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Depois de avançar nas renováveis, Chile entra na era do armazenamento e LuxPowerTek prepara soluções sob medida para o país



Em entrevista ao EnergyChannel na Intersolar South America 2026, José Manuel Dasso Rocha, Diretor Comercial da LuxPowerTek no Chile, explica por que baterias, sistemas híbridos e soluções off-grid ganham importância em um país que busca mais flexibilidade e segurança energética


Por Ricardo Honório | EnergyChannel

Cobertura Especial — Intersolar South America 2026 | São Paulo


Poucos países da América Latina oferecem uma visão tão clara dos desafios da próxima etapa da transição energética quanto o Chile. Depois de avançar na incorporação de fontes renováveis, o país começa a enfrentar uma pergunta que progressivamente aparece em diferentes mercados do mundo: como transformar toda essa capacidade de geração em energia disponível exatamente quando ela é necessária?


A resposta passa cada vez mais pelo armazenamento.

Foi sobre essa transformação que o EnergyChannel conversou com José Manuel Dasso Rocha, Diretor Comercial da LuxPowerTek no Chile, durante a Intersolar South America 2026, em São Paulo. Em entrevista ao jornalista Ricardo Honório, Dasso apresentou a estratégia da companhia para o mercado chileno e descreveu um país em busca de soluções energéticas mais flexíveis, capazes não apenas de produzir eletricidade, mas também de armazená-la e garantir maior autonomia ao consumidor.


“Chile hoje está vivendo uma transformação energética superimportante, em que cada vez mais são necessárias soluções energéticas adaptáveis ao mercado”, afirmou.

A palavra adaptabilidade aparece diversas vezes durante a conversa e não por acaso.

Para Dasso, não existe uma solução energética universal que possa simplesmente ser transportada de um país para outro. A configuração da rede muda, o comportamento do consumidor muda, as necessidades mudam e até mesmo as condições naturais que colocam o sistema elétrico sob pressão são diferentes.


É justamente nesse ponto que a LuxPowerTek pretende construir sua presença no Chile.


Um mercado renovável que agora precisa armazenar

A estratégia passa por ampliar a presença da empresa junto a distribuidores e instaladores locais, oferecendo sistemas desenvolvidos para as características específicas do mercado chileno.


O armazenamento ocupa o centro dessa proposta.

Dasso explica que soluções híbridas já fazem parte da realidade local, mas vê um espaço crescente também para sistemas off-grid, especialmente à medida que consumidores procuram maior capacidade de armazenamento e autonomia energética.


A lógica representa uma evolução natural da energia solar.


Durante a primeira fase da expansão fotovoltaica, o objetivo principal era gerar.

Painéis transformavam a radiação solar em eletricidade e o consumidor reduzia sua dependência da energia fornecida pela rede.

A bateria adiciona uma segunda dimensão.


Ela permite separar o momento da geração do momento do consumo.

A energia produzida durante o dia deixa de precisar ser utilizada imediatamente. Pode ser armazenada para algumas horas depois, para períodos de maior necessidade ou para situações em que a rede deixa de estar disponível.

Essa capacidade muda profundamente o valor do sistema.


A pergunta deixa de ser apenas “quanto consigo gerar?”

Passa a ser também “por quanto tempo consigo continuar operando se a rede falhar?”

No Chile, essa segunda pergunta possui um significado particularmente importante.


Quando armazenamento também significa resiliência

Durante a entrevista, Dasso chama atenção para uma característica estrutural do país: sua exposição a eventos naturais capazes de afetar a infraestrutura.

Terremotos e fortes tempestades fazem parte da realidade chilena e ajudam a colocar a continuidade do fornecimento de energia no centro da discussão.


“É supernecessário hoje em dia no Chile”, afirma Dasso. “A solução de armazenamento oferece a garantia de ter uma independência energética e poder ter respaldo diante dessas necessidades.”

Nesse contexto, uma bateria não representa apenas economia.

Representa resiliência.

Para uma residência, isso pode significar manter cargas essenciais funcionando durante uma interrupção.


Para um comércio, pode evitar a paralisação de atividades.

Para determinadas operações empresariais, a diferença pode ser ainda maior.

Quando uma interrupção de energia paralisa equipamentos, sistemas, refrigeração, comunicações ou processos produtivos, o custo real do apagão pode ser muito superior ao valor da eletricidade que deixou de ser consumida.


O armazenamento passa, então, a ser analisado por outro ângulo.

Seu valor não está somente na energia que consegue entregar.

Está também naquilo que consegue manter funcionando.

Essa mudança de percepção pode ser determinante para a expansão do mercado chileno de baterias.


Brasil e Chile precisam de produtos diferentes

Outro ponto importante da conversa com Dasso aparece quando a discussão sai da bateria e entra na própria arquitetura elétrica.


Brasil e Chile podem estar próximos geograficamente, mas possuem características diferentes de mercado e de infraestrutura.


Dasso explica que as soluções utilizadas no Chile precisam considerar principalmente configurações monofásicas e trifásicas, enquanto o mercado brasileiro apresenta outras particularidades de rede.


Isso parece um detalhe técnico, mas revela uma questão estratégica para fabricantes globais.

Entrar em um novo país não significa simplesmente enviar o mesmo equipamento utilizado em outro mercado.


É preciso adaptar.

Segundo Dasso, a LuxPowerTek pretende repetir no Chile uma estratégia semelhante à adotada no Brasil: desenvolver uma linha de produtos adequada às características locais.


“Assim como no Brasil a Lux adaptou o cenário dos seus produtos e da fabricação para o Brasil, no Chile vamos fazer exatamente o mesmo”, afirmou.

