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  • A tecnologia que pode sustentar a rede elétrica do futuro: SMA explica como inversores Grid Forming podem substituir funções dos grandes geradores

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Bruno Furtado, da SMA Solar Technology, explica por que Grid Forming, baterias, inércia virtual e Black Start podem se tornar fundamentais para manter a estabilidade de sistemas elétricos dominados por solar e eólica e como data centers adicionarão uma nova camada de complexidade a essa transformação Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Imagine um sistema elétrico alimentado cada vez mais pelo sol e pelo vento. Menos térmicas. Menos grandes geradores convencionais. Mais parques solares. Mais turbinas eólicas. Mais baterias. À primeira vista, esse parece ser exatamente o sistema elétrico que a transição energética pretende construir. Mas existe um problema. Durante mais de um século, as grandes máquinas girantes das hidrelétricas, térmicas e outras centrais convencionais não fizeram apenas eletricidade. Elas também ajudaram a sustentar a própria rede elétrica. Sua massa rotacional fornece inércia ao sistema. Sua resposta elétrica contribui para estabilidade. Elas ajudam a estabelecer referências de tensão e frequência. E podem desempenhar funções essenciais durante perturbações. Quando essas máquinas começam a ser substituídas por geração solar e eólica conectada à rede através de eletrônica de potência, surge uma pergunta fundamental: quem fará esse trabalho no sistema elétrico do futuro? Uma das respostas pode estar em uma tecnologia cujo nome ainda é pouco conhecido fora dos círculos mais técnicos do setor: Grid Forming. Durante o segundo dia da Intersolar South America 2026, o EnergyChannel conversou com Bruno Furtado, Application Engineer & Project Manager da SMA Solar Technology AG, depois de uma apresentação técnica dedicada justamente ao tema. E o que parece, à primeira vista, uma discussão restrita à engenharia de potência revela algo muito maior: a arquitetura elétrica necessária para permitir que as renováveis continuem crescendo sem comprometer a estabilidade da rede. Grid Following versus Grid Forming: a diferença está na inteligência Para entender a transformação, primeiro é necessário compreender como grande parte dos inversores tradicionais opera. O chamado Grid Following — literalmente, “seguidor de rede” — precisa encontrar uma rede elétrica existente. Ele mede parâmetros como tensão e frequência. Verifica se estão dentro das condições adequadas. Sincroniza-se. E então injeta energia. “O controle do inversor Grid Following vai medir a rede. Vai medir se tensão e frequência estão dentro dos parâmetros de operação. Se estiverem, ele conecta e injeta energia.” Esses equipamentos podem oferecer algum suporte. Em determinadas condições de afundamento de tensão, por exemplo, podem contribuir com potência reativa. Mas existe uma diferença fundamental quando entramos no universo Grid Forming. “O inversor Grid Forming gera uma nova rede em cima daquela rede em que ele se conectou.” Em outras palavras: o primeiro segue. O segundo pode ajudar a formar. O mais surpreendente: o hardware pode ser praticamente o mesmo Existe um aspecto particularmente importante nessa evolução. Não estamos necessariamente falando de uma enorme mudança física dentro do equipamento. Segundo Furtado, quando se compara um inversor Grid Following e um Grid Forming, a diferença central está no controle. “A maior diferença entre eles é a parte de controle.” Isso significa que funções capazes de mudar profundamente a interação entre um inversor e o sistema elétrico podem estar concentradas em: software, algoritmos e inteligência de controle. “É tudo controle, é tudo software. Está tudo ali na inteligência do equipamento.” Essa constatação resume uma transformação maior acontecendo no setor energético. Durante décadas, avanços no sistema elétrico dependeram fortemente da construção de novas máquinas. Agora, parte da evolução pode acontecer por meio da capacidade de programar como essas máquinas eletrônicas se comportam. Transformando eletrônica de potência em uma máquina síncrona virtual Para compreender por que isso importa, é necessário voltar às grandes usinas convencionais. Uma hidrelétrica possui enormes máquinas girantes. Quando ocorre uma perturbação na rede, a própria massa dessas máquinas não muda instantaneamente de velocidade. Existe energia cinética armazenada naquela rotação. Essa característica física ajuda o sistema a resistir a variações bruscas. É a chamada inércia. Solar fotovoltaica não possui um enorme rotor girando. Um parque eólico possui partes rotativas, mas sua interface eletrônica e sua dinâmica de contribuição ao sistema são diferentes da máquina síncrona convencional. Conforme aumenta a participação de fontes conectadas por inversores, a natureza física da rede começa a mudar. É aí que entra uma das funções mais interessantes do Grid Forming: a inércia virtual. Furtado cita o conceito de VSM — Virtual Synchronous Machine, ou máquina síncrona virtual. O inversor é controlado eletronicamente para reproduzir características de comportamento que historicamente estavam associadas a máquinas síncronas. “É um inversor desempenhando o papel como se fosse uma máquina síncrona virtual.” Não existe uma turbina gigantesca girando dentro dele. Existe software fazendo a eletrônica de potência responder de maneira planejada. Não é mágica. É engenharia Furtado faz questão de afastar uma interpretação simplista. Grid Forming não é uma tecnologia milagrosa. “O Grid Forming não é uma solução mágica. Ele é uma solução técnica.” Sua função é transportar para uma rede com elevada presença de recursos baseados em inversores algumas capacidades que anteriormente eram fornecidas naturalmente pelos geradores convencionais. Isso pode incluir suporte à frequência. Controle de tensão. Resposta a perturbações. Inércia virtual. Capacidade de curto-circuito, conforme arquitetura e requisitos. Formação de rede. E, em determinadas configurações, restauração depois de um apagão. É justamente aí que surge outro termo importante. Black Start: o que acontece depois do apagão Se blackout significa apagão, o que acontece quando precisamos reconstruir o sistema? Esse processo é conhecido como Black Start. Furtado resumiu de maneira quase didática: “O Black Start é o que acontece depois do blackout.” Durante a entrevista, surgiu até uma tradução informal: se blackout é o apagão, Black Start seria o “acendão”. A brincadeira ajuda a explicar um problema extremamente sério. Depois de um colapso, não basta simplesmente ligar todas as usinas novamente. A rede precisa ser reconstruída progressivamente. Alguém precisa criar a primeira referência. Tensão. Frequência. Estabilidade. Então outras fontes podem sincronizar-se e entrar. Historicamente, esse trabalho pode ser realizado por determinados geradores convencionais capazes de iniciar sem depender da rede externa. Mas como isso funcionará em um sistema dominado por renováveis? O sol sozinho não pode prometer estar disponível quando o sistema precisar Imagine que um grande apagão aconteça durante a noite. Não existe geração fotovoltaica. Ou imagine que seja durante o dia, mas exista forte variação de irradiância. Eólica enfrenta o mesmo problema conceitual: o vento não obedece às necessidades instantâneas do operador. Por isso, Furtado conecta diretamente três elementos: Grid Forming + armazenamento + Black Start. “O Black Start depende das baterias e, para fazer um Black Start, você precisa formar a rede.” Uma bateria possui uma característica decisiva. A energia está armazenada. Pode ser disponibilizada quando solicitada, dentro dos limites de potência e estado de carga do sistema. Isso transforma o BESS em muito mais do que uma ferramenta para arbitragem ou deslocamento de energia. Ele pode se tornar parte da infraestrutura de estabilidade e recuperação do sistema elétrico. A bateria deixa de ser apenas um reservatório de energia Essa talvez seja uma das mudanças conceituais mais importantes da entrevista. Quando o mercado começou a falar de BESS, grande parte da discussão econômica estava relacionada a armazenar energia barata para utilizá-la em outro momento. Mas um sistema de baterias pode entregar diferentes serviços. Furtado oferece um exemplo hipotético. Imagine que 80% da capacidade operacional disponível seja destinada a uma estratégia econômica e 20% seja preservada para uma função relacionada à estabilidade, como suporte de inércia. A proporção é apenas um exemplo. O princípio é muito mais importante. Parte da bateria pode ser reservada para estar disponível quando a rede precisar dela. Porque uma perturbação não avisa quando vai acontecer. Se o sistema necessita de resposta rápida e a bateria estiver completamente indisponível para aquela função, o serviço não poderá ser prestado. Uma usina que pode ser reprogramada Aqui aparece uma diferença extraordinária entre a infraestrutura convencional e a eletrônica de potência. Imagine que determinado ponto da rede passe a necessitar de mais suporte de inércia. Em uma arquitetura tradicional, aumentar determinadas capacidades pode exigir novos equipamentos, reforços físicos ou até nova geração. Em um sistema baseado em Grid Forming e BESS, algumas características podem ser reconfiguradas por controle, respeitando naturalmente os limites físicos do equipamento. “Eu consigo reconfigurar o meu equipamento.” O operador pode ajustar parâmetros e estratégias conforme estudos elétricos e necessidades específicas daquele ponto da rede. Essa flexibilidade muda a própria ideia de infraestrutura. Uma térmica construída hoje continuará fisicamente sendo aquela térmica amanhã. Um sistema baseado em software pode ter seu comportamento modificado ao longo da vida operacional. Cada rede precisará de uma resposta diferente Isso não significa que exista uma configuração universal. Muito pelo contrário. Furtado explica que a SMA trabalha próxima aos operadores de sistemas de transmissão de diferentes países para compreender necessidades locais. Porque o problema do Reino Unido não é necessariamente o problema do Brasil. A Austrália possui outra arquitetura. O Chile enfrenta condições específicas. Os Estados Unidos possuem seus próprios requisitos. O Brasil, por exemplo, ainda conta com uma importante participação hidrelétrica, o que proporciona características de sistema diferentes de países que reduziram mais rapidamente sua geração síncrona convencional. Isso significa que determinadas funções podem se tornar urgentes primeiro em um país e posteriormente em outro. A tecnologia precisa acompanhar a física de cada rede. Austrália: um laboratório do futuro Entre os mercados citados por Furtado, a Austrália é particularmente interessante. O país avançou rapidamente na incorporação de renováveis e, justamente por isso, encontrou antecipadamente desafios que outras redes poderão enfrentar no futuro. A necessidade acelerou a adoção de tecnologias de estabilidade baseadas em inversores e armazenamento. Para o Brasil, existe uma lição importante. Não é necessário esperar que o problema apareça em escala crítica para começar a preparar a solução. Europa, Austrália e Estados Unidos já acumulam experiências com aplicações avançadas. Brasil e Chile começam a seguir essa trajetória na América Latina. O maior obstáculo talvez não esteja dentro do inversor Quando perguntado sobre os desafios para implementação em larga escala, Furtado separa a questão em duas frentes. A primeira é técnica e envolve maturação, validação e aplicação em diferentes redes. A segunda é talvez ainda mais complexa: regulação. “A tecnologia e os projetos avançam mais rápido que o regulatório.” Grid Forming desafia algumas classificações tradicionais do setor. Se um sistema eletrônico consegue fornecer funções que antes pertenciam a um gerador convencional, como ele deve ser remunerado? Quais serviços serão exigidos? Quais testes precisam ser realizados? Quem certificará a resposta? Como o operador do sistema incorporará essa capacidade ao planejamento? A tecnologia pode existir. Mas, sem regras, não existe mercado em escala. O Brasil começa a abrir a porta Furtado aponta as discussões brasileiras envolvendo armazenamento e os requisitos que começam a ser desenhados para sistemas com funções Grid Forming como um primeiro passo. A expectativa é que novos projetos permitam avançar da discussão teórica para aplicações e testes efetivos na rede brasileira nos próximos anos. Ele reconhece que a primeira estrutura regulatória provavelmente não será perfeita. E talvez nem precise ser. O importante é permitir que os projetos comecem. Durante a conversa, surgiu uma definição perfeita para esse momento: o Black Start da regulação brasileira. Ou seja: o sistema regulatório também precisa começar a “religar” uma nova arquitetura. A rede está preparada? De certa forma, sim Existe um paradoxo interessante. Fisicamente, a rede elétrica já foi construída para operar com geradores formadores. Afinal, geradores síncronos convencionais historicamente exerceram justamente essa função. O que muda agora é quem desempenha o papel. “A gente só está mudando o paradigma.” Em vez de uma grande máquina eletromecânica estabelecer determinadas características da rede, um inversor controlado eletronicamente pode fornecer funções semelhantes. Para o restante do sistema, a ideia é que esse recurso se comporte de maneira compatível com as necessidades elétricas daquele ponto. Portanto, uma parcela importante do desafio não é reconstruir toda a rede. É permitir técnica e regulatoriamente que novos equipamentos forneçam os serviços que o sistema precisa. E então entram os data centers Quando a conversa avançou para os próximos cinco ou dez anos, Furtado introduziu uma variável que torna toda essa discussão ainda mais urgente. Data centers. Inteligência artificial, computação em nuvem, serviços digitais e processamento massivo estão criando instalações com demandas elétricas gigantescas. Não estamos falando de cargas residenciais distribuídas. Estamos falando de grandes blocos de consumo concentrados geograficamente. E isso cria um novo desafio para planejamento e operação. “São grandes cargas concentradas em locais específicos onde não necessariamente você tem geração.” Um data center instalado no Sudeste brasileiro produz um efeito completamente diferente de uma instalação próxima a regiões com grande excedente renovável. A geografia da geração e a geografia do consumo começam a importar ainda mais. A inteligência artificial também terá uma conta de energia Existe uma ironia histórica aqui. A mesma era digital que permite desenvolver controles cada vez mais sofisticados para a rede está criando uma das maiores novas fontes de demanda elétrica. IA precisa de data centers. Data centers precisam de energia. E a energia precisa ser confiável. Muito confiável. Para essas instalações, pequenas perturbações podem ter consequências enormes. Isso significa que a expansão dos data centers poderá exigir simultaneamente: mais geração; mais transmissão; mais armazenamento; mais estabilidade; mais eletrônica de potência; e mais inteligência de controle. Hidrogênio adicionará outra camada Data centers não são a única nova carga relevante. Furtado também aponta o hidrogênio como elemento que poderá alterar o perfil de demanda. Grandes eletrolisadores podem representar cargas significativas. Com uma diferença interessante: dependendo da aplicação, parte dessa demanda pode possuir algum grau de flexibilidade. Isso abre possibilidades para coordenação entre disponibilidade renovável, armazenamento e consumo industrial. O sistema elétrico do futuro não será simplesmente maior. Será mais dinâmico. Microrredes: quando uma instalação começa a formar sua própria rede Grid Forming também não precisa estar restrito ao sistema interligado. A tecnologia abre possibilidades importantes para microrredes e operação ilhada. Furtado usa novamente o exemplo dos data centers. Em determinadas arquiteturas, uma instalação poderia operar em uma microrrede formada por inversores Grid Forming, com geração e armazenamento locais, mantendo capacidade de conexão à rede quando necessário. Isso cria outra visão de resiliência. A instalação deixa de depender exclusivamente da existência de uma rede externa estável. Ela passa a ter capacidade de formar sua própria referência elétrica. Mas desconectar gigawatts também é um problema Existe, entretanto, um detalhe crítico. Se uma carga gigantesca estiver conectada à rede e subitamente se desconectar para operar de maneira ilhada, o sistema perceberá imediatamente essa mudança. Quanto maior a carga, maior a perturbação potencial. E redes com elevada participação de recursos baseados em inversores podem exigir estratégias ainda mais sofisticadas para lidar com essas transições. Por isso, não basta simplesmente construir data centers e adicionar baterias. Será necessário estudar como essas cargas: conectam; desconectam; respondem; interagem com geração; interagem com armazenamento; e ajudam — ou prejudicam — a estabilidade do sistema. Análise EnergyChannel | O futuro renovável depende de algo que quase ninguém vê Existe uma tendência natural de medir a transição energética em números facilmente compreensíveis. Gigawatts solares instalados. Número de turbinas. Megawatts-hora de baterias. Bilhões investidos. Mas a conversa com Bruno Furtado revela uma camada muito menos visível — e talvez tão importante quanto todas as outras. Estabilidade. Não basta instalar renováveis. A rede precisa continuar funcionando. Não basta construir baterias. Elas precisam responder quando necessário. Não basta desligar geração convencional. Alguém precisa assumir as funções que essas máquinas prestavam ao sistema. Não basta conectar data centers. A rede precisa absorver essas novas cargas sem perder segurança. A transição energética, portanto, não consiste simplesmente em substituir uma fonte por outra. Estamos substituindo progressivamente uma arquitetura elétrica por outra. Na arquitetura antiga, grande parte da estabilidade estava embutida na física das máquinas. Na nova, uma parcela crescente poderá estar embutida em: software. Algoritmos. Eletrônica de potência. Baterias. Modelos de controle. Máquinas síncronas virtuais. Inversores capazes não apenas de seguir a rede, mas de ajudar a formá-la. É uma mudança profunda. Talvez um dos equipamentos mais importantes do sistema elétrico de 2035 se pareça externamente com um inversor que já conhecemos hoje. A diferença estará naquilo que não conseguimos enxergar. O código. A inteligência. A maneira como ele reage em milissegundos quando alguma coisa acontece a centenas de quilômetros de distância. É por isso que Grid Forming importa. Não porque seja uma nova expressão técnica para o setor energético. Mas porque pode ajudar a responder a uma das perguntas mais importantes da transição energética: como construir um sistema elétrico com cada vez mais solar e eólica sem abrir mão da estabilidade que o mundo espera quando aperta um interruptor? Na Intersolar 2026, a resposta apresentada pela SMA aponta para uma combinação cada vez mais clara: renováveis + armazenamento + eletrônica de potência + inteligência de controle. O objetivo final não é simplesmente uma rede com mais energia limpa. É algo muito mais difícil. Uma rede limpa que continue funcionando quando mais precisarmos dela. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 A transformação dos sistemas elétricos está levando fabricantes, operadores e reguladores a discutir uma nova geração de tecnologias capazes de integrar volumes crescentes de energia renovável mantendo estabilidade, confiabilidade e segurança operacional. Na entrevista concedida ao EnergyChannel durante a Intersolar South America 2026, a SMA colocou o Grid Forming no centro dessa discussão conectando a tecnologia ao avanço dos sistemas BESS, Black Start, inércia virtual, microrredes e às enormes novas cargas que deverão chegar ao sistema, entre elas data centers e projetos ligados ao hidrogênio. A tecnologia que pode sustentar a rede elétrica do futuro: SMA explica como inversores Grid Forming podem substituir funções dos grandes geradores Entrevistado: Bruno Furtado Cargo: Application Engineer & Project Manager Empresa: SMA Solar Technology AGEntrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. A tecnologia que pode sustentar a rede elétrica do futuro: SMA explica como inversores Grid Forming podem substituir funções dos grandes geradores

