Do micro ao macro: Ecori amplia portfólio, aposta em BESS e entra em uma nova fase do mercado solar
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- há 3 dias
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Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Marcelo von Gal, sócio da Ecori Energia Solar, explica por que a distribuidora decidiu ampliar seu portfólio, como o armazenamento começa a ganhar espaço em projetos comerciais e industriais e por que a próxima etapa do setor será marcada por soluções cada vez mais específicas para cada cliente
Por Ricardo Honório | EnergyChannel
Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo
Durante boa parte da expansão solar brasileira, muitos distribuidores construíram sua identidade a partir de uma especialização clara.
Poucas marcas.
Poucas tecnologias.
Um portfólio enxuto.
Uma proposta fácil de entender.
Funcionou.
Mas o mercado mudou.
O integrador que antes chegava procurando apenas módulos, microinversores ou um sistema residencial começou a pedir soluções diferentes.
Projetos maiores.
Aplicações comerciais.
Financiamento.
Armazenamento.
Backup.
Peak shaving.
Sistemas híbridos.
E foi justamente essa mudança de comportamento que levou a Ecori Energia Solar a rever uma estratégia construída ao longo de anos.
Na Intersolar South America 2026, Marcelo von Gal, sócio da Ecori, resumiu a nova fase da empresa em uma expressão:
“do micro ao macro”.
Mais do que um slogan de feira, a frase traduz uma transformação importante.
A Ecori quer continuar presente onde construiu sua reputação — especialmente no universo da geração distribuída — mas pretende ampliar sua atuação para projetos de maior porte e para uma das tecnologias que mais cresce dentro da transição energética:
o armazenamento de energia.
Quando o cardápio pequeno deixa de ser suficiente
Ricardo Honório começa a entrevista com uma pergunta direta:
por que ampliar o portfólio?
Marcelo responde com uma comparação simples.
Durante anos, a Ecori operou com um “cardápio” relativamente concentrado.
A empresa começou fortemente associada às soluções da APsystems, relação que permanece central na estratégia da companhia.
Mas os clientes começaram a pedir mais.
“A gente tinha um portfólio muito restrito. Começamos a Ecori basicamente com APsystems e o mercado pede.”
A analogia usada na conversa funciona bem.
Imagine um restaurante famoso por poucos pratos.
Enquanto aqueles pratos atendem perfeitamente à demanda, não existe razão para alterar o menu.
Mas chega um momento em que o cliente pergunta:
“Você não tem outra opção?”
Foi esse movimento que, segundo Marcelo, começou a aparecer entre os integradores.
O mercado solar ficou mais complexo
Essa mudança também ajuda a explicar a transformação da própria indústria fotovoltaica brasileira.
O primeiro ciclo de expansão foi fortemente orientado por uma necessidade:
reduzir a conta de energia.
O integrador vendia geração.
O cliente comprava painéis.
A economia vinha da produção de eletricidade.
Hoje, porém, diferentes clientes possuem problemas diferentes.
Um pequeno consumidor quer economizar.
Outro quer backup.
Uma indústria quer reduzir demanda no horário de ponta.
Uma empresa pode precisar de financiamento com equipamento nacional.
Outra procura armazenamento.
Outra quer preparar o sistema para uma futura expansão.
Isso significa que a solução ideal já não pode ser única.
E é nesse contexto que nasce o novo posicionamento da Ecori.
“Do micro ao macro”
Marcelo apresenta na Intersolar o novo conceito da companhia.
“A gente até usou um slogan novo, que é ‘do micro ao macro’.”
O “micro” preserva a ligação histórica da Ecori com tecnologias de geração distribuída e microinversores.
O “macro” representa a expansão.
Grandes inversores.
Aplicações comerciais e industriais.
Soluções de armazenamento.
Projetos que exigem uma camada de engenharia e análise econômica muito maior.
A empresa passa, portanto, a tentar acompanhar o integrador em diferentes escalas.
Em vez de vender apenas um determinado tipo de tecnologia, procura oferecer a ferramenta adequada ao projeto.
A grande estrela da feira: BESS
Entre as novidades levadas pela Ecori à Intersolar 2026, Marcelo não hesita ao indicar o principal destaque:
armazenamento de energia.
“A grande estrela da feira, vamos dizer assim, é o BESS da APsystems.”
A mudança é simbólica.
A APsystems é conhecida globalmente por sua presença em eletrônica de potência e soluções de geração distribuída, mas também vem ampliando sua linha de armazenamento. A própria empresa divulga atualmente diferentes arquiteturas APstorage para aplicações residenciais e comerciais, enquanto a Ecori aparece como distribuidora dessas soluções no Brasil. (LinkedIn)
Isso significa que uma relação comercial historicamente associada ao microinversor começa a entrar em outro território.
