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  • FX Recharge lança aplicativo próprio nesta semana e prepara descontos para motoristas de veículos elétricos

    Plataforma estreia com benefício de 10% na primeira recarga e marca uma nova etapa da operação da empresa, que iniciou sua rede de carregamento rápido pelo interior de São Paulo FX Recharge lança aplicativo próprio nesta semana e prepara descontos para motoristas de veículos elétricos A FX Recharge prepara para esta semana o lançamento de seu aplicativo próprio para recarga de veículos elétricos e híbridos plug-in. A novidade faz parte da estratégia da empresa de construir uma experiência cada vez mais simples para os motoristas e deverá chegar acompanhada de benefícios especiais de lançamento. Entre as primeiras ações previstas está um desconto de 10% na primeira recarga realizada por meio do aplicativo da FX Recharge, permitindo que novos usuários conheçam tanto a plataforma digital quanto a infraestrutura física da rede. O aplicativo será um dos principais pontos de contato entre a FX Recharge e os motoristas, facilitando o acesso às estações e acompanhando a expansão da empresa por cidades e corredores rodoviários estratégicos do interior paulista. Atibaia é o primeiro endereço da nova experiência FX Recharge Quem estiver passando por Atibaia, seja pela região da Rodovia Fernão Dias ou pela Rodovia Dom Pedro I, já pode conhecer a primeira operação da rede. O FX Recharge 001 está instalado em uma das principais regiões comerciais da cidade e opera 24 horas, oferecendo quatro posições de recarga. A infraestrutura conta com um carregador rápido DC de 80 kW com dois conectores CCS2, destinado principalmente aos motoristas que precisam recuperar autonomia em períodos menores, além de um carregador AC de 22 kW com dois pontos de recarga, indicado para permanências mais longas. A proposta vai além de simplesmente conectar o veículo à energia. Enquanto o automóvel está carregando, o motorista encontra no entorno diferentes serviços e estabelecimentos comerciais e também pode utilizar aspirador automotivo com cobrança por tempo, aproveitando a parada para manter o veículo limpo enquanto recupera autonomia. Uma parada que passa a fazer parte da viagem A localização da primeira unidade foi pensada para atender tanto moradores de Atibaia quanto motoristas que circulam pelo interior paulista. A região funciona como um importante entroncamento para quem viaja entre São Paulo, Campinas, Bragança Paulista e cidades atendidas pelos corredores das rodovias Fernão Dias e Dom Pedro I. Com isso, a FX Recharge quer transformar a recarga em uma parada conveniente durante a viagem, combinando energia, localização, serviços e facilidade de acesso. A chegada do aplicativo próprio acrescenta agora uma camada digital a essa experiência. Aplicativo abre uma nova fase Além da campanha de lançamento com desconto, a expectativa é que o aplicativo se torne progressivamente o centro da relação da FX Recharge com seus usuários, acompanhando a abertura de novos eletropostos e futuras campanhas promocionais. A estratégia acontece em um momento de crescimento da circulação de veículos eletrificados fora das grandes capitais, aumentando a necessidade de infraestrutura de recarga não apenas nos centros urbanos, mas também em cidades intermediárias e corredores rodoviários. Para a FX Recharge, essa infraestrutura precisa ser construída acompanhando a experiência real de quem utiliza um veículo elétrico. “Estamos construindo a eletromobilidade com você.” A frase resume a proposta que a empresa pretende levar para sua rede: desenvolver os eletropostos a partir das necessidades dos próprios motoristas, agregando novos serviços e funcionalidades conforme a operação amadurece. 10% de desconto para conhecer a nova experiência Com o lançamento previsto para esta semana, novos usuários terão 10% de desconto na primeira recarga realizada pelo aplicativo da FX Recharge, conforme as condições da campanha de lançamento. Para quem estiver passando por Atibaia nos próximos dias, a empresa deixa o convite: conhecer o FX Recharge 001, experimentar a recarga rápida de 80 kW e acompanhar uma rede que começa a ser construída no interior de São Paulo. FX Recharge — Powering the Future. FX Recharge lança aplicativo próprio nesta semana e prepara descontos para motoristas de veículos elétricos

  • Daniel Rosende Völker: “Os projetos renováveis precisam nascer preparados para os sistemas elétricos do futuro”

    ENTREVISTA ESPECIAL Em entrevista ao EnergyChannel, o Managing Director Latin America da SMA Solar Technology, Daniel Rosende Völker, analisa a nova fase do mercado renovável, o avanço do armazenamento de energia, as tecnologias grid forming e os desafios impostos pela expansão das redes, além de apontar como data centers e inteligência artificial deverão transformar a demanda e a infraestrutura elétrica global. Por Ricardo Honório | EnergyChannel O mercado global de energia renovável entrou em uma nova etapa. Depois de uma década marcada pela expansão acelerada da capacidade solar e eólica e pela redução dos custos tecnológicos, o setor passa agora por um processo de consolidação, escala e, principalmente, maior sofisticação técnica. A discussão deixou de estar concentrada apenas em quanto custa instalar um megawatt de capacidade fotovoltaica. Flexibilidade, armazenamento de energia, estabilidade da rede, controle avançado, digitalização e novas formas de remuneração dos ativos passaram a ocupar o centro das decisões de investimento. Essa transformação foi um dos principais temas da entrevista concedida por Daniel Rosende Völker, Managing Director Latin America da SMA Solar Technology, ao jornalista Ricardo Honório, do EnergyChannel. Na conversa, o executivo analisou a evolução dos mercados renováveis, os gargalos de transmissão, o avanço dos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), as tecnologias grid forming e o surgimento de uma nova geração de projetos híbridos capazes não apenas de produzir energia, mas também de contribuir para a estabilidade dos sistemas elétricos. Renováveis entram em uma nova fase de maturidade Para Daniel Rosende, o mercado renovável já superou sua fase inicial e está entrando em um período caracterizado por escala, integração e sofisticação. Segundo ele, diferentes regiões do mundo vivem momentos distintos dessa transformação. Enquanto a Europa avança rapidamente em flexibilidade, digitalização e serviços de rede, mercados asiáticos estão fortemente concentrados em volume e expansão de infraestrutura. Nos Estados Unidos, mudanças regulatórias caminham paralelamente ao desenvolvimento de soluções relacionadas à estabilidade e digitalização. Na América Latina, por sua vez, o enorme potencial solar mantém o mercado em trajetória de crescimento, mas traz desafios importantes relacionados à transmissão, armazenamento e bancabilidade dos projetos. ⁠“Hoje entramos em uma fase de escala, integração e também de sofisticação do mercado.” Na avaliação do executivo, essa mudança altera inclusive a forma como os projetos são concebidos. O custo por megawatt instalado continua relevante, mas deixa de ser a única variável determinante. O valor passa a estar também na capacidade de combinar geração fotovoltaica, armazenamento, sistemas inteligentes de controle e tecnologias capazes de fornecer energia de maneira mais previsível e flexível. Em outras palavras, a próxima geração de usinas renováveis deverá entregar mais do que simplesmente megawatts. Deverá entregar *flexibilidade, estabilidade e capacidade de integração com a rede elétrica*. O grande gargalo está nas redes elétricas O crescimento acelerado da geração renovável criou um desafio estrutural: em muitos mercados, a velocidade de implantação de novos projetos passou a ser superior à expansão das redes de transmissão e distribuição. Daniel destaca que essa diferença já provoca congestionamentos, restrições de conexão e episódios de curtailment quando parte da energia renovável disponível precisa ser cortada ou deixa de ser aproveitada devido às limitações do sistema. O problema tem consequências que vão além da operação técnica. Quando um empreendimento não possui segurança sobre quanto conseguirá efetivamente injetar na rede, aumenta a volatilidade das receitas e diminui a previsibilidade financeira, afetando diretamente a confiança dos investidores e a bancabilidade dos projetos. Na avaliação do executivo da SMA, portanto, ampliar e modernizar as redes será uma das condições fundamentais para sustentar a próxima etapa da transição energética. Ao mesmo tempo, as próprias usinas precisarão mudar. De geradores de energia para ativos que ajudam a rede Uma das transformações mais importantes apontadas durante a entrevista é a evolução conceitual dos projetos renováveis. Segundo Daniel, novas usinas precisam começar a ser planejadas não apenas como fontes de geração, mas como ativos capazes de *apoiar ativamente a operação da rede elétrica. É nesse contexto que tecnologias como BESS, eletrônica de potência avançada, sistemas inteligentes de controle e grid forming ganham importância. Tradicionalmente, grandes sistemas elétricos foram estabilizados por máquinas síncronas associadas principalmente a fontes convencionais de geração. À medida que essas fontes são substituídas por geração renovável baseada em inversores, novas tecnologias precisam assumir parte dessas funções. Soluções grid forming podem contribuir para controle de tensão e frequência, resposta rápida a contingências e maior estabilidade em sistemas com alta participação de fontes renováveis. Para Daniel, essa capacidade precisa estar prevista desde o início do empreendimento. ⁠“Os projetos precisam estar preparados desde o começo para as variações regulatórias, os novos requerimentos e a maior complexidade dos sistemas.” A tentativa de adicionar essas funcionalidades posteriormente, por meio de retrofit, pode ser mais complexa, arriscada e até tecnicamente inviável em determinadas situações. BESS deixa de ser apenas backup Outra mudança importante está acontecendo no mercado de armazenamento. Durante muito tempo, baterias foram associadas principalmente a backup, arbitragem de energia ou mitigação de curtailment. Esse conceito está mudando rapidamente. Daniel destaca que o armazenamento passa a fazer parte da própria estratégia de estabilidade das novas redes elétricas. Em 2025, segundo os números apresentados pelo executivo durante a entrevista, aproximadamente *110 GW de armazenamento foram instalados globalmente*, crescimento de cerca de 40% em relação ao ano anterior, com mais de 80% desse volume associado a projetos de grande escala. A tendência é que os sistemas BESS assumam funções cada vez mais sofisticadas. Combinados com tecnologias grid forming e sistemas avançados de controle, poderão ajudar projetos renováveis a fornecer estabilidade, reduzir vertimentos, aumentar previsibilidade operacional e participar de diferentes mercados de serviços elétricos. Revenue stacking muda a economia do armazenamento Essa evolução tecnológica também abre espaço para novos modelos de negócio. Daniel chama atenção para o conceito de revenue stacking, no qual um mesmo ativo de armazenamento pode combinar diferentes fontes de receita. Em vez de depender exclusivamente da compra e venda de energia, por exemplo, um BESS pode participar de mercados relacionados a potência, serviços complementares, controle de frequência e estabilidade da rede. Essa combinação pode transformar significativamente a viabilidade econômica dos projetos. Quanto maior a quantidade de serviços que um ativo consegue oferecer ao sistema, maior tende a ser sua capacidade de geração de receita e, consequentemente, sua atratividade para investidores. Mercados como Reino Unido e Austrália já avançaram na criação de mecanismos de remuneração relacionados a esses serviços. Na América Latina, Daniel aponta o Chile como uma das principais referências regionais na incorporação de armazenamento e no desenvolvimento de novos requisitos regulatórios de estabilidade. SMA apresenta nova arquitetura para solar + armazenamento Durante a entrevista, Daniel também comentou uma das tecnologias apresentadas pela SMA em 2026. A companhia anunciou uma nova solução voltada ao acoplamento de armazenamento no lado DC, incorporando também capacidades de grid forming. Grande parte dos projetos híbridos de armazenamento desenvolvidos até agora utiliza arquiteturas de acoplamento no lado AC. A nova abordagem busca ampliar as possibilidades de integração entre geração solar e baterias. Entre os potenciais benefícios apontados estão a redução da quantidade de equipamentos de conversão e transformação, otimização do CAPEX e simplificação da arquitetura do sistema. Essa integração também pode gerar impactos positivos no OPEX, na operação e manutenção e até na pegada ambiental dos projetos, devido à menor utilização de hardware. Segundo Daniel, a solução despertou interesse global desde seu lançamento e vem sendo acompanhada de perto também por clientes latino-americanos. Data centers podem deixar de ser apenas grandes consumidores Outro ponto de destaque da conversa foi o crescimento dos data center's. A expansão da inteligência artificial está provocando uma corrida global por novas infraestruturas computacionais, algumas delas com demandas energéticas de escala comparável à de grandes instalações industriais. O primeiro impacto é evidente: aumento significativo da demanda por eletricidade. Mas Daniel propõe uma visão diferente. Com armazenamento, tecnologias grid forming e sistemas avançados de gerenciamento energético, os data centers podem deixar de ser vistos exclusivamente como grandes cargas e passar a atuar também como *ativos energéticos capazes de interagir com a rede*. Baterias e sistemas de controle podem permitir respostas rápidas às condições do sistema elétrico, oferecendo flexibilidade e potencialmente serviços de estabilidade. Assim, uma infraestrutura criada inicialmente para atender às demandas da inteligência artificial poderia assumir também um papel ativo no funcionamento dos sistemas elétricos. O futuro será integrado A mensagem central da entrevista é que a próxima fase da transição energética será muito mais complexa do que simplesmente instalar mais geração solar e eólica. O desafio passa a ser integrar grandes volumes dessas fontes a sistemas elétricos que precisam continuar operando com segurança, qualidade e estabilidade. Isso significa aproximar tecnologias que durante anos foram tratadas separadamente: Geração renovável, armazenamento, eletrônica de potência, digitalização, controle avançado e infraestrutura de rede. Para Daniel Rosende, os projetos desenvolvidos hoje precisam considerar desde sua concepção os requisitos que provavelmente enfrentarão ao longo de décadas de operação. A capacidade de responder às necessidades da rede poderá se tornar tão importante quanto a própria capacidade instalada de geração. E essa transformação também modifica a lógica econômica do setor. A usina renovável do futuro tende a deixar de ser apenas uma instalação que produz energia quando há sol ou vento. Ela passa a ser um *ativo energético inteligente*, capaz de produzir, armazenar, controlar, responder e prestar serviços ao sistema elétrico. Ao encerrar a conversa com o EnergyChannel, Daniel destacou a importância do intercâmbio de conhecimento para acelerar essa evolução e reforçou o compromisso da SMA em contribuir com projetos e discussões relacionadas ao desenvolvimento dos mercados renováveis. Para um setor que durante anos mediu sua evolução principalmente pela quantidade de gigawatts instalados, a próxima fronteira parece estar ficando clara: Não será suficiente gerar mais energia renovável. Será necessário integrá-la de maneira cada vez mais inteligente, flexível e estável aos sistemas elétricos do futuro. Daniel Rosende Völker: “Os projetos renováveis precisam nascer preparados para os sistemas elétricos do futuro”

