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Da TV à energia inteligente: Skyworth transforma software, solar, baterias e mobilidade em um único ecossistema

Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Wesley Santos, Country Manager da Skyworth no Brasil, revela a estratégia da gigante chinesa para avançar além dos módulos solares e disputar uma nova era da energia baseada em integração, armazenamento, software e inteligência



Por Ricardo Honório | EnergyChannelCobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo


SÃO PAULO — Durante anos, a indústria solar foi construída em torno de uma pergunta relativamente simples: quanto um painel consegue gerar?


Na Intersolar South America 2026, porém, uma nova pergunta começa a dominar os corredores da maior feira e congresso do setor solar da América Latina:

o que acontece com essa energia depois que ela é gerada?


A resposta envolve armazenamento, software, monitoramento, mobilidade elétrica e equipamentos capazes de conversar entre si.

É precisamente nessa mudança que a Skyworth quer posicionar sua estratégia para o Brasil.

Em seu terceiro ano consecutivo na Intersolar South America, a companhia chinesa chegou à edição de 2026 apresentando uma proposta que vai muito além da venda isolada de módulos ou inversores.

A ambição é construir um ecossistema completo de energia inteligente.

“A Skyworth vem com essa proposta de ser uma all-in-one solution. A gente vem com os módulos, com os inversores e também com as baterias”, afirmou Wesley Santos, Country Manager da Skyworth no Brasil, em entrevista ao jornalista Ricardo Honório, do EnergyChannel.

A própria localização do estande na feira ajudava a contar essa história. Segundo Santos, a empresa decidiu se aproximar ainda mais das áreas dedicadas a baterias e armazenamento — uma escolha física que representa também uma mudança estratégica da indústria.

A Intersolar South America 2026 foi realizada entre 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do ecossistema The smarter E South America. A organização posiciona o evento como o maior encontro latino-americano dedicado à indústria solar. (Intersolar South America)


Por trás da marca solar, existe um grupo industrial muito maior

Para parte do mercado brasileiro, o nome Skyworth ainda pode ser associado a uma empresa relativamente nova no setor fotovoltaico.

Essa leitura, porém, conta apenas uma pequena parte da história.


O grupo construiu sua trajetória internacional principalmente em eletrônicos, televisores, eletrodomésticos inteligentes e tecnologias digitais. Nos últimos anos, passou a transportar esse conhecimento para novas áreas, incluindo energia renovável.


A própria Skyworth já vinha comunicando essa expansão ao mercado brasileiro: em 2025, durante a Intersolar South America, a companhia destacou sua entrada mais ampla em soluções fotovoltaicas, incluindo módulos, inversores e armazenamento. (skyworth-pv.com)


Na entrevista ao EnergyChannel, Santos dimensionou o porte da companhia.

Segundo o executivo, a Skyworth está entre as grandes empresas chinesas, possui dezenas de milhares de funcionários em diferentes mercados e apresentou receita global superior a US$ 9 bilhões em 2025, com a divisão solar respondendo por uma parcela significativa dos negócios.


Os relatórios financeiros de 2025 da companhia estão publicados pela própria Skyworth em sua área de relações com investidores. (Skyworth Investor)

Para Santos, essa escala ajuda a explicar por que o Brasil se tornou estratégico.

“O Brasil é um mercado importante, está entre os cinco maiores do mundo. E é claro que a Skyworth não podia ficar de fora disso.”

Mas escala industrial, para a companhia, não é necessariamente sinônimo de tentar produzir mais que todos os concorrentes.

Esse talvez seja o ponto mais interessante da estratégia apresentada na entrevista.


“Não queremos competir apenas por capacidade produtiva”

O mercado fotovoltaico global atravessou nos últimos anos uma corrida extraordinária por escala.

Novas fábricas.

Mais gigawatts.

Módulos maiores.

Potências cada vez mais elevadas.

Preços cada vez mais pressionados.

A Skyworth quer participar dessa indústria por outro caminho.

“Nós não somos a empresa que tem a maior capacidade produtiva. Nós não somos a empresa que exportou mais gigas pelo mundo. Mas a gente entende o nosso core, que é tecnologia e qualidade.”

É uma declaração importante.

Em uma indústria marcada por competição agressiva de preços, a companhia pretende levar ao setor energético aquilo que desenvolveu durante décadas no mercado de eletrônicos: integração entre hardware e software.


Segundo Santos, a origem tecnológica do grupo é justamente uma das vantagens que a Skyworth pretende transportar para a energia.

“A gente vem de uma empresa que foi fundada em tecnologia, eletrodomésticos inteligentes, e pegou todo esse know-how de software e hardware e está trazendo agora para o solar.”

Essa mudança de perspectiva transforma a discussão.

O módulo deixa de ser o produto final.

