O Abismo Climático: Trump, Petróleo e a Resistência dos Estados Unidos Fragmentados
- Renato Zimmermann

- há 3 horas
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Por Renato Zimmermann - rena.zimm@gmail.com

A indústria do petróleo é um labirinto que aprisiona a humanidade. Sustenta economias, mas corrói o futuro. E, no centro desse dilema, está Donald Trump. O presidente americano, reeleito em 2024, prefere atuar como um “office boy de luxo” da indústria fóssil em vez de liderar uma transição energética.
Antes de ocupar a Casa Branca, Trump já se apresentava como uma figura pitoresca na televisão, um “chefe” que tirava prazer em demitir funcionários diante das câmeras no reality show The Apprentice. O bordão “You’re fired!” virou espetáculo. Ironia cruel: agora ele demite compromissos internacionais vitais para o planeta.
Como fã de Os Simpsons, lembro que o seriado antecipou Trump como presidente dos EUA. Na época, parecia uma piada inconcebível, uma sátira que rendia boas risadas. Mas a caricatura virou realidade e pior, realidade reeleita.
A ausência dos EUA na COP30
A COP30, realizada em Belém, contou com 194 delegações, mas sem os Estados Unidos. A ausência foi recebida com receio de esvaziamento das negociações, mas também com alívio por ambientalistas que temiam pressões negacionistas. Empresas americanas, no entanto, participaram por conta própria, mostrando que o setor privado não segue a mesma cartilha da Casa Branca.
Saída do IPCC e de organizações internacionais
Trump ordenou a retirada dos EUA de 66 organizações internacionais, incluindo 31 ligadas à ONU, entre elas o IPCC. O IPCC é o principal órgão científico sobre mudanças climáticas, responsável por consolidar dados e orientar políticas globais. Abandoná-lo é como jogar fora o manual de instruções em meio a um incêndio. Especialistas classificaram a medida como um “gol contra colossal”.
Polarização e delírio coletivo
A polarização nos EUA alimenta um verdadeiro “delírio coletivo”: parte da população acredita que retroceder em compromissos ambientais é sinal de soberania. Trump descreveu as mudanças climáticas como “uma das maiores tapeações de todos os tempos”, reforçando narrativas negacionistas.
Geopolítica como tabuleiro caótico
A geopolítica sempre foi complexa, mas hoje parece um tabuleiro de xadrez que caiu no chão e misturou todas as peças. Não há estratégia clara, apenas movimentos caóticos que favorecem interesses imediatos. A saída dos EUA de entidades internacionais enfraquece o multilateralismo e compromete a cooperação global.
O erro estratégico
Trump está conduzindo os Estados Unidos à beira do abismo e, junto, arrasta toda a humanidade. Ao abandonar o IPCC e a COP30, o país que historicamente mais emitiu gases de efeito estufa se isola. Governantes têm uma missão junto aos seus mandatos: proteger o futuro de seus cidadãos. Trump, porém, prefere proteger o passado fóssil.
EUA e a credibilidade internacional
O contraste entre o governo federal e os estados subnacionais mostra que os EUA vivem uma guerra interna sobre o futuro climático. Enquanto Trump insiste em ser o “office boy” da indústria petrolífera, Califórnia e Nova York tentam salvar a credibilidade internacional do país. Mas o tempo corre contra todos: ou limpamos a economia dos combustíveis fósseis, ou seremos peças perdidas nesse tabuleiro caótico.
O Abismo Climático: Trump, Petróleo e a Resistência dos Estados Unidos Fragmentados










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