Do café off-grid à casa inteligente: TSUNESS leva armazenamento à arquitetura dos microinversores
- EnergyChannel Brasil

- há 2 dias
- 7 min de leitura
Na Intersolar South America 2026, fabricante demonstra microinversor híbrido de 2 kW alimentando uma cafeteira de 1.250 W e apresenta ao EnergyChannel uma estratégia que combina bateria, solar, backup e gerenciamento inteligente de energia em uma solução modular
Por Ricardo Honório | EnergyChannel
Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo
Em uma feira onde quilowatts, baterias, inversores e sistemas cada vez mais sofisticados disputam a atenção de milhares de profissionais, a TSUNESS escolheu uma maneira bastante simples e brasileira de explicar o que pretende fazer com sua nova geração de tecnologia híbrida.
Preparou um café.
Não havia truque.
A cafeteira, com potência de aproximadamente 1.250 watts, estava conectada à saída off-grid de um microinversor híbrido da companhia. Ao lado, um banco de baterias armazenava a energia necessária para manter o sistema funcionando independentemente da rede elétrica.
O café saiu quente.
E uma tecnologia que poderia exigir vários minutos de explicações técnicas tornou-se imediatamente compreensível.
Foi diante dessa demonstração que Ricardo Honório, jornalista do EnergyChannel, conversou com Victor Curi Segato, Head of LATAM da TSUNESS, durante a cobertura especial da Intersolar South America 2026.
Por trás da brincadeira do “cafezinho off-grid” havia uma discussão muito maior sobre aquilo que começa a acontecer dentro das residências: solar, armazenamento, backup e gerenciamento de energia estão deixando de ser sistemas separados para começar a funcionar como uma única arquitetura energética.
E a TSUNESS quer levar essa lógica para o universo dos microinversores.
O equipamento apresentado na feira é um microinversor híbrido de 2 kW, com quatro MPPTs e capacidade de carga e descarga de bateria. A proposta é reunir, em uma arquitetura compacta e modular, recursos encontrados em sistemas híbridos convencionais.
Na prática, isso significa que o equipamento não apenas converte a energia produzida pelos módulos fotovoltaicos.
Ele também participa do gerenciamento da bateria, das cargas prioritárias da residência e da relação entre geração, armazenamento, consumo e rede elétrica.
É uma diferença importante.
O microinversor deixa de exercer apenas uma função dentro da geração solar e passa a participar da inteligência energética da casa.
A energia começa a escolher o próprio caminho
Durante a entrevista, Segato explica a lógica de funcionamento do sistema.
A bateria trabalha com energia em corrente contínua. Os equipamentos da residência, por sua vez, utilizam predominantemente corrente alternada. Entre esses dois universos está o microinversor híbrido, realizando a conversão e determinando como a energia será utilizada.
O carregamento pode acontecer a partir da geração fotovoltaica e, de acordo com a configuração do sistema, também pela rede elétrica.
No sentido contrário, quando a energia armazenada precisa alimentar uma carga, ela passa pelo microinversor, é convertida e segue para a saída de backup, para circuitos prioritários ou para a instalação elétrica conforme a arquitetura do projeto.
Mas o ponto mais interessante não está simplesmente no caminho percorrido pelos elétrons.
Está em quando cada caminho é utilizado.
Segundo Segato, o sistema permite configurar horários de carregamento e utilização da energia, preparando a arquitetura para estratégias como time shifting e diferentes estruturas tarifárias.
É aí que a bateria começa a mudar de função.
Ela não precisa ficar parada esperando uma interrupção da rede.
Pode armazenar energia em um determinado momento para utilizá-la quando for mais conveniente.
Pode preservar energia para cargas prioritárias.
Pode trabalhar junto com a geração solar.
Pode participar da estratégia de consumo da residência.
Em outras palavras, armazenamento deixa de significar simplesmente “guardar energia” e passa a significar decidir quando aquela energia tem mais valor.
É esse gerenciamento que aproxima a solução compacta apresentada pela TSUNESS de funcionalidades tradicionalmente associadas a sistemas híbridos maiores.
Segato resume a proposta ao afirmar que os recursos de gerenciamento encontrados em uma arquitetura híbrida convencional também estão presentes no pequeno equipamento apresentado na feira.
Pequeno no tamanho.
