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  • EENOVANCE aposta em qualidade e segurança para disputar o novo mercado de BESS no Brasil

    Na Intersolar South America 2026, Caio Garbelotto apresenta ao EnergyChannel a estratégia da companhia para armazenamento comercial e industrial e explica por que células, arquitetura, segurança, suporte técnico e adaptação às condições brasileiras serão decisivos na escolha de um BESS Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo O Brasil está começando a comprar baterias em uma escala que, até pouco tempo atrás, parecia distante. Sistemas de armazenamento começam a aparecer em indústrias, empresas, usinas fotovoltaicas e projetos que buscam reduzir custos, aumentar a autonomia ou simplesmente garantir que uma operação não pare quando a rede falhar. Com esse crescimento, porém, surge um novo desafio. O mercado brasileiro terá de aprender a comparar BESS. Não apenas pelo preço. Não apenas pela quantidade de quilowatt-hora escrita na ficha técnica. E nem apenas pela aparência externa de gabinetes que, vistos de longe, podem parecer muito semelhantes. Dentro de um sistema de armazenamento estão as células que guardarão energia durante anos, a eletrônica responsável pela conversão, sensores, sistemas de proteção, software, comunicação e uma arquitetura que precisa continuar funcionando depois de milhares de ciclos de carga e descarga. É justamente nessa discussão que a EENOVANCE pretende posicionar sua operação no Brasil. Durante a Intersolar South America 2026, o EnergyChannel conversou com Caio Garbelotto, Pre-Sales Technical Manager LATAM da EENOVANCE, sobre a nova geração de sistemas que a companhia está trazendo ao país e sobre aquilo que, na visão da empresa, deve começar a pesar cada vez mais na decisão de compra: qualidade, segurança, confiabilidade e suporte técnico. Com mais de sete anos de experiência nos mercados de energia solar e armazenamento, Garbelotto acompanha uma transformação que está levando a bateria para muito além do backup tradicional. No segmento comercial e industrial, o chamado mercado C&I, o armazenamento começa a assumir diferentes funções dentro da estratégia energética das empresas. Pode atuar em arbitragem de energia, armazenando eletricidade em períodos mais favoráveis para utilização posterior. Pode trabalhar com peak shaving, ajudando a reduzir picos de demanda. Pode oferecer backup para cargas críticas e também funcionar integrado à geração fotovoltaica. São aplicações diferentes, mas todas apontam para a mesma mudança. A bateria deixa de ser apenas uma reserva de energia e começa a participar ativamente da gestão energética do consumidor. E quanto maior essa responsabilidade, mais importante se torna entender aquilo que existe dentro do equipamento. Nem todo quilowatt-hora é igual Uma das primeiras questões levantadas por Garbelotto durante a entrevista está no coração físico de qualquer BESS: as células. Elas representam uma parcela relevante do valor do sistema e influenciam diretamente desempenho, segurança, degradação e vida operacional. É justamente por isso que uma diferença de preço entre dois equipamentos aparentemente semelhantes pode esconder escolhas importantes de componentes. “Às vezes o barato sai caro”, resume Garbelotto. Segundo o executivo, a EENOVANCE trabalha em suas soluções com células de fornecedores de primeira linha e, no equipamento apresentado durante a entrevista, utiliza células LFP — lítio-ferro-fosfato — de 314 Ah. Mas o argumento apresentado pela companhia vai além da química ou da capacidade individual da célula. Um BESS é comprado hoje para continuar operando durante muitos anos. Isso significa que o verdadeiro custo do equipamento não termina no momento da aquisição. Ele continua sendo medido na capacidade que permanece disponível ao longo do tempo, na confiabilidade, na disponibilidade do sistema, na manutenção necessária e na capacidade do fabricante de oferecer suporte quando alguma intervenção for necessária. É nesse ponto que a discussão sobre preço começa a mudar. Dois equipamentos podem apresentar capacidades nominais semelhantes e propostas comerciais bastante diferentes. Para o cliente, porém, a pergunta mais importante talvez não seja apenas quanto custa cada quilowatt-hora instalado. É quanto daquele investimento continuará entregando valor depois de anos de operação. Para Garbelotto, qualidade e respeito ao consumidor precisam fazer parte dessa equação. E existe outro componente que ganha importância à medida que a tecnologia se espalha pelo Brasil: suporte. A EENOVANCE afirma estar estruturando atendimento técnico local e latino-americano para acompanhar clientes, distribuidores e integradores desde as etapas iniciais dos projetos. A expressão utilizada por Garbelotto é simples: “andar junto com o cliente”. No armazenamento, essa proximidade pode fazer diferença. Porque vender uma bateria é relativamente simples. Projetar, integrar, comissionar e manter um sistema de armazenamento é outra história. O BESS precisa ser pensado para o lugar onde vai operar Um dos exemplos técnicos apresentados durante a conversa mostra exatamente por que a arquitetura de um sistema precisa considerar as condições reais da instalação. A EENOVANCE vem trabalhando com projetos que combinam armazenamento e geração fotovoltaica. Para essas aplicações, Garbelotto destaca uma solução com inversor híbrido/PCS instalado externamente ao gabinete das baterias. A escolha possui implicações práticas. Todo processo de conversão elétrica apresenta perdas, e parte dessas perdas aparece na forma de calor. Quando a eletrônica de potência está instalada externamente, parte desse calor também é produzida fora do compartimento onde estão as células. Isso pode ser especialmente relevante em determinadas instalações brasileiras, considerando as altas temperaturas encontradas em regiões do Norte, Nordeste e também em outras áreas do país. Não se trata de transformar temperatura no único critério para escolher uma arquitetura de BESS. Sistemas integrados também podem ser projetados para operar adequadamente quando possuem engenharia e controle apropriados. A questão levantada por Garbelotto é mais ampla: O equipamento precisa ser escolhido considerando o ambiente em que efetivamente trabalhará. A arquitetura externa traz ainda outra vantagem apontada pelo executivo: manutenção. Se for necessário acessar MPPTs, terminais ou componentes de ventilação do inversor, esses elementos permanecem mais acessíveis, sem exigir intervenções dentro do compartimento principal das baterias. Para quem compra o sistema, pode parecer um detalhe. Para quem terá de mantê-lo durante anos, deixa de ser. Solar e armazenamento começam a se tornar uma única arquitetura A utilização do inversor híbrido também acompanha uma tendência que ficou evidente durante a Intersolar 2026: a aproximação definitiva entre energia solar e armazenamento. Em vez de pensar primeiro na usina fotovoltaica e adicionar a bateria posteriormente como um equipamento independente, os projetos começam a ser concebidos desde o início como sistemas integrados de energia. Uma das possibilidades mencionadas por Garbelotto é aproveitar excedentes associados ao clipping fotovoltaico. Em determinadas configurações, os módulos solares podem produzir mais potência em corrente contínua do que o inversor consegue converter naquele instante. Com armazenamento integrado e arquitetura adequada, parte dessa energia pode ser direcionada para as baterias. Energia que poderia deixar de ser aproveitada passa a ter outro destino. O sistema também pode oferecer flexibilidade para futuras expansões da geração fotovoltaica, respeitando naturalmente os limites técnicos de projeto e das entradas disponíveis. A bateria, portanto, não aparece apenas quando falta energia. Ela começa a trabalhar junto com a geração. Esse talvez seja um dos sinais mais claros da maturidade do armazenamento. O BESS deixa de ser um equipamento de emergência e passa a fazer parte da operação diária da instalação. 261 kWh em um espaço compacto Durante a entrevista, Garbelotto também apresentou a arquitetura física de uma das soluções C&I da EENOVANCE. O equipamento mostrado no estande era um modelo demonstrativo em escala reduzida, utilizado porque o produto real não pôde ser levado à feira por uma questão logística. A companhia, segundo a entrevista, já possuía unidades do equipamento em seu estoque no Brasil. A versão real possui aproximadamente 1 metro de largura, 1,2 metro de profundidade e 2,2 metros de altura, segundo Garbelotto. Dentro desse gabinete estão aproximadamente 261 kWh de capacidade de armazenamento. Essa densidade pode ser importante principalmente em instalações comerciais e industriais, onde espaço também representa custo. Quanto menor a área necessária para determinada quantidade de armazenamento, maior pode ser a flexibilidade para posicionar o sistema dentro de uma planta existente. Mas concentrar energia em um espaço reduzido exige justamente aquilo que está no centro da discussão da EENOVANCE: engenharia e segurança. Garbelotto cita diferentes camadas de monitoramento presentes no sistema, incluindo sensores de temperatura, fumaça e presença de água, além de diversos pontos de acompanhamento das condições das células. A lógica é detectar alterações e condições anormais durante a operação. Porque segurança em armazenamento não deve depender de um único componente. Começa na escolha das células. Passa pela eletrônica. Continua no monitoramento. Chega ao projeto de instalação. E permanece durante toda a operação e manutenção do equipamento. O Brasil começa a descobrir que comprar BESS é diferente de comprar bateria O armazenamento está entrando em uma fase particularmente interessante no mercado brasileiro. Novos fabricantes chegam. Distribuidores ampliam seus portfólios. Integradores começam a estudar projetos. Clientes procuram entender aplicações. E a competição aumenta. Esse movimento tende a reduzir custos e acelerar a adoção da tecnologia, algo positivo para um setor que precisa ganhar escala. Mas também cria um desafio. Quanto mais ofertas aparecem, mais difícil pode se tornar diferenciar equipamentos olhando apenas para uma proposta comercial. É por isso que a discussão apresentada por Garbelotto ultrapassa a própria EENOVANCE. O comprador brasileiro precisará fazer perguntas cada vez mais sofisticadas. Que células existem dentro do equipamento? Qual é a química? Como o sistema monitora condições anormais? Como foi projetada a eletrônica de potência? Quais proteções existem? Como será feita a manutenção? Existe suporte técnico no Brasil? Quem acompanha o integrador no comissionamento? Como a arquitetura se comporta nas condições da instalação? Qual será a disponibilidade desse equipamento depois de anos de operação? Essas perguntas provavelmente se tornarão tão importantes quanto a capacidade nominal. Porque 261 kWh escritos em uma ficha técnica contam apenas uma parte da história. O restante começa quando o equipamento é energizado. Análise EnergyChannel | O mercado brasileiro está começando a comprar BESS. Agora terá de aprender a comparar BESS Toda tecnologia que cresce rapidamente passa por uma fase de simplificação. No início, o consumidor precisa entender o conceito. Depois começa a comparar preços. Só mais tarde aprende a comparar qualidade. A indústria solar brasileira conhece bem esse processo. Durante anos, módulos foram comparados quase exclusivamente pela potência. Inversores, muitas vezes, pelo preço. Com a maturidade do setor, integradores e consumidores começaram a perceber que garantia, eficiência, suporte, confiabilidade e histórico do fabricante também tinham valor. O armazenamento tende a atravessar uma curva semelhante mas com uma diferença importante. Um BESS é consideravelmente mais complexo. Não existe apenas uma célula. Existe um conjunto delas operando em conjunto. Existe eletrônica de potência. Existe software. Existe monitoramento. Existem sensores. Existe comunicação. Existem sistemas de proteção. Existe gerenciamento de carga e descarga. Existe integração com a instalação elétrica. E existe uma quantidade significativa de energia concentrada dentro de um espaço relativamente pequeno. Por isso, transformar BESS em uma simples disputa de preço por quilowatt-hora seria reduzir demais uma decisão de infraestrutura. Isso não significa que preço deixou de importar. Ao contrário. Para o armazenamento ganhar escala, precisa fazer sentido economicamente. Mas preço precisa ser analisado junto com aquilo que está sendo comprado. A entrevista com Caio Garbelotto coloca exatamente essa discussão sobre a mesa. Naturalmente, a EENOVANCE apresenta os atributos que considera diferenciais de seus próprios equipamentos. Mas as perguntas levantadas durante a conversa são úteis para qualquer comprador, independentemente da marca escolhida. Qualidade das células. Segurança. Arquitetura. Manutenção. Integração. Suporte. Adaptação ao ambiente. São elementos que começam a definir o verdadeiro valor de um sistema de armazenamento. O mercado brasileiro já está avançando rapidamente na primeira pergunta: “Quanto custa um BESS?” Agora começa a segunda: “O que esse BESS consegue fazer?” Mas a maturidade chegará quando uma terceira pergunta se tornar tão comum quanto as duas primeiras: “O que existe dentro dele e quem estará ao meu lado durante os próximos anos?” Porque comprar armazenamento não significa simplesmente comprar uma determinada quantidade de energia. Significa escolher a infraestrutura que será responsável por guardar, controlar e entregar essa energia todos os dias. E, nesse mercado, capacidade chama atenção. Mas é a confiabilidade que precisa permanecer depois que a venda termina. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Caio Garbelotto Cargo: Pre-Sales Technical Manager LATAM Empresa: EENOVANCE Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel- We Tell the Stories Driving the Energy Transition. EENOVANCE aposta em qualidade e segurança para disputar o novo mercado de BESS no Brasil

  • TSUNESS amplia presença no Brasil e acelera expansão pela América Latina

    Na Intersolar South America 2026, Victor Curi Segato, Head of LATAM da TSUNESS, fala ao EnergyChannel sobre o crescimento da companhia entre distribuidores e integradores, a construção de uma operação regional e uma estratégia que combina inovação global com desenvolvimento adaptado às necessidades de cada mercado Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Às vezes, o crescimento de uma empresa dentro de um mercado pode ser percebido antes mesmo de aparecer nos números. Bastava caminhar pelos corredores da Intersolar South America 2026. Ao longo dos três dias de feira, produtos da TSUNESS apareciam não apenas no estande da própria fabricante, mas também nos espaços de diferentes distribuidores e parceiros. Para quem acompanha a companhia há alguns anos, a mudança era visível: havia mais presença, mais integradores familiarizados com a tecnologia e, principalmente, um nível diferente de reconhecimento da marca. No último dia do evento, o jornalista Ricardo Honório, do EnergyChannel, voltou ao estande da empresa para conversar com Victor Curi Segato, Head of LATAM da TSUNESS, e fazer um balanço dessa transformação. A conversa começou de maneira descontraída, diante de uma máquina de café que acabou se tornando uma pequena atração do estande. Era o segundo café de Honório durante a feira. Mas, entre uma xícara e outra, surgiu uma constatação muito mais relevante sobre o que havia acontecido ao redor: a TSUNESS estava aparecendo em vários pontos da Intersolar. Segato confirma essa percepção. “Chegamos ao último dia felizes, com a sensação de missão cumprida”, afirmou. Segundo o executivo, a companhia teve produtos expostos em seis espaços de empresas parceiras durante o evento, além de seu próprio estande. Mais do que ocupar metros quadrados dentro de uma feira, essa presença distribuída revela algo importante sobre a estratégia construída pela empresa no Brasil. A TSUNESS está ampliando sua capilaridade por meio de quem efetivamente leva a tecnologia ao mercado. Distribuidores. Integradores. Parceiros comerciais. Profissionais que especificam, instalam e acompanham os sistemas depois que a feira termina. É justamente nessa relação que Segato identifica uma das mudanças mais importantes dos últimos anos. Se antes muitos profissionais chegavam à TSUNESS quase por descoberta, hoje, segundo ele, já existe uma base de integradores familiarizados e fidelizados à marca, especialmente pela experiência com os produtos e com o suporte técnico. Para uma fabricante de tecnologia fotovoltaica, essa evolução é decisiva. O equipamento pode nascer em uma fábrica do outro lado do mundo, mas a reputação de uma marca é construída no campo instalação após instalação, atendimento após atendimento. E é dessa base que a TSUNESS pretende partir para uma ambição maior. O próximo movimento é latino-americano. Durante a entrevista, Segato explica que a estratégia da companhia deixou de olhar apenas para o Brasil e passou a considerar uma presença estruturada em diferentes mercados da região. “Estamos colocando uma operação em cada país da América Latina. Nosso foco não é só o Brasil”, afirmou. A própria Intersolar ofereceu sinais dessa expansão. Parceiros de países como Chile e Bolívia estiveram em contato com a companhia durante o evento, enquanto a agenda da TSUNESS já avançava para outros mercados latino-americanos, incluindo Colômbia e México. A estratégia sugere uma mudança de escala. O Brasil continua sendo um mercado central para a operação regional, mas passa também a funcionar como uma base de conhecimento, relacionamento e desenvolvimento para uma companhia que pretende aumentar sua presença no continente. E há uma razão para isso. A América Latina pode compartilhar desafios relacionados à transição energética, mas está longe de ser um mercado homogêneo. Cada país possui características elétricas, regulatórias, comerciais e técnicas próprias. Um produto desenvolvido para determinado mercado nem sempre pode simplesmente ser transferido para outro sem adaptações. É nesse ponto que Segato destaca uma característica que considera fundamental dentro da estrutura da TSUNESS: a capacidade do time local de transformar necessidades encontradas no mercado em informações que chegam às equipes de desenvolvimento na China. Essa ponte entre engenharia global e conhecimento local aparece como um dos elementos centrais da estratégia. O desenvolvimento, segundo ele, não pode acontecer apenas olhando para a fábrica. Precisa começar também na ponta. O integrador encontra uma necessidade. O cliente apresenta uma dificuldade. A equipe local identifica uma característica específica da instalação. Essa informação retorna para desenvolvimento. E o produto evolui. “O produto nem sempre vem só da China. O desenvolvimento tem que vir do Brasil também”, resumiu Segato durante a conversa. A frase ajuda a explicar uma das transformações mais interessantes da indústria global de energia. Durante anos, a relação entre fabricantes asiáticos e mercados latino-americanos foi interpretada principalmente como uma cadeia de fornecimento: equipamentos eram desenvolvidos, produzidos e enviados para diferentes países. Esse modelo está se tornando mais sofisticado. À medida que as empresas criam equipes locais, suporte técnico e estruturas comerciais permanentes, os mercados consumidores começam também a participar do próprio processo de desenvolvimento. O fluxo deixa de ser unilateral. A tecnologia vem da fábrica, mas parte da inteligência necessária para aperfeiçoá-la nasce nos países onde ela será instalada. No caso da TSUNESS, Segato acredita que o time brasileiro exerce exatamente esse papel. A Intersolar reuniu profissionais da companhia baseados em diferentes estados, incluindo Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo e Paraná. Para o executivo, ter a equipe reunida no evento também representou a consolidação de uma estrutura que cresceu junto com a operação brasileira. “Com muita humildade, a gente está ganhando nosso espaço”, disse. Segato completou quatro anos de TSUNESS e lembra que sua trajetória profissional anterior havia sido construída em empresas brasileiras. O período na fabricante, segundo ele, foi marcado por um ambiente constante de inovação e lançamento de novas soluções. “Todo ano tivemos uma, duas ou até mais soluções para apresentar”, afirmou. Esse ritmo de desenvolvimento ganhou especial importância em um mercado fotovoltaico que mudou rapidamente. Potência aumentou. Arquiteturas evoluíram. Armazenamento começou a ganhar espaço. Sistemas híbridos passaram a ocupar uma parcela maior das conversas. E o integrador passou a exigir não apenas preço, mas suporte, flexibilidade e capacidade de atualização tecnológica. Para Segato, a TSUNESS tenta construir seu posicionamento exatamente no equilíbrio entre esses elementos. A filosofia da companhia é sintetizada pelo conceito “More Safe, More Power”: aumentar desempenho sem abrir mão da segurança. Mas o executivo acrescenta uma terceira ideia que considera essencial para compreender a estratégia da marca: Acessibilidade. Isso não significa disputar o mercado simplesmente pelo menor preço. Segato faz questão de separar as duas coisas. A TSUNESS, afirma, não pretende carregar o título de produto mais barato do mercado e tampouco deseja construir sua estratégia dessa forma. A proposta é outra: oferecer tecnologia de alta qualidade dentro de uma faixa que permita sua adoção por um número maior de clientes. “Não temos o produto mais barato do mercado. Não vamos ter esse título e não queremos ter esse título. Queremos ter soluções de altíssima qualidade acessíveis”, afirmou. A diferença é relevante. Em um setor pressionado historicamente por redução de preços, competir exclusivamente por custo pode transformar tecnologia em commodity. Mas sistemas fotovoltaicos possuem uma vida operacional longa. O cliente não compra apenas potência nominal. Compra desempenho, segurança, garantia, suporte e a expectativa de que aquela empresa continuará disponível quando surgir um problema. É justamente por isso que Segato retorna várias vezes durante a entrevista aos integradores. São eles que transformam tecnologia em experiência real para o consumidor. Quando o suporte funciona, o integrador percebe. Quando o produto responde bem, ele percebe. Quando existe um problema e a fabricante está presente para ajudar, ele também percebe. E quando essa experiência se repete, uma venda pode se transformar em relacionamento. Talvez seja essa a melhor maneira de compreender o que mudou para a TSUNESS entre uma Intersolar e outra. O crescimento do estande é visível. Segato brinca que, em determinados momentos, havia tanta gente no espaço que ele próprio tinha dificuldade para entrar. “Para o ano que vem vamos ter que aumentar”, disse, sorrindo. “É um bom problema”, respondeu Honório. Mas o verdadeiro indicador de crescimento estava fora dali. Estava nos seis pontos de parceiros exibindo equipamentos da companhia. Nos distribuidores. Nos integradores que voltaram ao estande. Nos profissionais que já conheciam a marca. E nos visitantes latino-americanos que agora começam a fazer parte da próxima etapa da operação. Análise EnergyChannel | O verdadeiro crescimento acontece quando a marca deixa o próprio estande Feiras de energia são ambientes construídos para impressionar. Estandes aumentam. Telas ficam maiores. Equipamentos ganham destaque. Lançamentos disputam atenção. Mas existe um indicador de crescimento muito mais difícil de construir: ser apresentado espontaneamente pelo próprio ecossistema. Quando uma fabricante começa a aparecer nos espaços de distribuidores e parceiros, existe algo diferente acontecendo. A marca está deixando de depender exclusivamente da própria voz. Outras empresas começam a apresentá-la. Integradores começam a recomendá-la. Distribuidores passam a colocá-la em seus portfólios. E a tecnologia começa a circular pelo mercado por meio de uma rede de confiança que nenhum estande consegue criar sozinho. É essa transformação que a entrevista com Victor Curi Segato revela. A TSUNESS chega ao fim da Intersolar 2026 olhando simultaneamente para duas direções. A primeira é a consolidação da operação brasileira. A segunda é a expansão latino-americana. E as duas estão conectadas. O Brasil pode se tornar mais do que um mercado para a companhia. Pode funcionar como uma plataforma regional de aprendizado sobre produto, suporte, relacionamento com integradores e adaptação tecnológica. Isso será particularmente importante porque a próxima etapa da indústria solar será provavelmente mais complexa do que a anterior. O mercado já não discute apenas módulos e inversores. Armazenamento, sistemas híbridos, gerenciamento inteligente de energia, backup e novas arquiteturas começam a ocupar o mesmo projeto. Quanto mais sofisticado o sistema, maior será a importância de empresas capazes de ouvir o mercado local e transformar essas informações em desenvolvimento tecnológico. Nesse cenário, a frase de Segato sobre produtos que não podem ser desenvolvidos apenas na China ganha um significado maior. Tecnologia global precisa aprender a falar a língua de cada mercado. A TSUNESS parece ter entendido essa equação. E talvez a imagem mais interessante dessa Intersolar não esteja em um novo equipamento. Está em algo muito mais simples. No primeiro dia, o EnergyChannel encontrou a TSUNESS em seu estande e tomou um café. Nos dias seguintes, encontrou a marca novamente — nos estandes de outras empresas. No último dia, voltou para mais um café. Entre a primeira e a última xícara, porém, a percepção havia mudado. A TSUNESS já não estava apenas em um endereço dentro da feira. Estava espalhada por ela. E agora quer fazer o mesmo pela América Latina. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Victor Curi Segato Cargo: Head of LATAM Empresa: TSUNESS Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. TSUNESS amplia presença no Brasil e acelera expansão pela América Latina