  • O Brasil aprendeu a gerar energia. Agora precisa aprender a gerenciá-la: Digital Grid leva IA ao coração da geração distribuída 

    O Brasil aprendeu a gerar energia. Agora precisa aprender a gerenciá-la: Digital Grid leva IA ao coração da geração distribuída Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na The Smarter E South America 2026 (Intersolar), Renan Nominato, fundador da Digital Grid, explica como inteligência artificial, automação, CRM e análise de dados podem atacar inadimplência, créditos acumulados, vacância e ineficiências que ameaçam a rentabilidade das usinas e preparar o setor para a abertura do Mercado Livre Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — The Smarter E South America 2026 (Intersolar) | São Paulo SÃO PAULO — Uma usina solar não termina quando começa a produzir eletricidade. Na realidade, é exatamente nesse momento que uma segunda operação muito menos visível que os painéis instalados no campo ou sobre os telhados começa. É preciso saber quem receberá aquela energia. Quanto será destinado a cada consumidor. Quanto foi efetivamente compensado. Quanto precisa ser faturado. Quem pagou. Quem não pagou. Quais créditos ficaram acumulados. Onde existe energia disponível sem consumo correspondente. Quanto custa conquistar um novo cliente. E como administrar milhares de consumidores sem transformar crescimento em caos operacional. Depois de uma década marcada pela expansão acelerada da geração distribuída brasileira, uma nova fronteira começa a aparecer. A gestão da energia. Foi justamente essa transformação que levou o EnergyChannel ao estande da Digital Grid, durante a The Smarter E South America 2026 (Intersolar), para conversar com seu fundador e CEO, Renan Nominato. Engenheiro eletricista e profissional com cerca de 13 anos de atuação no mercado solar, Nominato construiu uma empresa baseada em uma constatação aparentemente simples: gerar energia é apenas uma parte do negócio. “A Digital Grid é uma plataforma para gestão de créditos. Ela conecta usinas com consumidores finais por meio da tecnologia.” Hoje a plataforma atua em 24 estados, reúne mais de 60 mil unidades consumidoras e possui mais de 400 MW sob gestão. Mas talvez o número mais importante não esteja em megawatts. Está na quantidade de decisões necessárias para administrar toda essa energia. A nova batalha da geração distribuída acontece atrás da tela Durante a primeira grande onda do mercado fotovoltaico brasileiro, grande parte da atenção esteve concentrada na implantação dos ativos. Terreno. Módulos. Inversores. Estruturas. Conexão. Capex. Produção. Mas uma usina de geração compartilhada precisa fazer muito mais do que gerar. Depois que os elétrons começam a circular, inicia-se uma complexa operação envolvendo rateio de créditos, relacionamento com distribuidoras, faturamento, cobrança, conciliação financeira e gestão de consumidores. Quanto maior a carteira, maior o problema. Nominato aprendeu isso na prática. “Quando a gente começou a operação da Digital Grid, eu gerava 20 faturas. Naquelas 20 eu já sofri bastante.” O problema não era necessariamente a quantidade. Eram os processos. “Eu tinha processos quebrados. Depois disso falei: a gente tem que automatizar isso o mais rápido possível, porque quando você escala, os problemas só vão escalando.” Essa experiência acabou se transformando em uma das filosofias centrais da empresa. Primeiro desenhe o processo. Depois aplique tecnologia. Então escale. 400 MW ensinaram uma lição: crescer rápido demais também pode ser perigoso Quando o EnergyChannel perguntou o que administrar uma operação presente em 24 estados ensinou à companhia, a resposta de Nominato foi surpreendentemente simples: Comece menor. “Para um cliente nosso, eu recomendo sempre estabilizar a operação.” Imagine uma empresa entrando agora em geração compartilhada. A recomendação do fundador da Digital Grid é começar operando com uma distribuidora, entender seus processos, organizar a operação e somente depois avançar para outras áreas. Isso acontece porque cada distribuidora possui procedimentos próprios para etapas como envio de rateios e faturamento. “Quando você entra com duas distribuidoras, você precisa de um time preparado para tratar duas.” A conclusão surgiu naturalmente durante a conversa: Menos é mais. Não como estratégia de permanecer pequeno. Mas como estratégia para crescer sem perder o controle. O problema invisível da energia que existe, mas não encontra consumo Entre os desafios enfrentados pela geração compartilhada está aquilo que o setor chama de vacância. Uma usina pode produzir energia. Mas isso não significa automaticamente que toda aquela produção esteja perfeitamente alocada a consumidores capazes de absorvê-la economicamente. Quando existe muita geração para pouca demanda associada, surgem ineficiências. “Muita energia, pouco consumo”, resumiu Nominato. O desafio, portanto, não é simplesmente produzir. É sincronizar geração, carteira e consumo. Uma boa plataforma precisa enxergar a usina não apenas como um ativo elétrico, mas como uma carteira dinâmica de consumidores. Entradas. Saídas. Mudanças de consumo. Inadimplência. Créditos. Faturamento. Tudo isso altera continuamente a equação. É nesse ponto que os dados começam a se transformar em dinheiro. Inadimplência: quando uma usina gera energia mas o caixa não acompanha Talvez um dos pontos mais contundentes da entrevista tenha surgido quando a conversa chegou à inadimplência. Segundo Nominato, existem operações enfrentando índices extremamente elevados. “Tem muita empresa quebrando porque a inadimplência está em 30%, 40%.” O impacto é brutal. Uma usina pode estar tecnicamente disponível. Os módulos podem estar produzindo. Os inversores podem estar funcionando. A energia pode estar sendo compensada. Mas se o consumidor não paga, a operação financeira entra em deterioração. Nominato cita uma referência observada dentro da base administrada pela companhia: “A média do mercado ali para a gente hoje, em 30 dias, é 8%, mas tem cliente com 30%.” A pergunta passa então a ser: Como transformar 30% em 8%? Para a Digital Grid, parte da resposta começa antes mesmo de o consumidor entrar na carteira. A qualidade da carteira começa na aquisição Durante anos, empresas de energia por assinatura concentraram esforços em conquistar clientes. Mais leads. Mais campanhas. Mais tráfego. Mais conversões. Mas crescimento comercial sem inteligência pode esconder um risco. O CAC — Custo de Aquisição de Clientes — pode aumentar enquanto a qualidade da carteira diminui. “Muita gente investindo em tráfego, mas o tráfego você sabe como é. Quanto mais você investe, maior é o custo.” Ao mesmo tempo, uma aquisição mal estruturada pode incorporar clientes com maior risco de inadimplência ou fraude. Nominato aponta deficiências em análise de crédito e análise de carteira como parte do problema. “Tem muita fraude, então tem que ter muito cuidado.” É por isso que uma das novidades levadas pela Digital Grid à Intersolar 2026 foi justamente um CRM integrado à operação energética. CRM para energia: vender melhor para receber melhor À primeira vista, CRM pode parecer uma ferramenta distante da operação de uma usina solar. Na prática, é exatamente o contrário. Se o negócio envolve milhares de consumidores, aquisição e gestão comercial tornam-se parte da infraestrutura financeira do ativo. A nova ferramenta apresentada pela Digital Grid busca automatizar diferentes etapas desse processo. Segundo Nominato, a plataforma pode gerar propostas e termos de adesão, automatizar assinaturas e incorporar recursos de validação, biometria e prevenção a fraudes. Também automatiza processos relacionados à leitura de faturas e conecta essas informações à plataforma de gestão. O objetivo é claro: reduzir CAC e aumentar a qualidade de quem entra na carteira. “Como que a gente leva de 30 para 8? Melhorando a aquisição. Então o CRM é importantíssimo para você ter o controle.” A lógica é poderosa. A saúde financeira da usina começa antes da geração. Começa na escolha de quem receberá aquela energia. Do CRM à Análise Conversacional A segunda novidade apresentada na feira leva essa lógica ainda mais longe. Analytics conversacional apoiado por inteligência artificial. Em vez de um gestor navegar por diferentes relatórios, planilhas e dashboards para tentar encontrar uma informação, a proposta é permitir que ele faça perguntas diretamente aos dados. Nominato deu um exemplo durante a entrevista. Ele perguntou ao sistema qual era o desconto médio aplicado por determinada faixa de consumo. A resposta veio rapidamente. “Você tem informação rápida na palma da mão.” Parece simples. Mas representa uma transformação importante na maneira como gestores interagem com operações energéticas. Em vez de produzir relatórios para depois interpretá-los, sistemas de IA podem começar a funcionar como uma camada de diálogo sobre a própria operação. “Você precisa de velocidade para tomar decisão.” A Digital Grid trabalha nessa frente com tecnologia de inteligência artificial em parceria com o Google. A energia também está entrando na era da linguagem natural Existe algo maior acontecendo por trás dessa funcionalidade. Durante décadas, softwares empresariais obrigaram pessoas a aprender a linguagem das máquinas. Menus. Filtros. Campos. Consultas. Planilhas. Dashboards. A inteligência artificial generativa começa a inverter essa relação. Agora, progressivamente, as máquinas começam a aprender a linguagem das pessoas. Um gestor pode perguntar: Qual é a minha inadimplência? Onde tenho créditos acumulados? Qual faixa de consumidores apresenta maior desconto? Onde minha carteira está performando mal? Quais usinas precisam de atenção? Se essas perguntas puderem ser respondidas em segundos, a velocidade da gestão muda. E, em uma operação com milhares de unidades consumidoras, segundos multiplicados por milhares de decisões representam eficiência. O coração da operação: rateio inteligente Mas talvez o projeto tecnologicamente mais ambicioso apresentado por Nominato esteja em outra camada. O rateio dos créditos de energia. Em geração compartilhada, definir corretamente como a energia será distribuída entre as unidades consumidoras é uma das tarefas centrais da operação. O fundador da Digital Grid resume: “O rateio é o coração do processo.” E é justamente nesse coração que a companhia pretende aplicar inteligência artificial preditiva. O objetivo é usar dados para melhorar a alocação dos créditos, reduzindo problemas como sazonalidade, acúmulo de créditos e inadimplência. “Se você tem um rateio bem feito, você consegue melhorar toda a sua operação.” A proposta é evoluir para modelos capazes de analisar portfólios de usinas e consumidores e recomendar distribuições cada vez mais eficientes. Não é difícil entender por quê. O consumo muda. A geração muda. Clientes entram. Clientes saem. O clima interfere na produção. A inadimplência altera a carteira. Créditos podem se acumular. Um rateio estático precisa administrar um mundo dinâmico. A inteligência preditiva vem para tornar esse processo mais eficiente: Adaptar a alocação ao comportamento real da operação. Pesquisa e desenvolvimento para transformar o rateio O projeto Motor de Rateio Inteligente já tem reconhecimento técnico e financeiro. A Digital Grid foi aprovada na chamada técnica “Deep Tech: Inserção no Mercado e Tração Comercial”, da FAPEMIG Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais para desenvolvimento de tecnologia voltada à alocação e gestão inteligente de créditos de energia em geração compartilhada. A startup captou R$2,1 milhões de investimento para esse projeto. O objetivo é avançar na aplicação de inteligência e automação a uma das partes mais sensíveis da cadeia operacional. Durante a entrevista, Nominato destacou que a empresa pretende aprofundar os modelos de rateio e incorporar novas capacidades de inteligência artificial. O EnergyChannel fez um pedido: Queremos ver isso funcionando. A resposta veio com um compromisso. “Ano que vem nós vamos trazer isso para você, Ricardo.” A abertura do Mercado Livre pode multiplicar o desafio A Digital Grid também está olhando para uma transformação ainda maior do setor elétrico brasileiro. A expansão do Mercado Livre de Energia. Nominato acredita que uma abertura mais ampla tornará o mercado significativamente mais dinâmico. “O volume vai aumentar muito.” E existe uma diferença importante entre o modelo atual de geração compartilhada e a comercialização no ambiente livre. A geração compartilhada depende da existência e operação dos ativos que geram aquela energia. O Mercado Livre adiciona uma dinâmica comercial ainda mais ampla. Com isso, cresce também a necessidade de infraestrutura digital capaz de organizar informação, faturamento, consumidores e operações. “O setor elétrico não tem a informação fácil.” É justamente nesse espaço que a Digital Grid pretende atuar. Disponibilizar dados. Organizar operações. Apoiar associações. Consórcios. Cooperativas. Empresas de energia por assinatura. E, progressivamente, o varejo energético que deverá emergir com a evolução regulatória. Segundo Nominato, a plataforma Digital Grid já atende clientes com operações no Mercado Livre. O setor elétrico pode estar prestes a viver seu momento fintech Existe um paralelo interessante. O sistema financeiro passou décadas operando sobre estruturas altamente reguladas, complexas e concentradas. Então chegaram as fintechs. Elas não acabaram com os bancos. Mas mudaram profundamente a interface entre consumidores e serviços financeiros. Aplicativos simplificaram operações. Dados aceleraram decisões. Automação reduziu custos. Novos modelos surgiram. O setor elétrico possui algumas características semelhantes. É altamente regulado. Tecnicamente complexo. Possui enorme quantidade de dados. E historicamente foi construído sobre sistemas pouco amigáveis para o consumidor final. Para Nominato, as startups terão papel importante nessa transformação. “Existe um gap muito grande de tecnologia para o setor.” A Digital Grid quer ocupar exatamente esse espaço. Reconhecimento internacional coloca a startup brasileira no mapa Essa estratégia já recebeu reconhecimento fora do Brasil. Em 2025 a Digital Grid foi uma das vencedoras do SolarX Startup Challenge Edição Caribe e América Latina, realizado pela International Solar Alliance (ISA), organização intergovernamental com 125 países membros criada para impulsionar o uso de energia solar em todo o planeta. O título coloca a DG como uma das 10 startups mais inovadoras da área solar no continente. O desafio recebeu 113 candidaturas de 29 países e avaliou soluções voltadas para amploar o acesso à energia limpa, fortalecer a resiliência das redes elétricas e impulsionar aplicações solares emergentes. Os critérios para defir os vencedores foram relevância tecnológica e capacidade de gerar impacto real. Para Renan Nominato, o prêmio é um marco histórico para a Digital Grid. “Representou muito, porque a gente está tratando de inovação.” Além do reconhecimento, a premiação garantiu aporte financeiro e a participação em um programa estruturado de aceleração, em colaboração direta com a ISA. A participação trouxe investimento e acesso a workshops. Para uma startup brasileira de tecnologia energética, a conquista tem um significado maior. Mostra que inovação no setor solar não precisa necessariamente nascer em um laboratório de células fotovoltaicas ou em uma fábrica de inversores. Pode nascer em software. Hub DG: tecnologia sozinha não resolve um mercado complexo A Digital Grid também percebeu outro problema. Não basta entregar software se as pessoas responsáveis pela operação não estiverem preparadas para utilizá-lo. Por isso, a empresa está estruturando iniciativas de capacitação de operadores. “O mercado hoje acaba perdendo muito por não ter operadores qualificados.” Tecnologia e pessoas precisam evoluir juntas. Esse pensamento também deu origem ao Hub DG, treinamento exclusivo que reúne profissionais e especialistas para discutir temas técnicos, jurídicos, regulatórios e operacionais da geração distribuída e da energia de forma geral. O Hub DG teve edição especial durante a Intersolar 2026, com palestras, debates e apresentação de novas funcionalidades da plataforma no estande da empresa. Para Nominato, a ideia está ligada a um valor da empresa: colaboração. “A gente acredita que ninguém chega longe sozinho.” Clientes. Parceiros. Especialistas. Empresas. Operadores. A lógica é fortalecer e engajar uma comunidade capaz de compartilhar conhecimento e, ao mesmo tempo, retroalimentar a evolução tecnológica da própria plataforma. Do instalador solar ao operador de energia Existe uma transformação profissional acontecendo paralelamente. A primeira fase da energia solar brasileira exigiu milhares de instaladores. Projetistas. Engenheiros. Integradores. A nova fase exigirá cada vez mais operadores de energia. Profissionais capazes de compreender simultaneamente: geração; consumo; créditos; faturamento; inadimplência; carteiras; dados; regulação; e comportamento do consumidor. É uma mudança profunda. O setor deixa progressivamente de pensar apenas em ativos físicos e começa a administrar ativos físicos + consumidores + dados + dinheiro. Análise EnergyChannel | A próxima revolução solar pode acontecer sem instalar um único painel Durante anos, inovação solar significou algo que podíamos tocar. Um módulo mais potente. Uma célula mais eficiente. Um inversor menor. Uma bateria maior. Mas talvez uma das principais transformações da próxima década seja invisível. Software. O Brasil construiu uma enorme infraestrutura de geração distribuída. Agora precisa aprender a operá-la com o mesmo nível de sofisticação com que aprendeu a instalá-la. Porque uma usina pode produzir perfeitamente e ainda assim ser um negócio ruim. Pode existir energia e faltar consumidor. Pode existir consumidor e faltar pagamento. Pode existir crédito e faltar inteligência de alocação. Pode existir faturamento e faltar conciliação. Pode existir crescimento e faltar processo. Essa é uma das lições mais importantes da conversa com Renan Nominato na Intersolar 2026. Megawatts não garantem rentabilidade. Gestão importa. Dados importam. Processos importam. Qualidade da carteira importa. E, à medida que milhares de consumidores passarem a participar de modelos cada vez mais sofisticados de compra, geração compartilhada e comercialização de energia, administrar essa complexidade manualmente deixará simplesmente de ser uma opção. A própria descrição oficial da Digital Grid no catálogo da Intersolar 2026 resume essa mudança: automação de faturamento para GD e Mercado Livre, IoT, inteligência artificial, CRM e BI em tempo real — da fatura à conciliação. É uma fotografia de para onde o mercado está caminhando. No final da entrevista, Nominato resumiu a ambição da companhia: “Queremos fazer o varejo funcionar para comercializadoras e geradoras.” Talvez essa frase tenha uma importância muito maior do que parece. Porque o futuro do setor elétrico não será construído apenas por quem produz energia. Será construído também por quem conseguir transformar milhões de informações, consumidores, faturas e créditos em um mercado que realmente funcione. A primeira revolução solar brasileira aconteceu nos telhados e nas usinas. A próxima pode acontecer nos dados. EnergyChannel Special Coverage | The Smarter E South America 2026 (Intersolar) A The Smarter E South America 2026 (Intersolar) reuniu em São Paulo fabricantes, desenvolvedores, integradores, empresas de tecnologia e especialistas de toda a cadeia de energia. A Digital Grid participou como expositora, apresentando uma plataforma SaaS para gestão de ativos com automação de faturamento em geração distribuída e Mercado Livre, IoT, inteligência artificial, CRM e BI em tempo real. Entrevistado: Renan Nominato — Founder, Digital Grid Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: The Smarter E South America 2026 (Intersolar) Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel - We Tell the Stories Driving the Energy Transition. O Brasil aprendeu a gerar energia. Agora precisa aprender a gerenciá-la: Digital Grid leva IA ao coração da geração distribuída

