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🌞 Preço da Abundância: A conta chega para todos

27 de jun. de 2025
3 min de leitura

Por Hewerton Martins, Presidente do Movimento Solar Livre


“Estamos vivendo um verdadeiro paradoxo energético no Brasil.”


🌞 Preço da Abundância: A conta chega para todos

Enquanto o mundo disputa cada megawatt para mover data centers e indústrias verdes, o Brasil, um dos países com maior potencial solar e eólico do planeta, desperdiça energia limpa aos montes, penaliza quem gera a própria energia e empurra toda a sociedade para tarifas mais caras, sem oferecer planejamento, segurança ou justiça ao consumidor.


Em 2024, as grandes usinas centralizadas de energia solar e eólica (as centrais em parque) foram alvo de cortes: o ONS registrou 4.330 GWh de energia limpa desperdiçada, simplesmente porque faltam linhas de transmissão e capacidade de armazenamento.

Isso representa energia suficiente para abastecer cerca de 2,2 milhões de residências por um ano, com base no programa social que distribui 80 kWh/mês a famílias do CadÚnico (MP 1.300).


Mas, em vez de transformar essa abundância em benefício ao cidadão, o governo prefere acionar termelétricas, impor bandeira vermelha na tarifa e agora mira os pequenos geradores distribuídos (as placas solares no telhado), com uma proposta absurda do Ministério da Fazenda (Haddad), para incluir a MMGD nos cortes contábeis — em total descompasso com a Lei 14.300, que garante o direito à compensação da energia solar.


Enquanto isso, o consumidor final já paga a “taxação do fio” prevista no marco legal, enfrenta reprovações indevidas por “inversão de fluxo” nas conexões e luta por uma simples autorização para gerar energia em casa. Pequenas empresas, escolas e comércios usam o solar como estratégia de sobrevivência frente a uma tarifa que beira o absurdo, mas são tratados como parte do problema.


E não é só o residencial: a indústria brasileira também é penalizada, perdendo competitividade com tarifas elevadas. E até o setor de grande porte sofre: grandes parques solares e eólicos estão sendo desligados, mesmo com contratos firmados, por falta de infraestrutura.


“Este problema não é técnico, é político.”


Dentro do Congresso, essa crise vem se intensificando. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disparou críticas diretas ao ministro Alexandre Silveira por falta de planejamento energético e por ações que penalizam toda a sociedade. Em sessão plenária, Alcolumbre declarou:


“Chega de narrativas manipuladas e terrorismo tarifário… Não há aumento tarifário. Há, sim, compromisso com a modicidade tarifária, com o equilíbrio federativo, com a inovação e com o futuro do setor elétrico nacional.”

(valor.globo.com, eixos.com.br)


O embate é claro: Alcolumbre, que já pediu a saída do ministro por ignorar demandas da Casa e do setor, acusa o governo de tentar transferir os prejuízos pela falta de infraestrutura ao consumidor. É um conflito explícito, que sinaliza uma crise institucional cada vez mais grave.


“O governo desperdiça o insumo estratégico do século XXI.”


Enquanto isso, em Londres e no Reino Unido, empresas como Octopus Energy e E.ON Next aplicam tarifas dinâmicas: quando sobra energia renovável, o preço cai — às vezes até zero — incentivando o consumo e premiando quem ajuda na estabilidade da rede.


No Brasil, quando sobra energia, o preço sobe. Não há estratégia, não há política, não há visão. Hidrelétricas nem são usadas como baterias naturais, armazenamento é ignorado e linhas de transmissão são deixadas para depois.


“Isso não é escassez de energia, é escassez de visão.”


A pergunta que fica ecoando é simples:


É isso mesmo? Esse é o caminho?


Ou vamos continuar penalizando quem gera com suor e investimento? Vamos manter os pequenos, grandes, indústrias e centros vulneráveis pagando pela falta de planejamento de quem deveria cuidar do país?


É hora de transformar a abundância em energia limpa, barata e justa, e recuperar o futuro que já está sendo desperdiçado.

3 comentários

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Convidado:
30 de jun. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabéns Hewerton,

Precisamos continuar nessa luta, informando e buscando estratégia para que chegue nos políticos as informações de forma acertiva.

Vamos pra frente!!

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Thiago
29 de jun. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabéns pela contribuição Everton.

Infelizmente temos muito desserviço e privilégio para lobbies, assim como discursos pró sustentabilidade, mas na verdade a atitudes, propostas e decisões vão totalmente ao contrário limitando acesso a fontes de energias renováveis e acessíveis a população em geral.


As grandes concessões são realizadas de forma deliberada, sem as devidas proteções ao consumidores e muito menos exigência e efetividade na obrigação dessas empresas em investir na melhoria da rede, causando serviço com péssima prestação e a altos custos, pois não temos capacidade de escoar de forma inteligente e produtiva o excesso de energia gerada, por falta de investimento e tecnologia.


O discurso político convence os leigos, porém limita o acesso de qualidade a energia limpa e renovável,…


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Fabiana Garcia
29 de jun. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

👍

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