  • A energia deixou de ser apenas gerada. Agora pode ser controlada: Sigenergy aposta em IA e baterias para uma nova era elétrica

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Bruno Zitnick, diretor de vendas da Sigenergy no Brasil, explica como armazenamento, inteligência artificial e controle inteligente podem transformar residências, empresas e grandes sistemas elétricos e colocar o consumidor no comando da própria energia Por Ricardo Honório | EnergyChannelCobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo SÃO PAULO — Durante mais de uma década, a revolução solar foi impulsionada por uma pergunta relativamente simples: como gerar energia limpa e barata? Painéis ficaram mais eficientes. Inversores evoluíram. Custos caíram. Milhões de consumidores começaram a produzir eletricidade sobre os próprios telhados. Mas a próxima etapa da transição energética exige uma pergunta muito mais sofisticada: O que fazer com essa energia depois que ela foi gerada? Armazenar? Consumir? Enviar para um veículo elétrico? Preservar para uma eventual falta da rede? Utilizar durante os horários mais caros? Entregar para cargas críticas? Ou, em mercados onde isso já é permitido, vender de volta ao sistema elétrico? É justamente nessa fronteira entre geração, armazenamento e inteligência que a Sigenergy construiu seu negócio. No segundo dia da Intersolar South America 2026, o EnergyChannel conversou com Bruno Zitnick, diretor de vendas da companhia no Brasil, para entender uma empresa que percorreu um caminho diferente de grande parte da indústria fotovoltaica. Enquanto muitos fabricantes começaram com inversores on-grid e posteriormente incorporaram sistemas híbridos e baterias aos seus portfólios, a Sigenergy nasceu em uma época em que o armazenamento já começava a ocupar o centro da arquitetura energética. “A Sigenergy já nasceu como uma empresa focada em soluções de armazenamento de energia.” E isso muda muita coisa. Uma empresa que nasceu depois da primeira revolução solar Existe uma vantagem particular em chegar a uma indústria depois que sua primeira grande transformação já aconteceu. Você não precisa necessariamente carregar a arquitetura tecnológica do passado. Durante a entrevista, Zitnick explicou que a companhia estrutura suas soluções de armazenamento para três grandes mercados: residencial, comercial e industrial — C&I — e utility-scale. Mas a característica que conecta essas três áreas não é simplesmente a bateria. É a inteligência utilizada para administrá-la. Em outras palavras: a bateria guarda energia. O software decide o que fazer com ela. A bateria começa a tomar decisões No ambiente residencial, a proposta é dar ao usuário um nível de controle sobre a energia que há poucos anos pareceria sofisticado demais para uma residência. Por meio do aplicativo da Sigenergy, o consumidor pode definir estratégias para carregamento e descarregamento da bateria e determinar como a energia armazenada deverá atender suas cargas. Isso transforma a residência em algo diferente de um simples consumidor conectado à rede. Ela começa a funcionar como um pequeno sistema energético programável. O usuário deixa de enxergar apenas quanto produziu. Passa a decidir quando e como utilizar aquilo que produziu. Quando a IA deixa de ser conveniência e passa a ser segurança À medida que a escala aumenta, entretanto, o papel da inteligência artificial muda. Em uma residência, ela pode ajudar a otimizar comportamento e consumo. Em aplicações comerciais, industriais ou de grande porte, passa também a ter uma função operacional. Segundo Zitnick, a IA pode acompanhar o desempenho do sistema, identificar comportamentos anormais e auxiliar operadores com informações para ações preventivas. “A inteligência artificial de fato consegue monitorar todo o sistema e isso evita problemas futuros.” A tecnologia também permite comparar o comportamento real da bateria com aquilo que foi previsto durante o dimensionamento. Ou seja, não basta saber que a bateria está funcionando. É possível avaliar se ela está funcionando como deveria funcionar para aquela aplicação específica. Para Zitnick, essa inteligência está diretamente ligada a outro tema decisivo para o armazenamento: segurança. O futuro da energia será preditivo Essa mudança merece atenção. Historicamente, grande parte da manutenção de infraestrutura elétrica foi construída em torno de dois modelos. Manutenção programada. Ou manutenção depois da falha. Dados e inteligência artificial começam a abrir espaço para uma terceira possibilidade: antecipar o problema. Temperatura. Ciclos. Potência. Estado da bateria. Comportamento operacional. Desvios. Alarmes. Performance. Quanto maior o sistema, maior o volume de informações gerado. A verdadeira vantagem da IA não está simplesmente em acumular esses dados. Está em encontrar padrões que um operador humano dificilmente conseguiria acompanhar continuamente. A energia passa, progressivamente, de monitorada para interpretada. Energia firme muda a lógica da renovável Existe ainda uma transformação conceitual importante. Solar e eólica carregam uma característica conhecida: são fontes variáveis. O sol não pergunta quando o consumidor precisa de energia. Ele simplesmente aparece — ou desaparece. Durante anos, o sistema elétrico precisou adaptar o consumo à disponibilidade instantânea das renováveis ou complementar essa geração com outras fontes. O armazenamento muda essa equação. Agora é possível separar dois momentos que historicamente precisavam acontecer simultaneamente: o momento em que a energia é produzida e o momento em que ela é utilizada. É essa capacidade que começa a aproximar renováveis do conceito de energia controlável. A bateria cria uma espécie de ponte no tempo. Produza agora. Use depois. Do consumidor de energia ao operador da própria energia Para Zitnick, uma das diferenças entre o Brasil e mercados mais avançados em armazenamento está justamente no grau de flexibilidade oferecido ao consumidor. Em alguns países, residências já operam dentro de estruturas tarifárias e regulatórias que permitem decisões muito mais sofisticadas sobre compra, armazenamento e exportação de eletricidade. O equipamento precisa estar preparado para esse futuro. “A gente consegue controlar aquilo que é produzido e armazenado e distribuir da maneira em que o usuário final define.” Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes de toda a transição energética. O consumidor deixa de ser o último elo passivo da cadeia. Ele começa a participar. Gera. Armazena. Programa. Consome. E, dependendo das regras de cada mercado, pode também responder a preços ou fornecer energia para a rede. O Brasil ainda tem um gap. A tecnologia não precisa ter Zitnick reconhece que o mercado brasileiro ainda está atrás de algumas regiões em determinadas aplicações de armazenamento e flexibilidade energética. Mas argumenta que isso não significa que os equipamentos comercializados no país precisem nascer tecnologicamente atrasados. “O produto que nós vendemos aqui no Brasil segue os padrões internacionais.” A lógica é preparar hoje uma infraestrutura capaz de acompanhar a evolução regulatória e comercial de amanhã. Porque a velocidade da transformação pode aumentar significativamente à medida que o consumidor ganha novas possibilidades de contratação e gestão da eletricidade. E então chegou o carro elétrico Existe outro elemento entrando nessa equação. Um dos maiores novos consumidores de eletricidade dentro de uma residência ou empresa pode estar estacionado na garagem. O veículo elétrico. A eletrificação da mobilidade adiciona uma carga relevante ao sistema e, ao mesmo tempo, cria novas possibilidades para armazenamento e gerenciamento energético. Durante a entrevista, Zitnick destacou soluções capazes de integrar armazenamento e carregamento de veículos elétricos, inclusive em corrente contínua. Isso cria um cenário interessante. Painéis solares produzem energia. A bateria estacionária armazena. O sistema de gestão decide. E o carro recebe energia conforme a estratégia definida. De repente, energia solar, armazenamento e mobilidade elétrica deixam de ser três mercados separados. Passam a fazer parte de um mesmo ecossistema energético. Residencial: onde a revolução já começou No primeiro dos três pilares apresentados pela companhia — residencial — Zitnick destacou a expansão da rede de parceiros e distribuidores no Brasil. A estratégia é aumentar o acesso às soluções e aproximá-las do consumidor final. Na Intersolar 2026, a Sigenergy apresentou uma nova geração de sua arquitetura residencial, reforçando justamente a ideia de integração entre armazenamento e gerenciamento inteligente. O princípio é simplificar uma tecnologia que, por trás da interface, é extremamente sofisticada. Porque a massificação do armazenamento residencial dependerá de uma condição fundamental: o consumidor não pode precisar se transformar em engenheiro elétrico para utilizar sua própria bateria. C&I: quando a bateria começa a resolver problemas de negócio No mercado comercial e industrial, a lógica muda. Aqui, armazenamento não é apenas uma ferramenta de independência energética. Pode se transformar em infraestrutura empresarial. Backup. Atendimento a cargas críticas. Gerenciamento de energia. Continuidade operacional. Integração com geração renovável. Redução de exposição a determinadas condições tarifárias. Para um consumidor residencial, ficar sem energia pode significar inconveniência. Para determinadas empresas, significa perda financeira imediata. Uma indústria pode parar. Equipamentos podem desligar. Operações críticas podem ser interrompidas. Dados podem ser comprometidos. É nesse ambiente que o BESS deixa de ser apenas uma bateria e começa a ser tratado como parte da estratégia de resiliência da empresa. Utility-scale: a bateria chega ao sistema elétrico O terceiro pilar leva a discussão para outra escala. Grandes sistemas de armazenamento conectados à infraestrutura elétrica. A Sigenergy chegou à Intersolar 2026 apresentando também sua estratégia para utility-scale, incluindo o SigenTerra, solução voltada a grandes projetos de armazenamento. É uma área particularmente importante para o Brasil. À medida que solar e eólica ocupam parcelas maiores da matriz elétrica, cresce a discussão sobre como adicionar flexibilidade, capacidade e segurança ao sistema. Baterias de grande porte podem participar dessa transformação. E a companhia quer estar posicionada para esse mercado. O leilão de capacidade coloca o BESS no centro da discussão brasileira Durante a entrevista, Zitnick também destacou a preparação da Sigenergy para as oportunidades relacionadas aos mecanismos brasileiros de contratação de capacidade com baterias. O movimento é estratégico. Até pouco tempo atrás, armazenamento de grande escala no Brasil era discutido principalmente em conferências, projetos-piloto e grupos técnicos. Agora começa a entrar nas decisões de investimento. Isso muda completamente o mercado. Quando existe uma perspectiva concreta de contratação, fabricantes passam a estruturar produto, engenharia, cadeia de suprimentos, financiamento, serviços e presença local. O BESS deixa de ser apenas uma tecnologia promissora. Começa a se tornar infraestrutura energética. E a Sigenergy começa a olhar para fabricação local Talvez uma das declarações mais relevantes de Zitnick durante a conversa tenha sido sobre o futuro industrial da companhia no país. Segundo o executivo, a Sigenergy estuda preparar fabricação local ligada ao seu portfólio. Ainda é uma intenção em desenvolvimento, e não um anúncio definitivo de implantação. Mas a direção é significativa. A empresa não está olhando para o Brasil apenas como destino de equipamentos. Está avaliando uma presença de prazo muito mais longo. “O que nós visamos para o mercado local é uma parceria de médio e longo prazo.” E complementa: “A Sigenergy de fato tem planos de crescer suas operações aqui no Brasil sem limite de tempo.” Uma empresa jovem em um mercado que está envelhecendo rapidamente A Sigenergy representa também um fenômeno interessante dentro da indústria de energia. Ela é uma companhia relativamente jovem competindo em um setor historicamente dominado por gigantes industriais. Mas nasceu em um momento diferente. Um momento em que software, inteligência artificial, baterias, eletrônica de potência, veículos elétricos e energia solar começam a convergir. Isso permite desenhar produtos partindo de uma premissa que empresas mais antigas precisaram incorporar posteriormente: energia será cada vez mais digital. A bateria não é o produto. O produto é o controle Esse talvez seja o ponto mais importante de toda a conversa. Seria fácil olhar para o estande da Sigenergy na Intersolar e concluir que a empresa vende baterias. Tecnicamente, sim. Mas a disputa que começa a surgir no armazenamento é maior. Uma bateria isolada guarda elétrons. Um sistema inteligente decide: quando carregar; quando descarregar; quanto preservar; qual carga priorizar; como responder à rede; como alimentar um veículo; quando utilizar geração solar; como reagir a uma falha; e como proteger o próprio ativo. O valor começa a migrar do hardware para a orquestração do hardware. Análise EnergyChannel | A próxima grande disputa será pelo controle da energia A primeira revolução solar democratizou a geração. A segunda revolução pode democratizar o controle. Durante anos, a relação entre consumidor e eletricidade foi praticamente unilateral. A rede entregava. O consumidor utilizava. O medidor contabilizava. A conta chegava. A geração distribuída quebrou parte dessa lógica ao permitir que milhões de consumidores também produzissem energia. As baterias quebram outra parte. Agora o consumidor pode começar a decidir quando aquela energia terá valor para ele. E a inteligência artificial adiciona uma terceira camada: o sistema pode ajudar a tomar essa decisão. Essa combinação solar + armazenamento + software + IA + mobilidade elétrica começa a criar uma arquitetura energética completamente diferente daquela que dominou o último século. A residência deixa de ser apenas carga. A empresa deixa de ser apenas consumidora. O carro deixa de ser apenas meio de transporte. A bateria deixa de ser apenas backup. E a energia deixa de ser apenas um fluxo instantâneo. Ela passa a ser um recurso armazenável, programável e gerenciável. Foi isso que ficou evidente na conversa do EnergyChannel com Bruno Zitnick durante a Intersolar South America 2026. Enquanto parte do mercado ainda pergunta quanto custa uma bateria, a indústria que está surgindo começa a fazer uma pergunta diferente: O que poderemos fazer quando tivermos controle sobre a energia? A resposta ainda está sendo construída. Mas uma coisa parece cada vez mais clara. Depois de aprender a gerar energia limpa, o mundo está começando a aprender a comandá-la. E talvez seja justamente aí que comece a próxima grande fase da transição energética. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Na Intersolar South America 2026, em São Paulo, a Sigenergy apresentou seu ecossistema de armazenamento para aplicações residenciais, comerciais e industriais e utility-scale, reforçando sua estratégia de integrar baterias, eletrônica de potência, gerenciamento inteligente e inteligência artificial. Entrevistado: Bruno Zitnick — Sigenergy Cargo: Business Development | Sales Director Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. A energia deixou de ser apenas gerada. Agora pode ser controlada: Sigenergy aposta em IA e baterias para uma nova era elétrica

  • A era das baterias começou: EENOVANCE chega ao Brasil apostando no BESS como novo pilar do sistema elétrico

