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Gargalos da transmissão desafiam expansão econômica de Mato Grosso

Painel do Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026 debateu gargalos da transmissão, avanço da energia solar, sobrecarga do sistema e investimentos bilionários para ampliar a oferta de energia no estado


Gargalos da transmissão desafiam expansão econômica de Mato Grosso

O avanço acelerado da geração solar, a sobrecarga do sistema elétrico e a falta de energia trifásica em grande parte de Mato Grosso dominaram os debates do painel “Mato Grosso: O papel do Estado para a segurança do setor elétrico”, realizado nesta terça-feira (12.05), durante o Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, no UniSenai MT, em Cuiabá.


Representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE), setor produtivo e parlamentares defenderam novos investimentos em transmissão, distribuição e armazenamento de energia para evitar que o crescimento econômico e a industrialização do estado sejam comprometidos nos próximos anos.


Um dos pontos centrais da discussão foi o avanço da geração solar no Brasil e a dificuldade do sistema elétrico em acompanhar a velocidade dessa expansão. O diretor da Aneel, Gentil Nogueira de Sá Júnior, explicou que o excesso de energia injetada na rede em determinados horários já provoca sobrecarga no sistema nacional.


“A sobrecarga vem efetivamente da grande produção solar que o país desenvolveu nos últimos anos, especialmente da geração distribuída. Em determinados horários do dia existe excesso de energia no sistema e, em outros momentos, ainda precisamos acionar termelétricas caras. O grande desafio do Brasil agora é armazenar essa energia e conseguir deslocar esse uso para outros horários”, afirmou.

Segundo Gentil, o país precisará acelerar investimentos tanto em transmissão quanto em novas tecnologias de armazenamento, como baterias químicas e usinas reversíveis, para garantir estabilidade ao sistema elétrico nacional.


O superintendente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Dourado Martins, afirmou que Mato Grosso possui vocação estratégica para a expansão das fontes renováveis e confirmou que estudos em andamento devem ampliar significativamente a capacidade de exportação de energia do estado.


Ele explicou que a EPE trabalha em dois estudos estruturantes para reforçar as malhas de transmissão de 500 kV e 230 kV, com previsão de conclusão ainda neste ano.

“Esses estudos vão viabilizar um aumento de aproximadamente mil megawatts na capacidade de exportação do sistema de transmissão de Mato Grosso. Isso é superior ao volume de PCHs cadastradas no último leilão A-5 de 2025 e mostra que estamos preparando o estado para absorver e escoar esse crescimento”, disse.

Thiago destacou ainda que o principal desafio atual é acompanhar a velocidade da expansão da mini e microgeração distribuída, especialmente da energia solar fotovoltaica. Apenas em 2024, o Brasil adicionou cerca de 9 gigawatts dessa modalidade ao sistema elétrico nacional.


“É um crescimento extremamente acelerado. O desafio é que uma obra de transmissão leva cerca de sete anos entre planejamento e operação. Precisamos nos antecipar para garantir que a infraestrutura acompanhe esse avanço”, afirmou.

A presidente da Associação Brasileira de PCH e CGH (Abrapch), Alessandra Torres, defendeu o protagonismo das pequenas centrais hidrelétricas na transição energética brasileira e afirmou que Mato Grosso ocupa posição estratégica para a segurança energética nacional.

“O Brasil pode dar um salto no protagonismo da transição energética com o potencial hídrico que possui, e Mato Grosso é peça-chave nisso. As PCHs entregam energia firme, renovável, mais barata e complementar à geração solar”, destacou.

O deputado federal Fábio Garcia afirmou que Mato Grosso enfrenta um impasse energético justamente no momento em que precisa acelerar a industrialização para enfrentar os impactos da reforma tributária e ampliar a agregação de valor da produção estadual.


Segundo ele, o estado sofre com crescimento acelerado da demanda, expansão territorial e necessidade de reforço da rede elétrica, enquanto os custos dos investimentos acabam concentrados na tarifa paga pelos consumidores mato-grossenses.


“Mato Grosso precisa se industrializar e, para isso, precisa de energia trifásica para atender indústrias, agroindústrias e armazenagem. O problema é que jogar todo esse investimento na conta do consumidor tornaria a tarifa impraticável”, afirmou.

Durante o painel, Fábio Garcia também confirmou que o Governo de Mato Grosso e a Energisa devem lançar um pacote de R$ 1,4 bilhão em investimentos para reforço da rede elétrica estadual por meio do programa MT Trifásico. O projeto prevê aporte de R$ 700 milhões do Governo do Estado e outros R$ 700 milhões da concessionária.

“O governo está entrando com recurso justamente para evitar explosão tarifária. Energia hoje é um dos ativos mais essenciais para o crescimento do estado. Mato Grosso precisa crescer, gerar empregos de qualidade e agregar valor à produção”, disse.

O parlamentar também defendeu a criação de um programa federal voltado à expansão da infraestrutura energética em estados com forte crescimento econômico, nos moldes do antigo Luz para Todos, mas focado em energia para produção e industrialização.


“Mato Grosso não precisa mais apenas de luz para acender lâmpada. Precisa de energia para movimentar indústria, gerar emprego e sustentar o desenvolvimento econômico”, completou.

Gargalos da transmissão desafiam expansão econômica de Mato Grosso


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