  • A usina está pronta. Agora começa o desafio de gerenciar a energia: digitalização ganha espaço no novo mercado elétrico 

    Em entrevista ao EnergyChannel durante a The Smarter E South America 2026 (Intersolar), Frederico Boschin analisa a transformação do setor elétrico e explica por que automação, gestão de créditos e informação serão cada vez mais importantes em um mercado no qual o consumidor assume o protagonismo Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — The Smarter E South America 2026 (Intersolar) | São Paulo SÃO PAULO — Durante boa parte da expansão da energia solar no Brasil, o grande desafio esteve em colocar projetos de pé. Encontrar clientes, estruturar investimentos, instalar equipamentos, conectar usinas e transformar a geração distribuída em um mercado capaz de alcançar consumidores em praticamente todas as regiões do país. Agora, uma nova questão começa a ganhar importância. Depois que a usina entra em operação, quem administra toda essa energia? A pergunta parece simples, mas esconde uma operação cada vez mais complexa. Existem consumidores para gerenciar, créditos para distribuir, faturas para conferir, concessionárias com procedimentos diferentes, particularidades tributárias, regras que mudam de estado para estado e uma quantidade crescente de informações que precisa ser processada todos os meses. Para Frederico Boschin, advogado especialista no setor elétrico, é justamente nessa camada menos visível da operação que a digitalização começa a assumir um papel estratégico. Boschin conversou com o EnergyChannel durante a The Smarter E South America 2026 (Intersolar), após participar como palestrante no Hub DG, treinamento exclusivo na área de energia, no estande da Digital Grid. Em entrevista a Ricardo Honório, ele analisou um setor que continua demonstrando resiliência, mas que entra em uma fase muito mais sofisticada. “O setor está acontecendo”, resumiu Boschin ao observar a movimentação da feira. “A gente ainda vai acabar vendo muita coisa nova acontecendo nesse setor.” A mudança, em sua visão, não será provocada apenas por novos equipamentos. Virá também das regras, dos modelos de negócio, da abertura do mercado e das tecnologias digitais que começam a se conectar ao sistema elétrico. O mercado muda e a complexidade aumenta Em sua apresentação no Hub DG, Boschin abordou justamente esse novo momento: mudanças de mercado, novas regras e tecnologias que passam a ocupar espaços antes inexistentes dentro do setor elétrico. É uma transformação que ocorre em várias frentes ao mesmo tempo. A geração se tornou mais distribuída. O consumidor ganhou alternativas. O Mercado Livre ampliou sua relevância. Novos modelos comerciais surgiram. Armazenamento começa a entrar na equação. E uma quantidade cada vez maior de dados precisa circular entre geradores, gestores, consumidores e empresas do setor. Quanto mais descentralizado se torna o sistema, mais importante passa a ser a capacidade de organizar essa complexidade. E é nesse ponto que Boschin identifica um problema recorrente. A empresa consegue construir a usina. Mas, quando começa a operar uma carteira de consumidores, percebe que administrar o negócio pode ser muito mais trabalhoso do que imaginava. “Na minha prática, o que acontece é que o cara monta a usina, mas a gestão do crédito e a gestão do consumidor acabam tomando tempo e comendo margem”, afirma. O problema aparece quando tarefas que poderiam ser automatizadas continuam dependendo de processos manuais. No início, isso talvez pareça administrável. Com poucos consumidores, uma equipe consegue acompanhar planilhas, conferir documentos e corrigir inconsistências. Mas, à medida que a carteira cresce, a operação cresce junto. Mais clientes significam mais faturas. Mais créditos. Mais conferências. Mais exceções. Mais pessoas. E mais custo. O resultado é uma equação perigosa: A empresa cresce comercialmente, mas parte desse crescimento desaparece dentro da própria operação. A margem também pode desaparecer em uma planilha Esse talvez seja um dos pontos mais interessantes levantados por Boschin. Quando um empreendedor desenvolve um projeto de energia, é natural dedicar enorme atenção ao investimento inicial, à geração prevista, ao retorno financeiro e às receitas esperadas. Mas custos operacionais aparentemente pequenos podem ser subestimados. Uma atividade manual demanda pessoas. Pessoas demandam estrutura. E, conforme o número de consumidores aumenta, aquilo que parecia uma despesa secundária pode começar a comprometer a rentabilidade do negócio. “Obviamente você subdimensiona esse custo porque são pessoas. Então, quanto mais automatizar, melhor”, explica. A digitalização, nesse contexto, deixa de ser apenas uma questão de conveniência. Passa a ser uma questão de margem. Automatizar tarefas repetitivas permite que a empresa cresça sem necessariamente multiplicar sua estrutura administrativa na mesma velocidade. E libera a equipe para aquilo que efetivamente pode gerar novos negócios: atender melhor, vender, desenvolver projetos e cuidar do relacionamento com o consumidor. Gerenciar créditos de energia é mais complexo do que parece Para quem olha de fora, administrar créditos de energia pode parecer apenas uma operação matemática. A realidade é diferente. Boschin lembra que o Brasil possui particularidades tributárias e regulatórias que tornam a gestão mais complexa. Estados podem apresentar diferenças tributárias. Municípios possuem particularidades. Distribuidoras têm processos e modelos de faturamento que nem sempre seguem exatamente a mesma dinâmica operacional. Isso significa que uma experiência bem-sucedida em determinada região não pode necessariamente ser simplesmente copiada para outra. “Operar em um estado não necessariamente é igual a operar em outro”, afirma. A consequência é importante para empresas que desejam ganhar escala. Quanto maior a expansão geográfica, maior tende a ser o número de particularidades que precisam ser administradas. E é justamente aí que uma plataforma digital começa a deixar de ser apenas um sistema de apoio. Ela passa a funcionar como infraestrutura do negócio. A tecnologia precisa permitir que a empresa volte a olhar para o cliente Boschin vê valor em plataformas como a Digital Grid justamente porque elas podem absorver parte dessa complexidade operacional. Ao automatizar processos, organizar informações e conectar diferentes pontas da operação, a empresa pode dedicar menos energia à burocracia e mais ao mercado. “Você pode focar melhor no comercial e pode dar uma experiência melhor para o consumidor”, afirma. Essa mudança de foco é importante porque o próprio consumidor de energia está mudando. Durante décadas, a relação com eletricidade foi essencialmente passiva. A conta chegava. O consumidor pagava. Havia pouco espaço para escolha. A geração distribuída começou a alterar essa relação. O Mercado Livre acrescentou novas possibilidades. Armazenamento e gestão digital podem aprofundá-la ainda mais. O consumidor começa a perguntar. Quanto estou pagando? Quanto estou economizando? De onde vem minha energia? Qual é o meu desconto? Tenho créditos disponíveis? Existe uma alternativa melhor? A energia deixa lentamente de ser apenas uma despesa mensal incompreensível e começa a se transformar em algo que o consumidor pode acompanhar e administrar. O consumidor passa a ter a energia na mão Na conversa com Ricardo Honório, essa transformação aparece de maneira bastante clara. O novo consumidor tem mais informação e, consequentemente, tende a ser mais exigente. Boschin relaciona esse movimento à própria abertura do Mercado Livre. Quanto mais alternativas aparecem, maior é a necessidade de transparência. O consumidor quer compreender o benefício que está recebendo. Quer visualizar resultados. Quer acompanhar sua relação com a energia. E isso obriga as empresas a melhorar não apenas seus produtos, mas também a experiência oferecida ao cliente. Nesse cenário, uma plataforma digital pode funcionar como uma ponte entre diferentes participantes do ecossistema. Gerador. Gestor. Consumidor. Distribuidora. Comercial. Financeiro. Operação. “Você consegue facilitar para que todas as pontas falem a mesma língua”, resume Boschin. Talvez esteja justamente aí uma das grandes transformações silenciosas do setor elétrico brasileiro. O próximo ganho de eficiência pode não estar no painel Durante anos, a indústria fotovoltaica perseguiu eficiência principalmente no hardware. Módulos mais potentes. Inversores melhores. Trackers mais inteligentes. Estruturas otimizadas. Redução de perdas. Tudo isso continuará sendo importante. Mas existe outra eficiência começando a ganhar espaço: a eficiência operacional. Não adianta construir uma excelente usina se administrar seus consumidores se torna caro demais. Não adianta conquistar centenas de clientes se cada novo consumidor aumenta de maneira desproporcional o custo administrativo. Não adianta gerar créditos corretamente se a gestão deles cria uma estrutura manual que consome a margem do negócio. A digitalização entra justamente nessa lacuna. Ela não produz elétrons. Mas pode fazer com que o negócio construído ao redor desses elétrons funcione melhor. Digitalização também é uma estratégia de crescimento Essa mudança é especialmente importante para empresas que pretendem ganhar escala. Imagine uma operação que administra dezenas de consumidores. Depois centenas. Depois milhares. Se cada etapa exigir aumento proporcional de pessoas e processos manuais, existe um limite econômico para o crescimento. O software muda essa relação. Uma plataforma capaz de automatizar tarefas, organizar informações e padronizar processos permite que a carteira cresça sem exigir que a estrutura administrativa aumente na mesma proporção. É o princípio básico da escalabilidade aplicado ao setor elétrico. E, para Boschin, existe um segundo benefício igualmente importante: melhorar a margem. A automação não serve apenas para trabalhar mais rápido. Serve para trabalhar com menos desperdício operacional. Análise EnergyChannel | A próxima revolução da energia também acontecerá nos dados A energia solar brasileira passou sua primeira grande década construindo ativos físicos. Painéis. Inversores. Usinas. Subestações. Linhas. Milhões de quilowatts de capacidade foram adicionados ao sistema e uma nova indústria nasceu ao redor dessa infraestrutura. Mas quanto maior esse ecossistema se torna, maior é a quantidade de informação necessária para fazê-lo funcionar. Cada novo consumidor gera dados. Cada fatura gera dados. Cada crédito gera dados. Cada unidade consumidora gera dados. Cada contrato gera dados. Cada mudança regulatória altera a forma como parte desses dados precisa ser interpretada. É por isso que a digitalização não deve ser vista apenas como uma tendência paralela à transição energética. Ela é uma consequência da própria expansão das renováveis e da descentralização do sistema. Quanto mais distribuída se torna a energia, mais sofisticada precisa ser sua gestão. E existe ainda uma mudança mais profunda acontecendo. O setor elétrico brasileiro está deixando de ser organizado apenas ao redor de grandes agentes e começa a incorporar um consumidor com maior poder de decisão. Esse consumidor pode produzir energia. Pode contratar energia. Pode comparar propostas. Pode acompanhar a economia. E, progressivamente, poderá armazenar e administrar sua própria eletricidade. Isso muda completamente a relação entre empresa e cliente. A experiência digital que durante anos foi natural em bancos, telecomunicações, comércio eletrônico e serviços financeiros começa a chegar também à energia. O consumidor não quer apenas receber uma fatura. Quer entender o que está acontecendo. Nesse novo ambiente, empresas capazes de transformar uma operação extremamente complexa em uma experiência simples terão uma vantagem importante. E talvez esse seja o principal ensinamento da conversa com Frederico Boschin na Intersolar 2026. Durante muito tempo, a pergunta central do setor solar foi: Como construir mais usinas? A próxima pode ser diferente: Como administrar melhor tudo o que já construímos? A resposta provavelmente passará por automação, software e inteligência aplicada aos dados. Porque construir a usina é apenas o começo. O verdadeiro desafio começa quando milhares de consumidores, créditos, contratos e decisões precisam funcionar juntos todos os dias. EnergyChannel Special Coverage | The Smarter E South America 2026 (Intersolar) Entrevistado: Frederico Boschin Especialidade: Direito de Energia e Setor Elétrico Participação: Palestrante na edição especial do Hub DG Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento:The Smarter E South America 2026 (Intersolar) São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. A usina está pronta. Agora começa o desafio de gerenciar a energia: digitalização ganha espaço no novo mercado elétrico