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Robson Meira apresenta a estratégia brasileira da especialista em armazenamento e aponta uma nova fronteira para o setor: gerar energia já não basta será preciso armazenar, controlar e usar eletricidade de forma inteligente Por Ricardo Honório | EnergyChannelCobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo SÃO PAULO — Durante mais de uma década, grande parte da transformação energética brasileira foi contada através de uma imagem: painéis solares ocupando telhados, indústrias, propriedades rurais e grandes áreas de geração pelo país. Agora, uma segunda infraestrutura começa a entrar nessa fotografia. As baterias. No primeiro dia da Intersolar South America 2026, o EnergyChannel encontrou um velho conhecido do mercado fotovoltaico brasileiro vivendo justamente esse novo capítulo da transição energética. Robson Meira, executivo amplamente conhecido no setor como “Robinho”, assumiu em 2026 a operação brasileira da EENOVANCE, fabricante especializada em sistemas de armazenamento de energia. A mudança de empresa acompanha uma mudança muito maior acontecendo no próprio setor. Depois da expansão da geração distribuída, da evolução dos sistemas híbridos e da queda dos custos das tecnologias de armazenamento, o Brasil começa a discutir uma nova pergunta: o que fazer com a energia depois que ela é produzida? Para Meira, a resposta passa inevitavelmente pelo BESS — Battery Energy Storage System. “O armazenamento passa a ser um fator estratégico.” Essa talvez seja a frase que melhor resume não apenas a estratégia da EENOVANCE no Brasil, mas uma das principais transformações observadas pelo EnergyChannel durante a Intersolar 2026. Uma empresa que decidiu fazer apenas armazenamento Em uma indústria na qual grandes fabricantes frequentemente ampliam seus portfólios para módulos, inversores, carregadores e diferentes equipamentos, a história apresentada pela EENOVANCE segue uma lógica diferente. Especialização. Segundo Meira, a companhia nasceu direcionada ao armazenamento de energia e construiu sua trajetória concentrada em baterias e sistemas BESS. “Ela não é focada em inversores, microinversores e outros produtos. Ela foca no armazenamento.” A companhia já possui atuação internacional e agora amplia sua presença na América Latina, incluindo o Brasil. Para o executivo, essa especialização importa porque o armazenamento está deixando de ser apenas mais um componente da instalação elétrica. Em aplicações maiores, uma bateria passa a ser um ativo energético que precisa administrar potência, energia, segurança, temperatura, ciclos de carga e descarga e integração com diferentes fontes e cargas. É outra disciplina dentro da transição energética. E a EENOVANCE quer construir sua posição brasileira justamente a partir dessa especialidade. O projeto Brasil começou meses antes da Intersolar A operação liderada por Meira começou a ganhar forma no início de 2026. Segundo o executivo, desde fevereiro a companhia vinha trabalhando em etapas como certificações, adequações e evolução de produtos destinados ao mercado brasileiro. “Iniciamos um projeto em fevereiro e estamos há cinco meses trabalhando com certificações e toda a evolução de produto para vir para o Brasil.” Não se trata, portanto, apenas de colocar equipamentos dentro de um estande. Existe um processo de adaptação tecnológica e comercial para transformar presença internacional em operação local. A EENOVANCE já havia participado da feira brasileira em 2025. Em 2026, retornou maior. “Eles estiveram aqui em 2025, fizeram a primeira feira deles e agora estão voltando com estande maior, mais visitas e mais interesse do público.” O crescimento da presença física acompanha aquilo que a companhia acredita estar acontecendo fora dos pavilhões: o mercado brasileiro de armazenamento está finalmente começando a ganhar escala. Por que agora? Essa é provavelmente uma das perguntas mais importantes da indústria brasileira de energia em 2026. Baterias existem há décadas. Sistemas de armazenamento tampouco são uma invenção recente. Então por que BESS se tornou uma das expressões mais repetidas do setor energético justamente agora? Meira aponta dois movimentos simultâneos. O primeiro é econômico. “Desde 2024 já havia uma especulação de que as células baixariam de preço.” A redução dos custos das células melhora progressivamente a viabilidade econômica de aplicações que anteriormente eram difíceis de justificar. Mas preço é apenas parte da equação. Existe uma segunda pressão. A necessidade energética. Cidades cresceram. Empresas eletrificaram processos. Data centers multiplicaram cargas críticas. Veículos elétricos começaram a adicionar novas demandas. A geração renovável variável cresceu. Consumidores passaram a exigir mais confiabilidade. E partes da infraestrutura elétrica passaram a enfrentar limitações cada vez mais evidentes. É nesse ambiente que o armazenamento começa a mudar de categoria. De tecnologia desejável para infraestrutura estratégica. BESS não serve apenas para guardar energia solar Talvez este seja um dos maiores equívocos ainda existentes quando se fala em baterias. Imaginar que armazenamento significa simplesmente guardar durante o dia a eletricidade produzida pelos painéis e utilizá-la à noite. Essa é uma aplicação. Mas está longe de ser a única. Um sistema BESS pode assumir diferentes funções dependendo de como é projetado e operado. Pode fornecer backup. Pode deslocar consumo entre horários. Pode reduzir picos de demanda. Pode trabalhar associado à geração fotovoltaica. Pode aumentar resiliência. Pode ajudar consumidores a administrar melhor sua exposição à rede. E, em escalas maiores, pode contribuir para flexibilidade e operação do sistema elétrico. Na conversa com o EnergyChannel, Meira colocou três mercados no centro dessa transformação: residencial, comercial e utilities. “Tanto para as concessionárias, tanto para o residencial e também para o comercial.” É exatamente essa amplitude que torna o armazenamento diferente de muitas das ondas tecnológicas anteriores. A bateria não possui uma única aplicação. Possui dezenas. Supermercados, farmácias, indústrias e agronegócio já estão olhando para baterias A mudança começa a aparecer nas conversas com grandes consumidores. Segundo Meira, a companhia já acompanha projetos envolvendo diferentes segmentos da economia brasileira. “Nós temos grandes projetos em andamento de grandes empresas, grandes redes de supermercados, grandes redes de farmácias, fabricantes de produtos cosméticos e também no agronegócio.” São setores com perfis energéticos bastante diferentes. Mas todos podem encontrar aplicações para armazenamento. Um supermercado, por exemplo, possui refrigeração contínua e cargas relevantes durante grande parte do dia. Uma indústria pode buscar gerenciamento de demanda e maior previsibilidade energética. Uma operação rural pode estar distante de infraestruturas robustas de distribuição. Uma instalação crítica pode simplesmente não aceitar interrupções. A tecnologia é a mesma. O problema resolvido muda de cliente para cliente. No agro, a bateria pode significar muito mais que economia O agronegócio é um exemplo particularmente interessante. A eletrificação de propriedades rurais avançou. Sistemas de irrigação, refrigeração, armazenamento, processamento e automação aumentaram a dependência da eletricidade. Ao mesmo tempo, muitas dessas operações estão localizadas justamente onde a infraestrutura de distribuição pode ser mais limitada. Nesse cenário, combinar geração própria e armazenamento pode produzir um benefício que vai além da redução da conta. Pode significar continuidade operacional. É por isso que a conversa sobre BESS começa a chegar a setores que anteriormente olhavam para a energia solar principalmente como instrumento de economia. O ativo passa a cumprir também uma função de resiliência. Data centers: quando faltar energia simplesmente não é uma opção Em poucas indústrias a confiabilidade elétrica é tão crítica quanto nos data centers. Servidores operam continuamente. Sistemas de refrigeração precisam acompanhar essa operação. Interrupções podem significar indisponibilidade digital, perdas financeiras e impactos sobre milhares ou milhões de usuários. A expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e da economia digital tende a tornar esse desafio ainda mais relevante. Nesse ambiente, armazenamento não é apenas uma discussão sobre sustentabilidade. É uma discussão sobre qualidade, disponibilidade e segurança energética. E o mesmo raciocínio começa a se aplicar a hospitais, telecomunicações, centros logísticos, instalações industriais e outras infraestruturas críticas. Peak shaving: a bateria também pode atacar a potência Uma das aplicações citadas na entrevista está relacionada à administração dos picos elétricos de uma instalação. É o chamado peak shaving. A lógica é relativamente simples. Imagine uma empresa cuja demanda de energia sobe intensamente durante determinados períodos do dia. Em vez de exigir toda essa potência diretamente da rede naquele instante, um BESS pode descarregar energia e ajudar a reduzir o pico observado pela instalação. Depois, em outro momento, a bateria volta a ser carregada. Isso transforma a bateria em algo muito diferente de um “tanque de eletricidade”. Ela passa a ser uma ferramenta de gestão energética. E essa distinção será fundamental para o amadurecimento do mercado brasileiro. Do residencial aos sistemas de megawatts A estratégia da EENOVANCE procura justamente acompanhar essa diversidade de aplicações. A empresa possui soluções voltadas ao armazenamento residencial, sistemas comerciais e industriais e arquiteturas de grande porte para aplicações utility-scale. No ambiente residencial, entram baterias e soluções híbridas destinadas a consumidores que procuram geração associada a armazenamento e backup. No segmento comercial e industrial, os sistemas crescem para atender demandas significativamente maiores. E, no topo dessa arquitetura, aparecem os grandes BESS destinados a aplicações de escala de rede. Meira destacou durante a entrevista sistemas de grande porte, com arquiteturas na escala de megawatts. É o ponto em que armazenamento deixa definitivamente a garagem de uma residência e passa a integrar a discussão sobre infraestrutura elétrica nacional. De quilowatts-hora para megawatts-hora Essa mudança de escala ajuda a entender o tamanho da transformação. Uma bateria residencial pode armazenar alguns quilowatts-hora. Uma instalação comercial pode trabalhar com dezenas ou centenas de quilowatts-hora. Grandes sistemas podem ultrapassar a escala de megawatts-hora. A EENOVANCE apresentou na Intersolar 2026, por exemplo, sua plataforma G-Power 5016-L, um sistema utility-scale de aproximadamente 5 MWh. Nesse nível, já não estamos falando apenas de manter uma residência funcionando durante uma interrupção. Estamos falando de equipamentos capazes de participar de projetos de grande infraestrutura energética. A próxima geração da eletricidade brasileira Durante a conversa com Ricardo Honório, Meira fez uma comparação histórica interessante. O Brasil atravessou uma primeira grande fase de democratização da geração fotovoltaica. Telhados passaram a gerar eletricidade. Empresas passaram a investir em suas próprias usinas. Consumidores começaram a participar ativamente do sistema energético. Depois vieram as arquiteturas híbridas. Agora, segundo ele, começa uma terceira etapa. “Eu acho que remete para o Brasil uma nova geração elétrica.” É uma leitura importante. Porque a bateria altera algo fundamental na relação entre geração e consumo: o tempo. Sem armazenamento, grande parte da eletricidade precisa ser utilizada praticamente no momento em que é produzida ou entregue à rede. Com armazenamento, energia produzida em um momento pode ser deslocada para outro. Parece uma mudança simples. Mas essa capacidade adiciona uma nova camada de flexibilidade ao sistema elétrico. Robinho e a construção de uma nova marca no Brasil A entrada da EENOVANCE no país também passa pela figura de Robson Meira. Conhecido por grande parte dos integradores e distribuidores do setor fotovoltaico brasileiro, o executivo construiu sua carreira justamente no relacionamento com esse ecossistema. Durante a entrevista, ele reconheceu que essa rede será importante para a nova etapa. “Agradeço a todos os instaladores e distribuidores pela confiança. A gente já fez um trabalho anteriormente muito bom, que refletiu em um posicionamento de marca excelente no mercado.” Agora, o desafio é repetir essa construção em uma categoria diferente. Não apenas convencer o mercado sobre uma nova marca. Mas ajudar integradores, EPCs, projetistas e consumidores a compreenderem onde a bateria cria valor. Essa talvez seja uma tarefa ainda maior. Porque vender armazenamento exige uma conversa diferente de vender geração. O integrador também terá que evoluir Durante a primeira onda fotovoltaica, milhares de empresas brasileiras aprenderam a dimensionar módulos, inversores, estruturas e sistemas conectados à rede. A era do armazenamento adiciona novas competências. Perfil de carga. Curvas horárias. Demanda. Ciclos. Backup. Autonomia. Potência de carga e descarga. Estratégias operacionais. Integração com geração. Sistemas de gerenciamento de energia. Segurança. A pergunta deixa de ser simplesmente: “Quantos painéis cabem nesse telhado?” E passa a incluir: “Como esse cliente utiliza energia ao longo do dia — e o que queremos que a bateria faça?” Essa mudança pode transformar também o papel do integrador brasileiro. De instalador de geração solar para especialista em soluções energéticas. Qualidade e segurança serão decisivas Quanto maior o sistema, maior também a responsabilidade. Um BESS concentra quantidade significativa de energia em um espaço relativamente compacto. Por isso, engenharia, gerenciamento térmico, sistemas de proteção, qualidade das células e arquitetura de segurança assumem papel central. Meira fez questão de colocar esses elementos no discurso de entrada da companhia no país. “Estamos trazendo essa evolução, essa marca para o Brasil [...] com qualidade e segurança.” É uma mensagem particularmente importante em uma indústria que deverá crescer rapidamente. O sucesso do armazenamento não dependerá apenas de vender mais baterias. Dependerá da capacidade do setor de construir confiança técnica. Da Intersolar de Munique a São Paulo A estratégia brasileira também faz parte de uma expansão internacional. Meira lembrou durante a entrevista a presença da companhia na Intersolar Europe, em Munique, antes da participação em São Paulo. Agora, a empresa utiliza a principal plataforma solar latino-americana para acelerar seu relacionamento com integradores, distribuidores, EPCs e grandes consumidores brasileiros. O contexto ajuda. A Intersolar South America 2026 acontece em um momento em que armazenamento deixou de ocupar apenas uma pequena parte das discussões do setor. BESS está cada vez mais próximo do centro. E isso talvez seja um sinal de para onde a própria feira — e a indústria — estão caminhando. Análise EnergyChannel | O Brasil aprendeu a gerar. Agora terá que aprender a armazenar A revolução fotovoltaica brasileira ensinou milhões de consumidores a pensar em geração. Foi uma mudança extraordinária. Um consumidor que durante toda a vida apenas recebeu eletricidade passou a produzir sua própria energia. Mas a próxima etapa pode ser ainda mais profunda. Porque armazenamento adiciona controle sobre quando a energia será utilizada. Isso abre uma nova fronteira. Solar + bateria. Rede + bateria. Bateria + indústria. Bateria + agronegócio. Bateria + data center. Bateria + carregamento de veículos elétricos. Bateria + infraestrutura crítica. E, no futuro, milhares de sistemas distribuídos interagindo de maneira cada vez mais inteligente com o sistema elétrico. Nesse cenário, BESS não deve ser interpretado simplesmente como uma nova categoria de equipamento. É uma nova camada da infraestrutura energética. A trajetória do mercado brasileiro ajuda a contar essa história. Primeiro, o desafio era produzir energia renovável. Depois, produzir essa energia de forma cada vez mais barata. Agora começa a fase em que será necessário decidir quando produzir, quando armazenar, quando consumir e quando devolver energia ao sistema. É por isso que a chegada de empresas especializadas exclusivamente em armazenamento, como a EENOVANCE, merece atenção. Elas não estão entrando apenas em um novo mercado. Estão chegando no momento em que o próprio significado de uma instalação elétrica começa a mudar. No estande da companhia, Robson Meira resumiu a missão de maneira simples: conquistar novamente a confiança dos integradores, distribuidores, EPCs e consumidores brasileiros. O desafio será grande. A oportunidade também. Porque se a última década brasileira pertenceu à explosão da geração solar distribuída, a próxima poderá ser marcada pela capacidade de armazenar e administrar toda essa energia. E a corrida pelas baterias, ao que tudo indica, já começou. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 A Intersolar South America 2026 foi realizada de 25 a 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, dentro da plataforma The smarter E South America, reunindo a cadeia de energia fotovoltaica, armazenamento, gestão energética, infraestrutura elétrica e mobilidade. Entrevistado: Robson Meira — EENOVANCE Brasil Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. A era das baterias começou: EENOVANCE chega ao Brasil apostando no BESS como novo pilar do sistema elétrico

  • Da TV à energia inteligente: Skyworth transforma software, solar, baterias e mobilidade em um único ecossistema

