“É um novo 2013”: Ecori aposta em BESS para abrir uma nova avenida de crescimento no mercado de energia
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Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Cláudio Martins, Diretor de Soluções em Energia da Ecori, apresenta o APstorage de 125 kW e 261 kWh e explica por que armazenamento, serviços especializados e Mercado Livre podem criar uma nova geração de negócios para integradores brasileiros
Por Ricardo Honório | EnergyChannel
Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo
Há pouco mais de uma década, o mercado brasileiro de energia solar começava a descobrir uma oportunidade que mudaria completamente o setor. O integrador ainda precisava explicar ao cliente o que era geração distribuída, demonstrar que a tecnologia funcionava e, principalmente, provar que a conta fechava.
Na Intersolar South America 2026, Cláudio Martins, Diretor de Soluções em Energia da Ecori, acredita que o setor pode estar diante de um momento semelhante.
Desta vez, porém, a tecnologia não é o painel solar.
É a bateria.
“A gente está vivendo hoje um novo 2013”, diz Martins. “Só que com uma diferença: agora as contas estão fechando.”
A comparação ajuda a entender por que o armazenamento de energia ocupou um espaço tão relevante nesta edição da feira. Para Martins, o BESS, Battery Energy Storage System abre uma nova avenida de crescimento justamente porque adiciona ao sistema fotovoltaico algo que a geração, sozinha, não consegue entregar: o poder de escolher quando utilizar a energia.
Durante anos, a proposta do solar foi produzir eletricidade. O armazenamento acrescenta uma nova dimensão. A energia produzida às 11 horas da manhã pode ser utilizada mais tarde. A bateria pode carregar quando existe disponibilidade ou vantagem econômica e descarregar quando aquela eletricidade passa a ter mais valor.
“Antes, o integrador tinha o fotovoltaico, que gera energia. Hoje, o BESS dá ao integrador e ao cliente o poder de escolha de quando usar essa energia”, explica.
É uma mudança aparentemente simples, mas com consequências profundas para o modelo de negócio do setor.
Uma bateria de 261 kWh pensada para simplificar o projeto
No estande da Ecori, Martins apresentou ao EnergyChannel o APstorage, solução que a empresa está posicionando para aplicações comerciais e industriais no Brasil.
O equipamento mostrado na feira entrega 125 kW de potência e 261 kWh de capacidade de armazenamento, segundo o executivo, em uma arquitetura all-in-one.
A proposta é reduzir a complexidade encontrada na implantação de um BESS tradicional.
Em vez de montar diferentes componentes separadamente em campo, boa parte da solução chega integrada.
“Basicamente você precisa descarregar na obra, conectar os cabos e tomar a decisão do momento de carregar e descarregar”, resume Martins.
A unidade possui saída trifásica em 380 V e utiliza refrigeração líquida, característica especialmente relevante para a realidade brasileira. Temperatura é uma variável crítica para baterias: influencia desempenho, degradação e segurança. Em um país com regiões submetidas a temperaturas elevadas durante boa parte do ano, controlar termicamente o sistema deixa de ser detalhe de engenharia.
A Ecori também trabalha com outras configurações, incluindo sistemas com inversores híbridos, entrada fotovoltaica, conexão para geradores e saída de backup. Segundo Martins, o portfólio começa ainda a acompanhar novas químicas de armazenamento, incluindo baterias de sódio e tecnologias voltadas a aplicações específicas, como data centers.
Mas é a unidade de 125 kW e 261 kWh que aparece como uma das principais apostas da empresa para o mercado brasileiro.
O alvo está principalmente entre consumidores do Grupo A, justamente onde análise tarifária, demanda, Mercado Livre de Energia e perfil de consumo podem criar oportunidades econômicas mais claras para o armazenamento.
Segurança deixa de ser detalhe quando a bateria entra na empresa
Quando um BESS deixa o laboratório e passa a ocupar espaço dentro de uma fábrica, comércio ou empreendimento, uma pergunta inevitavelmente aparece: e a segurança?
Martins explica que o risco fundamental de uma bateria está relacionado à própria química das células. Em uma condição crítica, um aumento descontrolado de temperatura pode desencadear uma reação em cadeia — fenômeno conhecido como fuga térmica.
Por isso, a primeira barreira é justamente evitar que a temperatura saia de controle.
