnológico local e a resiliência das cadeias de fornecimento, fatores que tornam projetos solares mais atraentes para financiamentos públicos e privados. Integrando tecnologia, baixo consumo e sustentabilidade A eficiência energética de uma usina solar não depende apenas do rastreamento solar. Ela está intrinsicamente ligada a toda a arquitetura do projeto desde o tracker ao inversor, passando por sistemas de monitoramento e automação. Trackers mais eficientes consomem menos energia interna, reduzem o desgaste de componentes e exigem manutenção simplificada, contribuindo para a longevidade da usina e para um ciclo de vida mais sustentável e econômico. Além disso, a adaptação de soluções tecnológicas às necessidades de cada região considerando latitude, clima e demanda energética transforma o projeto solar em um ativo dinâmico, capaz de gerar valor contínuo ao longo de décadas. Valmont Solar no cenário global de energia renovável Embora o mercado de trackers seja competitivo e inclua várias empresas globais, a presença da Valmont Solar em diferentes frentes desde unidades de produção regionais até a adaptação técnica de soluções em terrenos complexos coloca a empresa entre os principais fornecedores de tecnologia que conectam eficiência energética à viabilidade econômica de projetos solares em grande escala. Essa posição é reforçada por sua capacidade de oferecer consultoria técnica completa, integrando projeto e execução, e por sua atuação em eventos internacionais de tecnologia solar, que validam sua visão de performance e confiabilidade. O que isso significa para investidores e governos O fortalecimento de tecnologias como os trackers solares abre caminho para uma série de impactos estratégicos: Melhor aproveitamento do recurso solar, aumentando a produção de energia limpa em regiões com diferentes perfis irradiantes. Redução de custos de implantação e operação, ampliando a atratividade econômica de projetos solares em comparação a outras fontes. Aumento da segurança energética, ao diversificar e densificar a geração local de eletricidade renovável. Desenvolvimento tecnológico e industrial regional, com criação de empregos e fortalecimento de cadeias produtivas. Para governos e reguladores, a expansão de soluções eficientes de rastreamento solar é um elemento vital da estratégia energética nacional, especialmente quando se busca atingir metas de descarbonização e independência energética. 🔍 Visão EnergyChannel A transição energética não se trata apenas de construir painéis solares: trata-se de integrar tecnologia, eficiência, política industrial e sustentabilidade de forma robusta e estratégica. Soluções que aumentam a produção de energia solar e reduzem custos operacionais são fundamentais para que a energia renovável se torne não apenas ambientalmente desejável, mas também economicamente dominante. Nesse contexto, a atuação da Valmont Solar representa um exemplo de como inovação tecnológica e engenharia aplicada podem acelerar a transição energética global, ao mesmo tempo em que fortalecem mercados emergentes e atraem investimentos de longo prazo. Valmont Solar e a nova fronteira da transição energética: eficiência, tecnologia e otimização global de usinas solares
- Segurança energética na era das renováveis: por que o armazenamento é o pilar da energia 24/7
Como sistemas avançados de baterias, controle digital e segurança cibernética estão redefinindo a confiabilidade da energia limpa para governos e investidores Segurança energética na era das renováveis: por que o armazenamento é o pilar da energia 24/7 A transição energética global entrou em uma nova fase. O debate já não gira apenas em torno de gerar energia renovável , mas de garantir fornecimento contínuo, estável e seguro 24 horas por dia, sete dias por semana . Nesse contexto, o armazenamento de energia deixa de ser complementar e passa a ser um ativo estratégico , essencial para a segurança energética, a estabilidade social e a soberania tecnológica de países e regiões. Energia renovável sem intermitência: o papel central do armazenamento Fontes renováveis como solar e eólica são, por natureza, variáveis. Sem armazenamento, essa variabilidade se traduz em riscos: picos de carga, instabilidade de tensão, falhas de fornecimento e