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  • Software e inteligência energética: quando a energia solar deixa de ser geração e passa a ser gestão

    Durante muito tempo, a energia solar foi tratada como uma infraestrutura física: módulos, inversores, cabos e instalação. Software e inteligência energética: quando a energia solar deixa de ser geração e passa a ser gestão Mas essa lógica está mudando rapidamente. À medida que o setor evolui, um novo elemento assume papel central: O software como cérebro da operação energética. A energia deixa de ser apenas gerada e passa a ser monitorada, analisada e otimizada em tempo real. A digitalização da energia A transformação digital, que já impactou setores como mobilidade, finanças e comunicação, agora avança sobre o setor energético. Na energia solar, isso se traduz em: Plataformas de monitoramento avançadas Análise de dados em tempo real Integração entre geração, consumo e armazenamento Automação de decisões operacionais O sistema solar passa a funcionar como um ecossistema inteligente. De dados brutos a decisões estratégicas Sistemas modernos geram uma enorme quantidade de dados. Mas o valor não está apenas na coleta — está na interpretação. Com software avançado, é possível: Identificar padrões de geração Detectar perdas e ineficiências Prever falhas antes que aconteçam Otimizar a operação continuamente Energia como sistema dinâmico A lógica muda completamente. Antes: O sistema gera energia e o trabalho está feito Agora: O sistema gera, analisa, aprende e se ajusta Isso transforma a energia em um processo dinâmico, em constante otimização. Integração com armazenamento e consumo O papel do software se torna ainda mais relevante com a chegada de novas tecnologias. Sistemas passam a integrar: Painéis solares Baterias Consumo interno Interação com a rede elétrica Isso permite: Gerenciar quando consumir ou armazenar energia Reduzir custos com energia em horários críticos Aumentar a autonomia energética Monitoramento como interface do usuário Outro avanço importante é a forma como usuários interagem com a energia. Aplicativos e plataformas digitais permitem: Acompanhar geração em tempo real Visualizar economia Receber alertas de desempenho Tomar decisões com base em dados O consumidor deixa de ser passivo e passa a participar da gestão energética. Impacto na operação e manutenção Para empresas e integradores, o software muda completamente a operação. Diagnóstico remoto reduz visitas técnicas Manutenção passa a ser preditiva Gestão de múltiplos sistemas se torna viável Aumenta a eficiência operacional Conectividade e ecossistemas A energia solar passa a fazer parte de um ecossistema mais amplo. Sistemas começam a se integrar com: Plataformas de gestão energética Soluções de mobilidade elétrica Redes inteligentes (smart grids) Sistemas corporativos O avanço no Brasil No Brasil, a digitalização da energia ainda está em crescimento, mas já mostra sinais claros de avanço. Empresas e consumidores começam a demandar: Mais controle Mais transparência Mais previsibilidade E isso só é possível com software e dados. A mudança de paradigma A maior transformação talvez seja conceitual: A energia deixa de ser um produto e passa a ser uma plataforma. Isso abre espaço para novos modelos de negócio, novas soluções e novas formas de interação com o sistema elétrico. Conclusão: quem controla os dados, controla a energia A evolução da energia solar não está apenas nos equipamentos — está na inteligência que os conecta. Sistemas que combinam hardware eficiente com software avançado tendem a dominar o futuro do setor. E, nesse novo cenário, gerar energia é apenas o começo. Próximo episódio Agora você entra em um novo bloco da série 👇 EP.15 — Energia solar residencial: eficiência, controle e uma nova experiência para o consumidor Software e inteligência energética: quando a energia solar deixa de ser geração e passa a ser gestão

  • Gigantes japonesas visitam Sinop e conhecem projetos da PZ Empreendimentos

    Comitiva internacional participou de encontro no auditório da empresa para discutir logística, energia, agronegócio e oportunidades de investimento em Sinop (MT) Representantes de 13 grandes empresas japonesas estiveram em Sinop nesta semana para uma agenda de negócios voltada ao potencial econômico, logístico e energético do Norte de Mato Grosso. O evento foi organizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) com o consulado do Japão. A recepção da comitiva internacional ocorreu no auditório da PZ Empreendimentos, inaugurado na ocasião, o espaço conta com capacidade para 70 pessoas – localizado junto ao showroom do PZ Parque Sinop – onde foram apresentados projetos ligados à expansão logística e industrial da região. O CEO da PZ Empreendimentos, Filipe Pitz foi o anfitrião da reunião em Sinop. Ele fez apresentação estratégica sobre o crescimento de Sinop, infraestrutura regional e oportunidades de investimentos conectadas ao agronegócio, à Ferrogrão e ao corredor da BR-163 para o grupo de japoneses. A comitiva foi liderada pela cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki, acompanhada pelos cônsules Makoto Kitamura e Yuki Uekawa, além de executivos de empresas dos setores de logística, energia, tecnologia, indústria, auditoria, infraestrutura e comércio internacional. Entre os grupos participantes estavam a MOL Brasil, uma das maiores companhias de navegação do mundo; a Mitsubishi Corporation; a Sojitz; a Hitachi South America; a Panasonic Brasil; e representantes ligados ao Grupo Toyota. Durante a apresentação, Filipe destacou que o interesse japonês reforça o protagonismo de Sinop no cenário nacional de desenvolvimento. “Ver uma das culturas mais exigentes, técnicas e focadas em eficiência do mundo olhar para o futuro de Sinop com o mesmo entusiasmo que nós olhamos é a validação de que estamos no caminho certo”, afirmou. Ele também ressaltou que Mato Grosso vive um momento de transformação econômica e logística que começa a atrair atenção internacional. “O futuro do Mato Grosso não é um projeto distante. Ele está acontecendo agora, atraindo os maiores olhares do mundo e consolidando Sinop como o grande polo de atração de capital do estado”, disse. A apresentação mostrou dados sobre o avanço da produção agrícola mato-grossense, os impactos esperados da Ferrogrão, a duplicação da BR-163 e o crescimento do Arco Norte como principal rota de escoamento da safra brasileira. A PZ também apresentou aos investidores japoneses o projeto do PZ Log, condomínio logístico em Sinop voltado ao atendimento da cadeia do agronegócio. O empreendimento prevê módulos de até 4,5 mil metros quadrados, estrutura compartilhada, segurança monitorada, praça de alimentação, apoio a motoristas e localização estratégica às margens da BR-163. A visita integra uma articulação iniciada no começo do ano para aproximar investidores japoneses do potencial econômico de Mato Grosso, especialmente nas áreas de energia limpa, logística e produção de etanol. Além de Filipe Pitz, participaram das apresentações o prefeito de Sinop, Roberto Dorner, o representante de Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), José Pedro Serafini, o ex-diretor do DNIT Luiz Antonio Pagot e o economista Feliciano Azuaga. Gigantes japonesas visitam Sinop e conhecem projetos da PZ Empreendimentos

