Da China ao Brasil: TSUNESS estreia nova geração de microinversores híbridos e aposta no armazenamento como próximo capítulo da energia solar
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- há 4 dias
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Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel durante a Intersolar South America 2026, Victor Curi Segato apresenta soluções que unem geração fotovoltaica, baterias, backup e gerenciamento inteligente de energia incluindo tecnologias que o EnergyChannel acompanhou ainda em fase de protótipo na China
Por Ricardo Honório | EnergyChannel
Cobertura Especial Intersolar South America 2026 | São Paulo
SÃO PAULO Algumas das transformações mais importantes da indústria de energia não começam com equipamentos gigantescos ou grandes usinas.
Às vezes, começam com algo aparentemente tão simples quanto uma xícara de café.
No estande da TSUNESS, durante a Intersolar South America 2026, uma cafeteira conectada a um sistema formado por microinversor híbrido e bateria ajuda a explicar, em poucos segundos, uma mudança muito maior que está acontecendo no setor fotovoltaico: a energia solar residencial e comercial está deixando de ser apenas uma fonte de geração para se transformar em um ecossistema de geração, armazenamento, backup e gerenciamento de energia.
É também uma tecnologia que o EnergyChannel viu nascer.
Meses antes de chegar ao Brasil, durante uma visita à China, nossa equipe acompanhou no laboratório da TSUNESS o desenvolvimento dos primeiros protótipos do microinversor híbrido.
Agora, na Intersolar 2026, aquela tecnologia deixou a bancada de engenharia e chegou ao mercado brasileiro.
“Você viu lá na fábrica a gente desenvolvendo os primeiros protótipos do microinversor híbrido”, lembrou Victor Curi Segato, Head of LATAM da TSUNESS, durante entrevista ao EnergyChannel.
O reencontro em São Paulo mostrou algo que vai além do lançamento de novos produtos.
Mostrou a velocidade com que a indústria solar está mudando.
A solar está entrando na era do armazenamento
Durante boa parte da expansão da geração distribuída brasileira, a pergunta central do consumidor era relativamente simples:
quanto de energia esse sistema fotovoltaico consegue gerar?
Essa pergunta está mudando.
À medida que o mercado amadurece, cresce o interesse por outra capacidade: o que fazer com essa energia, quando utilizá-la e como manter cargas importantes funcionando quando a rede elétrica não estiver disponível?
É nesse ponto que entram as baterias e os sistemas híbridos.
Para Segato, armazenamento já não deve ser tratado apenas como uma promessa futura da indústria.
“As soluções de armazenamento são uma tendência, são o futuro. Eu acho que já são o presente.”
A declaração ajuda a explicar uma das principais apostas da TSUNESS na Intersolar 2026.
Tradicionalmente especializada em microinversores, a companhia está ampliando seu ecossistema para incorporar armazenamento sem abandonar a arquitetura que construiu sua presença no mercado fotovoltaico.
Segundo Segato, a TSUNESS trabalha exclusivamente com tecnologia MLPE desde sua fundação, em 2019, com foco em características como segurança, facilidade de instalação, monitoramento e eficiência.
Agora, a empresa adiciona uma nova peça a essa arquitetura:
o microinversor híbrido.
O microinversor também se torna híbrido
O mercado já conhece inversores híbridos tradicionais.
A proposta da TSUNESS é levar esse conceito para a arquitetura de microinversores.
Segundo Segato, a empresa está trazendo ao Brasil uma solução capaz de operar conectada à rede, trabalhar com armazenamento e também sustentar cargas em situações de ausência da concessionária.

“Nós somos a primeira empresa a ter soluções híbridas com microinversor.”
De acordo com o executivo, o equipamento pode trabalhar em diferentes modos de operação on-grid, off-grid e híbrido associado ao sistema de baterias e ao gerenciamento das cargas.
A arquitetura preserva uma das características fundamentais dos microinversores: trabalhar com tensões reduzidas no lado de corrente contínua.
Segato destaca operação em até 60 V, além da possibilidade de simplificar componentes e procedimentos de segurança normalmente associados a arquiteturas fotovoltaicas de tensão mais elevada.
Na prática, a TSUNESS tenta combinar dois mundos que até recentemente caminhavam de forma mais separada:
a modularidade dos microinversores e a flexibilidade energética dos sistemas híbridos com armazenamento.
O café que explica uma tecnologia
No estande da companhia, a demonstração foi deliberadamente simples.
Uma bateria alimentava, por meio do sistema híbrido, uma cafeteira.
O café servido aos visitantes não era apenas uma ação de hospitalidade.
Era uma demonstração de backup.
“Se você ficar desabastecido de energia elétrica em função da concessionária, por uma interrupção ou qualquer outro motivo, você não fica sem seu cafezinho.”
A brincadeira resume uma aplicação muito mais ampla.
No lugar da cafeteira poderiam estar equipamentos de comunicação, iluminação, computadores, sistemas de segurança, refrigeradores ou outras cargas consideradas importantes dentro de uma residência ou estabelecimento comercial.
O conceito é transformar o sistema fotovoltaico em uma infraestrutura energética mais resiliente.