Baterias.
E desta vez o produto já está no Brasil
Existe um detalhe comercial importante na entrevista.
O produto apresentado não está apenas em catálogo.
Segundo Marcelo, equipamentos já estavam fisicamente no centro de distribuição da Ecori em Mirassol, no interior paulista, durante a feira.
“Está em casa. É pedir e chegar.”
Essa disponibilidade muda bastante a dinâmica para o integrador.
Em tecnologias novas, um dos principais obstáculos costuma ser o prazo.
Importação.
Embarque.
Desembaraço.
Estoque.
Entrega.
Quando existe produto nacionalizado e disponível localmente, o projeto pode avançar mais rapidamente.
E, segundo Marcelo, isso já começou.
“Já tem pedido, já tem instalado, tem pedido saindo, pedido entrando.”
Mas onde a bateria já fecha a conta hoje?
Essa é talvez a pergunta mais importante para o mercado.
Porque BESS pode ser tecnicamente impressionante.
Mas investimento precisa entregar retorno.
Marcelo aponta uma aplicação específica onde enxerga uma oportunidade especialmente clara:
peak shaving associado à diferença tarifária entre horários de ponta e fora de ponta.
Em determinados consumidores comerciais ou industriais, a energia pode custar muito mais em determinadas horas.
A lógica do armazenamento é simples.
A bateria carrega quando a energia é mais barata.
Depois entrega energia durante períodos mais caros.
O consumidor reduz a quantidade de eletricidade comprada da rede justamente no momento de maior custo.
A bateria começa a virar instrumento financeiro
Esse é um ponto essencial.
Durante muito tempo, armazenamento foi apresentado principalmente como segurança.
A rede caiu?
A bateria mantém cargas críticas.
Mas aplicações comerciais começam a mudar essa narrativa.
Agora a pergunta pode ser:
quanto dinheiro a bateria consegue economizar por mês?
Marcelo afirma que, em determinados perfis tarifários, os projetos avaliados pela Ecori podem apresentar retornos bastante curtos.
Na entrevista, ele cita cenários de dois a três anos de payback.
É importante tratar essa estimativa exatamente como ela é: um exemplo comercial citado por Marcelo, condicionado ao perfil específico de consumo, tarifas, dimensionamento, custo do sistema e estratégia de operação.
Não existe um payback universal para BESS.
Mas a ideia central é poderosa.
Quando uma bateria consegue produzir economia mensurável todos os meses, ela deixa de ser apenas um equipamento de contingência.
Passa a ser um ativo econômico.
Peak shaving: usar a bateria quando a eletricidade fica cara
Imagine uma indústria com um grande consumo no horário de ponta.
Sem armazenamento, toda aquela demanda precisa vir da rede.
Com uma bateria corretamente dimensionada, parte dessa potência pode ser fornecida pelo próprio sistema de armazenamento.
A curva muda.
O pico diminui.
E junto com ele pode cair parte do custo de energia.
Essa é a essência do peak shaving.
Em determinadas estruturas tarifárias, também é possível aproveitar diferenças entre períodos de maior e menor custo de energia.
A bateria passa a ser carregada estrategicamente.
Não porque acabou a luz.
Mas porque a matemática recomenda carregar naquele momento.
O próximo integrador terá que saber fazer conta
A fala de Marcelo durante a entrevista é provocativa:
“É um projeto que o cara só não fecha se não souber fazer conta.”
A frase é informal, mas esconde uma transformação séria.
O armazenamento exige que o integrador desenvolva uma competência que vai além da instalação elétrica.
Ele precisa entender:
perfil de carga;
curva de consumo;
tarifas;
demanda;
horários;
potência;
capacidade energética;
ciclos;
degradação;
investimento;
economia;
payback.
Em solar fotovoltaica convencional, muitas análises podiam ser resumidas em geração anual e economia esperada.
No BESS, o valor depende muito mais de quando a energia é consumida e de como o sistema será operado.
Por isso a Ecori montou uma equipe dedicada
Marcelo reconhece essa complexidade.
“O atendimento para BESS é uma coisa muito específica.”
A empresa, segundo ele, estruturou um time especializado justamente para trabalhar essa etapa.
Durante a conversa, cita profissionais como Cláudio, Murilo, Dani Paião e Diego.
Não é apenas uma mudança organizacional.
É reflexo de uma tendência que deve se espalhar pelo mercado.
Distribuidores que antes concentravam seus esforços em logística e disponibilidade de produtos passam a precisar também de:
pré-venda técnica;
engenharia de aplicação;
dimensionamento;
simulação financeira;
suporte comercial;
pós-venda.