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Wesley Santos, Country Manager da Skyworth no Brasil, revela a estratégia da gigante chinesa para avançar além dos módulos solares e disputar uma nova era da energia baseada em integração, armazenamento, software e inteligência Por Ricardo Honório | EnergyChannelCobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo SÃO PAULO — Durante anos, a indústria solar foi construída em torno de uma pergunta relativamente simples: quanto um painel consegue gerar? Na Intersolar South America 2026, porém, uma nova pergunta começa a dominar os corredores da maior feira e congresso do setor solar da América Latina: o que acontece com essa energia depois que ela é gerada? A resposta envolve armazenamento, software, monitoramento, mobilidade elétrica e equipamentos capazes de conversar entre si. É precisamente nessa mudança que a Skyworth quer posicionar sua estratégia para o Brasil. Em seu terceiro ano consecutivo na Intersolar South America, a companhia chinesa chegou à edição de 2026 apresentando uma proposta que vai muito além da venda isolada de módulos ou inversores. A ambição é construir um ecossistema completo de energia inteligente. “A Skyworth vem com essa proposta de ser uma all-in-one solution. A gente vem com os módulos, com os inversores e também com as baterias”, afirmou Wesley Santos, Country Manager da Skyworth no Brasil, em entrevista ao jornalista Ricardo Honório, do EnergyChannel. A própria localização do estande na feira ajudava a contar essa história. Segundo Santos, a empresa decidiu se aproximar ainda mais das áreas dedicadas a baterias e armazenamento — uma escolha física que representa também uma mudança estratégica da indústria. A Intersolar South America 2026 foi realizada entre 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do ecossistema The smarter E South America. A organização posiciona o evento como o maior encontro latino-americano dedicado à indústria solar. (Intersolar South America) Por trás da marca solar, existe um grupo industrial muito maior Para parte do mercado brasileiro, o nome Skyworth ainda pode ser associado a uma empresa relativamente nova no setor fotovoltaico. Essa leitura, porém, conta apenas uma pequena parte da história. O grupo construiu sua trajetória internacional principalmente em eletrônicos, televisores, eletrodomésticos inteligentes e tecnologias digitais. Nos últimos anos, passou a transportar esse conhecimento para novas áreas, incluindo energia renovável. A própria Skyworth já vinha comunicando essa expansão ao mercado brasileiro: em 2025, durante a Intersolar South America, a companhia destacou sua entrada mais ampla em soluções fotovoltaicas, incluindo módulos, inversores e armazenamento. (skyworth-pv.com) Na entrevista ao EnergyChannel, Santos dimensionou o porte da companhia. Segundo o executivo, a Skyworth está entre as grandes empresas chinesas, possui dezenas de milhares de funcionários em diferentes mercados e apresentou receita global superior a US$ 9 bilhões em 2025, com a divisão solar respondendo por uma parcela significativa dos negócios. Os relatórios financeiros de 2025 da companhia estão publicados pela própria Skyworth em sua área de relações com investidores. (Skyworth Investor) Para Santos, essa escala ajuda a explicar por que o Brasil se tornou estratégico. “O Brasil é um mercado importante, está entre os cinco maiores do mundo. E é claro que a Skyworth não podia ficar de fora disso.” Mas escala industrial, para a companhia, não é necessariamente sinônimo de tentar produzir mais que todos os concorrentes. Esse talvez seja o ponto mais interessante da estratégia apresentada na entrevista. “Não queremos competir apenas por capacidade produtiva” O mercado fotovoltaico global atravessou nos últimos anos uma corrida extraordinária por escala. Novas fábricas. Mais gigawatts. Módulos maiores. Potências cada vez mais elevadas. Preços cada vez mais pressionados. A Skyworth quer participar dessa indústria por outro caminho. “Nós não somos a empresa que tem a maior capacidade produtiva. Nós não somos a empresa que exportou mais gigas pelo mundo. Mas a gente entende o nosso core, que é tecnologia e qualidade.” É uma declaração importante. Em uma indústria marcada por competição agressiva de preços, a companhia pretende levar ao setor energético aquilo que desenvolveu durante décadas no mercado de eletrônicos: integração entre hardware e software. Segundo Santos, a origem tecnológica do grupo é justamente uma das vantagens que a Skyworth pretende transportar para a energia. “A gente vem de uma empresa que foi fundada em tecnologia, eletrodomésticos inteligentes, e pegou todo esse know-how de software e hardware e está trazendo agora para o solar.” Essa mudança de perspectiva transforma a discussão. O módulo deixa de ser o produto final. O inversor deixa de ser simplesmente uma caixa responsável pela conversão elétrica. A bateria deixa de ser apenas um reservatório de energia. Cada componente passa a fazer parte de uma arquitetura digital maior. Mais de 700 watts mas potência sozinha não conta toda a história A evolução dos módulos solares é uma das imagens mais visíveis dessa corrida tecnológica. Potências acima dos 700 W, que poucos anos atrás pareciam distantes, agora fazem parte das discussões comerciais da indústria. Mas Santos faz uma ressalva. “Os módulos vão subindo de potência, mas além da potência é importante ter qualidade.” Essa discussão se torna especialmente relevante porque sistemas fotovoltaicos são ativos projetados para operar durante décadas. Uma diferença pequena na escolha inicial de equipamentos pode assumir proporções muito maiores quando observada ao longo da vida útil de uma usina. Seja em uma residência, indústria ou fazenda solar, o investidor está comprando muito mais do que watts. Está comprando disponibilidade, estabilidade, geração futura e confiança tecnológica. Durante a conversa, o EnergyChannel colocou exatamente essa questão: um investimento energético de longo prazo não pode se tornar uma aposta em um equipamento cuja qualidade será descoberta somente anos depois. Santos concorda. E essa discussão leva à próxima etapa da indústria. A primeira fase foi gerar. A segunda é armazenar. A terceira será controlar. Talvez a melhor síntese da entrevista tenha surgido quando Santos dividiu a evolução do mercado fotovoltaico em etapas. “A primeira delas foi a geração de energia. Você instalava o seu painel solar, estava gerando, já estava dentro do solar.” Essa foi a revolução que transformou milhões de consumidores em pequenos geradores. Mas a indústria entrou em uma nova fase. “Agora, o que muito vem se falando nos últimos anos é armazenamento.” E a partir do momento em que o consumidor consegue armazenar energia, surge quase inevitavelmente uma terceira camada: controle. “Se você vai armazenar, por que você já não aproveita e controla?” Essa pergunta talvez seja mais importante do que parece. Durante boa parte da história da geração distribuída, o consumidor produzia energia sem necessariamente compreender em detalhes, a cada instante, como seu sistema estava se comportando. A digitalização muda isso. Produção. Consumo. Economia. Estado da bateria. Fluxo energético. Performance. Tudo pode ser transformado em informação. E informação permite decisão. A eletricidade começa a ganhar uma interface digital Para Santos, software e transparência serão elementos centrais dessa nova fase. “É a questão da tecnologia, do software, da digitalização, da transparência para uma pessoa conseguir enxergar aquilo que ela está produzindo.” Isso significa que a experiência do usuário não termina no momento da instalação. Na verdade, é exatamente ali que começa. O consumidor pode acompanhar efetivamente quanto está produzindo, quanto está economizando e qual benefício econômico aquele ativo está entregando. Para a Skyworth, a integração do software com seus equipamentos representa um dos pilares de diferenciação do grupo. A companhia possui inclusive uma divisão dedicada à tecnologia digital, a Skyworth Digital, inserida na estrutura tecnológica mais ampla do conglomerado. A lógica é aproveitar essa competência para fazer equipamentos energéticos trabalharem de forma integrada. Módulo. Inversor. Bateria. Uma única arquitetura. A estratégia recebe internamente uma definição simples: One Stop Solution. Em vez de o cliente comprar diferentes equipamentos de diversos fabricantes e posteriormente criar as camadas necessárias para integrá-los, a Skyworth pretende fornecer o ecossistema. Módulos fotovoltaicos. Inversores. Baterias residenciais. Sistemas comerciais. Soluções de armazenamento para projetos de maior escala. Software. Monitoramento. “A ideia da Skyworth é realmente trazer a All-in-One Solution, One Stop Solution: um único lugar onde você consegue adquirir sua solução completa.” A vantagem pretendida não está apenas na conveniência comercial. Está na comunicação entre equipamentos. “Todos os produtos, todos os componentes, vão conversar entre si.” É uma frase que resume uma transformação muito maior da indústria energética. Durante décadas, sistemas elétricos foram formados essencialmente por equipamentos. A próxima geração será formada por equipamentos conectados. Quando a empresa de energia também entende televisão, software e carros elétricos Existe outro elemento incomum na história da Skyworth. O universo tecnológico da companhia não termina nos telhados. Na entrevista, Santos lembrou que o grupo possui ligação também com a indústria de mobilidade elétrica. A Skywell atua no desenvolvimento e produção de veículos de nova energia e componentes associados. Segundo informações institucionais da própria empresa, a operação possui presença comercial em seis continentes, mais de 45 países e mais de 100 cidades, com atuação em veículos comerciais e outros segmentos da mobilidade elétrica. (en.skywellcorp.com) A conversa então ganha uma dimensão diferente. Imagine uma residência futura. No telhado, módulos solares. Na parede, o inversor. Na garagem, uma bateria. Conectado ao sistema, um carregador de veículo elétrico. Dentro da residência, equipamentos inteligentes. E, no centro de tudo, software administrando a energia disponível. Nesse cenário, a fronteira entre energia, eletrônica e mobilidade começa a desaparecer. É justamente nesse cruzamento que empresas como a Skyworth pretendem competir. O novo produto pode não ser um equipamento. Pode ser o ecossistema. A indústria solar tradicionalmente foi dividida em categorias. Fabricantes de módulos. Fabricantes de inversores. Fabricantes de baterias. Empresas de monitoramento. Fabricantes de carregadores. Integradores. Desenvolvedores. Essa divisão continua existindo. Mas está começando a ser redesenhada. Quando módulos, inversores, armazenamento, veículos e software precisam operar juntos, o valor pode migrar gradualmente do componente individual para a capacidade de orquestrar todo o sistema. E essa é precisamente a tese apresentada pela Skyworth. Segundo Santos, a orientação estratégica veio da própria liderança da companhia. Em vez de simplesmente disputar capacidade produtiva com fabricantes estabelecidos, a ideia foi partir daquilo que o grupo já dominava: inteligência digital. Isso muda também a conversa com o cliente. “Vamos entender o seu projeto” Na visão apresentada pelo executivo, a venda começa menos pelo equipamento e mais pela necessidade. “A gente senta junto com o cliente, entende aquilo que ele está buscando e, dentro disso, tem toda essa capacidade do grupo para trazer aquilo que se encaixa melhor.” É uma postura particularmente importante no momento atual da transição energética. Uma casa não tem a mesma curva de carga de um supermercado. Um supermercado não possui o mesmo perfil de uma indústria. Uma indústria não tem as mesmas necessidades de uma fazenda solar. E um projeto que demanda apenas geração hoje poderá precisar de armazenamento amanhã. A possibilidade de construir sistemas modulares e integrados tende, portanto, a se tornar uma vantagem competitiva. Não existe uma única solução energética perfeita. Existe uma arquitetura adequada para cada necessidade. Análise EnergyChannel | Estamos deixando a era dos equipamentos e entrando na era dos sistemas A entrevista com Wesley Santos ajuda a revelar uma mudança que pode se tornar uma das principais narrativas da Intersolar South America 2026. Durante anos, a indústria fotovoltaica evoluiu principalmente através dos componentes. Células mais eficientes. Módulos maiores. Inversores mais potentes. Estruturas mais leves. Custos menores. Essa evolução continuará. Mas uma segunda revolução está acontecendo simultaneamente. A integração. O consumidor do futuro talvez não pergunte quem fabricou apenas seu módulo. Perguntará se sua casa consegue utilizar a energia solar quando precisa. Se sua bateria pode ser administrada automaticamente. Se seu veículo elétrico pode interagir com aquele ecossistema. Se o software consegue mostrar quanto ele produz, consome, armazena e economiza. E, eventualmente, se todo esse sistema consegue tomar decisões sozinho. É nesse ponto que a história da Skyworth se torna particularmente interessante. Uma companhia construída sobre televisores, eletrônicos inteligentes e software está entrando no setor de energia justamente no momento em que a própria eletricidade começa a se tornar digital, conectada e programável. Talvez o principal ativo que empresas tecnológicas tragam para a energia não seja apenas capacidade fabril. Pode ser a experiência de fazer milhões de dispositivos conversarem entre si. Na Intersolar 2026, a Skyworth apresentou módulos, inversores e baterias. Mas a mensagem por trás dos equipamentos era maior: o futuro da energia distribuída poderá ser definido menos por produtos isolados e mais pela inteligência que conecta todos eles. E é justamente aí que uma nova corrida tecnológica está começando. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 A Intersolar South America 2026 foi realizada entre 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, reunindo a cadeia fotovoltaica dentro do The smarter E South America. O evento faz parte da principal plataforma regional de encontro entre fabricantes, integradores, desenvolvedores, investidores e empresas de tecnologia energética. (Intersolar South America) Entrevistado: Wesley Santos — Country Manager Brazil, Skyworth Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil. EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Da TV à energia inteligente: Skyworth transforma software, solar, baterias e mobilidade em um único ecossistema

  • Da China ao Brasil: TSUNESS estreia nova geração de microinversores híbridos e aposta no armazenamento como próximo capítulo da energia solar

