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- ABB moderniza sistemas elétricos e de automação de mina da Boliden
Novos sistemas vão ajudar mineradora a otimizar a gestão de rejeitos na extração de cobre de Aitik, no norte da Suécia ABB moderniza sistemas elétricos e de automação de mina da Boliden São Paulo, 19/1/2026 -- A ABB concluiu a implantação de novos sistemas de eletrificação e automação especificamente projetados para otimizar a gestão de rejeitos na mina de cobre de Aitik, operada pela Boliden , no extremo norte da Suécia. A implantação objetiva elevar a segurança e a eficiência do processo, ampliar a capacidade de armazenagem e recuperação de minerais descartados, além de pavimentar incrementos de produção em Aitik, seguindo a expectativa de aumento de 22% na demanda mundial de cobre até 2035, constante nas projeções da Agência Internacional de Energia (IEA). O projeto incluiu equipamentos como e-houses modulares, painéis de média e baixa tensão, transformadores e inversores de frequência para estações de bombeamento. Projetados para operar sob temperaturas congelantes prevalentes a maior parte do ano no norte da Suécia, os equipamentos foram integrados a automações regidas pelo sistema de controle distribuído 800xA®, também da ABB. “A Boliden precisava de uma infraestrutura preparada para o futuro, para acompanhar o aumento da demanda pela produção europeia de cobre”, afirmou em comunicado Björn Jonsson, gerente global de negócios em Mineração e Materiais da ABB. “Aitik estabelece um novo padrão de como os sistemas elétricos podem favorecer a eficiência operacional e a responsabilidade ambiental”, acrescentou. Segundo as empresas, o conjunto foi concebido para garantir a continuidade do fornecimento de energia para processos de rejeitos, realizar monitoramento em tempo real dos fluxos de água e monitorar o comportamento da barragem do lago de rejeitos, conforme os critérios do chamado Padrão Global de Gestão de Resíduos na Mineração (GISTM, na sigla em inglês). Ainda de acordo com as organizações, os novos sistemas vão centralizar a visualização dos fluxos de energia, emitir alertas de manutenção preditiva relativos a equipamentos e realizar diagnósticos em tempo real para evitar paradas não programadas, especialmente as decorrentes de mudanças na programação de operação. O projeto integra uma série de investimentos que a mineradora Boliden vem fazendo para tornar sua operação mais sustentável e eficiente, inclusive com gestão de rejeitos sem danos ambientais e maior resiliência produtiva de longo prazo. ABB moderniza sistemas elétricos e de automação de mina da Boliden
- Bolívia Reforça Compromisso com Acordos Energéticos e de Lítio para Atrair Investidores Internacionais
La Paz, 19 de janeiro de 2026 — O governo boliviano intensificou esforços para restaurar a confiança de investidores estrangeiros ao afirmar que respeitará integralmente contratos existentes nos setores de energia e lítio, mesmo aqueles firmados sob administrações anteriores e alvo de críticas por falta de transparência. Bolívia Reforça Compromisso com Acordos Energéticos e de Lítio para Atrair Investidores Internacionais Em um momento marcado por desafios econômicos e um histórico de incertezas políticas, a nova gestão liderada pelo presidente Rodrigo Paz busca reposicionar a Bolívia como um destino estável para investimentos estratégicos em recursos naturais. O objetivo do governo é claro: assegurar que contratos já assinados, incluindo os relacionados à exploração de hidrocarbonetos e de lítio, sejam honrados mesmo que alguns detalhes desses acordos tenham sido questionados por analistas e agentes econômicos. Mudança de Rumo para Reerguer o Setor de Energia A Bolívia detém vastas reservas de gás natural e litio este último fundamental para a cadeia global de baterias utilizadas em veículos elétricos e eletrônicos porém, há anos o país enfrenta dificuldades para traduzir esse potencial em produção consistente. Décadas de controle estatal rígido reduziram a atratividade para empresas estrangeiras, resultando em baixo fluxo de investimento e produção aquém do esperado. O ministro de Energia, Mauricio Medinaceli , afirmou em entrevista recente que a manutenção dos contratos firmados com empresas russas e chinesas tem um papel simbólico e prático: enviar “uma mensagem clara ao mercado” de que a Bolívia pretende cumprir seus compromissos. De acordo com ele, essa postura é essencial para estabilizar o ambiente de negócios e atrair novos investimentos. “Contratos serão respeitados. Ideologias não enchem tanques nem geram emprego”, declarou o ministro, destacando que isso se aplica não apenas aos acordos de lítio, mas também às transações de combustível e energia realizadas nos últimos anos mesmo em meio ao declínio da produção interna. Plano de Reformas para Reanimar Exploração e Produção Além do compromisso com contratos vigentes, o governo boliviano trabalha em um pacote de reformas legislativas para modernizar o setor de energia e mineração. Entre as propostas está a criação de leis específicas para hidrocarbonetos e para o lítio, com regras mais flexíveis para atrair capital internacional. Caso essas reformas sejam aprovadas pelo Congresso ainda este ano, o país projeta uma rodada de licitações de exploração de petróleo e gás para 2027. A estatal de energia YPFB , tradicionalmente dominante no setor, deverá manter um papel central, mas verá sua participação reduzir-se em áreas não estratégicas, abrindo espaço para mais parcerias público-privadas e contratos de longo prazo que favoreçam previsibilidade e retorno financeiro. Ajustes Econômicos Geram Impactos e Reações Internas No último dezembro, o governo eliminou subsídios a combustíveis uma medida considerada inevitável para equilibrar as contas públicas, mas que desencadeou protestos em várias regiões. Desde então, autoridades discutiram com sindicatos e grupos sociais para reduzir tensões, mas o ambiente político continua desafiador à medida que ajustes econômicos adicionais são debatidos. A estratégia boliviana reflete um momento de transição: conciliando a necessidade de impulsionar o crescimento econômico com os riscos sociais inerentes a reformas profundas. Para atores do mercado global de energia e minerais, a mensagem é de pragmatismo e de que a Bolívia está aberta para negócios, desde que com garantias claras e ambiente regulatório estável. Bolívia Reforça Compromisso com Acordos Energéticos e de Lítio para Atrair Investidores Internacionais
- Microrrede solar com baterias transforma Serra da Saudade em referência de autonomia energética no Brasil