  • Depois de avançar nas renováveis, Chile entra na era do armazenamento e LuxPowerTek prepara soluções sob medida para o país

    Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, José Manuel Dasso Rocha, Diretor Comercial da LuxPowerTek no Chile, explica por que baterias, sistemas híbridos e soluções off-grid ganham importância em um país que busca mais flexibilidade e segurança energética Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Poucos países da América Latina oferecem uma visão tão clara dos desafios da próxima etapa da transição energética quanto o Chile. Depois de avançar na incorporação de fontes renováveis, o país começa a enfrentar uma pergunta que progressivamente aparece em diferentes mercados do mundo: como transformar toda essa capacidade de geração em energia disponível exatamente quando ela é necessária? A resposta passa cada vez mais pelo armazenamento. Foi sobre essa transformação que o EnergyChannel conversou com José Manuel Dasso Rocha, Diretor Comercial da LuxPowerTek no Chile, durante a Intersolar South America 2026, em São Paulo. Em entrevista ao jornalista Ricardo Honório, Dasso apresentou a estratégia da companhia para o mercado chileno e descreveu um país em busca de soluções energéticas mais flexíveis, capazes não apenas de produzir eletricidade, mas também de armazená-la e garantir maior autonomia ao consumidor. “Chile hoje está vivendo uma transformação energética superimportante, em que cada vez mais são necessárias soluções energéticas adaptáveis ao mercado”, afirmou. A palavra adaptabilidade aparece diversas vezes durante a conversa e não por acaso. Para Dasso, não existe uma solução energética universal que possa simplesmente ser transportada de um país para outro. A configuração da rede muda, o comportamento do consumidor muda, as necessidades mudam e até mesmo as condições naturais que colocam o sistema elétrico sob pressão são diferentes. É justamente nesse ponto que a LuxPowerTek pretende construir sua presença no Chile. Um mercado renovável que agora precisa armazenar A estratégia passa por ampliar a presença da empresa junto a distribuidores e instaladores locais, oferecendo sistemas desenvolvidos para as características específicas do mercado chileno. O armazenamento ocupa o centro dessa proposta. Dasso explica que soluções híbridas já fazem parte da realidade local, mas vê um espaço crescente também para sistemas off-grid, especialmente à medida que consumidores procuram maior capacidade de armazenamento e autonomia energética. A lógica representa uma evolução natural da energia solar. Durante a primeira fase da expansão fotovoltaica, o objetivo principal era gerar. Painéis transformavam a radiação solar em eletricidade e o consumidor reduzia sua dependência da energia fornecida pela rede. A bateria adiciona uma segunda dimensão. Ela permite separar o momento da geração do momento do consumo. A energia produzida durante o dia deixa de precisar ser utilizada imediatamente. Pode ser armazenada para algumas horas depois, para períodos de maior necessidade ou para situações em que a rede deixa de estar disponível. Essa capacidade muda profundamente o valor do sistema. A pergunta deixa de ser apenas “quanto consigo gerar?” Passa a ser também “por quanto tempo consigo continuar operando se a rede falhar?” No Chile, essa segunda pergunta possui um significado particularmente importante. Quando armazenamento também significa resiliência Durante a entrevista, Dasso chama atenção para uma característica estrutural do país: sua exposição a eventos naturais capazes de afetar a infraestrutura. Terremotos e fortes tempestades fazem parte da realidade chilena e ajudam a colocar a continuidade do fornecimento de energia no centro da discussão. “É supernecessário hoje em dia no Chile”, afirma Dasso. “A solução de armazenamento oferece a garantia de ter uma independência energética e poder ter respaldo diante dessas necessidades.” Nesse contexto, uma bateria não representa apenas economia. Representa resiliência. Para uma residência, isso pode significar manter cargas essenciais funcionando durante uma interrupção. Para um comércio, pode evitar a paralisação de atividades. Para determinadas operações empresariais, a diferença pode ser ainda maior. Quando uma interrupção de energia paralisa equipamentos, sistemas, refrigeração, comunicações ou processos produtivos, o custo real do apagão pode ser muito superior ao valor da eletricidade que deixou de ser consumida. O armazenamento passa, então, a ser analisado por outro ângulo. Seu valor não está somente na energia que consegue entregar. Está também naquilo que consegue manter funcionando. Essa mudança de percepção pode ser determinante para a expansão do mercado chileno de baterias. Brasil e Chile precisam de produtos diferentes Outro ponto importante da conversa com Dasso aparece quando a discussão sai da bateria e entra na própria arquitetura elétrica. Brasil e Chile podem estar próximos geograficamente, mas possuem características diferentes de mercado e de infraestrutura. Dasso explica que as soluções utilizadas no Chile precisam considerar principalmente configurações monofásicas e trifásicas, enquanto o mercado brasileiro apresenta outras particularidades de rede. Isso parece um detalhe técnico, mas revela uma questão estratégica para fabricantes globais. Entrar em um novo país não significa simplesmente enviar o mesmo equipamento utilizado em outro mercado. É preciso adaptar. Segundo Dasso, a LuxPowerTek pretende repetir no Chile uma estratégia semelhante à adotada no Brasil: desenvolver uma linha de produtos adequada às características locais. “Assim como no Brasil a Lux adaptou o cenário dos seus produtos e da fabricação para o Brasil, no Chile vamos fazer exatamente o mesmo”, afirmou. A experiência brasileira é utilizada como referência porque a companhia também precisou desenvolver soluções específicas para as configurações encontradas no país. Agora, o processo será reproduzido no mercado chileno. Para Dasso, flexibilidade é justamente uma das características que diferenciam a estratégia da empresa. A capacidade de alterar produtos e desenvolver configurações específicas permite responder a mercados que, embora façam parte da mesma transição energética, apresentam necessidades completamente diferentes. É uma visão particularmente relevante para a América Latina. A região não é um único mercado elétrico. É um mosaico de sistemas. Cada país possui sua própria regulação, configuração de rede, matriz energética, infraestrutura, perfil tarifário e estágio de desenvolvimento. Quem pretende crescer regionalmente precisa compreender essas diferenças. A bateria começa a chegar mais perto do consumidor Embora grandes projetos de armazenamento ganhem enorme visibilidade no setor energético, a conversa com Dasso coloca atenção também sobre outro movimento: a bateria chegando às residências e aos pequenos negócios. Para o consumidor residencial chileno, a combinação entre energia solar e armazenamento pode representar um grau maior de independência. Não independência absoluta da rede em todos os casos, mas a possibilidade de controlar uma parcela maior da própria energia. Produzir. Armazenar. Consumir depois. Manter determinadas cargas durante uma interrupção. Escolher melhor quando utilizar aquilo que foi produzido. É uma transformação parecida com aquela que a energia solar provocou anos atrás. O fotovoltaico transformou consumidores em pequenos geradores. O armazenamento pode transformar esses mesmos consumidores em gestores da própria energia. E quanto mais frequentes forem as preocupações com continuidade de fornecimento, maior tende a ser o valor percebido dessa capacidade. Dasso afirma que a recepção às soluções da LuxPowerTek tem sido positiva e destaca dois fatores que considera importantes para o mercado: competitividade e flexibilidade. Mas a companhia ainda está no início de sua construção comercial no Chile. A estratégia agora é ampliar presença junto a distribuidores e instaladores, formando uma estrutura local capaz de colocar os produtos mais próximos do consumidor. Segundo o executivo, a expectativa é que, a partir do final de 2026, uma quantidade maior de soluções esteja disponível por meio de diferentes canais de distribuição e instalação no país. É o início de uma operação que pretende crescer acompanhando uma mudança maior do próprio mercado chileno. Análise EnergyChannel | O Chile mostra por que a próxima revolução renovável será diferente da primeira Existe uma mudança importante acontecendo na transição energética mundial. Durante muitos anos, o principal indicador de sucesso das renováveis foi a capacidade instalada. Quantos megawatts solares foram adicionados? Quantos parques eólicos entraram em operação? Quanto da matriz passou a ser renovável? Essas perguntas continuam relevantes. Mas, à medida que fontes variáveis ocupam uma parcela maior do sistema, uma nova pergunta se torna inevitável: O que acontece quando a energia está sendo produzida em um horário diferente daquele em que mais precisamos dela? É aí que armazenamento deixa de ser acessório. A bateria adiciona tempo à energia renovável. O painel solar define onde a energia é produzida. O armazenamento ajuda a decidir quando ela será utilizada. No Chile, essa discussão ganha ainda outra dimensão porque armazenamento também pode significar segurança diante de interrupções e eventos naturais. A mesma tecnologia passa a resolver problemas diferentes. Pode ajudar uma residência a manter cargas essenciais. Pode dar continuidade a um comércio. Pode aumentar a autonomia de uma propriedade. Pode integrar geração fotovoltaica. Pode permitir uma arquitetura off-grid. E, em escalas maiores, pode se tornar parte da infraestrutura necessária para equilibrar um sistema elétrico cada vez mais renovável. É justamente por isso que a estratégia descrita por José Manuel Dasso merece atenção. A companhia não pretende simplesmente colocar no Chile uma linha global de equipamentos e esperar que o mercado se adapte a ela. A proposta é fazer o movimento inverso: adaptar a tecnologia ao mercado. Essa diferença pode parecer pequena, mas provavelmente será uma das características das empresas que conseguirão construir presença sólida na nova indústria latino-americana de armazenamento. Brasil precisa de determinadas soluções. Chile precisa de outras. E outros países da região terão seus próprios desafios. A transição energética será global, mas sua execução continuará profundamente local. Para a LuxPowerTek, o Chile representa agora uma nova etapa dessa estratégia. E para o mercado chileno, a chegada de mais soluções de armazenamento acontece justamente quando a discussão energética começa a mudar. A primeira revolução renovável ensinou consumidores e empresas a produzir sua própria eletricidade. A próxima poderá ensinar algo ainda mais importante: como guardar essa energia, protegê-la e decidir quando utilizá-la. No fim, é essa liberdade que transforma uma bateria em algo maior do que um equipamento instalado ao lado de um sistema fotovoltaico. Ela transforma energia disponível em energia sob controle. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: José Manuel Dasso Rocha Cargo: Diretor Comercial — Chile Empresa: LuxPowerTekEntrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Depois de avançar nas renováveis, Chile entra na era do armazenamento e LuxPowerTek prepara soluções sob medida para o país

  • Muito além do carregador: Renew aposta em operação, tecnologia e experiência para construir a nova geração de eletropostos

    Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Eduardo Nicol e Philipe Scarton, sócios da Renew Energia, explicam por que a expansão da eletromobilidade no Brasil dependerá menos de simplesmente instalar carregadores e cada vez mais da qualidade dos equipamentos, localização, monitoramento e experiência entregue ao motorista Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Para quem observa a expansão da eletromobilidade de fora, construir um eletroposto pode parecer relativamente simples: escolher um carregador, encontrar algumas vagas, instalar o equipamento e começar a vender energia. Na prática, é exatamente aí que os problemas começam. Um eletroposto depende de uma cadeia inteira funcionando simultaneamente. Precisa de energia, comunicação, carregador, software, manutenção, peças de reposição e suporte. Precisa estar no lugar certo e permanecer acessível quando o motorista precisar. E, enquanto o carro permanece conectado durante 20, 30 ou 40 minutos, o local precisa fazer sentido para quem está esperando. Na visão de Eduardo Nicol e Philipe Scarton, sócios da Renew Energia, o futuro da infraestrutura brasileira de recarga será definido justamente pela capacidade de integrar todas essas peças. Em entrevista a Ricardo Honório, jornalista do EnergyChannel, durante a Intersolar South America 2026, os dois executivos analisaram a nova geração de equipamentos que começa a chegar ao país, os riscos de escolhas baseadas apenas em preço e o trabalho necessário para transformar um conjunto de carregadores em uma rede confiável. Para Nicol, o primeiro cuidado aparece antes mesmo de o eletroposto existir: escolher corretamente o equipamento. “Estamos vendo no mercado uma série de equipamentos de baixa qualidade entrando”, alerta. O crescimento da eletromobilidade brasileira está atraindo fabricantes, importadores e novas marcas. Essa diversidade aumenta a competição e pode ajudar a reduzir custos, mas também cria um desafio: saber exatamente o que existe por trás do carregador. Segundo Nicol, quem opta por uma importação própria ou por fabricantes menos conhecidos precisa fazer uma avaliação muito mais profunda do que simplesmente comparar potência e preço. É preciso conhecer a fábrica, verificar certificações, analisar componentes e compreender se o produto está preparado para atender às normas técnicas aplicáveis ao mercado brasileiro. Também é necessário olhar para algo que normalmente só aparece depois que o carregador apresenta um problema: quem vai consertá-lo? Essa pergunta parece operacional, mas pode definir a viabilidade econômica de uma estação. “Um eletroposto, se perder energia, comunicação ou o carregador, não faz nada”, resume Nicol. A lógica é direta. Se qualquer uma dessas três camadas falhar, o ativo deixa de produzir receita. E cada hora de indisponibilidade significa não apenas energia que deixou de ser vendida, mas também um motorista frustrado diante de um carregador que aparece no mapa, mas não consegue iniciar uma sessão. Por isso, Nicol chama atenção para disponibilidade de peças, garantia, assistência técnica e atualização de software. Se uma fonte, placa de comando ou módulo de comunicação apresentar defeito, quanto tempo será necessário para substituí-lo? O fabricante terá suporte no Brasil? Haverá peças disponíveis? A empresa continuará atualizando o sistema? No universo dos veículos elétricos, essa última pergunta ganha uma importância especial. Novos modelos chegam constantemente ao mercado, com diferentes implementações de comunicação entre veículo e carregador. A infraestrutura precisa acompanhar essa evolução. É por isso que, na seleção de fornecedores feita pela Renew, Nicol afirma que confiabilidade, garantia e capacidade de atualização pesam tanto quanto a própria especificação do equipamento. Mas escolher um bom carregador resolve apenas metade do problema. Um ótimo carregador no lugar errado continua sendo um mau investimento Depois do equipamento, vem aquilo que Nicol considera decisivo para o sucesso de uma estação: o ponto. Um eletroposto não existe isoladamente. Ele faz parte do ambiente ao redor. Segurança, conveniência, acessibilidade, horário de funcionamento e fluxo de veículos interferem diretamente na utilização. Rodovias, shopping centers e vias movimentadas naturalmente oferecem oportunidades, mas a análise precisa ir além do número de carros que passam diante do local. É preciso entender o que o motorista fará enquanto espera. “Eu costumo dizer que o eletroposto funciona em um ecossistema com o ambiente em que ele está”, afirma Nicol. Esse ecossistema pode ter uma academia, padaria, restaurante, bar, loja ou centro comercial. Cada atividade cria um comportamento diferente e, consequentemente, uma necessidade diferente de recarga. É uma mudança importante na maneira de projetar infraestrutura. Em vez de começar perguntando qual carregador instalar, talvez seja melhor começar perguntando quanto tempo aquele consumidor naturalmente permanecerá naquele lugar. Um motorista que para rapidamente em uma rodovia tem uma necessidade diferente daquele que passa uma hora em um restaurante. O cliente de uma academia possui outra janela de permanência. Um hóspede de hotel pode deixar o veículo estacionado durante toda a noite. O carregador precisa acompanhar esse comportamento. “Você tem que desenhar o comportamento dele conforme o comércio”, observa Ricardo durante a conversa. Nicol concorda. Cada ponto de parada pode exigir uma arquitetura diferente. É assim que potência, localização e experiência começam a fazer parte da mesma equação. O próximo desafio é fazer tudo funcionar quando o motorista chegar Philipe Scarton leva a conversa para outra dimensão igualmente importante: a operação. Quem dirige um veículo elétrico conhece um dos problemas mais frequentes da infraestrutura atual. Existem diversas redes e, com elas, diferentes aplicativos, cadastros e procedimentos para iniciar uma recarga. Na teoria, abastecer um carro elétrico deveria ser simples. Na prática, o motorista pode chegar ao local, procurar o aplicativo correto, fazer cadastro, adicionar pagamento, tentar iniciar a sessão e descobrir que alguma etapa não funcionou. É exatamente nesse momento que a qualidade de uma rede deixa de ser medida pela potência escrita na lateral do carregador. Para Scarton, a experiência precisa continuar depois da instalação. A Renew trabalha com monitoramento ativo das estações, acompanhando situações em que o cliente apresenta dificuldade para iniciar uma recarga ou utilizar a plataforma. “A gente sempre tenta entregar uma experiência para o cliente”, explica. Isso exige integração entre equipamento e software. Scarton chama atenção para um erro comum: imaginar que uma boa plataforma de gestão consegue compensar um equipamento ruim — ou que um excelente carregador consegue funcionar perfeitamente apoiado por uma plataforma inadequada. Não consegue. “Uma plataforma de gestão que não acompanha a qualidade do equipamento não resolve o problema do eletroposto”, afirma. Hardware e software precisam caminhar juntos. E, quando algum deles falha, precisa existir uma terceira camada: pessoas capazes de perceber o problema e agir. É aí que entra o monitoramento. De uma pessoa acompanhando a rede a uma futura sala de controle Hoje, explica Nicol, essa estrutura ainda cresce junto com a própria operação. No começo, uma pessoa pode acompanhar as estações durante o expediente e continuar o monitoramento remotamente em outros períodos. Conforme a rede aumenta, entram duas pessoas, depois três e, em algum momento, a operação exige um verdadeiro centro de monitoramento. É um processo gradual. “Daqui a pouco a gente tem um centro de monitoramento com várias pessoas tomando conta disso”, projeta. A visão ajuda a revelar algo importante sobre o futuro das redes de recarga. Quanto maior a infraestrutura, menos ela se parece com uma coleção de carregadores independentes e mais se aproxima de uma operação de infraestrutura crítica. Uma rede com dezenas ou centenas de estações precisa saber, em tempo real, quais carregadores estão disponíveis, quais estão em uso, onde existe falha de comunicação, quais sessões não começaram corretamente e quais equipamentos precisam de intervenção. O motorista vê apenas o carregador. Por trás dele, porém, existe uma operação inteira trabalhando para que a experiência pareça simples. Essa simplicidade é justamente o produto. Uma rede jovem com ambição de acelerar Nicol lembra que a operação de recarga da Renew ainda é jovem. Embora a empresa acumule cerca de três anos de experiência em mobilidade elétrica, a rede propriamente dita começou sua trajetória mais recentemente. “É uma rede criança. Está engatinhando”, brinca. Mas a expectativa agora é acelerar. Durante a entrevista, Nicol cita também a parceria com a FX Recharge, que, segundo ele, traz uma proposta diferente para o mercado ao trabalhar o eletroposto não apenas como infraestrutura, mas também como experiência e identidade. Ele define a proposta como um “eletroposto temático”. A ideia representa bem a discussão que atravessa toda a entrevista. Se o motorista precisa permanecer algum tempo no local, a recarga pode deixar de ser simplesmente uma espera obrigatória. Pode se transformar em experiência. Nesse modelo, arquitetura, comunicação, conveniência, serviços, comércio e identidade visual passam a fazer parte do próprio produto. A expectativa dos executivos é que essa combinação ajude a acelerar a expansão das operações nos próximos meses. Nicol afirma que o grupo trabalha com a ambição de chegar a 100 eletropostos até o final de 2027 e acredita que essa marca poderá ser alcançada antes do prazo inicialmente projetado. Mais importante do que o número, entretanto, será fazer essa expansão mantendo o padrão de operação que a empresa pretende construir. Porque crescer rapidamente com carregadores indisponíveis pode produzir exatamente o efeito contrário: destruir a confiança do motorista. Análise EnergyChannel | O melhor eletroposto é aquele em que o motorista não percebe a complexidade A conversa com Eduardo Nicol e Philipe Scarton revela uma mudança importante na maturidade da eletromobilidade brasileira. A primeira fase desse mercado foi marcada pela necessidade de instalar infraestrutura. Era preciso colocar carregadores no mapa. Essa necessidade continua existindo. O Brasil ainda precisará de milhares de novos pontos de recarga para acompanhar o crescimento da frota elétrica. Mas quantidade, sozinha, não será suficiente. A próxima disputa será pela qualidade da experiência. E essa experiência começa muito antes de o motorista conectar o cabo. Começa na escolha do fabricante. Passa pela certificação do equipamento, disponibilidade de peças, garantia e atualização de software. Continua na seleção do ponto, na potência adequada ao tempo de permanência e na existência de segurança e conveniência. Depois entram aplicativo, pagamento, comunicação e monitoramento. E tudo precisa funcionar ao mesmo tempo. Essa talvez seja a grande diferença entre instalar um carregador e operar um eletroposto. O primeiro é um projeto de engenharia. O segundo é um negócio de serviços. E negócios de serviços são julgados pela experiência que entregam. Quando um motorista abastece um veículo a combustão, ele raramente pensa sobre toda a infraestrutura necessária para fazer o combustível chegar à bomba. Ele simplesmente espera que esteja disponível. A eletromobilidade terá alcançado verdadeira maturidade quando o mesmo acontecer com a recarga elétrica. O motorista chegará. Conectará o carro. Iniciará a sessão. Pagará. E seguirá viagem. Sem pensar na comunicação OCPP, no módulo eletrônico, no servidor, na disponibilidade da rede, no estoque de peças ou no operador que acompanha aquela estação a quilômetros de distância. Toda essa complexidade continuará existindo. Só não poderá aparecer para o cliente. É justamente por isso que o monitoramento defendido por Scarton ganha relevância. A melhor operação não é aquela que nunca apresenta um problema — algo praticamente impossível em qualquer infraestrutura tecnológica de grande escala. É aquela capaz de perceber rapidamente quando algo aconteceu e resolver antes que uma falha se transforme em uma experiência ruim. Existe ainda outro ponto importante levantado por Nicol: o eletroposto precisa conversar com o lugar onde está instalado. Essa talvez seja uma das ideias mais interessantes para a próxima geração da infraestrutura brasileira. Nem toda vaga precisa de recarga ultrarrápida. Nem todo motorista precisa permanecer 40 minutos. Nem todo comércio possui o mesmo perfil de permanência. Uma academia pode pedir uma solução. Um hotel, outra. Uma parada rodoviária, outra completamente diferente. O futuro provavelmente será menos padronizado do que parece. Em vez de simplesmente espalhar carregadores, as redes mais eficientes precisarão entender o comportamento do consumidor e dimensionar a infraestrutura ao redor dele. É nesse contexto que propostas de eletropostos temáticos e experiências associadas à recarga começam a fazer sentido. O carregador deixa de ser o destino. Passa a ser parte do destino. E talvez seja justamente essa a próxima fronteira da eletromobilidade brasileira. Durante anos, a discussão foi sobre quantos carregadores o país precisava instalar. Agora começa uma pergunta mais difícil: Muito além do carregador: Renew aposta em operação, tecnologia e experiência para construir a nova geração de eletropostos Quantos desses carregadores estarão realmente funcionando quando o motorista precisar deles? A resposta não estará apenas no equipamento. Estará na fábrica que o produziu, na engenharia que o selecionou, no ponto onde foi instalado, no software que o controla, na equipe que o monitora e na experiência construída ao redor dele. Porque uma rede de recarga não nasce quando o carregador é energizado. Ela nasce quando o motorista aprende que pode confiar que ele estará funcionando quando chegar. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistados: Eduardo Nicol e Philipe Scarton Empresa: Renew Energia Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel - We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Muito além do carregador: Renew aposta em operação, tecnologia e experiência para construir a nova geração de eletropostos

