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Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas

Enquanto o mercado brasileiro de eletromobilidade corre focado nos kW, o verdadeiro potencial de valor e rentabilidade continua subexplorado. A construção de marca, comunidade e recorrência é a próxima fronteira.



Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas
Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas

Avançamos em tecnologia para infraestrutura de recarga. Carregadores criam abastecimento essencial e inevitável. Mas é a marca que cria pertencimento, pode reduzir CAC, aumentar LTV e estruturar modelos de negócio rentáveis de longo prazo.

Os dados reforçam o momento. A ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos) registrou 94 mil veículos leves eletrificados emplacados no Brasil em 2023, um crescimento de 91% sobre o ano anterior. Em 2024, só entre janeiro e julho, o país já havia superado o volume total do ano anterior. 


A curva continua firme: 173 mil eletrificados em 2024, com projeções para ultrapassar 200 mil em 2025. Enquanto isso, o Global EV Outlook 2024, da IEA (Agência Internacional de Energia), mostra que os elétricos representaram 18% das vendas globais de carros em 2023, quase 14 milhões de unidades. É uma transformação em aceleração sincronizada: Brasil consolida infraestrutura, enquanto mercados maduros consolidam cultura.


E é justamente essa diferença: infraestrutura versus cultura, que separa players que competem por preço daqueles que capturam valor. Nos mercados mais avançados, eletromobilidade deixou de ser simplesmente “dirigir um carro diferente”. Tornou-se um marcador de estilo de vida, comunidade digital e identidade urbana. 


As NIO Houses chinesas transformaram a experiência do EV em ecossistema: espaços físicos que unem carregamento, convivência, coworking, espaço café, loja, eventos e relacionamento com uma verdadeira comunidade proprietária. Tesla consolidou rituais: owners que se encontram, defendem a marca, criam conteúdo e multiplicam recomendação orgânica. Na Europa, redes como a Ionity transformaram recargas, redefinindo padrões de jornada e de percepção.


Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas

Enquanto isso, parte significativa do discurso brasileiro ainda orbita dados técnicos: autonomia, bateria, potência de recarga, incentivos fiscais. É necessário. Mas insuficiente.


Para capturar valor real, a eletromobilidade precisa avançar do “tecnológico” para o “cultural e econômico”, onde reside o equity. A seguir, apresento minha visão sobre como podemos tangibilizar isso na prática:


Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas

A criação de valor sustentável depende de quatro dimensões interdependentes: Distribuição, Dados, Defensibilidade e Desdobramento de receita.

1. Distribuição: Cada canal exige uma comunicação diferente:

Eletromobilidade opera em múltiplos canais simultaneamente, como por exemplo:


  • integradores/consultores

  • frotas corporativas

  • varejo energético

  • aplicativos e hubs de recarga

  • estacionamentos, condomínios e shoppings


Cada canal tem expectativas, linguagem, argumentos de valor e margens distintas. Uma marca forte não replica comunicação; ela adapta. Não é “vender EV”. É “construir posição em um ecossistema multicanal”.


2. Dados: Precisamos de mindset data-driven

A lógica da mobilidade elétrica é profundamente data-driven: frequência de recarga, geografias de uso, horários de pico, rotinas, perks utilizados, rotas preferidas. Esses dados, quando convertidos em jornada, reduzem fricção, criam fidelidade e abrem espaço para produtos de assinatura. O dado vira ativo de marca, não apenas indicador operacional.


Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas
Demonstração ilustrativa de como poderia ser constituído indicadores a partir de dados

Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas
Demonstração ilustrativa de como poderia ser constituído indicadores a partir de dados

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Demonstração ilustrativa de como poderia ser constituído indicadores a partir de dados
Do kW ao Equity: Como carregadores geram pertencimento e rentabilidade para as marcas
Demonstração ilustrativa de como poderia ser constituído indicadores a partir de dados

3. Defensibilidade: onde surge a vantagem competitiva

A defensibilidade não está no kW, qualquer player pode instalar. Ela está nos ativos imateriais:


