top of page

Midea Energy chega ao Brasil e aposta em BESS para transformar o mercado de energia

Atualizado: há 10 horas

Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Marcelo Sousa, Gerente Geral para a América Latina da CLOU Midea Energy, apresenta a estratégia energética do grupo Midea e explica como armazenamento, integração fotovoltaica, peak shaving, backup e soluções para grandes projetos começam a desenhar uma nova frente de atuação da companhia no Brasil




Por Ricardo Honório | EnergyChannel

Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo


Para milhões de brasileiros, o nome Midea está associado a aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, micro-ondas e outros equipamentos presentes no cotidiano das casas. Mas, por trás dessa marca conhecida do consumidor, existe um conglomerado industrial muito maior e uma parte desse universo começa agora a aparecer com mais força no mercado brasileiro de energia.


Durante o segundo dia da Intersolar South America 2026, o EnergyChannel foi conhecer essa outra face da companhia. Em entrevista a Ricardo Honório, Marcelo Sousa, Gerente Geral para a América Latina da CLOU Midea Energy, explicou como a estrutura do grupo avança sobre um mercado que pode se tornar uma das grandes novas fronteiras da transição energética brasileira: o armazenamento de energia.


A primeira pergunta surgiu quase naturalmente diante do estande.


A Midea Energy tem relação com a mesma Midea que o consumidor brasileiro já conhece?


“Tem associação. A Midea é um grande conglomerado industrial”, respondeu Sousa.

A resposta abre uma história muito maior do que aquela contada pelos eletrodomésticos. Segundo o executivo, as diferentes divisões operam de maneira independente, mas fazem parte de uma estrutura industrial que atua em diversas áreas tecnológicas. Além dos produtos voltados ao consumidor, o grupo possui negócios ligados à automação e robótica industrial, equipamentos de diagnóstico médico e diferentes soluções de engenharia.


A energia é uma dessas frentes.


E é justamente nesse ponto que uma marca conhecida por refrigerar casas começa a aparecer também em uma indústria que precisa aprender a armazenar eletricidade.


Uma operação nova no Brasil, mas não na América Latina


A chegada do braço de energia ao Brasil é recente. Sousa explica que a estrutura local começou a ser desenvolvida há poucos meses. Na América Latina, entretanto, a história está mais avançada.


Segundo o executivo, a companhia já acumula aproximadamente 1,5 GWh em projetos comercializados na região, distribuídos entre sistemas em operação, construção e comissionamento em mercados como Chile, Argentina e Costa Rica.


É uma diferença importante.


A empresa chega ao Brasil como uma operação local ainda em formação, mas apoiada por projetos, referências e estrutura regional já existentes.


Para um mercado como o de BESS, essa retaguarda ganha peso.

Sistemas de armazenamento representam investimentos significativos e possuem uma vida operacional medida em anos. O cliente não está comprando apenas um equipamento. Está assumindo uma relação de longo prazo com tecnologia, software, manutenção, garantias e suporte.


Por isso, a capacidade financeira e operacional existente por trás do fornecedor começa a entrar na própria análise de risco do projeto.


Sousa acredita que a força da marca pode ajudar justamente nessa etapa.

Boa parte das soluções de energia chega ao consumidor final por meio de distribuidores, instaladores, integradores e EPCistas. O fabricante nem sempre possui estrutura para atender diretamente cada cliente. Nesse modelo, uma marca reconhecida pode facilitar a conversa de quem está na ponta comercializando a solução.


A percepção apareceu já nos primeiros dias da Intersolar.


Segundo Sousa, muitos visitantes se aproximavam com a mesma dúvida: “Midea é a Midea?”

Quando descobriam que sim, a conversa mudava.

Não porque reconhecimento de marca substitua engenharia ou desempenho, mas porque reduz uma das barreiras mais difíceis de superar em um mercado novo: confiança. E uma marca que está presente a 20 anos no país, com investimentos em fábricas e estrutura, já demonstrou que enxerga o país de forma séria.


O armazenamento é o centro da estratégia


Dentro do portfólio de soluções de energia apresentado por Sousa, o armazenamento ocupa a posição principal.