Não necessariamente na responsabilidade.
A cafeteira responde à pergunta que o consumidor faria
Existe uma razão para a demonstração com a cafeteira funcionar tão bem.
Para um engenheiro, dizer que a saída off-grid possui 2 kW é uma informação objetiva.
Para grande parte dos consumidores, não.
O cliente quer saber outra coisa:
“O que eu consigo ligar nisso?”
É justamente essa pergunta que surge durante a conversa.
Uma lâmpada?
Computador?
Televisão?
Ou uma carga um pouco mais exigente?
A cafeteira responde de forma visual.
Com aproximadamente 1.250 W, ela representa uma carga relevante diante dos 2 kW disponíveis no equipamento demonstrado e mostra que a proposta de backup não está limitada apenas a pequenos eletrônicos.
Naturalmente, qualquer instalação precisa ser corretamente dimensionada e a soma das cargas simultâneas deve respeitar a capacidade disponível.
Mas a arquitetura também foi pensada para ser modular.
Segundo Segato, se uma residência precisar de mais potência, a capacidade pode ser ampliada com mais unidades.
Um micro: 2 kW.
Dois equipamentos podem levar a arquitetura para uma configuração de maior potência.
Três ampliam novamente essa capacidade.
Essa modularidade toca em um dos conceitos que fizeram os microinversores ganharem espaço na geração distribuída: a possibilidade de crescer por etapas.
Em vez de obrigatoriamente partir para uma grande arquitetura desde o início, o sistema pode acompanhar necessidades diferentes de cada instalação, sempre respeitando o correto projeto elétrico.
E essa flexibilidade não termina nos microinversores.
Chega também às baterias.
A TSUNESS não quer prender o cliente a uma única bateria
Um dos pontos mais relevantes apresentados por Segato durante a entrevista é a estratégia de compatibilidade.
A TSUNESS prepara sua própria solução de bateria, cuja chegada ao mercado brasileiro era prevista pelo executivo para os meses seguintes à Intersolar. Mas o microinversor híbrido não foi concebido para funcionar exclusivamente com baterias da própria fabricante.
Essa decisão pode ter consequências importantes para integradores e consumidores.
Na demonstração da feira, o equipamento estava conectado a um banco de aproximadamente 15 kWh, formado por três módulos de 5 kWh de uma empresa parceira.
Segato explicou que a companhia já vinha trabalhando em integrações com diferentes fornecedores presentes no mercado brasileiro e que novas compatibilidades poderiam ser desenvolvidas em conjunto com a engenharia da TSUNESS.
A lógica é simples.
Um consumidor pode já possuir uma bateria e, no futuro, desejar substituir ou modernizar seu inversor.
Outro pode encontrar uma determinada solução de armazenamento que faça mais sentido para seu projeto.
Um integrador pode trabalhar com marcas diferentes dependendo da aplicação.
Nesses casos, exigir a substituição de todo o sistema apenas porque dois equipamentos não conversam entre si cria custo e limita flexibilidade.
É justamente essa barreira que a TSUNESS procura reduzir.
“Às vezes você já tem uma bateria na sua residência, quer trocar o inversor e não quer trocar a bateria”, explicou Segato.
Por trás dessa frase existe uma discussão que tende a se tornar cada vez mais importante no armazenamento residencial: interoperabilidade.
Quanto mais baterias, inversores, sistemas de gerenciamento e plataformas entrarem nas residências, maior será a importância de equipamentos capazes de conversar entre si.
O futuro da energia distribuída dificilmente será construído por um único equipamento.
Será construído por um ecossistema.
E ecossistemas precisam se comunicar.
Do laboratório para a Intersolar
Há ainda uma pequena história por trás do equipamento apresentado em São Paulo.
Honório e Segato lembram que a tecnologia havia sido vista anteriormente ainda durante sua fase de desenvolvimento.
O microinversor que agora preparava café diante dos visitantes da Intersolar havia passado, meses antes, por testes de laboratório.
“Esse foi o que a gente viu desenvolvendo lá no laboratório no ano passado”, recordou Honório.
“Exatamente”, respondeu Segato.
A lembrança ajuda a dar dimensão à velocidade com que a indústria está avançando.
Aquilo que em um ano está em bancada, submetido a testes e validações, pode aparecer no seguinte diante do mercado como produto.