dependência excessiva de fontes fósseis de backup. Os sistemas modernos de armazenamento resolvem esse gargalo ao permitir que a energia renovável: seja armazenada nos momentos de excedente seja liberada instantaneamente quando a demanda aumenta mantenha a estabilidade da rede elétrica mesmo em cenários críticos Na prática, o armazenamento é o que torna a energia limpa despachável , confiável e economicamente viável em larga escala. Compensação de picos de carga: estabilidade como ativo estratégico Um dos principais benefícios do armazenamento é a capacidade de compensar picos de carga com energia previamente armazenada . Isso significa que: aumentos súbitos de consumo não exigem ativação de fontes caras ou poluentes tarifas elevadas em horários de pico podem ser evitadas a infraestrutura da rede é menos pressionada Para governos, isso representa resiliência energética .Para investidores, significa previsibilidade de receita e redução de riscos operacionais . Alta flexibilidade: carregamento e descarregamento em milissegundos A nova geração de sistemas de armazenamento opera com tempos de resposta extremamente rápidos . Em questão de milissegundos, a energia pode ser absorvida ou injetada na rede. Essa flexibilidade permite: controle fino de frequência estabilização imediata da tensão suporte a redes cada vez mais digitalizadas e descentralizadas Em um sistema elétrico moderno, velocidade é segurança . Como maximizar lucros em um sistema com armazenamento Além da estabilidade, o armazenamento cria novas camadas de monetização : arbitragem de energia (comprar barato, vender caro) serviços ancilares à rede redução de custos com demanda contratada aumento do fator de capacidade das usinas renováveis O resultado é claro: mais retorno sobre o investimento , com menor exposição a volatilidades do mercado. Dois caminhos tecnológicos: CA e CC A arquitetura do sistema de armazenamento é decisiva para o desempenho e a eficiência do projeto. Sistemas acoplados em CA (corrente alternada) Ideais para: modernização de usinas fotovoltaicas existentes projetos que exigem flexibilidade de integração Nessa configuração, o sistema: armazena excedentes devolve energia à rede em milissegundos otimiza o gerenciamento de carga É uma solução madura, adaptável e eficiente para diferentes cenários. Sistemas acoplados em CC (corrente contínua) Indicados para: novas usinas de grande porte projetos com tecnologia de 1.500 V Aqui, painéis solares e baterias se conectam diretamente ao inversor central no lado CC, o que: reduz perdas aumenta a eficiência global melhora o controle operacional Essa arquitetura é especialmente relevante em projetos governamentais e grandes plantas industriais . Quatro décadas de engenharia e confiança: o papel da SMA Com 40 anos de atuação , a alemã SMA construiu sua relevância não pelo volume de vendas, mas pela confiabilidade tecnológica , robustez de engenharia e visão sistêmica do setor elétrico . No novo mundo energético, empresas com esse histórico passam a desempenhar um papel estratégico: fornecem tecnologia crítica operam em infraestruturas sensíveis atendem projetos de escala nacional A experiência acumulada da SMA em redes complexas, controle de plantas e integração com armazenamento posiciona a empresa como parte da infraestrutura energética , não apenas como fornecedora de equipamentos. Segurança energética também é segurança digital À medida que usinas renováveis, baterias e redes passam a ser totalmente conectadas à internet , a segurança energética se torna inseparável da segurança cibernética . A questão central para governos é clara: Qual o nível de segurança dos equipamentos que sustentam o fornecimento de energia de um país? Equipamentos asiáticos x europeus O debate sobre origem tecnológica ganha peso estratégico: padrões de segurança governança de dados transparência de software conformidade com legislações internacionais Fabricantes europeus, como a SMA, operam sob normas rígidas de: proteção de dados cibersegurança auditorias técnicas compliance regulatório Isso se torna um diferencial decisivo em projetos governamentais, infraestruturas críticas e redes estratégicas . Gestão inteligente da rede: estabilidade em segundos Soluções avançadas de armazenamento permitem: controle ativo de frequência restauração de tensão em segundos prevenção de picos dispendiosos de consumo deslocamento inteligente de carga Ao carregar baterias em horários de menor custo e utilizá-las em momentos críticos, o sistema: reduz custos aumenta eficiência protege a rede Para investidores, isso significa segurança de caixa .Para governos, continuidade de serviços essenciais . Energia, sociedade e responsabilidade do Estado A falta de energia não é apenas um problema técnico. Ela afeta: hospitais sistemas de água transporte comunicação segurança pública Falhas energéticas geram impactos sociais diretos , ampliando desigualdades e riscos sistêmicos. Nesse cenário, o papel do governo é: planejar com visão de longo prazo investir em infraestrutura resiliente estabelecer padrões rigorosos de segurança tratar energia como ativo estratégico nacional A transição energética só será bem-sucedida se vier acompanhada de segurança, confiabilidade e governança tecnológica . Visão EnergyChannel O armazenamento de energia deixou de ser tendência e passou a ser condição básica para o futuro energético. Em um mundo cada vez mais eletrificado, digital e interconectado, energia limpa sem segurança não é suficiente . A convergência entre armazenamento, controle inteligente e cibersegurança definirá quais países estarão preparados para o novo ciclo econômico — e quais permanecerão vulneráveis. O que vem a seguir Avanço de políticas públicas focadas em armazenamento Crescente exigência de critérios de cibersegurança em leilões e concessões Consolidação de fornecedores com histórico, engenharia e confiança Energia como pilar de estabilidade social e soberania nacional Se quiser, eu posso: adaptar essa matéria para inglês ou alemão criar um policy brief para governos gerar uma versão para investidores institucionais transformar em roteiro de vídeo institucional/editorial É só me dizer o próximo passo. Segurança energética na era das renováveis: por que o armazenamento é o pilar da energia 24/7
- Aumento do imposto de importação ameaça o desenvolvimento da indústria de energia renovável no Brasil
Brasília — A recente decisão do Governo Federal de elevar as alíquotas do imposto de importação para bens de capital e bens de informática e telecomunicações, atingindo diretamente inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos acima de 75 kW, acende um sinal de alerta no setor elétrico. Para o EnergyChannel , a medida representa um retrocesso estratégico para o desenvolvimento da indústria de energia renovável no país. Aumento do imposto de importação ameaça o desenvolvimento da indústria de energia renovável no Brasil Com alíquotas que passam a operar em três faixas 7,2%, 12,6% e até 20% o impacto imediato será o aumento do custo dos projetos solares e de armazenamento , em um momento em que o setor já enfrenta forte pressão de custos e incertezas regulatórias. Equipamentos críticos tratados como bens comuns Inversores e sistemas de armazenamento não são itens acessórios. Eles são infraestrutura essencial para a transição energética , permitindo: integração segura da geração solar à rede compensação de picos de carga estabilidade de frequência e tensão expansão de microrredes e projetos híbridos Ao elevar a tributação desses equipamentos, o governo passa a tratá-los como bens convencionais, ignorando seu papel estratégico no novo sistema elétrico baseado em fontes intermitentes e digitais . Indústria nacional ainda não tem escala suficiente O discurso oficial de estímulo à indústria local encontra um obstáculo prático: o Brasil ainda não possui escala industrial nem diversidade tecnológica suficiente para substituir, no curto prazo, a oferta internacional de inversores de alta potência e sistemas avançados de armazenamento. Na avaliação do EnergyChannel, a medida cria um vácuo perigoso : encarece projetos imediatamente reduz a atratividade para investidores desacelera a adoção de armazenamento de energia compromete a modernização do sistema elétrico Sem uma transição gradual e coordenada, o risco é penalizar o mercado antes que a indústria nacional esteja pronta para suprir a demanda. Momento inadequado para aumentar custos A decisão ocorre em um cenário já adverso para o setor: aumento global das