O produto se torna mais complexo.
Consequentemente, a venda também.
BESS não se vende como módulo solar
Um módulo possui uma especificação relativamente direta.
Potência.
Eficiência.
Dimensões.
Garantia.
O BESS não.
Dois clientes podem comprar exatamente a mesma bateria e obter resultados econômicos completamente diferentes.
Por quê?
Porque a bateria responde ao comportamento da carga.
Uma indústria que trabalha 24 horas possui uma curva.
Um supermercado tem outra.
Um hotel tem outra.
Uma fábrica com elevada demanda no horário de ponta possui outra.
Portanto, vender armazenamento começa com uma pergunta:
como esse cliente usa energia?
A Ecori tenta deixar de vender apenas equipamentos e passar a vender aplicações
Essa mudança talvez seja mais importante que o próprio aumento de catálogo.
Ao ampliar o portfólio, a empresa começa a se aproximar de um modelo no qual cada projeto pode receber uma arquitetura diferente.
Residencial?
Uma solução.
Comercial?
Outra.
Indústria com demanda elevada?
Outra.
Backup?
Outra.
Peak shaving?
Outra.
O slogan “do micro ao macro” ganha então um segundo significado.
Não é apenas potência.
É amplitude de aplicações.
Uma parceria histórica também entra em nova fase
A relação entre Ecori e APsystems atravessa boa parte da trajetória da empresa.
Agora essa parceria se estende ao armazenamento.
O portfólio divulgado pela APsystems Brasil inclui soluções APstorage para diferentes configurações elétricas, entre elas versões monofásicas, bifásicas e trifásicas, reforçando justamente essa tentativa de ampliar as aplicações de armazenamento no mercado brasileiro. (LinkedIn)
A expansão também acontece em outras frentes.
Publicações recentes vinculadas a Marcelo mostram a Ecori incorporando ao catálogo inversores produzidos no Brasil com código FINAME, sinal de uma estratégia de diversificação mais ampla do portfólio. (LinkedIn)
Essa informação ajuda a entender que “do micro ao macro” não é apenas uma campanha criada para a feira.
Existe uma mudança real de catálogo acontecendo por trás dela.
Disponibilidade pode ser tão importante quanto tecnologia
Outro detalhe da conversa merece atenção.
Quando Marcelo enfatiza que os equipamentos estão no centro de distribuição, ele toca em uma variável frequentemente subestimada no setor energético:
tempo.
Um integrador pode ter o projeto.
Pode ter o cliente.
Pode ter financiamento.
Pode ter engenharia.
Mas, se o equipamento demora três ou quatro meses para chegar, toda a operação fica parada.
Em mercados competitivos, estoque vira vantagem.
No armazenamento, onde muitos equipamentos ainda dependem de cadeias internacionais complexas, essa vantagem pode ser ainda maior.
De distribuidor a plataforma de soluções
Historicamente, a palavra “distribuidor” remetia principalmente a estoque.
Compra grande.
Importação.
Venda para integrador.
Entrega.
Mas a complexidade tecnológica está transformando essa função.
O distribuidor moderno precisa agregar:
logística;
crédito;
engenharia;
treinamento;
garantia;
suporte;
dimensionamento;
compatibilidade;
pós-venda.
E agora, com BESS, pode precisar ajudar até na análise econômica do projeto.
É uma mudança importante.
O valor deixa de estar apenas na caixa entregue.
Passa a estar no conhecimento necessário para fazer a caixa gerar resultado.
2027: Marcelo aposta na resiliência do solar
Na parte final da entrevista, Ricardo pergunta o que esperar de 2027.
Marcelo demonstra cautela em relação ao ambiente político e regulatório, mas mantém uma leitura otimista sobre o fundamento do mercado.
A razão é simples:
o recurso existe.
“Temos muito sol aqui no Brasil inteiro.”
Sua avaliação é de que a energia solar continuará demonstrando resiliência.
Políticas podem mudar.
Regras podem mudar.
Ciclos econômicos podem desacelerar.
Mas a combinação entre recurso solar, necessidade de redução de custos e evolução tecnológica permanece.
A questão não é mais se o solar continuará. É de que forma continuará
Essa talvez seja a leitura mais interessante para 2027.
O crescimento pode não acontecer exatamente com os mesmos produtos que impulsionaram 2020, 2021 ou 2022.
O mercado amadurece.
E mercados maduros se fragmentam.
O residencial continuará existindo.
Mas haverá armazenamento.
Hibridização.
C&I.
Projetos financiados.
Gerenciamento energético.
Backup.
Peak shaving.
Modernização de sistemas existentes.