  • “É um novo 2013”: Ecori aposta em BESS para abrir uma nova avenida de crescimento no mercado de energia

    Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Cláudio Martins, Diretor de Soluções em Energia da Ecori, apresenta o APstorage de 125 kW e 261 kWh e explica por que armazenamento, serviços especializados e Mercado Livre podem criar uma nova geração de negócios para integradores brasileiros “É um novo 2013”: Ecori aposta em BESS para abrir uma nova avenida de crescimento no mercado de energia Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Há pouco mais de uma década, o mercado brasileiro de energia solar começava a descobrir uma oportunidade que mudaria completamente o setor. O integrador ainda precisava explicar ao cliente o que era geração distribuída, demonstrar que a tecnologia funcionava e, principalmente, provar que a conta fechava. Na Intersolar South America 2026, Cláudio Martins, Diretor de Soluções em Energia da Ecori, acredita que o setor pode estar diante de um momento semelhante. Desta vez, porém, a tecnologia não é o painel solar. É a bateria. “A gente está vivendo hoje um novo 2013”, diz Martins. “Só que com uma diferença: agora as contas estão fechando.” A comparação ajuda a entender por que o armazenamento de energia ocupou um espaço tão relevante nesta edição da feira. Para Martins, o BESS, Battery Energy Storage System abre uma nova avenida de crescimento justamente porque adiciona ao sistema fotovoltaico algo que a geração, sozinha, não consegue entregar: o poder de escolher quando utilizar a energia. Durante anos, a proposta do solar foi produzir eletricidade. O armazenamento acrescenta uma nova dimensão. A energia produzida às 11 horas da manhã pode ser utilizada mais tarde. A bateria pode carregar quando existe disponibilidade ou vantagem econômica e descarregar quando aquela eletricidade passa a ter mais valor. “Antes, o integrador tinha o fotovoltaico, que gera energia. Hoje, o BESS dá ao integrador e ao cliente o poder de escolha de quando usar essa energia”, explica. É uma mudança aparentemente simples, mas com consequências profundas para o modelo de negócio do setor. Uma bateria de 261 kWh pensada para simplificar o projeto No estande da Ecori, Martins apresentou ao EnergyChannel o APstorage, solução que a empresa está posicionando para aplicações comerciais e industriais no Brasil. O equipamento mostrado na feira entrega 125 kW de potência e 261 kWh de capacidade de armazenamento, segundo o executivo, em uma arquitetura all-in-one. A proposta é reduzir a complexidade encontrada na implantação de um BESS tradicional. Em vez de montar diferentes componentes separadamente em campo, boa parte da solução chega integrada. “Basicamente você precisa descarregar na obra, conectar os cabos e tomar a decisão do momento de carregar e descarregar”, resume Martins. A unidade possui saída trifásica em 380 V e utiliza refrigeração líquida, característica especialmente relevante para a realidade brasileira. Temperatura é uma variável crítica para baterias: influencia desempenho, degradação e segurança. Em um país com regiões submetidas a temperaturas elevadas durante boa parte do ano, controlar termicamente o sistema deixa de ser detalhe de engenharia. A Ecori também trabalha com outras configurações, incluindo sistemas com inversores híbridos, entrada fotovoltaica, conexão para geradores e saída de backup. Segundo Martins, o portfólio começa ainda a acompanhar novas químicas de armazenamento, incluindo baterias de sódio e tecnologias voltadas a aplicações específicas, como data centers. Mas é a unidade de 125 kW e 261 kWh que aparece como uma das principais apostas da empresa para o mercado brasileiro. O alvo está principalmente entre consumidores do Grupo A, justamente onde análise tarifária, demanda, Mercado Livre de Energia e perfil de consumo podem criar oportunidades econômicas mais claras para o armazenamento. Segurança deixa de ser detalhe quando a bateria entra na empresa Quando um BESS deixa o laboratório e passa a ocupar espaço dentro de uma fábrica, comércio ou empreendimento, uma pergunta inevitavelmente aparece: e a segurança? Martins explica que o risco fundamental de uma bateria está relacionado à própria química das células. Em uma condição crítica, um aumento descontrolado de temperatura pode desencadear uma reação em cadeia — fenômeno conhecido como fuga térmica. Por isso, a primeira barreira é justamente evitar que a temperatura saia de controle. No sistema apresentado, a refrigeração líquida trabalha para manter as células dentro das condições adequadas de operação. Mas o projeto não depende apenas dessa primeira proteção. Segundo Martins, existem diferentes camadas de monitoramento e segurança, incluindo detecção de gases e sistemas de combate a incêndio, com proteção organizada em diferentes níveis da arquitetura — da célula ao pack e ao conjunto completo. Essa redundância é particularmente importante à medida que baterias passam a ocupar ambientes comerciais e industriais. O crescimento do armazenamento dependerá não apenas de provar que a tecnologia gera economia, mas também de demonstrar que ela pode operar com segurança durante milhares de ciclos. Começar com uma unidade e crescer depois Outra característica importante da solução é a modularidade. Segundo Martins, é possível trabalhar com até dez unidades em paralelo, permitindo que a arquitetura cresça de projetos menores para instalações na escala de megawatts. Essa possibilidade resolve um problema muito concreto de uma tecnologia que ainda está conquistando confiança. Nem todo cliente quer começar com um projeto de grande porte. Uma indústria pode instalar uma primeira unidade, acompanhar o desempenho, verificar a economia real e somente depois decidir pela expansão. “Por ser uma tecnologia nova, os clientes querem primeiro testar, fazer um projeto piloto, ver se funciona e depois expandir”, afirma Martins. Essa lógica reduz a barreira de entrada. O primeiro projeto deixa de precisar representar a solução definitiva. Pode ser apenas o começo. E, se o resultado aparecer, a infraestrutura cresce junto com a necessidade do cliente. A grande aposta da Ecori não é apenas vender a bateria Talvez o ponto mais importante da entrevista apareça quando a conversa deixa o hardware. Para a Ecori, colocar um BESS no estoque não é suficiente para desenvolver esse mercado. Armazenamento exige uma camada de serviço muito maior do que aquela com a qual muitos integradores solares estão acostumados. Antes de vender, é preciso entender a carga. Analisar tarifas. Identificar a aplicação. Dimensionar potência e capacidade. Calcular quando carregar e descarregar. Entender o Mercado Livre. Projetar o retorno. Depois vêm instalação, configuração, comissionamento e acompanhamento. É justamente por isso que a Ecori estruturou uma equipe dedicada a armazenamento. “A gente acredita que o BESS, além do produto, tem que ter uma camada de serviço”, diz Martins. O objetivo é apoiar o integrador desde a qualificação inicial da oportunidade. A equipe pode ajudar no pré-dimensionamento, participar do desenvolvimento da proposta para o cliente final e oferecer especialistas em áreas como Mercado Livre de Energia. A Ecori também pretende acompanhar o comissionamento dos projetos. A ideia, segundo Martins, é simples: permitir que o integrador concentre energia em encontrar oportunidades e vender, enquanto a distribuidora oferece a estrutura técnica necessária para reduzir o risco de um projeto mal dimensionado. “Queremos que o integrador se preocupe com uma coisa: vender. E a gente vai garantir que seja bem executado e que o cliente final tenha resultado.” Essa frase talvez seja mais importante para a estratégia da Ecori do que qualquer especificação da bateria apresentada na feira. BESS cria um negócio diferente do solar tradicional No fotovoltaico convencional, a lógica comercial se tornou relativamente conhecida ao longo dos últimos anos. Consumo, geração estimada, tamanho da usina, economia e payback formam uma equação que milhares de integradores brasileiros aprenderam a apresentar ao consumidor. No armazenamento, essa conta ganha novas variáveis. Não basta saber quantos quilowatts-hora o cliente consome durante o mês. É preciso saber quando ele consome. Qual é a sua curva de carga? Em quais horários aparecem os picos? Quanto custa a energia nesses momentos? Existe geração solar disponível? Há necessidade de backup? Quanto custa uma interrupção da operação? O cliente está no Mercado Livre? É a combinação dessas respostas que determina se a bateria faz sentido — e qual bateria faz sentido. Por isso, Martins insiste na importância de qualificar corretamente os projetos antes da venda. O risco de um mercado em expansão é transformar entusiasmo em dimensionamentos inadequados. E um BESS instalado no cliente errado ou configurado para uma aplicação que não produz resultado pode comprometer não apenas aquele projeto, mas a confiança na tecnologia. A proposta da Ecori é evitar justamente isso. Mercado Livre pode acelerar essa transformação Entre as oportunidades observadas pela companhia está a aproximação entre armazenamento e Mercado Livre de Energia. Consumidores empresariais passaram a ter um ambiente cada vez mais sofisticado para contratação e gestão de energia. Nesse cenário, a bateria acrescenta uma nova ferramenta. O cliente deixa de controlar apenas de quem compra energia. Começa a poder controlar quando utiliza parte dela. Essa combinação pode criar novos modelos de otimização energética, especialmente para consumidores do Grupo A. Para o integrador, significa também entrar em um mercado diferente daquele do residencial tradicional. Martins observa que esse consumidor é mais seletivo e exige maior nível de serviço, mas também trabalha com projetos de maior valor agregado. Isso pode permitir margens mais saudáveis para toda a cadeia fabricante, distribuidor e integrador desde que a solução entregue resultado. A bateria, portanto, não aparece apenas como um novo produto no catálogo. Ela pode abrir uma nova categoria de clientes. O integrador ganha uma segunda oportunidade É aqui que a comparação com 2013 ganha força. A primeira grande oportunidade do integrador brasileiro foi ajudar consumidores a produzir a própria energia. Muitos negócios nasceram dessa transformação. Empresas foram criadas. Equipes foram formadas. Milhares de profissionais entraram no setor. Agora surge uma segunda possibilidade. Não apenas gerar energia para o cliente, mas gerenciar quando essa energia será utilizada. O integrador que antes vendia painéis, inversores e estrutura pode começar a vender uma solução que envolve armazenamento, software, estratégia tarifária e gerenciamento energético. Isso exige mais conhecimento. Mas também pode criar mais valor. Análise EnergyChannel | A bateria não vende energia. Ela vende escolha Essa talvez seja a ideia que melhor resume a conversa com Cláudio Martins na Intersolar 2026. O painel solar deu ao consumidor o poder de gerar. A bateria acrescenta o poder de escolher. Escolher quando guardar. Quando consumir. Quando utilizar a rede. Quando preservar energia para backup. Quando evitar um horário mais caro. E essa capacidade de mover eletricidade no tempo muda a natureza econômica do sistema. É por isso que o armazenamento pode representar uma nova avenida para o integrador brasileiro. Mas existe uma diferença fundamental em relação ao início da geração distribuída. Desta vez, não basta colocar o equipamento no telhado ou ao lado do quadro elétrico. A conta precisa ser desenhada antes da bateria. Um BESS não cria economia automaticamente. Seu valor depende da aplicação, da tarifa, da curva de carga, da estratégia operacional e do dimensionamento correto. A indústria que entender isso mais cedo terá uma vantagem importante. E talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro significado da expressão usada por Martins: “um novo 2013, mas agora com as contas fechando.” Não significa que baterias repetirão automaticamente a trajetória explosiva do fotovoltaico. Significa que o setor começa novamente a enxergar uma tecnologia capaz de criar uma nova categoria de negócios. Só que agora o integrador chega mais experiente. O consumidor também. E a discussão deixa de ser apenas tecnológica. Passa a ser econômica. O APstorage de 125 kW e 261 kWh apresentado pela Ecori é uma peça dessa transformação. A refrigeração líquida, as camadas de segurança e a possibilidade de expansão em paralelo importam. Mas a história maior está ao redor do equipamento. Está na equipe que dimensiona. No especialista que entende o Mercado Livre. No integrador que identifica a oportunidade. No software que decide quando carregar. E, finalmente, no resultado que aparece na conta do cliente. A primeira revolução solar brasileira ensinou o consumidor a produzir energia. A próxima pode ensiná-lo a escolher quando usá-la. E, se essa conta realmente fechar, o BESS deixa de ser uma promessa tecnológica. Vira negócio. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Cláudio Martins Cargo: Diretor de Soluções em Energia Empresa: Ecori Energia Solar Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. “É um novo 2013”: Ecori aposta em BESS para abrir uma nova avenida de crescimento no mercado de energia

  • EENOVANCE aposta no Brasil e prepara nova geração de armazenamento com baterias, EMS e inteligência artificial

    Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, John Long, Vice-Presidente da EENOVANCE, afirma que o mercado brasileiro de armazenamento está apenas começando e explica a estratégia da companhia para avançar do residencial ao utility-scale com soluções cada vez mais integradas Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo O mercado brasileiro de armazenamento de energia ainda está no início de sua trajetória, mas já começa a atrair fabricantes que enxergam nas baterias uma transformação semelhante àquela provocada pela expansão da energia solar na última década. Para a EENOVANCE, porém, o próximo passo não será simplesmente vender mais baterias. Será integrá-las a inversores, sistemas de gerenciamento de energia e inteligência artificial para transformar o armazenamento em uma solução capaz de reduzir custos, aumentar a segurança energética e melhorar o aproveitamento da eletricidade. Essa é a visão apresentada por John Long, Vice-Presidente da EENOVANCE, em entrevista a Ricardo Honório, jornalista do EnergyChannel, durante a Intersolar South America 2026, em São Paulo. Segundo Long, a empresa vem acompanhando o desenvolvimento do mercado brasileiro há aproximadamente três anos. A primeira fase foi dedicada principalmente a testes, aprendizado e compreensão das particularidades locais. A partir do segundo semestre de 2024 e ao longo de 2025 e 2026, a companhia passou a estruturar uma estratégia mais clara para o país. “Agora temos uma oportunidade muito boa para explorar”, afirmou. Para o executivo, entretanto, o crescimento dependerá não apenas da disponibilidade de produtos, mas da construção de uma estrutura capaz de sustentar os projetos no longo prazo. Isso significa ampliar a equipe, desenvolver serviços, fortalecer o suporte técnico e, principalmente, encontrar parceiros locais capazes de construir uma relação de confiança com os clientes. Esse ponto é particularmente importante no armazenamento. Diferentemente de uma venda convencional de equipamentos, um sistema de baterias precisa permanecer operando durante anos, exige monitoramento, manutenção, software e suporte técnico. Para a EENOVANCE, portanto, crescer no Brasil passa necessariamente por fortalecer sua presença local. Do residencial ao utility-scale A estratégia brasileira acompanha um movimento de expansão internacional da companhia. Segundo Long, a EENOVANCE estruturou operações em diferentes mercados e hoje possui subsidiárias e escritórios em regiões estratégicas, com estruturas dedicadas a projetos, serviços e desenvolvimento comercial. A empresa começou sua trajetória com soluções residenciais de armazenamento, mas ampliou o portfólio para atender também o segmento comercial e industrial (C&I) e projetos utility-scale. Essa evolução está levando a EENOVANCE a deixar de olhar apenas para a bateria como produto. A intenção é avançar para uma solução completa, integrando os diferentes componentes necessários para controlar o fluxo da energia. No segmento C&I, por exemplo, Long afirma que a empresa já trabalha com sistemas all-in-one que integram bateria, PCS e EMS dentro de uma mesma arquitetura. A companhia também está desenvolvendo novas soluções que combinam gabinetes de baterias com inversores híbridos. Para aplicações utility-scale, o foco está principalmente nos grandes contêineres de baterias, que podem ser integrados a PCS, transformadores, switchgear e demais equipamentos necessários para formar um sistema completo. “Não queremos trabalhar apenas com gabinetes. Queremos trabalhar cada vez mais com soluções de sistema”, explicou Long. Inteligência artificial entra na estratégia É justamente nessa integração que aparece uma das principais apostas da EENOVANCE para os próximos anos: a inteligência artificial. Segundo Long, a companhia passou a investir também em eletrônica de potência, inversores e em uma estrutura voltada ao desenvolvimento de aplicações de IA. O objetivo é integrar essas tecnologias a uma plataforma de EMS — Energy Management System, responsável por controlar quando a bateria deve carregar, descarregar ou preservar energia. Na prática, o EMS funciona como o cérebro do sistema de armazenamento. Ele pode acompanhar consumo, geração fotovoltaica, estado da bateria, condições da rede e preços da eletricidade para definir a estratégia de operação. Com inteligência artificial, essa gestão pode se tornar ainda mais sofisticada. Em mercados com tarifas dinâmicas, como ocorre em partes da Europa, um sistema pode identificar períodos de energia mais barata para carregar a bateria e utilizar essa energia quando os preços aumentarem. Algoritmos também podem considerar previsões de consumo e geração solar para otimizar a operação. Para Long, a tecnologia só faz sentido quando consegue produzir um resultado concreto para o consumidor: reduzir custos ou melhorar o retorno financeiro do sistema. No Brasil, entretanto, o executivo acredita que o mercado ainda precisa desenvolver aplicações mais básicas antes de chegar em larga escala a modelos tão sofisticados. Entre as oportunidades mais imediatas estão backup de energia, integração com sistemas fotovoltaicos, redução da conta de eletricidade e aumento da segurança energética para residências, comércios e indústrias. O desafio é fazer a bateria fechar a conta A viabilidade econômica será determinante para definir a velocidade de expansão do armazenamento no Brasil. Durante a entrevista, Long destacou que o payback varia significativamente de acordo com o preço da energia, a aplicação, a cidade, o perfil de consumo e a configuração do projeto. Segundo as referências mencionadas pelo executivo, projetos residenciais podem apresentar retornos na faixa de cinco anos em determinados mercados internacionais, enquanto no Brasil os cenários avaliados podem variar aproximadamente entre cinco e oito anos. Não se trata de um prazo universal. Cada projeto precisa ser analisado individualmente. Mas Long considera que, quando o armazenamento consegue se aproximar de um retorno de cinco anos, a decisão de investimento começa a ficar muito mais atraente. “Se o retorno estiver em cinco anos, eu diria que este é o momento”, afirmou. A comparação com a trajetória da energia solar é inevitável. O fotovoltaico também passou por um período em que era visto principalmente como uma tecnologia cara e inovadora. Com redução de preços, amadurecimento do mercado e melhora das condições financeiras, o investimento passou a ser analisado principalmente pela economia que poderia proporcionar. O armazenamento começa a buscar o mesmo caminho. No segmento comercial e industrial, essa equação pode ganhar ainda mais relevância. Empresas com contas elevadas, necessidade de continuidade operacional ou sistemas fotovoltaicos já instalados podem encontrar diferentes formas de extrair valor da bateria. O mesmo equipamento pode servir para reduzir custos, fornecer backup, administrar demanda ou aproveitar melhor a energia produzida pelo sistema solar. Por isso, para a EENOVANCE, o futuro do armazenamento estará diretamente relacionado ao desenvolvimento de aplicações que apresentem benefícios financeiros claros. Brasil está apenas começando Apesar do avanço global da tecnologia, Long considera que o Brasil ainda está nos primeiros capítulos dessa transformação. E justamente por isso a EENOVANCE decidiu construir sua estrutura local antes de uma eventual aceleração do mercado. A companhia quer estar preparada com equipe, produtos, serviços e parceiros quando a demanda ganhar escala. “Precisamos de parceiros confiáveis e de alto nível trabalhando junto com nossa equipe local”, disse. O executivo também destaca que, embora a EENOVANCE seja uma empresa relativamente jovem, sua equipe reúne profissionais com mais de 14 anos de experiência no setor de energia. A intenção é utilizar esse conhecimento para ampliar a atuação brasileira em todas as escalas de armazenamento. A estratégia passa por residências, empresas e grandes projetos, mas também por uma mudança na própria identidade da companhia: de fabricante de baterias para fornecedora de sistemas integrados de energia. Análise EnergyChannel | A bateria está deixando de ser o produto final A entrevista de John Long revela uma transformação que começa a aparecer em diferentes fabricantes na Intersolar 2026. A disputa do armazenamento está deixando de acontecer apenas na capacidade das baterias. O próximo campo de competição será a capacidade de controlar a energia. Uma bateria isolada consegue armazenar eletricidade. Quando integrada a inversores, medidores, geração solar e um EMS, passa a fazer parte de um sistema energético. Quando software e inteligência artificial entram nessa arquitetura, esse sistema pode começar a decidir automaticamente a melhor forma de utilizar a energia disponível. É uma evolução importante. A primeira grande revolução solar brasileira foi construída sobre geração. Milhões de consumidores passaram a produzir a própria eletricidade. O armazenamento adiciona uma nova variável: tempo. A energia produzida agora pode ser guardada e utilizada depois. Isso permite escolher quando consumir, quando carregar, quando descarregar e quanto preservar para uma eventual interrupção da rede. Por isso, a próxima fase do mercado provavelmente não será determinada apenas por quem consegue fabricar a bateria mais barata. Será determinada também por quem conseguir demonstrar que aquela bateria resolve um problema econômico concreto. Reduzir a conta. Evitar uma interrupção. Aproveitar melhor a geração solar. Gerenciar a demanda. Ou aumentar a segurança energética de uma operação. É nesse cenário que a EENOVANCE pretende posicionar sua expansão brasileira. Do residencial ao utility-scale, a bateria continua sendo o coração do sistema. Mas cada vez mais será o software que decidirá como esse coração deve trabalhar. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: John Long Cargo: Vice-Presidente Empresa: EENOVANCE Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. EENOVANCE aposta no Brasil e prepara nova geração de armazenamento com baterias, EMS e inteligência artificial

  • Do espaço para a economia: o Brasil diante de uma nova fronteira de inovação

    A economia espacial está deixando de ser um território restrito a governos e grandes programas tecnológicos para se consolidar como uma plataforma de inovação, negócios e desenvolvimento econômico. E o Brasil começa a estruturar as bases para ocupar esse espaço. Essa é uma das principais mensagens que emerge da programação do 2º Space Industry Workshop, realizado de 3 a 5 de agosto, no Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro. Promovido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), em parceria com UNOOSA, PNUD, ArcaHub e Rio Innovation Week, o encontro reúne governo, indústria, investidores, academia e parceiros internacionais em torno de uma agenda que vai muito além da exploração espacial: transformar capacidades tecnológicas em oportunidades concretas para a economia. O desenho da programação é, por si só, revelador. Ao lado de temas tradicionalmente associados ao setor, como sistemas de satélites, constelações, acesso ao espaço e exploração lunar, aparecem assuntos como financiamento, venture capital, dados, startups, parques tecnológicos, sustentabilidade, conectividade e aplicações empresariais. É uma mudança importante de perspectiva: o espaço deixa de ser apenas destino e passa a ser infraestrutura para resolver problemas aqui na Terra. Da tecnologia à geração de valor Um dos eixos centrais do Workshop é justamente a transformação de dados e ativos espaciais em produtos, serviços e soluções capazes de gerar valor econômico. Observação da Terra, por exemplo, já permite aplicações em agricultura, mudanças climáticas, infraestrutura, gestão territorial e mercados digitais. A inteligência obtida por satélites pode apoiar decisões em setores tão diversos quanto agronegócio, seguros, finanças, logística, meio ambiente e políticas públicas. Essa lógica aparece em painéis como “Earth Observation and the Data Economy”, “Downstream for the Environment”, “Building Sustainable Business with Space Data” e “Space-Enabled Decisions”. O denominador comum é claro: não basta produzir tecnologia espacial. É necessário transformar conhecimento e dados em soluções escaláveis, competitivas e capazes de responder a demandas reais da sociedade e da economia. Essa perspectiva abre uma oportunidade particularmente relevante para o Brasil. Um país de dimensões continentais, forte vocação agroindustrial, grande biodiversidade, extensa costa, desafios logísticos e necessidades crescentes de monitoramento ambiental possui um enorme mercado potencial para aplicações espaciais. Capital: o elo entre inovação e mercado Outro ponto estratégico da programação é o financiamento. O desenvolvimento de tecnologias espaciais exige capital paciente, pesquisa, infraestrutura e capacidade de assumir riscos. Por isso, discutir a economia espacial também significa discutir subvenção, bancos de desenvolvimento, fundos de investimento, corporate venture capital e novos instrumentos financeiros. A presença de instituições como FINEP e BNDES, ao lado de investidores e estruturas de CVC, evidencia que a construção de uma indústria espacial competitiva depende de uma combinação de recursos públicos e privados. Esse é um aprendizado importante para o ecossistema brasileiro de inovação: tecnologia sem acesso a capital dificilmente chega ao mercado; capital sem bons projetos e empresas inovadoras também não produz transformação. Startups, parques tecnológicos e ecossistemas A programação do dia 5 amplia ainda mais essa discussão ao colocar no centro as startups espaciais e os ambientes de inovação. O painel sobre o ecossistema brasileiro de startups espaciais, que tive a oportunidade de mediar, como consultora do PNUD, aborda empreendedorismo, preparação para investimentos e criação de novos negócios. Na sequência, a discussão sobre parques tecnológicos evidencia o papel desses ambientes na conexão entre empresas, universidades, infraestrutura tecnológica e capital. É justamente nessa interseção que pode surgir uma das maiores oportunidades para o Brasil: construir um ecossistema capaz de transformar conhecimento científico em propriedade intelectual, tecnologia, empresas competitivas e consequentemente soberania tecnológica. Não por acaso, o Workshop também reserva espaço para discutir microgravidade, manufatura avançada, biotecnologia, sistemas de satélites, constelações e economia lunar. São fronteiras que ainda estão em construção e nas quais países e empresas que desenvolverem competências hoje poderão ocupar posições estratégicas amanhã. A oportunidade brasileira é construir conexões Talvez o elemento mais importante da programação seja a própria arquitetura do evento. Ao conectar governo, indústria, investidores, academia e parceiros internacionais, o Workshop reconhece que nenhuma organização, empresa ou instituição conseguirá construir sozinha uma economia espacial competitiva. O desafio brasileiro não é apenas desenvolver tecnologia espacial. É criar condições para que diferentes competências se encontrem, cooperem, compartilhem riscos, desenvolvam negócios e ampliem a presença do país nas cadeias globais de valor. É nesse contexto que ganha especial relevância o painel “Ecossistema Brasileiro de Inovação Espacial”, dedicado justamente à conexão entre governo, indústria, startups, academia e investimentos para uma nova economia espacial. O espaço como política de desenvolvimento A discussão sobre espaço precisa, portanto, deixar de ser percebida como uma agenda isolada de ciência e tecnologia. Ela também é uma agenda de política industrial de estado e não apenas de governo, transformação digital, sustentabilidade, competitividade, segurança, desenvolvimento regional e inserção internacional. O Brasil possui ativos importantes: capacidade científica, universidades, centros de pesquisa, empresas, startups, recursos naturais, biodiversidade, território e uma demanda concreta por soluções baseadas em dados e conectividade. A agenda espacial também começa a ganhar maior relevância no contexto da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial que busca elevar a produtividade, a inovação, a competitividade e a soberania tecnológica do país. A conexão é especialmente evidente na Missão 6: Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional, que inclui satélites, veículos lançadores e radares entre as cadeias prioritárias. Ao estimular o desenvolvimento de capacidades nacionais nesses segmentos, a política industrial cria condições para que tecnologias espaciais deixem de ser vistas apenas como infraestrutura estratégica e passem a contribuir também para a geração de negócios, empregos qualificados, inovação e inserção do Brasil em cadeias globais de valor. O próximo passo é transformar esses ativos em um ecossistema articulado. A verdadeira corrida espacial do século XXI talvez não seja apenas para chegar mais longe. É também para transformar conhecimento espacial em soluções para a Terra, gerar novos negócios, formar talentos, atrair investimentos e ocupar posições estratégicas na economia global. E, nesse cenário, o Brasil tem uma janela de oportunidade que não deveria desperdiçar. A pergunta já não é se o espaço fará parte da economia do futuro. A pergunta é: qual será o lugar do Brasil nessa economia? Nesse contexto, mapear e dar visibilidade às empresas, ICTs, ambientes de inovação e demais atores que compõem essa cadeia torna-se fundamental para fortalecer conexões, ampliar oportunidades e consolidar um ecossistema espacial brasileiro mais integrado e competitivo. É justamente essa a proposta do Catálogo da Indústria Espacial Brasileira, iniciativa da Agência Espacial Brasileira (AEB) voltada à divulgação e conexão do setor, inclusive internacionalmente. Se sua empresa, ICT ou projeto atua com soluções relacionadas ao setor espacial, faça parte desse movimento. Cadastre sua organização no Catálogo da Indústria Espacial Brasileira e ajude a tornar mais visível a capacidade brasileira de inovar, desenvolver tecnologias e gerar negócios a partir do espaço. Do espaço para a economia: o Brasil diante de uma nova fronteira de inovação

  • Do micro ao macro: Ecori amplia portfólio, aposta em BESS e entra em uma nova fase do mercado solar