  • 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber

    Episódio 32 – O que acontece com a energia solar se eu me mudar de casa? 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber Uma dúvida comum de quem pensa em instalar energia solar é: e se eu vender o imóvel ou me mudar depois? O investimento se perde? Neste episódio, o EnergyChannel explica o que acontece com o sistema solar, os créditos de energia e como essa decisão impacta o valor do imóvel. 🏠 O sistema solar fica com o imóvel Na maioria dos casos, o sistema de energia solar é instalado de forma fixa e permanece no imóvel em caso de venda ou mudança. Ele passa a ser um diferencial permanente da propriedade. 💰 Energia solar valoriza o imóvel Imóveis com energia solar tendem a: Ter maior valor de mercado Vender mais rápido Atrair compradores interessados em economia O investimento costuma ser parcialmente ou totalmente recuperado no valor da venda. 🔄 E os créditos de energia? Os créditos de energia estão vinculados à unidade consumidora e ao titular do contrato. Ao se mudar: Créditos não são transferidos automaticamente Podem ser perdidos se não forem utilizados Em alguns casos, podem ser compensados em outro imóvel do mesmo titular Isso deve ser avaliado antes da mudança. 🔧 Posso levar o sistema comigo? Tecnicamente, é possível desmontar e reinstalar um sistema solar, mas: O custo é elevado Há risco de danos Exige nova homologação Na prática, raramente compensa. 📄 Atualização cadastral é essencial Quando há troca de proprietário ou locatário, é fundamental: Atualizar o cadastro na distribuidora Transferir a titularidade da unidade Informar sobre o sistema solar existente Isso evita problemas futuros. 🧭 Energia solar é investimento de longo prazo Mesmo com mudanças de endereço, a energia solar continua sendo um ativo que gera valor seja na economia mensal, seja na valorização do imóvel. No próximo episódio, o EnergyChannel esclarece: 👉 Energia solar compensa para quem mora de aluguel? 📌 Série Especial EnergyChannel Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa SaberConteúdo claro e prático para ajudar o consumidor a tomar decisões seguras e conscientes. 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber

  • Ecori completa 15 anos e apresenta novo posicionamento “do micro ao macro”

    Ecori completa 15 anos e apresenta novo posicionamento “do micro ao macro” A evolução do mercado de energia exige cada vez mais diversidade tecnológica, especialização e capacidade de adaptação aos diferentes perfis de projeto. É nesse contexto que a Ecori celebra seus 15 anos de história apresentando ao mercado um novo momento da companhia: um ecossistema ainda mais completo de soluções em energia, organizado por aplicação e pensado para acompanhar a transformação do setor. A Ecori construiu sua trajetória com um compromisso claro: selecionar, desenvolver e entregar tecnologias capazes de transformar a forma como a energia é gerada, armazenada e utilizada no Brasil. Ao longo dessa trajetória, a empresa participou diretamente de importantes movimentos de evolução do mercado fotovoltaico nacional, especialmente na popularização da tecnologia MLPE (Module Level Power Electronics) no país. Foi ao lado da APsystems que a Ecori ajudou a consolidar o mercado de microinversores no Brasil, tornando-se distribuidor exclusivo e suporte técnico oficial da marca no país. Posteriormente, ampliou sua atuação com a SolarEdge, fortalecendo sua posição como uma das principais referências em MLPE. Também expandiu sua presença no segmento de inversores string e híbridos, como um dos mais antigos distribuidores da GoodWe no Brasil. Agora, ao completar 15 anos, a empresa apresenta um novo posicionamento institucional sintetizado no conceito “Do micro ao macro”, refletindo a ampliação do portfólio e a diversidade de aplicações atendidas atualmente. A nova estrutura reúne soluções para diferentes cenários do mercado, incluindo microinversores, inversores híbridos, armazenamento de energia, soluções Finame, energia portátil e sistemas BESS para aplicações comerciais e industriais. Entre os destaques dessa nova fase estão: •⁠ ⁠A ampliação da linha de microinversores com a chegada da Hoymiles para projetos residenciais padrão; •⁠ ⁠A entrada da SolaX Power em soluções híbridas com armazenamento integrado; •⁠ ⁠A expansão das alternativas para projetos financiados via BNDES com a Livoltek; •⁠ ⁠A chegada da EcoFlow para aplicações de energia portátil e backup residencial; •⁠ ⁠E a consolidação da vertical de BESS da Ecori para aplicações comerciais e industriais. Segundo a empresa, cada nova solução incorporada ao portfólio segue o mesmo critério que orienta sua atuação desde o início: curadoria técnica, suporte especializado e visão de longo prazo. “Mais do que oferecer produtos, buscamos entregar segurança para que os integradores executem seus projetos com confiança. O mercado amadureceu, os cenários mudaram e hoje cada aplicação exige uma solução específica”, destaca a Ecori. A companhia reforça que o novo posicionamento não representa uma ruptura com sua história, mas uma evolução natural construída ao longo dos últimos 15 anos. “Porque energia solar não é tudo igual. E cada projeto exige a solução certa.” Ecori 15 anos. Do micro ao macro. Mais tecnologia. Mais possibilidades. A mesma Ecori. Ecori completa 15 anos e apresenta novo posicionamento “do micro ao macro”

