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  • A NOVA FRONTEIRA DO SISTEMA ELÉTRICO Brasil acelera corrida pelo armazenamento e pode atingir 10 GW até 2035

    Por Redação EnergyChannel A NOVA FRONTEIRA DO SISTEMA ELÉTRICO Brasil acelera corrida pelo armazenamento e pode atingir 10 GW até 2035 O Brasil começa a desenhar, de forma mais concreta, o próximo salto estrutural do seu sistema elétrico: o armazenamento de energia. Após anos de avanço acelerado das fontes renováveis, especialmente solar e eólica, o país entra agora em uma nova fase marcada pela necessidade de garantir estabilidade, flexibilidade e inteligência operacional à matriz. Projeções recentes indicam que o mercado brasileiro pode alcançar cerca de 10 gigawatts (GW) em capacidade instalada de armazenamento até 2035, consolidando o segmento como um dos pilares da transformação energética nacional. De tendência a infraestrutura crítica O armazenamento deixa de ser apenas uma tecnologia complementar para assumir um papel estratégico. Em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes, a capacidade de armazenar energia passa a ser essencial para equilibrar oferta e demanda em tempo real. Na prática, isso significa reduzir desperdícios, evitar curtailment (desligamento de usinas renováveis), aumentar a confiabilidade do sistema e diminuir a necessidade de acionamento de usinas térmicas tradicionalmente mais caras e emissoras. O avanço previsto reflete uma mudança de mentalidade: o armazenamento começa a ser tratado como infraestrutura crítica, e não mais como uma solução experimental. Expansão renovável exige flexibilidade O crescimento acelerado da geração solar e eólica no Brasil cria um novo desafio operacional. A produção dessas fontes varia ao longo do dia e depende de condições naturais, o que exige mecanismos capazes de compensar oscilações. A NOVA FRONTEIRA DO SISTEMA ELÉTRICO Brasil acelera corrida pelo armazenamento e pode atingir 10 GW até 2035 É nesse contexto que entram os sistemas de armazenamento, especialmente baterias de grande escala, que permitem “guardar” energia nos momentos de excesso e liberá-la quando há maior demanda ou menor geração. Essa dinâmica é fundamental para sustentar a expansão renovável sem comprometer a estabilidade do sistema elétrico. Oportunidade de mercado bilionária A perspectiva de atingir 10 GW abre espaço para um novo ciclo de investimentos no setor energético brasileiro. O mercado de armazenamento tende a atrair fabricantes, desenvolvedores, fundos de investimento e grandes players internacionais interessados em participar da construção dessa nova camada de infraestrutura. Além dos projetos em larga escala, há também um crescimento relevante esperado em soluções descentralizadas, como sistemas acoplados a usinas solares, indústrias e até consumidores comerciais. O armazenamento, nesse cenário, se posiciona como um elo entre geração, consumo e gestão inteligente da energia. Regulação ainda é o ponto-chave Apesar do potencial, o avanço do setor depende diretamente de um ambiente regulatório mais claro e estruturado. A definição de modelos de remuneração, regras de operação e integração ao sistema elétrico será determinante para viabilizar projetos em escala. Hoje, um dos principais desafios é estabelecer mecanismos que reconheçam o valor sistêmico do armazenamento não apenas como geração, mas como serviço de estabilidade, reserva e confiabilidade. Sem essa definição, parte dos investimentos pode permanecer em compasso de espera. Um passo decisivo para o futuro energético O avanço do armazenamento no Brasil não é apenas uma evolução tecnológica é uma mudança estrutural na forma como a energia é produzida, distribuída e consumida. Ao integrar armazenamento em larga escala, o país fortalece sua capacidade de operar uma matriz cada vez mais limpa, resiliente e eficiente, alinhada às demandas de um mundo que caminha para a descarbonização. Se confirmado o ritmo de crescimento projetado, o Brasil não apenas acompanhará as principais economias globais nesse movimento, mas poderá assumir uma posição de destaque em um dos segmentos mais estratégicos da nova economia da energia. O futuro da energia no país não será apenas renovável. Será também armazenado, inteligente e altamente integrado. A NOVA FRONTEIRA DO SISTEMA ELÉTRICO Brasil acelera corrida pelo armazenamento e pode atingir 10 GW até 2035

