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- 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber
Episódio 31 – Posso vender energia solar para a concessionária ou para outras pessoas? 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber Muitos consumidores imaginam que a energia solar pode se tornar uma fonte de renda, mas surge a dúvida: é possível vender a energia gerada pelo meu sistema solar? Neste episódio, o EnergyChannel explica o que a legislação brasileira permite hoje e quais são os limites desse modelo. ⚡ Venda de energia não é permitida no modelo residencial Atualmente, sistemas solares residenciais e comerciais de pequeno porte não podem vender energia diretamente para a concessionária. O modelo vigente é de compensação, não de comercialização. 🔄 Compensação não é venda No sistema de compensação: O excedente vira crédito (kWh) Os créditos abatam consumo futuro Não há pagamento em dinheiro Isso evita confusão entre economia e renda. 🏭 Quem pode vender energia no Brasil? A venda de energia é permitida apenas para: Usinas de grande porte Geradores enquadrados no mercado livre Projetos com contratos específicos Esses casos exigem licenças e estrutura complexa. 🏘️ E os condomínios ou cooperativas? Modelos como: Geração compartilhada Consórcios Cooperativas solares Permitem dividir créditos entre participantes, mas não envolvem venda direta de energia. 📄 Marco Legal da Geração Distribuída A legislação brasileira estabelece regras claras: Energia solar é para reduzir consumo Não para gerar receita direta Créditos seguem limites e prazos Isso traz segurança regulatória, mas impõe restrições. ⚠️ Cuidado com promessas irreais Ofertas que prometem “ganhar dinheiro com energia solar” no modelo residencial devem ser analisadas com cautela. Transparência é essencial. 🧭 Energia solar é economia, não negócio Para o consumidor final, a energia solar é uma ferramenta de redução de custos, previsibilidade e sustentabilidade, não uma fonte direta de renda. No próximo episódio, o EnergyChannel aborda um tema muito prático: 👉 O que acontece se eu me mudar de casa depois de instalar energia solar? 📌 Série Especial EnergyChannel Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa SaberUm guia confiável para evitar erros comuns e falsas expectativas no investimento em energia solar. 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber
- O bloqueio silencioso dos sistemas híbridos e “grid zero” no Brasil: uma análise técnica e regulatória sobre as práticas atualmente adotadas por distribuidoras de energia
O setor elétrico brasileiro vive uma transição histórica. Após mais de uma década de crescimento acelerado da geração distribuída fotovoltaica, uma nova etapa tecnológica começa a ganhar protagonismo mundial: os sistemas híbridos com baterias, EMS (Energy Management Systems), controle dinâmico de exportação e operação “zero grid”. Essas tecnologias representam uma mudança profunda no paradigma energético tradicional. Pela primeira vez, consumidores passam a: armazenar energia; controlar dinamicamente sua interação com a rede; reduzir exportações; deslocar consumo; operar parcialmente de forma autônoma; mitigar impactos sistêmicos localmente. No entanto, justamente no momento em que o armazenamento distribuído começa a se tornar economicamente viável no Brasil, multiplicam-se relatos de: negativas sistemáticas de acesso; inviabilização prática de projetos híbridos; exigências técnicas pouco transparentes; solicitações de “homologações” sem rito público claramente definido. O fenômeno chama atenção porque muitos desses sistemas: possuem baterias; utilizam EMS; operam em “zero export”; não injetam energia na rede; utilizam equipamentos certificados internacionalmente; atendem normas técnicas reconhecidas. Ainda assim, vêm sendo recusados ou inviabilizados operacionalmente. A questão que emerge é inevitável: Estaria sendo criado, na prática, um bloqueio silencioso ao mercado de armazenamento distribuído no Brasil? A inversão de fluxo e a mudança do paradigma regulatório Historicamente, os sistemas de distribuição elétrica foram concebidos para operar em fluxo unidirecional: da geração centralizada; para os consumidores finais. A expansão acelerada da geração distribuída alterou essa lógica. Em diversas regiões do país, passaram a surgir cenários de: exportação reversa; elevação de tensão; alteração do carregamento dos alimentadores; inversão de fluxo nos transformadores. Sob o ponto de vista técnico, trata-se de uma preocupação legítima. A própria Resolução Normativa ANEEL nº 1000/2021 reconhece a necessidade de estudos de impacto sistêmico para conexão de geração distribuída. Entretanto, o próprio regulador também passou a reconhecer explicitamente: sistemas sem exportação; controle de potência injetada; mecanismos de limitação dinâmica; operação “grid zero”. Ou seja: o arcabouço regulatório brasileiro já admite que sistemas modernos possam operar sem provocar os impactos tradicionalmente associados à geração distribuída convencional. Esse ponto é fundamental. A própria CPFL reconhece oficialmente os sistemas “zero grid” A discussão ganha contornos ainda mais relevantes quando se analisa a própria documentação técnica da distribuidora. A GED DIST-19397-2025 reconhece explicitamente: sistemas híbridos; sistemas de armazenamento; controle de exportação; arbitragem energética; operação ilhada; funcionalidades “zero-grid”. A norma estabelece textualmente: “tais arranjos não devem possibilitar a injeção de potência ativa na rede elétrica da distribuidora, ou seja, devem suprir a carga local e ter funcionalidade ‘zero-grid’” Esse trecho possui enorme relevância técnica e regulatória. Ele demonstra que: a tecnologia é reconhecida; o conceito operacional existe; a distribuidora admite formalmente a funcionalidade. Mais do que isso, a GED afirma: “os sistemas híbridos têm se tornado uma excelente solução para a integração de MMGDs” e complementa: “principalmente com o intuito de evitar a inversão de fluxo” Esse talvez seja um dos pontos mais importantes de toda a discussão. A própria norma técnica da distribuidora reconhece oficialmente que: baterias; EMS; controle de exportação; sistemas híbridos; podem funcionar justamente como mecanismos mitigadores do principal fundamento hoje utilizado para negativas de acesso: a inversão de fluxo. O paradoxo técnico Aqui surge um paradoxo regulatório extremamente relevante. Se: a inversão de fluxo é o problema; e baterias podem mitigá-la; e sistemas “zero grid” não exportam potência ativa; por qual razão esses sistemas vêm sendo progressivamente inviabilizados? Sob o ponto de vista técnico, um sistema híbrido moderno possui comportamento profundamente diferente de uma usina fotovoltaica convencional. Enquanto sistemas tradicionais: geram passivamente; exportam excedentes automaticamente; possuem baixa inteligência operacional; os sistemas híbridos: monitoram fluxo instantaneamente; ajustam geração em tempo real; controlam exportação; carregam baterias; reduzem injeção; respondem dinamicamente à carga local. Em muitos casos, a bateria passa justamente a absorver os excedentes que anteriormente seriam exportados para a rede. Ou seja: O armazenamento distribuído pode atuar não como agravante, mas como solução mitigadora dos impactos sistêmicos da GD. E isso é reconhecido pela própria GED da CPFL. O Manual 150217/2025 da CPFL e a modelagem dos estudos de inversão de fluxo O ponto mais sensível da discussão talvez esteja na metodologia de análise atualmente utilizada. O “Manual de Instruções para Análise dos Orçamentos Estimado e de Conexão para Sistemas de Micro e Minigeração Distribuída” da CPFL descreve detalhadamente: os estudos de fluxo de potência; a modelagem das cargas; a modelagem das curvas de geração; os critérios de análise de inversão de fluxo. O documento deixa claro que os estudos utilizam: curvas típicas; médias estatísticas; geração presumida; perfis padronizados de consumo e geração. A metodologia considera: curvas médias; perfis históricos; modelagem