Não se trata apenas de produzir eletricidade quando existe sol.
Trata-se de produzir, armazenar, administrar e utilizar energia quando ela for necessária.
E quem já possui energia solar?
Talvez uma das questões comerciais mais importantes para o avanço das baterias no Brasil seja justamente essa.
Milhares de consumidores já investiram em sistemas fotovoltaicos convencionais.
Eles precisarão substituir tudo para adicionar armazenamento?
Segundo a TSUNESS, não.
Uma das tecnologias apresentadas pela companhia na Intersolar foi desenvolvida justamente para permitir a incorporação de baterias a instalações existentes.
Segato descreve a solução como uma unidade acoplada em corrente alternada — AC coupled.
“Eu já tenho uma fotovoltaica e quero ter um sistema de bateria, quero ter backup na minha casa, no meu escritório ou no meu comércio. Vou ter que trocar meu inversor? Vou ter que trocar tudo? Não.”
A proposta é conectar a nova unidade ao quadro elétrico da instalação.
A bateria pode então ser carregada pela rede ou aproveitar a energia proveniente do sistema fotovoltaico existente.
Isso abre uma frente importante para o mercado brasileiro: o retrofit energético.
Em vez de limitar o armazenamento aos novos projetos, torna-se possível transformar sistemas solares já instalados em arquiteturas com baterias e backup.
All-in-one: armazenamento simplificado
Outra estratégia apresentada pela TSUNESS busca reduzir uma das barreiras tradicionais de novas tecnologias energéticas: a complexidade.
A empresa mostrou na feira uma solução all-in-one de 5 kW, reunindo bateria e inversor em uma arquitetura integrada.
A lógica é tornar a instalação significativamente mais simples.
“É quase uma solução plug na tomada ou no quadro elétrico.”
O objetivo é reduzir etapas de projeto e tornar o armazenamento mais acessível para aplicações residenciais e pequenos estabelecimentos comerciais.
É uma abordagem que acompanha uma tendência observada internacionalmente: sistemas de energia cada vez mais integrados, compactos e próximos da experiência de instalação de um eletrodoméstico embora continuem exigindo o cumprimento das normas e requisitos elétricos aplicáveis.
Mas simplicidade não é a única estratégia.
Para outro perfil de consumidor, a palavra-chave é escalabilidade.
Começar com 5 kWh. Depois 10. Depois 15.
A TSUNESS também apresentou uma arquitetura modular na qual as baterias podem ser empilhadas.
A ideia responde diretamente a uma realidade econômica do mercado brasileiro: nem todo consumidor deseja ou consegue realizar imediatamente um grande investimento em armazenamento.
Nesse sistema, ele pode começar menor.
Por exemplo:
5 kWh de armazenamento.
Se sua necessidade crescer, adiciona outro módulo.
O sistema passa para 10 kWh.
Depois pode avançar para 15 kWh, 20 kWh e chegar a 25 kWh, de acordo com a configuração apresentada pela empresa.
“Você vai expandindo conforme a necessidade e conforme o bolso permitir”, explicou Segato.
A estratégia muda a lógica econômica da bateria.
Em vez de exigir que o consumidor dimensione hoje toda a necessidade energética que poderá ter nos próximos anos, permite que o investimento acompanhe sua própria curva de utilização.
O EnergyChannel perguntou justamente por que um consumidor deveria começar com um investimento elevado se pode entrar no armazenamento com uma configuração menor, aprender a utilizar a tecnologia e ampliar a capacidade posteriormente.
Para Segato, essa escalabilidade tem grande aderência ao mercado brasileiro.
E há uma razão para isso.
O consumidor também mudou.
Um cliente brasileiro mais maduro e mais exigente
O crescimento da indústria fotovoltaica brasileira trouxe um segundo fenômeno: a profissionalização do comprador.
Segundo Segato, preço continua relevante, mas deixou de ser o único critério de decisão.
“O público está buscando soluções, alternativas, pergunta sobre garantia, facilidade de instalação. O mercado está mais amadurecido.”
Essa mudança é estratégica.
À medida que geração solar, armazenamento, mobilidade elétrica e gerenciamento inteligente começam a convergir, comparar equipamentos apenas por preço ou potência nominal se torna insuficiente.
Entram na equação fatores como segurança, capacidade de expansão, integração, garantia, monitoramento, facilidade de instalação e compatibilidade futura.
Para fabricantes, isso significa compreender com mais profundidade o problema que o consumidor realmente pretende resolver.
“A gente tem que entender a dor do nosso cliente para trazer aquilo que ele precisa.”
De 2 kW para 3 kW — e além
A evolução não acontece apenas nas baterias.
Os próprios microinversores estão ficando mais potentes.
A TSUNESS apresentou uma evolução de sua linha híbrida, partindo de modelos de 2 kW e avançando para versões de 2,5 kW e 3 kW.
E a modularidade permanece.
Segundo Segato, é possível trabalhar com paralelismo e expandir a potência do sistema conforme a demanda.
Um consumidor que começa, por exemplo, com um microinversor híbrido de 2 kW pode posteriormente incorporar uma segunda unidade, ampliando a capacidade de carga e descarga do conjunto.