  • O que telecom ensina ao setor elétrico brasileiro

    O setor elétrico brasileiro está diante da mesma escolha que telecom enfrentou. E ainda pode errar O que telecom ensina ao setor elétrico brasileiro Eu vivi essa transformação. Comecei minha trajetória profissional no setor de telecomunicações ainda dentro de um modelo estatal, no final dos anos 1990, um ambiente marcado por restrição de investimento, baixa eficiência operacional e um distanciamento completo do cliente. Naquele momento, infraestrutura era sinônimo de escassez. Ter uma linha telefônica não era trivial. Era caro, demorado e, muitas vezes, um ativo negociado no mercado paralelo. Poucos anos depois, esse mesmo setor foi completamente redesenhado. A abertura de mercado trouxe novos entrantes; a tecnologia acelerou exponencialmente (mobile, internet, dados); e o cliente deixou de ser passivo para se tornar o centro da estratégia. Eu acompanhei e participei dessa virada. E é exatamente por isso que afirmo: o que estamos vivendo hoje no setor elétrico brasileiro não é novo.   O setor elétrico está acumulando as mesmas tensões Hoje, o setor elétrico caminha para um ponto de ruptura semelhante, não por falta de energia, mas por um modelo que começa a mostrar sinais claros de esgotamento. Os sintomas já são evidentes: tarifas pressionadas e de difícil compreensão; encargos crescentes e pouco transparentes; subsídios cruzados que distorcem o sistema; aumento da percepção de risco sobre a confiabilidade da rede. Em telecom, esse conjunto de fatores precedeu a ruptura. Na energia, estamos no mesmo estágio.   O erro clássico: defender o modelo em vez de preparar a transição O Brasil já cometeu esse erro antes. Durante anos, tentou preservar um modelo de telecom que já não respondia à realidade. O resultado foi atraso. No setor elétrico, o risco se repete: insistir em proteger o modelo atual ao invés de preparar o próximo. A regulação ainda opera, em grande parte, com uma lógica defensiva, focada na estabilidade do sistema existente, e não na evolução do sistema futuro.   A descentralização já começou e não depende da regulação Existe uma diferença relevante em relação ao passado. Agora, a tecnologia está do lado do cliente. Geração distribuída, baterias, digitalização e mobilidade elétrica estão avançando de forma concreta, muitas vezes à margem da lógica tradicional do setor. O consumidor já investe em geração própria, busca previsibilidade de custo e procura alternativas à instabilidade da rede. Em telecom, o ponto de ruptura aconteceu quando o usuário ganhou mobilidade. No setor elétrico, a virada começa quando o cliente ganha autonomia. E essa autonomia tem um vetor claro: o armazenamento de energia. A bateria permite: reduzir dependência da rede; arbitrar custo energético; garantir resiliência; tomar decisões ativas sobre consumo. Isso desloca o centro do sistema.   A reação regulatória vai definir o ritmo ou travar o setor Diante dessa transformação, o setor elétrico brasileiro tem duas opções: Conter (criar barreiras, aumentar encargos e limitar modelos descentralizados) ou orquestrar (integrar novas tecnologias, ajustar sinais econômicos, redesenhar incentivos e reposicionar o papel das distribuidoras). É uma escolha entre atraso / perda de eficiência e evolução estruturada / ganho sistêmico.   Quem paga a conta? Hoje, a conta está concentrada onde sempre esteve: no cliente de baixa tensão, ou seja, nas residências, pequenos negócios e consumidores cativos. Esse modelo cria um ciclo perigoso. Quanto maior o custo, maior o incentivo à saída parcial do sistema. E isso já está ocorrendo.   