estatística; comportamento agregado dos consumidores. Isso é absolutamente normal em engenharia elétrica. O problema surge quando essa mesma metodologia passa a ser utilizada para avaliar sistemas híbridos inteligentes de comportamento dinâmico. Sistemas inteligentes sendo analisados como geração passiva O próprio manual praticamente não aprofunda: modelagem dinâmica de EMS; controle instantâneo de exportação; despacho inteligente de baterias; comportamento transitório dos SAEs; lógica operacional de “zero export”. Na prática, isso levanta uma hipótese técnica extremamente relevante: os estudos atualmente utilizados podem ainda estar modelando sistemas híbridos modernos como se fossem geração fotovoltaica convencional passiva. Essa distinção é gigantesca. Porque um sistema: com EMS; bateria; resposta em milissegundos; controle dinâmico; limitação instantânea de exportação; não possui comportamento equivalente a um sistema fotovoltaico convencional. Essa talvez seja hoje a principal discussão técnica do setor elétrico distribuído brasileiro. A exigência de homologações sem rito público claro Outro ponto crítico é o crescente relato de exigências relacionadas a: homologação de EMS; homologação de inversores híbridos; homologação de sistemas “zero export”; homologação de controladores de exportação. Em princípio, exigir segurança técnica é legítimo. Entretanto, o problema surge quando: não existe rito público transparente; não existe lista pública consolidada; não existem laboratórios oficialmente definidos; não existem critérios amplamente divulgados; não existem prazos claros de análise. Na prática, cria-se uma situação potencialmente impossível de cumprir. E aqui aparece outro aspecto extremamente relevante: a própria GED DIST-19397-2025 aparentemente não estabelece um sistema formal de homologação prévia compulsória nos moldes operacionalmente relatados pelo mercado. O documento exige principalmente: comprovação funcional; ensaios; documentação técnica do fabricante. A GED estabelece: “ensaios ou declaração do fornecedor que comprovam a atuação do sistema” e novamente: “ensaios ou declaração do fornecedor que comprovam a atuação do sistema caso opere de modo a Limitar a Potência Injetada” Isso sugere que: a lógica normativa está centrada na comprovação técnica; não necessariamente em homologações discricionárias sem operacionalização pública clara. A GED 15303 e a questão da microgeração Outro ponto relevante é que a própria GED 15303 reconhece os limites regulatórios definidos pela ANEEL para microgeração distribuída. Ou seja: microgeração continua reconhecida até 75 kW; não existe previsão normativa explícita de bloqueio generalizado de sistemas híbridos; não existe, no arcabouço regulatório superior, limitação generalizada em patamares próximos de 7,5 kW. Isso torna ainda mais relevante o debate sobre possíveis barreiras indiretas que estariam sendo criadas operacionalmente. O risco de um bloqueio tecnológico indireto Quando: a ANEEL reconhece “zero grid”; a distribuidora reconhece sistemas híbridos; as GEDs reconhecem baterias como mitigadoras de fluxo reverso; mas simultaneamente: projetos deixam de ser aprovados; exigências se tornam praticamente impossíveis; critérios deixam de ser transparentes; o mercado perde previsibilidade; Forma-se um cenário potencialmente caracterizável como bloqueio tecnológico indireto. E isso possui impactos profundos. O impacto econômico do bloqueio do armazenamento O mercado de armazenamento distribuído representa: modernização da infraestrutura elétrica; aumento de resiliência; suporte em apagões; mitigação de picos; redução de demanda; maior estabilidade sistêmica; avanço tecnológico nacional. Além disso, trata-se de um setor intensivo em: engenharia; software; automação; eletrônica de potência; qualificação técnica. Sua inviabilização prática pode: afastar investimentos; reduzir competitividade; eliminar empregos; retardar inovação; atrasar a transição energética brasileira. A aparente divergência entre norma e prática operacional A leitura conjunta: da REN 1000; do PRODIST; das GEDs da CPFL; e do Manual 150217/2025; sugere uma possível divergência entre: o reconhecimento normativo da tecnologia; e a operacionalização prática do processo de conexão. As normas: reconhecem híbridos; reconhecem “zero grid”; reconhecem arbitragem energética; reconhecem mitigação de fluxo reverso; reconhecem EMS. Mas o mercado relata: negativas amplas; insegurança regulatória; ausência de previsibilidade; critérios pouco transparentes. Esse cenário gera: judicialização crescente; retração do mercado; insegurança jurídica; deterioração da confiança regulatória. O setor precisa de clareza, não de ausência de regras O debate não deve ser conduzido como: “liberar tudo”; ou “eliminar critérios técnicos”. O setor precisa de: critérios objetivos; transparência metodológica; previsibilidade; procedimentos auditáveis; alinhamento entre norma e prática operacional. Se sistemas “zero export” exigem validação específica, então o mercado precisa: conhecer os critérios; conhecer os ensaios exigidos; conhecer os laboratórios aceitos; conhecer os equipamentos aprovados; conhecer os processos; conhecer os prazos. Sem isso, cria-se um ambiente incompatível com segurança regulatória. Conclusão O debate sobre sistemas híbridos e armazenamento distribuído deixou de ser apenas uma discussão técnica. Ele passou a representar uma discussão estratégica sobre: inovação; descentralização energética; modernização do setor elétrico; competitividade tecnológica; futuro da transição energética brasileira. A própria documentação técnica da CPFL demonstra que: a tecnologia é reconhecida; o conceito “zero grid” existe; baterias são admitidas como mitigadoras da inversão de fluxo; sistemas híbridos possuem respaldo normativo. Por isso, a principal questão já não parece ser: “se a tecnologia pode existir”. A discussão central passa a ser: Como impedir que exigências técnicas sem transparência, sem rito público claro ou sem adaptação metodológica acabem funcionando, na prática, como mecanismos silenciosos de bloqueio do mercado de armazenamento distribuído no Brasil. Por Eduardo Nicol: CEO RENEW ENERGIA O bloqueio silencioso dos sistemas híbridos e “grid zero” no Brasil: uma análise técnica e regulatória sobre as práticas atualmente adotadas por distribuidoras de energia
- Curtailment deixou de ser exceção: BESS e hibridização podem transformar perda em estratégia
Curtailment deixou de ser exceção: BESS e hibridização podem transformar perda em estratégia Por Daniel Pansarella O Brasil vive um paradoxo típico de mercados que avançaram rápido na transição energética: temos alguns dos melhores recursos solares e eólicos do mundo, uma matriz elétrica reconhecida pela alta participação renovável e uma carteira expressiva de projetos utility scale. Ao mesmo tempo, parte dessa energia limpa, competitiva e já disponível deixa de chegar ao consumidor por restrições operativas do sistema. O nome técnico é curtailment. Na prática, é energia que poderia ser gerada, mas precisa ser cortada. Esse tema deixou de ser uma discussão restrita aos centros de operação. Ele passou a afetar diretamente a modelagem financeira dos projetos, a percepção de risco dos investidores, a estratégia comercial dos geradores e a própria agenda regulatória do setor elétrico. Para o operador, o curtailment é uma ferramenta de segurança. Para quem investe, financia, constrói ou opera ativos renováveis, ele é também um sinal de que a próxima etapa da transição energética brasileira exigirá mais inteligência, mais flexibilidade e melhor desenho de portfólio. O ONS trata a restrição de geração como uma realidade associada a sistemas com elevada participação de fontes renováveis variáveis. A explicação é objetiva: solar e eólica produzem conforme disponibilidade de recurso, e nem sempre essa produção coincide com a demanda ou com a capacidade instantânea da rede. Em algumas situações, restringir geração é necessário para preservar a confiabilidade do Sistema