Índia: Entre o Crescimento Econômico e a Preservação Ambiental
- Renato Zimmermann

- há 6 dias
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A Índia anunciou no fim de 2025 que ultrapassou o Japão e se tornou a quarta maior economia do mundo, com um PIB estimado em US$ 4,18 trilhões.

O governo projeta que, em até três anos, poderá superar a Alemanha e alcançar a terceira posição no ranking global, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirma essa tendência, prevendo que o PIB indiano chegará a US$ 4,51 trilhões em 2026, consolidando a ultrapassagem sobre o Japão.
O país vive um momento incomum de crescimento elevado combinado com inflação baixa. No segundo trimestre do ano fiscal de 2026, o PIB avançou 8,2%, o maior nível em seis trimestres, impulsionado pelo consumo doméstico. Exportações em expansão, reservas internacionais robustas e um déficit em conta corrente reduzido reforçam a narrativa de uma economia resiliente e ambiciosa.
Mas esse cenário de prosperidade contrasta com a postura da Índia na COP30, realizada no Brasil. Durante as negociações, o país manteve firme sua rejeição ao abandono dos combustíveis fósseis, defendendo que sua matriz energética ainda depende fortemente do carvão e que a transição deve ser gradual. As NDCs (Nationally Determined Contributions) compromissos voluntários assumidos pelos países no âmbito do Acordo de Paris para reduzir emissões de gases de efeito estufa foram apresentadas pela Índia com metas de expansão de energias renováveis, mas sem compromissos claros de eliminação do carvão.
O contraste das emissões
Os dados reforçam o paradoxo:
• Índia: 7,57% das emissões globais de CO₂ em 2025; 2,07 toneladas per capita.
• Japão: 2,42% das emissões globais; 7,54 toneladas per capita.
• Alemanha: 1,49% das emissões globais; 7,06 toneladas per capita.
Ou seja, a Índia emite menos por habitante, mas seu peso absoluto nas emissões globais já é muito maior que o de Japão e Alemanha. Isso mostra como o crescimento acelerado do país pressiona o equilíbrio climático mundial.
Paradoxos internos
O regime de governo da Índia é uma democracia parlamentar, marcada por pluralidade política e desafios de governança em um território vasto e diverso. Apesar do crescimento econômico, o país ainda enfrenta problemas graves de fome, miséria e doenças. É também o berço de práticas de saúde natural como a Ayurveda e de religiões que moldaram sociedades inteiras hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo.
É paradoxal que a Índia, com tradições que exaltam a simplicidade e a harmonia com a natureza, esteja tão ansiosa em acelerar um modelo de crescimento baseado no consumo e na produção em larga escala. O aumento do consumo traz consequências éticas e filosóficas: até que ponto é legítimo estimular desejos materiais em uma sociedade que ainda convive com desigualdades profundas?
Reflexão final
A Índia não está sozinha nesse dilema. Todas as nações enfrentam o mesmo desafio: regimes de governo tendem a priorizar riquezas e indicadores econômicos em detrimento da preservação ambiental. O caso indiano, no entanto, é emblemático porque expõe de forma clara a contradição entre tradição e modernidade, espiritualidade e materialismo.
Por Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética
Índia: Entre o Crescimento Econômico e a Preservação Ambiental










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