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel durante a Intersolar South America 2026, Victor Curi Segato apresenta soluções que unem geração fotovoltaica, baterias, backup e gerenciamento inteligente de energia incluindo tecnologias que o EnergyChannel acompanhou ainda em fase de protótipo na China Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial Intersolar South America 2026 | São Paulo SÃO PAULO Algumas das transformações mais importantes da indústria de energia não começam com equipamentos gigantescos ou grandes usinas. Às vezes, começam com algo aparentemente tão simples quanto uma xícara de café. No estande da TSUNESS, durante a Intersolar South America 2026, uma cafeteira conectada a um sistema formado por microinversor híbrido e bateria ajuda a explicar, em poucos segundos, uma mudança muito maior que está acontecendo no setor fotovoltaico: a energia solar residencial e comercial está deixando de ser apenas uma fonte de geração para se transformar em um ecossistema de geração, armazenamento, backup e gerenciamento de energia. É também uma tecnologia que o EnergyChannel viu nascer. Meses antes de chegar ao Brasil, durante uma visita à China, nossa equipe acompanhou no laboratório da TSUNESS o desenvolvimento dos primeiros protótipos do microinversor híbrido. Agora, na Intersolar 2026, aquela tecnologia deixou a bancada de engenharia e chegou ao mercado brasileiro. “Você viu lá na fábrica a gente desenvolvendo os primeiros protótipos do microinversor híbrido”, lembrou Victor Curi Segato, Head of LATAM da TSUNESS, durante entrevista ao EnergyChannel. O reencontro em São Paulo mostrou algo que vai além do lançamento de novos produtos. Mostrou a velocidade com que a indústria solar está mudando. A solar está entrando na era do armazenamento Durante boa parte da expansão da geração distribuída brasileira, a pergunta central do consumidor era relativamente simples: quanto de energia esse sistema fotovoltaico consegue gerar? Essa pergunta está mudando. À medida que o mercado amadurece, cresce o interesse por outra capacidade: o que fazer com essa energia, quando utilizá-la e como manter cargas importantes funcionando quando a rede elétrica não estiver disponível? É nesse ponto que entram as baterias e os sistemas híbridos. Para Segato, armazenamento já não deve ser tratado apenas como uma promessa futura da indústria. “As soluções de armazenamento são uma tendência, são o futuro. Eu acho que já são o presente.” A declaração ajuda a explicar uma das principais apostas da TSUNESS na Intersolar 2026. Tradicionalmente especializada em microinversores, a companhia está ampliando seu ecossistema para incorporar armazenamento sem abandonar a arquitetura que construiu sua presença no mercado fotovoltaico. Segundo Segato, a TSUNESS trabalha exclusivamente com tecnologia MLPE desde sua fundação, em 2019, com foco em características como segurança, facilidade de instalação, monitoramento e eficiência. Agora, a empresa adiciona uma nova peça a essa arquitetura: o microinversor híbrido. O microinversor também se torna híbrido O mercado já conhece inversores híbridos tradicionais. A proposta da TSUNESS é levar esse conceito para a arquitetura de microinversores. Segundo Segato, a empresa está trazendo ao Brasil uma solução capaz de operar conectada à rede, trabalhar com armazenamento e também sustentar cargas em situações de ausência da concessionária. O microinversor também se torna híbrido “Nós somos a primeira empresa a ter soluções híbridas com microinversor.” De acordo com o executivo, o equipamento pode trabalhar em diferentes modos de operação on-grid, off-grid e híbrido associado ao sistema de baterias e ao gerenciamento das cargas. A arquitetura preserva uma das características fundamentais dos microinversores: trabalhar com tensões reduzidas no lado de corrente contínua. Segato destaca operação em até 60 V, além da possibilidade de simplificar componentes e procedimentos de segurança normalmente associados a arquiteturas fotovoltaicas de tensão mais elevada. Na prática, a TSUNESS tenta combinar dois mundos que até recentemente caminhavam de forma mais separada: a modularidade dos microinversores e a flexibilidade energética dos sistemas híbridos com armazenamento. O café que explica uma tecnologia No estande da companhia, a demonstração foi deliberadamente simples. Uma bateria alimentava, por meio do sistema híbrido, uma cafeteira. O café servido aos visitantes não era apenas uma ação de hospitalidade. Era uma demonstração de backup. “Se você ficar desabastecido de energia elétrica em função da concessionária, por uma interrupção ou qualquer outro motivo, você não fica sem seu cafezinho.” A brincadeira resume uma aplicação muito mais ampla. No lugar da cafeteira poderiam estar equipamentos de comunicação, iluminação, computadores, sistemas de segurança, refrigeradores ou outras cargas consideradas importantes dentro de uma residência ou estabelecimento comercial. O conceito é transformar o sistema fotovoltaico em uma infraestrutura energética mais resiliente. Não se trata apenas de produzir eletricidade quando existe sol. Trata-se de produzir, armazenar, administrar e utilizar energia quando ela for necessária. E quem já possui energia solar? Talvez uma das questões comerciais mais importantes para o avanço das baterias no Brasil seja justamente essa. Milhares de consumidores já investiram em sistemas fotovoltaicos convencionais. Eles precisarão substituir tudo para adicionar armazenamento? Segundo a TSUNESS, não. Uma das tecnologias apresentadas pela companhia na Intersolar foi desenvolvida justamente para permitir a incorporação de baterias a instalações existentes. Segato descreve a solução como uma unidade acoplada em corrente alternada — AC coupled. “Eu já tenho uma fotovoltaica e quero ter um sistema de bateria, quero ter backup na minha casa, no meu escritório ou no meu comércio. Vou ter que trocar meu inversor? Vou ter que trocar tudo? Não.” A proposta é conectar a nova unidade ao quadro elétrico da instalação. A bateria pode então ser carregada pela rede ou aproveitar a energia proveniente do sistema fotovoltaico existente. Isso abre uma frente importante para o mercado brasileiro: o retrofit energético. Em vez de limitar o armazenamento aos novos projetos, torna-se possível transformar sistemas solares já instalados em arquiteturas com baterias e backup. All-in-one: armazenamento simplificado Outra estratégia apresentada pela TSUNESS busca reduzir uma das barreiras tradicionais de novas tecnologias energéticas: a complexidade. A empresa mostrou na feira uma solução all-in-one de 5 kW, reunindo bateria e inversor em uma arquitetura integrada. A lógica é tornar a instalação significativamente mais simples. “É quase uma solução plug na tomada ou no quadro elétrico.” O objetivo é reduzir etapas de projeto e tornar o armazenamento mais acessível para aplicações residenciais e pequenos estabelecimentos comerciais. É uma abordagem que acompanha uma tendência observada internacionalmente: sistemas de energia cada vez mais integrados, compactos e próximos da experiência de instalação de um eletrodoméstico embora continuem exigindo o cumprimento das normas e requisitos elétricos aplicáveis. Mas simplicidade não é a única estratégia. Para outro perfil de consumidor, a palavra-chave é escalabilidade. Começar com 5 kWh. Depois 10. Depois 15. A TSUNESS também apresentou uma arquitetura modular na qual as baterias podem ser empilhadas. A ideia responde diretamente a uma realidade econômica do mercado brasileiro: nem todo consumidor deseja ou consegue realizar imediatamente um grande investimento em armazenamento. Nesse sistema, ele pode começar menor. Por exemplo: 5 kWh de armazenamento. Se sua necessidade crescer, adiciona outro módulo. O sistema passa para 10 kWh. Depois pode avançar para 15 kWh, 20 kWh e chegar a 25 kWh, de acordo com a configuração apresentada pela empresa. “Você vai expandindo conforme a necessidade e conforme o bolso permitir”, explicou Segato. A estratégia muda a lógica econômica da bateria. Em vez de exigir que o consumidor dimensione hoje toda a necessidade energética que poderá ter nos próximos anos, permite que o investimento acompanhe sua própria curva de utilização. O EnergyChannel perguntou justamente por que um consumidor deveria começar com um investimento elevado se pode entrar no armazenamento com uma configuração menor, aprender a utilizar a tecnologia e ampliar a capacidade posteriormente. Para Segato, essa escalabilidade tem grande aderência ao mercado brasileiro. E há uma razão para isso. O consumidor também mudou. Um cliente brasileiro mais maduro e mais exigente O crescimento da indústria fotovoltaica brasileira trouxe um segundo fenômeno: a profissionalização do comprador. Segundo Segato, preço continua relevante, mas deixou de ser o único critério de decisão. “O público está buscando soluções, alternativas, pergunta sobre garantia, facilidade de instalação. O mercado está mais amadurecido.” Essa mudança é estratégica. À medida que geração solar, armazenamento, mobilidade elétrica e gerenciamento inteligente começam a convergir, comparar equipamentos apenas por preço ou potência nominal se torna insuficiente. Entram na equação fatores como segurança, capacidade de expansão, integração, garantia, monitoramento, facilidade de instalação e compatibilidade futura. Para fabricantes, isso significa compreender com mais profundidade o problema que o consumidor realmente pretende resolver. “A gente tem que entender a dor do nosso cliente para trazer aquilo que ele precisa.” De 2 kW para 3 kW — e além A evolução não acontece apenas nas baterias. Os próprios microinversores estão ficando mais potentes. A TSUNESS apresentou uma evolução de sua linha híbrida, partindo de modelos de 2 kW e avançando para versões de 2,5 kW e 3 kW. E a modularidade permanece. Segundo Segato, é possível trabalhar com paralelismo e expandir a potência do sistema conforme a demanda. Um consumidor que começa, por exemplo, com um microinversor híbrido de 2 kW pode posteriormente incorporar uma segunda unidade, ampliando a capacidade de carga e descarga do conjunto. É novamente a mesma filosofia: não obrigar o sistema energético a nascer pronto para sempre. Ele pode crescer. MSU: quando bateria, inversor e solar passam a conversar diretamente Outra solução apresentada durante a cobertura do EnergyChannel foi o sistema chamado pela companhia de MSU. Nesse caso, a arquitetura combina bateria e inversor e oferece entrada fotovoltaica direta. A diferença é importante. Para consumidores que ainda não possuem um sistema fotovoltaico, os módulos solares podem ser conectados diretamente à solução. Para aqueles que já possuem geração instalada, entram em cena as arquiteturas de acoplamento em corrente alternada apresentadas pela empresa. São diferentes caminhos para uma mesma transformação: integrar geração e armazenamento sem exigir uma única arquitetura para todos os consumidores. Os painéis ficaram maiores. Os inversores também precisam evoluir. Existe ainda outro movimento tecnológico pressionando fabricantes de inversores. A potência dos módulos fotovoltaicos continua crescendo. Durante a SNEC 2026, na China, o EnergyChannel acompanhou de perto essa evolução, com módulos chegando à faixa de 750 W, 780 W e até 800 W entre as tecnologias apresentadas na indústria. Isso muda as exigências sobre toda a eletrônica conectada aos painéis. “Os microinversores precisam acompanhar não só em potência, mas principalmente suportar uma corrente cada vez mais alta.” Segato também chama atenção para a necessidade de suportar maiores níveis de sobredimensionamento e reduzir perdas associadas ao clipping, quando a capacidade do lado fotovoltaico supera momentaneamente aquilo que o inversor consegue converter. Em outras palavras, a corrida por módulos mais potentes provoca uma reação em cadeia. Não basta aumentar os watts escritos na etiqueta do painel. Inversores, cabos, conectores, sistemas de proteção, armazenamento e gerenciamento precisam evoluir junto. De 2022 a 2026: quatro anos que parecem uma década Há um elemento interessante na trajetória da TSUNESS no Brasil. A primeira participação da companhia na Intersolar South America ocorreu em 2022. Quatro anos depois, a empresa retornou à edição 2026 apresentando uma categoria de produto que ilustra o quanto o mercado mudou nesse intervalo. Segato ingressou na operação da companhia naquele mesmo período e acompanhou diretamente essa transformação. “Comparando o micro que nós vendíamos e oferecíamos em 2022 com 2026, a gente vê uma evolução muito grande no mercado.” É difícil discordar. Em apenas alguns anos, a conversa da geração distribuída avançou de painéis e inversores para um ecossistema que começa a incorporar baterias, backup, gestão energética, carregamento de veículos elétricos e diferentes formas de interação com a rede. O inversor, antes visto essencialmente como o equipamento responsável por converter a eletricidade produzida pelos módulos, está se tornando parte de um sistema muito mais sofisticado de inteligência energética. Análise EnergyChannel | O próximo mercado não será apenas solar Talvez esta seja a principal conclusão da conversa com a TSUNESS na Intersolar 2026. A próxima etapa da transição energética distribuída provavelmente não será definida exclusivamente por quem consegue instalar mais painéis. Será disputada por quem conseguir integrar melhor os recursos energéticos. Solar. Bateria. Rede. Backup. Monitoramento. Gerenciamento de carga. Mobilidade elétrica. E, progressivamente, sistemas capazes de decidir de onde a energia deve vir, onde deve ser armazenada e quando deve ser consumida. Nesse cenário, o armazenamento deixa de ser um acessório da geração solar e passa a ocupar uma posição central na arquitetura energética de residências e empresas. A estratégia apresentada pela TSUNESS em São Paulo aponta exatamente nessa direção. A companhia que construiu sua trajetória ao redor dos microinversores agora tenta levar essa arquitetura para a era das baterias. E existe uma imagem particularmente simbólica dessa transformação. Meses atrás, o EnergyChannel estava dentro de um laboratório na China observando um protótipo. Na Intersolar South America 2026, aquele protótipo estava em São Paulo, conectado a uma bateria e fazendo café. Entre uma cena e outra existe muito mais do que alguns milhares de quilômetros. Existe o retrato da velocidade com que a nova indústria global de energia está avançando. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 A Intersolar South America 2026 integrou o The smarter E South America e foi realizada entre 25 e 27 de agosto de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo. Reconhecida como o maior evento latino-americano dedicado à indústria solar, a feira reuniu fabricantes, integradores, distribuidores, investidores, desenvolvedores e especialistas em torno da próxima geração de tecnologias fotovoltaicas, armazenamento de energia, infraestrutura elétrica e mobilidade. Entrevista: Victor Curi Segato — Head of LATAM, TSUNESS Jornalista: Ricardo Honório — EnergyChannel Local: Expo Center Norte, São Paulo Cobertura: Intersolar South America 2026 EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Da China ao Brasil: TSUNESS estreia nova geração de microinversores híbridos e aposta no armazenamento como próximo capítulo da energia solar

  • SNT XXII 2026 coloca inteligência artificial no centro da nova corrida das telecomunicações e energia

    Seminário da APTEL, em outubro, no Rio de Janeiro, reúne executivos e especialistas para discutir como inteligência artificial está acelerando a demanda por energia, conectividade e novas infraestruturas no Brasil. Brasil, 28 de agosto de 2026 - A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma ferramenta concreta de transformação das telecomunicações. Manutenção preditiva, automação de redes, inspeções inteligentes, gestão de infraestrutura e análise de grandes volumes de dados já começam a mudar a forma como empresas operam, reduzem custos e tomam decisões. É nesse cenário que a APTEL prepara o SNT XXII 2026 – Seminário Nacional de Telecomunicações, que será realizado de 20 a 22 de outubro, no Auditório do Edifício General Horta Barbosa (EDIHB), da Petrobras, no Rio de Janeiro/RJ, Brasil. O evento reunirá executivos, especialistas, empresas, reguladores, academia e instituições ligadas aos setores de telecomunicações, energia, infraestrutura crítica, inteligência artificial e inovação. Desde 1997, a APTEL — Associação das Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações atua para representar, integrar e fortalecer empresas e instituições que utilizam redes e soluções privadas de telecomunicações. Como entidade sem fins lucrativos, a APTEL mantém uma atuação institucional voltada à evolução do setor, aproximando empresas, especialistas, órgãos reguladores e demais agentes envolvidos no desenvolvimento da infraestrutura de telecomunicações no Brasil. Da conectividade à inteligência das redes A transformação provocada pela IA amplia o papel das telecomunicações. Redes cada vez mais complexas precisam não apenas transportar dados, mas também interpretar informações, antecipar falhas e responder rapidamente a mudanças na demanda. Nesse contexto, a inteligência artificial passa a ocupar espaço estratégico em áreas como monitoramento de ativos, manutenção preditiva, segurança cibernética, otimização de redes e automação de processos. Para Marcos Alberto Albagli, presidente da APTEL, o avanço da IA exige que o setor deixe de tratar a tecnologia apenas como tendência e passe a incorporá-la à estratégia das organizações. “A inteligência artificial já está mudando a forma como as empresas de telecomunicações e infraestrutura operam. O desafio agora é transformar esse avanço tecnológico em aplicações concretas, capazes de aumentar eficiência, segurança e qualidade dos serviços.” Telecom e energia cada vez mais conectados A discussão também ganha relevância diante da crescente dependência entre telecomunicações e infraestrutura energética. Data centers, redes 5G, sistemas de comunicação e aplicações de inteligência artificial demandam disponibilidade, confiabilidade e capacidade energética cada vez maiores. O SNT XXII 2026 pretende justamente aproximar esses diferentes segmentos, criando um ambiente para discutir soluções e desafios comuns. SNT XXII 2026 coloca inteligência artificial no centro da nova corrida das telecomunicações e energia Nilo Quaresma Neto, diretor de Energias Renováveis da APTEL, destaca a necessidade de uma visão integrada diante do avanço da digitalização. “A evolução das telecomunicações está diretamente ligada à capacidade de infraestrutura e energia disponível. Com a expansão da inteligência artificial e dos sistemas digitais, essa integração será cada vez mais importante para garantir redes resilientes e preparadas para o futuro.” Evento busca aproximar tecnologia e negócios Mais do que apresentar tendências, o SNT XXII 2026 pretende colocar no centro da discussão os desafios enfrentados pelas empresas e as soluções que já estão sendo desenvolvidas pelo mercado. Entre os objetivos estão a apresentação de casos práticos, a troca de experiências, o fortalecimento de relacionamentos estratégicos e a identificação de oportunidades de negócios e inovação. A proposta acompanha uma mudança no perfil dos encontros corporativos de tecnologia: além de discutir o que vem pela frente, empresas buscam conhecer aplicações que possam gerar resultados concretos no curto e médio prazo. Três dias para discutir o futuro da infraestrutura De 20 a 22 de outubro de 2026, o SNT XXII reunirá diferentes atores do ecossistema de tecnologia e infraestrutura no Rio de Janeiro. A programação terá como pano de fundo temas que estão redefinindo o setor, como inteligência artificial, telecomunicações, energia, infraestrutura crítica, inovação e transformação digital. As inscrições estão atualmente no 3º lote: https://lnkd.in/d7CYjKZT SNT XXII 2026 📅 20 a 22 de outubro de 2026 📍 Auditório EDIHB – Petrobras | Rio de Janeiro/RJ Empresas interessadas em patrocínio, exposição de soluções ou participação institucional podem entrar em contato pelo site www.aptel.com.br SNT XXII 2026 coloca inteligência artificial no centro da nova corrida das telecomunicações e energia

  • The smarter E South America 2026 reafirma-se como principal evento do setor energético 