A experiência brasileira é utilizada como referência porque a companhia também precisou desenvolver soluções específicas para as configurações encontradas no país.

Agora, o processo será reproduzido no mercado chileno.


Para Dasso, flexibilidade é justamente uma das características que diferenciam a estratégia da empresa.


A capacidade de alterar produtos e desenvolver configurações específicas permite responder a mercados que, embora façam parte da mesma transição energética, apresentam necessidades completamente diferentes.


É uma visão particularmente relevante para a América Latina.

A região não é um único mercado elétrico.

É um mosaico de sistemas.

Cada país possui sua própria regulação, configuração de rede, matriz energética, infraestrutura, perfil tarifário e estágio de desenvolvimento.

Quem pretende crescer regionalmente precisa compreender essas diferenças.

A bateria começa a chegar mais perto do consumidor

Embora grandes projetos de armazenamento ganhem enorme visibilidade no setor energético, a conversa com Dasso coloca atenção também sobre outro movimento: a bateria chegando às residências e aos pequenos negócios.


Para o consumidor residencial chileno, a combinação entre energia solar e armazenamento pode representar um grau maior de independência.


Não independência absoluta da rede em todos os casos, mas a possibilidade de controlar uma parcela maior da própria energia.

Produzir.

Armazenar.

Consumir depois.


Manter determinadas cargas durante uma interrupção.

Escolher melhor quando utilizar aquilo que foi produzido.

É uma transformação parecida com aquela que a energia solar provocou anos atrás.

O fotovoltaico transformou consumidores em pequenos geradores.


O armazenamento pode transformar esses mesmos consumidores em gestores da própria energia.

E quanto mais frequentes forem as preocupações com continuidade de fornecimento, maior tende a ser o valor percebido dessa capacidade.


Dasso afirma que a recepção às soluções da LuxPowerTek tem sido positiva e destaca dois fatores que considera importantes para o mercado: competitividade e flexibilidade.

Mas a companhia ainda está no início de sua construção comercial no Chile.


A estratégia agora é ampliar presença junto a distribuidores e instaladores, formando uma estrutura local capaz de colocar os produtos mais próximos do consumidor.

Segundo o executivo, a expectativa é que, a partir do final de 2026, uma quantidade maior de soluções esteja disponível por meio de diferentes canais de distribuição e instalação no país.


É o início de uma operação que pretende crescer acompanhando uma mudança maior do próprio mercado chileno.


Análise EnergyChannel | O Chile mostra por que a próxima revolução renovável será diferente da primeira


Existe uma mudança importante acontecendo na transição energética mundial.

Durante muitos anos, o principal indicador de sucesso das renováveis foi a capacidade instalada.

Quantos megawatts solares foram adicionados?

Quantos parques eólicos entraram em operação?

Quanto da matriz passou a ser renovável?

Essas perguntas continuam relevantes.

Mas, à medida que fontes variáveis ocupam uma parcela maior do sistema, uma nova pergunta se torna inevitável:


O que acontece quando a energia está sendo produzida em um horário diferente daquele em que mais precisamos dela?

É aí que armazenamento deixa de ser acessório.

A bateria adiciona tempo à energia renovável.

O painel solar define onde a energia é produzida.

O armazenamento ajuda a decidir quando ela será utilizada.

No Chile, essa discussão ganha ainda outra dimensão porque armazenamento também pode significar segurança diante de interrupções e eventos naturais.

A mesma tecnologia passa a resolver problemas diferentes.

Pode ajudar uma residência a manter cargas essenciais.

Pode dar continuidade a um comércio.

Pode aumentar a autonomia de uma propriedade.

Pode integrar geração fotovoltaica.

Pode permitir uma arquitetura off-grid.

E, em escalas maiores, pode se tornar parte da infraestrutura necessária para equilibrar um sistema elétrico cada vez mais renovável.

É justamente por isso que a estratégia descrita por José Manuel Dasso merece atenção.

A companhia não pretende simplesmente colocar no Chile uma linha global de equipamentos e esperar que o mercado se adapte a ela.

A proposta é fazer o movimento inverso:

adaptar a tecnologia ao mercado.

Essa diferença pode parecer pequena, mas provavelmente será uma das características das empresas que conseguirão construir presença sólida na nova indústria latino-americana de armazenamento.

Brasil precisa de determinadas soluções.

Chile precisa de outras.

E outros países da região terão seus próprios desafios.

A transição energética será global, mas sua execução continuará profundamente local.

Para a LuxPowerTek, o Chile representa agora uma nova etapa dessa estratégia.

E para o mercado chileno, a chegada de mais soluções de armazenamento acontece justamente quando a discussão energética começa a mudar.

A primeira revolução renovável ensinou consumidores e empresas a produzir sua própria eletricidade.

A próxima poderá ensinar algo ainda mais importante:

como guardar essa energia, protegê-la e decidir quando utilizá-la.

No fim, é essa liberdade que transforma uma bateria em algo maior do que um equipamento instalado ao lado de um sistema fotovoltaico.

Ela transforma energia disponível em energia sob controle.


EnergyChannel Special Coverage | Intersolar South America 2026

Entrevistado: José Manuel Dasso Rocha

Cargo: Diretor Comercial — Chile

Empresa: LuxPowerTekEntrevista: Ricardo Honório — EnergyChannel

Evento: Intersolar South America 2026 - São Paulo, Brasil


EnergyChannel

We Tell the Stories Driving the Energy Transition.


Depois de avançar nas renováveis, Chile entra na era do armazenamento e LuxPowerTek prepara soluções sob medida para o país

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