  • Comunidade ativa

  • Switching cost emocional

  • Percepção de confiabilidade

  • Rituais, eventos e experiências

  • Conteúdo produzido pela base

  • NPS e advocacy


4. Desdobramento de receita: modelo multicanal real

A monetização da eletromobilidade não precisa depender exclusivamente da venda de veículos ou da tarifa de recarga. O potencial de receita se expande quando existe marca capaz de articular:


  • Membership de recarga

  • Perks premium

  • Cross-sell com energia distribuída (GD + EV + Storage)

  • Pacotes corporativos

  • Ecossistemas de serviços recorrentes

  • Upgrades de recarga e infraestrutura doméstica

  • Parcerias com varejo, estacionamento e mobilidade urbana


Equity Stack da Eletromobilidade

A construção de valor acontece em camadas, como um “empilhamento” de ativos:


  • Infraestrutura – o básico (carregador, gateway de pagamento, app).

  • Produto – o EV em si, sua performance e segurança.

  • Serviços – atendimento, perks, assinatura, suporte técnico.

  • Experiência – pós-compra, eventos, user journey, onboarding.

  • Comunidade – grupos, rotinas, rituais, pertencimento.

  • Marca – cultura, narrativa, identidade, visão de futuro.


Quando a marca opera somente nas primeiras camadas, compete por preço. Quando alcança as camadas superiores, captura margem, defesa e fidelidade. É por isso que, nos países maduros, a recarga virou parte do estilo de vida, não apenas uma transação. 


Mapa de Monetização Multicanal da Eletromobilidade

O setor tende a tratar “venda de EV” ou “instalação de carregador” como momentos únicos. Mas existem dezenas de alavancas de receita possíveis, se existir uma marca que sustente a proposta de valor.

Concessionárias


  • membership de recarga

  • upgrade do wallbox

  • assinatura de manutenção inteligente

  • perks de parceiros (shoppings, aeroportos, pedágios)


Instaladores e integradores solares


  • GD + EV + BESS

  • venda cross-sell de recarga veicular com sistemas híbridos

  • planos corporativos para frotas elétricas


Frotas corporativas


  • contratos de recorrência

  • análises de uso

  • gestão centralizada da energia da frota

  • assinatura de carregamento em rede


Varejo energético e mercado livre


  • programas de fidelidade com recompensas

  • plano de energia para EV

  • cross-sell de produtos de eficiência energética


Condomínios, estacionamentos e shoppings


  • modelo de receita compartilhada

  • planos de acesso

  • membership para frequentadores regulares

  • ativação de retail e parcerias comerciais


Por que isso importa agora

O Brasil está entrando em uma fase em que a infraestrutura, finalmente, deixa de ser gargalo e passa a ser plataforma. E quando a infraestrutura deixa de ser diferencial, o diferencial migra para:


  • narrativa

  • experiência

  • comunidade

  • retenção

  • proximidade

  • valor percebido


As marcas que entenderem isso agora vão moldar o imaginário da mobilidade elétrica no país e criaram barreiras culturais que nenhuma potência de recarga conseguirá replicar. A competição do futuro não será entre carregadores. Será entre ecossistemas.


Conclusão

Eletromobilidade sempre começa com tecnologia, mas só escala com estratégia. O setor brasileiro tem potencial para construir marcas que transcendam o abastecimento elétrico e inaugurem uma nova camada de valor: a do pertencimento, da comunidade e da recorrência econômica. O movimento do mercado global mostra isso com clareza. Lá fora, o EV já é cultura. Aqui, ainda é infraestrutura. Quem fizer essa travessia do kW ao equity, ocupará o espaço onde não existe disputa de preço, mas liderança simbólica e rentabilidade duradoura.



Tatiane Carolina Especialista em marketing e modelos de negócios no setor elétrico. Engenheira, MBA em Gerenciamento de Projetos e pós-graduanda em Comunicação Empresarial Transmídia pela ESPM, atua conectando engenharia e marketing no desenvolvimento de marcas, produtos e ecossistemas no setor de energia.


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