  • Toda comercializadora de varejo é um banco

    Por Ciro Neto 10 de setembro de 2026 Uma mudança recente no mercado livre de energia levanta uma questão que merece mais atenção do que tem recebido. A Lei 15.269 criou o Supridor de Última Instância, agente que assume o atendimento de clientes quando uma comercializadora deixa de operar. A existência desse mecanismo diz muito sobre o nível de maturidade que o mercado começa a alcançar e também sobre os riscos que ainda precisam ser compreendidos. Mas há uma pergunta central: por que uma comercializadora quebra? Se for preço, estamos diante de um problema de margem. E margem, em princípio, pode ser corrigida. Se for crédito, a questão é mais profunda. É um problema de arquitetura. Passei duas semanas tentando entender essa diferença. Minha conclusão é que o crédito é o ponto mais sensível. Neste artigo, explico o mecanismo, o que pode estar por trás desse risco e, ao final, conto também o que ainda não consegui responder. O que muda quando o cliente vira fatura No atacado, um cliente é um contrato. São poucos, são grandes, e cada um passa por análise individual. Você olha o balanço, pede garantia, negocia cláusula de rescisão, acompanha nominalmente. Se um cliente atrasa, você liga para o diretor financeiro dele. O risco tem nome, rosto e telefone. No varejo, um cliente é uma fatura. São milhares, são pequenos, e nenhum vai passar por análise individual, porque a análise custaria mais do que a margem do contrato inteiro. Você não liga para ninguém. O risco deixa de ser de contraparte e vira estatística de carteira. Isso parece uma questão de escala. É uma mudança de natureza do negócio. O descasamento que quase ninguém coloca no slide A comercializadora compra energia antes e recebe depois. Contrata com o gerador, honra o pagamento no prazo, e só recebe do cliente quando a fatura vence. Entre os dois momentos, ela está financiando o consumo de alguém com o próprio caixa. Isso já é verdade hoje. O que muda na abertura é quantas vezes isso acontece por mês e quem está do outro lado. Em geração distribuída o mecanismo fica ainda mais visível. A usina injeta energia na rede, o cliente recebe crédito em kWh, o crédito abate a conta. A receita só existe quando ele paga. Se não paga, a energia já foi injetada, o crédito já foi compensado, e não existe recuperação possível. Você não retoma o kWh que foi consumido. E o crédito que sobra parado expira em 60 meses e reverte para a modicidade tarifária, sem compensação a ninguém. Por que preço não resolve isso Preço se corrige. Se você comprou caro, renegocia portfólio, ajusta sazonalização, revê a curva de contratação, repactua na renovação. Dói e leva tempo, mas é reversível. Inadimplência de carteira não se corrige com preço. Você pode cobrar mais caro de todo mundo e piorar a seleção: quem tem alternativa sai, quem não tem fica. Isso é seleção adversa, e é o caminho mais curto entre um problema de margem e um problema de solvência. Inadimplência se corrige em três lugares, todos anteriores à venda: originação, régua de cobrança e custo de servir por cliente. Nenhum dos três está na mesa de energia. Estão na operação. A prova de que o legislador já sabia disso O Supridor de Última Instância é a prova. Ninguém cria um agente para assumir a carteira de quem encerra atividade se a expectativa for de falência rara. E vale ler o desenho inteiro. Pelo Decreto 13.097, o SUI é exclusivo das distribuidoras até 31 de dezembro de 2030, e o custo é rateado entre todos os consumidores livres, proporcionalmente ao consumo. O setor já decidiu quem paga a conta da quebra: somos nós, todos, na proporção do que consumimos. Não estou criticando o desenho, que me parece prudente. O que ele revela é o tamanho do risco que já está sendo precificado antes mesmo de o varejo começar. O número que está sendo lido pela metade As migrações caíram 38,6% no primeiro quadrimestre de 2026. Foram 6.077 unidades consumidoras contra 9.894 no mesmo período do ano passado, dado da CCEE. A leitura corrente é que o desconto encolheu, e encolheu mesmo. Mas quando o desconto encolhe, quem continua migrando é quem mais precisa dele. E quem mais precisa do desconto costuma ser quem tem menos folga para pagar a fatura. O funil está selecionando risco para dentro enquanto o volume cai. Essa combinação não aparece em nenhum painel de margem. O que isso exige de quem opera Na Bow-e a gente opera nos dois mercados ao mesmo tempo, geração distribuída e mercado livre, e foi operando que eu cheguei nessa resposta. A quem vender, com que régua cobrar e quanto custa servir cada cliente são decisões que não cabem em processo desenhado para carteira de contrato grande. Não cabem em planilha, e não cabem em um time que precisa crescer na mesma proporção que a base de clientes. É por isso que a Bow-e é AI First. A frase existe porque essa é a única arquitetura em que eu consigo tomar milhares de decisões de crédito e de cobrança por mês sem contratar milhares de pessoas. Na prática isso significa decidir a régua antes da venda. Quem entra na carteira, com que limite, em quanto tempo a cobrança começa a falar com o cliente e em que tom. Cada uma dessas decisões é barata quando é tomada uma vez e cara quando é tomada mil vezes por mês por gente diferente. O que eu ainda não sei Duas coisas. Não sei com o que a inadimplência do varejo de energia vai se parecer. Telecom, consignado e cartão têm curvas muito diferentes entre si, e ninguém no Brasil tem série histórica de baixa tensão no mercado livre, porque o mercado ainda não abriu. E não sei como o SUI vai se comportar na prática. Um agente que assume carteira quebrada e tem o custo rateado no sistema é, na melhor hipótese, um amortecedor. Na pior, é um convite para entrar no varejo sem capital adequado, porque a conta da saída não é sua. Faltam pouco mais de catorze meses para 25 de novembro de 2027, quando abre para os consumidores comerciais e industriais de baixa tensão. É tempo suficiente para construir originação e cobrança do zero. Não é tempo suficiente para descobrir, no meio do caminho, que você precisava das duas. IA não é apoio. É arquitetura. Toda comercializadora de varejo é um banco Toda comercializadora de varejo é um banco

  • O mercado livre de energia entra em uma nova fase e o consumidor passa a ter mais poder de escolha 

    Por Ester Caroline Scholz, CEO da Scholz Energy O mercado livre de energia entra em uma nova fase e o consumidor passa a ter mais poder de escolha O setor elétrico brasileiro está vivendo uma transformação que vai muito além da mudança no modelo de contratação de energia. A expansão do Mercado Livre de Energia representa uma mudança de comportamento: empresas e consumidores começam a perceber que energia não precisa ser tratada apenas como uma despesa operacional, mas como um componente estratégico de competitividade, planejamento e sustentabilidade. Durante muito tempo, a gestão da energia esteve concentrada na preocupação com o valor da fatura. Hoje, a discussão é mais ampla. O consumidor quer entender quanto paga, por que paga, quais alternativas existem e, principalmente, como pode ter mais previsibilidade sobre um dos custos que impactam diretamente a operação de uma empresa. É justamente nesse cenário que se posiciona a Scholz Energy. Nossa decisão de entrar no mercado foi motivada pela percepção de que existe uma demanda crescente por orientação, transparência e gestão especializada. O mercado de energia está se tornando mais dinâmico e complexo, e nem sempre o consumidor possui conhecimento ou estrutura interna para avaliar todas as possibilidades disponíveis. Nosso papel é transformar essa complexidade em decisões mais simples e eficientes. O consumidor no centro da transformação O avanço do Mercado Livre de Energia abre uma nova perspectiva para empresas que buscam reduzir custos e aumentar a previsibilidade das despesas com eletricidade. Mas migrar ou escolher uma determinada solução energética não deve ser uma decisão baseada apenas em uma comparação superficial de preços. Cada unidade consumidora possui características próprias. Perfil de consumo, demanda, horário de utilização, condições contratuais e diferentes variáveis precisam ser analisados antes de qualquer recomendação. Por isso, acredito que o futuro da gestão energética será cada vez mais consultivo. Na Scholz Energy, começamos justamente pelo diagnóstico. Analisamos o perfil do consumidor para identificar onde estão as oportunidades e qual estratégia faz mais sentido para aquela realidade. Não queremos simplesmente vender energia. Queremos entregar gestão, previsibilidade e acompanhamento. Energia como ferramenta de competitividade Para muitas empresas, especialmente pequenas e médias, a conta de energia ainda é encarada como um custo inevitável. Esse é um dos paradigmas que precisamos ajudar a mudar. Por exemplo, dependendo das características da unidade consumidora, empresas atendidas pelas concessionárias RGE, CEEE Equatorial, no Rio Grande do Sul, podem encontrar oportunidades de redução de até 25% na conta de energia, enquanto consumidores na área de concessão da Celesc, em Santa Catarina, podem alcançar economias de até 15%. Esses percentuais não são uma promessa universal, mas demonstram o potencial que pode existir quando o consumo é analisado de forma técnica e individualizada. É importante reforçar: não existe uma solução única para todos. A melhor estratégia energética é aquela construída a partir das características de cada consumidor. O avanço da energia por assinatura Outro movimento que considero particularmente relevante é o crescimento das soluções de energia por assinatura. Esse modelo amplia o acesso aos benefícios da geração de energia renovável sem exigir que o consumidor instale equipamentos, faça obras ou altere sua operação. Para empresas e consumidores residenciais que desejam participar dessa transformação, mas não necessariamente querem investir em uma instalação própria, a energia por assinatura pode representar uma alternativa interessante. Isso também mostra como o setor está mudando. A discussão sobre energia renovável está deixando de estar restrita à instalação de painéis solares e passando a envolver diferentes modelos de acesso, contratação e gestão. A próxima fronteira: democratizar o conhecimento Acredito que um dos maiores desafios do setor nos próximos anos não será apenas ampliar a oferta de energia, mas democratizar o conhecimento sobre as alternativas existentes. O mercado está ficando mais aberto, mas abertura não significa necessariamente simplicidade. Para um empresário que administra uma indústria, um comércio, uma empresa de serviços ou qualquer outra atividade, energia não é seu negócio principal. Ele precisa de alguém que compreenda esse mercado, traduza as possibilidades e acompanhe as decisões ao longo do tempo. É nessa lacuna que queremos atuar. A Scholz Energy foi criada com uma visão muito clara: oferecer uma gestão energética personalizada, combinando análise técnica, visão financeira e relacionamento próximo com o cliente. Mais do que vender uma solução, queremos ser parceiros. O futuro será mais aberto, digital e estratégico Quando olho para os próximos anos, vejo um setor de energia cada vez mais orientado pela liberdade de escolha, pela tecnologia e pela necessidade de eficiência. A expansão do Mercado Livre tende a colocar o consumidor em uma posição diferente daquela que ocupava no passado. Ele passa a ter mais possibilidades e, consequentemente, maior responsabilidade na tomada de decisão. Isso exigirá empresas preparadas para oferecer não apenas produtos, mas inteligência, análise e acompanhamento. Também vejo uma integração cada vez maior entre energia renovável, geração compartilhada, energia por assinatura, gestão de consumo e novas ferramentas digitais. A energia do futuro será mais descentralizada e, principalmente, mais conectada às necessidades de quem a consome. E onde estará a Scholz Energy? Nossa ambição é acompanhar essa transformação de perto. Começamos com uma proposta de gestão energética voltada a consumidores dos grupos A e B e soluções de energia por assinatura e consultoria para clientes residenciais. Com atuação em todo o Rio Grande do Sul, queremos ampliar nossa presença no Sul do Brasil e acompanhar o crescimento desse novo mercado. Temos uma visão de longo prazo. Queremos construir uma empresa reconhecida pela capacidade de entender o consumidor, identificar oportunidades e transformar informação em resultado. Acredito que o maior ativo de uma empresa de energia, daqui para frente, não será apenas a capacidade de comercializar energia. Será a capacidade de compreender o cliente e ajudá-lo a tomar melhores decisões. O mercado está mudando. E essa mudança cria uma oportunidade para todos nós: transformar a energia de uma despesa necessária em uma ferramenta de eficiência, competitividade e planejamento. Esse é o futuro que enxergamos na Scholz Energy. E é para fazer parte dele que estamos começando. O mercado livre de energia entra em uma nova fase e o consumidor passa a ter mais poder de escolha O mercado livre de energia entra em uma nova fase e o consumidor passa a ter mais poder de escolha

  • A trajetória regulatória da energia solar no Brasil e as vendas de usinas solares