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Marcelo von Gal, sócio da Ecori Energia Solar, explica por que a distribuidora decidiu ampliar seu portfólio, como o armazenamento começa a ganhar espaço em projetos comerciais e industriais e por que a próxima etapa do setor será marcada por soluções cada vez mais específicas para cada cliente Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Durante boa parte da expansão solar brasileira, muitos distribuidores construíram sua identidade a partir de uma especialização clara. Poucas marcas. Poucas tecnologias. Um portfólio enxuto. Uma proposta fácil de entender. Funcionou. Mas o mercado mudou. O integrador que antes chegava procurando apenas módulos, microinversores ou um sistema residencial começou a pedir soluções diferentes. Projetos maiores. Aplicações comerciais. Financiamento. Armazenamento. Backup. Peak shaving. Sistemas híbridos. E foi justamente essa mudança de comportamento que levou a Ecori Energia Solar a rever uma estratégia construída ao longo de anos. Na Intersolar South America 2026, Marcelo von Gal, sócio da Ecori, resumiu a nova fase da empresa em uma expressão: “do micro ao macro”. Mais do que um slogan de feira, a frase traduz uma transformação importante. A Ecori quer continuar presente onde construiu sua reputação — especialmente no universo da geração distribuída — mas pretende ampliar sua atuação para projetos de maior porte e para uma das tecnologias que mais cresce dentro da transição energética: o armazenamento de energia. Quando o cardápio pequeno deixa de ser suficiente Ricardo Honório começa a entrevista com uma pergunta direta: por que ampliar o portfólio? Marcelo responde com uma comparação simples. Durante anos, a Ecori operou com um “cardápio” relativamente concentrado. A empresa começou fortemente associada às soluções da APsystems, relação que permanece central na estratégia da companhia. Mas os clientes começaram a pedir mais. “A gente tinha um portfólio muito restrito. Começamos a Ecori basicamente com APsystems e o mercado pede.” A analogia usada na conversa funciona bem. Imagine um restaurante famoso por poucos pratos. Enquanto aqueles pratos atendem perfeitamente à demanda, não existe razão para alterar o menu. Mas chega um momento em que o cliente pergunta: “Você não tem outra opção?” Foi esse movimento que, segundo Marcelo, começou a aparecer entre os integradores. O mercado solar ficou mais complexo Essa mudança também ajuda a explicar a transformação da própria indústria fotovoltaica brasileira. O primeiro ciclo de expansão foi fortemente orientado por uma necessidade: reduzir a conta de energia. O integrador vendia geração. O cliente comprava painéis. A economia vinha da produção de eletricidade. Hoje, porém, diferentes clientes possuem problemas diferentes. Um pequeno consumidor quer economizar. Outro quer backup. Uma indústria quer reduzir demanda no horário de ponta. Uma empresa pode precisar de financiamento com equipamento nacional. Outra procura armazenamento. Outra quer preparar o sistema para uma futura expansão. Isso significa que a solução ideal já não pode ser única. E é nesse contexto que nasce o novo posicionamento da Ecori. “Do micro ao macro” Marcelo apresenta na Intersolar o novo conceito da companhia. “A gente até usou um slogan novo, que é ‘do micro ao macro’.” O “micro” preserva a ligação histórica da Ecori com tecnologias de geração distribuída e microinversores. O “macro” representa a expansão. Grandes inversores. Aplicações comerciais e industriais. Soluções de armazenamento. Projetos que exigem uma camada de engenharia e análise econômica muito maior. A empresa passa, portanto, a tentar acompanhar o integrador em diferentes escalas. Em vez de vender apenas um determinado tipo de tecnologia, procura oferecer a ferramenta adequada ao projeto. A grande estrela da feira: BESS Entre as novidades levadas pela Ecori à Intersolar 2026, Marcelo não hesita ao indicar o principal destaque: armazenamento de energia. “A grande estrela da feira, vamos dizer assim, é o BESS da APsystems.” A mudança é simbólica. A APsystems é conhecida globalmente por sua presença em eletrônica de potência e soluções de geração distribuída, mas também vem ampliando sua linha de armazenamento. A própria empresa divulga atualmente diferentes arquiteturas APstorage para aplicações residenciais e comerciais, enquanto a Ecori aparece como distribuidora dessas soluções no Brasil. (LinkedIn) Isso significa que uma relação comercial historicamente associada ao microinversor começa a entrar em outro território. Baterias. E desta vez o produto já está no Brasil Existe um detalhe comercial importante na entrevista. O produto apresentado não está apenas em catálogo. Segundo Marcelo, equipamentos já estavam fisicamente no centro de distribuição da Ecori em Mirassol, no interior paulista, durante a feira. “Está em casa. É pedir e chegar.” Essa disponibilidade muda bastante a dinâmica para o integrador. Em tecnologias novas, um dos principais obstáculos costuma ser o prazo. Importação. Embarque. Desembaraço. Estoque. Entrega. Quando existe produto nacionalizado e disponível localmente, o projeto pode avançar mais rapidamente. E, segundo Marcelo, isso já começou. “Já tem pedido, já tem instalado, tem pedido saindo, pedido entrando.” Mas onde a bateria já fecha a conta hoje? Essa é talvez a pergunta mais importante para o mercado. Porque BESS pode ser tecnicamente impressionante. Mas investimento precisa entregar retorno. Marcelo aponta uma aplicação específica onde enxerga uma oportunidade especialmente clara: peak shaving associado à diferença tarifária entre horários de ponta e fora de ponta. Em determinados consumidores comerciais ou industriais, a energia pode custar muito mais em determinadas horas. A lógica do armazenamento é simples. A bateria carrega quando a energia é mais barata. Depois entrega energia durante períodos mais caros. O consumidor reduz a quantidade de eletricidade comprada da rede justamente no momento de maior custo. A bateria começa a virar instrumento financeiro Esse é um ponto essencial. Durante muito tempo, armazenamento foi apresentado principalmente como segurança. A rede caiu? A bateria mantém cargas críticas. Mas aplicações comerciais começam a mudar essa narrativa. Agora a pergunta pode ser: quanto dinheiro a bateria consegue economizar por mês? Marcelo afirma que, em determinados perfis tarifários, os projetos avaliados pela Ecori podem apresentar retornos bastante curtos. Na entrevista, ele cita cenários de dois a três anos de payback. É importante tratar essa estimativa exatamente como ela é: um exemplo comercial citado por Marcelo, condicionado ao perfil específico de consumo, tarifas, dimensionamento, custo do sistema e estratégia de operação. Não existe um payback universal para BESS. Mas a ideia central é poderosa. Quando uma bateria consegue produzir economia mensurável todos os meses, ela deixa de ser apenas um equipamento de contingência. Passa a ser um ativo econômico. Peak shaving: usar a bateria quando a eletricidade fica cara Imagine uma indústria com um grande consumo no horário de ponta. Sem armazenamento, toda aquela demanda precisa vir da rede. Com uma bateria corretamente dimensionada, parte dessa potência pode ser fornecida pelo próprio sistema de armazenamento. A curva muda. O pico diminui. E junto com ele pode cair parte do custo de energia. Essa é a essência do peak shaving. Em determinadas estruturas tarifárias, também é possível aproveitar diferenças entre períodos de maior e menor custo de energia. A bateria passa a ser carregada estrategicamente. Não porque acabou a luz. Mas porque a matemática recomenda carregar naquele momento. O próximo integrador terá que saber fazer conta A fala de Marcelo durante a entrevista é provocativa: “É um projeto que o cara só não fecha se não souber fazer conta.” A frase é informal, mas esconde uma transformação séria. O armazenamento exige que o integrador desenvolva uma competência que vai além da instalação elétrica. Ele precisa entender: perfil de carga; curva de consumo; tarifas; demanda; horários; potência; capacidade energética; ciclos; degradação; investimento; economia; payback. Em solar fotovoltaica convencional, muitas análises podiam ser resumidas em geração anual e economia esperada. No BESS, o valor depende muito mais de quando a energia é consumida e de como o sistema será operado. Por isso a Ecori montou uma equipe dedicada Marcelo reconhece essa complexidade. “O atendimento para BESS é uma coisa muito específica.” A empresa, segundo ele, estruturou um time especializado justamente para trabalhar essa etapa. Durante a conversa, cita profissionais como Cláudio, Murilo, Dani Paião e Diego. Não é apenas uma mudança organizacional. É reflexo de uma tendência que deve se espalhar pelo mercado. Distribuidores que antes concentravam seus esforços em logística e disponibilidade de produtos passam a precisar também de: pré-venda técnica; engenharia de aplicação; dimensionamento; simulação financeira; suporte comercial; pós-venda. O produto se torna mais complexo. Consequentemente, a venda também. BESS não se vende como módulo solar Um módulo possui uma especificação relativamente direta. Potência. Eficiência. Dimensões. Garantia. O BESS não. Dois clientes podem comprar exatamente a mesma bateria e obter resultados econômicos completamente diferentes. Por quê? Porque a bateria responde ao comportamento da carga. Uma indústria que trabalha 24 horas possui uma curva. Um supermercado tem outra. Um hotel tem outra. Uma fábrica com elevada demanda no horário de ponta possui outra. Portanto, vender armazenamento começa com uma pergunta: como esse cliente usa energia? A Ecori tenta deixar de vender apenas equipamentos e passar a vender aplicações Essa mudança talvez seja mais importante que o próprio aumento de catálogo. Ao ampliar o portfólio, a empresa começa a se aproximar de um modelo no qual cada projeto pode receber uma arquitetura diferente. Residencial? Uma solução. Comercial? Outra. Indústria com demanda elevada? Outra. Backup? Outra. Peak shaving? Outra. O slogan “do micro ao macro” ganha então um segundo significado. Não é apenas potência. É amplitude de aplicações. Uma parceria histórica também entra em nova fase A relação entre Ecori e APsystems atravessa boa parte da trajetória da empresa. Agora essa parceria se estende ao armazenamento. O portfólio divulgado pela APsystems Brasil inclui soluções APstorage para diferentes configurações elétricas, entre elas versões monofásicas, bifásicas e trifásicas, reforçando justamente essa tentativa de ampliar as aplicações de armazenamento no mercado brasileiro. (LinkedIn) A expansão também acontece em outras frentes. Publicações recentes vinculadas a Marcelo mostram a Ecori incorporando ao catálogo inversores produzidos no Brasil com código FINAME, sinal de uma estratégia de diversificação mais ampla do portfólio. (LinkedIn) Essa informação ajuda a entender que “do micro ao macro” não é apenas uma campanha criada para a feira. Existe uma mudança real de catálogo acontecendo por trás dela. Disponibilidade pode ser tão importante quanto tecnologia Outro detalhe da conversa merece atenção. Quando Marcelo enfatiza que os equipamentos estão no centro de distribuição, ele toca em uma variável frequentemente subestimada no setor energético: tempo. Um integrador pode ter o projeto. Pode ter o cliente. Pode ter financiamento. Pode ter engenharia. Mas, se o equipamento demora três ou quatro meses para chegar, toda a operação fica parada. Em mercados competitivos, estoque vira vantagem. No armazenamento, onde muitos equipamentos ainda dependem de cadeias internacionais complexas, essa vantagem pode ser ainda maior. De distribuidor a plataforma de soluções Historicamente, a palavra “distribuidor” remetia principalmente a estoque. Compra grande. Importação. Venda para integrador. Entrega. Mas a complexidade tecnológica está transformando essa função. O distribuidor moderno precisa agregar: logística; crédito; engenharia; treinamento; garantia; suporte; dimensionamento; compatibilidade; pós-venda. E agora, com BESS, pode precisar ajudar até na análise econômica do projeto. É uma mudança importante. O valor deixa de estar apenas na caixa entregue. Passa a estar no conhecimento necessário para fazer a caixa gerar resultado. 2027: Marcelo aposta na resiliência do solar Na parte final da entrevista, Ricardo pergunta o que esperar de 2027. Marcelo demonstra cautela em relação ao ambiente político e regulatório, mas mantém uma leitura otimista sobre o fundamento do mercado. A razão é simples: o recurso existe. “Temos muito sol aqui no Brasil inteiro.” Sua avaliação é de que a energia solar continuará demonstrando resiliência. Políticas podem mudar. Regras podem mudar. Ciclos econômicos podem desacelerar. Mas a combinação entre recurso solar, necessidade de redução de custos e evolução tecnológica permanece. A questão não é mais se o solar continuará. É de que forma continuará Essa talvez seja a leitura mais interessante para 2027. O crescimento pode não acontecer exatamente com os mesmos produtos que impulsionaram 2020, 2021 ou 2022. O mercado amadurece. E mercados maduros se fragmentam. O residencial continuará existindo. Mas haverá armazenamento. Hibridização. C&I. Projetos financiados. Gerenciamento energético. Backup. Peak shaving. Modernização de sistemas existentes. O crescimento passa a acontecer em várias frentes simultaneamente. É justamente esse cenário que explica a decisão da Ecori. Análise EnergyChannel | O setor solar está deixando de vender watts e começando a vender soluções Durante a primeira década da expansão fotovoltaica brasileira, o jogo era relativamente simples. Mais watts. Mais módulos. Mais telhados. Mais usinas. Mais gigawatts. O mercado cresceu vendendo geração. Mas chega um momento em que o cliente deixa de perguntar apenas: “Quanto esse sistema gera?” E começa a perguntar: Quanto eu economizo no horário de ponta? Quanto tempo consigo operar sem a rede? Posso armazenar excedente? Consigo reduzir minha demanda? Qual é o meu payback? Qual equipamento se encaixa no meu perfil? Consigo financiar? Existe estoque? Quem fará a engenharia? Quem vai me atender depois? Essas perguntas criam outro mercado. E talvez seja justamente aí que a estratégia “do micro ao macro” faça mais sentido. A Ecori não está apenas aumentando o número de produtos no catálogo. Está tentando acompanhar a fragmentação das necessidades energéticas do consumidor. BESS pode ser o produto que muda a conversa Existe uma razão para Marcelo chamar o armazenamento de estrela da feira. Painéis reduzem o preço da energia produzida. Baterias adicionam algo diferente: tempo. Elas permitem decidir quando utilizar aquela energia. E o tempo possui valor econômico. Uma quilowatt-hora às 3 da manhã não necessariamente vale o mesmo que uma quilowatt-hora no horário de maior demanda. Quando o sistema consegue deslocar energia entre esses momentos, surge uma nova camada de valor. É por isso que BESS pode mudar profundamente o modelo de negócio dos integradores. Eles deixam de vender apenas geração. Passam a vender: geração + armazenamento + inteligência financeira. O integrador da próxima década provavelmente será menos instalador e mais consultor energético Essa transformação também muda a profissão. O instalador continuará sendo fundamental. Mas o integrador que dominar armazenamento precisará entender muito mais do cliente. Talvez tenha que analisar meses de faturas. Curvas de carga. Contratos tarifários. Perfil operacional. Picos de demanda. Horas de funcionamento. Risco de interrupção. E somente depois escolher o equipamento. Isso aproxima o setor solar de uma indústria de gestão energética. Do micro ao macro e do produto para o problema Talvez seja possível resumir toda a estratégia apresentada por Marcelo em outra frase. No passado, o cliente escolhia um produto. No futuro, o integrador terá primeiro que identificar um problema. Conta alta? Solar. Pico tarifário? BESS. Queda de energia? Backup. Crescimento futuro? Sistema modular. Financiamento específico? Equipamento compatível. Projeto residencial? Uma arquitetura. Projeto industrial? Outra. O catálogo deixa de ser o começo da conversa. O problema energético do cliente passa a ser o começo. A segunda fase do solar brasileiro pode ser menos sobre instalar mais e mais sobre fazer melhor O Brasil ainda possui enorme espaço para novos sistemas fotovoltaicos. Mas o amadurecimento do setor começa a trazer uma segunda oportunidade igualmente interessante: extrair mais valor da infraestrutura energética. Painéis continuam importantes. Microinversores continuam importantes. Grandes inversores continuam importantes. Mas baterias acrescentam uma peça que estava faltando. Capacidade de escolha. Guardar. Mover. Administrar. Responder. Essa pode ser uma das grandes transformações dos próximos anos. A primeira revolução solar colocou geração nas mãos do consumidor. A segunda poderá colocar controle. E é por isso que a imagem da Ecori na Intersolar 2026 representa algo maior que um novo catálogo. Uma empresa que nasceu trabalhando com um portfólio concentrado agora olha para um mercado no qual nenhuma única tecnologia consegue responder a todos os problemas. Daí o novo lema: do micro ao macro. Porque o mercado solar brasileiro também está fazendo exatamente esse movimento. Está saindo de uma única solução. E entrando em uma era de múltiplas respostas para múltiplos desafios energéticos. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Entrevistado: Marcelo von Gal Empresa: Ecori Energia Solar Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Do micro ao macro: Ecori amplia portfólio, aposta em BESS e entra em uma nova fase do mercado solar

  • O Brasil precisa reforçar a rede antes de acelerar de novo: SMA e Tecnova apostam em BESS, Grid Forming e engenharia de alta tensão

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Rodrigo Cardoso Gatti, Country Manager da SMA Brasil, e Rafael Ortiz, diretor comercial da Tecnova, explicam por que armazenamento, controle avançado, modelagem para o ONS e infraestrutura de transmissão serão decisivos para destravar uma nova onda de investimentos em renováveis no país O Brasil precisa reforçar a rede antes de acelerar de novo: SMA e Tecnova apostam em BESS, Grid Forming e engenharia de alta tensão Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Durante anos, o desafio brasileiro foi colocar mais energia renovável na rede. Agora surge uma pergunta mais difícil: Quanto mais solar e eólica o sistema consegue receber sem perder estabilidade, confiabilidade e capacidade de financiamento? A resposta não está em uma única tecnologia. Ela passa por baterias. Compensação síncrona. Compensação estática. Eletrônica de potência. Grid Forming. Controle de frequência. Controle de tensão. Modelagem dinâmica. Novas subestações. E, sobretudo, integração entre quem fabrica os equipamentos e quem efetivamente conecta esses ativos ao sistema elétrico. Foi exatamente esse ponto que emergiu da conversa do EnergyChannel com Rodrigo Cardoso Gatti, Country Manager da SMA Brasil, e Rafael Ortiz, diretor comercial da Tecnova, durante o primeiro dia da Intersolar South America 2026. Mais do que anunciar uma parceria comercial, os dois apresentaram uma leitura sobre o que pode ser uma das próximas grandes mudanças da infraestrutura elétrica brasileira: BESS deixando de ser apenas um ativo de geração e começando a assumir funções diretamente ligadas à estabilidade da rede. Antes da bateria existe uma infraestrutura inteira Rafael começa a entrevista explicando uma característica fundamental da Tecnova. A companhia atua como EPCista, com especialização em subestações de alta tensão. Isso significa participar de praticamente toda a cadeia necessária para transformar um projeto energético em um ativo conectado à rede. Projeto básico. Engenharia executiva. Aquisição dos equipamentos. Construção. Comissionamento. Conexão. É uma posição particularmente estratégica para a nova fase das renováveis. Porque instalar baterias em grande escala não significa simplesmente posicionar contêineres de células em um terreno. É necessário conectá-las ao sistema. E essa conexão acontece dentro de uma infraestrutura elétrica complexa. “Nosso modelo de negócio principal é subestação de alta tensão e a gente verticaliza toda a engenharia necessária.” Solar, eólica, transmissão e, agora, BESS passam necessariamente por esse território. É aí que SMA e Tecnova se encontram A relação entre as duas companhias não começou com armazenamento. Rafael lembra que a Tecnova trabalha com soluções SMA há anos, acompanhando a expansão brasileira tanto em geração distribuída quanto centralizada. Mas o armazenamento acrescenta uma dificuldade nova. Nos projetos associados aos futuros mecanismos de contratação de baterias, não basta selecionar equipamentos de potência. Será necessário demonstrar tecnicamente que eles se comportarão da maneira exigida pelo sistema elétrico. E isso envolve algo que aparece repetidamente durante a conversa: modelagem. “A ONS vai ter que aprovar a modelagem dos equipamentos e é um prazo muito curto. Esse é um trabalho muito difícil.” É justamente aí que Rafael identifica o principal valor da SMA. Não apenas possuir o equipamento. Mas conhecer a engenharia por trás da interação desse equipamento com a rede. Quando uma bateria precisa provar como vai se comportar antes mesmo de ser construída Um dos aspectos menos visíveis de grandes projetos elétricos é a quantidade de simulações realizadas antes da energização. O operador precisa saber como aquele ativo reagirá se: a frequência cair; a tensão variar; acontecer uma falta; uma grande unidade sair do sistema; a rede se enfraquecer; ou houver uma perturbação importante. Modelos digitais tentam reproduzir o comportamento futuro desses equipamentos. E o desempenho real precisa ser coerente com aquilo que foi aprovado. Por isso a modelagem deixa de ser um detalhe de engenharia e se transforma em uma questão bancável. Se o projeto não consegue provar que funcionará dentro dos requisitos do sistema, ele pode não chegar à operação comercial. SMA quer entregar mais do que o inversor Rodrigo explica que a SMA se posiciona hoje com uma solução mais ampla para grandes sistemas de armazenamento. O inversor é apenas uma parte. A arquitetura inclui também sistemas de controle de planta e integração que permitem coordenar o comportamento do ativo diante da rede. Entre eles está o PPC — Power Plant Controller. “A SMA traz a solução completa e toda a responsabilidade de fazer essa integração e prover todas as modelagens necessárias.” Essa mudança é relevante. No passado, o mercado podia olhar para o inversor principalmente como um conversor de energia. Agora ele se transforma em um componente ativo da estabilidade elétrica. O ONS não quer apenas energia. Quer previsibilidade de comportamento Rodrigo explica que a preocupação do operador está diretamente ligada à resposta do sistema nos momentos críticos. Controle de frequência. Controle de tensão. Resposta dinâmica. Inércia. Estabilidade. O equipamento precisa reagir conforme planejado. E o modelo utilizado nos estudos precisa representar essa resposta de forma confiável. É uma lógica que ganha importância à medida que a matriz recebe volumes crescentes de fontes conectadas por inversores. Usinas convencionais contribuíam historicamente com diversas características elétricas de forma inerente às suas máquinas síncronas. Com solar, eólica e baterias, muitas dessas funções precisam ser reproduzidas através de eletrônica de potência e controle. A rede do futuro será parcialmente definida por software Aqui aparece uma das mudanças mais profundas da transição energética. Parte das características do sistema elétrico que durante décadas eram determinadas pela física das grandes máquinas passam a ser programáveis. O inversor pode responder. O controlador pode alterar parâmetros. Algoritmos podem modificar sua reação diante de um distúrbio. É justamente nesse contexto que tecnologias como Grid Forming ganham importância. A SMA descreve oficialmente Grid Forming como uma tecnologia fundamental para integrar elevados níveis de renováveis em redes existentes, permitindo que sistemas baseados em armazenamento contribuam com estabilidade, inércia sintética, controle de frequência e suporte durante perturbações. (SMA Solar) Em outras palavras: a bateria armazena energia. Mas a eletrônica de potência pode ajudar a sustentar a rede. Austrália: um laboratório do que pode acontecer no Brasil Quando Ricardo pergunta sobre a experiência internacional da SMA, um país aparece com destaque: Austrália. É um paralelo importante. O país viveu expansão acelerada de geração renovável e precisou elevar rapidamente os requisitos técnicos de conexão e estabilidade. A SMA participou de projetos pioneiros de Grid Forming no mercado australiano, incluindo o sistema de armazenamento de Torrens Island, de 250 MW / 250 MWh, para o qual forneceu inversores centrais Grid Forming. (SMA Solar) Rodrigo resume a lógica: o Brasil não precisa necessariamente inventar tudo do zero. Pode observar mercados que chegaram antes aos mesmos problemas. Aprender. Adaptar. E evitar alguns erros. Chile: quatro horas de armazenamento e uma ponte direta com o Brasil Essa transferência de conhecimento já está acontecendo. Rodrigo confirma durante a entrevista uma missão técnica ao Chile com representantes brasileiros. A própria SMA registrou oficialmente que, em maio de 2026, recebeu uma delegação formada por representantes do ONS e da Eneva no projeto BESS Diego de Almagro Sur II. O objetivo foi justamente conhecer a experiência chilena com armazenamento de grande escala e tecnologias Grid Forming. (SMA Solar) O projeto ajuda a mostrar a dimensão da nova indústria. São 228 MW de potência e 918 MWh de capacidade, equivalentes a quatro horas de armazenamento. A SMA fornece 67 sistemas de média tensão equipados com inversores Sunny Central Storage, além do sistema de controle da planta. (SMA Solar) Isso significa que a conversa realizada na Intersolar não é teórica. Existe uma instalação real na América Latina funcionando como referência tecnológica para o que poderá ser desenvolvido no Brasil. Quatro horas podem mudar a função de uma bateria Uma bateria de curta duração pode responder rapidamente a perturbações. Uma bateria de quatro horas começa a participar de outra lógica. Ela pode deslocar grandes blocos de energia ao longo do dia. Absorver geração renovável em determinados períodos. Entregar potência em horários de maior necessidade. Participar de serviços de estabilidade. Isso transforma o BESS em um ativo híbrido: energia + potência + estabilidade. E é justamente essa multiplicidade de funções que torna o armazenamento tão estratégico. Mas existe um problema ainda maior: curtailment Quando a conversa passa para o futuro dos investimentos, Rafael coloca o dedo em uma das feridas mais sensíveis do mercado brasileiro. Curtailment. Quando o operador limita a produção de uma usina, o ativo perde receita potencial. Se isso acontece sem previsibilidade suficiente, a consequência ultrapassa o problema operacional. Vira problema financeiro. O investidor precisa projetar receita para pagar o financiamento. O banco precisa entender o risco. Se ninguém consegue estimar quanto uma usina poderá efetivamente produzir e vender no futuro, o modelo financeiro começa a perder referência. Rafael resume: “Se o financeiro não entra, o dinheiro não roda.” Talvez seja uma das frases mais importantes de toda a entrevista. Curtailment não é apenas um problema da usina. É um problema de capital Imagine um projeto renovável financiado com base em determinada expectativa de geração. O modelo calcula: produção; receita; fluxo de caixa; serviço da dívida; retorno sobre o capital. Agora introduza uma variável nova: parte da geração talvez precise ser cortada. Quanto? Quando? Por quanto tempo? Em quais regiões? Com qual compensação? Se o mercado não consegue responder, a percepção de risco aumenta. O banco exige mais garantias. O custo de capital pode subir. O investidor adia decisões. O desenvolvimento diminui. É assim que um problema técnico da rede começa a influenciar diretamente a expansão futura da geração. BESS pode ajudar. Mas não é uma solução mágica Rafael é cuidadoso nesse ponto. Armazenamento abre uma saída. Mas não resolve sozinho todos os problemas. “O BESS vem como mais um item dessa cadeia. Ele não resolve o problema sozinho. Tem uma questão regulatória para ser resolvida.” Isso é fundamental. Uma bateria não cria automaticamente capacidade de transmissão. Não elimina todas as restrições. Não resolve indefinições regulatórias. Não substitui reforços estruturais. Mas pode oferecer uma nova ferramenta. Em determinadas situações, energia que seria limitada pode ser armazenada. Em outras, o BESS pode participar de serviços de capacidade e estabilidade. Em outras ainda, pode funcionar como ativo associado à própria infraestrutura de rede. A próxima onda de investimento pode estar na estabilidade Rafael identifica três grupos de tecnologias que devem ganhar relevância: compensação síncrona; compensação estática; BESS. Todas respondem, de maneiras diferentes, a uma mesma necessidade: reforçar eletricamente o sistema. O Brasil possui enorme recurso solar e eólico. Mas não adianta possuir recurso natural abundante se a rede não consegue receber essa energia de forma segura. Por isso a próxima fase da transição pode exigir investimentos menos visíveis que os parques solares. Equipamentos dentro de subestações. Sistemas de controle. Compensadores. Conversores. Baterias. Software. Antes de expandir, talvez seja preciso fortalecer A lógica apresentada por Rafael é clara. Primeiro: sustentar a rede que já existe. Depois: expandir a capacidade de extrair mais energia solar e eólica. Isso coloca a infraestrutura elétrica no centro da transição. Por anos, os holofotes estiveram sobre os geradores. Agora começam a se mover em direção à transmissão. Sem uma rede forte, geração renovável barata pode permanecer presa longe dos consumidores. BESS pode deixar de ser apenas ativo de geração Existe ainda uma fronteira particularmente interessante mencionada na conversa: baterias utilizadas como ativos associados à transmissão. Isso muda profundamente a maneira de enxergar armazenamento. Tradicionalmente, uma bateria pode ser pensada como ativo comercial: carrega barato; descarrega caro; presta serviços; armazena renovável. Mas o mesmo equipamento pode ser utilizado para melhorar o comportamento do sistema em determinado ponto da rede. Quando isso acontece, armazenamento começa a competir — ou complementar — investimentos tradicionais de transmissão. É uma nova categoria econômica. O futuro da rede poderá misturar inércia física e inércia eletrônica Rafael utiliza uma expressão importante: “A rede está precisando de inércia, seja ela física, seja ela eletrônica de potência.” Essa frase resume uma das maiores transformações dos sistemas elétricos modernos. A inércia tradicional vem de grandes massas rotativas sincronizadas à rede. Turbinas. Geradores. Máquinas. Mas à medida que a matriz muda, parte desse comportamento pode ser reproduzida eletronicamente. É aí que entram inversores avançados e Grid Forming. A SMA afirma que suas soluções Grid Forming podem fornecer inércia sintética, resposta rápida de frequência, suporte de tensão e maior capacidade de atravessar perturbações da rede. (SMA Solar) O parceiro não pode ser escolhido apenas pelo preço No final da conversa, Rafael explica por que a Tecnova escolheu a SMA. Ele precisava de duas coisas. Primeiro: uma arquitetura de EMS/PPC que pudesse ser integrada ao skid. Segundo: experiência real em lidar com os requisitos e processos dos operadores de sistema. “Dentre as conversas que tivemos, a SMA se destacou de longe como o player certo para essa parceria.” Essa escolha revela outra mudança na indústria. Quando o projeto envolve rede, modelagem, estabilidade e homologação, o risco tecnológico passa a valer tanto quanto o preço do equipamento. Talvez até mais. Tecnova + SMA: dividir responsabilidades para reduzir riscos A arquitetura da parceria faz sentido justamente porque as competências são complementares. De um lado, a Tecnova: engenharia; subestação; EPC; equipamentos de alta tensão; construção; comissionamento; integração local. Do outro, a SMA: conversão de potência; controle; PPC; Grid Forming; modelagem; experiência internacional em grandes sistemas de armazenamento. O resultado esperado é uma solução que chegue ao cliente de maneira mais integrada. Esse tipo de parceria tende a ganhar importância conforme os projetos aumentam em escala. Porque ninguém quer descobrir, depois da obra pronta, que uma interface crítica ficou sem responsável. Agnóstico em relação à bateria Rodrigo acrescenta um detalhe interessante. A proposta foi estruturada para trabalhar com diferentes fabricantes de bateria. Isso significa separar duas partes da arquitetura. De um lado: as células e sistemas de armazenamento. Do outro: conversão, integração e controle. Esse desenho oferece flexibilidade. O desenvolvedor pode selecionar a bateria mais adequada ao projeto sem necessariamente alterar toda a camada de eletrônica de potência. É também um sinal de amadurecimento do mercado. Os sistemas começam a ser pensados como arquiteturas interoperáveis e não necessariamente como caixas fechadas. O Brasil não precisa repetir exatamente os erros dos outros A experiência internacional aparece repetidamente na conversa. Austrália. Estados Unidos. Alemanha. Reino Unido. Chile. Cada mercado enfrentou desafios diferentes. Mas todos ajudam a construir uma biblioteca técnica. Como um sistema se comporta com alta participação renovável? Como o Grid Forming responde? Quais modelos funcionam? Quais requisitos são necessários? Como estruturar quatro horas de armazenamento? Como homologar controle? Como fazer Black Start? Como manter estabilidade? O Brasil pode adaptar esse conhecimento. Isso reduz uma das maiores incertezas de qualquer tecnologia nova: não saber se funciona em escala. O verdadeiro ativo pode ser a experiência acumulada Um inversor pode ser comprado. Um skid pode ser fabricado. Uma bateria pode ser importada. Mas experiência em conectar centenas de megawatts a sistemas elétricos diferentes não aparece instantaneamente. Ela se acumula. Projeto após projeto. Falha após falha. Código de rede após código de rede. É justamente esse aprendizado que SMA e Tecnova tentam transformar em vantagem competitiva. Análise EnergyChannel | A próxima revolução renovável brasileira pode acontecer nas subestações Durante a primeira grande onda solar, o símbolo da transição energética era fácil de fotografar. Painéis azuis. Usinas gigantes. Telhados solares. Na próxima fase, parte da transformação será quase invisível. Ela estará dentro das subestações. Nos inversores. Nos controladores. Nos modelos computacionais. Nos compensadores. Nos sistemas de armazenamento. E nos algoritmos responsáveis por manter milhares de equipamentos sincronizados. Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes que emerge da Intersolar 2026. O Brasil já provou que consegue instalar renováveis. Agora precisa provar que consegue operar um sistema com participação cada vez maior dessas fontes. E isso exige outra infraestrutura. Não é mais apenas construir geração. É construir estabilidade. A entrevista com Rodrigo Cardoso Gatti e Rafael Ortiz mostra justamente esse deslocamento. A SMA traz décadas de experiência em eletrônica de potência e projetos globais. A Tecnova traz a engenharia que conecta grandes ativos ao sistema brasileiro. BESS aparece no centro. Mas não isoladamente. Ele faz parte de uma arquitetura que inclui transmissão, subestação, PPC, modelagem, regulação e financiamento. E talvez esse seja o ponto mais importante. O armazenamento não será revolucionário simplesmente porque consegue guardar energia. Será revolucionário se conseguir resolver problemas do sistema elétrico suficientes para justificar seu investimento. Reduzir restrições. Entregar potência. Contribuir com estabilidade. Apoiar frequência. Apoiar tensão. Criar inércia sintética. Ajudar na recuperação da rede. Dar mais previsibilidade ao investidor. Se conseguir fazer tudo isso, a bateria deixa de ser equipamento. Vira infraestrutura. E existe uma consequência econômica direta. Quando Rafael diz que sem referência “o financeiro não entra”, ele lembra que a transição energética não acontece apenas com engenharia. Ela precisa de capital. E capital precisa de previsibilidade. Portanto, talvez a grande batalha brasileira dos próximos anos aconteça em duas redes simultaneamente. Na rede elétrica, será necessário controlar tensão, frequência, inércia e estabilidade. Na rede financeira, será necessário controlar risco, previsibilidade, receita e regulação. Se as duas funcionarem, o investimento volta a rodar. E quando o dinheiro voltar a rodar, o Brasil poderá novamente acelerar uma das maiores expansões renováveis do mundo. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 A parceria apresentada por SMA e Tecnova ocorre em um momento em que a experiência internacional em armazenamento começa a ser diretamente transferida para o mercado brasileiro. Em maio de 2026, representantes do ONS participaram no Chile de uma visita técnica ao projeto Diego de Almagro Sur II, sistema de 228 MW / 918 MWh, ao lado de SMA, e-STORAGE e Colbún. A instalação foi estruturada para quatro horas de armazenamento e inclui tecnologia de controle e conversão SMA. (SMA Solar) A companhia alemã possui também experiência anterior em projetos Grid Forming na Austrália e hoje posiciona oficialmente a tecnologia como um dos instrumentos para permitir redes estáveis em cenários de elevada participação renovável. (SMA Solar) Entrevistados: Rodrigo Cardoso Gatti e Rafael Ortiz Empresas: SMA Brasil e TecnovaEntrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. O Brasil precisa reforçar a rede antes de acelerar de novo: SMA e Tecnova apostam em BESS, Grid Forming e engenharia de alta tensão