Interligado Nacional. Essa leitura técnica é correta, mas não pode ser o ponto final do debate. A pergunta estratégica não é mais se o curtailment ocorrerá. A pergunta correta é: como transformar esse risco em flexibilidade, receita e vantagem competitiva? Em um sistema que adiciona renováveis em velocidade superior à expansão de determinados reforços de rede e mecanismos de flexibilidade, cortar geração deixa de ser um evento excepcional e passa a ser uma variável estrutural de planejamento. O ponto central é que o sistema elétrico brasileiro não precisa apenas de mais megawatts instalados. Precisa de megawatts mais úteis. A diferença é relevante. Um parque solar ou eólico que entrega energia justamente no momento em que o sistema está congestionado, ou quando há excedente renovável regional, pode enfrentar cortes recorrentes. Já um projeto capaz de armazenar, deslocar ou combinar fontes complementares passa a jogar outro jogo: o jogo da flexibilidade. É nesse contexto que os sistemas de armazenamento por baterias, os BESS, deixam de ser uma promessa tecnológica e passam a ser uma ferramenta de estratégia energética. Uma bateria conectada a uma planta solar ou eólica pode carregar nos momentos de excedente, reduzir a exposição ao corte e deslocar energia para horários de maior valor. Mas essa é apenas a primeira camada da discussão. O verdadeiro potencial do BESS está no empilhamento de aplicações: arbitragem, serviços ancilares, suporte à rede, otimização da conexão, redução de rampas e aumento da previsibilidade comercial. A EPE, em apresentação sobre soluções de armazenamento no planejamento energético brasileiro, já aponta essa versatilidade ao destacar aplicações como associação com unidades de geração, arbitragem, otimização da expansão da transmissão, mitigação de restrições elétricas de curto prazo, serviços ancilares e atendimento a sistemas isolados. O mesmo material reconhece que ainda existem desafios regulatórios, econômicos e operacionais para viabilizar a tecnologia em larga escala. Essa é a essência do debate. Bateria não deve ser vista apenas como custo adicional colado ao CAPEX de uma usina. Se for analisada isoladamente, a conta muitas vezes parece difícil. Quando o ativo passa a capturar múltiplas fontes de valor, a equação muda. O BESS pode reduzir perdas por curtailment, melhorar o perfil de entrega, prestar serviços ao sistema, aumentar o valor do ponto de conexão e dar mais previsibilidade a contratos de longo prazo. A hibridização é a outra metade dessa agenda. A combinação entre solar e eólica em um mesmo complexo, ou em centrais associadas, permite explorar complementaridade de recursos, ampliar o uso da infraestrutura compartilhada e reduzir ociosidade de subestações, terrenos, linhas de conexão e contratos de uso do sistema. A ANEEL já regulamentou centrais geradoras híbridas e associadas, reconhecendo esse modelo como um salto de inovação para otimizar a produção de energia e o uso da rede. O desafio agora é avançar para uma segunda geração dessa agenda regulatória. A hibridização entre fontes é importante, mas a combinação entre fonte renovável e armazenamento é ainda mais estratégica. Se o problema é cada vez mais a falta de flexibilidade temporal, a solução precisa ser desenhada de forma integrada: solar, eólica, BESS, conexão, despacho e contrato comercial como partes de um mesmo ativo energético. No Brasil, ainda se discute se a bateria deve ser tratada como geração, carga, ativo de transmissão, recurso de distribuição, prestadora de serviço ancilar ou agente armazenador. Essa discussão é legítima, mas não pode se transformar em paralisia. A natureza econômica da bateria é justamente sua capacidade de atuar em múltiplas frentes. Tentar enquadrá-la em uma única categoria pode reduzir seu valor sistêmico. O caminho mais eficiente é criar regras que reconheçam a multiplicidade de serviços, evitem dupla cobrança indevida e permitam remuneração adequada por benefícios verificáveis. A América Latina oferece sinais importantes. No Chile, por exemplo, a combinação entre forte expansão solar, concentração regional de geração e gargalos de transmissão acelerou a discussão sobre armazenamento. A Ember apontou que 5.642 GWh de energia solar e eólica foram cortados no país em 2024, o equivalente a 19% da eletricidade fornecida por essas fontes naquele ano. O caso chileno mostra que, quando o curtailment ganha escala, o armazenamento deixa de ser um acessório e passa a ser infraestrutura estratégica. O Brasil não deve simplesmente copiar modelos internacionais. Nosso sistema é maior, hidrotérmico, interligado em escala continental e com características próprias de despacho, transmissão, comercialização e geração distribuída. Ainda assim, a lógica econômica é semelhante: quanto maior a participação de fontes variáveis, maior o valor da flexibilidade. E quanto maior o curtailment, mais urgente se torna converter energia desperdiçada em energia armazenada, deslocada ou contratada sob novos modelos. Essa agenda também conversa diretamente com a indústria. BESS e hibridização podem criar demanda por engenharia, integração, inversores, transformadores, sistemas de controle, software, operação, manutenção especializada, estudos elétricos e novas competências na cadeia produtiva. Não se trata apenas de instalar contêineres de baterias ao lado de usinas. Trata-se de formar um ecossistema de flexibilidade com escala, previsibilidade regulatória e capacidade de atrair capital. Do ponto de vista de política pública, dois pontos merecem prioridade. O primeiro é acelerar a regulamentação do armazenamento com uma visão moderna de empilhamento de receitas. Sem sinal econômico claro, a bateria continuará sendo vista como custo defensivo contra o curtailment, e não como ativo de valor sistêmico. O segundo é aperfeiçoar as regras de usinas híbridas e associadas para permitir a incorporação eficiente do BESS em projetos solares e eólicos utility scale, com tratamento claro para conexão, uso da rede, medição, despacho e remuneração. O curtailment é o sintoma de uma transição energética que avançou em geração, mas ainda precisa avançar em flexibilidade. A próxima fronteira não será apenas instalar mais megawatts renováveis; será entregar megawatts renováveis no momento certo, no local certo e com maior previsibilidade. Para investidores, desenvolvedores e fabricantes, a mensagem é direta. Projetos desenhados apenas para maximizar geração bruta podem perder competitividade em um sistema com cortes recorrentes. Projetos concebidos para maximizar valor líquido, flexibilidade e uso inteligente da conexão tendem a capturar melhor o próximo ciclo. O BESS não elimina todos os riscos. A hibridização não substitui expansão de transmissão. Mas, juntos, eles reduzem desperdício, aumentam resiliência e aproximam o setor de um modelo mais sofisticado de planejamento energético. O Brasil não deve tratar o curtailment como uma externalidade inevitável da expansão renovável. Deve tratá-lo como um sinal econômico e regulatório. Se existe energia limpa sendo cortada, existe também uma oportunidade de investimento, inovação e modernização. A diferença entre prejuízo e valor estará na velocidade com que o país conseguirá transformar excedente em flexibilidade, e flexibilidade em receita. No fim, a discussão não é apenas sobre baterias. É sobre a próxima arquitetura do setor elétrico brasileiro. Um sistema que desperdiça energia renovável por falta de flexibilidade perde competitividade. Um sistema que integra solar, eólica, BESS, transmissão e inteligência operacional transforma abundância em vantagem estratégica. Daniel Pansarella é executivo com vasta experiência no setor de energia solar, especializado em tributação, logística, cadeia produtiva de equipamentos e desenvolvimento de negócios para equipamentos solares nos mercados brasileiro e latino-americano. Atualmente, atua como Public Affairs & Business Developer Latam na Trina Solar, uma das principais fabricantes de módulos fotovoltaicos, Trackers e Storage do mundo. É também Vice-Presidente de Cadeia Produtiva do Conselho da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Diretor do Derex-FIESP e Conselheiro de empresas como Brasol (Siemens e BlackRock), Greener e Pacto Energia. Conheça mais em seu perfil no LinkedIn. Curtailment deixou de ser exceção: BESS e hibridização podem transformar perda em estratégia
