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EENOVANCE aposta no Brasil e prepara nova geração de armazenamento com baterias, EMS e inteligência artificial

Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, John Long, Vice-Presidente da EENOVANCE, afirma que o mercado brasileiro de armazenamento está apenas começando e explica a estratégia da companhia para avançar do residencial ao utility-scale com soluções cada vez mais integradas



Por Ricardo Honório | EnergyChannel

Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo


O mercado brasileiro de armazenamento de energia ainda está no início de sua trajetória, mas já começa a atrair fabricantes que enxergam nas baterias uma transformação semelhante àquela provocada pela expansão da energia solar na última década. Para a EENOVANCE, porém, o próximo passo não será simplesmente vender mais baterias. Será integrá-las a inversores, sistemas de gerenciamento de energia e inteligência artificial para transformar o armazenamento em uma solução capaz de reduzir custos, aumentar a segurança energética e melhorar o aproveitamento da eletricidade.


Essa é a visão apresentada por John Long, Vice-Presidente da EENOVANCE, em entrevista a Ricardo Honório, jornalista do EnergyChannel, durante a Intersolar South America 2026, em São Paulo.


Segundo Long, a empresa vem acompanhando o desenvolvimento do mercado brasileiro há aproximadamente três anos. A primeira fase foi dedicada principalmente a testes, aprendizado e compreensão das particularidades locais. A partir do segundo semestre de 2024 e ao longo de 2025 e 2026, a companhia passou a estruturar uma estratégia mais clara para o país.


“Agora temos uma oportunidade muito boa para explorar”, afirmou.

Para o executivo, entretanto, o crescimento dependerá não apenas da disponibilidade de produtos, mas da construção de uma estrutura capaz de sustentar os projetos no longo prazo. Isso significa ampliar a equipe, desenvolver serviços, fortalecer o suporte técnico e, principalmente, encontrar parceiros locais capazes de construir uma relação de confiança com os clientes.

Esse ponto é particularmente importante no armazenamento. Diferentemente de uma venda convencional de equipamentos, um sistema de baterias precisa permanecer operando durante anos, exige monitoramento, manutenção, software e suporte técnico. Para a EENOVANCE, portanto, crescer no Brasil passa necessariamente por fortalecer sua presença local.


Do residencial ao utility-scale

A estratégia brasileira acompanha um movimento de expansão internacional da companhia. Segundo Long, a EENOVANCE estruturou operações em diferentes mercados e hoje possui subsidiárias e escritórios em regiões estratégicas, com estruturas dedicadas a projetos, serviços e desenvolvimento comercial.


A empresa começou sua trajetória com soluções residenciais de armazenamento, mas ampliou o portfólio para atender também o segmento comercial e industrial (C&I) e projetos utility-scale.


Essa evolução está levando a EENOVANCE a deixar de olhar apenas para a bateria como produto. A intenção é avançar para uma solução completa, integrando os diferentes componentes necessários para controlar o fluxo da energia.

No segmento C&I, por exemplo, Long afirma que a empresa já trabalha com sistemas all-in-one que integram bateria, PCS e EMS dentro de uma mesma arquitetura. A companhia também está desenvolvendo novas soluções que combinam gabinetes de baterias com inversores híbridos.


Para aplicações utility-scale, o foco está principalmente nos grandes contêineres de baterias, que podem ser integrados a PCS, transformadores, switchgear e demais equipamentos necessários para formar um sistema completo.

“Não queremos trabalhar apenas com gabinetes. Queremos trabalhar cada vez mais com soluções de sistema”, explicou Long.


Inteligência artificial entra na estratégia

É justamente nessa integração que aparece uma das principais apostas da EENOVANCE para os próximos anos: a inteligência artificial.


Segundo Long, a companhia passou a investir também em eletrônica de potência, inversores e em uma estrutura voltada ao desenvolvimento de aplicações de IA. O objetivo é integrar essas tecnologias a uma plataforma de EMS — Energy Management System, responsável por controlar quando a bateria deve carregar, descarregar ou preservar energia.


Na prática, o EMS funciona como o cérebro do sistema de armazenamento. Ele pode acompanhar consumo, geração fotovoltaica, estado da bateria, condições da rede e preços da eletricidade para definir a estratégia de operação.


Com inteligência artificial, essa gestão pode se tornar ainda mais sofisticada.

Em mercados com tarifas dinâmicas, como ocorre em partes da Europa, um sistema pode identificar períodos de energia mais barata para carregar a bateria e utilizar essa energia quando os preços aumentarem. Algoritmos também podem considerar previsões de consumo e geração solar para otimizar a operação.


Para Long, a tecnologia só faz sentido quando consegue produzir um resultado concreto para o consumidor: reduzir custos ou melhorar o retorno financeiro do sistema.