É novamente a mesma filosofia:
não obrigar o sistema energético a nascer pronto para sempre.
Ele pode crescer.
MSU: quando bateria, inversor e solar passam a conversar diretamente
Outra solução apresentada durante a cobertura do EnergyChannel foi o sistema chamado pela companhia de MSU.
Nesse caso, a arquitetura combina bateria e inversor e oferece entrada fotovoltaica direta.
A diferença é importante.
Para consumidores que ainda não possuem um sistema fotovoltaico, os módulos solares podem ser conectados diretamente à solução.
Para aqueles que já possuem geração instalada, entram em cena as arquiteturas de acoplamento em corrente alternada apresentadas pela empresa.
São diferentes caminhos para uma mesma transformação:
integrar geração e armazenamento sem exigir uma única arquitetura para todos os consumidores.
Os painéis ficaram maiores. Os inversores também precisam evoluir.
Existe ainda outro movimento tecnológico pressionando fabricantes de inversores.
A potência dos módulos fotovoltaicos continua crescendo.
Durante a SNEC 2026, na China, o EnergyChannel acompanhou de perto essa evolução, com módulos chegando à faixa de 750 W, 780 W e até 800 W entre as tecnologias apresentadas na indústria.
Isso muda as exigências sobre toda a eletrônica conectada aos painéis.
“Os microinversores precisam acompanhar não só em potência, mas principalmente suportar uma corrente cada vez mais alta.”
Segato também chama atenção para a necessidade de suportar maiores níveis de sobredimensionamento e reduzir perdas associadas ao clipping, quando a capacidade do lado fotovoltaico supera momentaneamente aquilo que o inversor consegue converter.
Em outras palavras, a corrida por módulos mais potentes provoca uma reação em cadeia.
Não basta aumentar os watts escritos na etiqueta do painel.
Inversores, cabos, conectores, sistemas de proteção, armazenamento e gerenciamento precisam evoluir junto.
De 2022 a 2026: quatro anos que parecem uma década
Há um elemento interessante na trajetória da TSUNESS no Brasil.
A primeira participação da companhia na Intersolar South America ocorreu em 2022.
Quatro anos depois, a empresa retornou à edição 2026 apresentando uma categoria de produto que ilustra o quanto o mercado mudou nesse intervalo.
Segato ingressou na operação da companhia naquele mesmo período e acompanhou diretamente essa transformação.
“Comparando o micro que nós vendíamos e oferecíamos em 2022 com 2026, a gente vê uma evolução muito grande no mercado.”
É difícil discordar.
Em apenas alguns anos, a conversa da geração distribuída avançou de painéis e inversores para um ecossistema que começa a incorporar baterias, backup, gestão energética, carregamento de veículos elétricos e diferentes formas de interação com a rede.
O inversor, antes visto essencialmente como o equipamento responsável por converter a eletricidade produzida pelos módulos, está se tornando parte de um sistema muito mais sofisticado de inteligência energética.
Análise EnergyChannel | O próximo mercado não será apenas solar
Talvez esta seja a principal conclusão da conversa com a TSUNESS na Intersolar 2026.
A próxima etapa da transição energética distribuída provavelmente não será definida exclusivamente por quem consegue instalar mais painéis.
Será disputada por quem conseguir integrar melhor os recursos energéticos.
Solar.
Bateria.
Rede.
Backup.
Monitoramento.
Gerenciamento de carga.
Mobilidade elétrica.
E, progressivamente, sistemas capazes de decidir de onde a energia deve vir, onde deve ser armazenada e quando deve ser consumida.
Nesse cenário, o armazenamento deixa de ser um acessório da geração solar e passa a ocupar uma posição central na arquitetura energética de residências e empresas.
A estratégia apresentada pela TSUNESS em São Paulo aponta exatamente nessa direção.
A companhia que construiu sua trajetória ao redor dos microinversores agora tenta levar essa arquitetura para a era das baterias.
E existe uma imagem particularmente simbólica dessa transformação.
Meses atrás, o EnergyChannel estava dentro de um laboratório na China observando um protótipo.
Na Intersolar South America 2026, aquele protótipo estava em São Paulo, conectado a uma bateria e fazendo café.
Entre uma cena e outra existe muito mais do que alguns milhares de quilômetros.
Existe o retrato da velocidade com que a nova indústria global de energia está avançando.
EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026
A Intersolar South America 2026 integrou o The smarter E South America e foi realizada entre 25 e 27 de agosto de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.
Reconhecida como o maior evento latino-americano dedicado à indústria solar, a feira reuniu fabricantes, integradores, distribuidores, investidores, desenvolvedores e especialistas em torno da próxima geração de tecnologias fotovoltaicas, armazenamento de energia, infraestrutura elétrica e mobilidade.
Entrevista: Victor Curi Segato — Head of LATAM, TSUNESS
Jornalista: Ricardo Honório — EnergyChannel
Local: Expo Center Norte, São Paulo
Cobertura: Intersolar South America 2026
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Da China ao Brasil: TSUNESS estreia nova geração de microinversores híbridos e aposta no armazenamento como próximo capítulo da energia solar






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