  • Da corrida pelos módulos à era do armazenamento: Trinasolar aposta em solar, trackers e baterias para a próxima fase do Brasil

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Daniel Pansarella, da Trinasolar, explica como módulos de 760 W, trackers inteligentes e sistemas de armazenamento passam a fazer parte de uma estratégia integrada — enquanto o mercado brasileiro desacelera nas importações de módulos e se prepara para uma nova fronteira de investimentos em baterias Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Durante mais de uma década, o crescimento da energia solar brasileira foi medido, principalmente, por uma unidade: gigawatts de módulos instalados. Mais painéis. Mais telhados. Mais usinas. Mais capacidade. Mas, em 2026, essa conta começou a ficar mais complexa. A indústria solar continua buscando mais potência e eficiência por metro quadrado. Ao mesmo tempo, porém, os grandes fabricantes começam a olhar para algo maior do que o módulo. Tracker. Armazenamento. Retrofit. Hibridização. Controle. Serviços de rede. E, sobretudo, uma pergunta que se torna cada vez mais importante: como extrair mais valor da infraestrutura solar que já foi construída? Foi nesse ponto que a conversa entre o EnergyChannel e Daniel Pansarella, executivo da Trinasolar na América Latina, ganhou profundidade durante a Intersolar South America 2026. A Trinasolar participa da feira deste ano apresentando exatamente essa transformação. Em suas próprias comunicações do evento, a companhia destaca módulos fotovoltaicos, rastreamento inteligente e armazenamento como partes complementares do portfólio que leva ao mercado. (LinkedIn Brasil) Para Daniel, o mercado está entrando em uma fase na qual a discussão deixa de ser apenas sobre colocar mais painéis no solo. Passa a ser sobre como combinar geração, tecnologia e armazenamento para proteger e ampliar o valor dos projetos durante décadas. 760 W: a corrida por mais energia no mesmo espaço continua Mesmo em uma indústria que começa a falar de sistemas completos, o módulo continua evoluindo. Na Intersolar 2026, um dos grandes destaques apresentados pela Trinasolar é a nova geração Vertex N G3, que alcança até 760 W de potência. A especificação oficial da fabricante confirma também eficiência de até 24,5%, bifacialidade de até 85% ±5 e degradação linear anual declarada de 0,35%. (Trina Solar) Daniel resume o objetivo dessa evolução: mais potência por espaço. Mais geração por metro quadrado. Mais energia ao longo da vida útil. E mais receita potencial para o projeto. Essa busca por densidade de potência possui impacto direto na engenharia. Se cada módulo entrega mais energia, potencialmente são necessários menos módulos para alcançar determinada potência instalada. Isso pode significar menos estruturas. Menos cabos. Menos conectores. Menos mão de obra. Menos área. Em grandes projetos, cada uma dessas economias multiplicada milhares de vezes pode alterar significativamente o resultado financeiro. A eficiência agora precisa ser medida no sistema inteiro Durante muito tempo, o mercado comparou módulos pela potência escrita na etiqueta. Mas essa lógica está mudando. O investidor não compra watts. Ele compra produção de energia durante décadas. É por isso que Daniel insiste em olhar também para eficiência, bifacialidade, degradação e confiabilidade. Um módulo que começa com potência elevada, mas perde desempenho rapidamente, pode entregar menos valor durante a vida do projeto. Já um equipamento que mantém produção mais estável ao longo de 25 ou 30 anos pode alterar significativamente a matemática do ativo. A Trinasolar declara para o Vertex N G3 uma garantia de potência de 30 anos e baixa degradação linear, justamente posicionando o produto dentro dessa lógica de longo prazo. (Trina Solar) Bifacialidade de 85%: a energia também vem de trás Outra evolução importante está na capacidade dos módulos bifaciais de aproveitar a radiação refletida pelo solo. No Vertex N G3, a Trinasolar informa bifacialidade de até 85% ±5. (Trina Solar) Isso significa que a face traseira do módulo passa a contribuir de forma cada vez mais relevante para a geração total. Em locais com alto albedo e projetos corretamente dimensionados, essa produção adicional pode elevar o yield energético. E quando esse módulo é combinado com rastreadores solares, outra camada de otimização aparece. O módulo deixa de trabalhar sozinho A Trinasolar possui uma característica que poucos grandes fabricantes conseguem replicar de forma integrada: ela atua simultaneamente em módulos, trackers e armazenamento. A TrinaTracker, unidade especializada da companhia, havia superado 27 GW de rastreadores entregues globalmente até o fim de 2024, em mais de 60 países. (Trina Solar) Isso muda a lógica de desenvolvimento. O módulo pode ser pensado em conjunto com o tracker. O tracker pode ser otimizado para a geometria e as características elétricas do módulo. A estratégia de rastreamento pode considerar condições do terreno. E todo esse sistema pode, posteriormente, conversar com armazenamento. Ou seja: o painel começa a deixar de ser um produto isolado e passa a ser componente de uma arquitetura energética maior. A Trinasolar quer deixar de ser vista apenas como fabricante de painéis Essa é talvez a mudança mais clara na entrevista. Daniel descreve a empresa hoje em três grandes frentes: módulos; trackers; storage. Em 2025, a própria companhia já havia estruturado no Brasil equipes locais dedicadas às três unidades de negócio. (Trina Solar) E isso muda a relação com os clientes. O desenvolvedor de uma grande usina pode conversar com a mesma empresa sobre diferentes componentes críticos do projeto. Não significa necessariamente que todos precisarão comprar a solução inteira do mesmo fornecedor. Mas significa que fabricantes como a Trinasolar estão tentando participar de uma parcela maior da cadeia de valor. O próximo grande mercado pode estar nas usinas que já existem Quando a conversa passa para baterias, Daniel levanta um ponto especialmente importante para o Brasil. O país já construiu dezenas de gigawatts de energia solar. Isso significa que a próxima oportunidade não está necessariamente apenas nos projetos novos. Está também nos antigos. Retrofit. Uma usina que entrou em operação anos atrás poderá, em algum momento, trocar inversores. Adicionar módulos. Modernizar sistemas de controle. Adicionar baterias. Hibridizar sua operação. E essa transformação pode criar um mercado gigantesco. Daniel resume essa lógica: “Todos esses projetos vão ter capacidade de passar por um retrofit.” A afirmação não significa que todos economicamente farão isso. Mas identifica uma tendência importante. A base instalada se transforma em mercado futuro. A bateria pode dar uma segunda vida econômica à usina solar Imagine uma planta construída quando módulos eram menos potentes e armazenamento ainda era economicamente difícil. Anos depois, o cenário muda. Baterias ficam mais competitivas. Inversores evoluem. A regulação avança. Novos serviços de energia aparecem. De repente, aquele mesmo projeto pode ser redesenhado. Não necessariamente substituindo o que existe. Mas adicionando uma nova camada de valor. Para Daniel, armazenamento pode trazer tanto proteção ao investimento existente quanto novas possibilidades de receita. E isso se torna particularmente relevante em sistemas que enfrentam limitações de despacho. Curtailment transforma energia produzível em receita perdida Esse é um dos maiores problemas enfrentados pela geração renovável em diferentes mercados. Uma usina está disponível para produzir. Existe sol. Existe vento. Mas o sistema elétrico não consegue absorver toda aquela energia. O operador determina redução de geração. É o chamado curtailment. Para o investidor, a consequência é frustrante: a infraestrutura está pronta; o recurso natural está disponível; mas parte da energia deixa de ser vendida. Armazenamento pode ajudar em alguns desses cenários. Em vez de simplesmente perder toda a energia que não pôde ser injetada naquele momento, uma parcela poderá ser armazenada e utilizada posteriormente, desde que a arquitetura técnica e regulatória permita. Por isso Daniel enxerga BESS não apenas como uma nova tecnologia, mas como ferramenta potencial de proteção do investimento solar existente. Da GD à geração centralizada O armazenamento poderá aparecer em diferentes escalas. Na geração distribuída, baterias podem adicionar backup, autonomia e novas estratégias de consumo. Na geração centralizada, podem apoiar deslocamento de energia, capacidade e redução de impactos associados a restrições operacionais. Isso significa que o mercado de storage não será um mercado único. Será composto por diferentes aplicações. E é justamente essa multiplicidade que torna 2026 um ano estratégico. O Brasil finalmente entra na corrida dos grandes leilões de baterias Durante a entrevista, Daniel faz uma provocação: o Brasil teria demorado mais que outros países da América Latina para estruturar mecanismos específicos para armazenamento. Essa crítica ganhou relevância porque o cenário regulatório mudou. A ANEEL abriu em julho de 2026 consultas públicas para os dois primeiros leilões brasileiros destinados à contratação de sistemas de armazenamento em baterias de grande porte. Os certames estão previstos para 2 e 4 de dezembro de 2026, com contratos de 15 anos e início de suprimento em agosto de 2028. (Serviços e Informações do Brasil) Ou seja: a discussão deixou definitivamente de ser teórica. O Brasil começa a construir um mercado institucional para storage. Um dos leilões exigirá bateria fabricada no Brasil Existe ainda outro elemento decisivo. Segundo a ANEEL, o chamado leilão de Armazenamento Nacional prevê utilização de baterias fabricadas no Brasil, enquanto o leilão de Armazenamento Geral não possui a mesma exigência. (Serviços e Informações do Brasil) Isso muda completamente a conversa. Não estamos discutindo apenas importação de equipamentos. Estamos discutindo: cadeia produtiva; conteúdo local; financiamento; tributação; industrialização; estruturação de fornecedores. E é justamente nesse território que Daniel possui uma visão particularmente ampla. Sua experiência profissional inclui comércio exterior, tributação, estruturação de importações e logística, além de sua atuação atual na Trinasolar. (LinkedIn Brasil) A tecnologia pode estar pronta. Mas o investimento precisa confiar nas regras Existe uma diferença fundamental entre fabricar uma bateria e decidir investir centenas de milhões de reais em um mercado. A primeira é engenharia. A segunda envolve confiança. Regulação. Contratos. Tributação. Financiamento. Conteúdo local. Segurança jurídica. Cronogramas. Segundo Daniel, uma das dificuldades do mercado brasileiro é justamente explicar para as matrizes internacionais a velocidade e as mudanças das regras locais. Em multinacionais com operações globais, capital compete internamente. Brasil concorre com México. Chile. Argentina. Estados Unidos. Europa. Oriente Médio. Se outro país oferece regras mais previsíveis, o dinheiro pode simplesmente seguir para lá. O headquarter também precisa entender o Brasil Esse trecho da entrevista revela algo pouco discutido publicamente. Trazer investimentos para um país não depende apenas de convencer clientes locais. Executivos brasileiros também precisam convencer suas próprias sedes globais. Daniel descreve a necessidade constante de explicar: mudanças regulatórias; financiamento; tributação; índices de nacionalização; cronogramas; oportunidades; riscos. Isso faz parte da competição internacional por capital. Quando uma multinacional decide onde instalar uma cadeia industrial ou direcionar produtos estratégicos, o país precisa apresentar mais que demanda. Precisa apresentar previsibilidade. Uma equipe local deixa de ser detalhe comercial Nesse contexto, Daniel chama atenção para algo que muitas vezes desaparece na disputa por preço de módulo. Equipe. Segundo ele, uma companhia que promete garantia e desempenho por décadas precisa possuir estrutura para permanecer próxima do cliente. A Trinasolar mantém equipes locais no Brasil em módulos, trackers e armazenamento, além de funções de produto e pós-venda. A própria fabricante já destacava essa estrutura em sua comunicação institucional sobre o mercado brasileiro. (Trina Solar) Esse ponto se torna especialmente importante à medida que projetos aumentam em complexidade. Vender um módulo é uma coisa. Apoiar um ativo energético durante 20 ou 30 anos é outra. Garantia de 30 anos exige mais do que um PDF Essa talvez seja uma das mensagens comerciais mais fortes de Daniel. Se um produto promete desempenho por décadas, o investidor precisa perguntar: quem estará aqui para responder por essa promessa? Garantias longas fazem parte da competição fotovoltaica. Mas elas só possuem valor real se a empresa tiver capacidade financeira, operacional e técnica para sustentá-las. É por isso que Daniel insiste que a análise não pode terminar no preço por watt. O comprador está escolhendo também o risco corporativo de seu fornecedor. O mercado brasileiro de módulos está mudando de ritmo No final da entrevista, Daniel apresenta uma leitura importante sobre a evolução recente do mercado. Segundo suas estimativas, o volume anual de módulos destinados ao Brasil caiu significativamente em comparação aos picos recentes. Os números exatos citados por ele durante a entrevista representam sua leitura do mercado e podem variar conforme fonte, metodologia e critério — remessas, importações, capacidade adicionada ou instalações efetivamente conectadas. Mas a tendência apontada é relevante: o mercado não está crescendo no mesmo ritmo de poucos anos atrás. E isso possui implicações profundas. Quando a curva desacelera, a indústria precisa encontrar novas receitas Um mercado acostumado a expansão acelerada começa a amadurecer. Isso não significa que o solar acabou. Muito pelo contrário. Daniel destaca que ainda existe enorme potencial em rooftops e outras aplicações. Mas uma indústria madura não depende apenas de vender mais unidades do mesmo produto. Ela começa a buscar: upgrade; retrofit; armazenamento; serviços; trackers inteligentes; otimização; digitalização. É exatamente o que aconteceu em diversos outros setores tecnológicos. Primeiro cresce a infraestrutura. Depois cresce o ecossistema. Tributação também virou variável tecnológica Daniel aponta ainda o impacto das alterações tributárias e do aumento das barreiras de importação. Quando impostos aumentam, a competitividade relativa das tecnologias muda. Produtos ficam mais caros. Projetos são adiados. Margens diminuem. Investidores recalculam retorno. E fabricantes precisam decidir se: absorvem custo; repassam preço; buscam fornecedores locais; aumentam nacionalização; ou alteram sua estratégia industrial. Ou seja: uma decisão tributária pode alterar a própria velocidade da transição energética. Módulo, tracker e bateria começam a formar um único projeto econômico Se existe uma ideia central na presença da Trinasolar em 2026, ela está aqui. Não basta analisar um módulo. É preciso analisar o sistema. O Vertex N G3 de 760 W busca aumentar geração e reduzir componentes de Balance of System. O tracker tenta manter o módulo melhor orientado ao recurso solar. O armazenamento desloca energia no tempo. Software e sistemas de controle coordenam operação. A combinação permite atacar simultaneamente: LCOE; produção; curtailment; capacidade; flexibilidade; receita. Em outras palavras: a indústria começa a otimizar o ativo inteiro, e não apenas cada equipamento separadamente. Análise EnergyChannel | A segunda revolução solar será muito mais difícil que a primeira A primeira grande revolução solar tinha uma narrativa poderosa e simples. Instalar painéis. Gerar energia limpa. Reduzir custos. Expandir renováveis. E funcionou. O mundo instalou centenas de gigawatts. O Brasil construiu uma enorme base de geração distribuída e centralizada. Mas o sucesso criou novos desafios. Agora temos que responder: o que fazer quando existe geração demais em determinado horário? Como manter receitas quando ocorre curtailment? Como adicionar baterias às plantas existentes? Como remunerar flexibilidade? Como financiar armazenamento? Quanto conteúdo local será necessário? Como fazer retrofit sem comprometer enquadramentos regulatórios existentes? Como garantir performance durante três décadas? Como escolher fornecedores que continuarão operando no mercado daqui a 20 anos? A segunda revolução solar será, portanto, menos simples. E exatamente por isso será mais interessante. Ela não acontecerá apenas dentro das células fotovoltaicas. Acontecerá na combinação entre: módulos + trackers + storage + software + regulação + financiamento. É por isso que a entrevista de Daniel Pansarella revela algo maior do que os lançamentos de uma fabricante. Ela mostra como a própria indústria solar está mudando de identidade. A Trinasolar nasceu e tornou-se mundialmente conhecida como gigante dos módulos. Hoje se apresenta como empresa de soluções fotovoltaicas e armazenamento de energia, enquanto suas diferentes unidades passam a ocupar parcelas distintas da infraestrutura dos projetos. (Trina Solar) Talvez essa seja a transformação mais importante. Durante anos, vencer a corrida solar significava produzir o melhor módulo pelo menor custo. Na próxima década, isso continuará importante. Mas talvez não seja suficiente. O vencedor poderá ser aquele que conseguir responder uma pergunta muito maior: como transformar cada raio de sol capturado em mais valor para o sistema elétrico? O módulo de 760 W é parte dessa resposta. O tracker também. A bateria também. E a inteligência que conecta tudo isso talvez seja justamente onde esteja o próximo capítulo da energia. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Na Intersolar South America 2026, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, a Trinasolar apresentou sua estratégia integrada em módulos fotovoltaicos, rastreamento inteligente e armazenamento de energia. A companhia destacou no evento sua nova geração tecnológica e a evolução de sua presença na América Latina. (LinkedIn Brasil) Entre as tecnologias confirmadas pela fabricante está o Vertex N G3, com potência de até 760 W, eficiência de até 24,5%, bifacialidade de até 85% ±5 e tecnologia n-type i-TOPCon Ultra. (Trina Solar) Ao mesmo tempo, o Brasil se aproxima de uma nova etapa regulatória para armazenamento: os primeiros grandes leilões específicos de baterias estão programados para dezembro de 2026, com início de suprimento em 2028. (Serviços e Informações do Brasil) Entrevistado: Daniel Pansarella Empresa: TrinasolarEntrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannelWe Tell the Stories Driving the Energy Transition. Da corrida pelos módulos à era do armazenamento: Trinasolar aposta em solar, trackers e baterias para a próxima fase do Brasil