    O contexto da pandemia Em 2020, a pandemia elevou o consumo doméstico de energia e pressionou tarifas em meio à crise hídrica resultado de estiagens que comprometeram a geração nas hidrelétricas. Com os juros mais básicos da história - em torno de 2% ao ano, financiar sistemas solares era altamente vantajoso. O setor explodiu criando milhares de novas empresas. A deliberação da ANEEL Em outubro de 2019, a ANEEL iniciou a revisão da Resolução Normativa nº 482/2012. A diretoria, com base em uma Análise de Impacto Regulatório, deliberou que toda energia excedente injetada na rede deveria pagar encargos tarifários. Essa medida, se aplicada, sem dúvidas iria inviabilizar a geração distribuída. O RJET e a suspensão de prazos A Lei nº 14.010/2020 instituiu o Regime Jurídico Emergencial Transitório, suspendendo prazos prescricionais e administrativos durante a pandemia. Essa suspensão geral deu tempo para que o setor se articulasse politicamente e evitasse a aplicação imediata em 2020 da deliberação da ANEEL. A maioria das empresas nasceram após 2020 e desconhecem estes trâmites que foram cruciais para a existência do setor. A articulação política e o acordão O INEL, liderado por Heber Galarce, assim como outras entidades, aproveitaram esse intervalo para mobilizar o Congresso. O deputado Lafayette de Andrada relatou o PL 5829/2019. O projeto foi alvo de intensos debates entre defensores da geração distribuída e entidades contrárias, como distribuidoras e representantes de outros setores. O resultado foi um acordão político que ajustou o texto e permitiu sua aprovação simbólica, em rito acelerado, sancionando a Lei 14.300/22. A manifestação de 7 de junho de 2022 Meses antes da aprovação da lei, em Brasília, ocorreu a única manifestação pública durante toda a pandemia, reunindo defensores, empresários e consumidores em defesa da energia solar e a geração distribuída. Esse ato histórico mostrou a força de um setor que não aceitava ser sufocado por regras que inviabilizariam seu crescimento. A criação da FREPEL Após a aprovação da lei, Lafayette de Andrada consolidou a Frente Parlamentar das Energias Limpas (FREPEL), que hoje conecta Congresso, governo e reguladores, garantindo estabilidade e diálogo. O INEL teve participação protagonista para a construção desta frente parlamentar. O mito da conta zerada Apesar da nova lei, muitas empresas ainda vendem sistemas com promessas irreais. O discurso de “zerar a fatura” não corresponde mais à realidade regulatória. O consumidor enganado gera reclamações, demandas judiciais e acionamento dos órgãos de defesa do consumidor, expondo a necessidade de maturidade empresarial. O futuro da energia solar A energia solar precisa ser vendida como uma solução consultiva e integrada. Isso significa pensar em: Armazenamento em baterias. Integração com veículos elétricos. Resiliência contra apagões e eventos climáticos extremos. Segurança e conforto energético. Modernização (como aconteceu com a internet e a telefonia). A atratividade econômica continua forte, mas não se pode mais vender a ilusão de independência total da conta mensal de energia elétrica. Conclusão A trajetória da energia solar no Brasil mostra como uma deliberação regulatória poderia ter sufocado o setor, mas a suspensão de prazos durante a pandemia e o acordão político resultaram na Lei 14.300/22. O protagonismo do INEL e de parlamentares como Lafayette de Andrada garantiu a sobrevivência do mercado. Agora, cabe às empresas vender soluções reais e consultivas, respeitando a regulação e construindo um futuro sustentável. A trajetória regulatória da energia solar no Brasil e as vendas de usinas solares

  • Bateria no apartamento? LuxPower aposta em sistema compacto que une inversor e armazenamento

    Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Alisson, do suporte técnico da LuxPower, apresenta uma solução all-in-one que reúne inversor e bateria em um único equipamento, pode ser carregada pela rede elétrica e ainda permite conexão fotovoltaica Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Quando se fala em armazenamento de energia, uma das primeiras imagens que surgem é a de grandes bancos de baterias instalados em residências, empresas ou projetos solares. Mas e quando o cliente mora em um apartamento? E quando não existe espaço para uma instalação convencional? Ou quando a necessidade não é construir um grande sistema fotovoltaico, mas simplesmente ter energia armazenada disponível quando a rede elétrica falhar? Foi justamente uma solução pensada para ocupar pouco espaço que chamou a atenção do EnergyChannel durante a Intersolar South America 2026. Em entrevista a Ricardo Honório, Alisson, do suporte técnico da LuxPower, apresentou um equipamento all-in-one que reúne, dentro de uma mesma estrutura, dois dos principais componentes de um sistema de armazenamento: inversor e bateria. A proposta é tornar o armazenamento mais compacto, móvel e acessível a aplicações nas quais instalar diversos equipamentos separados pode não ser a melhor alternativa. Inversor e bateria dentro do mesmo equipamento A primeira característica do produto é justamente aquela que define seu conceito. É um sistema all-in-one. “Esse aqui é um produto que a gente chama de all-in-one. Na mesma case, a gente tem inversor e bateria”, explicou Alisson. Isso significa que o usuário não precisa pensar necessariamente em inversor e banco de baterias como estruturas fisicamente separadas. A integração acontece dentro do próprio equipamento. Segundo Alisson, a solução está sendo desenvolvida para atender diferentes características da rede elétrica brasileira, incluindo configurações em 127 V e 220 V. Neste momento, trata-se de uma solução monofásica, enquanto a empresa continua trabalhando no desenvolvimento e evolução do produto. A própria diversidade elétrica brasileira ajuda a explicar essa estratégia. Existem regiões e instalações em 127 V. Outras em 220 V. E diferentes consumidores podem exigir diferentes configurações. Para a LuxPower, portanto, desenvolver uma solução para armazenamento no Brasil significa também compreender essas particularidades. De 4 a 15 kWh: a família deve crescer O produto apresentado durante a Intersolar possui versões com 4 e 8 kWh de bateria. Mas a estratégia não termina nessas capacidades. Segundo Alisson, a LuxPower pretende ampliar a família com versões de 10 e 15 kWh. A expansão cria diferentes possibilidades de aplicação. Um consumidor que deseja essencialmente uma reserva de energia para cargas específicas possui uma necessidade. Uma residência com maior demanda possui outra. E a possibilidade de trabalhar com diferentes capacidades permite aproximar o armazenamento do perfil real de utilização do cliente. Mais importante do que simplesmente aumentar a bateria é dimensionar quanto de armazenamento realmente faz sentido para cada aplicação. Uma bateria que pode morar no apartamento Talvez a característica mais interessante da solução apresentada pela LuxPower seja justamente sua proposta de instalação. O equipamento é compacto. E possui rodas. Pode parecer um detalhe simples, mas mobilidade e ocupação de espaço tornam-se relevantes quando o armazenamento começa a sair exclusivamente das casas e instalações industriais e passa a disputar espaço também dentro de ambientes urbanos menores. “É uma solução ideal, por exemplo, para um apartamento”, explicou Alisson. A observação abre uma discussão importante sobre um possível novo mercado para baterias. Em uma residência convencional, existe maior liberdade para instalar inversores, baterias, quadros e módulos fotovoltaicos. Em um apartamento, a realidade é completamente diferente. Espaço é limitado. Intervenções na infraestrutura podem ser mais complexas. E instalar geração solar individual nem sempre é uma possibilidade. É justamente aí que uma solução compacta de armazenamento começa a ganhar outro significado. Não é preciso ter painel solar para armazenar energia Esse é outro ponto importante apresentado durante a entrevista. O equipamento não depende exclusivamente da geração fotovoltaica para carregar sua bateria. A própria rede elétrica pode carregar o sistema. Na falta da rede, a bateria assume o fornecimento de energia. Isso permite que o armazenamento seja utilizado mesmo por consumidores que não possuem painéis solares. Na prática, amplia significativamente o universo potencial de aplicação. O consumidor pode buscar uma solução de backup sem necessariamente construir um sistema fotovoltaico completo. Para apartamentos, essa característica ganha ainda mais relevância. O morador pode não ter qualquer possibilidade de instalar módulos solares individualmente, mas ainda assim pode desejar uma reserva de energia para situações de interrupção do fornecimento. É uma mudança importante de perspectiva. A bateria deixa de ser necessariamente um acessório da energia solar. Ela passa a ser uma ferramenta de gestão e disponibilidade de energia. Mas o fotovoltaico continua sendo uma possibilidade Ao mesmo tempo, a LuxPower não eliminou a possibilidade de geração solar. Segundo Alisson, o equipamento possui uma conexão fotovoltaica com um MPPT. A proposta, entretanto, não é transformar o produto em uma solução para grandes sistemas solares. A conexão fotovoltaica aparece como uma fonte alternativa de energia dentro da arquitetura do equipamento. Isso permite imaginar dois perfis bastante diferentes de utilização. No primeiro, o consumidor utiliza essencialmente a rede elétrica para carregar a bateria e mantém energia armazenada para backup. No segundo, existe também alguma geração fotovoltaica disponível, que pode participar do carregamento do sistema. Essa flexibilidade é particularmente interessante porque permite que o produto não dependa de um único cenário de instalação. Uma alternativa ao nobreak tradicional Durante a entrevista, Alisson também posicionou a solução como uma possível alternativa para consumidores que hoje recorrem a sistemas de nobreak. A diferença está na utilização de uma bateria de lítio integrada ao sistema. Para determinados consumidores, a necessidade pode ser bastante objetiva: manter equipamentos funcionando quando a rede elétrica cair. Não necessariamente por muitas horas. Não necessariamente uma residência inteira. Mas cargas consideradas importantes. É nesse espaço entre o pequeno nobreak convencional e os sistemas residenciais de armazenamento mais complexos que soluções compactas podem encontrar um mercado interessante. A pergunta deixa de ser apenas: “Quanto de energia essa bateria consegue armazenar?” E passa a ser: “Quais equipamentos eu preciso manter funcionando quando faltar energia?” Essa segunda pergunta é muito mais próxima da realidade do consumidor. O armazenamento começa a procurar novos espaços O mercado de baterias está crescendo em várias direções ao mesmo tempo. Existem sistemas de armazenamento gigantescos destinados ao setor elétrico. Existem soluções comerciais e industriais. Existem baterias residenciais integradas à geração fotovoltaica. E agora começa a aparecer também uma categoria de equipamentos que tenta tornar o armazenamento mais compacto e integrado. O produto mostrado pela LuxPower durante a Intersolar representa justamente essa tendência. Em vez de vários componentes ocupando diferentes espaços, inversor e bateria passam a compartilhar a mesma estrutura. Em vez de depender exclusivamente de painéis solares, a rede elétrica também pode carregar o sistema. E, caso exista geração fotovoltaica disponível, ela ainda pode funcionar como uma fonte alternativa. É uma arquitetura que tenta reduzir barreiras físicas para a adoção do armazenamento. Do equipamento técnico para um produto de uso cotidiano Existe ainda uma transformação menos evidente acontecendo nesse mercado. Durante anos, baterias residenciais foram tratadas principalmente como componentes de uma instalação elétrica. Algo instalado por técnicos. Escondido em áreas de serviço, garagens ou salas elétricas. Soluções all-in-one começam a aproximar esse universo de uma lógica diferente. O equipamento passa a ser pensado também como um produto que precisa conviver com o espaço do usuário. Tamanho importa. Mobilidade importa. Integração importa. E simplicidade de instalação passa a ter um peso cada vez maior. Quando Alisson aponta um apartamento como uma possível aplicação, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. Ela passa a ser também sobre onde a bateria pode existir. Disponibilidade prevista para o Brasil Segundo Alisson, a expectativa apresentada durante a entrevista é que o produto esteja disponível no mercado brasileiro até o final de 2026, por meio dos distribuidores da empresa. A estratégia coloca o equipamento em um mercado que ainda está construindo sua relação com armazenamento residencial. Solar fotovoltaico já se tornou uma tecnologia conhecida por milhões de brasileiros. Baterias ainda estão em uma etapa diferente dessa curva. Preço, dimensionamento, aplicações e retorno continuam sendo questões importantes. Mas o surgimento de equipamentos menores e integrados pode abrir uma nova porta. Não necessariamente para substituir grandes sistemas. Mas para atender consumidores que até agora simplesmente não enxergavam onde uma bateria poderia entrar em suas vidas. Análise EnergyChannel | A bateria está deixando de ser apenas parte do sistema solar Talvez a mensagem mais interessante da conversa com Alisson esteja justamente na simplicidade do produto apresentado. Durante muito tempo, a sequência parecia quase obrigatória: primeiro instalar painéis solares; depois instalar um inversor; e, eventualmente, adicionar baterias. O avanço do armazenamento começa a desmontar essa sequência. Um consumidor pode querer bateria mesmo sem possuir geração solar. Pode querer backup. Pode querer manter equipamentos essenciais funcionando. Pode morar em um apartamento. Pode não possuir espaço para vários equipamentos. Pode simplesmente querer armazenar eletricidade da rede para utilizá-la quando o fornecimento for interrompido. Isso significa que a bateria começa a construir um mercado próprio. A possibilidade de conexão fotovoltaica continua sendo importante — e o equipamento apresentado pela LuxPower mantém essa alternativa. Mas ela deixa de ser a única porta de entrada. Essa mudança pode parecer pequena. Não é. Quando o armazenamento deixa de depender obrigatoriamente da existência de um sistema solar, o universo potencial de consumidores aumenta consideravelmente. E quando inversor e bateria passam a ocupar o mesmo gabinete, outra barreira começa a diminuir: espaço. Talvez a próxima fase do armazenamento residencial seja justamente essa. Menos equipamentos. Mais integração. Mais flexibilidade. E baterias aparecendo em lugares onde, até pouco tempo atrás, ninguém imaginava instalar uma. Inclusive dentro de um apartamento. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Alisson Área: Suporte Técnico Empresa: LuxPower Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Bateria no apartamento? LuxPower aposta em sistema compacto que une inversor e armazenamento

  • Midea Energy chega ao Brasil e aposta em BESS para transformar o mercado de energia

    Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Marcelo Sousa, Gerente Geral para a América Latina da CLOU Midea Energy, apresenta a estratégia energética do grupo Midea e explica como armazenamento, integração fotovoltaica, peak shaving, backup e soluções para grandes projetos começam a desenhar uma nova frente de atuação da companhia no Brasil Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Para milhões de brasileiros, o nome Midea está associado a aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, micro-ondas e outros equipamentos presentes no cotidiano das casas. Mas, por trás dessa marca conhecida do consumidor, existe um conglomerado industrial muito maior e uma parte desse universo começa agora a aparecer com mais força no mercado brasileiro de energia. Durante o segundo dia da Intersolar South America 2026, o EnergyChannel foi conhecer essa outra face da companhia. Em entrevista a Ricardo Honório, Marcelo Sousa, Gerente Geral para a América Latina da CLOU Midea Energy, explicou como a estrutura do grupo avança sobre um mercado que pode se tornar uma das grandes novas fronteiras da transição energética brasileira: o armazenamento de energia. A primeira pergunta surgiu quase naturalmente diante do estande. A Midea Energy tem relação com a mesma Midea que o consumidor brasileiro já conhece? “Tem associação. A Midea é um grande conglomerado industrial”, respondeu Sousa. A resposta abre uma história muito maior do que aquela contada pelos eletrodomésticos. Segundo o executivo, as diferentes divisões operam de maneira independente, mas fazem parte de uma estrutura industrial que atua em diversas áreas tecnológicas. Além dos produtos voltados ao consumidor, o grupo possui negócios ligados à automação e robótica industrial, equipamentos de diagnóstico médico e diferentes soluções de engenharia. A energia é uma dessas frentes. E é justamente nesse ponto que uma marca conhecida por refrigerar casas começa a aparecer também em uma indústria que precisa aprender a armazenar eletricidade. Uma operação nova no Brasil, mas não na América Latina A chegada do braço de energia ao Brasil é recente. Sousa explica que a estrutura local começou a ser desenvolvida há poucos meses. Na América Latina, entretanto, a história está mais avançada. Segundo o executivo, a companhia já acumula aproximadamente 1,5 GWh em projetos comercializados na região, distribuídos entre sistemas em operação, construção e comissionamento em mercados como Chile, Argentina e Costa Rica. É uma diferença importante. A empresa chega ao Brasil como uma operação local ainda em formação, mas apoiada por projetos, referências e estrutura regional já existentes. Para um mercado como o de BESS, essa retaguarda ganha peso. Sistemas de armazenamento representam investimentos significativos e possuem uma vida operacional medida em anos. O cliente não está comprando apenas um equipamento. Está assumindo uma relação de longo prazo com tecnologia, software, manutenção, garantias e suporte. Por isso, a capacidade financeira e operacional existente por trás do fornecedor começa a entrar na própria análise de risco do projeto. Sousa acredita que a força da marca pode ajudar justamente nessa etapa. Boa parte das soluções de energia chega ao consumidor final por meio de distribuidores, instaladores, integradores e EPCistas. O fabricante nem sempre possui estrutura para atender diretamente cada cliente. Nesse modelo, uma marca reconhecida pode facilitar a conversa de quem está na ponta comercializando a solução. A percepção apareceu já nos primeiros dias da Intersolar. Segundo Sousa, muitos visitantes se aproximavam com a mesma dúvida: “Midea é a Midea?” Quando descobriam que sim, a conversa mudava. Não porque reconhecimento de marca substitua engenharia ou desempenho, mas porque reduz uma das barreiras mais difíceis de superar em um mercado novo: confiança. E uma marca que está presente a 20 anos no país, com investimentos em fábricas e estrutura, já demonstrou que enxerga o país de forma séria. O armazenamento é o centro da estratégia Dentro do portfólio de soluções de energia apresentado por Sousa, o armazenamento ocupa a posição principal. No Brasil, a estratégia está concentrada especialmente em soluções comerciais e industriais o chamado mercado C&I e em sistemas de maior porte destinados a grandes consumidores e projetos de geração centralizada. A lógica é começar onde a necessidade econômica da bateria tende a ser mais evidente. Empresas. Indústrias. Agronegócio. Grandes consumidores. E, em outra escala, projetos de infraestrutura e grandes sistemas conectados ao setor elétrico. É um mercado que começa a crescer justamente porque a bateria está deixando de ser vista apenas como uma forma de backup. Ela começa a participar da estratégia energética do cliente. E algumas das soluções apresentadas pela companhia na Intersolar mostram como essa integração pode mudar o desenho tradicional dos projetos. Quando o painel solar pode conversar diretamente com o BESS Uma das tecnologias destacadas por Sousa durante a entrevista é um sistema que permite conectar os módulos fotovoltaicos diretamente à solução de armazenamento, sem a necessidade de instalar um inversor solar convencional separado. Na arquitetura tradicional, um projeto que combina fotovoltaico e bateria pode exigir diferentes equipamentos e etapas de conversão. A proposta apresentada pela empresa procura simplificar esse caminho. Os cabos provenientes dos módulos solares chegam diretamente ao sistema, que passa a administrar a geração e o armazenamento dentro de uma arquitetura integrada. Essa solução pode ganhar relevância especialmente em projetos nos quais existem limitações para injeção de energia na rede. A expansão da geração distribuída brasileira criou situações em que determinados projetos encontram restrições de conexão ou precisam operar com controle de exportação. É aí que aparece o conceito de zero grid ou zero exportação. Em vez de enviar excedentes para a rede, o sistema pode administrar internamente a energia produzida, direcionando parte dela ao consumo e parte ao armazenamento. Para Sousa, essa arquitetura tem chamado atenção justamente porque elimina a necessidade de instalar dois sistemas completamente separados para executar a mesma estratégia. O BESS deixa de ser apenas uma bateria conectada ao projeto. Passa a funcionar como um centro de gerenciamento daquela energia. Peak shaving, backup e horário de ponta aparecem como portas de entrada Mas qual aplicação pode realmente fazer o consumidor brasileiro olhar para uma bateria e dizer: “isso resolve um problema meu”? Sousa aponta duas respostas que aparecem com frequência nas consultas recebidas pela empresa: peak shaving e backup. Mas, o Brasil também tem demandado soluções de entregar energia com baterias no horário de ponta e para redução do consumo de diesel em alguns mercados, como o agronegócio. Peak shaving significa utilizar armazenamento para reduzir os picos de demanda de uma instalação. Uma indústria, por exemplo, pode apresentar determinados períodos do dia em que várias cargas operam simultaneamente e a demanda elétrica sobe rapidamente. Dependendo da estrutura tarifária e contratual, esses picos podem representar custos relevantes. A bateria pode entrar justamente nesses momentos. Em vez de toda a potência necessária vir da rede, parte dela é fornecida pelo BESS. O pico diminui. A demanda sobre a rede também. E, quando o projeto é corretamente dimensionado, essa redução pode gerar benefício econômico. O backup atende outra necessidade igualmente concreta: continuidade. Para determinadas operações, ficar sem energia por alguns minutos ou algumas horas pode significar perda de produção, interrupção de processos, problemas de segurança ou prejuízos muito superiores ao custo da própria eletricidade. Nesses casos, o valor da bateria não está apenas no quilowatt-hora armazenado. Está no que ela evita que pare. Do gabinete ao contêiner: a instalação também precisa ganhar escala Outro desafio aparece quando os projetos começam a crescer. Para aplicações menores, gabinetes de armazenamento podem funcionar perfeitamente. Mas conforme a capacidade necessária aumenta, chega um momento em que instalar sete, oito, nove ou dez gabinetes em paralelo começa a aumentar a complexidade da obra. Mais equipamentos significam mais conexões. Mais cabeamento. Mais integração. Mais logística. E mais possibilidades de erro. A estratégia apresentada por Sousa é mudar de arquitetura antes que o projeto se torne desnecessariamente complexo. Uma das soluções citadas durante a entrevista é o Aqua Mini, um sistema compacto em formato de contêiner de aproximadamente 10 pés que pode substituir vários gabinetes instalados em paralelo. Em vez de integrar diversas unidades individualmente na obra, chega um conjunto mais consolidado. A instalação fica mais simples. A logística melhora. O tempo de implantação pode diminuir. E existem menos interfaces para integrar em campo. Segundo Sousa, esse tipo de solução começa a despertar interesse especialmente em aplicações no agronegócio e em determinadas indústrias. A companhia também trabalha com contêineres intermediários, incluindo configurações de aproximadamente 13 e 14 pés com inversores integrados, além das grandes soluções de armazenamento destinadas a projetos de maior escala. É uma abordagem que tenta preencher o espaço existente entre o gabinete C&I e os enormes contêineres utilizados em projetos utility-scale. Nem todo cliente precisa de alguns poucos quilowatts-hora. Mas também nem todo projeto precisa começar na escala dos grandes parques de armazenamento. Existe um mercado inteiro entre esses dois extremos. A estratégia vai além das baterias Embora o BESS seja o protagonista da operação apresentada na feira, Sousa chama atenção para outra característica do grupo: a possibilidade de atuar em diferentes camadas da infraestrutura elétrica. Além de armazenamento, a estrutura industrial possui uma divisão de power distribution, com equipamentos associados à distribuição de energia e transformadores para aplicações de média tensão e maiores potências. No Brasil, essa frente ainda não representa o principal esforço comercial da operação, mas mostra o tamanho do ecossistema disponível. Existe também uma área dedicada a tecnologias inteligentes, incluindo medição e monitoramento para edifícios, redes e cidades inteligentes. Isso aproxima o grupo de outra transformação importante do setor elétrico. A energia do futuro não será apenas gerada e armazenada. Ela precisará ser medida, monitorada e controlada. Baterias, medidores inteligentes, sistemas de gerenciamento e infraestrutura elétrica começam a fazer parte de uma mesma arquitetura. É nesse ponto que o conceito de smart grids deixa de ser uma expressão distante e começa a aparecer dentro de projetos reais. O Brasil está chegando ao momento em que a bateria precisa resolver problemas reais A entrada de grandes grupos industriais no armazenamento acontece em um momento decisivo. O mercado brasileiro já compreendeu o valor da energia solar. O desafio das baterias será diferente. O consumidor não precisa ser convencido de que armazenar energia é tecnologicamente possível. Ele precisa entender por que deveria pagar por isso. Peak shaving é uma resposta. Backup é outra. Zero exportação pode ser outra. Energia no horário de ponta e redução do consumo de diesel são outras. Integração com solar, gestão de demanda e continuidade operacional ampliam esse conjunto. Quanto mais essas aplicações apresentarem retorno econômico mensurável, menos o BESS será tratado como uma tecnologia futurista. E mais será analisado como qualquer outro investimento empresarial. É justamente essa transição que Sousa observa no contato com clientes brasileiros. À medida que as soluções são apresentadas, empresas começam a identificar qual arquitetura responde melhor ao seu problema. No agronegócio, pode existir uma necessidade. Na indústria, outra. Em um projeto com restrição de injeção na rede, uma terceira. O armazenamento deixa de procurar um único mercado. Começa a encontrar vários. Análise EnergyChannel | A bateria está entrando na era industrial A presença da Midea no armazenamento carrega um simbolismo interessante. Durante muito tempo, o mercado de baterias esteve associado principalmente a fabricantes especializados, empresas de tecnologia e novos participantes da transição energética. Quando um conglomerado industrial dessa dimensão direciona estrutura, capital e engenharia para esse segmento, a mensagem é diferente. O armazenamento começa a entrar em uma fase de industrialização em grande escala. E isso pode mudar a competição. O mercado não será disputado apenas por quem conseguir oferecer mais capacidade dentro de um gabinete. Confiabilidade financeira, cadeia de suprimentos, engenharia, integração, suporte e capacidade de permanecer no mercado durante décadas passarão a pesar cada vez mais. Porque um BESS não é um produto que o cliente pretende trocar no próximo ano. É infraestrutura. Ao mesmo tempo, a entrevista com Marcelo Sousa revela outra tendência importante: a bateria está deixando de ser um equipamento isolado. Quando o fotovoltaico entra diretamente no sistema, quando o inversor passa a estar integrado ao contêiner e quando medição e monitoramento começam a conversar com armazenamento, a fronteira entre os equipamentos desaparece. O cliente deixa de comprar peças. Passa a comprar uma arquitetura energética. Essa talvez seja a transformação mais relevante. Na primeira fase da transição energética, o objetivo era produzir eletricidade renovável. Depois surgiu a necessidade de armazená-la. Agora começa uma terceira etapa: fazer geração, armazenamento, distribuição e inteligência funcionarem como um único sistema. É nesse cenário que a Midea Energy desembarca no Brasil. Com uma vantagem incomum: apesar de sua operação local ser nova, o nome estampado no estande já faz parte da vida de milhões de consumidores. Mas reconhecimento abre apenas a primeira porta. Para vencer no armazenamento, será necessário provar no campo aquilo que qualquer grande projeto energético exige: desempenho, segurança, disponibilidade e retorno. Se conseguir fazer isso, a pergunta ouvida por Sousa durante a Intersolar “Midea é a Midea?” pode ganhar uma resposta cada vez mais ampla. Sim. É a empresa que muitos conhecem pelo ar-condicionado e pelos eletrodomésticos. Mas, no novo mapa da transição energética, ela quer ser conhecida também por algo que o consumidor quase nunca vê: a infraestrutura que decide como a energia será armazenada, distribuída e utilizada. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Marcelo Sousa Cargo: Gerente Geral para a América Latina Empresa: CLOU ESS / Midea Energy Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Midea Energy chega ao Brasil e aposta em BESS para transformar o mercado de energia

  • Victron Energy cresce 26% no primeiro semestre e identifica na Intersolar nova prioridade dos clientes: independência da rede elétrica

