Recarga elétrica em Atibaia: FX Recharge e Renew discutem integração entre redes e desafios da operação
Em entrevista ao EnergyChannel, Ricardo Honório e Eduardo Nicol abordam infraestrutura, custos, segurança e fidelização como fatores para desenvolver o mercado de eletropostos
A expansão da infraestrutura de recarga exige mais do que instalar carregadores. Disponibilidade de energia, manutenção, segurança e integração entre aplicativos estão entre os fatores que determinam a experiência do motorista e a sustentabilidade de uma estação. Esses temas foram discutidos por Ricardo Honório, apresentador do EnergyChannel e sócio da FX Recharge, e Eduardo Nicol, da Renew Recharge, em uma conversa gravada em Atibaia, no interior de São Paulo.
Realizada em uma estação da FX Recharge, a entrevista apresentou a parceria entre as empresas e a visão dos participantes sobre os desafios de implantação e operação dos eletropostos. Na divisão de responsabilidades descrita durante a conversa, a Renew atua na engenharia e na operação da rede FX.
Segundo Nicol, a entrada da empresa na eletromobilidade aconteceu após uma trajetória no setor de energias renováveis, com projetos de geração solar e armazenamento em baterias. A experiência em um projeto de pesquisa e desenvolvimento que combinava baterias e carregadores veiculares contribuiu para aproximar a empresa desse mercado.
Posteriormente, a atuação em instalações para outras redes levou ao planejamento de uma operação própria de recarga e à parceria com a FX Recharge.
Integração entre redes amplia as opções de recarga
Um dos pontos centrais da entrevista foi o roaming, mecanismo que permite ao motorista utilizar o aplicativo de uma rede para acessar estações de outras empresas integradas ao mesmo ecossistema.
Durante a gravação, os participantes relataram o uso de aplicativos diferentes para realizar recargas na estação da FX Recharge. A proposta é reduzir a necessidade de múltiplos cadastros e ampliar as opções disponíveis ao usuário.
“Então é um ecossistema”, afirmou Nicol ao explicar a relação entre as redes.
A abrangência desse acesso depende das integrações disponíveis em cada plataforma. Por isso, o motorista precisa consultar no aplicativo quais estações estão habilitadas, suas condições de uso e as tarifas aplicáveis.
Para Ricardo, a cooperação pode contribuir para desenvolver a infraestrutura e facilitar a experiência de quem começa a utilizar um veículo elétrico.
O custo da operação vai além da energia entregue ao veículo
A sustentabilidade financeira dos eletropostos também ocupou parte importante da conversa. Os entrevistados destacaram que a receita das recargas precisa cobrir despesas que vão além da eletricidade transferida para a bateria.
Manutenção, conectividade, seguros, impostos, monitoramento e reposição de componentes estão entre os itens mencionados. A indisponibilidade de um equipamento também pode comprometer o faturamento e afetar a confiança do consumidor.
“Margem de lucro e faturamento são coisas diferentes”, observou Nicol.
Na avaliação dos participantes, a formação de preços deve considerar os custos e as características de cada instalação. Promoções podem ajudar a apresentar uma nova estação ao público, mas precisam ser planejadas dentro da capacidade financeira da operação.
A entrevista também abordou o período de amadurecimento de um ponto recém-inaugurado. Para os participantes, localização, divulgação e recorrência de uso influenciam esse processo. As expectativas apresentadas na conversa representam a avaliação das empresas e não constituem garantia de ocupação ou retorno financeiro.
Localização, segurança e energia orientam a implantação
Nicol apresentou cinco aspectos que considera relevantes para selecionar um ponto: horário de funcionamento, conveniência, segurança, disponibilidade de energia e comunicação.
A proximidade de restaurantes, padarias e outros serviços pode tornar o tempo de recarga mais útil para o motorista. Já a infraestrutura elétrica disponível interfere na potência que poderá ser instalada e no planejamento da expansão.
Os entrevistados também relataram dificuldades relacionadas aos prazos de atendimento das distribuidoras em projetos que exigem adequações da conexão elétrica.
Outro tema foi a necessidade de incorporar proteção elétrica, sinalização, manutenção e seguros ao planejamento. A conversa ressaltou que esses elementos fazem parte da estrutura operacional do eletroposto, embora nem sempre sejam percebidos pelo usuário.
Fidelização aproxima recarga e comércio local
O Clube Recharge foi apresentado como uma iniciativa de fidelização baseada no volume de energia utilizado pelo cliente.
Conforme explicado na entrevista, o consumo acumulado em um mês serve de referência para definir a categoria do usuário e os descontos disponíveis no período seguinte. Nicol afirmou que a iniciativa também se estende à FX Recharge dentro da parceria entre as empresas.
A proposta inclui a possibilidade de benefícios em estabelecimentos próximos às estações, como cafeterias e serviços automotivos. A disponibilidade dessas vantagens depende das condições de cada unidade e das parcerias locais.
Para os entrevistados, aproximar recarga e conveniência pode estimular tanto a utilização dos carregadores quanto a circulação de consumidores no entorno.
Expansão depende de execução e qualidade do serviço
Ao final da conversa, Ricardo e Nicol manifestaram a intenção de ampliar suas redes e citaram uma meta conjunta de chegar a mil postos até 2028.
O número foi apresentado como uma ambição empresarial. Sua concretização dependerá de investimentos, seleção de locais, disponibilidade de energia e execução dos projetos.
A entrevista também abordou a experiência dos participantes com veículos elétricos. Os relatos de economia refletem situações individuais; custos de uso, manutenção e recarga variam conforme o veículo, a tarifa e o perfil de utilização.
A discussão em Atibaia evidencia os diferentes desafios envolvidos no desenvolvimento de uma rede: instalar equipamentos, manter o serviço disponível, facilitar o acesso e construir uma operação financeiramente sustentável.
Nota de transparência: Ricardo Honório, apresentador do EnergyChannel e participante desta entrevista, também é sócio da FX Recharge. A Renew Recharge atua como parceira de engenharia e operação da rede FX, conforme informado na conversa.Recarga elétrica em Atibaia: FX Recharge e Renew discutem integração entre redes e desafios da operação









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