commodities custos logísticos elevados fim de incentivos fiscais chineses para exportação de módulos maior seletividade no crédito e financiamento Adicionar um novo custo estrutural neste momento fragiliza toda a cadeia , do desenvolvedor ao consumidor final, e pode levar à postergação ou cancelamento de projetos, especialmente aqueles ligados a BESS, microrredes, indústria e agronegócio . Risco para a segurança energética O Brasil caminha para uma matriz cada vez mais dependente de fontes renováveis variáveis. Sem armazenamento e eletrônica de potência de alta qualidade, o sistema: perde flexibilidade aumenta sua exposição a eventos climáticos exige maior despacho térmico eleva custos sistêmicos no médio prazo Do ponto de vista da segurança energética, dificultar o acesso a tecnologias críticas é uma decisão contraditória . Visão EnergyChannel O fortalecimento da indústria nacional é um objetivo legítimo e necessário. No entanto, onerar tecnologias essenciais antes de construir capacidade produtiva local competitiva não fortalece a indústria enfraquece o mercado . Para o EnergyChannel, uma política industrial eficaz para o setor renovável deveria priorizar: incentivos à instalação de fábricas no Brasil estímulos à transferência de tecnologia financiamento à inovação e P&D previsibilidade regulatória e fiscal A transição energética exige velocidade, escala e eficiência . Medidas que encarecem o acesso a tecnologias estratégicas, sem alternativas locais maduras, atrasam o país , reduzem competitividade e colocam em risco uma das maiores oportunidades econômicas e ambientais do Brasil nas próximas décadas. Aumento do imposto de importação ameaça o desenvolvimento da indústria de energia renovável no Brasil
- Tesla retoma fabricação de painéis solares nos EUA e reacende o debate sobre segurança energética e indústria limpa
Buffalo (EUA) — A Tesla anunciou a retomada da fabricação de painéis solares em sua fábrica de Buffalo, no estado de Nova York , um movimento que sinaliza mais do que um reposicionamento corporativo. A decisão ocorre em um momento em que segurança energética, reindustrialização e soberania tecnológica voltam ao centro das políticas públicas e das estratégias de investimento no setor de energia limpa. Tesla retoma fabricação de painéis solares nos EUA e reacende o debate sobre segurança energética e indústria limpa A unidade, conhecida como Gigafactory New York , havia passado por anos de incerteza quanto ao seu papel na estratégia energética da Tesla. Agora, a empresa afirma estar novamente produzindo módulos fotovoltaicos em solo norte-americano, reforçando a tendência de regionalização das cadeias produtivas de energia renovável . Muito além dos painéis: energia como infraestrutura estratégica A retomada da produção acontece em um contexto global marcado por tensões geopolíticas, disputas comerciais e crescente preocupação com a dependência excessiva de cadeias de suprimento concentradas na Ásia. No caso da energia solar, a maior parte dos painéis utilizados mundialmente ainda é fabricada fora dos Estados Unidos e da Europa. Ao reativar a produção local, a Tesla se alinha a um movimento mais amplo que envolve: segurança energética e industrial redução de riscos geopolíticos fortalecimento da base manufatureira nacional integração entre geração solar, armazenamento e digitalização da rede A energia renovável deixa de ser apenas uma solução ambiental e passa a ser tratada como infraestrutura crítica , comparável a telecomunicações, água e transporte. Buffalo e o papel da política industrial A fábrica de Buffalo foi concebida originalmente como um projeto de revitalização industrial com forte apoio do governo do estado de Nova York. Sua trajetória reflete os desafios de alinhar política industrial, inovação tecnológica e viabilidade econômica no setor de energia limpa. A retomada da produção solar reposiciona a unidade como: um polo de manufatura avançada um ativo estratégico dentro da política energética dos EUA um laboratório real para avaliar a eficácia de incentivos industriais voltados à transição energética Para governos, o caso Buffalo reforça a necessidade de políticas de longo prazo que combinem incentivos, estabilidade regulatória e desenvolvimento de mão de obra