- Necta Gás realiza capacitação de segurança em obras subterrâneas com equipes da Saerp
Treinamento destaca prevenção de danos, planejamento e práticas seguras em serviços de redes de água e esgoto A Secretaria de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Saerp) participou, na sexta-feira, 15 de maio, de uma capacitação voltada às equipes operacionais que atuam diretamente em serviços de perfuração de redes de água e esgoto, extensões e ligações de tubulações. A iniciativa integra o Programa de Prevenção de Danos da Necta Gás (concessionária responsável pelo abastecimento de gás natural encanado na cidade), que é contínuo, na prevenção de acidentes durante obras e intervenções em campo. O encontro, realizado no Centro Educacional Saerp, foi conduzido pelo técnico de integridade Fernando Valeriano, que abordou temas fundamentais para a segurança operacional, como a comunicação antecipada antes da execução de obras, o acesso ao GeoPortal da concessionária para identificação de interferências subterrâneas, além das práticas corretas de sondagem prévia e distanciamento seguro de redes existentes. O secretário interino da Saerp, Marcus Berzoti, destacou a importância do treinamento para garantir ainda mais segurança nos trabalhos executados diariamente pela Secretaria. “Os serviços subterrâneos exigem planejamento, responsabilidade e atenção permanente para evitar acidentes e preservar as estruturas existentes e a segurança das equipes e da população. A Saerp mantém um cuidado constante em todas as intervenções realizadas no município, e cursos como esse são fundamentais para aperfeiçoar ainda mais os procedimentos”, afirmou. As orientações apresentadas durante o encontro seguem as diretrizes da NBR 17167, norma que estabelece boas práticas para gestão da integridade e prevenção de danos em redes de distribuição de gás. Entre os principais pontos destacados estão a integração entre os órgãos envolvidos, o planejamento adequado das atividades e a execução segura dos serviços em campo. “Reforçamos que ações como esta, realizadas de forma contínua no município, são essenciais para promover a cultura de prevenção, ampliar a conscientização das equipes técnicas e operacionais e assegurar a conformidade com os requisitos normativos e regulatórios vigentes”, pontuou Julia Roversi, engenheira de Integridade de Ativos da Necta Gás. Necta Gás realiza capacitação de segurança em obras subterrâneas com equipes da Saerp
- O que é o mercado livre de energia e por que ele está mudando as regras do jogo no Brasil
Se no passado a energia era uma decisão inexistente, hoje ela começa a se tornar uma escolha real. O que é o mercado livre de energia e por que ele está mudando as regras do jogo no Brasil Mas, afinal, o que é o chamado mercado livre de energia e por que ele tem ganhado tanto espaço nas discussões sobre o futuro do setor elétrico brasileiro? A resposta é mais simples do que parece. Dois mercados, duas realidades Para entender o que está acontecendo, é preciso começar por uma divisão básica: hoje, o Brasil opera com dois ambientes de contratação de energia. De um lado, está o chamado mercado regulado. Do outro, o mercado livre. No modelo regulado onde ainda está a maioria dos consumidores a lógica é conhecida: a energia é fornecida pela distribuidora local, com tarifas definidas por regras do setor. Não há escolha de fornecedor, nem negociação de condições. Já no mercado livre, a dinâmica muda completamente. Empresas podem escolher de quem comprar energia, negociar preços, prazos e até a origem dessa energia como fontes renováveis, por exemplo. É a diferença entre aceitar um pacote pronto… ou montar o seu próprio. O que muda na prática A ideia de “escolher energia” pode parecer abstrata à primeira vista, mas seus impactos são bastante concretos. No mercado livre, consumidores passam a ter maior previsibilidade de custos, podendo negociar contratos de longo prazo e reduzir a exposição a variações tarifárias. Além disso, existe flexibilidade para adaptar o consumo à estratégia do negócio algo especialmente relevante para empresas com margens apertadas ou grande dependência energética. Não se trata apenas de pagar menos. Trata-se de gerir melhor. Quem já pode acessar esse modelo Durante muito tempo, o mercado livre foi restrito a grandes indústrias, com alto consumo de energia. Mas isso está mudando rapidamente. Nos últimos anos, o Brasil ampliou o acesso, permitindo que empresas de médio porte também migrassem. E o movimento continua avançando, com discussões sobre a abertura total do mercado nos próximos anos. Na prática, isso significa que cada vez mais consumidores estão deixando de ser apenas pagadores de conta… para se tornarem agentes ativos nas suas decisões energéticas. Por que ainda parece complicado Se o modelo é mais vantajoso e mais moderno, por que ainda não é dominante? A resposta está na complexidade. O setor elétrico brasileiro tem linguagem técnica, regras específicas e uma estrutura que não foi pensada para o consumidor comum entender facilmente. Para muitos, termos como “contratação”, “lastro”, “perfil de consumo” ou “ACL” ainda criam uma barreira de entrada. E é exatamente aí que surge um novo tipo de solução. Traduzindo o mercado Com a expansão do mercado livre, empresas especializadas passaram a atuar como facilitadoras desse processo. É o caso da Thopen Energy, que se posiciona como uma plataforma de tradução do setor conectando consumidores às melhores opções de fornecimento, sem exigir que eles dominem toda a complexidade do sistema. Na prática, isso significa transformar um processo técnico em uma decisão acessível. Mais simples. Mais transparente. Mais estratégica. Uma mudança de mentalidade O avanço do mercado livre de energia não é apenas uma mudança regulatória é uma mudança de mentalidade. Durante décadas, energia foi tratada como custo fixo, inevitável e imutável. Agora, começa a ser vista como variável, negociável e estratégica. E, como aconteceu em outros setores como o financeiro ou o de telecomunicações aqueles que entendem primeiro tendem a capturar mais valor. O começo de uma nova relação com a energia O mercado livre ainda está em expansão, mas uma coisa já é clara: o modelo antigo deixou de ser a única opção. A energia, pela primeira vez, entra no campo das escolhas. E isso muda tudo. Próximo capítulo Na próxima matéria, vamos além do conceito e entrar em um ponto essencial: energia é apenas uma despesa… ou pode ser uma decisão estratégica que impacta diretamente o caixa? O que é o mercado livre de energia e por que ele está mudando as regras do jogo no Brasil
- A transmissão virou variável de competitividade para as renováveis
