top of page

O petróleo que escorre no Foz do Amazonas e a cegueira da humanidade

Por Renato Zimmermann


No dia 6 de janeiro de 2026, a Petrobrás anunciou que houve vazamentos de petróleo durante os testes de perfuração na região do Foz do Amazonas. O episódio, ainda em fase de investigação, reacende um debate que parecia ter sido enterrado sob toneladas de discursos na COP30: afinal, estamos realmente comprometidos com a transição energética ou seguimos presos ao vício do petróleo? A resposta, infelizmente, parece clara e decepcionante.


O petróleo que escorre no Foz do Amazonas e a cegueira da humanidade
O petróleo que escorre no Foz do Amazonas e a cegueira da humanidade

Enquanto o Brasil enfrenta o dilema de explorar uma área ambientalmente sensível, a vizinha Guiana celebra recordes de produção após descobertas bilionárias de reservas offshore. O país, que até poucos anos atrás tinha uma economia modesta baseada em agricultura e mineração, hoje projeta crescimento de mais de 25% do PIB anual impulsionado pelo petróleo. Já a Venezuela, após a intervenção militar dos Estados Unidos, vê sua produção aumentar novamente, com campos antes abandonados sendo reativados e exportações retomadas.


O mapa geopolítico da energia na América do Sul está sendo redesenhado, mas não em direção ao futuro sustentável que se esperava.


A transição energética, conceito que deveria guiar nossas escolhas, é o processo de substituir gradualmente os combustíveis fósseis por fontes renováveis solar, eólica, hidrogênio verde, biomassa. Trata-se de uma evolução natural da humanidade, comparável à passagem da lenha para o carvão e depois para o petróleo. Mas, diferentemente das transições anteriores, esta exige não apenas inovação tecnológica, mas também coragem política e mudanças estruturais na economia global. E é justamente aí que encontramos as maiores barreiras: o petróleo ainda representa cerca de 30% da matriz energética mundial e movimenta trilhões de dólares por ano. Governos e empresas hesitam em abrir mão de uma fonte de riqueza tão imediata.


O IPCC já deixou claro: os gases de efeito estufa, em especial o dióxido de carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis, são os principais responsáveis pelo aquecimento global. Em 2025, as emissões globais ultrapassaram 37 bilhões de toneladas de CO₂. A COP30, realizada em Belém, deveria ter sido um marco histórico, mas terminou com promessas vagas e sem metas mais ambiciosas. O resultado é que seguimos caminhando pelo pior caminho, insistindo em explorar novas fronteiras petrolíferas enquanto o planeta clama por redução drástica das emissões. Só não enxerga quem é cego.


Do ponto de vista econômico, há uma lógica cruel: o petróleo financia infraestrutura, gera empregos e garante divisas. Países como a Guiana e a Venezuela veem nele a chance de sair da pobreza ou recuperar relevância internacional. O Brasil, pressionado por interesses internos e externos, também titubeia. Mas essa lógica é míope. O custo das mudanças climáticas já é estimado em trilhões de dólares: secas prolongadas, enchentes devastadoras, perda de produtividade agrícola e crises migratórias.


O dinheiro que o petróleo gera hoje pode não compensar o desastre que ele alimenta amanhã.


É verdade que eliminar os combustíveis fósseis ainda está mais no discurso do que na prática. Contudo, há ações em curso que merecem destaque. A União Europeia avança com o plano “Fit for 55”, que prevê reduzir em 55% as emissões até 2030. A China lidera a produção de energia solar e já responde por mais de 40% da capacidade instalada mundial. O Brasil, apesar das contradições, tem ampliado investimentos em geração distribuída com solar, eólicas e biomassa. O hidrogênio verde começa a ganhar espaço em projetos-piloto na Alemanha, Japão, Chile e aqui no Brasil. São sinais de que a transição energética não é apenas utopia, mas um processo real ainda que lento e insuficiente diante da urgência climática.


Defender a transição energética é defender a sobrevivência da humanidade. Estamos atrasados, hesitamos em ser mais ambiciosos, e cada novo vazamento, cada nova perfuração, cada nova intervenção militar que reativa poços de petróleo nos lembra que o tempo está contra nós. 2026 começou intensamente, e já anunciamos nesta coluna que será um ano desafiador. Os primeiros capítulos confirmam: ou aceleramos a transição energética, ou continuaremos cegos diante do abismo que se abre à nossa frente.


Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética


O petróleo que escorre no Foz do Amazonas e a cegueira da humanidade

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Foxess-300x300-1.gif
Solis-300x300-1.gif
Banner_Energy Channel (642 x 3218 px).gif
1.png
120 × 600.gif
SOLUÇÕES PARA FIXAÇÃO (715 x 115 px) (120 x 600 px).gif
Brazil_Web-Banner_120 × 600.gif
EnergyChannel
2026 The EnergyChannel Group.

EnergyChannel — Informação que move o mundo

Bem-vindo ao The EnergyChannel, sua fonte de notícias confiáveis e análises que esclarecem os temas que moldam o mundo. Trazemos manchetes de última hora, reportagens aprofundadas e opiniões que realmente importam para você. Nos guiamos por ética e independência.

Nosso compromisso é informar com rigor e respeito ao leitor.

Não queremos ser os maiores pelo barulho.
Queremos ser grandes pela confiança.


Categorias:
 
EnergyChannel Global​

 

Central de Relacionamento

Telefone e WhatsApp
+55 (11) 95064-9016
 
E-mail
info@energychannel.co
 
Onde estamos
Av. Francisco Matarazzo, 229 - conjunto 12 Primeiro Andar - Bairro - Água Branca | Edifício Condomínio Perdizes Business Center - São Paulo - SP, 05001-000

QuiloWattdoBem
Certificações
Empresa associada ao QuiloWattdoBem

​​​

EnergyChannel Group - Um canal informativo, factual, plural, sem militância declarada, Um canal de notícias moderno,

multiplataforma, com foco em economia real, tecnologia, energia, ciência e o cotidiano das pessoas.

“O EnergyChannel é um grupo de mídia em expansão, com operação consolidada no Brasil,

hub editorial global em inglês e presença de marca em mercados estratégicos.”

Av. Francisco Matarazzo, 229 - conjunto 12 Primeiro Andar - Bairro - Água Branca | Edifício Condomínio Perdizes Business Center

São Paulo - SP, 05001-000

bottom of page