PowerShift 2026: líderes do setor discutem o futuro da energia e a centralidade do consumidor
- EnergyChannel Brasil

- há 1 hora
- 4 min de leitura
São Paulo 11 de março de 2026 — A transformação do setor elétrico brasileiro passa por um momento decisivo. Novas tecnologias, mudanças regulatórias e a iminente abertura completa do mercado de energia estão redesenhando a forma como eletricidade é produzida, comercializada e consumida no país.
Foi nesse contexto que aconteceu, em 11 de março de 2026, em São Paulo, o PowerShift –O Futuro da Energia em Debate 2026, um dos fóruns mais relevantes do Brasil para discutir a modernização do setor elétrico. O encontro reuniu autoridades governamentais, reguladores, distribuidoras, comercializadores, empreendedores e especialistas para debater temas centrais como abertura do mercado de energia, digitalização do setor, armazenamento de energia e o protagonismo do consumidor.
A cobertura especial do evento foi realizada pelo EnergyChannel, que acompanhou os principais debates e entrevistas com lideranças do setor.
Organizado pela Bright Strategies, o PowerShift contou com o apoio do Grupo Lamparina e teve como patrocinador principal a Thopen Energy, empresa que vem se destacando como um dos novos protagonistas da expansão do mercado livre e da geração distribuída no Brasil.
Entre os momentos marcantes do evento esteve um bate-papo entre Bárbara Rubim, CEO da Bright Strategies, e Silla Motta, CEO do Grupo Lamparina, duas das principais articuladoras da iniciativa.
Um evento que reuniu todo o ecossistema da energia
Durante a conversa, Bárbara Rubim destacou que um dos principais objetivos do PowerShift foi reunir diferentes perspectivas da cadeia energética, algo ainda raro em muitos fóruns do setor.
Segundo ela, o evento conseguiu trazer para a mesma mesa representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico, do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Energia Elétrica, além de distribuidoras, associações setoriais e empreendedores que atuam diretamente na transição energética.
“Conseguimos reunir agentes de todos os lados da cadeia para discutir essa grande mudança que o setor elétrico está vivendo”, destacou Rubim.

Para Silla Motta, essa diversidade de visões foi essencial para enriquecer o debate.
“A ideia era justamente provocar uma reflexão sobre o momento de transformação que o setor vive e convidar os agentes a saírem das suas zonas de conforto para olhar para o futuro da energia com o consumidor no centro dessa discussão.”
A abertura do mercado de energia ganha protagonismo
Um dos temas centrais do PowerShift foi a reforma estrutural do setor elétrico brasileiro, impulsionada por mudanças regulatórias recentes.
Durante o evento, as executivas destacaram a importância da nova legislação que estabelece um cronograma para a abertura do mercado de energia no país.
A reforma prevê:
abertura do mercado para consumidores industriais e comerciais de baixa tensão a partir de 2027
ampliação para todos os consumidores residenciais em 2028
Além disso, a legislação também introduz novas figuras regulatórias, como o agente armazenador de energia, fortalecendo o ambiente de investimentos em tecnologias como baterias e soluções de flexibilidade energética.
Essas mudanças representam, segundo especialistas presentes no evento, uma das maiores transformações estruturais do setor elétrico brasileiro nas últimas décadas.
O consumidor no centro da transformação energética
Outro conceito amplamente discutido no PowerShift foi o de Open Energy, uma proposta inspirada em iniciativas semelhantes que já transformaram outros setores da economia.
Rubim comparou essa evolução com o que aconteceu no sistema financeiro com o Open Finance, que permite ao consumidor compartilhar seus dados bancários entre instituições para obter melhores serviços e condições.
A lógica no setor elétrico seria semelhante: permitir que os consumidores tenham controle total sobre seus dados energéticos, facilitando a contratação de novos serviços, tecnologias e fornecedores.
“Hoje o setor elétrico fala de tecnologias avançadas como hidrogênio, baterias e data centers, mas quando olhamos para a experiência do consumidor, ainda estamos muito atrasados. O Open Energy pode mudar completamente essa realidade”, afirmou Rubim.
Segundo Silla Motta, essa mudança permitirá que consumidores tenham mais autonomia e agilidade na adoção de novas soluções energéticas.
“Com o controle dos dados nas mãos do consumidor, ele poderá escolher com muito mais facilidade novas tecnologias e serviços energéticos.”
O papel da Thopen Energy na nova economia da energia
O evento também celebrou o primeiro ano de atuação da Thopen Energy, patrocinadora do PowerShift e uma das empresas que mais crescem no mercado de geração distribuída e energia por assinatura no Brasil.
De acordo com os números apresentados durante o evento, em apenas um ano de operação a empresa já alcançou resultados expressivos:
mais de 700 MW em usinas
mais de 380 usinas operacionais
cerca de 300 mil consumidores atendidos
Para Bárbara Rubim, esses números mostram a velocidade com que novos modelos de negócio estão transformando o setor energético brasileiro.
“São resultados que muitas empresas levam cinco ou dez anos para alcançar. Isso mostra o potencial de transformação que estamos vivendo.”
Testemunhar a transição energética
Um dos momentos mais simbólicos da conversa foi quando Bárbara Rubim relembrou a inauguração de uma usina da Thopen Energy em sua cidade natal, Cambé, no Paraná.
Segundo ela, esses momentos representam algo maior do que simplesmente inaugurar um empreendimento energético.
Rubim trouxe um conceito do ativismo ambiental conhecido como “bear witness” a ideia de testemunhar com a própria presença as mudanças que estão acontecendo.
“A transição energética muitas vezes acontece em relatórios, apresentações e debates técnicos. Mas quando as pessoas visitam uma usina ou participam de uma inauguração, elas passam a testemunhar essa transformação acontecendo diante dos próprios olhos.”
Um espaço para construir o futuro da energia
Ao final da conversa, tanto Bárbara Rubim quanto Silla Motta reforçaram que o PowerShift representa apenas o início de uma série de iniciativas voltadas a acelerar o debate sobre o futuro do setor elétrico brasileiro.
Mais do que um evento, o PowerShift busca consolidar-se como uma plataforma permanente de diálogo entre reguladores, empresas, empreendedores e consumidores.
Em um momento em que o Brasil se prepara para abrir completamente seu mercado de energia e ampliar a participação de tecnologias limpas, fóruns como este tornam-se essenciais para alinhar visões, compartilhar conhecimento e construir soluções para os desafios da transição energética.
PowerShift 2026: líderes do setor discutem o futuro da energia e a centralidade do consumidor








Comentários