especializada . Energia, tecnologia e segurança cibernética Outro ponto central do debate é que usinas solares, sistemas de armazenamento e inversores modernos são totalmente conectados à internet . Isso eleva a discussão sobre segurança cibernética e confiabilidade tecnológica . Governos e grandes investidores analisam com atenção: onde esses equipamentos são fabricados quais padrões de segurança digital são adotados como dados energéticos e operações críticas são protegidos A fabricação local, aliada a padrões rigorosos de governança e compliance, tende a ser vista como um diferencial estratégico para projetos de grande escala e uso governamental. Visão do EnergyChannel A decisão da Tesla de retomar a fabricação de painéis solares nos Estados Unidos deve ser interpretada como parte de uma reconfiguração estrutural do setor energético global . A transição energética não se resume à troca de fontes fósseis por renováveis, mas envolve indústria, tecnologia, segurança nacional e competitividade econômica . Para investidores e formuladores de políticas públicas, o movimento reforça uma mensagem clara: energia limpa e indústria limpa caminham juntas . Tesla retoma fabricação de painéis solares nos EUA e reacende o debate sobre segurança energética e indústria limpa
- Avanço científico abre nova fronteira no combate ao câncer de pâncreas
Terapia tripla elimina tumores em testes pré-clínicos e reacende debate sobre inovação, políticas públicas e investimento em ciência de alto risco Avanço científico abre nova fronteira no combate ao câncer de pâncreas Um avanço liderado por cientistas espanhóis pode representar uma mudança estrutural na abordagem de um dos cânceres mais letais da medicina moderna. Pesquisadores comandados pelo oncologista Mariano Barbacid conseguiram eliminar completamente tumores de pâncreas em camundongos por meio de uma terapia combinada com três medicamentos , alcançando regressão total em poucas semanas e impedindo a recorrência da doença por mais de 200 dias . O estudo, publicado na revista científica PNAS , coloca novamente o câncer de pâncreas no centro do debate global sobre inovação biomédica, políticas públicas de saúde e financiamento estratégico da ciência . Um dos cânceres mais desafiadores da oncologia O câncer de pâncreas é considerado um dos tumores sólidos mais agressivos e resistentes ao tratamento. Na maioria dos casos, o diagnóstico ocorre em estágios avançados, e as opções terapêuticas disponíveis oferecem benefícios limitados em sobrevida . Essa resistência está diretamente ligada à complexidade molecular do tumor , que utiliza múltiplas vias celulares para crescer, se proteger e escapar de terapias convencionais. Por décadas, essa característica transformou o câncer pancreático em um dos maiores desafios da oncologia moderna. Ataque simultâneo a três alvos vitais do tumor O diferencial do estudo espanhol está na estratégia de ataque múltiplo , que bloqueia simultaneamente os principais mecanismos de sobrevivência da célula tumoral. A terapia atua sobre três alvos centrais: KRAS — o principal motor genético do câncer de pâncreas, presente na maioria dos casos EGFR — proteína envolvida no crescimento celular e na resistência a tratamentos STAT3 — fator que sustenta a inflamação tumoral e favorece a progressão da doença A combinação dos fármacos Daraxonrasib (inibidor experimental de KRAS), Afatinib e SD36 impede que o tumor ative rotas alternativas de sobrevivência — um mecanismo clássico de escape observado em terapias isoladas. Resultados robustos em modelo animal Nos testes realizados em camundongos, os resultados chamaram a atenção da comunidade científica: regressão completa dos tumores em poucas semanas ausência de recorrência por mais de 200 dias 100% de eficácia nos modelos testados baixa toxicidade observada Embora estudos em animais não garantam o mesmo desempenho em humanos, o grau de resposta observado é considerado excepcional para esse tipo de tumor. Do laboratório à clínica: o desafio regulatório Apesar do entusiasmo, os próprios pesquisadores adotam cautela. O próximo passo será ajustar doses, protocolos e combinações para garantir segurança antes do início de ensaios clínicos em humanos . Esse estágio é crítico e envolve: avaliação rigorosa de