Entrevista | Carlos Evangelista deixa a presidência da ABGD após 10 anos e projeta os próximos desafios do setor elétrico
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- há 15 horas
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Por EnergyChannel Brasil
Entrevista exclusiva com Ricardo Honório

Após dez anos à frente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), uma das entidades mais influentes do setor elétrico nacional, Carlos Evangelista anunciou oficialmente sua saída da presidência executiva da instituição que ajudou a fundar.
A decisão marca o encerramento de um ciclo histórico para a geração distribuída no Brasil e o início de uma nova fase profissional para um dos principais articuladores do segmento.
Em entrevista concedida ao jornalista Ricardo Honório, do EnergyChannel, Evangelista explicou que a decisão foi tomada de forma tranquila, planejada e amadurecida ao longo de meses, envolvendo fatores institucionais, pessoais e de mercado.
“Foi um encerramento natural de ciclo. A ABGD hoje é uma entidade madura, reconhecida, estável e preparada para seguir com novas lideranças”, afirmou.
Uma década de consolidação institucional
Fundada em 2015, a ABGD nasceu em um momento crucial para a geração distribuída no Brasil, quando o marco regulatório ainda engatinhava e o setor buscava representatividade técnica e institucional. Sob a liderança de Evangelista, a associação se tornou protagonista nos debates regulatórios, técnicos e políticos, contribuindo diretamente para a consolidação do modelo de GD no país.
Ao longo desses dez anos, a entidade participou ativamente de discussões estratégicas junto à ANEEL, ao Congresso Nacional e a diversos órgãos do setor elétrico, ajudando a moldar resoluções que hoje sustentam milhares de projetos de energia solar distribuída em operação.
“Se a entidade não funcionar sem mim, é porque o trabalho não foi bem feito. E eu acredito que foi”, destacou Evangelista, ao reforçar que a ABGD está pronta para voar sozinha.
Saída estatutária e transição responsável
Embora o mandato de Evangelista tenha se encerrado formalmente em dezembro, o anúncio público de sua saída ocorreu após a primeira reunião do novo Conselho Deliberativo da ABGD, respeitando o rito estatutário da entidade.
Segundo ele, a intenção sempre foi garantir uma transição organizada, sem rupturas institucionais ou prejuízos à governança da associação.
Continuidade no setor elétrico mas olhando para o futuro
Apesar de deixar a ABGD, Carlos Evangelista deixa claro que não está se afastando do setor elétrico. Com uma trajetória que passa por tecnologia, telecomunicações e liderança executiva em grandes empresas, ele pretende agora direcionar sua atuação para áreas emergentes e estratégicas.
Entre os temas que estão no radar estão:
Data centers e consumo energético intensivo
Armazenamento de energia (storage)
Recursos energéticos distribuídos
Agregadores de carga
Valoração de ativos de geração
Integração entre energia e inteligência artificial
“Não quero fazer mais do mesmo. O setor está mudando muito rápido e existem oportunidades que ainda nem foram mapeadas”, afirmou.
Valoração de ativos e destravamento de projetos
Um dos focos centrais dessa nova fase será a assessoria estratégica para valoração de ativos de geração distribuída e centralizada. Segundo Evangelista, há hoje no mercado um grande volume de ativos subvalorizados ou parados, seja por entraves regulatórios, conexão à rede ou falhas de estruturação financeira.
“Muitas empresas não sabem o real valor dos seus ativos e acabam vendendo por qualquer preço. Nosso papel é ajudar a colocar esses ativos para funcionar, conectar à rede e gerar valor real.”
Esse movimento reflete um novo momento do mercado, no qual não basta apenas construir usinas é preciso garantir performance, integração e retorno econômico.
O mercado em 2026: mais complexo, mais dinâmico e cheio de oportunidades
Ao analisar o cenário para 2026, Evangelista destaca que o setor elétrico brasileiro se tornou altamente heterogêneo, com oportunidades tanto para empresas já consolidadas quanto para investidores que olham para novas tecnologias.
Um dos exemplos citados foi a evolução natural da geração compartilhada tema que ele ajudou a defender ainda em 2015 agora avançando para modelos de baterias compartilhadas e armazenamento distribuído.
“Hoje estamos falando de recursos energéticos distribuídos, compartilhados, armazenamento. Olha como o mercado evoluiu em pouco mais de uma década.”
A visão do EnergyChannel
Para o EnergyChannel, a saída de Carlos Evangelista da presidência executiva da ABGD não representa um afastamento do debate setorial, mas sim uma mudança de posição estratégica. Trata-se de um movimento que reflete a maturidade do setor de geração distribuída no Brasil e a transição para uma fase mais sofisticada, onde temas como armazenamento, digitalização, inteligência artificial e eficiência econômica ganham protagonismo.
Entrevista | Carlos Evangelista deixa a presidência da ABGD após 10 anos e projeta os próximos desafios do setor elétrico











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