  • EnergyChannel | Reconhecimento ao protagonismo na geração distribuída

    Carlos Evangelista é homenageado pelo FASE por contribuição ao avanço das energias renováveis no Brasil EnergyChannel | Reconhecimento ao protagonismo na geração distribuída Por Ricardo Honório | EnergyChannel O setor elétrico brasileiro prestou uma homenagem a uma de suas figuras mais influentes na última década. Carlos Evangelista, fundador e ex-presidente da ABGD – Associação Brasileira de Geração Distribuída, foi reconhecido pelo FASE – Fórum das Associações do Setor Elétrico por sua trajetória e contribuição ao desenvolvimento da geração distribuída e das energias renováveis no país. A honraria foi entregue pessoalmente por Mario Menel, presidente do FASE, e simboliza o reconhecimento institucional ao papel estratégico desempenhado por Evangelista em um dos períodos mais transformadores da matriz energética brasileira. ### Um ciclo de crescimento e consolidação Durante sua liderança à frente da ABGD, Carlos Evangelista esteve no centro da expansão da geração distribuída no Brasil — um movimento que redefiniu a forma como consumidores, empresas e investidores enxergam a produção de energia. Sob sua gestão, o segmento experimentou um crescimento exponencial, impulsionado principalmente pela energia solar fotovoltaica, que se consolidou como uma das principais alternativas para diversificação da matriz elétrica, redução de custos e aumento da autonomia energética. Mais do que números, sua atuação foi marcada por uma agenda ativa de articulação institucional, defesa regulatória e estímulo à inovação. Evangelista contribuiu diretamente para o fortalecimento do ambiente de negócios, promovendo maior segurança jurídica e incentivando a participação de novos players no mercado. ### Liderança em um momento decisivo O reconhecimento do FASE acontece em um contexto em que a geração distribuída se posiciona como peça-chave na transição energética brasileira. A descentralização da produção de energia, aliada à digitalização e ao avanço tecnológico, tem impulsionado novos modelos de consumo e geração, alinhados às metas globais de sustentabilidade. Nesse cenário, a atuação de líderes como Carlos Evangelista ganha ainda mais relevância. Sua defesa pela modernização do setor elétrico e pela democratização do acesso à energia ajudou a pavimentar o caminho para um mercado mais competitivo, resiliente e inclusivo. ### Legado para o futuro energético do Brasil A homenagem do FASE não apenas celebra uma trajetória individual, mas também simboliza o amadurecimento de um setor que, em poucos anos, saiu de uma posição emergente para se tornar estratégico dentro da matriz energética nacional. O legado de Evangelista está diretamente ligado à consolidação da geração distribuída como vetor de desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental pilares fundamentais para o futuro energético do Brasil. Ao reconhecer essa trajetória, o setor elétrico reafirma a importância da liderança, da visão de longo prazo e da colaboração institucional na construção de um sistema energético mais moderno, eficiente e acessível. EnergyChannel | Reconhecimento ao protagonismo na geração distribuída

  • CTNano/UFMG: 15 anos de inovações e impactos na indústria brasileira

    Como uma das maiores inovações da ciência moderna, a nanotecnologia promove avanços cada vez mais significativos em setores diversos, como a indústria de tecidos, a medicina, a eletrônica, o meio ambiente, a alimentação e os cosméticos. Invisíveis a olho nu, os nanomateriais representam uma verdadeira revolução tecnológica por meio da manipulação da matéria em escala nanométrica, operando no nível de átomos e moléculas para alcançar resultados gigantescos. No Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), essa transformação é vivenciada diariamente por estudantes e pesquisadores do Centro de Tecnologia em Nanomateriais e Grafeno da Universidade Federal de Minas Gerais (CTNano/UFMG), que também atua como uma Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) de Materiais Avançados e Nanotecnologia. O Centro conta com uma infraestrutura superior a 3.000 m² e abriga mais de dez laboratórios especializados que dão suporte a pesquisas aplicadas e às demandas do mercado, incluindo o desenvolvimento de soluções em escala piloto de produção. Ao completar 15 anos de atividades recentemente, a instituição disponibiliza laboratórios voltados para nanotubos de carbono, grafeno, cerâmicos, cimento, química, polímeros, além de saúde, segurança e meio ambiente. Dessa forma, transforma o conhecimento teórico em inovação aplicada, aceleração de processos, formação de mão de obra qualificada, transferência tecnológica e competitividade industrial. Celebrando esse marco temporal, o professor titular de Física da UFMG e coordenador do Centro, Rodrigo Gribel Lacerda, salienta o impacto gerado pela instituição: “Esses 15 anos são um marco de uma trajetória na ciência, inovação e no impacto para a sociedade e para a indústria brasileira. Desde sua fundação, o Centro se consolidou como uma referência nacional em nanotubos de carbono, grafeno e outros nanomateriais, unindo excelência acadêmica à capacidade de transformar conhecimento em soluções reais”. Entre as principais frentes de atuação do CTNano/UFMG, destacam-se a produção em larga escala de óxido de grafeno, grafeno reduzido e nanotubos de carbono, além da criação de nanossensores de gases altamente sensíveis e da plataforma de diagnóstico rápido BioSearch. O portfólio tecnológico também engloba o desenvolvimento de nanocompósitos poliméricos aplicados à mineração com grande aumento de durabilidade, membranas de osmose reversa recobertas com grafeno, materiais cimentícios avançados com diversas patentes e revestimentos anticorrosivos para metais. No campo energético e sustentável, o Centro desenvolve soluções para a recuperação avançada de petróleo em poços maduros e impulsiona iniciativas de economia circular, como a utilização de garrafas PET pós-consumo para gerar nanomateriais focados na recuperação de solos desertificados. Essas ações integradas consolidam a instituição como referência nacional ao conectar diretamente a ciência com os desafios reais do mercado, combinando inovação e impacto econômico. A professora de Química da UFMG, vice-coordenadora do Centro e coordenadora da Unidade Embrapii, Glaura Goulart Silva, complementa essa visão sobre o papel formativo e integrador da entidade: “Mais do que um centro de pesquisa, a instituição tornou-se um ambiente de formação, colaboração e inovação aberta, formando profissionais que hoje atuam em todo o país e no exterior, conectando universidade e indústria e ampliando a presença de Minas e do Brasil no cenário internacional da nanotecnologia”. Pioneiro na síntese de nanotubos de carbono no país, o Centro expandiu seu portfólio para abranger uma dezena de nanomateriais produzidos em escala piloto, contando com uma equipe multidisciplinar de físicos, químicos, biólogos e engenheiros. Atualmente, o corpo técnico soma mais de 150 colaboradores, centenas de artigos publicados e mais de 40 patentes depositadas. Toda essa estrutura e competência técnica viabilizam parcerias sólidas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e prestação de serviços com grandes corporações, a exemplo de Petrobras, Vale, Gerdau, Suzano e Intercement, frequentemente contando com recursos e suporte de agências de fomento como Fapemig, Fundep e BNDES. Adicionalmente, para garantir a continuidade, a comercialização e a implementação em larga escala das inovações geradas, o ecossistema do CTNano/UFMG já impulsionou o surgimento de quatro startups spin-offs: Nanoview Nanotecnologia, IPol Nanotecnologia, EcoCarbono e Neotec. CTNano/UFMG: 15 anos de inovações e impactos na indústria brasileira