toxicidade desenho de estudos clínicos fase I aprovação por agências reguladoras captação de financiamento público e privado Aqui, o avanço científico passa a depender diretamente de políticas públicas de inovação, marcos regulatórios eficientes e investimento estratégico em pesquisa translacional . Inovação em saúde como ativo estratégico O estudo reforça uma tendência global: inovação biomédica de alto impacto exige abordagens integradas , combinando ciência básica, tecnologia, regulação e financiamento de longo prazo. Para governos, o caso levanta questões centrais: como acelerar a transição de descobertas para a prática clínica como financiar pesquisas de alto risco e alto retorno como garantir acesso futuro a terapias inovadoras Para investidores institucionais, o avanço evidencia o valor de apostar em plataformas terapêuticas baseadas em biologia molecular e medicina de precisão , mesmo em áreas historicamente desafiadoras. Ciência, sociedade e expectativa pública Descobertas como essa também têm impacto social relevante. O câncer de pâncreas está associado a altas taxas de mortalidade e forte carga emocional para pacientes e famílias. Avanços concretos, mesmo em fase pré-clínica, reacendem a confiança na ciência e reforçam a importância de sistemas de saúde orientados à inovação. Visão EnergyChannel O sucesso da terapia tripla em modelos animais não representa uma cura imediata, mas sinaliza algo igualmente importante: o câncer de pâncreas pode deixar de ser biologicamente intratável . A convergência entre genética, farmacologia avançada e estratégias combinadas aponta para um novo ciclo da oncologia, no qual doenças antes consideradas praticamente invencíveis passam a ser enfrentadas com maior precisão e inteligência científica. O que vem a seguir adaptação dos protocolos para testes em humanos início de ensaios clínicos fase I maior atenção regulatória e financiamento internacional debate sobre acesso e custo de terapias inovadoras Avanço científico abre nova fronteira no combate ao câncer de pâncreas
- Data centers competitivos começam por cadeias de suprimentos sólidas
por Luis Cuevas Data centers competitivos começam por cadeias de suprimentos sólidas Os últimos cinco anos colocaram as cadeias globais de suprimentos sob uma pressão sem precedentes, com guerras comerciais, desastres naturais e uma pandemia, que expuseram vulnerabilidades em praticamente todos os setores da economia. Saímos da era do “just in time” e entramos definitivamente na era do “just in case” . As organizações mais preparadas compreenderam que esses desafios representam também uma oportunidade: transformar suas redes de suprimentos em diferenciais competitivos. Esse gerenciamento vai muito além da logística ou da eficiência operacional - trata-se de um componente central da estratégia de negócios com impacto direto sobre a rentabilidade, a satisfação do cliente e a capacidade de inovação. Um estudo da Accenture mostra que empresas com cadeias de suprimentos avançadas apresentam, em média, 23% mais rentabilidade. Por muito tempo, essas estruturas foram planejadas de forma isolada da estratégia corporativa, mas hoje os líderes de mercado integram plenamente o desenho do ecossistema aos objetivos de longo prazo da organização. Essa mudança de mentalidade prioriza agilidade, previsibilidade e crescimento sustentável. Nos últimos anos, observamos um movimento consistente de regionalização. De acordo com a McKinsey, 60% das empresas já avançaram em direção a cadeias mais localizadas, com o objetivo de aumentar a resiliência e responder com mais rapidez às variações de demanda e às novas exigências regulatórias. Governos também estão impulsionando essa transformação. O European Chips Act , por exemplo, busca dobrar a participação da Europa no mercado global de semicondutores até 2030, enquanto o programa Make in India pretende consolidar a Índia como potência manufatureira global. Nos Estados Unidos, legislações como o Buy American Act e o Trade Agreements Act reforçam a prioridade por produtos de origem nacional e o cumprimento de acordos comerciais justos. Entender como essas políticas afetam o seu setor é o primeiro passo para desenvolver uma estratégia de fornecimento realmente sólida. Na Schneider Electric, estruturamos