A bateria não é complemento é ruptura Um erro recorrente na leitura do setor é tratar a bateria como uma tecnologia acessória. Não é. Ela é uma ruptura estrutural. Assim como o celular foi para telecom, a bateria redefine o modelo de negócio, a relação com o cliente, o fluxo de valor do sistema e, principalmente, quem controla a decisão energética. O setor elétrico sempre foi estruturado de forma vertical, mas a próxima fase será horizontal e competitiva. A disputa será por relacionamento, dados, fidelização e experiência. A unidade consumidora deixa de ser passiva e passa a ser estratégica.   O Brasil ainda pode escolher A história não se repete mas se assemelha. O Brasil já viveu essa transformação em telecom. Demorou a reagir, pagou o preço, mas evoluiu. Agora, no setor elétrico, a janela de decisão está aberta e a mudança não é opcional. A única variável é se será liderada ou forçada. Se o sistema não se adaptar, o mercado fará isso por conta própria. E, nesse caso, o custo será maior. Jarlan Lopes é engenheiro, pesquisador e estrategista no setor de energia, com especialização em gestão de energia e uma década de experiência prática, homologando novas tecnologias de lítio ou compartilhando conhecimento técnico que gera resultados reais. Marcelo Rodrigues é sócio da MR Partners e da EnergyTech 2EX, além de conselheiro da UCB Power e cofundador da ABSAE. Acumula mais de 30 anos de experiência em estratégia, inovação, liderança e desenvolvimento de negócios nos setores de energia, tecnologia e infraestrutura. O que telecom ensina ao setor elétrico brasileiro

  • A Tempestade Perfeita e o Oásis do REIDI: O Futuro do Armazenamento de Energia no Brasil

    Por Daniel Pansarella A Tempestade Perfeita e o Oásis do REIDI: O Futuro do Armazenamento deEnergia no Brasil A reforma tributária aprovada em janeiro de 2025, materializada na Lei Complementar nº 214⁄2025, representa uma mudança estrutural profunda na forma como os tributos são cobrados no Brasil. Para o setor de energia solar fotovoltaica, os impactos são intensos e exigem uma adaptação urgente dos modelos de negócio, dos contratos e do planejamento financeiro. No entanto, em meio a essa “tempestade perfeita”, a Lei nº 15.269⁄2025 surge como um oásis ao incluir os sistemas de armazenamento de energia (BESS - Battery Energy Storage Systems) no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI). A questão central, porém, é: a regulamentação infralegal está pronta para destravar esse potencial? A Tempestade: O Que a Reforma Tributária Muda no Setor Solar A transição para o novo modelo tributário, que começa a ser testada em 2026 com a emissão da DERE (Declaração Eletrônica de Regimes Específicos), substitui o ICMS, PIS e COFINS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O modelo segue o padrão europeu de transparência, com os tributos destacados nas notas fiscais e incidindo sobre o consumo de bens e serviços, independentemente de sua natureza. Para a geração centralizada e o mercado livre, as alterações são mais suaves. O ICMS é substituído pelo IBS, mas a sistemática de diferimento permanece, e o principal impacto é a incorporação do ISS na operação. Já para a geração distribuída (GD), os efeitos são bem mais severos. O modelo de locação de equipamentos amplamente utilizado no setor e até então não tributado por ICMS ou ISS passa a ser tributado pelo IBS e CBS, com alíquota cheia de cerca de 28%. Embora haja previsão legal de redução de 70% sobre essa alíquota em determinadas condições (resultando em uma carga efetiva de aproximadamente 9%), isso ainda representa um aumento expressivo em comparação aos atuais 3,65% de PIS/COFINS. Quem não conseguir repassar esse custo ao consumidor final terá que absorver a perda na margem. Mas o impacto mais crítico para o setor de geração centralizada e armazenamento está no CAPEX dos projetos. Equipamentos solares, antes isentos de ICMS em muitos estados, passarão a ser tributados em 28% (IBS + CBS). Cenários projetados por escritórios especializados indicam que, sem adaptação, a carga tributária total pode saltar de 16,5% para até 35% após 2033, o que pode inviabilizar projetos já em operação. É nesse cenário de pressão crescente sobre os custos de