  • Da infraestrutura à inteligência energética: como a FLEXECHARGE quer redefinir o futuro da recarga elétrica

    EnergyChannel | Entrevista Especial – Maio 2026 Por Ricardo Honório, direto da Europa Em meio à rápida expansão da mobilidade elétrica global, uma nova camada tecnológica começa a se destacar como peça-chave para a sustentabilidade econômica e operacional das redes de recarga: a inteligência energética. Para entender essa transformação, o EnergyChannel conversou com Christophe Lephilibert, Diretor de Marketing & Comunicação da FLEXECHARGE empresa europeia que vem ganhando protagonismo ao atuar justamente onde muitos players ainda enfrentam desafios: a orquestração inteligente da energia. Muito além do hardware: a camada invisível que define a eficiência Diferente de fabricantes de carregadores ou operadores de pontos de recarga (CPOs), a FLEXECHARGE ocupa uma posição estratégica dentro do ecossistema. “Nós somos a camada de inteligência da infraestrutura de recarga”, afirma Lephilibert. “Não competimos com operadores, plataformas CPMS ou fabricantes. Tornamos todos eles mais inteligentes.” No centro dessa proposta está um dos maiores desafios do setor: as limitações da rede elétrica e os custos energéticos. Com soluções como HARMON-E e Gateway Connect, a FLEXECHARGE permite que operadores gerenciem cargas, integrem energia solar, utilizem baterias (BESS), atendam exigências das concessionárias e preparem seus ativos para os mercados de flexibilidade energética. 🔍 Diferencial competitivo: controle local com inteligência em escala O grande diferencial da FLEXECHARGE está na combinação entre controle operacional local e inteligência em nível de portfólio. Enquanto o HARMON-E atua como um cérebro central para múltiplos ativos energéticos, o FLEXBOX oferece gerenciamento local plug-and-play, reduzindo complexidade e acelerando implantações. Mas a atuação vai além do balanceamento de carga tradicional. “Nós ajudamos operadores a evitar sobrecargas na rede, reduzir custos de pico, integrar renováveis e baterias e preparar seus ativos para mercados de flexibilidade.” Na prática, a infraestrutura de recarga deixa de ser apenas um centro de custos e passa a se tornar um ativo energético estratégico. O mercado entra em uma nova fase Segundo Lephilibert, o mercado de eletromobilidade está migrando da corrida pela instalação para a corrida pela otimização. “A primeira fase foi instalar carregadores rapidamente. A próxima será torná-los rentáveis.” Com a expansão dos veículos elétricos, aumentam também as pressões sobre capacidade da rede, custos energéticos e viabilidade econômica dos projetos. Nesse novo cenário, o sucesso dependerá de: Uso inteligente da energia disponível Integração de ativos locais como solar e baterias Participação em mercados de flexibilidade energética “A infraestrutura de recarga deixará de ser hardware isolado e passará a fazer parte de um ecossistema energético integrado.” Os principais desafios do setor Mesmo com o crescimento acelerado, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes: Limitação da capacidade da rede elétrica Altos custos de conexão Tarifas elevadas em horários de pico Complexidade regulatória Além disso, existe o risco de ativos subutilizados em mercados ainda em amadurecimento. Para a FLEXECHARGE, a resposta está na inteligência operacional. “A solução não é apenas expandir mais é expandir de forma mais inteligente.” Inovação aplicada: carregadores como ativos energéticos Um dos casos mais emblemáticos é o projeto de Virtual Power Plant (VPP) desenvolvido com a Recharge. Nesse projeto, carregadores rápidos DC passaram a atuar como ativos energéticos controláveis, capazes de interagir com a rede elétrica. A tecnologia da FLEXECHARGE permite: Gestão dinâmica de carga Otimização energética local Controle de baterias (BESS) Peak shaving Estratégias tarifárias inteligentes Preparação para mercados de flexibilidade Esse conceito de “value stacking” permite extrair múltiplas camadas de valor da infraestrutura de recarga. Da infraestrutura à inteligência energética: como a FLEXECHARGE quer redefinir o futuro da recarga elétrica

  • O LRCAP E O VERDADEIRO CUSTO DA “ENERGIA MAIS BARATA”

