A energia deixou de ser apenas gerada. Agora pode ser controlada: Sigenergy aposta em IA e baterias para uma nova era elétrica
- EnergyChannel Brasil

- há 3 dias
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Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Bruno Zitnick, diretor de vendas da Sigenergy no Brasil, explica como armazenamento, inteligência artificial e controle inteligente podem transformar residências, empresas e grandes sistemas elétricos e colocar o consumidor no comando da própria energia
Por Ricardo Honório | EnergyChannelCobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo
SÃO PAULO — Durante mais de uma década, a revolução solar foi impulsionada por uma pergunta relativamente simples:
como gerar energia limpa e barata?
Painéis ficaram mais eficientes.
Inversores evoluíram.
Custos caíram.
Milhões de consumidores começaram a produzir eletricidade sobre os próprios telhados.
Mas a próxima etapa da transição energética exige uma pergunta muito mais sofisticada:
O que fazer com essa energia depois que ela foi gerada?
Armazenar?
Consumir?
Enviar para um veículo elétrico?
Preservar para uma eventual falta da rede?
Utilizar durante os horários mais caros?
Entregar para cargas críticas?
Ou, em mercados onde isso já é permitido, vender de volta ao sistema elétrico?
É justamente nessa fronteira entre geração, armazenamento e inteligência que a Sigenergy construiu seu negócio.
No segundo dia da Intersolar South America 2026, o EnergyChannel conversou com Bruno Zitnick, diretor de vendas da companhia no Brasil, para entender uma empresa que percorreu um caminho diferente de grande parte da indústria fotovoltaica.
Enquanto muitos fabricantes começaram com inversores on-grid e posteriormente incorporaram sistemas híbridos e baterias aos seus portfólios, a Sigenergy nasceu em uma época em que o armazenamento já começava a ocupar o centro da arquitetura energética.
“A Sigenergy já nasceu como uma empresa focada em soluções de armazenamento de energia.”
E isso muda muita coisa.
Uma empresa que nasceu depois da primeira revolução solar
Existe uma vantagem particular em chegar a uma indústria depois que sua primeira grande transformação já aconteceu.
Você não precisa necessariamente carregar a arquitetura tecnológica do passado.
Durante a entrevista, Zitnick explicou que a companhia estrutura suas soluções de armazenamento para três grandes mercados:
residencial, comercial e industrial — C&I — e utility-scale.
Mas a característica que conecta essas três áreas não é simplesmente a bateria.
É a inteligência utilizada para administrá-la.
Em outras palavras:
a bateria guarda energia. O software decide o que fazer com ela.
A bateria começa a tomar decisões
No ambiente residencial, a proposta é dar ao usuário um nível de controle sobre a energia que há poucos anos pareceria sofisticado demais para uma residência.
Por meio do aplicativo da Sigenergy, o consumidor pode definir estratégias para carregamento e descarregamento da bateria e determinar como a energia armazenada deverá atender suas cargas.
Isso transforma a residência em algo diferente de um simples consumidor conectado à rede.
Ela começa a funcionar como um pequeno sistema energético programável.
O usuário deixa de enxergar apenas quanto produziu.
Passa a decidir quando e como utilizar aquilo que produziu.
Quando a IA deixa de ser conveniência e passa a ser segurança
À medida que a escala aumenta, entretanto, o papel da inteligência artificial muda.
Em uma residência, ela pode ajudar a otimizar comportamento e consumo.
Em aplicações comerciais, industriais ou de grande porte, passa também a ter uma função operacional.
Segundo Zitnick, a IA pode acompanhar o desempenho do sistema, identificar comportamentos anormais e auxiliar operadores com informações para ações preventivas.
“A inteligência artificial de fato consegue monitorar todo o sistema e isso evita problemas futuros.”
A tecnologia também permite comparar o comportamento real da bateria com aquilo que foi previsto durante o dimensionamento.
Ou seja, não basta saber que a bateria está funcionando.
É possível avaliar se ela está funcionando como deveria funcionar para aquela aplicação específica.
Para Zitnick, essa inteligência está diretamente ligada a outro tema decisivo para o armazenamento:
segurança.
O futuro da energia será preditivo
Essa mudança merece atenção.
Historicamente, grande parte da manutenção de infraestrutura elétrica foi construída em torno de dois modelos.
Manutenção programada.
Ou manutenção depois da falha.
Dados e inteligência artificial começam a abrir espaço para uma terceira possibilidade:
antecipar o problema.
Temperatura.
Ciclos.
Potência.
Estado da bateria.
Comportamento operacional.
Desvios.
Alarmes.
Performance.
Quanto maior o sistema, maior o volume de informações gerado.
A verdadeira vantagem da IA não está simplesmente em acumular esses dados.
Está em encontrar padrões que um operador humano dificilmente conseguiria acompanhar continuamente.
A energia passa, progressivamente, de monitorada para interpretada.
Energia firme muda a lógica da renovável
Existe ainda uma transformação conceitual importante.
Solar e eólica carregam uma característica conhecida:
são fontes variáveis.
O sol não pergunta quando o consumidor precisa de energia.