    Procura por baterias, sistemas híbridos e soluções off-grid cresce entre fazendas, indústrias, hospitais, telecomunicações e infraestrutura crítica; Victron identificou que os clientes chegaram ao estande já sabendo o que procuravam, com foco em soluções de armazenamento, backup e sistemas off-grid para garantir autonomia e continuidade no fornecimento de energia; Empresa vê baterias deixando de ser apenas backup e ganhando espaço como ferramenta estratégica para gestão, autonomia e melhor aproveitamento da energia. Brasil, 31 de agosto de 2026 - A busca por soluções capazes não apenas de gerar energia, mas de garantir sua disponibilidade em momentos de falha ou instabilidade da rede elétrica, foi um dos principais sinais deixados pela Intersolar South America 2026 para a Victron Energy. Realizado entre os dias 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, o evento mostrou, na avaliação da fabricante holandesa, uma mudança no perfil da demanda brasileira por sistemas de energia. Com crescimento 26% em vendas no Brasil no 1º semestre de 2026, a Victron Energy apresentou durante a feira sua estratégia voltada a armazenamento, sistemas híbridos e aplicações off-grid. A companhia estreou com estande próprio de 28 metros quadrados e registrou forte movimentação de visitantes ao longo dos três dias. Segundo a empresa, o estande permaneceu lotado em diversos momentos, com clientes de diferentes regiões do país aguardando atendimento. Entre os visitantes estavam representantes de fazendas, indústrias, empresas de telecomunicações, hospitais, integradores e usuários interessados em sistemas para regiões isoladas. “O que percebemos na Intersolar foi que o cliente já chega muito mais preparado. Ele não está procurando somente um equipamento ou um sistema fotovoltaico. Ele quer saber como manter a energia disponível quando a rede falhar, como aumentar sua autonomia e como ter mais controle sobre o consumo”, afirma Edimar Prumucena, gerente nacional da Victron Energy. Para o executivo, esse comportamento representa uma evolução importante do mercado brasileiro. A discussão deixa de estar concentrada exclusivamente na geração de energia solar e passa a incorporar armazenamento, continuidade operacional e gestão inteligente da energia. Backup e autonomia ganham espaço Durante o evento, uma das demandas mais recorrentes identificadas pela Victron foi por sistemas de backup para cargas essenciais. A procura abrangeu desde aplicações residenciais até instalações de maior porte, incluindo empresas e estruturas consideradas críticas. Equipamentos de telecomunicações, servidores, sistemas de segurança, refrigeração, automação, bombeamento e processos industriais estão entre as cargas para as quais a continuidade do fornecimento pode ter impacto direto na operação. “O mercado está migrando de uma lógica de ‘gerar energia’ para uma lógica de ‘garantir energia’. Quando uma interrupção pode parar uma operação, causar perda de produção ou comprometer um serviço essencial, o armazenamento deixa de ser um acessório e passa a fazer parte da infraestrutura”, diz Prumucena. Outro movimento observado foi o avanço dos sistemas off-grid. A Victron identificou demanda de propriedades rurais, fazendas, instalações industriais, telecomunicações, comunidades isoladas e locais onde a expansão da rede elétrica é tecnicamente ou economicamente inviável. WEG amplia oferta com solução off-grid Um dos exemplos dessa expansão está na iniciativa da parceria da empresa com a WEG de disponibilizar aos clientes um kit destinado a sistemas isolados. A solução combinará módulo solar, inversor e controlador de carga MPPT, além de bateria Victron, reunindo em uma única oferta os principais componentes necessários para aplicações off-grid. A parceria reforça a presença da tecnologia de armazenamento da Victron em projetos voltados a locais remotos e amplia as possibilidades de acesso a sistemas integrados para clientes que precisam de autonomia energética. “É um movimento muito importante porque mostra que o armazenamento está deixando de ser uma solução restrita a projetos específicos e começa a fazer parte de ofertas estruturadas para diferentes perfis de consumidores. A combinação de geração solar, inversor, MPPT e bateria permite construir uma solução completa para quem precisa de energia onde a rede não chega ou não oferece a confiabilidade necessária”, afirma Prumucena. Victron Microgrid mira sistemas de até 400 kW Na Intersolar, a Victron também apresentou ao mercado brasileiro a Victron Microgrid, arquitetura modular desenvolvida para sistemas de energia independente de maior complexidade, com capacidade de expansão para projetos de até 400 kW. A estrutura utiliza módulos independentes, chamados de Power Banks, que integram inversores/carregadores, bancos de baterias, fontes de carregamento em corrente contínua e monitoramento por meio da plataforma GX/VRM. Os módulos são conectados por um barramento em corrente alternada, permitindo ampliar a capacidade do sistema conforme a necessidade. A arquitetura também busca reduzir a dependência de um único ponto de controle. Caso um Power Bank seja retirado para manutenção ou apresente indisponibilidade, os demais módulos podem continuar operando e alimentando o barramento. Para aplicações industriais, agrícolas e de infraestrutura crítica, essa característica pode ser relevante porque permite realizar expansão e manutenção com menor impacto sobre a disponibilidade do sistema. Agronegócio, indústria e infraestrutura crítica O agronegócio apareceu entre os segmentos de maior interesse durante a feira. Fazendas e propriedades rurais buscam alternativas para reduzir a dependência da rede e garantir o funcionamento de equipamentos essenciais, principalmente em áreas sujeitas a interrupções ou que apresentam limitações de infraestrutura elétrica. Na indústria, a demanda está relacionada à continuidade dos processos e à redução dos impactos provocados por interrupções no fornecimento. Em telecomunicações, o armazenamento pode funcionar como uma camada adicional de segurança para equipamentos que precisam permanecer ativos. Hospitais e outras instalações críticas também estiveram entre os visitantes que procuraram a Victron durante o evento. “Atendemos clientes de várias regiões do Brasil e de segmentos muito diferentes. O mais interessante foi perceber que muitos já vieram ao estande sabendo exatamente qual problema precisavam resolver. Tivemos momentos de estande cheio, com pessoas aguardando para serem atendidas, principalmente em busca de soluções para fazendas, regiões isoladas, indústria, telecom e hospitais”, relata o gerente nacional. Bateria passa de backup a ativo energético A percepção da Victron é de que o armazenamento começa a ocupar uma posição mais estratégica no planejamento energético dos consumidores. A queda dos preços das baterias de lítio, a expansão da geração solar e a preocupação com a confiabilidade do fornecimento contribuem para acelerar esse movimento. A empresa aposta especialmente na tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), considerando fatores como segurança, vida útil, eficiência, número de ciclos e menor necessidade de manutenção. “A bateria não deve ser analisada apenas pelo preço de aquisição. É preciso considerar quantos ciclos ela entrega, sua vida útil, eficiência e o custo total do sistema. Quando olhamos para todo o período de operação, a tecnologia LFP apresenta características muito interessantes para o mercado brasileiro”, afirma Prumucena. Para a Victron, o avanço do armazenamento abre uma nova etapa para o mercado de energia distribuída. Em vez de utilizar a bateria apenas quando ocorre uma interrupção, consumidores passam a considerar o equipamento como parte de uma estratégia mais ampla de gestão energética. Próxima etapa é transformar interesse em projetos Após a feira, a companhia avalia que o principal resultado foi a confirmação de que existe uma demanda crescente por sistemas capazes de combinar geração, armazenamento e autonomia. A estratégia da Victron no Brasil passa agora pela transformação dos contatos realizados durante a Intersolar em projetos, especialmente nos segmentos de agronegócio, indústria, telecomunicações, infraestrutura crítica e aplicações isoladas. “Saímos da Intersolar com uma percepção muito positiva do mercado. Mais do que o número de visitantes, o que chamou nossa atenção foi a qualidade das conversas. Muitos clientes chegaram com demandas concretas e projetos em desenvolvimento. Isso mostra que o armazenamento já está entrando de forma mais definitiva nas decisões de investimento em energia no Brasil”, conclui Prumucena. Presente em mais de 60 países e com atuação desde 1975, a Victron Energy busca ampliar sua participação no mercado brasileiro a partir de uma plataforma que combina inversores, carregadores, controladores MPPT, baterias e sistemas de monitoramento. O movimento acompanha uma transformação mais ampla do setor: a energia deixa de ser avaliada somente pela capacidade instalada de geração e passa a ser medida também pela capacidade de estar disponível quando o consumidor precisa. Victron Energy cresce 26% no primeiro semestre e identifica na Intersolar nova prioridade dos clientes: independência da rede elétrica

  • A abertura do mercado livre não vai criar mais clientes. Vai criar outro negócio.

    por Ciro Neto, CEO da Bow-e Existe um número na pesquisa que fizemos que eu não consigo parar de olhar. Entre as pessoas que não sabiam que poderão escolher seu fornecedor de energia, sete em cada dez já gostariam de escolher. O desejo chegou antes da informação. Consultamos mais de duzentos consumidores em todo o país. É uma amostra pequena, não é uma pesquisa probabilística nacional, e não vou tratá-la como se fosse. Mas ela mede um sinal que me parece consistente: 72,6% dos entrevistados gostariam de decidir de qual empresa compram energia. Ao mesmo tempo, cerca de 60% desconhecem que essa possibilidade está chegando. E, dentro desse grupo que desconhece, 70,2% já querem exercer o direito. Não é entusiasmo com o conceito de mercado livre. Quase ninguém acorda querendo participar do Ambiente de Contratação Livre. É outra coisa, mais simples e mais antiga: as pessoas querem poder escolher. A escolha é o produto. O mercado livre é só o mecanismo. Essa distinção parece semântica. Não é. O que o consumidor não sabe A pesquisa também mede o tamanho do desconhecimento, e ele é maior do que eu esperava. Apenas 20% dos entrevistados sabem que a escolha de fornecedor já é realidade no Brasil para determinados perfis de consumo. Desde janeiro de 2024, por força da Portaria MME nº 50/2022, todos os consumidores de média e alta tensão podem comprar de qualquer fornecedor, sem exigência de carga mínima. Isso já vale há mais de dois anos. Mas 37,9% acreditam que escolher a comercializadora é exclusividade de grandes empresas e indústrias. E 43,2% acham que ainda não é possível trocar de fornecedor de energia como se troca de operadora de telefonia. A abertura para a baixa tensão tem calendário definido. Pela Lei nº 15.269, de novembro de 2025, consumidores de baixa tensão com fatura cadastrada em CNPJ poderão migrar a partir de dezembro de 2027. Os com fatura em CPF, a partir de dezembro de 2028. Então temos um mercado que abre em pouco mais de um ano para uma parte dos consumidores, e em dois anos para o restante, para uma população que, em larga medida, ainda acha que ele não existe. A pergunta que estamos deixando de fazer Toda vez que se discute a abertura, a pergunta é quando o consumidor poderá migrar. Regras de elegibilidade, prazos, garantias, representação na CCEE, tratamento de sobras e déficits, migração de carga. Tudo isso é indispensável e é o trabalho de trinta anos que permitiu chegar até aqui. Tenho me perguntado outra coisa: como ele vai escolher. E é aqui que acho que estamos olhando para o problema pelo lado errado. Um mercado que atende dezenas de milhares de unidades consumidoras e um mercado que atende dezenas de milhões não são o mesmo mercado em tamanhos diferentes. São negócios distintos. O mercado livre foi construído para contratos. Contratos são poucos, negociados individualmente, revisáveis, com contraparte identificada e crédito analisado caso a caso. Uma comercializadora que atende três mil consumidores industriais tem três mil relações, cada uma com histórico, garantia e gente conversando dos dois lados. O que vem por aí não são contratos. São decisões. Milhões delas, tomadas simultaneamente, por pessoas que não conhecem o produto, com base em informação incompleta, e que serão renovadas ou desfeitas sem negociação nenhuma. Não estamos ampliando o mercado livre. Estamos trocando a unidade de operação do setor. Liberdade de escolha exige infraestrutura Decidir parece simples porque nós, que trabalhamos no setor, esquecemos o quanto sabemos. Para que a liberdade de escolha produza competição real, e não apenas a transferência de uma decisão difícil para quem não tem instrumentos de decidir, três coisas precisam existir. Nenhuma delas é energia. Informação. Não existe escolha quando o consumidor não entende a própria conta. Ele precisa comparar ofertas que hoje não são comparáveis, entender o que é preço de energia e o que é tarifa de fio, saber o que muda e o que continua com a distribuidora, e avaliar o que acontece se der errado. É revelador que a Lei 15.269 tenha previsto um produto padrão com preço de referência justamente para permitir comparação. O legislador reconheceu, na letra da lei, que sem parâmetro comum não há mercado — há confusão. Crédito. Este é o ponto que mais me preocupa e o que menos aparece no debate. Gerir risco de contraparte numa carteira concentrada de grandes consumidores é uma disciplina conhecida: análise individual, garantia, acompanhamento. Gerir risco de crédito pulverizado entre milhões de consumidores heterogêneos é outro problema, mais parecido com o de um banco de varejo do que com o de uma comercializadora de energia. A mesma lei criou o Supridor de Última Instância, o agente que assume o cliente quando uma comercializadora encerra atividades. Ninguém cria esse mecanismo por acaso. Cria-se porque se sabe que, na escala que vem, algumas vão quebrar. Experiência. Energia é um produto tecnicamente denso. O consumidor não quer administrar o mercado elétrico, e não deveria precisar. Ele quer pagar menos, entender o que está pagando e confiar em quem está do outro lado. A capacidade de traduzir complexidade em simplicidade deixa de ser cortesia e passa a ser função econômica: reduz cancelamento, reduz custo de atendimento, reduz o custo de adquirir um cliente que saiu insatisfeito de outro lugar. Informação, crédito e experiência não são atributos de marketing. São a infraestrutura da escolha. Liberdade de escolha sem essa infraestrutura não é competição. É assimetria. O preço abre a porta Na pesquisa, 67,4% apontaram o preço da tarifa como principal critério de escolha. Qualidade do atendimento aparece com 11,6%, energia renovável com 7,4%, programas de benefícios com outros 7,4%. A leitura fácil é que a disputa será tarifária, e ela começará assim mesmo. Preço é o critério de entrada em praticamente todo mercado que se abre, e é uma escolha racional de quem não tem outros parâmetros. Mas critério de entrada e critério de permanência raramente coincidem. Quando todo mundo estiver oferecendo desconto, e todo mundo vai, o desconto para de diferenciar. O que sobra é se a conta chegou certa, se alguém atendeu quando deu problema, se o que foi prometido é o que aconteceu. Minha leitura, e é leitura, não previsão: o preço conquista o cliente, a experiência decide se ele fica, e a informação decide se ele volta a confiar no mercado depois da primeira decepção. Por que resolvemos medir agora É por isso que fizemos essa pesquisa, e é por isso que ela não é um estudo de marketing. Na Bow-e a gente já atende consumidores por meio de um modelo de geração distribuída por assinatura. Isso nos dá uma coisa rara neste momento: contato direto com gente comum tomando decisões sobre energia, anos antes de a abertura chegar a essa população. A decisão que tomamos foi tratar esse contato como base de aprendizado, não apenas como base de clientes. Queremos entender o que confunde, o que gera confiança, o que faz alguém cancelar, o que faz alguém indicar. E queremos entender isso agora, enquanto a escala ainda é administrável e o erro ainda é barato. Não sabemos como o consumidor de 2028 vai se comportar. Ninguém sabe. Mas acho que esperar a abertura para descobrir é o jeito mais caro de aprender. Onde a tecnologia entra, e onde ela não entra Só agora chego na parte que costuma vir primeiro nos textos sobre o assunto, e a ordem é proposital. Se a unidade de operação do setor deixa de ser o contrato e passa a ser a decisão, o problema que se apresenta é de volume de sinal. Cada comparação de oferta, cada dúvida no atendimento, cada cancelamento, cada conta que chegou diferente do esperado é informação sobre como as pessoas decidem. Numa carteira de milhares, isso se acompanha com gente. Numa carteira de milhões, não. É esse o sentido da estratégia que chamamos de AI First na Bow-e, e faço questão de descrevê-la como estratégia em construção, não como capacidade instalada. Não se trata de usar inteligência artificial para fazer mais rápido o que já fazíamos. Trata-se de desenhar a empresa em torno da premissa de que capturar comportamento, interpretar, testar, ajustar preço, ajustar atendimento e repetir é o ciclo central do negócio — e não uma função de apoio. IA não é apoio. É arquitetura. A tecnologia tem limites que também vale nomear. Ela não substitui capital, não substitui gestão de risco, não fabrica energia e não garante posição de mercado. O que ela pode fazer é encurtar a distância entre observar e decidir. Num mercado que ainda não existe, encurtar essa distância é a única vantagem que dá para construir antes de haver escala. Quem aprende mais rápido acumula uma vantagem que não aparece no balanço de hoje e que é difícil de comprar depois. O que a regulação pode e o que ela não pode A regulação abriu a porta, e isso não é pouco. A Lei 15.269 fez mais do que definir prazos: reconheceu que a escolha precisa de referência de preço e que o sistema precisa de rede de proteção quando um agente falhar. Mas nenhuma norma pode fazer com que uma pessoa entenda a própria conta. Nenhuma resolução constrói confiança. Nenhum prazo garante que a decisão tomada seja boa para quem a tomou. A regulação cria a condição. A experiência é construída por empresas. E a qualidade da escolha vai depender de quanto o setor estiver disposto a investir naquilo que não aparece na tarifa. O que estamos apostando Não sei quem vai liderar esse mercado, e desconfio de quem já sabe. O que me parece defensável é que a empresa mais bem posicionada não será necessariamente a que tem mais energia, mais contratos ou mais força comercial. Será a que conseguir combinar energia com risco, crédito, dados, tecnologia e experiência numa arquitetura só — porque cada uma dessas peças sozinha resolve um pedaço de um problema que chegará inteiro. Na Bow-e estamos tentando construir essas capacidades agora, com uma base pequena, num mercado que ainda não abriu. Podemos estar errados sobre o que vai importar. Aceito esse risco, porque o outro risco me parece maior: descobrir tarde o que o consumidor queria, quando ele já tiver escolhido outra pessoa. Falta pouco mais de um ano para que a energia deixe de ser uma conta que chega e passe a ser uma decisão que se toma para quem tem a fatura no CNPJ. Dois anos para todo o resto. A regulação abre a porta. Quem decide quem entra é o consumidor. E ele já quer escolher só ainda não sabe disso. *Ciro Neto é CEO da Bow-e, comercializadora de geração distribuída do Grupo Bolt. Antes, foi diretor de comercialização na Auren Energia e na 2W, atuando no mercado livre de alta tensão. Passou mais de dez anos liderando equipes no mercado de telecomunicações, setor que já viveu a abertura de um mercado regulado ao consumidor final. A abertura do mercado livre não vai criar mais clientes. Vai criar outro negócio.