Projeto pioneiro da Cemig combina energia solar e armazenamento para garantir fornecimento contínuo e alta qualidade elétrica Microrrede solar com baterias transforma Serra da Saudade em referência de autonomia energética no Brasil O município de Serra da Saudade , no Centro-Oeste de Minas Gerais, passou a ocupar uma posição estratégica no mapa da inovação energética brasileira. A cidade recebeu um sistema avançado de microrrede solar com armazenamento em baterias , capaz de operar de forma autônoma em situações de falha no fornecimento convencional de energia elétrica. A iniciativa representa um novo modelo de abastecimento para cidades de pequeno porte , integrando geração renovável, tecnologia de armazenamento e automação inteligente. O objetivo é garantir continuidade do serviço, estabilidade da rede e redução quase total das interrupções , mesmo em localidades com limitações estruturais. Como funciona a microrrede solar com armazenamento de energia O projeto combina uma usina fotovoltaica de 500 kWp com um sistema de baterias de 2 MWh , formando uma microrrede capaz de operar de maneira independente quando necessário. Diferente de sistemas solares tradicionais, a energia gerada não é enviada diretamente à rede de distribuição. Na prática, a eletricidade produzida pelos painéis solares é direcionada ao carregamento das baterias , que permanecem em prontidão. Em caso de falhas externas, o sistema entra em operação automática, assumindo o fornecimento de energia para toda a cidade em poucos segundos. Essa arquitetura permite que o município permaneça até 48 horas totalmente abastecido , sem necessidade de conexão com o sistema elétrico principal. Redução drástica de quedas de energia e melhoria da qualidade elétrica Antes da implantação da microrrede, Serra da Saudade registrava ocorrências frequentes de interrupções no fornecimento, com desligamentos prolongados. Com a nova solução, o impacto dessas falhas foi praticamente eliminado. O tempo médio de restabelecimento, que antes podia ultrapassar várias horas, passou a ser medido em segundos , além de garantir tensão mais estável , menor incidência de distúrbios elétricos e maior confiabilidade para residências, serviços públicos e atividades comerciais. Alternativa mais eficiente que a expansão da rede convencional Do ponto de vista técnico e econômico, a microrrede solar se mostrou uma solução mais eficiente do que a ampliação da infraestrutura tradicional. A alternativa clássica envolveria a construção de novas linhas de distribuição a partir de municípios vizinhos, exigindo obras extensas, alto investimento e maior impacto ambiental. Com um aporte aproximado de R$ 7 milhões , o sistema baseado em geração local e armazenamento apresentou desempenho superior e menor complexidade operacional quando comparado a projetos convencionais que poderiam ultrapassar R$ 30 milhões em custos. Modelo pode ser replicado em outras cidades brasileiras A experiência em Serra da Saudade abre caminho para a replicação do modelo em outros municípios com perfil semelhante , especialmente aqueles localizados em regiões afastadas dos grandes centros ou com baixa densidade populacional. Estudos técnicos já indicam potencial de aplicação em diversas cidades mineiras , com investimentos previstos na casa das dezenas de milhões de reais. A tendência é que microrredes com baterias ganhem espaço como alternativa estratégica para garantir resiliência energética em pontos críticos da rede. Armazenamento de energia ganha protagonismo no setor elétrico A implantação da microrrede ocorre em um momento decisivo para o setor elétrico nacional, marcado pelo avanço das discussões sobre sistemas de armazenamento de energia (BESS) no Brasil. O armazenamento vem sendo apontado como peça-chave para: Aumentar a confiabilidade do sistema elétrico Apoiar a integração de fontes renováveis intermitentes Reduzir riscos de apagões Garantir segurança energética em regiões remotas Projetos como o de Serra da Saudade antecipam, na prática, o papel que as baterias terão na modernização da matriz elétrica brasileira , indo além do suporte às grandes redes e chegando diretamente ao consumidor final. Microrredes e baterias: um novo caminho para a transição energética A combinação entre energia solar, baterias e automação mostra que a transição energética não depende apenas de grandes usinas ou obras estruturais. Soluções descentralizadas, inteligentes e adaptadas à realidade local surgem como alternativas viáveis para acelerar a modernização do setor elétrico no Brasil. Serra da Saudade deixa de ser apenas o menor município do país em população e passa a ser um laboratório real de inovação energética , apontando caminhos concretos para o futuro da distribuição de energia. Microrrede solar com baterias transforma Serra da Saudade em referência de autonomia energética no Brasil
- China acelera pesquisa em fusão nuclear e se aproxima da energia limpa mais ambiciosa do século
Avanços em reatores experimentais colocam o país no centro da corrida global por uma fonte energética quase ilimitada, sem carbono e com impacto ambiental reduzido China acelera pesquisa em fusão nuclear e se aproxima da energia limpa mais ambiciosa do século Enquanto o mundo avança de forma gradual na transição energética, a China decidiu apostar em uma das frentes mais ousadas da ciência moderna: a fusão nuclear. O país vem registrando progressos relevantes em pesquisas que buscam reproduzir, em laboratório, o mesmo processo físico que mantém o Sol ativo há bilhões de anos um feito que, se dominado, pode redefinir o futuro da geração de energia no planeta. No centro dessa estratégia está um reator experimental de última geração, projetado para estudar a fusão nuclear em condições extremas. O equipamento tem se destacado por alcançar níveis inéditos de estabilidade do plasma, elemento essencial para que a fusão se torne viável fora do ambiente estelar. O que torna a fusão nuclear diferente Ao contrário da energia nuclear convencional, baseada na fissão de átomos pesados, a fusão trabalha com a união de núcleos leves de hidrogênio, formando hélio e liberando enormes quantidades de energia. O processo não emite dióxido de carbono e gera resíduos significativamente menores, com menor risco ambiental e maior segurança operacional. Na teoria, trata-se de uma fonte energética limpa, abundante e praticamente inesgotável. Na prática, porém, os desafios tecnológicos são gigantescos. Temperaturas extremas e controle absoluto Para que a fusão ocorra, é necessário criar um ambiente com temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius mais quente do que o núcleo do Sol. Nessas condições, a matéria se transforma em plasma, um estado altamente instável que precisa ser mantido suspenso sem tocar nas paredes do reator. A solução encontrada pelos cientistas é o uso de campos magnéticos superpotentes dentro de uma estrutura conhecida como tokamak, um sistema em formato de anel que mantém o plasma confinado e controlado. O domínio desse equilíbrio delicado é um dos maiores desafios da física contemporânea. Recordes técnicos e novos limites científicos Nos testes mais recentes, os pesquisadores conseguiram operar o reator com níveis mais altos de densidade e estabilidade do plasma, superando parâmetros