    The smarter E South America 2026 reafirma-se como principal evento do setor energético São Paulo, 28 de agosto de 2026 – A The smarter E South America encerrou nesta quinta-feira (27) sua edição 2026 reafirmando a posição de principal plataforma do continente para a nova realidade energética. Ao longo de três dias, o evento reuniu no Expo Center Norte, em São Paulo, as mais relevantes empresas nos setores de energia solar, armazenamento, gestão de energia e eletromobilidade, em suas quatro feiras simultâneas -- Intersolar South America, ees South America, Power2Drive South America e Eletrotec+EM-Power South America. Paralelamente, ofereceu uma extensa programação com foco nos tópicos cruciais para o desenvolvimento sustentável de toda a cadeia de energia em seus congressos, mini-cursos e workshops, que juntos contaram com aproximadamente três mil participantes. Durante as sessões, especialistas, autoridades, investidores e executivos de grandes companhias apresentaram e debateram temas estratégicos para todo o segmento. Com mais de 500 expositores, a iniciativa recebeu cerca de 50 mil visitantes. Houve um aumento de 30% na área de exposição da ees South America, enquanto a Power2Drive South America dobrou de tamanho. “A importância do Brasil e da América Latina para o mercado de energia renovável se refletiu mais uma vez nos corredores e nas salas dos congressos da The smarter E South America que serviram de palco para a troca de experiências e conhecimento, lançamento de produtos e soluções, fechamento de negócios e debates fundamentais para a transição integrada de energias em toda a região. Encerramos a edição deste ano com a certeza de que, mesmo com os desafios relacionados às restrições de rede, de geração e de armazenamento, além dos custos de financiamento, o segmento mantém seu vigor, com potencial de avançar ainda mais a partir das inovações possibilitadas pela Inteligência Artificial”, afirma Florian Wessendorf, Diretor Executivo da Solar Promotion International, organizadora internacional do evento, juntamente com a Freiburg Management und Marketing International e a Aranda Eventos & Congressos. Consolidada como o polo do segmento energético, a The smarter E South America 2026 foi escolhida pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) como o local ideal para o anúncio de uma agenda de propostas para o próximo governo federal. Estruturada em três frentes (Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos), a iniciativa prevê a contratação de pelo menos 8 gigawatts (GW) de sistemas de armazenamento, a expansão de 18 GW em grandes usinas solares e a ampliação do acesso à energia limpa para 3 milhões de unidades consumidoras até 2030. “O Brasil tem uma vantagem estratégica que poucos países possuem: gera grandes quantidades de eletricidade renovável e competitiva. O próximo passo é transformar essa abundância em uma vantagem econômica, consolidando os sistemas de armazenamento por baterias e atraindo indústrias, data centers, hidrogênio verde e novos negócios intensivos em eletricidade limpa, bem como fornecendo eletricidade limpa e acessível aos nossos parceiros comerciais da América Latina Para isso, precisamos de planejamento de longo prazo, e infraestrutura compatível com essa oportunidade”, destaca Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR e presidente do comitê do congresso Intersolar South America. Segundo o executivo, o país, em especial, deve promover leilões anuais de capacidade com neutralidade tecnológica, criando um mercado robusto para sistemas de armazenamento e dando maior previsibilidade aos investimentos no segmento. De acordo com dados da entidade, a energia solar é a segunda maior fonte do país, com 74,3 GW em operação, equivalentes a 27,4% da capacidade instalada nacional. Desde 2012, o setor já acumulou mais de R$ 328,2 bilhões em investimentos e gerou mais de 2,2 milhões de empregos verdes. A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE) também aproveitou o evento para fazer o pré-lançamento do Projeto Visão 2030, que mapeia desafios relacionados à flexibilidade, potência, encargos e tarifas e propõe uma agenda integrada de políticas públicas para o setor até 2030, com o objetivo de tornar o armazenamento uma política de Estado, com maior previsibilidade regulatória, desenvolvimento de mercado e adequada remuneração dos diferentes serviços prestados pelos sistemas. Presidente da ABSAE e do comitê do congresso ees South America, Markus Vlasits confirma o valor da The smarter E South America para o ecossistema de armazenamento. “Tanto a conferência quanto a exposição reforçam algo que já vínhamos afirmando há algum tempo. No Brasil, o armazenamento saiu da fase experimental, de debates de ideias, e entrou em seu primeiro ciclo de crescimento. É nítido isso diante do grande número de expositores que estão trazendo soluções de armazenamento para o mercado brasileiro e também no debate no congresso. Mais uma vez, a The smarter E South America consolida-se como uma plataforma muito importante para debatermos os temas mais prementes do nosso setor elétrico com relação ao armazenamento e uma ótima oportunidade para ficar por dentro dos últimos avanços tecnológicos”, pontua Vlasits. Crescendo em ritmo acelerado - de janeiro a julho deste ano foram emplacados mais de 270 mil veículos eletrificados, somando 700 mil unidades em circulação no país, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a mobilidade elétrica também foi destaque na programação da The smarter E South America por meio da conferência e feira Power2Drive South America. Rafael Cunha, consultor do congresso, pontua que o momento não poderia ser mais oportuno para o segmento e que, ao mesmo tempo em que o setor elétrico enfrenta desafios relacionados à capacidade e geração, a eletromobilidade desponta como uma possibilidade futura de contribuição para a própria estabilidade da rede, por meio de tecnologias como a Vehicle-to-Grid (V2G), que permite utilizar as baterias dos veículos para importar ou exportar energia da rede, contribuindo para a estabilidade de frequência e potência. “Outros tópicos atuais, como a regulamentação da recarga de veículos elétricos em edifícios, também tiveram espaço no congresso, enquanto no pavilhão os visitantes puderam conhecer novas soluções voltadas para condomínios, entre eles contatores, botões de emergência e conexão à central de alarmes”, completou o consultor. A infraestrutura elétrica e a gestão de energia, fundamentais para a transição energética, estiveram em pauta na feira e conferência Eletrotec+EM-Power South America, que mais uma vez registrou recorde de trabalhos técnicos submetidos. De acordo com João Cunha, consultor sênior do congresso Eletrotec+EM-Power South America, as iniciativas submetidas refletem o momento do mercado. “Registramos um aumento muito grande de trabalhos sobre instalações elétricas com uma orientação para a energia sustentável: instalações fotovoltaicas, veículos elétricos e sistemas de armazenamento e baterias. Outra novidade é que tivemos nossa primeira sessão paralela focada no medidor para fora, que já é consagrada na versão europeia do EM-Power e que estamos começando no Brasil neste ano”, salientou Cunha. Oportunidades e negócios para os expositores No pavilhão de exposições, Nelson Stanisci, diretor de armazenamento de energia da BYD no Brasil, ressaltou o papel da Intersolar South America para a empresa. “Estar aqui é uma oportunidade importante para mostrar como a BYD enxerga o futuro do armazenamento de energia no Brasil. O país tem todos os elementos para se tornar um dos principais mercados de BESS do mundo, e queremos participar ativamente dessa construção. O nosso investimento de até R$ 500 milhões em BESS no país reforça o tamanho da nossa aposta no mercado brasileiro, somando tecnologia própria, décadas de conhecimento em baterias e uma presença de longo prazo no país. O armazenamento de energia é uma peça fundamental para o avanço das renováveis e para a construção de uma rede elétrica mais flexível, segura e eficiente.” O potencial do evento para geração de leads e networking, na visão de Leandro Vicente, diretor comercial da Aldo Solar, é um dos diferenciais da The smarter E South America. “Para nós, o evento tem sido muito positivo, com um grande número de visitantes logo no primeiro dia. Conseguimos ficar bastante próximos do nosso público, o integrador, que veio muito curioso sobre as novidades. Fechamos bons negócios e outras negociações estão avançando. Então, a Intersolar é muito importante para o posicionamento de nossa marca”, enfatiza Vicente. Diretor de vendas Brasil da Trinasolar, Patrício Pavez destaca que a iniciativa reafirmou-se como o principal ponto de encontro do setor na América Latina. “Neste momento de consolidação do mercado, a feira foi fundamental para revermos clientes, estreitarmos relações e construirmos novos projetos. É um evento chave que nos permitiu reforçar alianças estratégicas e gerar excelentes oportunidades de negócios com foco em cooperações de longo prazo”, diz o profissional. Thiago Melo, diretor comercial de Baterias Industriais e BESS da Baterias Moura, classifica a edição deste ano da Intersolar como estratégica para a empresa. “Apresentamos a um público especializado e tomador de decisão o nosso amplo e integrado portfólio de soluções para armazenamento e gestão de energia, capaz de atender diferentes escalas e níveis de complexidade. De residências e condomínios a operações comerciais, industriais e grandes projetos de geração fotovoltaica.” Head de Bens e Serviços do Santander Financiamentos, Luciana Godoy ressalta que “estar na Intersolar South America reforça a presença do Santander em um setor estratégico para a transição energética em nosso país. Mais do que financiar projetos, queremos conectar parceiros, soluções e oportunidades para impulsionar esse mercado." Chefe de marketing da WEG, Charles Volnei avalia como positiva a participação na feira, uma vez que “possibilitou novos contatos e oportunidades, gerando uma rica troca de conhecimento com nossos parceiros, integradores e clientes”. A The smarter E South America 2026 teve a Petrobras como patrocinadora platina do congresso. A próxima edição do evento ocorre entre os dias 24 e 26 de agosto de 2027, mais uma vez no Expo Center Norte, em São Paulo. The smarter E South America 2027 Datas: 24–26 de agosto de 2027 Horário da feira: das 12h às 20h Horário do congresso: das 9h às 20h Expo Center Norte – São Paulo, SP Para mais detalhes, acesse www.ThesmarterE.com.br Sobre The smarter E South America “Acelerar soluções integradas de energia” – essa é a meta do evento The smarter E South America, a maior aliança de feiras para o setor energético da América Latina. O objetivo é criar uma realidade energética voltada para o futuro e, para isso, focamos não apenas em energias renováveis, descentralização e informatização, mas também em soluções cruzadas incluindo os setores de eletricidade, calor e transportes para chegarmos a um fornecimento sustentável e ininterrupto de energia. Abrangendo quatro feiras,The smarter E South America 2026 reunirá profissionais e líderes dos mercados mais influentes do mundo para apresentar e conhecer as mais recentes novidades, tendências e tecnologias em energia. Intersolar South America: A maior feira e congresso da América Latina para o setor solar ees South America: O evento essencial para baterias e sistemas de armazenamento de energia na América Latina Power2Drive South America: A feira e congresso fundamental para infraestrutura de recarga e eletromobilidade na América Latina Eletrotec+EM-Power South America: A feira de infraestrutura elétrica e gestão de energia Organização: The smarter E South America é organizado pela Solar Promotion International, Pforzheim e Freiburg Management und Marketing International, e coorganizado pela Aranda Eventos & Congressos, São Paulo. www.ThesmarterE.com.br The smarter E South America 2026 reafirma-se como principal evento do setor energético

  • PZ Empreendimentos patrocina Aero Show e reforça apoio ao desenvolvimento de Sinop

    PZ Empreendimentos patrocina Aero Show e reforça apoio ao desenvolvimento de Sinop Evento reúne aviação, negócios, tecnologia e agronegócio nos dias 29 e 30 de agosto, com programação para profissionais, empresários e famílias Sinop (MT), recebe nos dias 29 e 30 de agosto o Aero Show Sinop 2026, evento que reunirá demonstrações aéreas, balonismo, paraquedismo, palestras técnicas e oportunidades de negócios. A PZ Empreendimentos participa como patrocinadora prata da iniciativa, reforçando seu apoio a eventos que movimentam a economia, aproximam empresas e valorizam o potencial de Sinop e da região Norte de Mato Grosso. Para Filipe Pitz, CEO da PZ Empreendimentos, apoiar o Aero Show está alinhado à visão da empresa de contribuir para o desenvolvimento de Sinop e fortalecer iniciativas que ampliem a conexão do município com diferentes setores da economia. “A cidade de Sinop vive um momento de crescimento e de diversificação de negócios, e eventos como o Aero Show ajudam a mostrar toda essa força. É uma iniciativa que reúne tecnologia, aviação, agronegócio, empreendedorismo e relacionamento, além de trazer pessoas de outras cidades para conhecer e vivenciar Sinop. Para a PZ, é importante estar junto de projetos que movimentam a cidade e ajudam a construir esse ambiente de desenvolvimento”, afirma Filipe. A programação do Aero Show foi planejada para atender diferentes públicos. Entre as atrações estão apresentações da Esquadrilha Fox, voos de balão, demonstrações de paramotor e saltos de paraquedas, além de atividades voltadas ao público familiar. O evento também terá uma agenda técnica, com conteúdos relacionados à segurança de voo, tecnologia de aplicação aérea, motores aeronáuticos, pneus de aeronaves e medicina. Entre os projetos apresentados está o Neurocirurgiões no Ar. No sábado (29), a programação começa às 5h, com balonismo. A abertura da visitação e dos conteúdos nos auditórios ocorre às 8h, seguida de palestras e da cerimônia oficial de abertura. À tarde, estão previstas apresentações de paramotor, da Esquadrilha Fox e novos voos de balão. O dia será encerrado com música ao vivo, confraternização e networking. No domingo (30), as atividades também começam às 5h, com balonismo. A agenda inclui treinamento teórico e prático sobre motores de aeronaves, palestra sobre tecnologia de pneus aeronáuticos, apresentações do projeto Neurocirurgiões no Ar, paramotor, Esquadrilha Fox e balonismo. O encerramento oficial está previsto para às 18h. Além do entretenimento, o evento cria um espaço de relacionamento entre profissionais da aviação, empresários, produtores rurais, fornecedores e demais setores ligados à economia regional. “A gente acredita muito na força de Sinop como polo de negócios. Quando apoiamos um evento como esse, estamos também apoiando o ecossistema que existe ao redor dele: empresas, profissionais, fornecedores, empreendedores e toda uma cadeia que se movimenta. É uma forma de participar ativamente do crescimento da cidade”, destaca Filipe. PZ Empreendimentos patrocina Aero Show e reforça apoio ao desenvolvimento de Sinop

  • Casa à prova de apagão: EcoFlow lança PowerOcean Plus na Intersolar 2026

    Nova solução de armazenamento à prova de apagões chega em momento de forte expansão do setor, com baterias de até 10.000 ciclos e instalação simplificada SÃO PAULO, AGOSTO 2026 – A EcoFlow, líder global em soluções de armazenamento de energia inteligente, anuncia o lançamento oficial do EcoFlow PowerOcean Plus no Brasil. A novidade será o grande destaque da empresa na Intersolar South America 2026, que acontece entre 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. Desenvolvido especialmente para as necessidades do mercado brasileiro, o novo sistema com inversor híbrido traz a expertise de mais de 57.000 instalações bem-sucedidas na Europa para oferecer autonomia energética e segurança contínua no fornecimento de eletricidade para residências de alto padrão e condomínios. O lançamento ocorre em um momento extremamente estratégico para o setor. Segundo um estudo da consultoria especializada Greener, o mercado brasileiro de armazenamento por baterias tem projeção de crescimento superior a 40% ao ano. Com mais de 4 milhões de sistemas de energia solar já instalados no país, segundo a ABSOLAR, a integração de baterias surge como a nova prioridade para os consumidores brasileiros que buscam fugir das altas tarifas no horário de ponta e blindar suas residências contra apagões causados por eventos climáticos extremos. Atendendo diretamente a essa urgência, o PowerOcean Plus fornece até 29,9 kW de potência de saída contínua. Em caso de queda de luz na rede pública, o tempo de comutação inteligente do sistema é de apenas 20 milissegundos, uma transição imediata e imperceptível que mantém aparelhos sensíveis, sistemas de ar-condicionado central, bombas d'água e a casa inteira funcionando sem nenhuma interrupção. "A chegada do PowerOcean Plus demonstra nosso foco em dar aos proprietários brasileiros controle absoluto sobre sua energia. Estamos entregando economia, proteção contra apagões, especialmente diante dos possíveis impactos do El Niño na América do Sul, com uma tecnologia reconhecida globalmente por sua facilidade de uso e resiliência", afirma Reinaldo Tomaz, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da EcoFlow. O PowerOcean Plus foi projetado com foco na inovação para beneficiar tanto o consumidor final quanto o instalador. O equipamento apresenta um design minimalista e modular, ocupando um espaço físico significativamente menor e permitindo que a capacidade de armazenamento seja escalonada de forma simples, partindo de 5 kWh e chegando a 60 kWh, acompanhando a evolução do consumo da família. O sistema conta ainda com tecnologia bivolt nativa (operando perfeitamente em redes de 127V ou 220V, sem adaptadores) e certificação IP65, garantindo total flexibilidade para instalações seguras e protegidas em ambientes internos ou áreas externas expostas à chuva e à poeira. A durabilidade e a eficiência operacional são outros diferenciais marcantes da linha. As unidades utilizam baterias de Fosfato de Ferro-Lítio (LFP) de altíssima qualidade, projetadas para superar os 10.000 ciclos de uso e respaldadas por uma garantia oficial de até 12 anos. “Para as empresas de engenharia e integradores solares, a solução se traduz em alta rentabilidade: a tecnologia inovadora de empilhamento elimina os cabos entre os módulos de bateria, o que reduz drasticamente o tempo, a complexidade e os custos com mão de obra em campo. Complementando a robustez do hardware, toda a gestão energética é feita de forma intuitiva pelo premiado aplicativo da EcoFlow, que já atende mais de 3,5 milhões de usuários globalmente e utiliza integração inteligente com os serviços de previsão do tempo para priorizar a carga máxima das baterias sempre que são emitidos alertas de tempestades na região”, completa Tomaz. Serviço: EcoFlow na Intersolar South America 2026 Data: 25, 26 e 27 de agosto de 2026 Horário: Das 12h às 20h Local: Expo Center Norte - Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme, São Paulo (SP) Sobre a EcoFlow A EcoFlow é uma pioneira global em soluções de energia sustentável, impulsionando a transição para uma energia mais inteligente, limpa e independente. Fundada em 2017, a EcoFlow é a número 1 em soluções de armazenamento de energia inteligente para residências, capacitando milhões de usuários a assumirem o controle de sua energia em casa e além. Com sedes operacionais em Seattle, Düsseldorf, Irvine, Tóquio e Birmingham, além de um centro de negócios e dados em Singapura, a EcoFlow atua como um ecossistema global que abrange pesquisa, operações e fabricação. Suas tecnologias inovadoras atendem a mais de 6 milhões de usuários em 140 mercados e redefinem a forma como o mundo assume o controle de sua energia. Casa à prova de apagão: EcoFlow lança PowerOcean Plus na Intersolar 2026

  • PL 753/2026: a transição energética brasileira precisa aprender a reciclar antes de descartar