No Brasil, a estratégia está concentrada especialmente em soluções comerciais e industriais o chamado mercado C&I e em sistemas de maior porte destinados a grandes consumidores e projetos de geração centralizada.


A lógica é começar onde a necessidade econômica da bateria tende a ser mais evidente.

Empresas.

Indústrias.

Agronegócio.

Grandes consumidores.


E, em outra escala, projetos de infraestrutura e grandes sistemas conectados ao setor elétrico.


É um mercado que começa a crescer justamente porque a bateria está deixando de ser vista apenas como uma forma de backup.


Ela começa a participar da estratégia energética do cliente.


E algumas das soluções apresentadas pela companhia na Intersolar mostram como essa integração pode mudar o desenho tradicional dos projetos.


Quando o painel solar pode conversar diretamente com o BESS


Uma das tecnologias destacadas por Sousa durante a entrevista é um sistema que permite conectar os módulos fotovoltaicos diretamente à solução de armazenamento, sem a necessidade de instalar um inversor solar convencional separado.


Na arquitetura tradicional, um projeto que combina fotovoltaico e bateria pode exigir diferentes equipamentos e etapas de conversão.


A proposta apresentada pela empresa procura simplificar esse caminho.


Os cabos provenientes dos módulos solares chegam diretamente ao sistema, que passa a administrar a geração e o armazenamento dentro de uma arquitetura integrada.

Essa solução pode ganhar relevância especialmente em projetos nos quais existem limitações para injeção de energia na rede.


A expansão da geração distribuída brasileira criou situações em que determinados projetos encontram restrições de conexão ou precisam operar com controle de exportação.

É aí que aparece o conceito de zero grid ou zero exportação.


Em vez de enviar excedentes para a rede, o sistema pode administrar internamente a energia produzida, direcionando parte dela ao consumo e parte ao armazenamento.

Para Sousa, essa arquitetura tem chamado atenção justamente porque elimina a necessidade de instalar dois sistemas completamente separados para executar a mesma estratégia.


O BESS deixa de ser apenas uma bateria conectada ao projeto.

Passa a funcionar como um centro de gerenciamento daquela energia.


Peak shaving, backup e horário de ponta aparecem como portas de entrada


Mas qual aplicação pode realmente fazer o consumidor brasileiro olhar para uma bateria e dizer: “isso resolve um problema meu”?


Sousa aponta duas respostas que aparecem com frequência nas consultas recebidas pela empresa: peak shaving e backup. Mas, o Brasil também tem demandado soluções de entregar energia com baterias no horário de ponta e para redução do consumo de diesel em alguns mercados, como o agronegócio.


Peak shaving significa utilizar armazenamento para reduzir os picos de demanda de uma instalação.


Uma indústria, por exemplo, pode apresentar determinados períodos do dia em que várias cargas operam simultaneamente e a demanda elétrica sobe rapidamente. Dependendo da estrutura tarifária e contratual, esses picos podem representar custos relevantes.

A bateria pode entrar justamente nesses momentos.

Em vez de toda a potência necessária vir da rede, parte dela é fornecida pelo BESS.


O pico diminui.


A demanda sobre a rede também.


E, quando o projeto é corretamente dimensionado, essa redução pode gerar benefício econômico.


O backup atende outra necessidade igualmente concreta: continuidade.

Para determinadas operações, ficar sem energia por alguns minutos ou algumas horas pode significar perda de produção, interrupção de processos, problemas de segurança ou prejuízos muito superiores ao custo da própria eletricidade.


Nesses casos, o valor da bateria não está apenas no quilowatt-hora armazenado.

Está no que ela evita que pare.


Do gabinete ao contêiner: a instalação também precisa ganhar escala


Outro desafio aparece quando os projetos começam a crescer.

Para aplicações menores, gabinetes de armazenamento podem funcionar perfeitamente. Mas conforme a capacidade necessária aumenta, chega um momento em que instalar sete, oito, nove ou dez gabinetes em paralelo começa a aumentar a complexidade da obra.

Mais equipamentos significam mais conexões.

Mais cabeamento.

Mais integração.

Mais logística.

E mais possibilidades de erro.