O crescimento passa a acontecer em várias frentes simultaneamente.
É justamente esse cenário que explica a decisão da Ecori.
Análise EnergyChannel | O setor solar está deixando de vender watts e começando a vender soluções
Durante a primeira década da expansão fotovoltaica brasileira, o jogo era relativamente simples.
Mais watts.
Mais módulos.
Mais telhados.
Mais usinas.
Mais gigawatts.
O mercado cresceu vendendo geração.
Mas chega um momento em que o cliente deixa de perguntar apenas:
“Quanto esse sistema gera?”
E começa a perguntar:
Quanto eu economizo no horário de ponta?
Quanto tempo consigo operar sem a rede?
Posso armazenar excedente?
Consigo reduzir minha demanda?
Qual é o meu payback?
Qual equipamento se encaixa no meu perfil?
Consigo financiar?
Existe estoque?
Quem fará a engenharia?
Quem vai me atender depois?
Essas perguntas criam outro mercado.
E talvez seja justamente aí que a estratégia “do micro ao macro” faça mais sentido.
A Ecori não está apenas aumentando o número de produtos no catálogo.
Está tentando acompanhar a fragmentação das necessidades energéticas do consumidor.
BESS pode ser o produto que muda a conversa
Existe uma razão para Marcelo chamar o armazenamento de estrela da feira.
Painéis reduzem o preço da energia produzida.
Baterias adicionam algo diferente:
tempo.
Elas permitem decidir quando utilizar aquela energia.
E o tempo possui valor econômico.
Uma quilowatt-hora às 3 da manhã não necessariamente vale o mesmo que uma quilowatt-hora no horário de maior demanda.
Quando o sistema consegue deslocar energia entre esses momentos, surge uma nova camada de valor.
É por isso que BESS pode mudar profundamente o modelo de negócio dos integradores.
Eles deixam de vender apenas geração.
Passam a vender:
geração + armazenamento + inteligência financeira.
O integrador da próxima década provavelmente será menos instalador e mais consultor energético
Essa transformação também muda a profissão.
O instalador continuará sendo fundamental.
Mas o integrador que dominar armazenamento precisará entender muito mais do cliente.
Talvez tenha que analisar meses de faturas.
Curvas de carga.
Contratos tarifários.
Perfil operacional.
Picos de demanda.
Horas de funcionamento.
Risco de interrupção.
E somente depois escolher o equipamento.
Isso aproxima o setor solar de uma indústria de gestão energética.
Do micro ao macro e do produto para o problema
Talvez seja possível resumir toda a estratégia apresentada por Marcelo em outra frase.
No passado, o cliente escolhia um produto.
No futuro, o integrador terá primeiro que identificar um problema.
Conta alta?
Solar.
Pico tarifário?
BESS.
Queda de energia?
Backup.
Crescimento futuro?
Sistema modular.
Financiamento específico?
Equipamento compatível.
Projeto residencial?
Uma arquitetura.
Projeto industrial?
Outra.
O catálogo deixa de ser o começo da conversa.
O problema energético do cliente passa a ser o começo.
A segunda fase do solar brasileiro pode ser menos sobre instalar mais e mais sobre fazer melhor
O Brasil ainda possui enorme espaço para novos sistemas fotovoltaicos.
Mas o amadurecimento do setor começa a trazer uma segunda oportunidade igualmente interessante:
extrair mais valor da infraestrutura energética.
Painéis continuam importantes.
Microinversores continuam importantes.
Grandes inversores continuam importantes.
Mas baterias acrescentam uma peça que estava faltando.
Capacidade de escolha.
Guardar.
Mover.
Administrar.
Responder.
Essa pode ser uma das grandes transformações dos próximos anos.
A primeira revolução solar colocou geração nas mãos do consumidor.
A segunda poderá colocar controle.
E é por isso que a imagem da Ecori na Intersolar 2026 representa algo maior que um novo catálogo.
Uma empresa que nasceu trabalhando com um portfólio concentrado agora olha para um mercado no qual nenhuma única tecnologia consegue responder a todos os problemas.
Daí o novo lema:
do micro ao macro.
Porque o mercado solar brasileiro também está fazendo exatamente esse movimento.
Está saindo de uma única solução.
E entrando em uma era de múltiplas respostas para múltiplos desafios energéticos.
EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026
Entrevistado: Marcelo von Gal
Empresa: Ecori Energia Solar
Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel
Evento: Intersolar South America 2026
Local: São Paulo, Brasil
EnergyChannel
We Tell the Stories Driving the Energy Transition.
Do micro ao macro: Ecori amplia portfólio, aposta em BESS e entra em uma nova fase do mercado solar






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