Janeiro começa com precipitações, mas seca continua
- EnergyChannel Brasil

- 6 de jan.
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O mês de janeiro começou com a ocorrência de chuvas em diversas áreas do país, especialmente na faixa entre o Sudeste, Centro-Oeste e Norte, devido a um episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Alguns estados chegaram a registrar volumes bem elevados, como o Espírito Santo, que acumulou mais de 150 mm em várias estações nos primeiros dias do ano ou mesmo a Região Metropolitana de Belo Horizonte, com aproximadamente 100 mm entre os dias 03 e 05 de janeiro.

Apesar disso, o meteorlogista da Tempo OK, Paulo Lombardi, aponta que as projeções para o restante do mês não são animadoras em se tratando de recuperação dos reservatórios e mananciais, já que os volumes de chuva previstos não compensarão o déficit hídrico no Sudeste e Nordeste que se intensificou na segunda metade de 2025.
“A ZCAS que atua no começo do mês perde força antes da virada do primeiro para o segundo decêndio, reduzindo a persistência das precipitações. Além disso, o padrão atmosférico volta a favorecer uma distribuição irregular de chuvas, que serão insuficientes para a recuperação consistente dos níveis de solo e reservatórios,” afirma o meteorologista. Similar ao que ocorreu no final de dezembro, espera-se um novo episódio de adentramento do Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN) para o interior do país, acompanhando o fortalecimento de um sistema de alta pressão anômala na costa do Sudeste. Em vários municípios do centro-norte do Brasil, é provável que chova pouco ou quase nada entre os dias 8 e 24 de janeiro.
No Sul do país e em Mato Grosso do Sul, a chuva volta a ocorrer, porém de forma mal distribuída. “Haverá registro de precipitação mais significativa em algumas áreas e com potencial para tempestades, enquanto outras permanecerão com acumulados mais baixos, o que limita os efeitos positivos do retorno das instabilidades,” comenta Paulo.
Além disso, a partir da segunda semana de janeiro, o calor ganha força, com temperaturas de acima a muito acima da média em quase todas as regiões. Esse aumento do calor intensifica a evaporação e contribui para agravar o quadro de déficit hídrico, o que deixa em alerta regiões onde as chuvas seguem escassas ou irregulares.
As precipitações previstas para grande parte de janeiro tendem a ocorrer na forma de pancadas isoladas, concentradas principalmente nos fins de tarde, que são comuns no verão. Essas pancadas inclusive poderão ser muito fortes onde ocorrerem, acompanhadas de raios, ventania e granizo. No entanto, esse tipo de chuva não beneficia o solo e regiões de reservatórios, pois muitas vezes as pancadas não atingem diretamente as áreas de captação ou, quando ocorrem, escoam rapidamente pela superfície ressecada do solo, reduzindo a infiltração e o aporte efetivo aos mananciais.
Pontualmente, uma ou outra região pode registrar acumulados significativos em curto espaço de tempo. Ainda assim, eventos como esses devem ser isolados e mesmo quando o volume acumulado se aproxima da média mensal, o impacto prático é limitado e grande parte da água acaba sendo perdida.
Para uma reversão mais efetiva do cenário de estiagem, seria necessário um período prolongado de chuvas recorrentes, mesmo que com volumes diários modestos. A persistência da precipitação ao longo de vários dias é muito mais eficiente para a recuperação dos reservatórios do que eventos extremos concentrados, como uma chuva de 150 milímetros em um único dia, por exemplo.
Mesmo que haja possibilidade das chuvas se comportarem de forma mais regular entre fevereiro e março no centro-norte, o cenário mais provável ainda é de acumulados predominantemente de média a abaixo também nestes meses, o que deve dificultar essa reversão do cenário de estiagem.
Em contrapartida, apesar da condição desfavorável para geração hídrica, o primeiro trimestre de 2026 sinaliza um cenário favorável para a geração de energia eólica e solar. Além da menor concentração de nebulosidade persistente em áreas que são grandes produtoras de energia solar, como o norte de Minas Gerais e a Bahia, por exemplo, é esperado que praticamente todo o Nordeste brasileiro tenha um janeiro atípico em se tratando de geração eólica, com ventos muito mais intensos e regulares do que o comum para a época, pontualmente podendo inclusive lembrar o que normalmente ocorre no auge da safra de ventos, entre julho e setembro.
Janeiro começa com precipitações, mas seca continua










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