A estratégia apresentada por Sousa é mudar de arquitetura antes que o projeto se torne desnecessariamente complexo.


Uma das soluções citadas durante a entrevista é o Aqua Mini, um sistema compacto em formato de contêiner de aproximadamente 10 pés que pode substituir vários gabinetes instalados em paralelo.


Em vez de integrar diversas unidades individualmente na obra, chega um conjunto mais consolidado.

A instalação fica mais simples.

A logística melhora.

O tempo de implantação pode diminuir.

E existem menos interfaces para integrar em campo.

Segundo Sousa, esse tipo de solução começa a despertar interesse especialmente em aplicações no agronegócio e em determinadas indústrias.

A companhia também trabalha com contêineres intermediários, incluindo configurações de aproximadamente 13 e 14 pés com inversores integrados, além das grandes soluções de armazenamento destinadas a projetos de maior escala.

É uma abordagem que tenta preencher o espaço existente entre o gabinete C&I e os enormes contêineres utilizados em projetos utility-scale.

Nem todo cliente precisa de alguns poucos quilowatts-hora.

Mas também nem todo projeto precisa começar na escala dos grandes parques de armazenamento.

Existe um mercado inteiro entre esses dois extremos.


A estratégia vai além das baterias

Embora o BESS seja o protagonista da operação apresentada na feira, Sousa chama atenção para outra característica do grupo: a possibilidade de atuar em diferentes camadas da infraestrutura elétrica.

Além de armazenamento, a estrutura industrial possui uma divisão de power distribution, com equipamentos associados à distribuição de energia e transformadores para aplicações de média tensão e maiores potências.


No Brasil, essa frente ainda não representa o principal esforço comercial da operação, mas mostra o tamanho do ecossistema disponível.

Existe também uma área dedicada a tecnologias inteligentes, incluindo medição e monitoramento para edifícios, redes e cidades inteligentes.

Isso aproxima o grupo de outra transformação importante do setor elétrico.

A energia do futuro não será apenas gerada e armazenada.

Ela precisará ser medida, monitorada e controlada.

Baterias, medidores inteligentes, sistemas de gerenciamento e infraestrutura elétrica começam a fazer parte de uma mesma arquitetura.

É nesse ponto que o conceito de smart grids deixa de ser uma expressão distante e começa a aparecer dentro de projetos reais.


O Brasil está chegando ao momento em que a bateria precisa resolver problemas reais


A entrada de grandes grupos industriais no armazenamento acontece em um momento decisivo.


O mercado brasileiro já compreendeu o valor da energia solar. O desafio das baterias será diferente.


O consumidor não precisa ser convencido de que armazenar energia é tecnologicamente possível.

Ele precisa entender por que deveria pagar por isso.

Peak shaving é uma resposta.

Backup é outra.

Zero exportação pode ser outra.

Energia no horário de ponta e redução do consumo de diesel são outras.

Integração com solar, gestão de demanda e continuidade operacional ampliam esse conjunto.

Quanto mais essas aplicações apresentarem retorno econômico mensurável, menos o BESS será tratado como uma tecnologia futurista.

E mais será analisado como qualquer outro investimento empresarial.

É justamente essa transição que Sousa observa no contato com clientes brasileiros.

À medida que as soluções são apresentadas, empresas começam a identificar qual arquitetura responde melhor ao seu problema.

No agronegócio, pode existir uma necessidade.

Na indústria, outra.

Em um projeto com restrição de injeção na rede, uma terceira.

O armazenamento deixa de procurar um único mercado.

Começa a encontrar vários.


Análise EnergyChannel | A bateria está entrando na era industrial


A presença da Midea no armazenamento carrega um simbolismo interessante.

Durante muito tempo, o mercado de baterias esteve associado principalmente a fabricantes especializados, empresas de tecnologia e novos participantes da transição energética.


Quando um conglomerado industrial dessa dimensão direciona estrutura, capital e engenharia para esse segmento, a mensagem é diferente.


O armazenamento começa a entrar em uma fase de industrialização em grande escala.

E isso pode mudar a competição.


O mercado não será disputado apenas por quem conseguir oferecer mais capacidade dentro de um gabinete.