    Como transformar uma obrigação ambiental necessária em um sistema regulatório capaz de financiar, rastrear e dar escala à reciclagem de módulos solares, baterias e sistemas de armazenamento Por Daniel Pansarella Perfil no LinkedIn A transição energética costuma ser apresentada por seus números de expansão: mais capacidade solar instalada, mais sistemas de geração distribuída, mais baterias e maior flexibilidade para o sistema elétrico. A pergunta incômoda, porém, é outra: quem será responsável por recolher, transportar, reaproveitar e reciclar esses equipamentos quando eles deixarem de funcionar? O Brasil está diante de uma oportunidade rara. Ainda há tempo para organizar a cadeia reversa antes que o volume de equipamentos descartados atinja escala crítica. Mas esse tempo não deve ser confundido com autorização para esperar. Módulos fotovoltaicos, inversores, estruturas, controladores de carga e baterias têm ciclos de vida, composições e riscos diferentes. Se a regulamentação chegar apenas depois de o passivo estar formado, o país terá de remediar um problema que poderia ter sido planejado. É nesse contexto que o Projeto de Lei nº 753/2026 ganha relevância. A proposta inclui painéis fotovoltaicos, inversores, controladores de carga, estruturas associadas e baterias eletroquímicas destinadas à geração distribuída, à microgeração, à minigeração distribuída e ao armazenamento de energia elétrica no regime de logística reversa obrigatória da Política Nacional de Resíduos Sólidos — PNRS. O substitutivo apresentado na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável também incorpora obrigações para integradoras e instaladoras, regras de rastreabilidade, ecodesign e fomento à cadeia de reciclagem. É importante registrar o trabalho da relatora, deputada Sâmia Bomfim, que identificou a insuficiência do regime atualmente aplicado aos eletroeletrônicos de uso doméstico e enfrentou, no parecer apresentado em 7 de julho de 2026, a necessidade de alcançar instalações corporativas, rurais, comerciais e industriais. O histórico oficial da tramitação registra a aprovação com substitutivo e a apresentação do texto substitutivo em 8 de julho de 2026. A relatoria avançou ao propor que a logística reversa seja incorporada diretamente à PNRS, ao reconhecer a necessidade de fomento à cadeia de reciclagem e ao detalhar obrigações de instaladores, rastreabilidade e ecodesign. A tese deste artigo é simples, mas exige coragem regulatória: o PL 753/2026 deve ser aprovado, porém não pode ser tratado como ponto final. Ele precisa ser aperfeiçoado para funcionar como lei de habilitação de um sistema nacional, com regulamentação específica por produto, acordos setoriais diferenciados, obrigação financeira verificável, controle inteligente dos importadores, segurança operacional e dados públicos de desempenho. O PL 753/2026 é necessário porque a regra atual é incompleta A Política Nacional de Resíduos Sólidos — Lei nº 12.305/2010 já prevê a logística reversa para determinadas cadeias e impõe responsabilidade a fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. A lei também reconhece instrumentos como acordos setoriais, termos de compromisso e regulamentos do Poder Público. O problema é que a arquitetura atualmente aplicável não resolve, de maneira clara e uniforme, o caso dos equipamentos de geração solar e dos sistemas estacionários de armazenamento. O Decreto nº 10.240/2020 regulamenta a logística reversa de produtos eletroeletrônicos e seus componentes de uso doméstico. O próprio parecer do PL 753/2026 observa que esse regime não alcança integralmente equipamentos de uso corporativo, comercial, rural ou industrial, além de excluir pilhas e baterias que não estejam integradas fisicamente aos eletroeletrônicos abrangidos. Essa limitação é decisiva, porque grande parte da geração distribuída e praticamente todos os grandes sistemas de armazenamento têm utilização profissional, empresarial ou industrial. A lacuna não é apenas jurídica. Ela produz incerteza econômica. Sem uma definição nacional sobre quem financia a retirada de um módulo substituído, quem assume o custo do transporte de uma bateria danificada, como se comprova a destinação e qual operador pode desmontar um sistema de alta tensão, cada contrato passa a resolver isoladamente um problema que deveria ser sistêmico. O texto original do PL 753/2026 já previa que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes estruturassem sistemas específicos, independentes do serviço público de limpeza urbana. Também atribuía deveres a integradoras e instaladoras, como informar o consumidor, receber equipamentos substituídos durante manutenção, encaminhá-los a operador licenciado e manter registro mínimo. O texto previa ainda metas progressivas, critérios de segurança, rastreabilidade e regulamentação em até 180 dias. Sob a relatoria da deputada Sâmia Bomfim, o substitutivo preserva o núcleo da proposta e aperfeiçoa sua técnica legislativa. Ele inclui o tema diretamente na PNRS, determina que as instaladoras mantenham informações sobre o equipamento e seu destino e prevê que o regulamento fomente unidades recicladoras, pesquisa, inovação e pontos de coleta. Esse avanço merece ser reconhecido porque desloca o debate de uma obrigação genérica de recolhimento para uma arquitetura de cadeia, dados, segurança e desenvolvimento industrial. Entretanto, há uma provocação que precisa ser feita: o substitutivo ampliou o conteúdo da lei, mas retirou do texto a obrigação expressa de regulamentar o sistema em 180 dias. A lei pode entrar em vigor 90 dias após sua publicação e, ainda assim, a regulamentação permanecer sem prazo definido. Uma obrigação ambiental sem prazo, sem fonte de financiamento, sem método de cálculo e sem sistema de auditoria corre o risco de produzir apenas conformidade documental. O Brasil não precisa de mais uma política que exista no papel e falhe no território. O mosaico de projetos mostra convergência, mas também risco de sobreposição O PL 753/2026 não surgiu isoladamente. O Congresso discute outras iniciativas sobre o mesmo problema. O PL nº 998/2024 institui uma política de incentivo ao desenvolvimento da logística reversa de painéis fotovoltaicos e já teve pareceres aprovados nas Comissões de Minas e Energia e de Desenvolvimento Urbano, aguardando tramitação na Comissão de Meio Ambiente. O PL nº 3.784/2023, no Senado, obriga fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de painéis solares fotovoltaicos a estruturar e implementar sistemas de logística reversa e permanece com relatoria na Comissão de Serviços de Infraestrutura. Já o PL nº 391/2025 explicita a obrigatoriedade da logística reversa para painéis fotovoltaicos e prevê regras e metas específicas, aguardando designação de relator na Comissão de Desenvolvimento Urbano. A convergência é positiva: o Legislativo reconhece que a expansão da energia solar precisa ser acompanhada por responsabilidade pós-consumo. Mas a sobreposição pode gerar quatro regimes concorrentes, com conceitos diferentes de produto, metas, agentes responsáveis e instrumentos de financiamento. O melhor caminho é usar o PL 753/2026 como eixo abrangente e absorver, em sua regulamentação, os incentivos, as metas e os mecanismos de governança amadurecidos nas demais proposições. Tema Direção já presente no PL 753/2026 Aperfeiçoamento necessário Escopo Inclui módulos, inversores, controladores, estruturas associadas e baterias. Diferenciar categorias, tecnologias, químicas, potências e aplicações, sem criar lacunas para componentes vendidos separadamente. Responsabilidade Alcança fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, integradoras e instaladoras. Definir com precisão a responsabilidade financeira e operacional de cada elo, inclusive em operações B2B, equipamentos órfãos e importações por encomenda. Metas Prevê metas progressivas de recolhimento e destinação. Fixar metodologia baseada em produtos colocados no mercado, massa, unidades, vida útil, reuso, segunda vida, recuperação e reciclagem. Rastreabilidade Exige registros de equipamentos instalados e substituídos. Criar padrão nacional interoperável, com número de série, lote, composição, capacidade, data de entrada e destino final. Reciclagem Determina operador licenciado e prevê fomento à cadeia. Exigir habilitação técnica, balanço de massa, certificado de conclusão e auditoria independente. Regulamentação Remete temas essenciais ao Poder Executivo. Manter prazo máximo de 180 dias, consulta pública e anexos técnicos específicos por produto. A função do PL 753/2026, portanto, não deve ser competir com as demais propostas, mas consolidar uma base nacional capaz de evitar a fragmentação regulatória. A lei deve dizer o que é obrigatório; os acordos setoriais devem definir como cada cadeia cumprirá a obrigação. Primeira provocação: é possível impor responsabilidade sem dizer quem paga? A expressão “responsabilidade compartilhada” é importante, mas não pode ser usada para esconder a ausência de uma matriz de custos. O parecer do PL 753/2026 cita auditoria do Tribunal de Contas da União que identificou insegurança sobre quem arcaria com as despesas de cada etapa da logística reversa. Essa é provavelmente a principal questão econômica da futura regulamentação. O sistema deve adotar responsabilidade estendida do produtor. Isso significa que o fabricante ou importador que coloca o equipamento no mercado deve financiar a gestão de seu fim de vida, ainda que a operação seja coletiva e conte com distribuidores, comerciantes, instaladores, entidades gestoras e recicladores. O regulamento deveria admitir dois modelos. No modelo coletivo, fabricantes e importadores aderem a uma entidade gestora, que contrata coleta, transporte, armazenagem, triagem, reuso, segunda vida e reciclagem. No modelo individual, a empresa estrutura seu próprio sistema, diretamente ou por terceiros. Em ambos os casos, o resultado precisa ser comprovado por dados auditáveis, e não apenas por declaração da própria cadeia. Também é necessário enfrentar equipamentos órfãos, empresas que deixam de operar no Brasil, marcas privadas, importações paralelas e produtos sem identificação suficiente. Sem garantia financeira, contribuição antecipada ou mecanismo equivalente, o custo de um equipamento órfão tende a ser transferido ao último proprietário, ao município ou ao operador que encontrar o resíduo. A experiência europeia oferece uma referência mais sofisticada do que uma simples licença de importação. A Diretiva WEEE trata os painéis fotovoltaicos como uma categoria prioritária para coleta separada, exige registro de produtores e representantes autorizados, estabelece metas de coleta, recuperação e reciclagem e atribui ao produtor o financiamento da gestão dos resíduos de equipamentos colocados no mercado. O modelo europeu também exige que os Estados mantenham dados sobre equipamentos comercializados, coletados, preparados para reuso, reciclados e recuperados. Para baterias, o Regulamento Europeu de Baterias — Regulamento (UE) 2023/1542 aplica-se tanto a produtos fabricados na União Europeia quanto a baterias importadas. A norma considera produtor o fabricante, importador ou distribuidor que disponibiliza a bateria pela primeira vez no território de um Estado-membro. Com isso, a obrigação ambiental acompanha o primeiro ingresso no mercado, e não apenas a origem industrial do produto. Esse regulamento combina responsabilidade estendida do produtor, registro nacional, verificação de conformidade, identificação do importador, rastreabilidade ao longo da cadeia e financiamento da coleta, tratamento, reciclagem, informação e reporte. Também considera o ciclo completo da bateria, incluindo reuso, reconfiguração, segunda vida e reciclagem. Para determinadas categorias, a regulamentação europeia avança ainda na direção de informações digitais de ciclo de vida e do passaporte de bateria, instrumento que pode reunir dados técnicos, origem, desempenho, composição e histórico do produto. É essa combinação que o Brasil deveria adaptar: registro antes da colocação no mercado, responsabilidade financeira desde a primeira venda e dados capazes de acompanhar o produto até o fim de sua vida útil. A União Europeia separa ainda o produto novo do resíduo. O Regulamento (UE) 2024/1157 sobre remessas de resíduos estabelece, conforme o tipo de material, notificação prévia, consentimento das autoridades, documentação, instalação autorizada e certificado de conclusão. Essa separação evita que uma regra criada para controlar o comércio de equipamentos novos seja confundida com o regime aplicável à movimentação internacional de resíduos destinados à recuperação. O Brasil não precisa copiar o modelo europeu, mas precisa abandonar a ideia de que a logística reversa se sustenta por boa vontade empresarial. Se o produto tem dono quando é vendido, precisa ter responsável quando vira resíduo. Segunda provocação: meta sobre qual base? Metas de recolhimento parecem objetivas, mas podem ser mal desenhadas. A meta de uma bateria estacionária de grande porte não pode ser calculada da mesma forma que a meta de uma pilha portátil. Um módulo instalado em uma residência, uma usina centralizada, um sistema rural isolado e um banco de baterias para data center percorrem rotas de manutenção e descarte completamente diferentes. O regulamento deve combinar pelo menos quatro referências: quantidade e massa colocadas no mercado; vida útil média por categoria; quantidade efetivamente substituída; e quantidade encaminhada para cada etapa da hierarquia de resíduos. A ordem desejável é preservar o uso, reparar, reutilizar, reconfigurar para segunda vida, recuperar materiais e, apenas como última opção, dispor os rejeitos em instalação licenciada. A meta também deve ser tecnológica. Para módulos, pode haver subcategorias por tipo construtivo e composição. Para baterias, a divisão deve considerar, no mínimo, química, formato, tensão, capacidade, estado de saúde, possibilidade de reuso e risco de incêndio. Uma bateria de chumbo-ácido, uma bateria de lítio-ferro-fosfato e uma bateria de química rica em níquel não podem compartilhar o mesmo protocolo de transporte, armazenamento e reciclagem. O PL 753/2026 acerta ao remeter metas progressivas ao regulamento, mas precisa determinar que elas sejam elaboradas por categoria de produto e com participação técnica do setor, de órgãos ambientais, entidades de defesa do consumidor, municípios, recicladores e especialistas em segurança. Meta única para produtos diferentes é simplicidade que produz distorção. Terceira provocação: painel solar não é bateria — e sistema de armazenamento não é apenas um eletroeletrônico grande Módulos fotovoltaicos concentram vidro, alumínio, polímeros, silício, metais e componentes elétricos. Baterias agregam risco eletroquímico, possibilidade de fuga térmica, eletrólitos, módulos de controle e diferentes níveis de tensão. Sistemas de armazenamento ainda combinam baterias, contêineres, inversores, sistemas de gerenciamento, proteção contra incêndio, climatização e infraestrutura elétrica. A Agência Internacional de Energia Renovável — IRENA, em conjunto com o programa IEA-PVPS, estima que a reciclagem e o reuso de módulos ao fim de uma vida útil aproximada de 30 anos poderiam liberar globalmente 78 milhões de toneladas de matérias-primas e componentes até 2050, com valor potencial superior a US$ 15 bilhões. O mesmo relatório ressalta que a estrutura institucional precisa ser criada antes do crescimento dos resíduos e adaptada às condições de cada país. O PL 753/2026 deve, portanto, ser regulamentado por acordos específicos para cada produto ou família tecnológica. Um acordo para módulos deve tratar de coleta em manutenção e descomissionamento, integridade do vidro, desmontagem, separação de alumínio, recuperação de silício e gestão de materiais perigosos. Um acordo para baterias deve tratar de diagnóstico do estado de saúde, descarga segura, transporte, prevenção de incêndios, reuso, segunda vida, reciclagem por química e destinação de rejeitos. Um acordo para sistemas de armazenamento deve definir quem desmonta o conjunto, quem responde pela bateria interna e como são tratados inversores, racks, contêineres e sistemas de controle. Não se trata de criar burocracia por produto. Trata-se de reconhecer a física do resíduo. A norma que ignora a tecnologia cria um sistema formalmente uniforme, mas operacionalmente inseguro. Quarta provocação: o importador deve entrar no sistema antes de entrar no mercado O debate sobre licenciamento de importação precisa ser preciso. A experiência europeia não mostra um modelo baseado simplesmente em uma licença ambiental individual para cada embarque de produto novo. O que existe é uma combinação de registro do produtor ou importador, representante autorizado quando necessário, documentação de conformidade, rastreabilidade, responsabilidade financeira e fiscalização de mercado. As regras da Diretiva WEEE e do Regulamento Europeu de Baterias vinculam o acesso ao mercado à responsabilidade pelo ciclo de vida. Para resíduos transfronteiriços, a lógica é diferente: o Regulamento Europeu de Remessas de Resíduos exige, conforme o tipo de remessa, notificação prévia, consentimento das autoridades, documentação e comprovação de tratamento em instalação autorizada. Essa distinção permite propor uma solução brasileira mais eficiente. O PL 753/2026 deveria autorizar a criação de um Cadastro Nacional de Produtores e Importadores de Equipamentos de Geração e Armazenamento de Energia, integrado ao SINIR e, quando tecnicamente viável, aos sistemas de comércio exterior e fiscalização ambiental. Antes da primeira colocação do produto no mercado nacional, o importador deveria comprovar: identificação do fabricante e da marca; categoria e tecnologia; massa e quantidade; vida útil estimada; número de série ou lote; sistema coletivo ou individual de logística reversa; entidade gestora ou operador contratado; representante legal no Brasil; mecanismo de financiamento; e plano para equipamentos órfãos. Isso não significa criar uma barreira automática ao comércio. O objetivo é impedir que uma empresa coloque milhares de equipamentos no mercado, desapareça quando eles forem substituídos e deixe o custo para consumidores, municípios ou recicladores. O controle pode funcionar por declaração eletrônica, registro prévio, auditoria por risco e integração de dados, preservando regimes de admissão temporária, drawback, reimportação e outras operações que não representem colocação definitiva no mercado brasileiro. A experiência dos pneus é instrutiva. O Ibama exige cadastro e declaração dos fabricantes e importadores, opera um relatório eletrônico de pneumáticos, acompanha destinadores e pontos de coleta e publica relatórios anuais. Ao mesmo tempo, o próprio órgão informa que não faz anuência de licenças de importação de pneus no Siscomex. A lição é direta: controle ambiental eficaz não depende necessariamente de uma licença prévia para cada importação; depende de registro, informação, obrigação financeira, fiscalização e consequência para o inadimplente. Quinta provocação: instalador não pode ser transformado em depósito gratuito de resíduos perigosos O substitutivo acerta ao reconhecer a posição estratégica de integradoras e instaladoras. Em muitos casos, é no momento da manutenção, repotenciação ou modernização que o equipamento antigo se torna resíduo. Se a empresa que substitui o módulo ou a bateria não participa da devolução, o consumidor pode não saber para onde encaminhar o equipamento. Mas a obrigação precisa vir acompanhada de regras de remuneração, limite de armazenamento, embalagem, transporte, seguro e segurança. Uma pequena empresa instaladora não pode ser obrigada a manter indefinidamente baterias de alta tensão em um galpão sem infraestrutura, nem a custear sozinha a remoção de um sistema que pertence a uma grande cadeia de fornecimento. O regulamento deve criar uma tarifa ou mecanismo de ressarcimento por recebimento e consolidação, definir prazos máximos de permanência e classificar os pontos de recebimento por risco. Equipamentos íntegros, componentes danificados e baterias com suspeita de avaria térmica devem seguir protocolos diferentes. O instalador deve ser um elo remunerado e treinado do sistema, não o financiador invisível da logística reversa. Lições brasileiras complementares O Brasil já possui experiências úteis, mas secundárias para o desenho do PL 753/2026. A logística reversa de pneus acompanhada pelo Ibama demonstra que cadastro, declaração periódica, pontos de coleta e publicação de resultados podem apoiar a fiscalização. A principal referência brasileira para o PL 753, contudo, deve ser a arquitetura mais completa dos eletroeletrônicos no SINIR, com entidades gestoras, modelos individual e coletivo, operadores habilitados, mecanismos financeiros, manual operacional e prestação de informações. A comparação mostra que o Brasil não começa do zero. O país já possui instrumentos que podem ser combinados, enquanto a União Europeia oferece um desenho mais avançado de responsabilidade desde a colocação do produto no mercado. O desafio é evitar soluções isoladas, sem interoperabilidade e sem uma definição comum do que é resultado ambientalmente adequado. Experiência Elemento aproveitável no PL 753/2026 Pneus Cadastro, declaração periódica e pontos de coleta, como referência operacional pontual. Eletroeletrônicos Entidades gestoras, modelos individual e coletivo, operadores habilitados e prestação de contas. União Europeia — WEEE Registro de produtores, financiamento, coleta separada e reporte harmonizado. União Europeia — baterias Regras de ciclo de vida, rastreabilidade, conformidade, reciclagem e autoridades competentes. União Europeia — remessas de resíduos Notificação, consentimento, instalação autorizada e certificado de conclusão. Uma proposta de arquitetura regulatória para depois da aprovação O primeiro passo deve ser preservar no PL 753/2026 o prazo máximo de 180 dias para regulamentação. A regulamentação deve ser construída com consulta pública e grupo técnico interministerial, envolvendo Meio Ambiente, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Fazenda, órgãos de comércio exterior, Ibama, estados, municípios, setor elétrico, fabricantes, importadores, instaladores, recicladores e consumidores. Nos primeiros 90 dias, o Poder Executivo deveria publicar a classificação dos produtos e os dados mínimos de cadastro. No período seguinte, deveria aprovar os anexos técnicos dos acordos setoriais de módulos, baterias e sistemas de armazenamento, além do manual de segurança para coleta, transporte, armazenamento e desmontagem. Até o fim do primeiro ano, o sistema deveria estar integrado ao SINIR, com entidades gestoras e operadores habilitados, regras de financiamento, metas iniciais e publicação de resultados. A regulamentação deveria contemplar os seguintes elementos, organizados em normas claras e verificáveis: Eixo Solução proposta Cadastro e importação Registro prévio de fabricante, importador e representante no Brasil, com dados do produto, tecnologia, massa, lote, vida útil e sistema de logística reversa. Financiamento Responsabilidade estendida do produtor, contribuição por produto ou mecanismo equivalente, garantia para empresas sem histórico e fundo para produtos órfãos. Rastreabilidade Identificação por número de série, lote ou código equivalente, com registro de instalação, manutenção, substituição, transporte e destinação. Segurança Protocolos diferentes para módulos íntegros, componentes danificados, baterias em condição normal e baterias com risco térmico ou elétrico. Metas Metas progressivas por produto, tecnologia, massa, unidade e etapa da hierarquia de resíduos, com auditoria independente. Reciclagem Operador licenciado, habilitado e auditável, balanço de massa, certificado de conclusão e controle de rejeitos. Reuso e segunda vida Avaliação de estado de saúde, critérios mínimos de segurança, garantia, responsabilidade e destino após a segunda vida. Transparência Painel público anual com produtos colocados no mercado, pontos de coleta, massa recolhida, resultados por rota e sanções aplicadas. Inovação Incentivos para design reciclável, pesquisa, recuperação de materiais, instalação de recicladores e desenvolvimento de tecnologias nacionais. O sistema deve ser proporcional. Produtos de baixo risco e pequeno volume não precisam enfrentar o mesmo rito destinado a baterias de alta capacidade. A fiscalização deve ser orientada por risco, histórico de conformidade e volume importado. O importador que demonstra rastreabilidade, financia a cadeia e cumpre metas deve ter previsibilidade; aquele que usa empresas de fachada ou não comprova destinação deve sofrer sanções e perder a habilitação. O fator tributário e a geopolítica da cadeia A logística reversa não pode ser separada da economia da importação. Em janeiro de 2026, a China anunciou o cancelamento, a partir de 1º de abril, da restituição de IVA à exportação para produtos fotovoltaicos. Para produtos de bateria, a restituição foi anunciada com redução de 9% para 6% entre abril e dezembro de 2026 e eliminação a partir de 1º de janeiro de 2027. É importante esclarecer: trata-se de restituição tributária à exportação, e não de tarifa de importação brasileira. Mudanças como essa podem alterar preços, margens, estoques e estratégias comerciais no Brasil. A futura regulamentação não deve presumir que o custo da reciclagem será absorvido espontaneamente pela margem do importador. A obrigação precisa acompanhar o produto desde sua colocação no mercado, com mecanismo financeiro verificável e possibilidade de revisão periódica dos valores conforme custo real de coleta, transporte, segurança e processamento. Também seria possível criar incentivos tributários direcionados, sem transformar a logística reversa em benefício indiscriminado. Créditos, depreciação acelerada, financiamento público ou redução condicionada de tributos poderiam estar vinculados a investimentos comprovados em unidades de reciclagem, pesquisa, conteúdo reciclado, formação profissional e infraestrutura de coleta. O incentivo deve premiar resultado, não apenas promessa. A eleição não pode ser o começo da discussão A regulamentação pode, politicamente, ser concluída após o ciclo eleitoral. Mas a preparação técnica não deveria esperar. O setor, o governo e o Congresso já conhecem o problema. O próprio substitutivo registra a expansão da geração solar, a vida útil dos equipamentos e a insuficiência da infraestrutura de reciclagem. A provocação final é esta: se o país esperar o primeiro grande passivo para começar a regulamentar, terá perdido a vantagem de planejar. A participação setorial deve ocorrer agora, em consulta pública transparente, para que a regulamentação final, após a eleição, não seja improvisada nem capturada por interesses de curto prazo. O PL 753/2026 pode inaugurar uma nova etapa da política industrial e ambiental brasileira. Para isso, precisa ir além da frase “fabricantes e importadores deverão recolher”. Deve responder quanto será recolhido, quem pagará, onde será recebido, quem poderá transportar, qual tecnologia será usada, como o resultado será auditado e o que acontecerá com o equipamento órfão. A transição energética só será verdadeiramente sustentável quando o país conseguir fechar o ciclo dos equipamentos que a tornam possível. Aprovar o PL 753/2026 é necessário. Regulamentá-lo com inteligência, financiamento e responsabilidade por produto é indispensável. Daniel Pansarella é executivo com vasta experiência no setor de energia solar, especializado em tributação, logística, cadeia produtiva de equipamentos e desenvolvimento de negócios para equipamentos solares nos mercados brasileiro e latino-americano. Atualmente, atua como Public Affairs & Business Developer Latam na Trina Solar, uma das principais fabricantes de módulos fotovoltaicos, Trackers e Storage do mundo. É também Vice-Presidente de Cadeia Produtiva do Conselho da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Diretor do Derex-FIESP e Conselheiro de empresas como Brasol (Siemens e BlackRock), Greener e Pacto Energia. Conheça mais em seu perfil no LinkedIn. PL 753/2026: a transição energética brasileira precisa aprender a reciclar antes de descartar

