Brasil avança no armazenamento de energia, mas leilão de baterias enfrenta desafios regulatórios
- EnergyChannel Brasil

- 19 de jan.
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O Brasil se prepara para um marco inédito no setor elétrico com a realização do primeiro leilão nacional dedicado exclusivamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias. O certame, programado para abril, representa um passo estratégico na modernização da matriz elétrica brasileira, especialmente diante do crescimento acelerado das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

Apesar da manutenção do calendário oficial, o processo avança sob um clima de cautela entre agentes do mercado. O principal ponto de atenção está na harmonização entre o marco regulatório aprovado recentemente e as regras operacionais que irão nortear o leilão. A avaliação predominante no setor é que eventuais desalinhamentos podem impactar a previsibilidade dos investimentos e a atratividade econômica dos projetos.
Armazenamento deixa de ser opcional no sistema elétrico
O debate em torno do armazenamento de energia ganhou força nos últimos anos à medida que o sistema elétrico brasileiro passou a lidar com novos desafios operacionais. A maior participação de fontes renováveis variáveis exige soluções capazes de garantir flexibilidade, estabilidade e segurança no atendimento à demanda, especialmente nos horários de pico.
Nesse contexto, sistemas de baterias de grande porte deixam de ser uma tecnologia complementar e passam a ocupar um papel estrutural. O entendimento do mercado é que o país já reúne condições técnicas, jurídicas e econômicas para avançar nessa agenda, faltando agora maior agilidade regulatória para destravar projetos em escala.
Consumidores e setores estratégicos acompanham de perto
A expectativa em torno do leilão não se limita às empresas geradoras. Grandes consumidores de energia como indústrias eletrointensivas, hospitais, centros logísticos, shoppings e o agronegócio acompanham atentamente o avanço do modelo. Para esses segmentos, o armazenamento em baterias representa uma ferramenta estratégica para aumentar a confiabilidade do suprimento, reduzir custos operacionais e ampliar a eficiência energética.
No campo, a combinação entre geração distribuída, especialmente solar, e sistemas de armazenamento tem potencial para ampliar a autonomia energética de propriedades rurais, reduzir a dependência da rede e fortalecer cadeias produtivas em regiões mais afastadas dos grandes centros.
Como funcionará o leilão de baterias no Brasil
O Leilão de Reserva de Capacidade – Armazenamento será voltado à contratação de potência proveniente de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS). A proposta é permitir a implantação de grandes conjuntos capazes de armazenar eletricidade e devolvê-la ao sistema nos momentos de maior necessidade, contribuindo para a confiabilidade da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).
De acordo com as diretrizes do modelo, os projetos deverão ser capazes de realizar a recarga completa em até seis horas e ofertar potência máxima por um período de até quatro horas diárias. A participação será restrita a empreendimentos com capacidade superior a 30 MW, com contratos de longo prazo e início de operação previsto para o final da década. A expectativa é que até 2 GW de capacidade de armazenamento sejam contratados nesta primeira etapa.
Interesse global e nova frente de investimentos
O leilão já desperta atenção de grupos nacionais e internacionais com atuação consolidada no setor elétrico brasileiro. Empresas com portfólio em geração renovável, transmissão e soluções de potência enxergam o armazenamento como um vetor natural de expansão dos negócios, especialmente em um cenário de transição energética acelerada.
Fabricantes de tecnologia, integradores de sistemas e fornecedores de soluções BESS também acompanham de perto a evolução do certame, avaliando oportunidades de ampliar operações locais, firmar parcerias estratégicas e atender a uma nova demanda de infraestrutura energética no país.
Além disso, fundos de investimento e gestores de ativos de infraestrutura veem no modelo contratos de longo prazo com receitas previsíveis um elemento-chave para viabilizar projetos intensivos em capital e com horizonte de retorno estendido.
Segurança jurídica será decisiva para o sucesso
Para o mercado, o êxito do primeiro leilão de armazenamento de energia em baterias no Brasil dependerá, sobretudo, da clareza das regras, da coerência regulatória e da segurança jurídica oferecida aos investidores. Caso esses pilares sejam bem estruturados, o certame tem potencial para inaugurar um novo ciclo de investimentos, fortalecer a cadeia produtiva nacional e acelerar de forma definitiva a integração do armazenamento ao sistema elétrico brasileiro.
No EnergyChannel, o entendimento é claro: o armazenamento de energia deixou de ser uma discussão de futuro e passou a ser uma necessidade imediata para garantir a competitividade, a resiliência e a sustentabilidade do setor elétrico no Brasil.
Brasil avança no armazenamento de energia, mas leilão de baterias enfrenta desafios regulatórios










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