considerados, até pouco tempo atrás, limites práticos da tecnologia. Esse tipo de avanço é essencial para aumentar a quantidade de combustível no sistema e, no futuro, permitir que a fusão gere mais energia do que consome. Embora ainda distante da aplicação comercial, cada novo marco representa um passo concreto rumo à viabilidade energética da fusão nuclear. China ganha vantagem estratégica na corrida global O avanço consistente das pesquisas coloca a China em posição de destaque no cenário internacional. Enquanto grandes projetos globais de fusão ainda avançam em ritmo cauteloso, o programa chinês já acumula anos de dados operacionais, testes contínuos e evolução técnica acelerada. Essa combinação de investimento, escala e continuidade científica fortalece a posição do país em uma corrida que pode definir o próximo grande salto da matriz energética mundial. Uma promessa de longo prazo, mas cada vez mais próxima Apesar do entusiasmo, a fusão nuclear ainda não é uma solução pronta para o mercado. Nenhum reator no mundo opera hoje com balanço energético positivo, e a transformação dessa tecnologia em usinas comerciais depende de novos materiais, maior eficiência, redução de custos e controle absoluto do plasma por longos períodos. Mesmo assim, o avanço recente reforça uma percepção cada vez mais presente na comunidade científica e no setor energético: a humanidade nunca esteve tão próxima de dominar uma fonte de energia comparável à que alimenta as estrelas. Se bem-sucedida, a fusão nuclear poderá se tornar um dos pilares de um sistema energético global mais limpo, seguro e resiliente e a China, ao que tudo indica, não pretende ficar à margem dessa revolução. China acelera pesquisa em fusão nuclear e se aproxima da energia limpa mais ambiciosa do século
- Brasil avança no armazenamento de energia, mas leilão de baterias enfrenta desafios regulatórios
O Brasil se prepara para um marco inédito no setor elétrico com a realização do primeiro leilão nacional dedicado exclusivamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias. O certame, programado para abril, representa um passo estratégico na modernização da matriz elétrica brasileira, especialmente diante do crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Leilão de armazenamento de energia em baterias fortalece o sistema elétrico brasileiro Apesar da manutenção do calendário oficial, o processo avança sob um clima de cautela entre agentes do mercado. O principal ponto de atenção está na harmonização entre o marco regulatório aprovado recentemente e as regras operacionais que irão nortear o leilão. A avaliação predominante no setor é que eventuais desalinhamentos podem impactar a previsibilidade dos investimentos e a atratividade econômica dos projetos. Armazenamento deixa de ser opcional no sistema elétrico O debate em torno do armazenamento de energia ganhou força nos últimos anos à medida que o sistema elétrico brasileiro passou a lidar com novos desafios operacionais. A maior participação de fontes renováveis variáveis exige soluções capazes de garantir flexibilidade, estabilidade e segurança no atendimento à demanda, especialmente nos horários de pico. Nesse contexto, sistemas de baterias de grande porte deixam de ser uma tecnologia complementar e passam a ocupar um papel estrutural. O entendimento do mercado é que o país já reúne condições técnicas, jurídicas e econômicas para avançar nessa agenda, faltando agora maior agilidade regulatória para destravar projetos em escala. Consumidores e setores estratégicos acompanham de perto A expectativa em torno do leilão não se limita às empresas geradoras. Grandes consumidores de energia como indústrias eletrointensivas, hospitais, centros logísticos, shoppings e o agronegócio acompanham atentamente o avanço do modelo. Para esses segmentos, o armazenamento em baterias representa uma ferramenta estratégica para aumentar a confiabilidade do suprimento, reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência energética. No campo, a combinação entre geração distribuída, especialmente solar, e sistemas de armazenamento tem potencial para ampliar a autonomia energética de propriedades rurais, reduzir a dependência da rede e fortalecer cadeias produtivas em regiões mais afastadas dos grandes centros. Como funcionará o leilão de baterias no Brasil O Leilão de Reserva de Capacidade – Armazenamento será voltado à contratação de potência proveniente de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). A proposta é permitir a implantação de grandes conjuntos capazes de armazenar eletricidade e devolvê-la ao sistema nos momentos de maior necessidade, contribuindo para a confiabilidade da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com as diretrizes do modelo, os projetos deverão ser capazes de realizar a recarga completa em até seis horas e ofertar potência máxima por um período de até quatro horas diárias. A participação será restrita a empreendimentos com capacidade superior a 30 MW, com contratos de longo prazo e início de operação previsto para o final da década. A expectativa é que até 2 GW de capacidade de armazenamento sejam contratados nesta primeira etapa. Interesse global e nova frente de investimentos O leilão já desperta atenção de grupos nacionais e internacionais com atuação consolidada no setor elétrico brasileiro. Empresas com portfólio em geração renovável, transmissão e soluções de potência enxergam o armazenamento como um vetor natural de expansão dos negócios, especialmente em um cenário de transição energética acelerada. Fabricantes de tecnologia, integradores de sistemas e fornecedores de soluções BESS também acompanham de perto a evolução do certame, avaliando oportunidades de ampliar operações locais, firmar parcerias estratégicas e atender a uma nova demanda de infraestrutura energética no país. Além disso, fundos de investimento e gestores de ativos de infraestrutura veem no modelo contratos de longo prazo com receitas previsíveis um elemento-chave para viabilizar projetos intensivos em capital e com horizonte de retorno estendido. Segurança jurídica será decisiva para o sucesso Para o mercado, o êxito do primeiro leilão de armazenamento de energia em baterias no Brasil dependerá, sobretudo, da clareza das regras, da coerência regulatória e da segurança jurídica oferecida aos investidores. Caso esses pilares sejam bem estruturados, o certame tem potencial para inaugurar um novo ciclo de investimentos, fortalecer a cadeia produtiva nacional e acelerar de forma definitiva a integração do armazenamento ao sistema elétrico brasileiro. No EnergyChannel, o entendimento é claro: o armazenamento de energia deixou de ser uma discussão de futuro e passou a ser uma necessidade imediata para garantir a competitividade, a resiliência e a sustentabilidade do setor elétrico no Brasil. Brasil avança no armazenamento de energia, mas leilão de baterias enfrenta desafios regulatórios