nossas operações de cadeia de suprimentos em quatro grandes hubs - Europa, China, Estados Unidos e Índia. Cada um é responsável por desenvolvimento de produtos, pesquisa e inovação, cadeia de fornecimento e gestão de fornecedores, atuando em estreita colaboração com as equipes regionais de vendas e marketing. Esse modelo confere flexibilidade e velocidade para atender às especificidades de cada mercado sem abrir mão da padronização e da sinergia global. Ao mesmo tempo, manter uma visão global e padrões unificados é crucial para garantir resiliência e continuidade diante de imprevistos locais. Encontrar o equilíbrio entre regionalização e integração global é o que define a robustez desse modelo. Apesar dos avanços, a McKinsey aponta um sinal de alerta: algumas empresas estão reduzindo esforços de fortalecimento da resiliência, possivelmente por acreditarem que o pior já passou. As companhias líderes, por outro lado, estão indo além e investindo em cadeias “antifrágeis” - sistemas capazes não apenas de resistir a choques, mas de se tornarem mais fortes após cada crise. Essa evolução depende, sobretudo, do uso inteligente da tecnologia. Soluções digitais como Internet das Coisas (IoT), inteligência artificial (IA), aprendizado de máquina e blockchain permitem visibilidade total e tomada de decisão em tempo real. Painéis integrados e processos automatizados eliminam silos e reduzem erros, tornando a cadeia mais ágil, responsiva e eficiente. Essas ferramentas não pertencem ao futuro distante e já estão disponíveis, sendo utilizadas por empresas visionárias em todo o mundo. O avanço tecnológico, porém, não é suficiente por si só. À medida que as cadeias se tornam mais complexas e baseadas em dados, cresce a necessidade de profissionais com novas competências. CIOs, CSCOs e equipes de RH precisam atuar de modo conjunto para criar uma cultura de aprendizado contínuo, inovação e colaboração entre áreas. Isso envolve capacitar equipes existentes, atrair talentos digitais e desenvolver uma mentalidade aberta à transformação. A tecnologia só entrega resultados quando há pessoas preparadas para utilizá-la de maneira estratégica. Outro aspecto decisivo é o fortalecimento de parcerias estratégicas. A continuidade operacional depende tanto dos fornecedores diretos quanto dos elos mais distantes da cadeia. Escolher parceiros que invistam em sua própria resiliência e compartilhem uma visão de longo prazo é fundamental para manter a estabilidade do ecossistema. Grandes rupturas geralmente têm origem em pontos menos visíveis da cadeia, por isso a transparência e a cooperação em todos os níveis são essenciais. As disrupções prosseguirão fazendo parte do cenário global. O que vai diferenciar as empresas de sucesso será sua capacidade de antecipar mudanças, reagir rapidamente e aprender com as crises. Investir em antifragilidade, inovação digital e capacitação humana não é uma escolha - é uma necessidade estratégica. As decisões tomadas hoje definirão o futuro da cadeia de suprimentos e, consequentemente, o sucesso sustentável dos negócios nas próximas décadas. Luis Cuevas é diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil Data centers competitivos começam por cadeias de suprimentos sólidas
- O Hemisfério Norte e o Inverno do Aquecimento Global: Entre Nevascas, Correntes Oceânicas e o Futuro da Economia Mundial
Nos últimos dias, o hemisfério norte tem enfrentado tempestades de neve devastadoras, temperaturas recordes e até mortes relacionadas ao frio extremo. Em uma coluna anterior, escrevi que esse tipo de evento é consequência do aquecimento global. Desde então, recebi críticas de leitores que consideram essa afirmação incoerente. Afinal, como pode o planeta aquecer e, ao mesmo tempo, registrar congelamentos históricos? O Hemisfério Norte e o Inverno do Aquecimento Global: Entre Nevascas, Correntes Oceânicas e o Futuro da Economia Mundial Sou economista de formação, não climatólogo. A biologia e a física nunca foram meu forte. Mas ao assumir a defesa dessa pauta, sinto-me obrigado a mergulhar nos estudos para oferecer uma mensagem íntegra, livre de vieses ideológicos e fundamentada na ciência. A ciência, afinal, não é ideológica: é um método de investigação que busca compreender a realidade