Ele simplesmente aparece — ou desaparece.
Durante anos, o sistema elétrico precisou adaptar o consumo à disponibilidade instantânea das renováveis ou complementar essa geração com outras fontes.
O armazenamento muda essa equação.
Agora é possível separar dois momentos que historicamente precisavam acontecer simultaneamente:
o momento em que a energia é produzida e o momento em que ela é utilizada.
É essa capacidade que começa a aproximar renováveis do conceito de energia controlável.
A bateria cria uma espécie de ponte no tempo.
Produza agora.
Use depois.
Do consumidor de energia ao operador da própria energia
Para Zitnick, uma das diferenças entre o Brasil e mercados mais avançados em armazenamento está justamente no grau de flexibilidade oferecido ao consumidor.
Em alguns países, residências já operam dentro de estruturas tarifárias e regulatórias que permitem decisões muito mais sofisticadas sobre compra, armazenamento e exportação de eletricidade.
O equipamento precisa estar preparado para esse futuro.
“A gente consegue controlar aquilo que é produzido e armazenado e distribuir da maneira em que o usuário final define.”
Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes de toda a transição energética.
O consumidor deixa de ser o último elo passivo da cadeia.
Ele começa a participar.
Gera.
Armazena.
Programa.
Consome.
E, dependendo das regras de cada mercado, pode também responder a preços ou fornecer energia para a rede.
O Brasil ainda tem um gap. A tecnologia não precisa ter
Zitnick reconhece que o mercado brasileiro ainda está atrás de algumas regiões em determinadas aplicações de armazenamento e flexibilidade energética.
Mas argumenta que isso não significa que os equipamentos comercializados no país precisem nascer tecnologicamente atrasados.
“O produto que nós vendemos aqui no Brasil segue os padrões internacionais.”
A lógica é preparar hoje uma infraestrutura capaz de acompanhar a evolução regulatória e comercial de amanhã.
Porque a velocidade da transformação pode aumentar significativamente à medida que o consumidor ganha novas possibilidades de contratação e gestão da eletricidade.
E então chegou o carro elétrico
Existe outro elemento entrando nessa equação.
Um dos maiores novos consumidores de eletricidade dentro de uma residência ou empresa pode estar estacionado na garagem.
O veículo elétrico.
A eletrificação da mobilidade adiciona uma carga relevante ao sistema e, ao mesmo tempo, cria novas possibilidades para armazenamento e gerenciamento energético.
Durante a entrevista, Zitnick destacou soluções capazes de integrar armazenamento e carregamento de veículos elétricos, inclusive em corrente contínua.
Isso cria um cenário interessante.
Painéis solares produzem energia.
A bateria estacionária armazena.
O sistema de gestão decide.
E o carro recebe energia conforme a estratégia definida.
De repente, energia solar, armazenamento e mobilidade elétrica deixam de ser três mercados separados.
Passam a fazer parte de um mesmo ecossistema energético.
Residencial: onde a revolução já começou
No primeiro dos três pilares apresentados pela companhia — residencial — Zitnick destacou a expansão da rede de parceiros e distribuidores no Brasil.
A estratégia é aumentar o acesso às soluções e aproximá-las do consumidor final.
Na Intersolar 2026, a Sigenergy apresentou uma nova geração de sua arquitetura residencial, reforçando justamente a ideia de integração entre armazenamento e gerenciamento inteligente.
O princípio é simplificar uma tecnologia que, por trás da interface, é extremamente sofisticada.
Porque a massificação do armazenamento residencial dependerá de uma condição fundamental:
o consumidor não pode precisar se transformar em engenheiro elétrico para utilizar sua própria bateria.
C&I: quando a bateria começa a resolver problemas de negócio
No mercado comercial e industrial, a lógica muda.
Aqui, armazenamento não é apenas uma ferramenta de independência energética.
Pode se transformar em infraestrutura empresarial.
Backup.
Atendimento a cargas críticas.
Gerenciamento de energia.
Continuidade operacional.
Integração com geração renovável.
Redução de exposição a determinadas condições tarifárias.
Para um consumidor residencial, ficar sem energia pode significar inconveniência.
Para determinadas empresas, significa perda financeira imediata.
Uma indústria pode parar.
Equipamentos podem desligar.
Operações críticas podem ser interrompidas.
Dados podem ser comprometidos.
É nesse ambiente que o BESS deixa de ser apenas uma bateria e começa a ser tratado como parte da estratégia de resiliência da empresa.
Utility-scale: a bateria chega ao sistema elétrico
O terceiro pilar leva a discussão para outra escala.
Grandes sistemas de armazenamento conectados à infraestrutura elétrica.
A Sigenergy chegou à Intersolar 2026 apresentando também sua estratégia para utility-scale, incluindo o SigenTerra, solução voltada a grandes projetos de armazenamento.
É uma área particularmente importante para o Brasil.
À medida que solar e eólica ocupam parcelas maiores da matriz elétrica, cresce a discussão sobre como adicionar flexibilidade, capacidade e segurança ao sistema.
Baterias de grande porte podem participar dessa transformação.