- Governo firma contrato bilionário para energia a carvão com preço muito acima do mercado
Análise EnergyChannel O governo federal confirmou a contratação de energia elétrica proveniente do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Santa Catarina, em um acordo que chama atenção não apenas pelo volume financeiro envolvido, mas principalmente pelo preço da energia contratada. Governo firma contrato bilionário para energia a carvão com preço muito acima do mercado O valor fixado está significativamente acima dos patamares observados nos leilões recentes do setor elétrico brasileiro, reacendendo o debate sobre eficiência econômica, governança regulatória e coerência com a agenda de transição energética. Pelos termos do contrato, a energia gerada a partir do carvão mineral será remunerada a R$ 564 por megawatt-hora (MWh) , enquanto a média de preços praticados em contratações semelhantes gira em torno de R$ 347/MWh . Na prática, isso representa um custo mais de 60% superior ao mercado , diferença que será absorvida ao longo de um contrato de 15 anos , com impacto direto sobre o sistema elétrico e, indiretamente, sobre os consumidores. O Complexo Jorge Lacerda possui 740 megawatts de capacidade instalada , volume expressivo dentro da matriz elétrica nacional. No entanto, trata-se de uma usina baseada em carvão mineral , uma das fontes mais intensivas em emissões de carbono e cada vez mais pressionada por políticas ambientais, compromissos climáticos e critérios ESG adotados por investidores e governos ao redor do mundo. Contrato garante receita bilionária e cobre integralmente custos da usina O modelo de contratação assegura à operadora do complexo uma receita anual próxima de R$ 1,9 bilhão , o que, ao longo do período contratual, resulta em algo em torno de R$ 28 bilhões em valores presentes . O desenho do acordo prevê a cobertura integral dos custos declarados da operação, incluindo investimentos bilionários em adequações técnicas, despesas fixas de operação e manutenção, além de encargos regulatórios, tributos e depreciação de ativos. Na prática, o contrato transfere para o sistema elétrico e para o consumidor final os riscos econômicos da continuidade da operação de uma fonte fóssil que, em diversos países, vem sendo gradualmente desativada ou substituída por alternativas renováveis e de menor impacto ambiental. A extensão da vida útil da usina até 2040 foi viabilizada por uma determinação legal aprovada pelo Congresso Nacional , posteriormente regulamentada pelos órgãos do setor elétrico. O processo incluiu consultas públicas e ajustes nos parâmetros econômicos que resultaram em elevação adicional do valor final da energia contratada. Energia firme versus transição energética: o dilema exposto Do ponto de vista técnico, a defesa da contratação se apoia no argumento da segurança energética e da oferta de energia firme ao sistema, especialmente em momentos de estresse hídrico ou instabilidade na geração renovável intermitente. No entanto, especialistas do setor avaliam que esse argumento precisa ser analisado à luz das alternativas hoje disponíveis no mercado, como armazenamento, resposta da demanda, gás natural de transição e fontes renováveis combinadas. O ponto central da controvérsia está no desalinhamento entre custo, fonte energética e estratégia de longo prazo . Enquanto o Brasil se apresenta internacionalmente como protagonista da transição energética, ampliando investimentos em solar, eólica, hidrogênio verde e biocombustíveis, decisões internas reforçam contratos de longo prazo com fontes altamente emissoras, travando espaço econômico e regulatório para tecnologias mais limpas. Análise EnergyChannel: discurso verde, prática cinzenta Na avaliação do EnergyChannel, o episódio expõe uma contradição estrutural da política energética brasileira atual. De um lado, o país constrói uma narrativa internacional baseada em sustentabilidade, liderança climática e compromisso com metas ambientais. De outro, consolida decisões que prolongam a dependência de fontes fósseis caras, poluentes e com competitividade questionável. A contratação de energia a carvão a preços significativamente superiores ao mercado não apenas compromete a eficiência econômica do setor elétrico, como também fragiliza a credibilidade ambiental do Brasil em um momento decisivo, às vésperas de sediar um dos principais eventos climáticos globais. Mais do que um debate ideológico, trata-se de uma discussão técnica, econômica e estratégica: qual matriz o Brasil deseja financiar nas próximas décadas? Ao garantir contratos bilionários e blindados de risco para fontes fósseis, o país envia um sinal ambíguo ao mercado, aos investidores e à sociedade. A transição energética exige coerência entre discurso, regulação e investimento. Sem isso, o compromisso climático corre o risco de se tornar apenas retórica institucional — distante da prática e desconectada das decisões que realmente moldam o futuro do setor elétrico nacional. Governo firma contrato bilionário para energia a carvão com preço muito acima do mercado
- Hidrogênio Verde: A Energia do Futuro que o Brasil Não Pode Deixar Escapar
O mundo vive uma corrida pela transição energética. Se o século XX foi marcado pelo petróleo e pelo gás natural, o século XXI começa a ser desenhado pelo hidrogênio verde. Mais do que uma promessa, ele já é realidade em diversos países e desponta como peça-chave para reduzir emissões de carbono, garantir segurança energética e abrir novas fronteiras econômicas. Hidrogênio Verde: A Energia do Futuro que o Brasil Não Pode Deixar Escapar O Brasil, com sua matriz renovável abundante, tem condições únicas de se tornar protagonista nesse cenário. Mas para isso, precisa compreender, investir e acelerar sua entrada nesse mercado. O que é hidrogênio verde e como funciona O hidrogênio é o elemento químico mais abundante do universo, mas raramente encontrado de forma isolada na natureza. Para ser utilizado, precisa ser produzido. O chamado hidrogênio verde é obtido por meio da eletrólise da água: um processo que separa o hidrogênio (H₂) do oxigênio (O₂) utilizando eletricidade. Quando essa eletricidade vem de fontes renováveis como solar, eólica ou hídrica o resultado é um combustível limpo, sem emissões de carbono. Na prática, o funcionamento é simples: a água é submetida a uma corrente elétrica em um equipamento chamado eletrolisador. O oxigênio é liberado para a atmosfera e o hidrogênio é capturado, podendo ser armazenado e transportado. O desafio está em fazer isso em escala, com eficiência e custos competitivos. Hidrogênio como gás e como energia É importante distinguir duas formas de uso do hidrogênio: • Como gás: pode ser armazenado em cilindros ou tanques criogênicos e utilizado em processos industriais, como na produção de fertilizantes (amônia), no refino de petróleo ou na siderurgia. • Como energia: quando convertido em eletricidade por meio de células a combustível (fuel cells), o hidrogênio