  • Do café off-grid à casa inteligente: TSUNESS leva armazenamento à arquitetura dos microinversores

    Na Intersolar South America 2026, fabricante demonstra microinversor híbrido de 2 kW alimentando uma cafeteira de 1.250 W e apresenta ao EnergyChannel uma estratégia que combina bateria, solar, backup e gerenciamento inteligente de energia em uma solução modular Do café off-grid à casa inteligente: TSUNESS leva armazenamento à arquitetura dos microinversores Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Em uma feira onde quilowatts, baterias, inversores e sistemas cada vez mais sofisticados disputam a atenção de milhares de profissionais, a TSUNESS escolheu uma maneira bastante simples e brasileira de explicar o que pretende fazer com sua nova geração de tecnologia híbrida. Preparou um café. Não havia truque. A cafeteira, com potência de aproximadamente 1.250 watts, estava conectada à saída off-grid de um microinversor híbrido da companhia. Ao lado, um banco de baterias armazenava a energia necessária para manter o sistema funcionando independentemente da rede elétrica. O café saiu quente. E uma tecnologia que poderia exigir vários minutos de explicações técnicas tornou-se imediatamente compreensível. Foi diante dessa demonstração que Ricardo Honório, jornalista do EnergyChannel, conversou com Victor Curi Segato, Head of LATAM da TSUNESS, durante a cobertura especial da Intersolar South America 2026. Por trás da brincadeira do “cafezinho off-grid” havia uma discussão muito maior sobre aquilo que começa a acontecer dentro das residências: solar, armazenamento, backup e gerenciamento de energia estão deixando de ser sistemas separados para começar a funcionar como uma única arquitetura energética. E a TSUNESS quer levar essa lógica para o universo dos microinversores. O equipamento apresentado na feira é um microinversor híbrido de 2 kW, com quatro MPPTs e capacidade de carga e descarga de bateria. A proposta é reunir, em uma arquitetura compacta e modular, recursos encontrados em sistemas híbridos convencionais. Na prática, isso significa que o equipamento não apenas converte a energia produzida pelos módulos fotovoltaicos. Ele também participa do gerenciamento da bateria, das cargas prioritárias da residência e da relação entre geração, armazenamento, consumo e rede elétrica. É uma diferença importante. O microinversor deixa de exercer apenas uma função dentro da geração solar e passa a participar da inteligência energética da casa. A energia começa a escolher o próprio caminho Durante a entrevista, Segato explica a lógica de funcionamento do sistema. A bateria trabalha com energia em corrente contínua. Os equipamentos da residência, por sua vez, utilizam predominantemente corrente alternada. Entre esses dois universos está o microinversor híbrido, realizando a conversão e determinando como a energia será utilizada. O carregamento pode acontecer a partir da geração fotovoltaica e, de acordo com a configuração do sistema, também pela rede elétrica. No sentido contrário, quando a energia armazenada precisa alimentar uma carga, ela passa pelo microinversor, é convertida e segue para a saída de backup, para circuitos prioritários ou para a instalação elétrica conforme a arquitetura do projeto. Mas o ponto mais interessante não está simplesmente no caminho percorrido pelos elétrons. Está em quando cada caminho é utilizado. Segundo Segato, o sistema permite configurar horários de carregamento e utilização da energia, preparando a arquitetura para estratégias como time shifting e diferentes estruturas tarifárias. É aí que a bateria começa a mudar de função. Ela não precisa ficar parada esperando uma interrupção da rede. Pode armazenar energia em um determinado momento para utilizá-la quando for mais conveniente. Pode preservar energia para cargas prioritárias. Pode trabalhar junto com a geração solar. Pode participar da estratégia de consumo da residência. Em outras palavras, armazenamento deixa de significar simplesmente “guardar energia” e passa a significar decidir quando aquela energia tem mais valor. É esse gerenciamento que aproxima a solução compacta apresentada pela TSUNESS de funcionalidades tradicionalmente associadas a sistemas híbridos maiores. Segato resume a proposta ao afirmar que os recursos de gerenciamento encontrados em uma arquitetura híbrida convencional também estão presentes no pequeno equipamento apresentado na feira. Pequeno no tamanho. Não necessariamente na responsabilidade. A cafeteira responde à pergunta que o consumidor faria Existe uma razão para a demonstração com a cafeteira funcionar tão bem. Para um engenheiro, dizer que a saída off-grid possui 2 kW é uma informação objetiva. Para grande parte dos consumidores, não. O cliente quer saber outra coisa: “O que eu consigo ligar nisso?” É justamente essa pergunta que surge durante a conversa. Uma lâmpada? Computador? Televisão? Ou uma carga um pouco mais exigente? A cafeteira responde de forma visual. Com aproximadamente 1.250 W, ela representa uma carga relevante diante dos 2 kW disponíveis no equipamento demonstrado e mostra que a proposta de backup não está limitada apenas a pequenos eletrônicos. Naturalmente, qualquer instalação precisa ser corretamente dimensionada e a soma das cargas simultâneas deve respeitar a capacidade disponível. Mas a arquitetura também foi pensada para ser modular. Segundo Segato, se uma residência precisar de mais potência, a capacidade pode ser ampliada com mais unidades. Um micro: 2 kW. Dois equipamentos podem levar a arquitetura para uma configuração de maior potência. Três ampliam novamente essa capacidade. Essa modularidade toca em um dos conceitos que fizeram os microinversores ganharem espaço na geração distribuída: a possibilidade de crescer por etapas. Em vez de obrigatoriamente partir para uma grande arquitetura desde o início, o sistema pode acompanhar necessidades diferentes de cada instalação, sempre respeitando o correto projeto elétrico. E essa flexibilidade não termina nos microinversores. Chega também às baterias. A TSUNESS não quer prender o cliente a uma única bateria Um dos pontos mais relevantes apresentados por Segato durante a entrevista é a estratégia de compatibilidade. A TSUNESS prepara sua própria solução de bateria, cuja chegada ao mercado brasileiro era prevista pelo executivo para os meses seguintes à Intersolar. Mas o microinversor híbrido não foi concebido para funcionar exclusivamente com baterias da própria fabricante. Essa decisão pode ter consequências importantes para integradores e consumidores. Na demonstração da feira, o equipamento estava conectado a um banco de aproximadamente 15 kWh, formado por três módulos de 5 kWh de uma empresa parceira. Segato explicou que a companhia já vinha trabalhando em integrações com diferentes fornecedores presentes no mercado brasileiro e que novas compatibilidades poderiam ser desenvolvidas em conjunto com a engenharia da TSUNESS. A lógica é simples. Um consumidor pode já possuir uma bateria e, no futuro, desejar substituir ou modernizar seu inversor. Outro pode encontrar uma determinada solução de armazenamento que faça mais sentido para seu projeto. Um integrador pode trabalhar com marcas diferentes dependendo da aplicação. Nesses casos, exigir a substituição de todo o sistema apenas porque dois equipamentos não conversam entre si cria custo e limita flexibilidade. É justamente essa barreira que a TSUNESS procura reduzir. “Às vezes você já tem uma bateria na sua residência, quer trocar o inversor e não quer trocar a bateria”, explicou Segato. Por trás dessa frase existe uma discussão que tende a se tornar cada vez mais importante no armazenamento residencial: interoperabilidade. Quanto mais baterias, inversores, sistemas de gerenciamento e plataformas entrarem nas residências, maior será a importância de equipamentos capazes de conversar entre si. O futuro da energia distribuída dificilmente será construído por um único equipamento. Será construído por um ecossistema. E ecossistemas precisam se comunicar. Do laboratório para a Intersolar Há ainda uma pequena história por trás do equipamento apresentado em São Paulo. Honório e Segato lembram que a tecnologia havia sido vista anteriormente ainda durante sua fase de desenvolvimento. O microinversor que agora preparava café diante dos visitantes da Intersolar havia passado, meses antes, por testes de laboratório. “Esse foi o que a gente viu desenvolvendo lá no laboratório no ano passado”, recordou Honório. “Exatamente”, respondeu Segato. A lembrança ajuda a dar dimensão à velocidade com que a indústria está avançando. Aquilo que em um ano está em bancada, submetido a testes e validações, pode aparecer no seguinte diante do mercado como produto. E armazenamento está acelerando ainda mais esse ciclo. Durante anos, o centro das atenções da geração distribuída esteve na capacidade de produzir energia solar. Agora a pergunta está mudando. Não basta produzir. É preciso decidir o que fazer com a energia produzida. Consumir imediatamente? Armazenar? Preservar para uma eventual falta de rede? Utilizar em outro horário? Priorizar determinados circuitos? Reduzir dependência da rede em determinados momentos? É nesse novo universo que equipamentos híbridos começam a ganhar relevância. Um café mineiro em uma feira internacional A escolha da cafeteira também carregava um componente cultural. Parte da equipe brasileira da TSUNESS está baseada em Minas Gerais. A ideia, conta o time durante a entrevista, foi levar um pouco dessa identidade para uma feira internacional e, ao mesmo tempo, criar uma demonstração prática da tecnologia. “Por que não fazer um cafezinho e demonstrar a nossa Minas Gerais para os integradores?”, brincou a equipe. A experiência funcionou tão bem que já surgiu uma promessa para a próxima edição. Além do café, pão de queijo. A ideia é colocar um forno elétrico funcionando a partir do sistema e transformar novamente uma carga cotidiana em demonstração de energia armazenada. A brincadeira parece pequena, mas contém uma boa lição sobre comunicação tecnológica. O consumidor não vive em quilowatts. Vive em experiências. Ele não acorda pensando em corrente contínua ou alternada. Quer preparar café. Usar o computador. Manter a internet funcionando. Preservar a iluminação. Operar equipamentos essenciais quando a rede falhar. A tecnologia começa a fazer sentido quando deixa a ficha técnica e entra nessa rotina. Foi exatamente o que aconteceu no estande. Análise EnergyChannel | O próximo passo da energia solar é decidir quando usar a energia Durante boa parte da expansão fotovoltaica brasileira, a principal pergunta foi: quanto conseguimos gerar? Mais módulos. Mais potência. Mais eficiência. Mais geração. O armazenamento começa a acrescentar uma segunda pergunta: quando queremos utilizar essa energia? Essa mudança é profunda. Porque transforma o consumidor de alguém que simplesmente produz eletricidade em alguém capaz de administrar parte de sua própria energia ao longo do tempo. É nesse contexto que a solução apresentada pela TSUNESS merece atenção. Não apenas porque existe um microinversor híbrido de 2 kW. Mas porque a arquitetura reúne algumas das tendências que provavelmente definirão a próxima etapa do mercado residencial: solar, bateria, backup, gerenciamento inteligente, modularidade e interoperabilidade. A possibilidade de integrar diferentes baterias é particularmente relevante. Um mercado de armazenamento saudável não deveria obrigar o consumidor a substituir equipamentos perfeitamente funcionais apenas porque decidiu mudar outro componente do sistema. Quanto mais abertas forem as arquiteturas dentro dos limites técnicos e de segurança exigidos por cada fabricante maior poderá ser a liberdade para evoluir instalações ao longo dos anos. A modularidade segue a mesma lógica. Uma família pode começar com determinada capacidade. Depois ampliar. Adicionar armazenamento. Criar novos circuitos prioritários. Aumentar a potência disponível. A casa energética deixa de ser uma instalação congelada no dia da compra. Pode evoluir. Talvez seja por isso que a cafeteira tenha sido uma demonstração tão eficiente. No meio de uma das maiores feiras de energia solar da América Latina, cercada por equipamentos sofisticados, ela reduziu toda essa engenharia a uma cena cotidiana. A rede poderia estar indisponível. A bateria tinha energia. O microinversor criou as condições para alimentar a carga. A cafeteira puxou 1.250 watts. E o café saiu. Quente. Mineiro. Off-grid. Por alguns minutos, ninguém precisou explicar o futuro da energia residencial. Era possível bebê-lo. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Victor Curi Segato Cargo: Head of LATAM Empresa: TSUNESS Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel - We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Do café off-grid à casa inteligente: TSUNESS leva armazenamento à arquitetura dos microinversores

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