E a companhia quer estar posicionada para esse mercado.
O leilão de capacidade coloca o BESS no centro da discussão brasileira
Durante a entrevista, Zitnick também destacou a preparação da Sigenergy para as oportunidades relacionadas aos mecanismos brasileiros de contratação de capacidade com baterias.
O movimento é estratégico.
Até pouco tempo atrás, armazenamento de grande escala no Brasil era discutido principalmente em conferências, projetos-piloto e grupos técnicos.
Agora começa a entrar nas decisões de investimento.
Isso muda completamente o mercado.
Quando existe uma perspectiva concreta de contratação, fabricantes passam a estruturar produto, engenharia, cadeia de suprimentos, financiamento, serviços e presença local.
O BESS deixa de ser apenas uma tecnologia promissora.
Começa a se tornar infraestrutura energética.
E a Sigenergy começa a olhar para fabricação local
Talvez uma das declarações mais relevantes de Zitnick durante a conversa tenha sido sobre o futuro industrial da companhia no país.
Segundo o executivo, a Sigenergy estuda preparar fabricação local ligada ao seu portfólio.
Ainda é uma intenção em desenvolvimento, e não um anúncio definitivo de implantação.
Mas a direção é significativa.
A empresa não está olhando para o Brasil apenas como destino de equipamentos.
Está avaliando uma presença de prazo muito mais longo.
“O que nós visamos para o mercado local é uma parceria de médio e longo prazo.”
E complementa:
“A Sigenergy de fato tem planos de crescer suas operações aqui no Brasil sem limite de tempo.”
Uma empresa jovem em um mercado que está envelhecendo rapidamente
A Sigenergy representa também um fenômeno interessante dentro da indústria de energia.
Ela é uma companhia relativamente jovem competindo em um setor historicamente dominado por gigantes industriais.
Mas nasceu em um momento diferente.
Um momento em que software, inteligência artificial, baterias, eletrônica de potência, veículos elétricos e energia solar começam a convergir.
Isso permite desenhar produtos partindo de uma premissa que empresas mais antigas precisaram incorporar posteriormente:
energia será cada vez mais digital.
A bateria não é o produto. O produto é o controle
Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a conversa.
Seria fácil olhar para o estande da Sigenergy na Intersolar e concluir que a empresa vende baterias.
Tecnicamente, sim.
Mas a disputa que começa a surgir no armazenamento é maior.
Uma bateria isolada guarda elétrons.
Um sistema inteligente decide:
quando carregar;
quando descarregar;
quanto preservar;
qual carga priorizar;
como responder à rede;
como alimentar um veículo;
quando utilizar geração solar;
como reagir a uma falha;
e como proteger o próprio ativo.
O valor começa a migrar do hardware para a orquestração do hardware.
Análise EnergyChannel | A próxima grande disputa será pelo controle da energia
A primeira revolução solar democratizou a geração.
A segunda revolução pode democratizar o controle.
Durante anos, a relação entre consumidor e eletricidade foi praticamente unilateral.
A rede entregava.
O consumidor utilizava.
O medidor contabilizava.
A conta chegava.
A geração distribuída quebrou parte dessa lógica ao permitir que milhões de consumidores também produzissem energia.
As baterias quebram outra parte.
Agora o consumidor pode começar a decidir quando aquela energia terá valor para ele.
E a inteligência artificial adiciona uma terceira camada:
o sistema pode ajudar a tomar essa decisão.
Essa combinação solar + armazenamento + software + IA + mobilidade elétrica começa a criar uma arquitetura energética completamente diferente daquela que dominou o último século.
A residência deixa de ser apenas carga.
A empresa deixa de ser apenas consumidora.
O carro deixa de ser apenas meio de transporte.
A bateria deixa de ser apenas backup.
E a energia deixa de ser apenas um fluxo instantâneo.
Ela passa a ser um recurso armazenável, programável e gerenciável.
Foi isso que ficou evidente na conversa do EnergyChannel com Bruno Zitnick durante a Intersolar South America 2026.
Enquanto parte do mercado ainda pergunta quanto custa uma bateria, a indústria que está surgindo começa a fazer uma pergunta diferente:
O que poderemos fazer quando tivermos controle sobre a energia?
A resposta ainda está sendo construída.
Mas uma coisa parece cada vez mais clara.
Depois de aprender a gerar energia limpa, o mundo está começando a aprender a comandá-la.
E talvez seja justamente aí que comece a próxima grande fase da transição energética.
EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026
Na Intersolar South America 2026, em São Paulo, a Sigenergy apresentou seu ecossistema de armazenamento para aplicações residenciais, comerciais e industriais e utility-scale, reforçando sua estratégia de integrar baterias, eletrônica de potência, gerenciamento inteligente e inteligência artificial.
Entrevistado: Bruno Zitnick — Sigenergy
Cargo: Business Development | Sales Director
Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel
Evento: Intersolar South America 2026
Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil
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A energia deixou de ser apenas gerada. Agora pode ser controlada: Sigenergy aposta em IA e baterias para uma nova era elétrica






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