gera energia limpa, com água como único subproduto. Essa aplicação é especialmente promissora para transporte e geração elétrica. Em termos didáticos, usar o hidrogênio como gás é aproveitá-lo como insumo químico; já como energia, é transformá-lo em eletricidade para mover veículos, alimentar equipamentos ou até abastecer redes elétricas. Carros e frotas movidos a hidrogênio Um carro movido a hidrogênio funciona com uma célula a combustível. O hidrogênio armazenado em tanques reage com o oxigênio do ar dentro da célula, produzindo eletricidade que alimenta o motor elétrico. O único resíduo é vapor d’água. É como ter um carro elétrico, mas com recarga instantânea: abastecer hidrogênio leva minutos, enquanto carregar baterias pode levar horas. Essa tecnologia já está em uso em ônibus urbanos e caminhões de carga leve em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos. A conversão de frotas é estratégica: reduz poluição nas cidades, diminui dependência de combustíveis fósseis e abre espaço para novos modelos de transporte coletivo sustentável. Oportunidades e desafios no Brasil O Brasil tem vantagens competitivas: abundância de energia renovável barata, água em quantidade e proximidade de mercados consumidores. Mas enfrenta desafios: • Armazenamento: o hidrogênio precisa ser comprimido ou liquefeito, o que exige tecnologia cara e infraestrutura robusta. • Postos de abastecimento: implantar uma rede de hidrogênio é custoso, com investimentos iniciais elevados. • Escala industrial: produzir em larga escala ainda demanda subsídios, parcerias e políticas públicas claras. Apesar disso, o potencial é imenso. O mercado interno pode atender transporte público, indústrias químicas e siderúrgicas. Já o mercado externo vê o Brasil como fornecedor estratégico, especialmente para a Europa, que busca reduzir sua dependência energética e impor regras ambientais mais rígidas. Investidores e o futuro energético Para investidores brasileiros e estrangeiros, o hidrogênio verde é uma oportunidade de ouro. O Brasil pode se tornar exportador de energia limpa, atraindo bilhões em investimentos. O hidrogênio é considerado a energia do futuro porque resolve dois problemas simultâneos: descarbonização e segurança energética. E no Brasil, esse futuro é ainda mais promissor pela abundância de recursos naturais e pela possibilidade de produzir a custos menores que em países europeus ou asiáticos. O caso do Rio Grande do Sul O governo do Rio Grande do Sul já realizou estudos para não ficar fora desse mercado. Os resultados apontam que o estado tem condições de desenvolver projetos em pequena escala voltados ao mercado interno, aproveitando sua matriz energética diversificada e sua vocação industrial. A tendência é que o Sul do Brasil se concentre em soluções locais abastecimento de frotas urbanas, indústrias regionais e projetos-piloto enquanto o Nordeste, com seu potencial solar e eólico gigantesco, se torne polo exportador, com plantas de grande porte voltadas ao transporte marítimo. Essa diferença é estratégica: o Sul fortalece o mercado interno e cria know-how, enquanto o Nordeste abastece o mundo com hidrogênio verde brasileiro. Armazenamento e custos Um dos maiores desafios é armazenar o hidrogênio. Ele é um gás leve e volátil, exigindo compressão a altas pressões ou liquefação a temperaturas extremamente baixas. Isso encarece o processo e limita a expansão rápida. Além disso, os postos de abastecimento de hidrogênio têm custos elevados de implantação, o que exige políticas públicas de incentivo e parcerias privadas. Tendências de crescimento Apesar dos obstáculos, a tendência é clara: o mercado de hidrogênio verde vai crescer exponencialmente nos próximos anos. A União Europeia já estabeleceu metas ambiciosas de importação, e países como Alemanha e Japão estão investindo pesadamente em infraestrutura. O Brasil, se agir rápido, pode se posicionar como fornecedor global e líder regional. O agronegócio e o fertilizante verde O agronegócio brasileiro também será impactado. O hidrogênio verde pode ser usado para produzir amônia verde, base de fertilizantes sustentáveis. Isso abre oportunidades para exportações de carne e grãos com menor pegada de carbono. Aqui entra o CBAM (Carbon Border Adjustment Mechanism), o imposto de fronteira da União Europeia que penaliza produtos com alta emissão de carbono. Com fertilizantes verdes, o Brasil pode reduzir custos adicionais e ganhar competitividade internacional. Novas aplicações e inovação tecnológica Embora as rotas tecnológicas já estejam desenhadas, há enorme espaço para inovação. Equipamentos, maquinários e processos industriais podem ser adaptados para funcionar com hidrogênio verde. Empresas brasileiras têm a chance de desenvolver tecnologias próprias, criando patentes e exportando conhecimento. Essa é a essência da transição energética: não apenas substituir combustíveis fósseis, mas reinventar a forma como produzimos, transportamos e consumimos energia. Conclusão: o caminho da transição energética O hidrogênio verde não é apenas uma alternativa; é o caminho inevitável da transição energética. O Brasil tem tudo para ser protagonista: recursos naturais, mercado interno robusto, agronegócio competitivo e posição estratégica no comércio internacional. Mas precisa agir rápido, investir em infraestrutura, apoiar pesquisa e garantir políticas públicas consistentes. O centenário de José Lutzenberger em 2026 nos lembra que a visão de viver em harmonia com a natureza não é utopia, mas necessidade. O hidrogênio verde é a materialização dessa visão: energia limpa, abundante e capaz de sustentar um futuro melhor. Cabe ao Brasil decidir se será espectador ou protagonista dessa revolução. Hidrogênio Verde: A Energia do Futuro que o Brasil Não Pode Deixar Escapar
- Usina solar de 5,16 MW reforça a produção de energia limpa no Piauí
Instalação é composta por 8.820 módulos e permitirá aeroporto gerar uma parte significativa de sua própria energia Usina solar de 5,16 MW reforça a produção de energia limpa no Piauí Por Caique Amorim A Usina Fotovoltaica Parnaíba, que aguarda sua conexão com o sistema de Distribuição e que é enquadrada como GDI, traz inovação que conecta a geração de energia limpa com a modernização da infraestrutura local. Trata-se de um empreendimento erigido ao lado do Aeroporto Prefeito Dr. João Silva Filho, em Parnaíba-PI, e que está em sintonia com o processo de evolução local, e com o PLAC (Plano de Ação Climática) do estado, que prevê o alcance de 100% de energia renovável até 2050. Em sintonia com esse processo de evolução, a Usina Fotovoltaica Parnaíba entrou em operação, trazendo inovação que conecta a geração de energia limpa com a modernização da infraestrutura local. A usina já integra a nova infraestrutura energética da região, com potência instalada de 3.700 kW em CA (corrente alternada) e potência nominal de 5.160 kWp em corrente CC (corrente contínua). O empreendimento está conectado à