Armazenamento de energia entra no centro do sistema elétrico brasileiro e inversores viram fator crítico
- EnergyChannel Brasil
- há 1 hora
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Especialistas da SMA alertam: estabilidade da rede e sucesso de projetos no leilão LRCAP dependerão mais da tecnologia de conversão do que das baterias
ATIBAIA (SP) — O avanço acelerado das energias renováveis no Brasil está criando um novo desafio para o sistema elétrico: manter a estabilidade da rede diante de uma geração cada vez mais intermitente e descentralizada.
Nesse cenário, o armazenamento de energia deixa de ser apenas uma tendência e passa a ocupar um papel estratégico — especialmente com a chegada do leilão de capacidade (LRCAP), que deve destravar bilhões em investimentos nos próximos meses.
Em entrevista ao EnergyChannel, durante encontro em Atibaia, Rodrigo Cardoso Gatti, Country Manager da SMA Brasil, e Henrique Almeida, diretor comercial da empresa, explicam por que o debate técnico está mudando — e onde estão os principais riscos para investidores.
O novo problema do sistema elétrico brasileiro
Segundo os executivos, o Brasil vive hoje um paradoxo energético: excesso de geração renovável e, ao mesmo tempo, crescente instabilidade na rede.
Isso ocorre, principalmente, devido à combinação de:
longas linhas de transmissão
alta penetração de solar e eólica
baixa inércia do sistema
“O sistema elétrico brasileiro está enfrentando desafios de estabilidade que não existiam há alguns anos”, afirma Gatti.
Grid forming: a tecnologia que muda o jogo
A resposta para esse desafio passa por uma nova geração de tecnologias conhecidas como grid forming.
Diferente dos sistemas tradicionais (grid following), que apenas seguem a rede, o grid forming:
atua ativamente na estabilização
fornece inércia, tensão e controle de frequência
ajuda a evitar colapsos em cascata
“Antes, em uma falha, os sistemas se desconectavam. Agora, a ideia é o oposto: eles entram em ação para sustentar a rede”, explica Henrique Almeida.
Um risco pouco discutido: o inversor
Apesar do foco do mercado nas baterias que representam cerca de 80% do CAPEX, os executivos fazem um alerta importante:
👉 O verdadeiro risco técnico está nos inversores.
“Muita gente está olhando apenas para a bateria. Mas o ponto crítico para aprovação no sistema é o inversor com capacidade real de grid forming”, diz Gatti.
Segundo ele:
nem todos os sistemas atendem aos requisitos do ONS
há poucas soluções testadas em escala real
falhas podem comprometer todo o investimento
LRCAP: divisor de águas para o setor
O leilão de capacidade deve marcar o início de uma nova fase para o armazenamento no Brasil.
Entre os principais pontos:
exigências técnicas mais rigorosas
foco em estabilidade da rede
abertura para novos modelos de receita
Além disso, o leilão pode impulsionar:
participação de transmissoras
novos mercados de serviços ancilares
remuneração por estabilidade e não apenas energia
“Na Europa, já existem leilões específicos para controle de frequência e inércia. Esse é um caminho natural para o Brasil”, destaca Almeida.

Arquitetura e estratégia: decisões que definem o sucesso
Outro ponto crítico levantado é a arquitetura dos projetos.
Os especialistas defendem soluções mais flexíveis, com:
inversores centralizados
sistemas independentes de bateria
maior facilidade de atualização tecnológica
Isso é essencial em um cenário onde:
baterias evoluem rapidamente
tecnologias ficam obsoletas em poucos anos
projetos têm horizonte de 20 a 30 anos
Vida útil e futuro do investimento
Enquanto o mercado discute a degradação das baterias, a SMA chama atenção para outro fator pouco explorado:
👉 a durabilidade dos inversores
A empresa afirma oferecer soluções com até 19 mil ciclos de operação, permitindo:
múltiplos usos ao longo da vida útil
participação em diferentes mercados
maior retorno sobre o investimento
“O investidor precisa olhar além dos 10 anos do leilão. Estamos falando de ativos para décadas”, afirma Almeida.
Um mercado em construção
O Brasil ainda está definindo:
regras de conteúdo local
modelo de remuneração
requisitos técnicos finais
Mas uma coisa já está clara:
👉 o armazenamento será peça central do sistema elétrico.
E mais do que isso a qualidade da tecnologia adotada pode determinar quem ganha ou perde nessa nova fase.
Armazenamento de energia entra no centro do sistema elétrico brasileiro e inversores viram fator crítico






