O inimigo invisível da energia limpa: surtos elétricos e o risco oculto da transição energética
- EnergyChannel Brasil

- 3 de fev.
- 3 min de leitura
Por Redação EnergyChannel
A transição energética avança no Brasil em ritmo acelerado. Sistemas solares se espalham por residências, indústrias e áreas rurais. A mobilidade elétrica começa a ganhar tração. A digitalização do setor elétrico cresce com automação, sensores, IoT e redes inteligentes.

Mas, enquanto o debate público se concentra em geração limpa, eficiência e redução de emissões, um tema essencial segue quase invisível: a proteção elétrica contra surtos.
Descargas atmosféricas, manobras da rede, falhas de comutação e eventos externos continuam sendo uma das principais causas de danos em sistemas elétricos modernos inclusive (e especialmente) nos sistemas de energia renovável.
O resultado? Equipamentos danificados, inversores queimados, paradas inesperadas, perda de dados e prejuízos que raramente entram na conta da sustentabilidade.
O que são surtos elétricos e por que eles são tão perigosos
Surtos elétricos são elevações rápidas e transitórias de tensão, que duram microssegundos, mas carregam energia suficiente para destruir componentes eletrônicos sensíveis.
Eles podem ser causados por:
Descargas atmosféricas diretas ou indiretas
Manobras na rede elétrica
Acionamento de grandes cargas
Falhas de aterramento
Indução eletromagnética
O ponto crítico é que o surto não precisa cair “em cima” da instalação. Ele pode entrar pela rede elétrica, pelo aterramento, por cabos de dados ou até por estruturas metálicas conectadas ao sistema.
📌 Na prática, quanto mais tecnológica e eletrônica é a instalação, mais vulnerável ela se torna.

Energia limpa, eletrônica sensível e um paradoxo moderno
Painéis solares, inversores, carregadores de veículos elétricos, sistemas de automação e iluminação LED têm algo em comum: são altamente dependentes de eletrônica de potência.
Isso significa:
Componentes menores
Maior eficiência
Maior sensibilidade a variações elétricas
Ou seja, quanto mais moderno o sistema, menor a tolerância a surtos.
Esse paradoxo é pouco discutido:
A transição energética reduz emissões, mas aumenta a exposição elétrica se não houver proteção adequada.
O caminho do surto: como o dano realmente acontece
Muitos imaginam que o surto “explode” o equipamento de forma direta. Na realidade, o processo é mais silencioso e mais perigoso.
O surto:
Entra pela rede elétrica ou cabos externos
Percorre condutores e barramentos
Procura o caminho de menor impedância
Encontra placas eletrônicas sensíveis
Degrada componentes internamente
Em muitos casos, o equipamento não queima na hora. Ele perde vida útil, falha semanas depois ou apresenta defeitos intermitentes difíceis de diagnosticar.

Por que o Brasil é especialmente vulnerável
O Brasil está entre os países com maior incidência de descargas atmosféricas do mundo. Somam-se a isso:
Redes elétricas extensas
Ambientes externos severos
Crescimento rápido da geração distribuída
Projetos mal dimensionados ou sem coordenação de proteção
Mesmo assim, a proteção contra surtos ainda é vista, muitas vezes, como:
“Custo extra”
“Item opcional”
“Detalhe técnico”
Essa visão está mudando impulsionada por normas técnicas, seguradoras, fabricantes e pela própria realidade de campo.
Proteção elétrica: de detalhe técnico a estratégia de confiabilidade
A proteção contra surtos deixou de ser apenas uma exigência normativa. Hoje, ela é parte fundamental de:
Continuidade operacional
Segurança de pessoas
Preservação de ativos
Sustentabilidade real (menos descarte, menos manutenção)
Empresas, integradores e projetistas mais experientes já tratam a proteção elétrica como camada estratégica do sistema, e não como acessório.

Sustentabilidade também é durabilidade
Um sistema solar que falha prematuramente, um inversor substituído antes do tempo ou um equipamento descartado por dano elétrico também geram impacto ambiental.
Sustentabilidade não é apenas gerar energia limpa é garantir que os sistemas durem, operem com segurança e cumpram sua vida útil projetada.
E isso passa, inevitavelmente, pela proteção elétrica.
O que vem a seguir
Neste primeiro episódio, o EnergyChannel abre a discussão sobre um tema invisível, mas decisivo para o futuro da energia.
Nos próximos capítulos da série “Energia Segura”, vamos aprofundar:
O funcionamento dos DPS
A importância do aterramento
A proteção em sistemas solares
Normas técnicas
Mobilidade elétrica
Indústria, telecom e cidades inteligentes
Porque, no fim das contas, não existe energia limpa sem energia segura.
🔜 Próximo episódio
EP2 — DPS: o que é, como funciona e por que a norma exige
O inimigo invisível da energia limpa: surtos elétricos e o risco oculto da transição energética











Excelente artigo!! Muito importante a conscientização dos riscos que uma instalação sem proteção está exposta!
Muito bom, parabéns pelo conteúdo.