rede em tensão de 13,8 kV e ocupa uma área delimitada por perímetro de 1.042 metros. O sistema é composto por 8.820 módulos fotovoltaicos bifaciais de 585 Wp, modelo OSDA ODA585-36V-MHD, distribuídos em 83 mesas estruturais. Cada string é formada por 28 módulos, totalizando 315 strings no arranjo. As mesas possuem configuração variável de 4, 2 ou 1 string, com ângulo de inclinação de 10° e espaçamento entre eixos de 7,5 metros. A conversão da energia é realizada por 15 inversores da GoodWe, sendo 13 unidades do modelo GW250K-HT e 2 unidades do modelo GW225K-HT, somando 3.700 kW de potência instalada em inversores. Os equipamentos estão distribuídos em dois eletrocentros, com 7 e 8 inversores por unidade, e operam com 19, 21 ou 22 strings por inversor, conforme a configuração elétrica da planta. A usina está localizada com acesso facilitado pelo corredor viário do Aeroporto Prefeito Dr. João Silva Filho, o que otimiza a logística de O&M (Operação e manutenção). Estrutura elétrica, conexão e segurança operacional A energia gerada é elevada de 800 V para 13,8 kV por meio de transformadores secos trifásicos de 2.000 kVA, garantindo a integração segura com a rede da concessionária. Os cabos de CC seguem a norma ABNT NBR 16612 e estão instalados em eletrodutos PEAD a 0,70 metro de profundidade, com ocupação máxima de quatro strings por eletroduto. Já os cabos de baixa tensão em CA corrente alternada utilizam condutores de 240 mm² em alumínio com isolação XLPE, enquanto a média tensão foi dimensionada com cabos de 50 mm² e 95 mm², segundo as normas da concessionária. O sistema de aterramento foi projetado a partir de SEV (ensaio de resistividade do solo), conforme a ABNT NBR 7117, utilizando cabos de aço cobreado e cobre nu de 50 mm², em conformidade com a NBR 16254. O aterramento contemplou módulos, eletrocentros, cercas, cabines e estruturas metálicas, assegurando a equipotencialização e a proteção contra descargas atmosféricas. O projeto também incorpora uma estação solarimétrica completa, equipada com piranômetros para medição de GHI, POA e albedo, além de anemômetro, anemoscópio, termohigrômetro, pluviômetro e sensor de temperatura dos módulos, utilizados no controle de desempenho da planta. Para a segurança patrimonial e operacional, foi implantado um sistema de CFTV com 35 câmeras do tipo bullet e duas do tipo speed dome, com monitoramento remoto e análise inteligente de imagens. Usina solar de 5,16 MW reforça a produção de energia limpa no Piauí
- 🇧🇷 EP1 – O que é Inteligência Artificial e por que ela importa
Série Especial EnergyChannel | Inteligência Artificial: Tudo o Que Precisamos Saber 🇧🇷 EP1 – O que é Inteligência Artificial e por que ela importa A tecnologia que deixou de ser futurista A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser um conceito distante, restrito à ficção científica, para se tornar uma das tecnologias mais influentes do século XXI. Presente em celulares, plataformas digitais, empresas, governos e até em decisões do dia a dia, a IA passou a moldar comportamentos, economias e relações humanas de forma silenciosa, porém profunda. Mais do que uma inovação tecnológica, a Inteligência Artificial representa uma mudança estrutural na forma como a sociedade produz, consome informação, trabalha e toma decisões. Afinal, o que é Inteligência Artificial? De forma objetiva, Inteligência Artificial é o campo da ciência da computação dedicado a criar sistemas capazes de executar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana , como aprender, reconhecer padrões, interpretar linguagem, tomar decisões e resolver problemas. Diferente de softwares tradicionais, que seguem regras fixas, sistemas de IA aprendem a partir de dados , ajustando seu comportamento com base em experiências anteriores. Como a IA funciona na prática No coração da Inteligência Artificial estão os algoritmos conjuntos de instruções matemáticas que analisam grandes volumes de dados. Ao identificar padrões, esses algoritmos conseguem prever comportamentos, classificar informações e sugerir ações. Quanto mais dados de qualidade um sistema recebe, maior tende a ser sua precisão. É por isso que a IA evoluiu rapidamente nos últimos anos, impulsionada pela explosão de dados digitais, maior poder computacional e avanços em modelos matemáticos. Tipos de Inteligência Artificial Hoje, a maioria das aplicações utiliza a chamada IA estreita ou fraca , projetada para executar tarefas específicas, como: Reconhecimento de voz Tradução automática Recomendação de conteúdos Análise de imagens e vídeos Já a chamada IA geral , capaz de pensar e aprender como um ser humano, ainda não existe e permanece como um dos maiores debates científicos e éticos da atualidade. Por que a Inteligência Artificial se tornou tão importante agora? Três fatores explicam a ascensão acelerada da IA: Disponibilidade massiva de dados Avanço do poder computacional Evolução dos algoritmos de aprendizado de máquina Esse conjunto permitiu que a IA deixasse os laboratórios e passasse a operar em escala global, impactando setores como saúde, energia, finanças, agricultura, educação, indústria e comunicação. A IA já influencia sua vida mesmo que você não perceba Ao desbloquear o celular com o rosto, receber sugestões de filmes, ouvir uma playlist personalizada ou interagir com um assistente virtual, você está usando Inteligência Artificial. Muitas dessas interações ocorrem de forma invisível, integradas ao cotidiano. Esse caráter silencioso torna a IA ainda mais relevante e também mais desafiadora do ponto de vista social, ético e regulatório. Inteligência Artificial: oportunidade ou risco? A IA carrega um enorme potencial de ganhos em eficiência, produtividade e inovação. Ao mesmo tempo, levanta questões fundamentais: Automação de empregos Privacidade de dados Vieses algorítmicos Dependência tecnológica Compreender o que é Inteligência Artificial é o primeiro passo para participar desse debate de forma crítica e informada. O papel do EnergyChannel nesta discussão Ao longo desta série especial, o EnergyChannel irá explorar a Inteligência Artificial de forma profunda, acessível e responsável, conectando tecnologia, sociedade, economia e futuro. Este é apenas o começo de uma jornada que vai muito além da tecnologia e toca diretamente o papel humano em um mundo cada vez mais inteligente. 🇧🇷 EP1 – O que é Inteligência Artificial e por que ela importa
- Indústria no Centro do Mundo: Por que Tudo Volta para a Fábrica
