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Brasil acelera na corrida do biogás e do metano com propostas ousadas da ABREN

Por EnergyChannel Newsroom , 23 de maio de 2025


Em um momento decisivo para a transição energética e o combate à crise climática, a Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) reforça seu protagonismo com propostas concretas e inovadoras para impulsionar a geração de energia a partir de resíduos. Em entrevista ao EnergyChannel TV, o presidente da entidade, Yuri Schmitke, destacou o crescimento do setor e as ações da associação para destravar investimentos, ampliar a geração distribuída e reduzir as emissões de metano no país.


Brasil acelera na corrida do biogás e do metano com propostas ousadas da ABREN

Recuperação energética: o Brasil acorda para um potencial bilionário

A ABREN, que recentemente ampliou seu escopo de atuação para toda a cadeia de energia de resíduos, passou a liderar discussões em áreas antes pouco exploradas no Brasil, como a recuperação energética de resíduos urbanos não recicláveis e a biodigestão anaeróbica de resíduos orgânicos — tanto urbanos quanto agropecuários.

“Hoje, apenas 3,4% do potencial nacional de biogás é aproveitado. No caso do biometano, esse número é ainda menor: 1,4%. Estamos diante de um mercado bilionário, ainda em fase embrionária”, afirmou Schmitke.


A estimativa é que até 92% do potencial teórico de biogás brasileiro venha da agropecuária, o que faz da integração entre o setor energético e o agronegócio uma prioridade estratégica. A ABREN já é associada à Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), atuando para levar soluções energéticas sustentáveis ao campo.


Proposta de um “balcão único” quer eliminar gargalos regulatórios

Um dos principais entraves para a expansão do setor, segundo a ABREN, é a desconexão entre as concessões municipais de gestão de resíduos e os leilões federais de energia.

Para resolver isso, a associação propôs a criação de um “balcão único de contratação”, mecanismo que unificaria a estruturação da concessão e a comercialização da energia gerada. “Hoje, o investidor assume riscos desnecessários. Ele precisa vencer a licitação municipal e, depois, torcer para conseguir vender a energia. Isso precisa mudar”, defende Schmitke.


O modelo proposto permitiria uma licitação integrada, com garantia de compra por parte da União, reduzindo simultaneamente os custos da energia e da taxa de lixo para a população.


Energia limpa, confiável — e com impacto climático imediato

Além da estabilidade energética, o uso de biogás e biometano é uma poderosa ferramenta de mitigação climática. O metano, segundo Schmitke, é até 86 vezes mais potente que o CO₂ no aquecimento global. E como tem vida curta na atmosfera, sua redução proporciona efeitos quase imediatos. “Se quisermos conter o aquecimento até 2050, precisamos cortar as emissões de metano agora”, alerta.


O modelo de cogeração com gasômetros proposto pela ABREN permite que o biogás funcione como uma bateria natural, despachando energia nas horas sem sol — um reforço crucial à geração solar e eólica, que sofrem com a intermitência.


Projetos de lei e o Programa Metano Zero

Na frente legislativa, a ABREN acompanha com atenção dois projetos de lei: o PL 924/2022 e o PL 102/2023, ambos voltados à recuperação energética. Entretanto, Schmitke admite que a tramitação tem sido lenta, o que levou a entidade a propor um novo caminho: o Programa Nacional Metano Zero.


Esse programa prevê um certificado de origem para o biogás e o biometano, chamado “Metano Zero”, com o objetivo de viabilizar economicamente a produção por meio de créditos de descarbonização. A proposta busca atender aos compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris e no Compromisso Global do Metano — como a meta de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030.


CDR: combustível estratégico para a indústria do cimento

Outra frente promissora é o uso do Combustível Derivado de Resíduos (CDR), especialmente no setor cimenteiro. Hoje, cerca de 30% do combustível usado para a produção de clínquer no Brasil é CDR — número que pode chegar a 80%, como já ocorre em países europeus.


“É uma solução que reduz custos, emissões e a dependência de combustíveis fósseis como o petcoke. Mas precisamos de mais investimentos nas fábricas e nas unidades de produção do CDR, além de uma regulação mais robusta”, pontua Schmitke.


Desafios da infraestrutura e a urgência da regulação

Apesar do otimismo com o potencial das fontes renováveis despacháveis, como o biogás, a infraestrutura de escoamento ainda é um gargalo. O país carece de um Distribution System Operator (DSO), operador do sistema de distribuição, que coordene as fontes distribuídas de forma eficiente. “Hoje temos o ONS para a transmissão, mas falta quem cuide da distribuição local. É esse operador que vai permitir integrar soluções como baterias, gasômetros e usinas híbridas com inteligência”, explica.


O que fazer agora?

Para o presidente da ABREN, o Brasil precisa, de forma urgente, precificar os atributos ambientais e de confiabilidade das fontes de energia. Isso significa reconhecer o valor de tecnologias que contribuem para a estabilidade do sistema e a descarbonização. “Se o setor elétrico continuar tratando todas as fontes de forma igual, vamos desestimular as soluções que o país mais precisa neste momento”, finaliza.


A agenda da ABREN reflete um novo paradigma: energia limpa, eficiente e integrada ao combate às mudanças climáticas. Uma aposta ambiciosa — e indispensável — para o futuro energético do Brasil.


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5 comentários

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Fabrício
24 de mai. de 2025

👏👏👏👏👏

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Otávio
24 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabéns ao canal muito conteúdo de primeira

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Lucas
24 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabéns Yuri

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Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabéns pela entrevista.

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Fabiana Garcia
24 de mai. de 2025
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

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