Por Laís Víctor – Diretora Executiva de Parcerias A transmissão virou variável de competitividade para as renováveis Quando falamos de energias renováveis, especialmente eólica e solar, a conversa costuma se concentrar em alguns indicadores já conhecidos pelo mercado: CAPEX, fator de capacidade, custo do MWh, curva de geração e retorno esperado do investimento. Esses elementos continuam relevantes. Mas, na prática, há um fator que se tornou tão decisivo quanto vento e sol: a capacidade de entregar energia. E isso passa diretamente pela transmissão. O Brasil não opera como um conjunto de ilhas elétricas. O Sistema Interligado Nacional depende da capacidade de deslocar energia, em tempo real, das regiões com maior oferta para os centros de carga. É essa infraestrutura que permite que a energia gerada em áreas de alto potencial renovável possa ser aproveitada em outras regiões do país. Essa discussão ganha ainda mais relevância quando observamos a escala que as renováveis já alcançaram no Brasil. Apenas a fonte eólica gerou 107,6 TWh em 2024, o equivalente a 16,7% de toda a geração injetada no Sistema Interligado Nacional, segundo dados da ABEEólica. O Brasil também ocupa a 5ª posição mundial em capacidade instalada acumulada de energia eólica onshore. Ou seja: não estamos mais falando de fontes marginais. Estamos falando de tecnologias que já têm peso sistêmico. Quando a transferência de energia encontra limites, a competitividade da geração renovável também encontra limites. Por isso, a transmissão deixou de ser apenas uma infraestrutura de apoio. Ela passou a ser uma variável estruturante da competitividade renovável. O recurso renovável é importante, mas não é suficiente Durante muito tempo, a análise de projetos renováveis esteve fortemente associada à qualidade do recurso natural. No caso da fonte eólica, velocidade e constância dos ventos. No caso da energia solar, irradiação, disponibilidade de área e produtividade esperada dos sistemas. Essa lógica continua válida. No entanto, ela já não é suficiente. Um projeto pode estar localizado em uma região com excelente recurso solar ou eólico, apresentar custo competitivo e ainda assim enfrentar limitações relevantes se não houver capacidade adequada de conexão e escoamento. Essa é uma mudança importante na forma de avaliar ativos renováveis. O valor de um projeto não depende apenas de quanto ele consegue gerar, mas também de quanto dessa energia consegue ser efetivamente entregue ao sistema e convertida em receita. A competitividade, portanto, deixa de ser apenas uma discussão sobre geração. Ela passa a ser também uma discussão sobre rede. Três razões explicam essa mudança A primeira razão é geográfica. Os melhores recursos solares e eólicos nem sempre estão próximos dos maiores centros de consumo. Essa é uma característica natural da expansão renovável. Muitas vezes, as regiões com maior potencial de geração estão distantes das áreas de maior demanda. Nesse contexto, a transmissão funciona como ponte entre potencial energético e consumo real. Quando a rede não consegue levar essa energia até a carga, parte do valor econômico do ativo se perde, ainda que a geração seja limpa, barata e tecnicamente eficiente. A segunda razão é operacional. Fontes como solar e eólica têm comportamento variável. Elas dependem de condições naturais e podem apresentar momentos de alta produção concentrada em determinados horários ou regiões. Para que essa energia seja plenamente aproveitada, o sistema precisa ter capacidade de absorver, transferir e equilibrar esses fluxos. Esse não é um debate abstrato. Em análise da CCEE sobre o comportamento do PLD em 16 de janeiro de 2026, o horário de vale do PLD no Nordeste foi associado ao aumento de 4,6 GW médios de geração renovável e à redução de 0,8 GW médios da carga, o que levou ao atingimento dos limites de exportação de energia para os demais submercados. Esse exemplo mostra, na prática, que a discussão sobre renováveis não é apenas sobre produzir mais energia limpa. É também sobre a capacidade do sistema de absorver essa produção, transferi-la entre regiões e preservar valor econômico em diferentes horários e submercados. Quando isso não acontece, surgem congestionamentos, restrições de escoamento e cortes de geração. Em outras palavras: o recurso natural está disponível, a usina poderia gerar, mas o sistema não consegue acomodar toda aquela energia naquele momento. Esse ponto é central para a transição energética. Quanto maior a participação de fontes renováveis variáveis, maior a necessidade de flexibilidade, coordenação operacional e expansão adequada da infraestrutura de rede. A terceira razão é comercial. Geração só se transforma em valor econômico quando consegue ser entregue. Sem conexão adequada e capacidade de transmissão, aumentam os riscos de limitação operacional, curtailment cortes de geração provocados por restrições do sistema e perda de receita. Isso afeta diretamente a avaliação de projetos, a percepção de risco de investidores, a estruturação de contratos e a estratégia comercial dos agentes. Um ativo renovável não pode mais ser analisado apenas pela sua capacidade instalada ou pelo seu custo nivelado de energia. É preciso avaliar também sua localização, seu ponto de conexão, seu perfil horário de geração e sua exposição a restrições sistêmicas. O que muda na prática para o mercado? Na prática, essa nova realidade muda a forma como projetos renováveis são planejados, financiados e comercializados. O ponto de conexão e os estudos elétricos deixam de ser detalhes técnicos e passam a ser premissas estratégicas. A análise de rede deixa de entrar apenas no final do desenvolvimento do projeto e passa a fazer parte da decisão inicial de investimento. Também muda a discussão comercial. O risco de entrega, o perfil horário e a localização passam a ter peso maior na precificação da energia. Em um mercado cada vez mais sofisticado, não basta discutir volume médio de geração. É preciso entender quando essa energia será gerada, onde será entregue e qual valor ela terá para o sistema naquele momento. Além disso, soluções como reforços de rede, armazenamento, resposta da demanda e gestão operacional ganham protagonismo. Elas deixam de ser temas paralelos e passam a compor a agenda central da expansão renovável. Nesse contexto, o armazenamento deixa de ser apenas uma tecnologia complementar e passa a atuar como ferramenta de flexibilidade, ajudando a deslocar energia no tempo e a reduzir parte da pressão sobre o sistema em momentos de excesso de geração. A resposta da demanda pode contribuir para aproximar consumo e disponibilidade renovável. Já os reforços de transmissão seguem fundamentais para ampliar a capacidade de escoamento entre regiões. Nenhuma dessas soluções substitui a outra. A transição energética exige uma combinação de infraestrutura, tecnologia, planejamento e sinal econômico adequado. A próxima etapa da transição energética será sistêmica A expansão das renováveis no Brasil é uma das grandes fortalezas da matriz elétrica nacional. O país possui recursos naturais abundantes, experiência acumulada, cadeia produtiva em evolução e um sistema interligado que permite ganhos relevantes de complementaridade. Mas a próxima etapa da expansão renovável será mais complexa: não se trata apenas de adicionar capacidade, mas de integrar valor ao sistema. Isso exige olhar para o sistema como um todo. Geração, transmissão, distribuição, armazenamento, consumo e operação precisam ser pensados de forma coordenada. Caso contrário, o país corre o risco de expandir capacidade renovável sem capturar plenamente seus benefícios. A agenda da transição energética, portanto, não é apenas uma agenda de geração limpa. É também uma agenda de rede, flexibilidade e inteligência operacional. Gerar, entregar e capturar valor A competitividade das renováveis não será definida apenas por quem consegue gerar o MWh mais barato. Será definida por quem consegue gerar, entregar e capturar valor em um sistema elétrico cada vez mais dinâmico. A transmissão virou variável de competitividade porque conecta potencial renovável a valor real. Sem ela, parte da energia limpa e barata pode ficar limitada pelo próprio sistema que deveria aproveitá-la. Renovável não é apenas gerar barato. É gerar e conseguir entregar. Sobre a autoraLaís Víctor é especialista em energias renováveis e diretora executiva de parcerias, com 15 anos de atuação no setor de energia. Sua trajetória reúne experiência em desenvolvimento de negócios, estruturação de alianças estratégicas e atração de investimentos voltados à transição energética, com foco na construção de ecossistemas sustentáveis e na inovação do mercado global de renováveis. A transmissão virou variável de competitividade para as renováveis
- Do lead ao lucro: como a geração inteligente de demanda pode destravar o crescimento no mercado solar