Após décadas de financeirização da economia e cadeias globais cada vez mais longas, a indústria volta ao centro das decisões estratégicas. Produzir deixou de ser apenas uma questão de custo tornou-se um tema de soberania, segurança e poder econômico. Indústria no Centro do Mundo: Por que Tudo Volta para a Fábrica Durante anos, o mundo acreditou que a indústria era apenas uma engrenagem operacional da economia global. Produzir bem significava produzir barato, onde fosse mais eficiente. Mas essa lógica começou a ruir. Pandemias, guerras, crises energéticas e disputas geopolíticas mostraram que abrir mão da capacidade industrial própria tem um preço alto e ele aparece nos momentos mais críticos . A indústria, antes tratada como um setor “maduro” ou até ultrapassado em algumas economias, voltou ao centro do debate global. Não por nostalgia, mas por necessidade. A ilusão da eficiência máxima Nas últimas três décadas, grande parte do mundo adotou um modelo baseado na hiperotimização das cadeias globais de produção. Matérias-primas extraídas em um continente, processadas em outro, transformadas em produtos finais a milhares de quilômetros do consumidor. O resultado foi uma indústria extremamente eficiente em custos mas frágil em resiliência . Quando portos fecharam, contêineres sumiram, fábricas pararam e a energia encareceu, governos e empresas perceberam que haviam terceirizado algo essencial demais: a capacidade de produzir. A eficiência extrema revelou seu lado oculto a dependência sistêmica . Indústria é soberania econômica Produzir não é apenas fabricar bens. É garantir acesso a insumos estratégicos, tecnologia, empregos qualificados e estabilidade econômica. Países que mantiveram uma base industrial sólida atravessaram crises com mais controle. Aqueles que abriram mão da indústria ficaram expostos. Hoje, indústria significa: Segurança nacional Autonomia energética Controle tecnológico Capacidade de reação a crises globais Não por acaso, o termo “reindustrialização” voltou ao vocabulário político e econômico de Estados Unidos, União Europeia, Índia e até economias emergentes. O mundo aprendeu da forma mais dura A pandemia de Covid-19 foi o primeiro grande alerta. A guerra na Ucrânia escancarou a dependência energética. As tensões entre China e Estados Unidos trouxeram à tona o risco tecnológico e industrial. E eventos climáticos extremos passaram a afetar diretamente cadeias produtivas inteiras. Cada crise revelou o mesmo problema: cadeias longas demais, concentradas demais e vulneráveis demais . A indústria, antes vista como um centro de custos, passou a ser tratada como um ativo estratégico. O retorno da fábrica não é simples nem barato Trazer a produção de volta não significa simplesmente construir novas plantas industriais. A indústria do futuro exige: Energia estável e competitiva Acesso a matérias-primas críticas Mão de obra qualificada Automação e digitalização Cadeias mais curtas e inteligentes Produzir localmente pode custar mais no curto prazo, mas reduz riscos no longo prazo. E risco, hoje, tem preço financeiro, político e social. Mais do que produzir: controlar O novo debate industrial não gira apenas em torno de fabricar, mas de controlar toda a cadeia de valor . Da origem da matéria-prima ao consumo final, passando por energia, logística e tecnologia. Quem controla a cadeia controla o ritmo, os preços, a inovação e, principalmente, a sobrevivência em cenários de crise. Essa lógica redefine o papel da indústria no século XXI. A indústria como pilar do futuro A indústria do futuro será diferente da do passado. Mais limpa, mais digital, mais integrada à energia e mais pressionada por consumidores, investidores e regulações. Mas ela será, acima de tudo, inevitável . Não existe transição energética sem indústria.Não existe segurança alimentar sem indústria.Não existe inovação em escala sem indústria. A fábrica voltou ao centro do mundo e desta vez, não como símbolo do passado, mas como condição para o futuro . Na próxima edição EP2 – Dependência da China: Eficiência ou Risco Estratégico? Uma análise profunda sobre como o mundo se tornou dependente da indústria chinesa e o que acontece se essa relação se romper. Indústria no Centro do Mundo: Por que Tudo Volta para a Fábrica
- 🌍 Políticas Públicas para um Planeta Viável | Episódio 2
Transição energética: quando a política acelera (ou trava) a mudança 🌍 Políticas Públicas para um Planeta Viável | Episódio 2 📦 Série Especial EnergyChannel – Políticas Públicas para um Planeta Viável Esta reportagem integra a série especial do EnergyChannel que analisa, de forma jornalística e independente, como decisões públicas moldam o futuro ambiental, social e econômico do planeta. Ao longo de 12 episódios, a série investiga o impacto real das políticas públicas em áreas estratégicas como energia, cidades, agricultura, tecnologia, educação e governança global. A transição energética é frequentemente apresentada como um processo inevitável, impulsionado pela queda dos custos das tecnologias renováveis e pela pressão crescente da crise climática. No entanto, a velocidade, a escala e a direção dessa transformação não são determinadas apenas pela tecnologia ou pelo mercado. Elas dependem, sobretudo, de decisões políticas . Ao redor do mundo, experiências recentes mostram que a transição energética avança de forma desigual. Enquanto alguns países conseguem integrar rapidamente fontes renováveis, modernizar redes elétricas e estimular novos modelos de geração, outros permanecem presos a sistemas centralizados, dependentes de combustíveis fósseis e vulneráveis a choques econômicos e ambientais. A diferença, na maioria dos casos, está no ambiente regulatório . A política como sinal para o mercado Investimentos em energia são, por natureza, de longo prazo. Usinas, redes de transmissão, sistemas de armazenamento e infraestrutura associada exigem previsibilidade regulatória. Quando políticas públicas estabelecem metas claras, regras estáveis e mecanismos transparentes de contratação, o mercado responde com capital, inovação e escala. Por outro lado, mudanças abruptas, insegurança jurídica ou ausência de planejamento criam barreiras invisíveis que retardam a transição. Tecnologias podem estar disponíveis e competitivas, mas permanecem subutilizadas quando o risco regulatório supera o potencial de retorno. Incentivos certos, distorções evitáveis Políticas públicas eficazes não se resumem a subsídios. Elas envolvem a combinação equilibrada de incentivos econômicos, padrões técnicos, planejamento energético e integração entre diferentes níveis de governo. Incentivos mal desenhados podem gerar distorções, como sobrecarga fiscal, concentração de mercado ou crescimento desordenado de determinados segmentos. Experiências internacionais indicam que modelos bem-sucedidos são aqueles que evoluem ao longo do tempo, ajustando instrumentos à medida que as tecnologias amadurecem. O papel da política, nesse contexto, é reduzir riscos na fase inicial e promover competição saudável no longo prazo . Infraestrutura: o elo invisível da transição A expansão das fontes renováveis impõe desafios que vão além da geração. Redes elétricas mais flexíveis, sistemas de armazenamento, digitalização e gestão da demanda são componentes essenciais para garantir segurança e estabilidade. Sem políticas públicas que antecipem essas necessidades, a transição corre o risco de criar gargalos estruturais. Planejamento