O inversor deixa de ser simplesmente uma caixa responsável pela conversão elétrica.

A bateria deixa de ser apenas um reservatório de energia.

Cada componente passa a fazer parte de uma arquitetura digital maior.


Mais de 700 watts mas potência sozinha não conta toda a história

A evolução dos módulos solares é uma das imagens mais visíveis dessa corrida tecnológica.


Potências acima dos 700 W, que poucos anos atrás pareciam distantes, agora fazem parte das discussões comerciais da indústria.

Mas Santos faz uma ressalva.

“Os módulos vão subindo de potência, mas além da potência é importante ter qualidade.”

Essa discussão se torna especialmente relevante porque sistemas fotovoltaicos são ativos projetados para operar durante décadas.

Uma diferença pequena na escolha inicial de equipamentos pode assumir proporções muito maiores quando observada ao longo da vida útil de uma usina.

Seja em uma residência, indústria ou fazenda solar, o investidor está comprando muito mais do que watts.


Está comprando disponibilidade, estabilidade, geração futura e confiança tecnológica.

Durante a conversa, o EnergyChannel colocou exatamente essa questão: um investimento energético de longo prazo não pode se tornar uma aposta em um equipamento cuja qualidade será descoberta somente anos depois.

Santos concorda.

E essa discussão leva à próxima etapa da indústria.


A primeira fase foi gerar. A segunda é armazenar. A terceira será controlar.

Talvez a melhor síntese da entrevista tenha surgido quando Santos dividiu a evolução do mercado fotovoltaico em etapas.

“A primeira delas foi a geração de energia. Você instalava o seu painel solar, estava gerando, já estava dentro do solar.”

Essa foi a revolução que transformou milhões de consumidores em pequenos geradores.

Mas a indústria entrou em uma nova fase.

“Agora, o que muito vem se falando nos últimos anos é armazenamento.”

E a partir do momento em que o consumidor consegue armazenar energia, surge quase inevitavelmente uma terceira camada:

controle.

“Se você vai armazenar, por que você já não aproveita e controla?”

Essa pergunta talvez seja mais importante do que parece.

Durante boa parte da história da geração distribuída, o consumidor produzia energia sem necessariamente compreender em detalhes, a cada instante, como seu sistema estava se comportando.

A digitalização muda isso.

Produção.

Consumo.

Economia.

Estado da bateria.

Fluxo energético.

Performance.

Tudo pode ser transformado em informação.

E informação permite decisão.


A eletricidade começa a ganhar uma interface digital

Para Santos, software e transparência serão elementos centrais dessa nova fase.

“É a questão da tecnologia, do software, da digitalização, da transparência para uma pessoa conseguir enxergar aquilo que ela está produzindo.”

Isso significa que a experiência do usuário não termina no momento da instalação.

Na verdade, é exatamente ali que começa.

O consumidor pode acompanhar efetivamente quanto está produzindo, quanto está economizando e qual benefício econômico aquele ativo está entregando.

Para a Skyworth, a integração do software com seus equipamentos representa um dos pilares de diferenciação do grupo.

A companhia possui inclusive uma divisão dedicada à tecnologia digital, a Skyworth Digital, inserida na estrutura tecnológica mais ampla do conglomerado.

A lógica é aproveitar essa competência para fazer equipamentos energéticos trabalharem de forma integrada.


Módulo. Inversor. Bateria. Uma única arquitetura.

A estratégia recebe internamente uma definição simples:


One Stop Solution.

Em vez de o cliente comprar diferentes equipamentos de diversos fabricantes e posteriormente criar as camadas necessárias para integrá-los, a Skyworth pretende fornecer o ecossistema.

Módulos fotovoltaicos.

Inversores.

Baterias residenciais.

Sistemas comerciais.

Soluções de armazenamento para projetos de maior escala.

Software.

Monitoramento.

“A ideia da Skyworth é realmente trazer a All-in-One Solution, One Stop Solution: um único lugar onde você consegue adquirir sua solução completa.”

A vantagem pretendida não está apenas na conveniência comercial.

Está na comunicação entre equipamentos.

“Todos os produtos, todos os componentes, vão conversar entre si.”

É uma frase que resume uma transformação muito maior da indústria energética.

Durante décadas, sistemas elétricos foram formados essencialmente por equipamentos.

A próxima geração será formada por equipamentos conectados.


Quando a empresa de energia também entende televisão, software e carros elétricos

Existe outro elemento incomum na história da Skyworth.

O universo tecnológico da companhia não termina nos telhados.

Na entrevista, Santos lembrou que o grupo possui ligação também com a indústria de mobilidade elétrica.


