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Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026)

Nos últimos dois anos, o envolvimento dos irmãos Joesley e Wesley Batista no setor energético brasileiro continuou evoluindo — e com repercussões que vão além da publicação da medida provisória em 2024.


Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026)
Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026)

1. Da MP 1.232/2024 ao impacto no bolso dos brasileiros

Em 13 de junho de 2024, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou a Medida Provisória 1.232/2024, que passou a permitir que contratos de usinas termoelétricas compradas pela empresa Âmbar Energia — braço do grupo J&F, controlado pelos irmãos Batista — fossem transformados em Contratos de Energia de Reserva (CER), cujo custo é repassado no valor da conta de luz de todos os consumidores.

O texto original da matéria da Gazeta do Povo apontava que essa mudança poderia elevar a conta de luz dos brasileiros em mais de R$ 2 bilhões por ano durante 15 anos.


2. Crescimento da presença da Âmbar no mercado elétrico

Desde então, a Âmbar Energia não só continuou a expandir seu portfólio de ativos, como também passou a atuar em segmentos estratégicos do setor:

  • Aquisição de termelétricas no Acre: em 2025, a Âmbar comprou três termelétricas no estado do Acre que representam cerca de 20% do fornecimento local, marcando expansão geográfica e capacidade instalada da empresa.

  • Compra da Eletronuclear: em outubro de 2025, a J&F, por meio da Âmbar, adquiriu participação majoritária na Eletronuclear, empresa que opera as usinas nucleares de Angra dos Reis (Angra 1, 2 e 3). A compra envolveu cerca de R$ 535 milhões e compromissos com dívidas e garantias de R$ 2,4 bilhões, consolidando a presença do grupo no setor nuclear.

  • Venda de termelétricas pela Eletrobras: a Eletrobras concluiu a venda de sua última usina termelétrica para a J&F em outubro de 2025, por aproximadamente R$ 703,5 milhões, encerrando o processo de desinvestimentos da estatal em geração térmica e reforçando o portfólio da Âmbar.


3. Polêmica política e crítica pública

O envolvimento dos irmãos Batista com o governo Lula tornou-se objeto de críticas na esfera política e civil:

  • Deputados e Ministério Público questionam: parlamentares e órgãos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União (TCU) solicitaram explicações sobre possíveis favorecimentos na edição e aplicação da MP 1.232/2024, incluindo indícios de benefício indevido à Âmbar nas negociações com a Eletrobras e na conversão de contratos de dívida.

  • Críticas do Senado: em novembro de 2025, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que o governo favoreceu o grupo J&F com esquemas de corrupção e mencionou a MP e seus efeitos sobre os custos de energia no país.

  • Relatórios de entidades de transparência: organizações como a Transparência Internacional – Brasil denunciaram que empresários envolvidos em casos de macrocorrupção (como os irmãos Batista, que tiveram delações e processos no passado) têm acesso privilegiado ao governo, inclusive em decisões que impactam o setor de energia.


4. Governo e Âmbar negam favorecimento

Tanto o Ministério de Minas e Energia quanto a própria Âmbar Energia afirmaram publicamente que:

  • Não houve negociação informal ou favorecimento direto em relação à medida provisória ou às reuniões entre executivos e autoridades — que, segundo os órgãos oficiais, seguiram regras legais.

  • As transações e negociações foram conduzidas com base na sustentabilidade econômica do setor energético nacional, diante de desafios como dívidas e risco de falência de distribuidoras.


5. O que muda em 2026

Em 2026, a discussão sobre a presença da Âmbar no setor energético e seu impacto permanece central em debates sobre:

  • Transparência e governança no setor público e privado;

  • Políticas de regulação da energia no Brasil;

  • Efeitos econômicos para consumidores residenciais e industriais;

  • Participação de grandes grupos empresariais em infraestrutura crítica.

A trajetória dos irmãos Batista, que já esteve envolvida em escândalos anteriores e permanece sob escrutínio público e político, continua a ser observada de perto por órgãos de controle, legisladores e especialistas em energia.


Irmãos Batista, Governo Lula e o Setor de Energia (03/02/2026)

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