    O debate sobre o Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026 expõe uma transformação estrutural importante no setor elétrico brasileiro. O Brasil está deixando de discutir apenas expansão energética e começando a discutir potência, flexibilidade operativa, confiabilidade e segurança sistêmica do Sistema Interligado Nacional (SIN). O LRCAP E O VERDADEIRO CUSTO DA “ENERGIA MAIS BARATA” Nos últimos anos, o crescimento acelerado da geração solar e eólica trouxe ganhos relevantes para a matriz elétrica brasileira, ampliando a participação renovável e reduzindo preços em determinados períodos do dia. Porém, também aumentou significativamente a complexidade operacional do sistema. O ONS vem alertando há anos sobre desafios relacionados à variabilidade da geração, necessidade crescente de reserva operativa, dificuldades no atendimento da ponta de carga, aumento do curtailment e maior dependência de flexibilidade operativa. Nesse contexto, a contratação de capacidade passou a ser tratada como instrumento de segurança energética. O problema central, portanto, não está na existência da necessidade de potência adicional. O problema está no desenho econômico, concorrencial e regulatório utilizado para realizar essa contratação. O LRCAP NÃO FOI PEQUENO O LRCAP 2026 contratou aproximadamente 19 GW de potência, um volume extremamente elevado para os padrões históricos do setor elétrico brasileiro. O número chamou atenção não apenas pelo porte da contratação, mas também pelo impacto econômico potencial associado aos contratos de longo prazo firmados no certame. Além do volume contratado, o leilão passou a concentrar discussões sobre preço-teto, baixa competição, concentração de mercado, metodologia econômica e racionalidade da expansão. O baixo deságio observado no certame e o aumento relevante do preço-teto em curto espaço de tempo ampliaram os questionamentos sobre a eficiência econômica da contratação. A rápida formação de negociações secundárias envolvendo projetos vencedores também elevou a percepção de risco regulatório e concorrencial dentro do mercado. REDUZIR O PLD NÃO SIGNIFICA ELIMINAR CUSTOS Parte do discurso político passou a associar o LRCAP à redução do PLD, diminuição das bandeiras tarifárias e aumento da segurança energética. Tecnicamente, maior disponibilidade de potência pode realmente reduzir eventos extremos de preço no mercado de curto prazo e diminuir riscos operacionais em determinados cenários. Mas existe um ponto que raramente aparece de forma clara no debate público: reduzir volatilidade do PLD não significa eliminar custo estrutural do sistema. Quando o setor elétrico passa a contratar capacidade através de contratos de potência, parte relevante do custo deixa de aparecer diretamente no mercado spot e passa a ser incorporada à estrutura de encargos e pagamentos regulatórios. Ou seja, o custo não desaparece. Ele muda de lugar. QUEM PAGARÁ ESSA CONTA? O próprio Decreto nº 10.707/2021 criou o ERCAP, Encargo de Reserva de Capacidade, justamente para viabilizar economicamente a contratação de potência. Na prática, a regulamentação atual aponta para compartilhamento relevante desses custos entre consumidores conectados ao SIN, incluindo consumidores livres, consumidores cativos e autoprodutores conectados à rede. Isso significa que a redução da volatilidade do mercado de curto prazo não representa ausência de custo para o consumidor final. Significa apenas uma redistribuição desse custo dentro da estrutura tarifária e dos encargos setoriais. Existe uma percepção equivocada de que o mercado livre estaria relativamente protegido dessas mudanças estruturais. Não está. Consumidores livres já participam de diversos encargos sistêmicos associados à segurança operativa e à confiabilidade do sistema. O próprio avanço da lógica de contratação de capacidade amplia essa tendência de compartilhamento de custos relacionados à expansão e à segurança energética. Na prática, parte da volatilidade que antes aparecia diretamente no PLD pode migrar gradualmente para custos estruturais permanentes associados à disponibilidade de potência, reserva operativa e confiabilidade sistêmica. O PROBLEMA DO LRCAP TAMBÉM É INSTITUCIONAL A discussão sobre o LRCAP deixou de ser apenas técnica e passou a envolver governança regulatória, segurança jurídica e planejamento setorial. Os questionamentos recentes envolvendo o Tribunal de Contas da União (TCU), manifestações do Ministério Público Federal e a própria judicialização do certame ampliaram significativamente a tensão institucional no setor elétrico brasileiro. O debate passou a envolver não apenas necessidade de capacidade, mas também racionalidade econômica da contratação, concentração de mercado, modicidade tarifária e consistência metodológica dos estudos utilizados para justificar a expansão. Nesse contexto, a própria ANEEL passou a reforçar publicamente que a definição de parâmetros estruturais do leilão, como preços-teto e volume contratado, pertence ao Ministério de Minas e Energia (MME), à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e não diretamente à agência reguladora. Esse ponto é extremamente relevante porque evidencia uma característica central do modelo institucional brasileiro: planejamento energético, formulação de política pública e regulação operam de forma segregada. Enquanto MME, EPE e ONS atuam diretamente nas premissas estruturais da expansão, a ANEEL concentra-se na operacionalização regulatória e fiscalização contratual. O avanço das discussões no TCU acabou ampliando um debate mais profundo sobre os limites institucionais entre regulador, planejadores setoriais, órgãos de controle e agentes de mercado. A QUESTÃO METODOLÓGICA CONTINUA ABERTA Outro ponto relevante envolve os próprios estudos de adequabilidade do sistema. O CMSE registrou discussões sobre reavaliações metodológicas envolvendo o CVaR e os impactos das usinas vencedoras do LRCAP nos estudos futuros. Isso abriu espaço para questionamentos sobre as premissas utilizadas nos estudos, a modelagem adotada, a transparência regulatória e a consistência metodológica da expansão contratada. A discussão tornou-se ainda mais sensível porque envolve contratos bilionários com impactos de longo prazo sobre consumidores, investidores e sobre a própria estrutura tarifária do setor elétrico brasileiro. SEGURANÇA ENERGÉTICA TEM CUSTO À medida que o SIN se torna mais dependente de flexibilidade operativa e resposta rápida, atributos como potência disponível, reserva operativa e confiabilidade passam a ter peso econômico crescente dentro do setor elétrico. Esse fenômeno não ocorre apenas no Brasil e já vem sendo observado em diversos mercados internacionais com elevada participação renovável. Nesse contexto, a discussão central deixa de ser apenas expansão energética e passa a envolver o custo sistêmico da confiabilidade. Maior segurança operativa exige contratação de capacidade, disponibilidade e flexibilidade atributos que possuem impacto econômico relevante e que tendem a ser incorporados, direta ou indiretamente, à estrutura tarifária e aos encargos do setor elétrico. Talvez o maior erro do debate atual seja transmitir a percepção de que seria possível ampliar segurança energética, reduzir volatilidade do PLD e minimizar riscos operacionais sem aumento estrutural de custos para o sistema. Em sistemas elétricos complexos, isso dificilmente ocorre. No final, o custo da confiabilidade não desaparece. Ele apenas muda de lugar dentro da estrutura regulatória e tarifária do setor elétrico brasileiro. O LRCAP E O VERDADEIRO CUSTO DA “ENERGIA MAIS BARATA”