Skywell atua no desenvolvimento e produção de veículos de nova energia e componentes associados. Segundo informações institucionais da própria empresa, a operação possui presença comercial em seis continentes, mais de 45 países e mais de 100 cidades, com atuação em veículos comerciais e outros segmentos da mobilidade elétrica. (en.skywellcorp.com)


A conversa então ganha uma dimensão diferente.

Imagine uma residência futura.

No telhado, módulos solares.

Na parede, o inversor.

Na garagem, uma bateria.


Conectado ao sistema, um carregador de veículo elétrico.

Dentro da residência, equipamentos inteligentes.

E, no centro de tudo, software administrando a energia disponível.

Nesse cenário, a fronteira entre energia, eletrônica e mobilidade começa a desaparecer.

É justamente nesse cruzamento que empresas como a Skyworth pretendem competir.


O novo produto pode não ser um equipamento. Pode ser o ecossistema.

A indústria solar tradicionalmente foi dividida em categorias.

Fabricantes de módulos.

Fabricantes de inversores.

Fabricantes de baterias.

Empresas de monitoramento.

Fabricantes de carregadores.

Integradores.

Desenvolvedores.

Essa divisão continua existindo.

Mas está começando a ser redesenhada.

Quando módulos, inversores, armazenamento, veículos e software precisam operar juntos, o valor pode migrar gradualmente do componente individual para a capacidade de orquestrar todo o sistema.

E essa é precisamente a tese apresentada pela Skyworth.

Segundo Santos, a orientação estratégica veio da própria liderança da companhia.

Em vez de simplesmente disputar capacidade produtiva com fabricantes estabelecidos, a ideia foi partir daquilo que o grupo já dominava:

inteligência digital.

Isso muda também a conversa com o cliente.


“Vamos entender o seu projeto”

Na visão apresentada pelo executivo, a venda começa menos pelo equipamento e mais pela necessidade.

“A gente senta junto com o cliente, entende aquilo que ele está buscando e, dentro disso, tem toda essa capacidade do grupo para trazer aquilo que se encaixa melhor.”

É uma postura particularmente importante no momento atual da transição energética.

Uma casa não tem a mesma curva de carga de um supermercado.

Um supermercado não possui o mesmo perfil de uma indústria.

Uma indústria não tem as mesmas necessidades de uma fazenda solar.

E um projeto que demanda apenas geração hoje poderá precisar de armazenamento amanhã.

A possibilidade de construir sistemas modulares e integrados tende, portanto, a se tornar uma vantagem competitiva.

Não existe uma única solução energética perfeita.

Existe uma arquitetura adequada para cada necessidade.


Análise EnergyChannel | Estamos deixando a era dos equipamentos e entrando na era dos sistemas

A entrevista com Wesley Santos ajuda a revelar uma mudança que pode se tornar uma das principais narrativas da Intersolar South America 2026.

Durante anos, a indústria fotovoltaica evoluiu principalmente através dos componentes.

Células mais eficientes.

Módulos maiores.

Inversores mais potentes.

Estruturas mais leves.

Custos menores.

Essa evolução continuará.

Mas uma segunda revolução está acontecendo simultaneamente.

A integração.


O consumidor do futuro talvez não pergunte quem fabricou apenas seu módulo.

Perguntará se sua casa consegue utilizar a energia solar quando precisa.

Se sua bateria pode ser administrada automaticamente.

Se seu veículo elétrico pode interagir com aquele ecossistema.

Se o software consegue mostrar quanto ele produz, consome, armazena e economiza.

E, eventualmente, se todo esse sistema consegue tomar decisões sozinho.

É nesse ponto que a história da Skyworth se torna particularmente interessante.

Uma companhia construída sobre televisores, eletrônicos inteligentes e software está entrando no setor de energia justamente no momento em que a própria eletricidade começa a se tornar digital, conectada e programável.

Talvez o principal ativo que empresas tecnológicas tragam para a energia não seja apenas capacidade fabril.


Pode ser a experiência de fazer milhões de dispositivos conversarem entre si.

Na Intersolar 2026, a Skyworth apresentou módulos, inversores e baterias.

Mas a mensagem por trás dos equipamentos era maior:

o futuro da energia distribuída poderá ser definido menos por produtos isolados e mais pela inteligência que conecta todos eles.

E é justamente aí que uma nova corrida tecnológica está começando.


EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026

A Intersolar South America 2026 foi realizada entre 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo a cadeia fotovoltaica dentro do The smarter E South America. O evento faz parte da principal plataforma regional de encontro entre fabricantes, integradores, desenvolvedores, investidores e empresas de tecnologia energética. (Intersolar South America)


Entrevistado: Wesley Santos — Country Manager Brazil, Skyworth

Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel

Evento: Intersolar South America 2026

Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil.


EnergyChannel

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Da TV à energia inteligente: Skyworth transforma software, solar, baterias e mobilidade em um único ecossistema

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