ALTAS SUCESSIVAS NOS PREÇOS DA ENERGIA: UM CENÁRIO INEVITÁVEL
- Arthur Oliveira

- há 1 dia
- 2 min de leitura
O mercado de energia elétrica brasileiro caminha para um período de reajustes
contínuos e inevitáveis nos preços, com projeções que apontam para elevações sucessivas ao menos até 2028.

Não é alarmismo: trata-se de uma convergência de fatores estruturais, hidrológicos e regulatórios que expõem fragilidades
profundas no sistema. Hidrelétricas deficitárias, custos térmicos em ascensão e
uma transição matricial mal calibrada sinalizam um futuro de tarifas mais
salgadas, impactando consumidores, indústrias e investidores.
A TRAJETÓRIA DOS PREÇOS: DADOS QUE REVELAM A
REALIDADE
A Fitch Ratings, em análise de março de 2026, elevou suas premissas: PLD no
SE/CO para R$ 342/MWh em 2026, com o Nordeste saltando para R$ 302/MWh.
Para 2027 e 2028, as curvas seguem ascendentes. A ANEEL projeta tarifas
médias 8% acima da inflação em 2026, ecoando o PLAN 2026-2030 da CCEE e
ONS, com carga crescendo 3,8% ao ano e GSF abaixo de 0,85 – déficit superior
a 15%.

Chuvas irregulares, despacho térmico impulsionado por tensões globais e
modelos operacionais do ONS que privilegiam riscos hídricos sobre intermitentes
criam um ciclo de pressão. O excesso de renováveis, em paradoxo, não alivia:
curtailments e reservatórios baixos mantêm os preços em patamares elevados.
PRÁTICAS TEMERÁRIAS DE PRECIFICAÇÃO: A CAPTAÇÃO DE
CLIENTES A CUSTO DE QUEBRAS
Parte do problema decorre de condutas temerárias adotadas por diversas
comercializadoras: vendas a preços substancialmente inferiores ao custo
marginal real, com o intuito exclusivo de ampliar carteira e conquistar escala.
Tratavam o PLD baixo como muleta perene, um piso artificial que mascarava
riscos hidrológicos e GSF. Eduardo Rossi, diretor de Segurança do Mercado na
CCEE, identifica crises gêmeas de liquidez e confiança creditícia, agravadas
pela abertura do ACL.
O desfecho é um domínio de insolvências e estresses financeiros, com players
expostos a recompras forçadas e garantias elevadas. Um terço dos contratos
vence em 2-6 anos, ampliando vulnerabilidades. Essa estratégia de precificação
predatória, focada em volume a qualquer custo, abalou a estabilidade do ACL,
freando migrações queda de 52% em fevereiro de 2026. O que se vendia como
barganha virou armadilha para consumidores e caos para o mercado.
POR QUE AS ALTAS SERÃO CONTÍNUAS?
O GSF persistirá abaixo de 0,90 até 2027, com hidrologia adversa e
descompasso regulatório: consumidores obrigados a 100% de contratação,
geradores flexíveis. A expansão do ACL para baixa tensão em 2027-2028 injetademanda sem oferta proporcional. Sem recalibração dos despachos – que
subestimam eólica e solar –, a volatilidade reinará.
A lição é clara: hedge via forwards BBCE, autoprodução no Nordeste e cláusulas
de risco são essenciais. O setor amadurece, mas o preço da miopia é alto.
FONTES
• Fitch Ratings, "Raises Brazil Electricity Price Assumptions; Lowers GSF",
25/03/2026.
02/04/2026.
(mar/2026).
• ANEEL, Boletim InfoTarifas (2026)
• Abraceel, "Preço da energia no mercado livre dispara em dois anos",
• CCEE, Previsões de Carga PLAN
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