  • IA e Energia Solar: Como a Drospect Está Redefinindo as Inspeções em Usinas Fotovoltaicas de Grande Escala

    Por Ricardo Honório | EnergyChannel Special Report À medida que o setor solar global avança em ritmo acelerado, um novo desafio começa a ganhar relevância nas operações de usinas de grande porte: o gerenciamento do enorme volume de dados gerados pelas inspeções modernas de ativos fotovoltaicos. De imagens térmicas capturadas por drones a análises preditivas de manutenção, operadores enfrentam hoje uma realidade em que os fluxos de trabalho manuais já não conseguem acompanhar a escala da expansão da infraestrutura solar. É nesse contexto que a Drospect Oy se posiciona combinando inteligência artificial, análise térmica e tecnologias de inspeção por drones para modernizar a forma como ativos solares são monitorados e mantidos. Segundo Meti Latifi, fundador e CEO da empresa, o setor está se aproximando rapidamente de um ponto de inflexão, no qual a inteligência artificial deixa de ser opcional e passa a ser essencial para a operação. “A indústria solar está produzindo mais dados de inspeção do que equipes conseguem revisar manualmente”, afirma Latifi. “Nossa IA automatiza a detecção, classificação e localização de falhas para que as empresas possam agir mais rápido e tomar decisões mais inteligentes.” A plataforma da empresa analisa imagens térmicas e visuais capturadas por drones para identificar hotspots, módulos defeituosos, falhas em diodos e outras anomalias de desempenho. Além disso, gera ortomosaicos térmicos, relatórios automatizados e ferramentas de gestão de inspeções em nível de usina, projetadas para integração direta com fluxos operacionais existentes. Um dos principais diferenciais da Drospect está na flexibilidade. Empresas podem utilizar a plataforma como solução independente, integrá-la via API aos seus sistemas de gestão de ativos ou até treinar modelos personalizados de inteligência artificial com base em seus próprios dados de inspeção. À medida que os portfólios solares se expandem, o foco do setor deixa de estar apenas na instalação de novos projetos e passa a priorizar a eficiência operacional ao longo de décadas. Nesse cenário, a inteligência artificial permite a transição de um modelo reativo para um modelo de manutenção baseada em condição reduzindo visitas desnecessárias em campo, otimizando equipes técnicas e aumentando a confiabilidade da geração de energia. Ainda assim, desafios estruturais permanecem. Um dos principais é a fragmentação de dados. Imagens de inspeção, sistemas SCADA, históricos de manutenção e mapas de ativos frequentemente operam de forma isolada, dificultando uma visão integrada das operações. Outro ponto crítico é a confiança nos resultados gerados pela inteligência artificial. “As equipes precisam de resultados precisos, explicáveis e confiáveis o suficiente para orientar decisões reais de manutenção”, destaca Latifi. Um caso recente ilustra o impacto operacional da tecnologia. Durante a inspeção de uma usina solar de aproximadamente 50 MW, a Drospect processou 27.368 imagens térmicas em menos de 30 horas. Uma análise manual equivalente exigiria cerca de 228 horas de trabalho especializado. Além da redução de custos, o sistema entregou localização precisa de falhas e integração direta com os processos de manutenção do cliente. Olhando para o futuro, o papel da inteligência artificial no setor energético não será definido apenas pela geração de dados, mas pela capacidade de transformá-los em decisões rápidas e confiáveis. Drospect Oy participará da Intersolar Europe 2026, em Munique, entre os dias 23 e 25 de junho. Para mais informações ou agendar uma reunião:👉 Site oficial da Drospect IA e Energia Solar: Como a Drospect Está Redefinindo as Inspeções em Usinas Fotovoltaicas de Grande Escala

  • Brasil entre avanços e retrocessos: o carvão como obstáculo à transição energética