No sistema apresentado, a refrigeração líquida trabalha para manter as células dentro das condições adequadas de operação. Mas o projeto não depende apenas dessa primeira proteção.
Segundo Martins, existem diferentes camadas de monitoramento e segurança, incluindo detecção de gases e sistemas de combate a incêndio, com proteção organizada em diferentes níveis da arquitetura — da célula ao pack e ao conjunto completo.
Essa redundância é particularmente importante à medida que baterias passam a ocupar ambientes comerciais e industriais. O crescimento do armazenamento dependerá não apenas de provar que a tecnologia gera economia, mas também de demonstrar que ela pode operar com segurança durante milhares de ciclos.
Começar com uma unidade e crescer depois
Outra característica importante da solução é a modularidade.
Segundo Martins, é possível trabalhar com até dez unidades em paralelo, permitindo que a arquitetura cresça de projetos menores para instalações na escala de megawatts.
Essa possibilidade resolve um problema muito concreto de uma tecnologia que ainda está conquistando confiança.
Nem todo cliente quer começar com um projeto de grande porte.
Uma indústria pode instalar uma primeira unidade, acompanhar o desempenho, verificar a economia real e somente depois decidir pela expansão.
“Por ser uma tecnologia nova, os clientes querem primeiro testar, fazer um projeto piloto, ver se funciona e depois expandir”, afirma Martins.
Essa lógica reduz a barreira de entrada. O primeiro projeto deixa de precisar representar a solução definitiva.
Pode ser apenas o começo.
E, se o resultado aparecer, a infraestrutura cresce junto com a necessidade do cliente.
A grande aposta da Ecori não é apenas vender a bateria
Talvez o ponto mais importante da entrevista apareça quando a conversa deixa o hardware.
Para a Ecori, colocar um BESS no estoque não é suficiente para desenvolver esse mercado.
Armazenamento exige uma camada de serviço muito maior do que aquela com a qual muitos integradores solares estão acostumados.
Antes de vender, é preciso entender a carga.
Analisar tarifas.
Identificar a aplicação.
Dimensionar potência e capacidade.
Calcular quando carregar e descarregar.
Entender o Mercado Livre.
Projetar o retorno.
Depois vêm instalação, configuração, comissionamento e acompanhamento.
É justamente por isso que a Ecori estruturou uma equipe dedicada a armazenamento.
“A gente acredita que o BESS, além do produto, tem que ter uma camada de serviço”, diz Martins.
O objetivo é apoiar o integrador desde a qualificação inicial da oportunidade. A equipe pode ajudar no pré-dimensionamento, participar do desenvolvimento da proposta para o cliente final e oferecer especialistas em áreas como Mercado Livre de Energia.
A Ecori também pretende acompanhar o comissionamento dos projetos.
A ideia, segundo Martins, é simples: permitir que o integrador concentre energia em encontrar oportunidades e vender, enquanto a distribuidora oferece a estrutura técnica necessária para reduzir o risco de um projeto mal dimensionado.
“Queremos que o integrador se preocupe com uma coisa: vender. E a gente vai garantir que seja bem executado e que o cliente final tenha resultado.”
Essa frase talvez seja mais importante para a estratégia da Ecori do que qualquer especificação da bateria apresentada na feira.
BESS cria um negócio diferente do solar tradicional
No fotovoltaico convencional, a lógica comercial se tornou relativamente conhecida ao longo dos últimos anos. Consumo, geração estimada, tamanho da usina, economia e payback formam uma equação que milhares de integradores brasileiros aprenderam a apresentar ao consumidor.
No armazenamento, essa conta ganha novas variáveis.
Não basta saber quantos quilowatts-hora o cliente consome durante o mês.
É preciso saber quando ele consome.
Qual é a sua curva de carga? Em quais horários aparecem os picos? Quanto custa a energia nesses momentos? Existe geração solar disponível? Há necessidade de backup? Quanto custa uma interrupção da operação? O cliente está no Mercado Livre?
É a combinação dessas respostas que determina se a bateria faz sentido — e qual bateria faz sentido.
Por isso, Martins insiste na importância de qualificar corretamente os projetos antes da venda.
O risco de um mercado em expansão é transformar entusiasmo em dimensionamentos inadequados. E um BESS instalado no cliente errado ou configurado para uma aplicação que não produz resultado pode comprometer não apenas aquele projeto, mas a confiança na tecnologia.
