Transição energética venceu o debate agora começa a disputa pelo valor econômico
- Ronaldo Gerdes

- 29 de jan.
- 3 min de leitura
A geração de energia limpa atravessou crises geopolíticas, guerras e ciclos de instabilidade econômica sem perder tração. Em 2025, a União Europeia alcançou um marco histórico ao produzir mais eletricidade a partir de fontes eólica e solar do que de combustíveis fósseis. O dado encerra definitivamente a discussão sobre se a transição energética vai acontecer.

A pergunta que passa a orientar governos, empresas e investidores é outra: quem conseguirá capturar o valor econômico dessa transformação?
Segundo o relatório European Electricity Review 2026, do think tank energético Ember, as fontes eólica e solar responderam por cerca de 30% da eletricidade gerada na União Europeia em 2025, superando os 29% provenientes de fontes fósseis. Quando somadas às hidrelétricas e outras renováveis, quase metade da matriz elétrica do bloco europeu já é composta por energia limpa.
O avanço ocorreu mesmo em um contexto adverso, marcado pelo redirecionamento de recursos públicos para defesa e segurança. O movimento sinaliza uma mudança estrutural: a transição energética deixou de depender exclusivamente de subsídios governamentais e passou a se sustentar, cada vez mais, por fundamentos econômicos.
Solar no centro da transformação global
O principal vetor desse crescimento é a energia solar fotovoltaica. Em apenas um ano, a geração solar cresceu mais de 20% na União Europeia, atingindo aproximadamente 13% da eletricidade produzida no bloco. O fenômeno, no entanto, não se limita à Europa.
Projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a capacidade global de geração renovável deve dobrar até 2030, com cerca de 80% dessa expansão concentrada na fonte solar. China, Índia e países europeus lideram esse movimento, impulsionados por escala industrial, inovação tecnológica e políticas industriais bem definidas.
O fator decisivo por trás dessa aceleração é econômico. O custo nivelado da energia solar caiu cerca de 90% na última década, tornando-a uma das fontes mais baratas de eletricidade em diversas regiões do mundo. Ao mesmo tempo, a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis reforçou a percepção de que segurança energética e descarbonização não são agendas opostas — caminham juntas.
O novo gargalo da transição: confiabilidade
O avanço acelerado das fontes renováveis, no entanto, expõe um novo desafio estrutural: a confiabilidade do sistema elétrico. Fontes intermitentes exigem soluções complementares, como armazenamento de energia, eletrônica de potência, gestão inteligente de cargas, sistemas híbridos e infraestrutura de backup.
Com isso, o centro da criação de valor na transição energética começa a se deslocar. Mais do que simplesmente gerar energia limpa, passa a ser estratégico garantir sua estabilidade, disponibilidade e resiliência. É nesse ponto que tecnologias como baterias, sistemas de armazenamento e soluções de gestão energética ganham protagonismo.
Esse movimento já se reflete no mercado global. Os investimentos em energia limpa superam, hoje, os aportes em novos projetos fósseis. Segmentos como armazenamento de energia, baterias e eletrônica de potência apresentam taxas de crescimento de dois dígitos ao ano, tornando-se pilares da nova arquitetura energética.
Uma corrida industrial e geopolítica
A comparação internacional evidencia uma corrida estratégica. Enquanto Europa, China e Índia avançam com políticas industriais claras, os Estados Unidos reduziram o ritmo após revisões de subsídios e restrições a projetos em áreas federais. O resultado é uma perda relativa de competitividade em setores que devem definir o crescimento econômico das próximas décadas.
A transição energética, portanto, já não é apenas uma resposta à crise climática. Ela se consolidou como uma estratégia industrial, tecnológica e geopolítica. Países e empresas que compreenderem esse novo desenho — investindo não apenas em geração, mas também em infraestrutura, armazenamento e resiliência — estarão melhor posicionados para liderar o próximo ciclo de crescimento global.
Ronaldo GerdesCEO da UCB Power
Sobre a UCB Power
A UCB Power é uma das principais marcas de soluções de armazenamento de energia do Brasil e da América Latina. Com mais de 50 anos de atuação, a empresa combina sólida experiência em manufatura eletrônica com agilidade operacional para atender diferentes mercados e aplicações.
Líder nacional no fornecimento de soluções de armazenamento para sistemas isolados, a UCB Power tem papel estratégico no atendimento a comunidades remotas. Seu portfólio inclui soluções com baterias de chumbo, mobilidade energética e baterias portáteis para dispositivos eletrônicos, fornecidas aos maiores players globais do setor.
A empresa possui sede administrativa em São Paulo, plantas industriais em Manaus (AM) e Extrema (MG), além de escritório em Porto Velho (RO) e parcerias comerciais na Ásia, com presença em Seul (Coreia do Sul) e Shenzhen (China). Signatária do Pacto Global da ONU, a UCB Power se destaca pelo compromisso com inovação, sustentabilidade e acesso à energia limpa.
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