por meio de observações, experimentos e validações. Ser cientista do clima é uma atividade cruel. É ver o mundo se deteriorar, modelos confirmarem cenários sombrios e, ainda assim, enfrentar uma sociedade polarizada que insiste em negar evidências. Minha admiração por esses profissionais é profunda. Eles validam simulações, refinam metodologias e nos entregam alertas precoces que, infelizmente, muitas vezes são ignorados. O ponto central desta discussão é a AMOC (Atlantic Meridional Overturning Circulation), uma corrente marítima que funciona como o coração do sistema climático. De forma didática, podemos imaginar o planeta como um corpo humano: assim como o sangue circula para manter os órgãos vivos, as correntes oceânicas transportam calor e nutrientes, regulando o clima global. A AMOC, em particular, leva águas quentes do Atlântico para o norte e devolve águas frias para o sul. Esse movimento é sustentado pela chamada circulação termohalina, que depende da temperatura e da salinidade da água. O problema é que o derretimento acelerado das geleiras despeja água doce no oceano, alterando a densidade e enfraquecendo esse fluxo. É como se o coração do planeta começasse a falhar. O IPCC, em seu relatório de 2023, já alertava para sinais de colapso. Estudos recentes reforçam essa preocupação. O filme hollywoodiano “O Dia Depois de Amanhã “ dramatizou esse cenário, mostrando um congelamento súbito e catastrófico. Embora a ficção exagere na velocidade dos eventos, a lógica científica por trás da trama é real: o colapso da AMOC pode desencadear uma nova era glacial. Vale lembrar que os giros oceânicos seguem padrões circulares distintos: no hemisfério norte giram no sentido anti-horário, e no hemisfério sul no sentido horário, resultado da força de Coriolis. Correntes como a do Golfo, a de Humboldt e a do Brasil são exemplos de como os oceanos influenciam diretamente o clima, moldando ventos, chuvas e temperaturas. Infelizmente, a pauta ambiental ficou represada por interesses da indústria do petróleo, pela geopolítica e pelas guerras comerciais. Nunca tivemos tanta tecnologia para resolver nossos problemas, mas paradoxalmente a usamos para criar novos. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projeta que os impactos das mudanças climáticas podem reduzir o PIB global de forma drástica, com efeitos devastadores sobre agricultura, florestas e regiões vulneráveis ao aumento do nível do mar. O risco é real e maior do que o planejado. É preciso distinguir entre tempo meteorológico e tempo climático. O primeiro refere-se às condições de curto prazo como uma tempestade de neve. O segundo é o padrão de longo prazo, que mostra tendências de aquecimento global. O enfraquecimento das correntes oceânicas é causado por nossas emissões de gases de efeito estufa. As causas naturais existem, mas operam em ciclos de milhares de anos. Nós estamos acelerando esse processo em séculos, talvez décadas. É como estar em um avião em plena queda: todos veem o solo se aproximando e os painéis de controle indicando falha, mas muitos preferem negar. Se daqui a 50 anos alguém ler este artigo e afirmar que estava equivocado, será uma vitória. Significará que vencemos a intolerância, a dúvida e o negacionismo. Mas se os alertas da ciência forem ignorados, o ponto de não retorno estará cada vez mais próximo. A solução está na transição energética. Essa é a bandeira que defendo: substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis, investir em eficiência, ampliar a geração distribuída e apostar em baterias e redes inteligentes. A transição energética não é apenas uma pauta econômica, mas a principal forma de mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Concluo com uma reflexão: estamos diante de uma escolha civilizatória. Podemos continuar negando, presos a interesses imediatos, ou podemos agir com coragem e responsabilidade. O futuro não é uma abstração distante; ele está sendo moldado agora. E se não mudarmos o rumo, o dia depois de amanhã pode chegar muito mais rápido do que imaginamos. Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética Contato: rena.zimm@gmail.com O Hemisfério Norte e o Inverno do Aquecimento Global: Entre Nevascas, Correntes Oceânicas e o Futuro da Economia Mundial