Por Ricardo Honório | EnergyChannel Em um mercado cada vez mais competitivo como o de energia solar, vender bem deixou de ser apenas uma questão de preço ou tecnologia. O verdadeiro diferencial está na eficiência comercial e, principalmente, na capacidade de gerar demanda qualificada. Foi com essa visão que o EnergyChannel conversou com Guilherme Gueiros, especialista em atração de clientes e fundador da Exact Force, que vem ganhando destaque ao propor uma abordagem mais estratégica para integradores do mercado solar em todo o Brasil. Uma trajetória construída dentro do setor solar Com início no setor ainda em 2013, durante a faculdade, Guilherme construiu uma carreira sólida passando por diferentes camadas do mercado — de integrador a multinacional, chegando à gestão comercial e posteriormente à consultoria. Essa vivência multifacetada permitiu uma visão ampla dos gargalos do setor. “Eu vivi o mercado de vários ângulos: operação, indústria e consultoria. Isso me deu clareza sobre onde realmente estão os problemas dos integradores”, explica. Ao longo dos anos, o especialista percebeu um padrão recorrente: empresas tecnicamente competentes, mas com dificuldades estruturais para escalar vendas. O gargalo invisível: falta de tempo para gerar demanda Segundo Guilherme, o maior problema do integrador não está na execução técnica nem na capacidade de vender mas sim na geração de oportunidades qualificadas. “O integrador tem capacidade de fechar projetos de qualquer porte. O problema é o tempo que ele perde com tarefas operacionais e, principalmente, com leads que não têm potencial real de compra.” Esse cenário impacta diretamente o caixa das empresas, criando um ciclo improdutivo onde esforço e resultado não caminham na mesma direção. Movimento “Anticurioso”: foco em eficiência e qualificação A partir dessa dor do mercado, nasceu o chamado Movimento Anticurioso uma iniciativa criada por Guilherme para educar integradores e ajudá-los a otimizar seu tempo e processos comerciais. A proposta é simples, mas poderosa:parar de investir energia em leads sem potencial real de conversão. O movimento oferece: • Conteúdo gratuito e recorrente• Área de membros com materiais estratégicos• Aulas semanais ao vivo• Direcionamento prático para gestão comercial “A ideia é devolver tempo para o integrador. Tempo é o ativo mais valioso dele”, reforça. Filtrar para crescer: o poder da segmentação Um dos pilares da metodologia da Exact Force é a segmentação rigorosa de leads. Na prática, isso significa classificar contatos em diferentes níveis de prioridade e evitar que o time comercial desperdice energia com oportunidades pouco viáveis. Um exemplo claro: • Clientes com contas de energia muito baixas já são automaticamente despriorizados• Leads sem perfil de decisão não entram no funil principal• O foco está em quem realmente pode fechar negócio “Não adianta gerar volume se você não sabe com quem falar. Tempo gasto com o cliente errado é receita perdida.” Venda consultiva: relacionamento ainda é o fator decisivo Mesmo com tecnologia e processos, Guilherme reforça que vendas no setor solar continuam sendo altamente relacionais. Assim como na compra de um carro, o cliente passa por etapas: • Avaliação • Comparação • Discussão interna • Construção de confiança “Venda não é instantânea. Existe um processo. E quem constrói melhor o relacionamento, geralmente fecha.” Caixa: o verdadeiro indicador de sucesso Outro ponto central da entrevista foi a visão empresarial sobre crescimento. Para Guilherme, muitos integradores ainda se perdem em métricas secundárias e esquecem do principal: 👉 o caixa da empresa “Não existe outro placar. Toda decisão precisa passar por uma pergunta: isso melhora meu caixa no curto, médio ou longo prazo?” Essa mentalidade leva a decisões mais estratégicas, como: • Evitar vendas com margem baixa• Reduzir custos improdutivos• Priorizar ações que geram receita real Modelo da Exact Force: foco total em resultado A proposta da Exact Force é assumir uma das etapas mais difíceis do processo comercial: a prospecção ativa. O modelo é direto: 👉 A empresa agenda visitas técnicas qualificadas 👉 O integrador foca em fechar negócios Isso elimina uma das maiores barreiras de crescimento — a construção de um canal de geração de demanda interno, que exige tempo, consistência e investimento. “A prospecção é cansativa, mas extremamente poderosa. O que fazemos é assumir esse processo e entregar oportunidades reais na mão do integrador.” Crescimento sustentável, não acelerado Diferente de muitas empresas que buscam escala rápida, a Exact Force segue um caminho mais controlado. Atualmente com uma base enxuta de clientes, o foco está na qualidade da entrega e nos resultados consistentes. “Não quero crescer rápido. Quero crescer certo. Prefiro poucos clientes com resultados reais do que volume sem impacto.” Conclusão: eficiência é o novo diferencial competitivo A entrevista deixa claro que o mercado solar entrou em uma nova fase. Se antes o crescimento era impulsionado pela expansão natural do setor, agora o diferencial está na gestão: • Processos comerciais estruturados • Geração de demanda qualificada • Uso inteligente do tempo • Foco absoluto em resultado financeiro O integrador que entender essa mudança terá vantagem competitiva clara nos próximos anos. 📢 O EnergyChannel segue acompanhando as transformações do mercado de energia solar no Brasil e no mundo, trazendo insights estratégicos para profissionais e empresas do setor. Do lead ao lucro: como a geração inteligente de demanda pode destravar o crescimento no mercado solar
- Curitiba recebe 7º Fórum de Energia de Resíduos e consolida protagonismo na transição energética brasileira
Por Ricardo Honório – EnergyChannel Curitiba recebe 7º Fórum de Energia de Resíduos e consolida protagonismo na transição energética brasileira Curitiba se prepara para receber um dos principais encontros do calendário nacional da transição energética. Entre os dias 29 e 31 de julho de 2026, a capital paranaense será palco do 7º Fórum de Energia de Resíduos, evento que reunirá especialistas, empresas, investidores e representantes institucionais para discutir oportunidades, desafios e caminhos estratégicos para o setor no Brasil. O encontro acontece no Parque Barigui, no Centro de Eventos Positivo, e promete transformar a cidade em um hub de negócios e inovação voltado à valorização energética de resíduos e ao biogás. Um ecossistema integrado de energia, reciclagem e geração distribuída A edição de 2026 traz um diferencial relevante: o fórum será realizado de forma integrada à Feira ReciclAção e ao 32º Fórum GD Sul/Sudeste, ampliando o escopo do debate e criando um ambiente único de convergência entre três pilares fundamentais da nova economia energética: Energia de resíduos Reciclagem e saneamento ambiental Geração distribuída Essa integração posiciona o evento como uma plataforma real de negócios (matchmaking), capaz de conectar quem está na ponta da inovação com quem financia, regula e implementa projetos em escala. Mais de 30 especialistas e foco em negócios Com mais de 30 palestrantes confirmados, o fórum reunirá alguns dos principais nomes do setor, incluindo executivos, pesquisadores e representantes de entidades estratégicas. A programação será orientada não apenas ao debate técnico, mas também à geração de resultados concretos, com foco em: Captação de investimentos Formação de parcerias estratégicas Estruturação de projetos de biogás e waste-to-energy Modelos de negócios sustentáveis O evento se consolida, assim, como um dos principais instrumentos de promoção de investimentos no segmento. ESG, economia circular e cidades inteligentes no centro da agenda A sinergia com a Feira ReciclAção amplia significativamente a abordagem ESG do encontro. A proposta é conectar o setor elétrico às demandas reais da indústria, do comércio e das cidades, abordando temas como: Economia circular aplicada à energia Eficiência energética em ambientes urbanos Infraestrutura sustentável Gestão inteligente de resíduos Essa convergência reforça uma tendência clara: a transição energética deixou de ser um tema restrito ao setor elétrico e passou a ocupar papel estratégico no desenvolvimento industrial e