A proposta da Ecori é evitar justamente isso.
Mercado Livre pode acelerar essa transformação
Entre as oportunidades observadas pela companhia está a aproximação entre armazenamento e Mercado Livre de Energia.
Consumidores empresariais passaram a ter um ambiente cada vez mais sofisticado para contratação e gestão de energia. Nesse cenário, a bateria acrescenta uma nova ferramenta.
O cliente deixa de controlar apenas de quem compra energia.
Começa a poder controlar quando utiliza parte dela.
Essa combinação pode criar novos modelos de otimização energética, especialmente para consumidores do Grupo A.
Para o integrador, significa também entrar em um mercado diferente daquele do residencial tradicional.
Martins observa que esse consumidor é mais seletivo e exige maior nível de serviço, mas também trabalha com projetos de maior valor agregado. Isso pode permitir margens mais saudáveis para toda a cadeia fabricante, distribuidor e integrador desde que a solução entregue resultado.
A bateria, portanto, não aparece apenas como um novo produto no catálogo.
Ela pode abrir uma nova categoria de clientes.
O integrador ganha uma segunda oportunidade
É aqui que a comparação com 2013 ganha força.
A primeira grande oportunidade do integrador brasileiro foi ajudar consumidores a produzir a própria energia.
Muitos negócios nasceram dessa transformação.
Empresas foram criadas.
Equipes foram formadas.
Milhares de profissionais entraram no setor.
Agora surge uma segunda possibilidade.
Não apenas gerar energia para o cliente, mas gerenciar quando essa energia será utilizada.
O integrador que antes vendia painéis, inversores e estrutura pode começar a vender uma solução que envolve armazenamento, software, estratégia tarifária e gerenciamento energético.
Isso exige mais conhecimento.
Mas também pode criar mais valor.
Análise EnergyChannel | A bateria não vende energia. Ela vende escolha
Essa talvez seja a ideia que melhor resume a conversa com Cláudio Martins na Intersolar 2026.
O painel solar deu ao consumidor o poder de gerar.
A bateria acrescenta o poder de escolher.
Escolher quando guardar.
Quando consumir.
Quando utilizar a rede.
Quando preservar energia para backup.
Quando evitar um horário mais caro.
E essa capacidade de mover eletricidade no tempo muda a natureza econômica do sistema.
É por isso que o armazenamento pode representar uma nova avenida para o integrador brasileiro.
Mas existe uma diferença fundamental em relação ao início da geração distribuída.
Desta vez, não basta colocar o equipamento no telhado ou ao lado do quadro elétrico.
A conta precisa ser desenhada antes da bateria.
Um BESS não cria economia automaticamente. Seu valor depende da aplicação, da tarifa, da curva de carga, da estratégia operacional e do dimensionamento correto.
A indústria que entender isso mais cedo terá uma vantagem importante.
E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro significado da expressão usada por Martins: “um novo 2013, mas agora com as contas fechando.”
Não significa que baterias repetirão automaticamente a trajetória explosiva do fotovoltaico.
Significa que o setor começa novamente a enxergar uma tecnologia capaz de criar uma nova categoria de negócios.
Só que agora o integrador chega mais experiente.
O consumidor também.
E a discussão deixa de ser apenas tecnológica.
Passa a ser econômica.
O APstorage de 125 kW e 261 kWh apresentado pela Ecori é uma peça dessa transformação. A refrigeração líquida, as camadas de segurança e a possibilidade de expansão em paralelo importam.
Mas a história maior está ao redor do equipamento.
Está na equipe que dimensiona.
No especialista que entende o Mercado Livre.
No integrador que identifica a oportunidade.
No software que decide quando carregar.
E, finalmente, no resultado que aparece na conta do cliente.
A primeira revolução solar brasileira ensinou o consumidor a produzir energia.
A próxima pode ensiná-lo a escolher quando usá-la.
E, se essa conta realmente fechar, o BESS deixa de ser uma promessa tecnológica.
Vira negócio.
EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026
Entrevistado: Cláudio Martins
Cargo: Diretor de Soluções em Energia
Empresa: Ecori Energia Solar
Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel
Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil
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“É um novo 2013”: Ecori aposta em BESS para abrir uma nova avenida de crescimento no mercado de energia






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