No Brasil, entretanto, o executivo acredita que o mercado ainda precisa desenvolver aplicações mais básicas antes de chegar em larga escala a modelos tão sofisticados.

Entre as oportunidades mais imediatas estão backup de energia, integração com sistemas fotovoltaicos, redução da conta de eletricidade e aumento da segurança energética para residências, comércios e indústrias.


O desafio é fazer a bateria fechar a conta

A viabilidade econômica será determinante para definir a velocidade de expansão do armazenamento no Brasil.


Durante a entrevista, Long destacou que o payback varia significativamente de acordo com o preço da energia, a aplicação, a cidade, o perfil de consumo e a configuração do projeto. Segundo as referências mencionadas pelo executivo, projetos residenciais podem apresentar retornos na faixa de cinco anos em determinados mercados internacionais, enquanto no Brasil os cenários avaliados podem variar aproximadamente entre cinco e oito anos.


Não se trata de um prazo universal. Cada projeto precisa ser analisado individualmente. Mas Long considera que, quando o armazenamento consegue se aproximar de um retorno de cinco anos, a decisão de investimento começa a ficar muito mais atraente.


“Se o retorno estiver em cinco anos, eu diria que este é o momento”, afirmou.

A comparação com a trajetória da energia solar é inevitável. O fotovoltaico também passou por um período em que era visto principalmente como uma tecnologia cara e inovadora. Com redução de preços, amadurecimento do mercado e melhora das condições financeiras, o investimento passou a ser analisado principalmente pela economia que poderia proporcionar.


O armazenamento começa a buscar o mesmo caminho.

No segmento comercial e industrial, essa equação pode ganhar ainda mais relevância. Empresas com contas elevadas, necessidade de continuidade operacional ou sistemas fotovoltaicos já instalados podem encontrar diferentes formas de extrair valor da bateria.


O mesmo equipamento pode servir para reduzir custos, fornecer backup, administrar demanda ou aproveitar melhor a energia produzida pelo sistema solar.


Por isso, para a EENOVANCE, o futuro do armazenamento estará diretamente relacionado ao desenvolvimento de aplicações que apresentem benefícios financeiros claros.


Brasil está apenas começando

Apesar do avanço global da tecnologia, Long considera que o Brasil ainda está nos primeiros capítulos dessa transformação. E justamente por isso a EENOVANCE decidiu construir sua estrutura local antes de uma eventual aceleração do mercado.

A companhia quer estar preparada com equipe, produtos, serviços e parceiros quando a demanda ganhar escala.


“Precisamos de parceiros confiáveis e de alto nível trabalhando junto com nossa equipe local”, disse.

O executivo também destaca que, embora a EENOVANCE seja uma empresa relativamente jovem, sua equipe reúne profissionais com mais de 14 anos de experiência no setor de energia. A intenção é utilizar esse conhecimento para ampliar a atuação brasileira em todas as escalas de armazenamento.

A estratégia passa por residências, empresas e grandes projetos, mas também por uma mudança na própria identidade da companhia: de fabricante de baterias para fornecedora de sistemas integrados de energia.


Análise EnergyChannel | A bateria está deixando de ser o produto final

A entrevista de John Long revela uma transformação que começa a aparecer em diferentes fabricantes na Intersolar 2026.

A disputa do armazenamento está deixando de acontecer apenas na capacidade das baterias.


O próximo campo de competição será a capacidade de controlar a energia.

Uma bateria isolada consegue armazenar eletricidade. Quando integrada a inversores, medidores, geração solar e um EMS, passa a fazer parte de um sistema energético. Quando software e inteligência artificial entram nessa arquitetura, esse sistema pode começar a decidir automaticamente a melhor forma de utilizar a energia disponível.

É uma evolução importante.


A primeira grande revolução solar brasileira foi construída sobre geração. Milhões de consumidores passaram a produzir a própria eletricidade.

O armazenamento adiciona uma nova variável: tempo.


A energia produzida agora pode ser guardada e utilizada depois. Isso permite escolher quando consumir, quando carregar, quando descarregar e quanto preservar para uma eventual interrupção da rede.


Por isso, a próxima fase do mercado provavelmente não será determinada apenas por quem consegue fabricar a bateria mais barata.


Será determinada também por quem conseguir demonstrar que aquela bateria resolve um problema econômico concreto.

Reduzir a conta.

Evitar uma interrupção.

Aproveitar melhor a geração solar.

Gerenciar a demanda.

Ou aumentar a segurança energética de uma operação.

É nesse cenário que a EENOVANCE pretende posicionar sua expansão brasileira.


Do residencial ao utility-scale, a bateria continua sendo o coração do sistema. Mas cada vez mais será o software que decidirá como esse coração deve trabalhar.


EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026

Entrevistado: John Long

Cargo: Vice-Presidente

Empresa: EENOVANCE

Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel

Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil


EnergyChannel

We Tell the Stories Driving the Energy Transition.


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