  • A bateria deixa de ser luxo e começa a virar solução: LuxpowerTek aposta em armazenamento feito para a realidade elétrica do Brasil

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Talyson Alves, gerente comercial da LuxpowerTek no Brasil, explica como inversores híbridos, sistemas modulares, gestão inteligente e uma arquitetura desenvolvida para as particularidades da rede brasileira podem levar o armazenamento de energia a uma nova fase do backup residencial a projetos que chegam à escala de centenas de quilowatts A bateria deixa de ser luxo e começa a virar solução: LuxpowerTek aposta em armazenamento feito para a realidade elétrica do Brasil Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Durante anos, a energia solar brasileira respondeu a uma pergunta relativamente simples: como gerar a própria eletricidade? Milhões de painéis depois, uma nova pergunta começa a chegar às casas, empresas e indústrias: O que fazer com essa energia depois que ela foi gerada? Armazenar? Usar durante a noite? Manter a casa funcionando quando a rede cair? Reduzir determinados custos associados ao consumo? Alimentar cargas prioritárias? Expandir o sistema aos poucos? A resposta passa cada vez mais por uma palavra que, até pouco tempo atrás, parecia reservada aos projetos mais sofisticados do setor elétrico: bateria. Mas a verdadeira transformação talvez não esteja apenas na bateria. Está na capacidade de fazer o armazenamento ficar mais simples, modular e adaptado à instalação elétrica que já existe. Foi justamente essa a mensagem que a LuxpowerTek levou à Intersolar South America 2026. Em sua sétima participação no evento, segundo Talyson Alves, gerente comercial da companhia no Brasil, a fabricante apresentou uma evolução de sua estratégia para armazenamento, com destaque para a família de inversores híbridos desenvolvida para as particularidades do mercado brasileiro. “A Luxpower fez aquilo que o brasileiro precisava: uma linha mais acessível e mais fácil de instalar.” Por trás dessa frase existe uma disputa que começa a ganhar importância no mercado solar: quem conseguirá transformar armazenamento de uma solução tecnicamente possível em um produto realmente utilizável em escala? O próximo capítulo da energia solar brasileira está dentro da casa O Brasil construiu um dos mercados fotovoltaicos mais importantes do mundo apoiado principalmente na geração distribuída conectada à rede. Durante grande parte dessa expansão, a lógica era direta: o painel produz; o imóvel consome; o excedente interage com a rede conforme as regras aplicáveis. O armazenamento muda essa arquitetura. Agora, parte da energia pode permanecer dentro do próprio sistema. Isso significa que geração e consumo deixam de precisar acontecer necessariamente ao mesmo tempo. Mas Talyson chama atenção para um ponto importante: as necessidades brasileiras não são necessariamente iguais às dos mercados que começaram a adotar baterias antes. Por isso, a estratégia da LuxpowerTek foi concentrar esforços em aplicações que já fazem sentido para o consumidor local. Entre elas: backup, gestão inteligente da energia, maior autonomia e estratégias de economia. Segundo Talyson, a linha “eco-híbrida” da companhia foi estruturada justamente para atender grande parte dessas demandas sem exigir uma arquitetura excessivamente complexa. O segredo pode estar em algo pouco glamouroso: facilitar a instalação Quando se fala em armazenamento, normalmente o debate começa pela bateria. Química. Capacidade. Número de ciclos. Potência. Preço por kWh. Mas existe outra variável decisiva para transformar tecnologia em mercado: instalação. Um equipamento extraordinário que exige grande complexidade de engenharia para funcionar em uma residência pode perder competitividade diante de uma solução mais simples. E a LuxpowerTek parece ter identificado esse ponto. Talyson destaca a integração de elementos que normalmente aumentariam o trabalho em campo. “A primeira coisa é ter tudo integrado. Isso já facilita muito a vida do brasileiro.” Na família SNA BR apresentada durante a entrevista, disjuntores relacionados à bateria e às diferentes conexões do sistema já fazem parte da arquitetura do equipamento. Barramentos e elementos necessários à instalação também foram pensados para reduzir adaptações externas. Pode parecer detalhe. Para o integrador, não é. Tempo de instalação é custo. Complexidade é custo. Possibilidade de erro é custo. Retorno à obra é custo. Quanto mais simples for colocar um sistema híbrido para funcionar corretamente, maior a possibilidade de levá-lo para além dos primeiros usuários especializados. A bateria deixa de ser luxo e começa a virar solução: LuxpowerTek aposta em armazenamento feito para a realidade elétrica do Brasil O Brasil não possui uma única rede elétrica Existe ainda outro problema. É fácil desenvolver um equipamento para “o mercado brasileiro”. Difícil é definir exatamente o que isso significa. Talyson descreve o Brasil de uma forma particularmente interessante: “São países dentro de um.” Dependendo da região, o integrador encontra arquiteturas e padrões diferentes. Monofásico. Bifásico. Trifásico. 127/220 V. 220 V. Configurações distintas de rede e instalação. Heranças diferentes da própria expansão histórica da infraestrutura elétrica brasileira. Essa diversidade cria um desafio enorme para fabricantes globais. Um produto desenhado para funcionar perfeitamente em determinado mercado internacional não necessariamente chega ao Brasil pronto para todas as configurações encontradas aqui. E é justamente nesse ponto que Talyson posiciona uma das vantagens da LuxpowerTek: capacidade de adaptar hardware, firmware e configuração às necessidades locais. Quando o firmware vira parte da estratégia brasileira Durante décadas, equipamentos elétricos eram vistos fundamentalmente como hardware. Essa fronteira está desaparecendo. Um inversor moderno também é software. Parâmetros. Algoritmos. Comunicação. Atualizações. Monitoramento. Lógicas de operação. Compatibilidade. Configurações de rede. Talyson argumenta que a especialização da LuxpowerTek em armazenamento permite reagir rapidamente quando determinada configuração brasileira exige adaptação. “A gente precisa de uma fábrica que tenha compromisso em ser ágil, em desenvolver solução, firmware, desenvolver produto realmente que o brasileiro precisa.” Essa é uma transformação importante. O equipamento instalado hoje não precisa permanecer exatamente igual ao equipamento de amanhã. Parte de sua evolução pode acontecer por software. BR não é apenas uma sigla no produto Essa localização aparece de maneira explícita na nomenclatura de uma das linhas apresentadas pela empresa. SNA BR. Para Talyson, colocar “BR” no próprio nome é uma demonstração da intenção de desenvolver uma arquitetura voltada ao país. Durante a demonstração ao EnergyChannel, ele apresentou a versão de até 14 kW e abriu o equipamento para mostrar sua construção interna. Disjuntores integrados. Conexões de bateria. Saídas de carga. Barramentos. Aterramento. Arquitetura concentrada dentro do próprio gabinete. A proposta é reduzir aquilo que o instalador precisa construir ao redor do inversor. 14 kW começam a mudar a conversa dentro de uma residência Potência também importa. Quando sistemas híbridos possuem capacidade relativamente pequena, o instalador precisa decidir cuidadosamente quais circuitos serão mantidos em backup. Geladeira? Iluminação? Internet? Portão? Algumas tomadas? Ar-condicionado? Cada carga adicional exige potência. À medida que essa capacidade aumenta, a discussão muda. Talyson utiliza como exemplo um SNA BR de 14 kW associado a uma bateria de 16 kWh. Em determinadas instalações e após o correto dimensionamento técnico, a maior potência disponível pode reduzir a necessidade de fragmentar excessivamente as cargas atendidas. Isso aproxima o sistema de uma experiência que o consumidor entende facilmente: quando faltar energia, quero continuar usando minha casa. Naturalmente, o dimensionamento continua sendo indispensável. Potência de pico, capacidade da bateria, corrente, autonomia pretendida e perfil de cargas continuam determinando o que poderá permanecer ligado. Mas aumentar a capacidade do sistema amplia as possibilidades. E se 14 kW não forem suficientes? Entra o “Lego” Talvez o conceito mais interessante apresentado por Talyson durante a entrevista seja a modularidade. Ele define a LuxpowerTek de maneira informal: “A Luxpower é quase um Lego.” A lógica é simples. O cliente não precisa necessariamente construir o sistema final no primeiro dia. Pode começar menor. Depois ampliar. Adicionar unidades. Paralelizar equipamentos. Criar novas fases de implantação. A documentação oficial da LuxpowerTek confirma que a série SNA suporta até 16 unidades em paralelo, em configurações monofásicas ou trifásicas. Tomando como exemplo unidades de 10 kW, 16 equipamentos representariam uma arquitetura de 160 kW de potência nominal combinada, sujeita naturalmente ao correto projeto elétrico, compatibilidade, configuração e dimensionamento dos demais componentes. É aí que o “Lego” deixa de ser apenas uma metáfora. Começar com 30 kW. Chegar a 160 kW. Talyson oferece um exemplo muito concreto. Imagine um prédio com vários blocos. Existe um problema energético em apenas um deles. A solução tradicional poderia partir imediatamente para um sistema de armazenamento centralizado de grande porte. Mas talvez não seja necessário. O integrador poderia começar atendendo aquele bloco específico. Três inversores de 10 kW. 30 kW. Resolve-se primeiro aquela necessidade. Depois, conforme aparecem novas demandas e existe disponibilidade financeira, outras partes podem ser adicionadas. “Ele vai resolvendo os problemas conforme o caixa.” Essa frase toca em algo decisivo para o crescimento do armazenamento no Brasil. CAPEX. Modularidade também é uma solução financeira A barreira para armazenamento não é apenas tecnológica. É econômica. Uma empresa pode compreender perfeitamente os benefícios de um BESS e ainda assim não possuir orçamento para executar todo o projeto imediatamente. A modularidade cria outro caminho. Fase 1. Fase 2. Fase 3. O investimento acompanha a necessidade. O sistema cresce conforme o caixa. A capacidade pode ser ampliada conforme o consumo evolui. Isso reduz o salto entre “não ter armazenamento” e “comprar um grande BESS”. Em determinados segmentos, essa ponte poderá ser fundamental. A fronteira entre inversor híbrido e BESS começa a ficar interessante Quando 16 unidades de 10 kW chegam teoricamente a 160 kW, entramos em uma faixa de potência que começa a se aproximar de aplicações comerciais relevantes. Isso não significa que 16 inversores híbridos sejam automaticamente equivalentes a um BESS industrial dedicado. Não são. Arquitetura. Proteções. PCS. BMS. EMS. Baterias. Integração. Operação. Segurança. Certificações. Redundância. Tudo precisa ser analisado conforme a aplicação. Mas existe uma mensagem importante nessa escalabilidade: a distância entre o armazenamento residencial e determinadas aplicações comerciais está diminuindo. E isso pode abrir espaço para novas arquiteturas intermediárias. O armazenamento deixa de ser tudo ou nada Esse talvez seja um dos efeitos mais importantes da modularidade. Historicamente, grandes projetos de infraestrutura funcionam em lógica binária: construir ou não construir. Com sistemas modulares, aparece uma terceira possibilidade: começar. Começar pequeno. Medir. Aprender. Expandir. Corrigir. Adicionar capacidade. Para um mercado que ainda está aprendendo a vender, dimensionar e operar armazenamento, essa flexibilidade pode ser tão importante quanto a própria tecnologia. Mas vender bateria é mais difícil do que vender painel Talyson chama atenção para outra transformação que acontecerá dentro do setor solar. O integrador que aprendeu a vender fotovoltaico precisará aprender uma nova disciplina. Armazenamento exige diagnóstico. Não basta perguntar o valor da conta de energia. É necessário entender: quais cargas precisam permanecer ligadas; qual autonomia o cliente deseja; qual potência instantânea será necessária; qual configuração elétrica existe; se o objetivo é backup; economia; autonomia; ou uma combinação dessas funções. “Eu sei que para você, integrador, não é fácil vender um sistema de armazenamento. Você tem que saber fazer o levantamento de cargas.” Essa frase talvez explique por que o pós-venda aparece com tanta força na estratégia da empresa. O suporte começa antes da venda Normalmente, pós-venda começa depois que o produto é comprado. A LuxpowerTek tenta inverter parcialmente essa lógica. Talyson afirma que a equipe brasileira também atende integradores durante a fase de pré-venda para ajudar na escolha da arquitetura. Monofásico? Bifásico? Trifásico? Um inversor? Dois? Qual bateria? Qual perfil de cargas? Qual cenário? Segundo ele, esse suporte faz parte da estratégia para crescer junto aos integradores. A própria LuxpowerTek mantém canais brasileiros de vendas e pós-venda e uma operação de atendimento local divulgada em seu site oficial. O instalador solar terá que virar especialista em energia Existe uma consequência maior por trás disso. Durante a primeira fase da geração distribuída, muitos integradores se especializaram em: painéis; estrutura; inversores; dimensionamento fotovoltaico; homologação; instalação. Armazenamento adiciona novas competências. Baterias. BMS. Perfil de cargas. Backup. Potência instantânea. Estado de carga. Estratégia energética. Integração. Configuração de software. O profissional deixa gradualmente de ser apenas um instalador solar. Ele começa a se transformar em um integrador de energia. E isso muda também o que o consumidor está comprando Quando alguém compra energia solar, normalmente existe um benefício econômico fácil de compreender: reduzir a conta. Quando compra armazenamento, o valor pode ser muito mais amplo. Quanto vale não perder internet durante um apagão? Quanto vale manter equipamentos essenciais funcionando? Quanto vale não interromper uma pequena empresa? Quanto vale ter maior autonomia? Quanto vale deslocar consumo? Quanto vale possuir uma infraestrutura que pode crescer no futuro? Armazenamento introduz algo que a energia solar tradicional nem sempre precisou vender: resiliência. Do painel que economiza à bateria que decide A própria LuxpowerTek define atualmente sua estratégia global em torno da integração entre energia solar, armazenamento e gestão inteligente de energia. Essa combinação é importante. O painel produz. A bateria armazena. O inversor converte. Mas o sistema precisa decidir. Quando utilizar solar? Quando carregar a bateria? Quando preservar energia? Quando utilizar a rede? Quando alimentar cargas? Essa camada de gestão transforma um conjunto de equipamentos em um sistema energético. E aproxima o mercado residencial de conceitos que até pouco tempo atrás estavam concentrados em grandes instalações industriais. Análise EnergyChannel | A revolução das baterias pode ser menos cinematográfica do que imaginamos Quando o setor energético fala sobre a revolução do armazenamento, é fácil imaginar instalações gigantescas. Contêineres. Centenas de megawatts. Subestações. Parques de baterias ocupando hectares. Esses projetos serão fundamentais. Mas talvez exista outra revolução acontecendo simultaneamente. Muito menor fisicamente. E potencialmente gigantesca em quantidade. Ela acontecerá: nas casas; nos condomínios; nas pequenas empresas; nas lojas; nos escritórios; nas propriedades rurais; nas instalações comerciais. E sua principal característica talvez não seja uma bateria revolucionária. Pode ser algo muito mais simples: facilidade. Um sistema fácil de especificar. Fácil de instalar. Fácil de configurar. Fácil de ampliar. Fácil de atualizar. Fácil de receber suporte. Porque a história da tecnologia mostra repetidamente que o produto que transforma um mercado nem sempre é aquele que possui a especificação mais extraordinária. Muitas vezes é aquele que remove fricção. A LuxpowerTek parece apostar justamente nisso. Integração. Arquitetura brasileira. Firmware adaptável. Modularidade. Paralelismo. Pré-venda. Pós-venda. E uma ideia que Talyson resumiu com uma metáfora perfeita: Lego. Talvez essa seja uma boa maneira de imaginar a próxima fase do armazenamento. O consumidor não precisará necessariamente construir sua infraestrutura energética definitiva no primeiro dia. Ele poderá montar. Usar. Aprender. E adicionar novas peças. A primeira revolução solar brasileira colocou geração nos telhados. A próxima pode colocar inteligência e armazenamento atrás do medidor. E quando isso acontecer em escala, a relação do brasileiro com eletricidade começará a mudar novamente. Porque o consumidor deixará de perguntar apenas: “Quanto eu consigo gerar?” E começará a perguntar: “Quanto da minha energia eu consigo controlar?” EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 A Intersolar South America 2026 foi realizada entre 25 e 27 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, dentro do ecossistema The smarter E South America. Na entrevista ao EnergyChannel, a LuxpowerTek apresentou sua estratégia para ampliar a adoção de sistemas híbridos e armazenamento no mercado brasileiro, combinando equipamentos adaptados às características locais, modularidade e suporte aos integradores. A fabricante mantém atualmente um portfólio que inclui inversores híbridos, soluções off-grid, armazenamento acoplado em AC e DC, sistemas ESS integrados e baterias de lítio para aplicações residenciais e comerciais. Entrevistado: Talyson Alves Cargo: Gerente Comercial — Brasil Empresa: LuxpowerTekEntrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. A bateria deixa de ser luxo e começa a virar solução: LuxpowerTek aposta em armazenamento feito para a realidade elétrica do Brasil