urbano. Armazenamento, biogás e novas fontes renováveis Outro eixo central da programação será a integração entre diferentes tecnologias e fontes energéticas. O debate incluirá: Soluções de armazenamento de energia Integração do biogás com redes elétricas Novas rotas tecnológicas para valorização de resíduos Hibridização com solar e outras fontes renováveis A proposta é discutir não apenas o presente, mas os caminhos de médio e longo prazo para um sistema energético mais resiliente e descentralizado. Sul e Sudeste lideram transformação energética O evento também destaca o papel estratégico das regiões Sul e Sudeste como motores da transformação energética no Brasil. Com forte presença industrial, capacidade técnica e avanços regulatórios, essas regiões têm sido protagonistas na expansão da geração distribuída e na adoção de soluções inovadoras. A expectativa é que o fórum funcione como um catalisador para acelerar esse movimento, conectando projetos a capital e tecnologia. Serviço Evento: 7º Fórum de Energia de Resíduos Data: 29 a 31 de julho de 2026 Local: Parque Barigui – Centro de Eventos Positivo Cidade: Curitiba Informações: contato@grupofrg.com.br Telefone: (41) 99274-1996 Para mais informações e inscrições, acesse: Site oficial do evento Página do Fórum na ABREN EnergyChannel seguirá acompanhando os desdobramentos do evento e trazendo cobertura especial diretamente de Curitiba, com entrevistas, análises e conteúdos exclusivos sobre o futuro da energia de resíduos no Brasil. Curitiba recebe 7º Fórum de Energia de Resíduos e consolida protagonismo na transição energética brasileira
- Baterias ganham espaço como solução para ampliar autonomia energética no Brasil
Merivaldo Britto defendeu durante evento do setor elétrico o uso de sistemas de armazenamento para reduzir pressão sobre a rede e aumentar segurança no consumo de energia O avanço dos sistemas de armazenamento de energia por baterias deve transformar a forma como consumidores, empresas e indústrias utilizam energia nos próximos anos. O tema foi debatido durante o Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, realizado no UniSenai MT, pelo Sindenergia- MT, em Cuiabá, na quarta-feira (13.05), com participação do fundador da Tudo de Energia Educacional, Merivaldo Britto. O especialista destacou que os chamados sistemas BES (Battery Energy Storage System) tendem a ocupar papel estratégico na busca por maior autonomia energética, estabilidade no fornecimento e redução da dependência da rede convencional. Com experiências em projetos no Brasil e no exterior, Merivaldo Britto afirmou que ainda existe desinformação sobre o funcionamento e o potencial das baterias no setor elétrico, inclusive entre profissionais da área. “Mais do que teoria, precisamos mostrar o que já está acontecendo na prática. Existe muita desinformação sobre autonomia energética e armazenamento de energia”, afirmou. Segundo ele, os sistemas de armazenamento funcionam como reguladores no ponto de consumo, permitindo que a energia gerada, principalmente por sistemas solares, seja utilizada posteriormente conforme a necessidade. “Quando falta energia da concessionária, normalmente também falta a solar. A bateria entra justamente para garantir continuidade no fornecimento”, explicou. O especialista destacou que a tecnologia já é amplamente utilizada em países como China, Estados Unidos e nações europeias, além de ganhar espaço em projetos brasileiros voltados à geração distribuída e habitação. Além da segurança energética, Merivaldo Britto ressaltou que as baterias podem ajudar a reduzir a pressão sobre as redes de transmissão e distribuição, um dos principais desafios do setor elétrico brasileiro diante do crescimento acelerado da geração solar. “Quando você gera e consome energia no mesmo local, com apoio das baterias, você descentraliza o sistema e ganha autonomia”, disse. Na avaliação dele, o avanço dessas soluções representa uma mudança estrutural no mercado energético, ao permitir que consumidores tenham maior controle sobre a própria geração e consumo de energia. Durante o evento, o especialista também compartilhou parte da trajetória profissional iniciada em Mato Grosso, onde começou a atuar como eletricista e eletrotécnico antes de se especializar no setor energético. Ao comentar os desafios enfrentados pela energia solar no país, Merivaldo Britto afirmou que os gargalos atuais não são provocados pela fonte renovável, mas pela necessidade histórica de modernização da infraestrutura elétrica brasileira. “A energia solar não é a vilã. O problema é estrutural e vem de décadas. O setor precisa encontrar equilíbrio para continuar crescendo com segurança”, concluiu. Baterias ganham espaço como solução para ampliar autonomia energética no Brasil
- 🇧🇷 EP18 – Inteligência artificial e sustentabilidade: clima, energia e meio ambiente
Série Especial EnergyChannel | Inteligência Artificial: Tudo o Que Precisamos Saber 🇧🇷 EP18 – Inteligência artificial e sustentabilidade: clima, energia e meio ambiente O que é inteligência artificial e sustentabilidade A inteligência artificial e sustentabilidade representam a aplicação de tecnologias digitais avançadas para enfrentar desafios ambientais, climáticos e energéticos. A IA permite analisar grandes volumes de dados ambientais, identificar padrões e apoiar decisões mais eficientes. Essa combinação torna-se estratégica para governos, empresas e sociedade. Como a inteligência artificial e sustentabilidade se conectam A relação entre inteligência artificial e sustentabilidade baseia-se no uso de algoritmos para monitorar recursos naturais, prever impactos ambientais e otimizar sistemas complexos. A tecnologia atua como uma ferramenta de apoio à gestão sustentável. O objetivo é reduzir desperdícios e ampliar a eficiência dos sistemas. Inteligência artificial e sustentabilidade no combate às mudanças climáticas No contexto climático, a inteligência artificial e sustentabilidade auxiliam na previsão de eventos extremos, modelagem climática e análise de emissões de gases de efeito estufa. Modelos avançados ajudam a antecipar riscos e planejar políticas públicas. A tomada de decisão torna-se mais precisa e baseada em dados. Inteligência artificial e sustentabilidade no setor de energia A inteligência artificial e sustentabilidade têm papel central na transição energética. Algoritmos são usados para integrar fontes renováveis, prever geração solar e eólica, gerenciar redes inteligentes e otimizar o armazenamento de energia. Essas soluções aumentam a confiabilidade e reduzem custos do sistema energético. Inteligência artificial e sustentabilidade na eficiência energética A inteligência artificial e sustentabilidade contribuem para a eficiência energética em edifícios, indústrias e cidades. Sistemas inteligentes ajustam consumo em tempo real, reduzindo desperdícios e emissões de carbono. A eficiência torna-se um ativo estratégico para a descarbonização. Inteligência artificial e sustentabilidade na gestão ambiental Na gestão ambiental, a inteligência artificial e sustentabilidade apoiam o monitoramento de florestas, oceanos e recursos hídricos. Tecnologias de visão computacional e sensores ajudam a identificar desmatamento, poluição e degradação ambiental. A fiscalização torna-se mais ágil e precisa. Riscos da inteligência artificial e sustentabilidade Apesar dos avanços, a inteligência artificial e sustentabilidade envolvem riscos como alto consumo energético de data centers, dependência tecnológica e uso inadequado de dados ambientais. A adoção responsável é essencial para evitar efeitos contrários aos objetivos ambientais. Inteligência artificial e sustentabilidade e políticas públicas A inteligência artificial e sustentabilidade influenciam a formulação de políticas públicas voltadas ao clima e à energia. Governos utilizam dados e modelos preditivos para planejar infraestrutura, adaptação climática e transição energética. A governança tecnológica torna-se um fator crítico. O futuro da inteligência artificial e sustentabilidade O futuro da inteligência artificial e sustentabilidade aponta para sistemas mais integrados, transparentes e eficientes. A tecnologia será decisiva para acelerar a descarbonização e proteger o meio ambiente. A IA pode se tornar uma aliada central na construção de um futuro sustentável. 🇧🇷 EP18 – Inteligência artificial e sustentabilidade: clima, energia e meio ambiente
