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UE e Reino Unido iniciam virada histórica para integrar mercados de carbono e simplificar comércio agroalimentar

Movimento abre caminho para regulamentações convergentes, redução de custos logísticos e um novo modelo de cooperação climática pós-Brexit.


UE e Reino Unido iniciam virada histórica para integrar mercados de carbono e simplificar comércio agroalimentar
UE e Reino Unido iniciam virada histórica para integrar mercados de carbono e simplificar comércio agroalimentar

Bruxelas e Londres deram um passo concreto rumo a uma relação econômica mais integrada. A União Europeia autorizou o início de negociações formais com o Reino Unido para dois acordos considerados estratégicos para o futuro da descarbonização e do setor agroalimentar: um regime sanitário e fitossanitário unificado (SPS) e a conexão direta entre os mercados de carbono dos dois lados do Canal da Mancha.


A decisão confirmada pelo Conselho da UE é vista por autoridades europeias como uma guinada pragmática que busca reduzir atritos persistentes desde o Brexit, enquanto constrói uma base sólida para políticas climáticas e comerciais mais coordenadas.


Agroalimentos: proposta pode eliminar barreiras e reduzir custos para exportadores

No centro das conversas está o alinhamento das regras sanitárias e fitossanitárias aplicadas a animais, plantas e derivados. Para empresas de alimentos, varejo e logística, a mudança é significativa: com um regime SPS comum, a maioria das inspeções físicas e certificações deixaria de ser exigida, trazendo previsibilidade para um setor pressionado por custos elevados, riscos sanitários e burocracia crescente.


O modelo também reforçaria a posição da Irlanda do Norte, que permaneceria com acesso facilitado tanto ao mercado único europeu quanto ao território britânico um ponto sensível desde a implementação do Quadro de Windsor.


Executivos do setor afirmam que um sistema baseado em alinhamento regulatório e não apenas reconhecimento mútuo pode cortar despesas operacionais e devolver ao comércio agroalimentar o nível de fluidez existente antes da saída britânica do bloco.


Mercados de carbono conectados podem redefinir o mapa climático da Europa

O segundo eixo das negociações tem impacto ainda maior: a possibilidade de interligar o Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS) ao sistema britânico.


Se concretizado, o acordo criaria um dos maiores e mais integrados mercados de carbono do mundo, permitindo a negociação cruzada de créditos, a padronização de preços e a criação de um ambiente mais estável para investimentos em descarbonização.


Os setores inicialmente contemplados incluem:

  • geração de energia,

  • calor industrial,

  • manufatura pesada,

  • aviação e transporte marítimo.


A tendência é que outras indústrias de alta emissão sejam incorporadas gradualmente, criando incentivos alinhados em toda a região.

Para investidores e gestores de portfólio, a interligação reduziria incertezas, aproximaria métricas de risco climático e daria mais clareza às avaliações de longo prazo.


Impactos diretos no CBAM e nas regras de fronteira

Um mercado de carbono unificado teria efeito imediato no Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da UE. Com preços e padrões equivalentes, produtos britânicos poderiam receber isenção de taxas na entrada do bloco. Londres, que prepara seu próprio CBAM, também se beneficiaria de regras mais simples para importadores e exportadores.


Os setores que mais dependem de dados robustos de emissões como aço, cimento, alumínio, fertilizantes e eletricidade pedem clareza urgente para evitar dupla tributação e reduzir a complexidade logística no transporte de bens entre as duas economias.


Governança, prazos e o que as empresas devem monitorar

A Comissão Europeia já está autorizada a abrir diálogos imediatos com o Reino Unido. Qualquer acordo final precisará ser aprovado pelos Estados-membros antes de entrar em vigor.


Para líderes empresariais, os próximos meses exigem atenção especial a três pontos:

  • Alinhamento do preço do carbono: impacto direto na viabilidade de novos projetos industriais e energéticos.

  • Simplificação do comércio agroalimentar: oportunidade para revisar cadeias de suprimento e reduzir custos.

  • Previsibilidade regulatória: maior estabilidade em um momento em que mercados globais de carbono se tornam mais fragmentados.


O que isso significa para o futuro da cooperação climática

Em um cenário de transição energética acelerada, a aproximação entre UE e Reino Unido pode se tornar um modelo internacional de integração entre políticas ambientais e regras de comércio. Caso avance, o acordo representará uma das ligações transfronteiriças de carbono mais robustas já implementadas e um exemplo para países que buscam equilibrar soberania, competitividade e cooperação climática.


Para o EnergyChannel, analistas ouvidos destacam que as negociações representam um raro momento de convergência pós-Brexit e podem redefinir os parâmetros regulatórios que regerão o comércio e a descarbonização da Europa nas próximas décadas.


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