E armazenamento está acelerando ainda mais esse ciclo.
Durante anos, o centro das atenções da geração distribuída esteve na capacidade de produzir energia solar.
Agora a pergunta está mudando.
Não basta produzir.
É preciso decidir o que fazer com a energia produzida.
Consumir imediatamente?
Armazenar?
Preservar para uma eventual falta de rede?
Utilizar em outro horário?
Priorizar determinados circuitos?
Reduzir dependência da rede em determinados momentos?
É nesse novo universo que equipamentos híbridos começam a ganhar relevância.
Um café mineiro em uma feira internacional
A escolha da cafeteira também carregava um componente cultural.
Parte da equipe brasileira da TSUNESS está baseada em Minas Gerais. A ideia, conta o time durante a entrevista, foi levar um pouco dessa identidade para uma feira internacional e, ao mesmo tempo, criar uma demonstração prática da tecnologia.
“Por que não fazer um cafezinho e demonstrar a nossa Minas Gerais para os integradores?”, brincou a equipe.
A experiência funcionou tão bem que já surgiu uma promessa para a próxima edição.
Além do café, pão de queijo.
A ideia é colocar um forno elétrico funcionando a partir do sistema e transformar novamente uma carga cotidiana em demonstração de energia armazenada.
A brincadeira parece pequena, mas contém uma boa lição sobre comunicação tecnológica.
O consumidor não vive em quilowatts.
Vive em experiências.
Ele não acorda pensando em corrente contínua ou alternada.
Quer preparar café.
Usar o computador.
Manter a internet funcionando.
Preservar a iluminação.
Operar equipamentos essenciais quando a rede falhar.
A tecnologia começa a fazer sentido quando deixa a ficha técnica e entra nessa rotina.
Foi exatamente o que aconteceu no estande.
Análise EnergyChannel | O próximo passo da energia solar é decidir quando usar a energia
Durante boa parte da expansão fotovoltaica brasileira, a principal pergunta foi:
quanto conseguimos gerar?
Mais módulos.
Mais potência.
Mais eficiência.
Mais geração.
O armazenamento começa a acrescentar uma segunda pergunta:
quando queremos utilizar essa energia?
Essa mudança é profunda.
Porque transforma o consumidor de alguém que simplesmente produz eletricidade em alguém capaz de administrar parte de sua própria energia ao longo do tempo.
É nesse contexto que a solução apresentada pela TSUNESS merece atenção.
Não apenas porque existe um microinversor híbrido de 2 kW.
Mas porque a arquitetura reúne algumas das tendências que provavelmente definirão a próxima etapa do mercado residencial: solar, bateria, backup, gerenciamento inteligente, modularidade e interoperabilidade.
A possibilidade de integrar diferentes baterias é particularmente relevante.
Um mercado de armazenamento saudável não deveria obrigar o consumidor a substituir equipamentos perfeitamente funcionais apenas porque decidiu mudar outro componente do sistema.
Quanto mais abertas forem as arquiteturas dentro dos limites técnicos e de segurança exigidos por cada fabricante maior poderá ser a liberdade para evoluir instalações ao longo dos anos.
A modularidade segue a mesma lógica.
Uma família pode começar com determinada capacidade.
Depois ampliar.
Adicionar armazenamento.
Criar novos circuitos prioritários.
Aumentar a potência disponível.
A casa energética deixa de ser uma instalação congelada no dia da compra.
Pode evoluir.
Talvez seja por isso que a cafeteira tenha sido uma demonstração tão eficiente.
No meio de uma das maiores feiras de energia solar da América Latina, cercada por equipamentos sofisticados, ela reduziu toda essa engenharia a uma cena cotidiana.
A rede poderia estar indisponível.
A bateria tinha energia.
O microinversor criou as condições para alimentar a carga.
A cafeteira puxou 1.250 watts.
E o café saiu.
Quente.
Mineiro.
Off-grid.
Por alguns minutos, ninguém precisou explicar o futuro da energia residencial.
Era possível bebê-lo.
EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026
Entrevistado: Victor Curi Segato
Cargo: Head of LATAM
Empresa: TSUNESS
Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel
Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil
EnergyChannel - We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Do café off-grid à casa inteligente: TSUNESS leva armazenamento à arquitetura dos microinversores






Comentários