CEO da Bow-e analisa os vetores que estão transformando o mercado brasileiro de energia.
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Energia, tecnologia e capital: a nova equação do setor elétrico

Alta da conta de luz, corrida por energia para data centers e consolidação de empresas redesenham o mercado elétrico brasileiro e abrem novas oportunidades para investidores e consumidores.
O setor elétrico brasileiro atravessa um período de profundas transformações. Em meio à expectativa de aumento médio de 8,6% na conta de luz em 2026, ao avanço da geração distribuída solar, à crescente demanda energética impulsionada por data centers e inteligência artificial, e ao aumento do interesse de investidores por ativos do setor, empresas e consumidores precisam se adaptar a uma nova dinâmica de mercado.
Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o segundo semestre de 2026 será marcado por uma intensificação dos movimentos de consolidação, fusões e aquisições (M&A), além da busca por novos modelos de negócios voltados à eficiência energética, geração própria e monetização de ativos.
Para analisar esse cenário e discutir as perspectivas para os próximos meses, conversamos com Ciro Neto, CEO da Bow-e, que compartilha sua visão sobre os desafios do setor, o futuro das usinas solares de geração distribuída, o impacto da alta das tarifas de energia e as oportunidades que surgem em um mercado cada vez mais estratégico para a economia brasileira.

Entrevista | Ciro Neto, CEO da Bow-e
Setor elétrico vive transformação histórica com energia solar, IA e novos modelos de negócios.
1) A Aneel projeta um aumento médio de 8,6% na conta de luz em 2026, acima da inflação. Quais fatores explicam essa pressão tarifária e quais alternativas empresas e consumidores têm para reduzir seus custos com energia?
O desafio do setor elétrico não é apenas produzir energia competitiva, mas garantir que ela chegue ao consumidor com confiabilidade e segurança.
A pressão tarifária decorre de uma combinação de fatores, incluindo investimentos em transmissão, encargos setoriais, expansão da infraestrutura e a necessidade de modernização do sistema elétrico para acomodar uma matriz cada vez mais renovável e descentralizada.
Para empresas e consumidores, a resposta passa menos pela expectativa de redução estrutural das tarifas e mais pela gestão inteligente da energia. Mercado livre, geração própria, eficiência energética e gestão do consumo são instrumentos que permitem maior previsibilidade de custos e aumento da competitividade.
2) O setor elétrico vive uma transformação impulsionada pela digitalização, pela descentralização da geração e pela necessidade de maior eficiência energética. Como a Bow-e tem adaptado seu modelo de negócios para capturar essas novas oportunidades?
A transformação do setor energético exige inovação, mas também disciplina na execução.
A digitalização e a descentralização da energia estão criando novas oportunidades, mas também aumentando a complexidade da gestão dos ativos e dos contratos.
Na Bow-e temos investido na combinação entre tecnologia, inteligência de dados e conhecimento setorial para melhorar a eficiência operacional e apoiar nossos clientes em suas decisões energéticas. Acreditamos que o diferencial competitivo estará cada vez mais na capacidade de transformar informação em decisões melhores, mantendo foco em resultado, governança e geração de valor.
3) O mercado de energia deve registrar um aumento das operações de fusões e aquisições (M&A) em 2026. Quais segmentos estão mais atrativos para investidores e quais características tornam uma empresa de energia um alvo estratégico nesse momento?
O capital está procurando setores capazes de combinar previsibilidade de receitas com potencial de crescimento.
Vejo oportunidades relevantes em infraestrutura energética, geração renovável, armazenamento de energia e serviços ligados a gestão energética.
Mais do que ativos isolados, os investidores buscam empresas que possuam capacidade de execução, governança sólida e posicionamento alinhado as transformações do setor. Em um ambiente mais seletivo, qualidade da gestão e capacidade de adaptação passaram a ser tão importantes quando os próprios ativos.
4) O crescimento da inteligência artificial e dos data centers está elevando a demanda por energia em todo o mundo. Como essa nova realidade pode impactar o planejamento energético e os investimentos em infraestrutura no Brasil?
A inteligência artificial está criando uma nova fronteira de demanda para o setor de energia.
O crescimento dos data centers exigirá investimentos significativos em geração, transmissão e confiabilidade do suprimento energético. Isso não é apenas uma questão tecnológica, mas também uma questão de infraestrutura.
O Brasil possui vantagens competitivas importantes, como uma matriz predominantemente renovável e potencial de expansão energética. O desafio será transformar essas vantagens em projetos concretos, capazes de atrair investimentos e garantir energia confiável para sustentar o crescimento econômico.
5) As usinas solares de geração distribuída (GD) passaram por mudanças regulatórias e de mercado nos últimos anos. Como o senhor avalia a maturidade desse segmento e quais modelos de negócio devem ganhar mais relevância nos próximos anos?
A geração distribuída deixou de ser uma tendência e passou a ser um componente permanente da matriz energética brasileira.
Após um período de forte crescimento, o segmento entra agora em uma fase de consolidação e amadurecimento. Os projetos mais bem sucedidos serão aqueles que entregarem valor consistente ao consumidor e estiverem apoiados em modelos econômicos sustentáveis.
Nos próximos anos devemos observar maior integração entre geração distribuída, armazenamento, gestão de consumo e soluções digitais, ampliando a eficiência e a previsibilidade dos resultados para os clientes.
6) Muitas empresas que investiram em geração solar própria agora buscam novas formas de monetizar ativos energéticos. Quais tendências de negócios e serviços relacionados à gestão de energia devem ganhar força no segundo semestre de 2026?
O foco do mercado está migrando da simples posse do ativo para a maximização do valor gerado por ele.
Empresas que investiram em ativos energéticos estão buscando formas mais sofisticadas de capturar retorno sobre esses investimentos.
Devemos observar crescimento de soluções relacionadas a otimização operacional, gestão integrada de energia, armazenamento, comercialização de excedentes e utilização de inteligência analítica para melhorar a performance dos ativos. O objetivo será extrair mais valor dos investimentos já realizados, com eficiência e disciplina financeira.
7) Considerando o cenário econômico, regulatório e tecnológico atual, quais são as principais perspectivas para o setor de energia no Brasil até o final de 2026 e quais oportunidades devem se destacar para investidores e desenvolvedores de projetos?
O setor energético brasileiro entra em uma fase de expansão que exigirá equilíbrio entre crescimento, inovação e segurança operacional.
O Brasil continuará atraindo investimentos por reunir uma demanda crescente por energia, necessidade de expansão da infraestrutura e oportunidades associadas a transição energética.
Os temas que devem se destacar são a expansão do mercado livre, o crescimento do gás natural como vetor de competitividade, o avanço das fontes renováveis, o armazenamento de energia e a aplicação de tecnologias digitais para aumentar eficiência e produtividade.
Os maiores vencedores serão as empresas capazes de combinar visão de longo prazo, excelência operacional e capacidade de adaptação as transformações tecnológicas e regulatórias que estão remodelando o setor.
CEO da Bow-e analisa os vetores que estão transformando o mercado brasileiro de energia.









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