    O relatório Boom and Bust 2026, publicado pelo Global Energy Monitor (GEM), trouxe à tona uma contradição que se tornou evidente para quem acompanhou a COP30 no Brasil: ao mesmo tempo em que o país encerrou oficialmente todos os projetos de novas usinas a carvão mineral, o governo federal aprovou medidas que prolongam a vida útil de usinas antigas até 2040 e, possivelmente, até 2050. Estive presente na COP30 e participei de um movimento que se somou ao manifesto do Instituto Internacional ARAYARA, denunciando os impactos da indústria do carvão sobre a saúde pública, o meio ambiente e a economia. O manifesto alertava que o Brasil estava construindo um verdadeiro “mapa do caminho rumo ao abismo climático”, ao incluir o carvão no sistema elétrico nacional por mais três décadas, ignorando alternativas renováveis abundantes e mais baratas. O paradoxo brasileiro O relatório do GEM mostra que, em 2025, o Brasil alcançou o status de “Nenhuma Nova Usina a Carvão”, encerrando projetos como Nova Seival e Ouro Negro, ambos no Rio Grande do Sul. Esse avanço foi celebrado como um marco para a América Latina. No entanto, logo após a COP30, o governo sancionou a Lei nº 15.269, prorrogando contratos de usinas a carvão até 2040. Entre os contratos bilionários firmados estão o do Complexo Jorge Lacerda, em Santa Catarina, com custo anual de R$ 1,8 bilhão, e o da Usina Candiota III, no Rio Grande do Sul, renovado até 2040 por R$ 859 milhões anuais, apesar de multas ambientais não pagas e processos judiciais em curso. Além disso, o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, apelidado de “eletrolão”, contratou 1,4 GW de carvão importado para Itaqui, Pecém I e Pecém II. Essas medidas comprometem recursos públicos estimados em mais de R$ 100 bilhões até 2040, que poderiam ser destinados à transição energética justa e sustentável. Impactos sociais e ambientais Os custos da insistência no carvão não se limitam ao aspecto econômico. Estudos do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), em parceria com o Instituto ARAYARA, apontam que as atividades do complexo de Candiota podem causar até 1.300 mortes e gerar custos de saúde de R$ 11,7 bilhões até 2040. Os efeitos se estendem inclusive a países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai. Outro levantamento apresentado na COP30 revelou que quase 10% do território de Santa Catarina está contaminado pela mineração de carvão, principalmente pela drenagem ácida de minas considerado o maior passivo ambiental desse tipo na América Latina. Justiça e resistência A sociedade civil tem desempenhado papel fundamental na resistência. Em maio de 2026, a Justiça Federal suspendeu a renovação da licença da Usina Candiota III, exigindo que qualquer nova autorização só ocorra após análise dos impactos climáticos e ambientais. Essa decisão inédita mostra que há espaço para frear a agenda pró-carvão, mas também evidencia o quanto o setor elétrico está contaminado por interesses corporativos. O setor elétrico e a necessidade de CPIs O chamado “eletrolão” de 2026 escancarou como os leilões de energia podem ser capturados por interesses privados, garantindo contratos bilionários para fontes poluentes. Esse episódio, somado às prorrogações de contratos sem transparência, reforça a necessidade de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar o setor elétrico. Há indícios claros de captura regulatória, em que grandes corporações moldam políticas públicas para garantir contratos lucrativos, em detrimento da população que paga tarifas cada vez mais altas. Uma CPI sobre o carvão e outra sobre o setor elétrico poderiam expor esses mecanismos e abrir caminho para uma reforma energética verdadeira. O contexto global O relatório do GEM também destaca tendências mundiais. Em 2025, a capacidade global de carvão aumentou 3,5%, enquanto a geração caiu 0,6%. Na China, a capacidade cresceu 6%, mas a geração caiu 1,2%; na Índia, houve expansão de 3,8% na capacidade e queda de 2,9% na produção. Esses países lideram a expansão, com centenas de gigawatts em desenvolvimento, mesmo diante de compromissos de redução do consumo. Fora da Ásia, o cenário é de retração. O número de países com novas propostas caiu de 38 em 2024 para 32 em 2025. A Coreia do Sul anunciou eliminação gradual até 2040, e o Brasil e Honduras saíram do pipeline, deixando a América Latina sem novos projetos. Liderança brasileira está em jogo O Brasil tem todas as condições de liderar a transição energética na América Latina, com abundância de recursos renováveis como solar, eólica e biomassa. No entanto, ao prolongar a vida útil de usinas a carvão, o país envia ao mundo um sinal contraditório e perigoso. Como participante da COP30 e do movimento contra o carvão, reafirmo: não podemos aceitar que o futuro energético do país seja sequestrado por interesses corporativos. É hora de pressionar por transparência, investigar contratos e construir uma transição justa e sustentável. O carvão não é apenas uma energia cara e poluente é um símbolo de atraso que ameaça nossa saúde, nosso meio ambiente e nossa credibilidade internacional. O Brasil precisa escolher entre ser protagonista da transição energética ou cúmplice da crise climática. Brasil entre avanços e retrocessos: o carvão como obstáculo à transição energética

  • Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para atender crescimento do estado, avalia executivo da Trael

    INFRAESTRUTURA ENERGÉTICA Para Dimas Yamanaka, Estado já superou antigos gargalos de acesso à energia e agora vive um novo desafio ligado à industrialização e à qualidade do fornecimento O debate sobre energia em Mato Grosso deixou de girar apenas em torno do acesso ao serviço e passou a ocupar posição estratégica nas decisões de investimento, competitividade industrial e expansão econômica. A avaliação é de Dimas Yamanaka, responsável pelas áreas comercial e de marketing da Trael Transformadores Elétricos. Segundo o executivo, o Estado avançou significativamente nas últimas décadas ao ampliar o acesso à energia elétrica, mas agora enfrenta um novo momento, em que a demanda do setor produtivo exige maior capacidade, estabilidade e qualidade no fornecimento. “O impacto dessa nova visão é justamente definir quem vai continuar no jogo”, afirmou. Yamanaka acompanha a evolução do setor elétrico mato-grossense desde a época em que cidades do interior conviviam com limitações severas no abastecimento. Para ele, a realidade hoje é completamente diferente, principalmente após os avanços em distribuição e expansão do sistema elétrico ao longo dos anos. O desafio atual, segundo ele, não é mais apenas levar energia para acender lâmpadas ou manter equipamentos básicos funcionando, mas garantir capacidade energética para sustentar a industrialização, o avanço do agro e o crescimento econômico do estado. “Qualquer decisão de investimento passa por fatores como energia, segurança jurídica, carga tributária e mão de obra. E a energia passou a ocupar um papel central nessa discussão”, disse. Durante o Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, realizado em Cuiabá nos dias 12 e 13 de maio, o setor recebeu anúncios considerados importantes para enfrentar parte desses gargalos, entre eles novos investimentos em transmissão previstos a partir de 2027, o pacote de R$ 9 bilhões da Energisa em distribuição e o avanço do programa MT Trifásico, que prevê investimento de R$ 700 milhões do Governo do Estado para ampliar a oferta de energia trifásica em Mato Grosso. O consultor técnico da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Lucas Simões, confirmou durante o evento que o órgão já conduz estudos estruturantes para Mato Grosso desde 2024 e que há investimentos mapeados para ampliar a capacidade do sistema. Entre os projetos em análise está uma nova interligação no nordeste do estado conectando Mato Grosso a Goiás, utilizando a rota da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, cuja licitação deve ocorrer no próximo ano. Na avaliação de Yamanaka, a combinação entre geração hidráulica, expansão das renováveis e sistemas de armazenamento por baterias deve ganhar protagonismo nos próximos anos, principalmente para equilibrar a intermitência da geração solar. Ao comentar o potencial energético mato-grossense, ele afirmou que o Estado já reúne condições para se consolidar como referência nacional no setor, especialmente pela capacidade de geração limpa e pela posição estratégica dentro do país. “A gente já avançou muito. Hoje o desafio é continuar ampliando a infraestrutura para acompanhar o crescimento do estado e permitir que essa energia chegue com qualidade onde a produção e a indústria precisam”, resumiu. Recém-chegado da feira internacional Triple E, em Chicago, nos Estados Unidos, Yamanaka também destacou que a competitividade do setor elétrico já está inserida em uma disputa global por eficiência, prazo e capacidade de entrega. “Para definir preço e prazo de entrega, não tem como não falar de energia”, concluiu. Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para atender crescimento do estado, avalia executivo da Trael

