China avança em bateria sólida de nova geração e mira produção em escala já em 2027
- EnergyChannel Brasil

- 5 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A indústria chinesa de armazenamento de energia movimentou o setor automotivo nesta semana ao apresentar um dos desenvolvimentos mais ousados rumo à próxima geração de baterias de estado sólido.

A Sunwoda Electronic, em parceria tecnológica com a fabricante Li Auto, revelou um protótipo avançado de bateria polimérica que pode redefinir o padrão de desempenho dos veículos elétricos (VEs) a partir de 2027.
Batizado de Xin-Bixiao, o novo sistema de armazenamento promete combinar alta densidade energética, durabilidade ampliada e custos industriais mais competitivos uma equação que hoje desafia fabricantes em todo o mundo. Segundo dados apresentados na Conferência de Desenvolvimento da Indústria de Baterias de Nova Energia, em Pequim, o eletrólito polimérico reticulado utilizado no projeto representa um avanço relevante em relação às soluções sulfuradas, que ainda enfrentam entraves de produção e estabilidade.
Autonomia de 1.000 km e vida útil para mais de 1 milhão de quilômetros
De acordo com a Sunwoda, a bateria atinge 400 Wh/kg de densidade energética e mantém desempenho consistente por mais de 1.200 ciclos suficiente para superar 1 milhão de quilômetros de rodagem em um veículo elétrico de uso cotidiano. Na prática, a tecnologia abre caminho para VEs com 1.000 km de autonomia por recarga, um patamar que reposiciona o mercado global e pressiona concorrentes europeus, japoneses e norte-americanos.
O segredo da arquitetura está na utilização de ânodo de lítio metal com revestimento em gradiente, estratégia projetada para melhorar a condutividade iônica e minimizar a formação de dendritos, tradicional desafio que compromete segurança e longevidade em projetos de estado sólido.
Laboratório já mira 520 Wh/kg e planos industriais avançam
Um dos pontos que mais chamou atenção do EnergyChannel é a existência de uma versão de laboratório que já alcança 520 Wh/kg, utilizando a mesma base tecnológica. Embora ainda não esteja pronta para adoção automotiva, a demonstração reforça a velocidade das pesquisas chinesas e antecipa possíveis saltos de eficiência na segunda metade da década.
Para levar a bateria ao mercado, a Sunwoda projeta concluir até o final de 2025 uma linha piloto de 0,2 GWh dedicada a células poliméricas de estado sólido. A empresa afirma que os equipamentos industriais estão instalados e passam pela fase final de calibração.
Produção começa em 2026 e escala GWh em 2027
O cronograma divulgado pela fabricante estabelece produção inicial em pequenos lotes já para 2026, com escala comercial em nível de gigawatts-hora a partir de 2027. Montadoras chinesas e marcas premium globais já estão em conversas avançadas para integrar a Xin-Bixiao a futuros modelos topo de linha, o que coloca a tecnologia como candidata direta ao mercado internacional.
Para o setor automotivo chinês, o impacto vai além da autonomia: trata-se de uma oportunidade para consolidar uma liderança global em inovação energética. Chen Shihua, vice-secretário-geral da Associação Chinesa dos Fabricantes de Automóveis, destacou que a chegada das baterias sólidas em massa “pode redefinir o equilíbrio competitivo dos veículos elétricos e fortalecer o domínio tecnológico da China”.
Por que isso importa para o mercado global de energia? – Análise EnergyChannel
Mudança de paradigma: Baterias de 400–520 Wh/kg colocam em xeque plataformas baseadas em lítio-ion convencional, que hoje giram entre 250–300 Wh/kg.
Menos recargas, mais durabilidade: Autonomias de 1.000 km reduzem custos e devem acelerar a adoção de VEs em mercados que ainda hesitam por infraestrutura.
Indústria em transição: A China avança rapidamente para dominar a cadeia de suprimentos e ditar o ritmo da próxima geração de tecnologias de armazenamento.
Portas abertas para novos modelos de negócios: Montadoras premium tendem a adotar a tecnologia para criar versões de alta performance com diferenciação energética real.
China avança em bateria sólida de nova geração e mira produção em escala já em 2027










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