Confiabilidade financeira, cadeia de suprimentos, engenharia, integração, suporte e capacidade de permanecer no mercado durante décadas passarão a pesar cada vez mais.


Porque um BESS não é um produto que o cliente pretende trocar no próximo ano.

É infraestrutura.


Ao mesmo tempo, a entrevista com Marcelo Sousa revela outra tendência importante: a bateria está deixando de ser um equipamento isolado.


Quando o fotovoltaico entra diretamente no sistema, quando o inversor passa a estar integrado ao contêiner e quando medição e monitoramento começam a conversar com armazenamento, a fronteira entre os equipamentos desaparece.


O cliente deixa de comprar peças.


Passa a comprar uma arquitetura energética.

Essa talvez seja a transformação mais relevante.

Na primeira fase da transição energética, o objetivo era produzir eletricidade renovável.

Depois surgiu a necessidade de armazená-la.

Agora começa uma terceira etapa: fazer geração, armazenamento, distribuição e inteligência funcionarem como um único sistema.

É nesse cenário que a Midea Energy desembarca no Brasil.

Com uma vantagem incomum: apesar de sua operação local ser nova, o nome estampado no estande já faz parte da vida de milhões de consumidores.

Mas reconhecimento abre apenas a primeira porta.


Para vencer no armazenamento, será necessário provar no campo aquilo que qualquer grande projeto energético exige: desempenho, segurança, disponibilidade e retorno.

Se conseguir fazer isso, a pergunta ouvida por Sousa durante a Intersolar “Midea é a Midea?” pode ganhar uma resposta cada vez mais ampla.

Sim.


É a empresa que muitos conhecem pelo ar-condicionado e pelos eletrodomésticos.

Mas, no novo mapa da transição energética, ela quer ser conhecida também por algo que o consumidor quase nunca vê:

a infraestrutura que decide como a energia será armazenada, distribuída e utilizada.


EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026

Entrevistado: Marcelo Sousa

Cargo: Gerente Geral para a América Latina

Empresa: CLOU ESS / Midea Energy

Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel

Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil


EnergyChannel

We Tell the Stories Driving the Energy Transition.


Midea Energy chega ao Brasil e aposta em BESS para transformar o mercado de energia

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
SMA-202601_04-banners_cybersecurity_side-banner_V1.gif
Banner - Vertical.png
576769_6f725a46b5c342e5a77960cc418bb5bc~mv2.gif
Tempo-OK_Banner_Lateral-PNG.png
ChatGPT Image 23 de jul. de 2026, 17_43_15.png
EnergyChannel
2026 The EnergyChannel Group.

EnergyChannel — Informação que move o mundo

Bem-vindo ao The EnergyChannel, sua fonte de notícias confiáveis e análises que esclarecem os temas que moldam o mundo. Trazemos manchetes de última hora, reportagens aprofundadas e opiniões que realmente importam para você. Nos guiamos por ética e independência.

Nosso compromisso é informar com rigor e respeito ao leitor.

Não queremos ser os maiores pelo barulho.
Queremos ser grandes pela confiança.


Categorias:
 
EnergyChannel Global​

 

Central de Relacionamento

Telefone e WhatsApp
+55 (11) 95064-9016
 
E-mail
info@energychannel.co
 
Onde estamos
Av. Francisco Matarazzo, 229 - conjunto 12 Primeiro Andar - Bairro - Água Branca | Edifício Condomínio Perdizes Business Center - São Paulo - SP, 05001-000

QuiloWattdoBem
Certificações
Empresa associada ao QuiloWattdoBem

​​​

EnergyChannel Group - Um canal informativo, factual, plural, sem militância declarada, Um canal de notícias moderno,

multiplataforma, com foco em economia real, tecnologia, energia, ciência e o cotidiano das pessoas.

“O EnergyChannel é um grupo de mídia em expansão, com operação consolidada no Brasil,

hub editorial global em inglês e presença de marca em mercados estratégicos.”

Av. Francisco Matarazzo, 229 - conjunto 12 Primeiro Andar - Bairro - Água Branca | Edifício Condomínio Perdizes Business Center

São Paulo - SP, 05001-000

bottom of page