  • Engenharia para ambientes reais: como os equipamentos solares estão sendo projetados para condições extremas

    Durante muito tempo, a energia solar foi analisada com base em condições ideais: temperatura controlada, operação estável e ausência de interferências externas. Mas a realidade é bem diferente. Engenharia para ambientes reais: como os equipamentos solares estão sendo projetados para condições extremas Calor intenso, umidade, poeira, variações climáticas e ambientes agressivos fazem parte do dia a dia dos sistemas fotovoltaicos especialmente em países como o Brasil. É nesse cenário que a engenharia dos equipamentos se torna um fator decisivo. Temperatura: o desafio constante O Brasil apresenta níveis elevados de radiação solar o que é excelente para geração de energia, mas também traz um desafio importante: o calor. Altas temperaturas impactam diretamente: Eficiência dos componentes eletrônicos Vida útil dos equipamentos Estabilidade de operação Equipamentos mal projetados podem sofrer: Perda de desempenho ao longo do dia Desgaste acelerado Maior risco de falhas Umidade e corrosão Em regiões litorâneas ou com alta umidade, o risco de corrosão se torna relevante. A exposição constante pode afetar: Conectores elétricos Placas eletrônicas Estruturas metálicas Por isso, a proteção contra umidade não é apenas desejável — é essencial. Poeira e sujeira: impacto silencioso Ambientes urbanos, industriais ou rurais trazem outro fator crítico: a sujeira. Poeira acumulada pode: Reduzir a eficiência dos módulos Afetar dissipação térmica Comprometer conexões ao longo do tempo Embora muitas vezes negligenciado, esse é um dos fatores mais comuns de perda de performance. Variações climáticas e exposição contínua Sistemas solares ficam expostos continuamente a: Chuva Vento Radiação UV Variações térmicas diárias Essa exposição exige equipamentos capazes de manter desempenho estável ao longo dos anos. Não se trata apenas de funcionar mas de continuar funcionando bem por décadas. Como a engenharia evoluiu Para responder a esses desafios, os fabricantes passaram a desenvolver equipamentos com foco no mundo real. Entre os principais avanços: Invólucros com alto grau de proteção (IP) Materiais mais resistentes à corrosão Melhor dissipação térmica Componentes eletrônicos mais robustos Microinversores e a robustez distribuída A arquitetura dos microinversores também contribui nesse contexto. Por serem instalados diretamente nos módulos, esses equipamentos precisam ser projetados para suportar condições externas mais exigentes. Isso levou a: Projetos mais resistentes desde a origem Maior tolerância a variações ambientais Operação estável mesmo em cenários adversos Além disso: A distribuição do sistema reduz o impacto de falhas localizadas. Menos pontos críticos, mais resiliência Outro aspecto importante é a redução de pontos vulneráveis. Sistemas mais distribuídos tendem a: Evitar concentração de calor em um único equipamento Reduzir impacto de falhas pontuais Aumentar a resiliência do sistema como um todo Performance ao longo do tempo A engenharia voltada para ambientes reais não impacta apenas a durabilidade — ela influencia diretamente a performance. Equipamentos mais robustos oferecem: Menor degradação ao longo dos anos Operação mais estável Redução de falhas inesperadas Isso se traduz em mais energia gerada ao longo da vida útil. O contexto brasileiro O Brasil é um dos países que mais exigem da engenharia dos sistemas solares. Condições como: Altas temperaturas Forte incidência solar Ambientes litorâneos Regiões com poeira e poluição tornam o país um verdadeiro “teste de resistência” para a tecnologia. A mudança de critério no mercado Com o amadurecimento do setor, surge uma nova pergunta: O equipamento funciona bem no laboratório — mas como ele se comporta no mundo real? Essa mudança de mentalidade começa a influenciar decisões de projeto e escolha de tecnologia. Conclusão: projetado para durar A energia solar não é uma solução de curto prazo. Ela exige sistemas capazes de operar com eficiência e segurança por décadas, enfrentando condições muitas vezes adversas. E isso só é possível quando a engenharia deixa de ser teórica e passa a ser pensada para o mundo real. Próximo episódio No próximo capítulo: Software e inteligência energética: quando a energia passa a ser gerenciada por dados Engenharia para ambientes reais: como os equipamentos solares estão sendo projetados para condições extremas

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