- Expansão da energia solar exige novos investimentos e planejamento em MT
Diretor da Enersim aponta desafios da sobrecarga no sistema elétrico e defende soluções tecnológicas para garantir segurança energética ao agronegócio e à indústria. A rápida expansão da energia solar em Mato Grosso já começa a impor novos desafios ao sistema elétrico estadual. O alerta foi feito pelo diretor da Enersim, Tiago Viana, durante participação no Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, realizado pelo Sindenergia- MT, entre o dias 12 a 13 de maio, no UniSenai MT, em Cuiabá. Segundo ele, o avanço das fontes renováveis mudou o papel da energia dentro das empresas e do agronegócio, exigindo mais planejamento, investimentos em infraestrutura e adaptação regulatória para garantir estabilidade ao sistema. Viana destacou que eventos do setor têm ganhado importância justamente por aproximarem empresas, fornecedores, investidores e especialistas em um mercado cada vez mais dinâmico e impactado por mudanças regulatórias. “O setor elétrico é extremamente regulado, tanto pela Aneel quanto por decisões do Congresso, e essas mudanças impactam diretamente a viabilidade financeira dos projetos”, afirmou. O executivo explicou que Mato Grosso vive hoje um cenário considerado paradoxal: ao mesmo tempo em que lidera o crescimento da geração solar, enfrenta limitações na capacidade de absorção da energia produzida. Segundo ele, já existem restrições para aprovação de novos projetos de maior porte devido aos gargalos das redes de distribuição e transmissão. “No horário de pico da geração solar, praticamente 100% da energia consumida no estado vem dessa fonte e ainda existe excedente sendo exportado”, destacou. Para Viana, a falta de infraestrutura adequada pode aumentar os riscos de sobrecarga no sistema elétrico caso o crescimento da geração continue em ritmo acelerado sem reforços na rede. Outro ponto abordado foi a mudança de visão do agronegócio em relação à energia. Segundo ele, a geração própria deixou de ser apenas uma forma de reduzir custos e passou a integrar a estratégia financeira das propriedades e empresas. “Depois do payback, a energia gerada passa a representar ganho direto na margem do negócio. Isso torna o produtor mais competitivo”, afirmou. O gestor da Enersim também destacou que Mato Grosso possui uma matriz predominantemente renovável, sustentada pela geração hidrelétrica e pela forte expansão da energia solar nos últimos anos. Entre as tendências debatidas durante sua participação estiveram soluções de armazenamento por baterias, controle inteligente da qualidade da energia e novas tecnologias para gestão do consumo energético. Tiago Viana também apresentou alternativas voltadas ao agronegócio, incluindo soluções envolvendo energia solar, biomassa e biogás, além de estratégias para enfrentar oscilações de tensão e otimizar o uso da energia em períodos críticos. Expansão da energia solar exige novos investimentos e planejamento em MT
- Agro e indústria buscam soluções energéticas para garantir competitividade e segurança no mercado
ENERGIA NO AGRONEGÓCIO Painel destacou armazenamento, diversificação e gestão inteligente como caminhos para o futuro energético no agronegócio O avanço da demanda por energia no agronegócio e na indústria colocou o tema no centro das estratégias de competitividade. Durante o Painel 6, com o tema “Soluções energéticas para o agro e para a indústria”, os painelistas defenderam que eficiência, autonomia e segurança energética seriam determinantes para a permanência das empresas no mercado, no Encontro das Indústrias do Setor Elétrico 2026, realizado nos dias 12 e 13 de maio, no UniSenai. Participaram do debate Dimas Yamanaka, responsável pelos setores comercial e de marketing da Trael Transformadores como moderador do painel; Merivaldo Britto, embaixador da Tudo de Energia; Diego Ferreira e Stevan Gomes, representantes da WEG; e Tiago Arruda, diretor da Enersim. A discussão reuniu representantes do setor e apontou tecnologias como armazenamento por baterias, diversificação da matriz e gestão inteligente do consumo como pilares para enfrentar desafios estruturais históricos. A energia deixou de ser apenas um insumo operacional e passou a ocupar papel estratégico no setor produtivo. Para o moderador do painel, Dimas Yamanaka, essa mudança de visão já vinha sendo construída, mas ganhou ainda mais força diante da complexidade atual do sistema elétrico. Nesse contexto, o tema soluções energéticas para o agro e para a indústria surgiu como resposta direta à necessidade de garantir competitividade em um cenário cada vez mais exigente. “O impacto dessa nova visão é definir quem vai continuar no jogo”, afirmou Yamanaka. Segundo ele, fatores como custo de energia, segurança jurídica, mão de obra e carga tributária são determinantes para a tomada de decisão das empresas. A discussão também evidenciou que não bastava apenas ter acesso à energia. A qualidade e a confiabilidade do fornecimento passaram a ser essenciais para sustentar operações produtivas. Foi justamente nesse ponto que entraram as soluções energéticas para o agro e para a indústria, com destaque para sistemas de armazenamento de energia, como o BES (Battery Energy Storage System). A tecnologia permite armazenar energia para uso em momentos estratégicos, reduzindo custos e garantindo estabilidade. Merivaldo Britto, consultor energético China - Brasil e fundador do Tudo de Energia, destacou que as baterias representam um avanço importante para descentralizar o sistema elétrico e dar mais autonomia ao consumidor. “Você passa a ser gestor da sua própria energia”, resumiu o fundador do Tudo de Energia, as baterias representam um avanço importante para descentralizar o sistema elétrico e dar mais autonomia ao consumidor. “Você passa a ser gestor da sua própria energia”, resumiu. A aplicação dessas soluções foi apontada como viável desde propriedades rurais até grandes indústrias, incluindo setores como mineração, hospitais e comércio. Além de garantir fornecimento contínuo, o armazenamento ajuda a minimizar impactos de falhas na rede e oscilações de energia. Outro ponto central do debate foi a necessidade de equilibrar diferentes fontes de geração. Embora a energia solar tenha avançado significativamente, especialistas alertaram para limitações na capacidade de escoamento e para a intermitência da fonte. Nesse cenário, soluções energéticas para o agro e para a indústria também passaram pela complementaridade entre fontes, como hidrelétrica, biomassa, biogás e sistemas híbridos. “A segurança energética depende desse equilíbrio. Não dá para depender de uma única fonte”, destacou um dos participantes, ao reforçar a importância da geração hidráulica aliada a novas tecnologias de armazenamento. O estado de Mato Grosso foi apontado como um dos protagonistas nesse processo, tanto pelo seu potencial de geração quanto pelo alto consumo energético impulsionado pelo agronegócio e pela indústria. No entanto, desafios estruturais, como a capacidade de transmissão, ainda limitaram o pleno aproveitamento desse potencial. Para os palestrantes, eventos do setor tiveram papel fundamental na construção dessas soluções, ao reunir diferentes agentes e acelerar o debate. Nesse sentido, o Painel 6 reforçou que o futuro passaria por inovação, integração e planejamento. Mais do que tendência, as soluções energéticas para o agro e para a indústria já se consolidaram como uma necessidade concreta para garantir eficiência, reduzir custos e manter a competitividade em um mercado global cada vez mais disputado. Agro e indústria buscam soluções energéticas para garantir competitividade e segurança no mercado