integrado de geração, transmissão e consumo é um dos pontos centrais onde a ação pública se mostra insubstituível. A ausência desse planejamento tende a transferir custos para o consumidor final ou a limitar a expansão de fontes limpas, mesmo quando elas são economicamente viáveis. Energia distribuída e descentralização do poder A transição energética também altera a relação entre produtores e consumidores. Modelos descentralizados, como a geração distribuída, ampliam o papel do cidadão no sistema elétrico. No entanto, essa transformação exige marcos regulatórios claros que equilibrem inovação, sustentabilidade econômica e justiça tarifária. Políticas públicas mal calibradas podem gerar conflitos entre agentes, insegurança para investidores e impactos inesperados sobre tarifas. Já estruturas regulatórias consistentes permitem que a descentralização ocorra de forma ordenada, integrando novos atores sem comprometer o funcionamento do sistema como um todo. A transição como projeto de desenvolvimento Mais do que uma agenda ambiental, a transição energética é um projeto de desenvolvimento econômico. Políticas públicas bem estruturadas podem estimular cadeias produtivas locais, gerar empregos qualificados e posicionar países de forma estratégica em mercados globais emergentes. Sem uma visão integrada, a transição tende a se limitar à importação de tecnologias, perdendo a oportunidade de capturar valor industrial e tecnológico. Nesse sentido, a política energética se conecta diretamente à política industrial, à educação técnica e à inovação. O desafio da coerência política Um dos maiores obstáculos à transição energética é a falta de coerência entre diferentes políticas públicas. Metas climáticas ambiciosas perdem eficácia quando convivem com subsídios a combustíveis fósseis, incentivos contraditórios ou ausência de coordenação entre ministérios e agências reguladoras. A experiência internacional mostra que a transição energética não depende de uma única política, mas de um ecossistema regulatório coerente , capaz de alinhar objetivos ambientais, econômicos e sociais ao longo do tempo. O que a transição revela A transição energética não é apenas uma mudança tecnológica. Ela revela a capacidade ou incapacidade dos governos de planejar o futuro, lidar com interesses divergentes e conduzir transformações estruturais. Quando a política acerta, a transição acelera. Quando falha, o custo é atraso, instabilidade e perda de competitividade. Ao longo dos próximos episódios desta série, o EnergyChannel continuará explorando como decisões públicas em diferentes setores moldam não apenas o futuro da energia, mas a viabilidade do próprio modelo de desenvolvimento contemporâneo. Se quiser, seguimos no mesmo ritmo com: 🌍 Políticas Públicas para um Planeta Viável | Episódio 2
- Por que o gás ainda cresce na transição energética da América Latina?
O dado divulgado pela OLACDE, no seu relatório “Energy Outlook for Latin America and the Caribbean ”, de que a capacidade de geração a gás natural na América Latina cresceu 12% em 2024, pode parecer apenas mais uma estatística setorial. Mas ele revela algo essencial sobre como a transição energética realmente acontece na região. Ao contrário da imagem comum de uma troca direta entre fontes fósseis e renováveis, o que se observa na prática é um processo mais ambíguo: a transição latino-americana está crescendo para dois lados ao mesmo tempo . Por que o gás ainda cresce na transição energética da América Latina? Enquanto a geração solar e eólica avança rapidamente, impulsionada por custos em queda, políticas climáticas e novas cadeias produtivas, o gás natural também se expande como uma infraestrutura de suporte. Em sistemas elétricos cada vez mais dependentes de fontes intermitentes e de hidrelétricas pressionadas por secas, o gás cumpre o papel de garantir potência firme, estabilidade e previsibilidade operacional. Não se trata, portanto, de uma simples substituição de tecnologias, mas de uma sobreposição de camadas energéticas , na qual novas fontes se apoiam em uma base térmica que ainda cresce. Na Europa, esse retorno do gás tem sido associado principalmente à segurança de abastecimento. A crise geopolítica e a ruptura com o gás russo levaram países altamente eletrificados e já universalizados a reforçar termelétricas como forma de evitar apagões e estabilizar redes fortemente renováveis. É um paradoxo típico de sistemas ricos: como manter conforto e estabilidade enquanto se descarboniza. Na América Latina, porém, o paradoxo é diferente. Aqui, o crescimento do gás não responde apenas à variabilidade das renováveis, mas à própria necessidade de expandir o sistema energético . A região ainda convive com pobreza energética estrutural: milhões de pessoas têm acesso precário à eletricidade, tarifas elevadas e dependência de combustíveis poluentes para cozinhar e aquecer. A transição, portanto, ocorre ao mesmo tempo em que se tenta universalizar e qualificar o acesso à energia. Nesse contexto, o gás natural aparece não apenas como uma tecnologia de transição climática, mas como um instrumento de política de desenvolvimento . O programa brasileiro Gás para Empregar expressa essa lógica ao buscar reduzir custos energéticos, atrair indústrias, gerar empregos e ampliar a competitividade produtiva. O gás, nesse desenho, funciona como uma infraestrutura que viabiliza crescimento econômico e inclusão energética em sociedades que ainda não completaram sua própria modernização elétrica. O problema é que essa mesma infraestrutura cria compromissos de longo prazo. Gasodutos, termelétricas e contratos de fornecimento moldam trajetórias tecnológicas por décadas. Ao tentar resolver déficits do presente, corre-se o risco de construir novos bloqueios fósseis que dificultem a descarbonização futura. A transição, nesse sentido, carrega uma tensão permanente entre necessidades imediatas e objetivos de longo prazo. O crescimento de 12% da capacidade a gás, portanto, não é apenas um dado técnico. Ele revela como os custos e benefícios da transição estão sendo distribuídos. O gás sustenta setores estratégicos como a indústria, agronegócio, mineração, data centers e grandes centros urbanos que exigem energia firme e de alta qualidade. Mas os custos dessa infraestrutura frequentemente recaem sobre consumidores regulados, tarifas públicas e territórios que concentram impactos ambientais e sociais. Assim, a transição energética latino-americana não é simplesmente mais lenta do que a europeia, talvez ela seja mais complexa . Precisa, ao mesmo tempo, reduzir emissões, expandir o acesso, garantir estabilidade e enfrentar desigualdades históricas. Por isso, na região, discutir energia nunca é apenas discutir tecnologia. É discutir quem tem direito à energia, em que condições e com quais consequências para o desenvolvimento e para a justiça social . Por que o gás ainda cresce na transição energética da América Latina?