  • EnergyChannel prepara entrevista exclusiva com executivo da Norvento TECHnPower durante a Intersolar 2026

    Direto de Madri para São Paulo, Gustavo Christovam João estará na Intersolar South America. O EnergyChannel prepara uma conversa especial sobre armazenamento, BESS e a nova arquitetura do setor elétrico. EnergyChannel prepara entrevista exclusiva com executivo da Norvento TECHnPower durante a Intersolar 2026 SÃO PAULO — A Intersolar South America 2026 se aproxima, e o EnergyChannel prepara uma cobertura especial sobre algumas das tecnologias que estão ganhando protagonismo na transformação do setor energético. Entre os encontros já programados está uma entrevista exclusiva com Gustavo Christovam João, Senior Sales Application Engineer – Energy Storage da Norvento TECHnPower, que estará no Brasil durante a feira. Brasileiro e atualmente baseado em Madri, Gustavo possui mais de dez anos de experiência no setor de energia e construiu uma trajetória internacional passando por Brasil, Chile, Alemanha e Espanha. Ao longo da carreira, atuou em empresas como GE e ABB, em áreas relacionadas a engenharia, gestão de produtos, propostas e desenvolvimento de negócios. Sua experiência no Chile também marcou o início de uma especialização em um mercado que hoje ocupa posição cada vez mais estratégica no setor elétrico: o armazenamento de energia em baterias — BESS. Atualmente, na Norvento TECHnPower, trabalha com soluções de armazenamento, eletrônica de potência e integração de baterias para projetos internacionais. Uma conversa sobre o que vem depois da expansão das renováveis A entrevista do EnergyChannel pretende partir de uma questão que começa a ganhar força em diferentes mercados: depois da expansão acelerada da geração solar e eólica, como armazenar, controlar e integrar toda essa energia ao sistema elétrico? BESS, eletrônica de potência, sistemas híbridos, integração à rede e a evolução dos grandes projetos de armazenamento estarão entre os temas da conversa. Também queremos entender a visão de quem acompanha esse mercado internacionalmente sobre o momento brasileiro e as oportunidades que começam a surgir no país. Não será apenas uma conversa sobre equipamentos. Será uma oportunidade de discutir como a combinação entre geração renovável + armazenamento + eletrônica de potência + inteligência energética pode modificar a arquitetura dos sistemas elétricos nos próximos anos. Direto da Intersolar South America 2026 A entrevista será gravada durante a Intersolar South America 2026, que acontece de 25 a 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo. A Norvento TECHnPower estará no estande B6.85. E o EnergyChannel estará lá. Nossa equipe acompanhará a empresa durante a feira para conhecer suas tecnologias, conversar com seus executivos e entender quais caminhos a companhia enxerga para o avanço do armazenamento e dos sistemas híbridos no Brasil e na América Latina. 🎥 Em breve: Gustavo Christovam João + EnergyChannel. Uma conversa sobre armazenamento, tecnologia e o que pode estar chegando na próxima fase da transição energética. Acompanhe. Vem muita novidade direto da Intersolar 2026. EnergyChannel | Special Coverage — Intersolar South America 2026 EnergyChannel prepara entrevista exclusiva com executivo da Norvento TECHnPower durante a Intersolar 2026

  • Victron Energy acelera expansão no Brasil e aposta em microrredes para transformar armazenamento em ativo estratégico na Intersolar South América 2026

    Com crescimento de 133% em participação de mercado no primeiro trimestre de 2026, fabricante holandesa apresenta na Intersolar arquitetura modular para sistemas off-grid de até 400 kW e mira agronegócio, indústria, telecom e infraestrutura crítica. Brasil, 24 de agosto de 2026 - A expansão do armazenamento de energia no Brasil começa a mudar o papel das baterias no sistema elétrico. De equipamentos utilizados principalmente como backup, elas passam a ser tratadas por empresas e consumidores como ativos estratégicos para reduzir custos, aumentar a autonomia e garantir continuidade operacional. É nesse movimento que a Victron Energy chega à Intersolar South America 2026, em São Paulo, Brasil, com uma aposta que combina armazenamento, geração híbrida e inteligência de gestão. A fabricante holandesa, que registrou crescimento de 113% nas operações brasileiras em 2025 e expansão de 133% em participação de mercado no primeiro trimestre deste ano, estreia com estande próprio de 28 metros quadrados no evento, realizado de 25 a 27 de agosto, no Expo Center Norte. O principal lançamento apresentado pela companhia é a Victron Microgrid, arquitetura modular desenvolvida para ampliar sistemas de energia independente sem a necessidade de uma estrutura central de controle. A proposta permite estruturar sistemas off-grid de até 400 kW a partir de módulos independentes, os chamados Power Banks. Cada unidade reúne inversores/carregadores, banco de baterias, fontes de carregamento em corrente contínua e monitoramento individual pela plataforma GX/VRM. Os módulos compartilham a carga por meio de um barramento em corrente alternada, reduzindo a complexidade da expansão. Microrrede ganha espaço em aplicações críticas A arquitetura modular busca atacar um dos principais desafios de sistemas isolados: a dependência de um único ponto de controle ou falha. Se um Power Bank for retirado para manutenção ou apresentar indisponibilidade, os demais módulos continuam alimentando o barramento. A capacidade também pode ser ampliada ou reduzida sem interrupção do fornecimento, característica relevante para operações com consumo variável. “A demanda por soluções energéticas mais resilientes, flexíveis e independentes da rede elétrica cresce em diversos segmentos da economia”, afirma Edimar Prumucena, gerente da Victron Energy Brasil. Segundo ele, a arquitetura foi desenvolvida para combinar escalabilidade, simplicidade operacional e disponibilidade em aplicações críticas. O mercado potencial vai além da geração solar convencional. A empresa identifica oportunidades em mineração, agronegócio, telecomunicações, locação de geradores, canteiros de obras, eventos, comunidades isoladas e infraestrutura crítica. Também há espaço para a modernização de sistemas off-grid já instalados, uma vez que a expansão pode ser feita pela adição de novos módulos sem substituição da infraestrutura existente. Baterias deixam de ser apenas backup A mudança de percepção sobre o armazenamento ocorre em paralelo à expansão da geração solar distribuída. Na avaliação da Victron, entre 2025 e 2026 houve aceleração da demanda por sistemas de armazenamento, estimulada pelo crescimento da base solar instalada, pela busca por resiliência energética e pela evolução das baterias de lítio. “O armazenamento deixou de ser visto apenas como um sistema de backup. Hoje ele passou a ocupar um papel estratégico na gestão inteligente da energia”, diz Prumucena. A companhia vê as baterias como instrumentos para aumentar a independência da rede, reduzir custos operacionais e melhorar o aproveitamento da energia produzida. Nesse cenário, a Victron aposta na tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), que considera a principal solução para o mercado brasileiro nos próximos anos. Segurança, vida útil, eficiência, número de ciclos e baixa necessidade de manutenção são apontados como fatores que sustentam a liderança da tecnologia. Agronegócio e empresas puxam demanda Entre os mercados considerados mais promissores estão o residencial de alto padrão, comercial, industrial e agronegócio. Nas empresas, a busca está relacionada à redução dos impactos das tarifas e à necessidade de maior confiabilidade no fornecimento. No campo, a continuidade energética ganha peso diante da dependência de equipamentos essenciais e de instalações localizadas em regiões com maior instabilidade da rede. Telecomunicações, hospitais, embarcações, veículos especiais e sistemas totalmente isolados também aparecem entre as aplicações de maior potencial. Para a Victron, quanto maior o custo de uma interrupção, maior tende a ser o valor econômico de uma arquitetura capaz de manter a operação mesmo diante de falhas. A queda dos preços internacionais das baterias de lítio reforça esse movimento. A empresa, porém, defende que a análise dos projetos deve considerar não apenas o investimento inicial, mas o custo total ao longo da vida útil. Nesse cálculo, a maior durabilidade e o número de ciclos das baterias LFP podem melhorar a competitividade em relação às tecnologias tradicionais de chumbo-ácido. Brasil ganha peso na estratégia global O desempenho brasileiro reforça a importância do país na estratégia da fabricante. Presente em mais de 60 países e com atuação desde 1975, a Victron direciona seu portfólio para aplicações que exigem autonomia e disponibilidade energética, incluindo hospitais, data centers, telecomunicações, empresas, embarcações e instalações remotas. Na Intersolar, a companhia pretende ampliar a relação com distribuidores, integradores e projetistas e posicionar suas soluções diante de um mercado que começa a enxergar o armazenamento não apenas como complemento da geração solar, mas como parte da infraestrutura energética. A estratégia combina, assim, dois movimentos: a expansão física da capacidade de armazenamento e a transformação das baterias em uma ferramenta de gestão da energia. Para a Victron, essa mudança abre espaço para uma nova geração de sistemas mais modulares, inteligentes e independentes da rede elétrica. Victron Energy acelera expansão no Brasil e aposta em microrredes para transformar armazenamento em ativo estratégico na Intersolar South América 2026

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