  • Depois da corrida por renováveis, começa a era da flexibilidade: Norvento chega ao Brasil com conversores de até 9 MW e uma nova visão sobre energia

    Em entrevista exclusiva ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, Gustavo Christovam João, engenheiro de aplicações da espanhola Norvento TECHnPower, explica por que o futuro não será definido apenas por mais solar, mais eólica ou mais baterias — mas pela capacidade de transformar todas essas tecnologias em um único sistema inteligente, flexível e controlável Depois da corrida por renováveis, começa a era da flexibilidade: Norvento chega ao Brasil com conversores de até 9 MW e uma nova visão sobre energia Por Ricardo Honório | EnergyChannel Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo Durante anos, a transição energética foi contada em números. Quantos gigawatts de energia solar foram instalados? Quantos parques eólicos entraram em operação? Quanto caiu o preço dos módulos? Quanto cresceu a participação das renováveis? Essa corrida ainda não terminou. Mas uma nova pergunta começa a ocupar o centro das decisões energéticas: Não basta saber quanto podemos gerar. Precisamos decidir quando essa energia estará disponível. O sol pode produzir eletricidade ao meio-dia. Mas e se o sistema precisar dela quatro horas depois? O vento pode soprar durante a madrugada. Mas e se a demanda estiver concentrada no início da noite? Uma usina pode produzir energia limpa em abundância. Mas e se a rede não conseguir absorvê-la naquele momento? Essas perguntas apontam para uma mudança silenciosa — e profunda. A primeira fase da transição energética foi dominada pela expansão das renováveis. A próxima será dominada pela flexibilidade. Foi justamente essa visão que emergiu da conversa entre o EnergyChannel e Gustavo Christovam João, engenheiro de aplicações da Norvento TECHnPower, durante a estreia da companhia espanhola na Intersolar South America. “A gente está numa transição onde não se fala apenas de adicionar renováveis. A gente tem que entender: será que precisamos dessa energia agora, no momento em que está sendo gerada, ou daqui a quatro horas?” Essa talvez seja uma das perguntas mais importantes do sistema elétrico da próxima década. Uma empresa que começou como engenheira antes de se tornar fabricante Para entender a Norvento, é necessário voltar mais de quatro décadas. Segundo Gustavo, a companhia nasceu na Espanha como empresa de engenharia. Depois tornou-se também IPP, Independent Power Producer, desenvolvendo e operando seus próprios projetos renováveis. E só depois avançou profundamente para a fabricação de tecnologia. Essa ordem importa. Porque significa que parte dos equipamentos desenvolvidos pela empresa nasceu de problemas que seus próprios engenheiros encontraram no mundo real. “A gente começou com engenharia, adquiriu muita experiência nos nossos projetos e consegue ver do ponto de vista do cliente as necessidades e os desafios.” Hoje, a Norvento atua em diferentes frentes da transição energética, com destaque para eletrônica de potência, armazenamento, microrredes, geração renovável e aerogeradores. Segundo Gustavo, o grupo acumula mais de 40 anos no setor e possui centenas de megawatts em projetos próprios, principalmente na Espanha. Mas existe algo particularmente interessante nessa trajetória. A empresa não começou perguntando: “Que equipamento podemos vender?” Começou enfrentando outra pergunta: “Que equipamento precisamos para resolver nosso próprio problema?” De 50 kW a quase 9 MW Essa evolução fica evidente quando Gustavo descreve a trajetória dos conversores da companhia. “A gente começou com um conversor de 100 kW, de 50 kW. E esse é de 9.000 kW.” Décadas de aprendizado em projetos menores acabaram convergindo para uma nova geração de equipamentos utility-scale. Na Intersolar 2026, a companhia apresentou ao mercado brasileiro a família nXL, desenvolvida para aplicações de grande porte. A documentação oficial da Norvento confirma que a plataforma pode chegar a aproximadamente 9 MVA em um formato de 20 pés, dependendo da configuração, combinando elevada densidade de potência com recursos avançados de suporte à rede. É um salto impressionante. De dezenas de quilowatts para megawatts. Mas a potência talvez seja a parte menos interessante da história. 9 MW em 20 pés: quando espaço também vira engenharia Em grandes plantas solares e sistemas de armazenamento, potência por área instalada importa. Cada metro ocupado representa infraestrutura. Cabos. Fundações. Logística. Obras civis. Distâncias elétricas. Comissionamento. Manutenção. A proposta da família nXL é concentrar elevada potência em uma arquitetura compacta. Na configuração Power Station, a Norvento integra conversor, transformador de média tensão e switchgear sobre uma única plataforma skid. No caso do nXL PCS Power Station, voltado ao armazenamento utility-scale, a empresa declara capacidade de até 9 MVA em 20 pés. Na versão fotovoltaica, a arquitetura segue a mesma lógica de integração para grandes usinas solares. Menos espaço. Menos interfaces. Menos complexidade de campo. Em projetos que podem chegar a centenas de megawatts, pequenas otimizações multiplicadas dezenas de vezes deixam de ser pequenas. Construído para o deserto e para outros ambientes extremos Outro ponto destacado durante a entrevista é o sistema de refrigeração. O nXL utiliza uma arquitetura selada com refrigeração líquida, reduzindo a troca de ar entre a parte de potência e o ambiente externo. Isso importa especialmente em lugares onde poeira, partículas, maresia, corrosão ou temperaturas extremas podem comprometer equipamentos eletrônicos. Gustavo cita o Deserto do Atacama como exemplo do tipo de ambiente que exige atenção especial à engenharia térmica. A documentação técnica da Norvento aponta proteção IP65, operação em potência nominal até 40°C sem derating e arquitetura de refrigeração voltada a ambientes severos. É uma lembrança importante: a transição energética pode ser global. Mas os equipamentos continuam precisando sobreviver ao lugar onde são instalados. THDi abaixo de 1%: qualidade também importa Potência não é o único indicador relevante. Quanto maior a penetração da eletrônica de potência no sistema elétrico, maior a importância da qualidade da energia que esses equipamentos entregam. Gustavo destacou durante a conversa uma distorção harmônica total extremamente baixa. A especificação oficial da família nXL confirma THDi inferior a 1% ao longo da faixa operacional. Pode parecer um detalhe técnico. Não é. Em sistemas elétricos cada vez mais eletrônicos, qualidade de energia, harmônicos, estabilidade e capacidade de resposta passam a ter peso crescente. E é justamente aí que entramos na característica talvez mais estratégica do equipamento. Grid Forming: não basta conectar à rede. Será preciso ajudar a sustentá-la A família nXL foi desenvolvida com capacidade de operar tanto em Grid Following quanto em Grid Forming. A documentação da Norvento também inclui funções como Black Start, STATCOM, filtro ativo e serviços de suporte à rede. Isso coloca o produto dentro de uma discussão muito maior do que armazenamento. À medida que solar e eólica aumentam sua participação, o sistema elétrico passa a depender cada vez mais de equipamentos baseados em eletrônica de potência. E esses equipamentos precisarão fazer mais do que simplesmente converter corrente contínua em alternada. Precisarão contribuir para: estabilidade; controle de tensão; controle de frequência; qualidade de energia; recuperação da rede; e operação em sistemas cada vez mais complexos. Gustavo resume a importância dessa camada: “A parte de controle, que muita gente não olha, é importante. Os códigos de rede estão cada vez mais exigentes.” Em outras palavras: o futuro não pertence necessariamente ao inversor mais potente. Pode pertencer ao inversor mais inteligente. E então entram as baterias Se flexibilidade é a próxima etapa da transição energética, o armazenamento é uma das ferramentas centrais para entregá-la. Gustavo explica o problema de maneira simples. A energia renovável é produzida quando o recurso está disponível. Solar quando existe irradiância. Eólica quando existe vento. Mas o consumidor e a rede não necessariamente precisam daquela energia naquele instante. É aí que entra o BESS. “Você gerou, só que tem que despachar na hora? Não. Você pode armazenar, segurar essa energia e despachar.” Essa capacidade transforma a relação entre tempo e eletricidade. O megawatt-hora produzido ao meio-dia não precisa necessariamente ser consumido ao meio-dia. Ele pode ser deslocado. Programado. Preservado. Despachado quando possuir maior valor econômico ou sistêmico. BESS pode significar coisas completamente diferentes dependendo de quem olha Existe outra observação importante na entrevista. Não existe uma única aplicação para armazenamento. Para um gerador, BESS pode significar arbitragem. Para a rede, pode significar estabilidade. Para uma indústria, pode significar qualidade de energia. Para um consumidor crítico, pode significar backup. Para um projeto renovável, pode significar deslocamento temporal da geração. Para o sistema elétrico, pode significar capacidade e flexibilidade. “Depende do ponto de vista de quem está olhando. Depende de onde está conectado esse BESS.” Essa frase ajuda a explicar por que tentar calcular o valor de uma bateria apenas pelo custo do kWh armazenado pode ser insuficiente. O valor está também no serviço que aquela energia consegue prestar. A bateria não é o cérebro do BESS Talvez uma das declarações tecnicamente mais importantes de Gustavo durante a entrevista seja também uma das mais simples: “O BESS não é só bateria.” Uma grande instalação de armazenamento possui uma cadeia inteira de equipamentos. Baterias. PCS — Power Conversion System. Transformadores. Switchgear. EMS — Energy Management System. PPC. Sistemas de proteção. Automação. Controle. Comunicação. A bateria armazena energia. Mas alguém precisa decidir: quando carregar; quando descarregar; com qual potência; até qual estado de carga; quantos ciclos realizar; qual serviço priorizar; e como preservar a vida útil do ativo. É aí que entra a eletrônica de potência. “O PCS, o conversor junto com o EMS e o PPC, são o cérebro.” Uma decisão errada também envelhece a bateria Essa inteligência tem consequências econômicas diretas. Baterias degradam. A velocidade dessa degradação depende de diversos fatores. Profundidade de descarga. Estado de carga. Potência de carga e descarga. Temperatura. Número de ciclos. Estratégia operacional. Isso significa que dois projetos com baterias aparentemente iguais podem apresentar resultados econômicos completamente diferentes dependendo de como são operados. Uma estratégia pode maximizar receita hoje e acelerar degradação. Outra pode preservar o ativo, mas deixar dinheiro sobre a mesa. A resposta correta depende do objetivo do projeto. E essa resposta é, cada vez mais, uma decisão de software. O projeto híbrido substitui as caixas separadas Durante décadas, o setor energético organizou tecnologias em compartimentos. Solar. Eólica. Baterias. Diesel. Biomassa. Rede. Cada uma era tratada como um projeto. Gustavo acredita que essa lógica está começando a desaparecer. “A tendência é ver o projeto como um todo e hibridado.” A pergunta deixa de ser: qual tecnologia devo instalar? E passa a ser: qual combinação de tecnologias entrega a energia de que preciso, no momento em que preciso, com o custo e a confiabilidade que preciso? Essa diferença parece semântica. Na prática, muda completamente a engenharia. Solar + eólica + BESS deixam de ser três projetos Imagine uma região com excelente recurso solar durante o dia e bom recurso eólico durante outros períodos. Existe ainda uma bateria. Talvez uma fonte convencional de backup. E uma conexão limitada à rede. O desafio deixa de ser otimizar cada ativo individualmente. O objetivo passa a ser fazer o conjunto funcionar como uma única usina virtualmente coordenada. “O projeto tem que enxergar aquilo como se fosse um grande elemento e não vários elementos pequenos independentes.” É aqui que controle, automação e eletrônica de potência se tornam protagonistas. O hardware gera e armazena. O controle transforma tudo isso em sistema. No Caribe, o futuro já funciona como sistema Gustavo cita projetos da Norvento no Caribe como exemplo dessa abordagem. Existem instalações combinando geração diesel, fotovoltaica e BESS. Nesses ambientes, os engenheiros trabalham com o cliente para definir algoritmos e estratégias: quando carregar; quando descarregar; quantos ciclos utilizar; quanto preservar a bateria; quando priorizar disponibilidade; como reduzir consumo de combustível; e como entregar energia para aquela comunidade. É uma demonstração concreta de que hibridização não significa simplesmente colocar tecnologias diferentes no mesmo terreno. Significa fazê-las pensar juntas. Verticalização como estratégia tecnológica A Norvento estruturou equipes de engenharia, projetos, automação, controle e operação dentro de uma cadeia relativamente verticalizada. Isso permite uma relação interessante entre experiência operacional e desenvolvimento de produto. O problema encontrado no campo pode voltar para engenharia. A engenharia modifica controle. O controle influencia produto. O produto volta para campo. É um ciclo. E ajuda a explicar como uma empresa que começou desenvolvendo seus próprios projetos renováveis chegou à fabricação de conversores de escala multimawatt. Por que o Brasil? 2026 marca a primeira participação da Norvento na Intersolar South America. E a companhia chega sem fingir que já conhece todas as respostas. Gustavo é claro: “A gente está chegando para entender o mercado, conhecer as necessidades.” Essa cautela é relevante. O Brasil não é simplesmente uma versão tropical do mercado espanhol. Nossa matriz é diferente. Nossa rede é diferente. Nossa presença hidrelétrica é diferente. Nossas distâncias são diferentes. Nossos grandes consumidores estão distribuídos de outra maneira. Nossos códigos de rede possuem particularidades. E, portanto, o valor do armazenamento também poderá ser diferente. O Brasil já possui uma gigantesca “bateria” — só que ela é feita de água Gustavo faz uma comparação particularmente interessante. O Brasil possui enorme participação hidrelétrica. Reservatórios conseguem, dentro de suas limitações operacionais, armazenar energia potencial na forma de água. “A hidrelétrica é um grande sistema de armazenamento, um grande BESS, se você for ver — só que não é por bateria.” Tecnicamente, são tecnologias muito diferentes. Mas a analogia ajuda a explicar uma característica estrutural do Brasil. Nossa necessidade de baterias não necessariamente seguirá exatamente a mesma trajetória de países com matrizes distintas. Na Espanha, arbitragem pode assumir determinado peso. No Brasil, outras aplicações podem avançar mais rapidamente. Capacidade, peak shaving, backup e descarbonização Gustavo enxerga diferentes portas de entrada para o armazenamento brasileiro. Mercado de capacidade. Aplicações industriais. Peak shaving. Backup. Qualidade. Descarbonização de grandes consumidores. Integração renovável. Cada uma possui uma lógica econômica diferente. Isso reforça um princípio fundamental: não existe “o mercado brasileiro de BESS”. Existem vários mercados de BESS dentro do Brasil. E a estratégia da Norvento neste primeiro momento é justamente compreender quais deles oferecem maior aderência às suas tecnologias. A Norvento não chega anunciando uma fórmula pronta A empresa estuda diferentes modelos para o país. Venda de equipamentos. Parcerias. Engenharia. Integração em projetos maiores. Possíveis estruturas turnkey. A configuração dependerá do cliente. Em um grande projeto utility-scale, podem existir diversos players na cadeia. Em uma indústria, o consumidor pode preferir lidar com um único fornecedor. “Tudo depende de setorizar, entender projeto a projeto.” Essa postura é importante porque armazenamento ainda é um mercado em formação. Tentar impor uma única solução comercial para todas as aplicações seria ignorar justamente a complexidade que torna esse mercado interessante. A próxima revolução talvez nem se chame BESS No final da entrevista, Ricardo Honório pediu a Gustavo que imaginasse um reencontro em 2030. O que teria mudado? A resposta talvez seja a melhor síntese de toda a conversa. Há cinco anos, lembra Gustavo, baterias ainda eram uma discussão muito mais inicial. Tecnicamente possíveis. Mas frequentemente difíceis de justificar comercialmente. Agora o cenário mudou. Custos caíram. Aplicações amadureceram. Projetos cresceram. E novas químicas continuam avançando. Lítio. Sódio. Estado sólido. E outras tecnologias que ainda poderão ganhar escala. Mas talvez a maior mudança não esteja na química. Esteja na linguagem. “Quem sabe a gente já não vai falar mais de BESS. A gente vai falar de sistemas.” Essa frase merece atenção. Porque ela descreve exatamente para onde a indústria parece caminhar. 2030: menos equipamentos, mais sistemas Talvez em 2030 ninguém pergunte simplesmente: quantos megawatts solares você possui? Ou: qual é o tamanho da sua bateria? A pergunta poderá ser outra: quanta flexibilidade seu sistema consegue entregar? Quanto consegue deslocar? Quanto consegue despachar? Quanto consegue responder? Quanto consegue estabilizar? Quanto consegue preservar? Quanto consegue descongestionar a transmissão? Quanto consegue integrar de renováveis? Gustavo resume essa mudança: “Não é como eu adiciono renováveis, mas como eu aumento a flexibilidade, como aumento a previsibilidade do meu sistema, quais são os desafios, como descongestiono minha linha de transmissão.” Esse é o salto. Da tecnologia individual para a função sistêmica. Análise EnergyChannel | A próxima fase da transição energética não será medida apenas em gigawatts Existe uma mudança acontecendo silenciosamente na indústria global de energia. Durante a primeira grande fase da transição energética, vencer significava instalar. Mais painéis. Mais turbinas. Mais megawatts. Mais capacidade renovável. Essa expansão foi indispensável. Mas criou um novo conjunto de problemas. Excesso de geração em determinados horários. Congestionamento. Curtailment. Volatilidade. Necessidade de capacidade. Qualidade de energia. Estabilidade. Diferenças entre geração e demanda. E quanto mais renovável adicionamos, mais importantes essas questões se tornam. É por isso que a próxima fase não será simplesmente uma continuação da primeira. Será uma mudança de paradigma. Da geração para a gestão. Da potência para a flexibilidade. Do equipamento para o sistema. Nesse mundo, uma bateria sozinha vale menos do que uma bateria corretamente controlada. Uma usina solar isolada pode valer menos do que uma planta híbrida capaz de deslocar sua produção. Uma turbina eólica deixa de ser apenas geração quando pode operar coordenada com armazenamento. E um conversor deixa de ser apenas uma peça entre corrente contínua e alternada quando passa a participar da estabilidade da rede. A história da Norvento é particularmente interessante porque acompanha essa transformação por dentro. Começou na engenharia. Virou desenvolvedora e operadora de projetos. Aprendeu no campo. Passou a fabricar. Começou com conversores de dezenas de quilowatts. Agora apresenta uma família que chega à escala de aproximadamente 9 MW. E chega ao Brasil justamente quando o país começa a discutir de forma muito mais concreta o papel das baterias em seu sistema elétrico. Mas talvez a maior contribuição dessa entrevista não seja um produto. Nem 9 MW. Nem Grid Forming. Nem refrigeração líquida. É uma ideia. Talvez estejamos perto do momento em que deixaremos de pensar em solar, eólica e baterias como indústrias separadas. Elas serão simplesmente componentes. Ferramentas dentro de uma arquitetura maior. O verdadeiro produto será a capacidade de entregar energia: onde ela é necessária; quando ela é necessária; com a qualidade necessária; pelo tempo necessário. Se essa visão se confirmar, a corrida energética até 2030 não será vencida necessariamente por quem instalar mais equipamentos. Será vencida por quem conseguir fazer esses equipamentos funcionarem juntos. A primeira era das renováveis foi sobre geração. A segunda começa agora. E ela será sobre flexibilidade. EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026 Em sua primeira participação na Intersolar South America, a espanhola Norvento TECHnPower apresentou ao mercado brasileiro sua experiência em eletrônica de potência, armazenamento, microrredes e integração de tecnologias renováveis. Entre os destaques está a família nXL, desenvolvida para aplicações utility-scale e disponível em diferentes arquiteturas para fotovoltaico, armazenamento e sistemas híbridos. A plataforma alcança até aproximadamente 9 MVA em determinadas configurações e incorpora funções avançadas como Grid Forming e Black Start. A companhia também desenvolveu configurações híbridas que integram fotovoltaico e BESS por acoplamento DC, reforçando justamente a visão defendida por Gustavo durante a entrevista: o futuro será menos sobre tecnologias isoladas e mais sobre sistemas energéticos integrados. Entrevistado: Gustavo Christovam João Cargo: Engenheiro de Aplicações Empresa: Norvento TECHnPower Entrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel Evento: Intersolar South America 2026 Local: Expo Center Norte — São Paulo, Brasil EnergyChannel We Tell the Stories Driving the Energy Transition. Depois da corrida por renováveis, começa a era da flexibilidade: Norvento chega ao Brasil com conversores de até 9 MW e uma nova visão sobre energia

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