Inteligência de Carga: Por Que 60 kW Estratégicos Superam 120 kW Ociosos na Nova Era da Mobilidade Elétrica
- EnergyChannel Brasil

- 15 de jan.
- 4 min de leitura
A corrida por números cada vez maiores tem dominado o discurso da mobilidade elétrica. No Brasil e no mundo, a métrica de sucesso para a infraestrutura de recarga parece ter se resumido à potência máxima: 120 kW, 180 kW, 300 kW. Essa obsessão, no entanto, está se revelando uma armadilha financeira e operacional para investidores e operadores de pontos de carga (CPOs).

O EnergyChannel apurou que a verdadeira revolução da recarga não está no pico de potência, mas sim na Inteligência de Carga e na viabilidade econômica do projeto. A capacidade teórica de um equipamento é irrelevante se ele passar a maior parte do tempo ocioso.
O Fim do Mito da Potência Bruta
A potência instalada é apenas uma variável em uma equação complexa. O que realmente sustenta o business case de uma estação de recarga de corrente contínua (DC) é a sua Taxa de Ocupação. Um carregador de 120 kW, por mais moderno que seja, não gera retorno se for utilizado apenas por duas horas ao dia.
O mercado está começando a reconhecer uma máxima fundamental: em diversos contextos operacionais, um carregador de 60 kW bem planejado entrega um valor econômico superior a um equipamento de 120 kW mal dimensionado. A diferença reside na capacidade de gerar receita líquida de forma consistente e previsível.
A Armadilha do Sobredimensionamento
A justificativa de "instalar grande para estar preparado para o futuro" frequentemente se traduz em custos desnecessários no presente. O sobredimensionamento de carregadores DC, especialmente em locais de permanência média ou longa, acarreta uma série de ônus financeiros:
1. CAPEX Elevado: O custo de aquisição de um equipamento de 120 kW pode ser mais que o triplo de um de 60 kW [1].
2. Custos de Conexão à Rede: A exigência de potência maior demanda transformadores mais robustos, cabos mais caros e obras civis mais complexas.
3. Tarifas de Demanda: O contrato de demanda de energia elétrica se torna mais pesado, elevando o custo fixo mensal (OPEX), independentemente da utilização efetiva.
4. Payback Estendido: A baixa taxa de ocupação (muitas vezes abaixo de 15%) estica o prazo de retorno do investimento (ROI) para um horizonte incerto.
Um carregador DC de alta potência que opera 23 horas por dia como um ativo imobilizado é um erro de engenharia financeira, não uma infraestrutura.
A Estratégia de 60 kW: Onde a Eficiência Vence
A potência ideal de um ponto de recarga é definida pelo **comportamento do usuário** e pelo **tempo de permanência** no local, e não pela capacidade máxima do veículo. Em cenários onde o motorista permanece no local por 30 a 60 minutos, um carregador de 50 kW a 60 kW é o ponto de equilíbrio perfeito entre velocidade de recarga e viabilidade econômica.
A tabela a seguir ilustra o contraste entre as duas abordagens, focando na performance financeira:
Métrica de Performance | Carregador 120 kW (Ocioso) | Carregador 60 kW (Estratégico) |
Localização Típica | Ponto de passagem rápida (rodovia) | Varejo, Centros Urbanos, Frotas |
Taxa de Ocupação Média | 10% a 15% | 40% a 60% |
Custo Fixo (OPEX) | Alto (Demanda Contratada) | Controlado |
Receita por Sessão | Alta (mas poucas sessões) | Moderada (mas muitas sessões) |
Viabilidade Econômica | Risco de Ativo Imobilizado | Geração de Fluxo de Caixa Consistente |
Cenários Otimizados para Potência Moderada
A estratégia de 60 kW brilha em locais onde a recarga é complementar à atividade principal do usuário:
Zonas Comerciais e Varejo: Com um ticket médio de permanência de 40 minutos ou mais, o objetivo é fornecer uma recarga parcial (15–30 kWh), maximizando o número de sessões diárias.
Centros Urbanos Densos: Em áreas com limitação de potência na rede elétrica, a escolha por 60 kW permite uma melhor gestão da infraestrutura total e otimiza a disponibilidade.
Estacionamentos Corporativos e Hospitais: Locais com permanência superior a uma hora e perfil de uso previsível (funcionários, visitantes) se beneficiam de uma recarga estável e controlada, onde a confiabilidade supera a velocidade extrema.
Frotas com Carregamento Rotativo: Frotas geridas por software que planejam a sequência de veículos e a janela de carga se beneficiam de 60 kW bem gerenciados, que evitam o desperdício de capacidade de carregadores de alta potência subutilizados.
O Futuro é Modular e Inteligente
A próxima geração de projetos vencedores na infraestrutura de recarga priorizará a modularidade e o dimensionamento progressivo. Em vez de um investimento maciço inicial em potência excessiva, a tendência é começar com a capacidade ideal para a demanda atual (frequentemente 60 kW) e planejar a expansão com base em dados reais de ocupação.
A mobilidade elétrica não é uma corrida por quem tem o maior número de kW. É uma equação de equilíbrio entre engenharia, comportamento do consumidor e, crucialmente, viabilidade econômica. A solução mais inteligente é sempre a melhor planejada, e não necessariamente a mais potente.
Inteligência de Carga: Por Que 60 kW Estratégicos Superam 120 kW Ociosos na Nova Era da Mobilidade Elétrica











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