capital que o REIDI se torna não apenas relevante, mas essencial. O Oásis: O REIDI como Instrumento Estratégico A inclusão dos sistemas de armazenamento de energia no REIDI, através da Lei nº 15.269⁄2025, é um marco histórico para o setor. O benefício, previsto no artigo 2º-A da Lei nº 11.488⁄2007, suspende a cobrança de PIS e COFINS (a partir de 2026) e de IBS e CBS (a partir de 2027) sobre a aquisição de bens e serviços para projetos de infraestrutura, além de prever a redução a zero do Imposto de Importação sobre componentes. A vigência do incentivo está programada até 31 de dezembro de 2030. A tabela abaixo demonstra o impacto comparativo nos custos de projetos do setor solar fotovoltaico com e sem o REIDI, considerando o novo ambiente tributário pós reforma: Fica evidente que, após a implementação da reforma tributária, os efeitos do REIDI se tornam ainda mais relevantes do que eram antes. Sem o incentivo, a carga tributária de 28% sobre equipamentos inviabilizaria grande parte dos projetos de armazenamento que já são, por natureza, altamente intensivos em capital. Com o REIDI, o Brasil se posiciona de forma mais competitiva no cenário global, especialmente considerando movimentos internacionais como a decisão do governo chinês de cancelar os impostos de importação para módulos fotovoltaicos (0% a partir de abril de 2026) e reduzir progressivamente os impostos sobre baterias de 9% para 0% até janeiro de 2027. O Elefante na Sala: A Lacuna Regulatória do REIDI Apesar dos avanços legislativos, há um problema estrutural que precisa ser endereçado com urgência: a regulamentação infralegal do REIDI ainda não contempla de forma expressa o armazenamento de energia elétrica, estando em desalinhamento com a Lei nº 15.269⁄2025. Três instrumentos normativos precisam de atualização imediata: Essa lacuna regulatória gera uma profunda insegurança jurídica. Investidores e desenvolvedores de projetos de armazenamento que exigem condições regulatórias claras e previsíveis devido ao alto volume de capital envolvido encontram-se em um limbo. Como estruturar a modelagem financeira de um projeto para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) previsto para 2026 sem a garantia de que a habilitação ao REIDI será operacionalizada a tempo? Como apresentar projeções de retorno a investidores institucionais sem a segurança de que o benefício fiscal será concedido? A resposta é simples: não é possível. E essa incerteza afeta negativamente a atratividade de um mercado que, segundo estimativas da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), tem potencial de alcançar 10 GW de armazenamento instalado até 2035 no Brasil. A Urgência de Agir: Dois Pontos-Chave para o Governo Diante desse cenário, dois pontos merecem atenção prioritária do governo federal: Primeiro, a atualização imediata dos atos infralegais Decreto nº 6.144⁄2007, Portaria MME nº 318⁄2018 e IN RFB nº 2.121⁄2022 para incluir expressamente os sistemas de armazenamento de energia como categoria elegível ao REIDI. Essa atualização não é uma formalidade burocrática; é a chave para operacionalizar o que a Lei nº 15.269⁄2025 já determinou. Sem ela, o benefício existe no papel, mas não na prática. Segundo, a definição de critérios claros, transparentes e isonômicos para a alocação do teto orçamentário de R$ 1 bilhão anual previsto para o REIDI de armazenamento. A ausência de regras claras sobre como esse limite será distribuído entre os projetos habilitados cria um ambiente de incerteza que inibe o planejamento de longo prazo. Como bem apontam especialistas do Machado Meyer Advogados, “definir parâmetros claros e coerentes é crucial para que se tenha um ambiente de igualdade de condições na busca pela habilitação aos benefícios fiscais”. O Futuro Está Armazenado A reforma tributária não trata apenas de impostos; ela redefine o modelo de negócios do setor de energia. Para que o Brasil alcance seu potencial na transição energética — com estimativas de geração de mais de 3,6 milhões de empregos e atração de bilhões em investimentos até 2030 é imperativo que o ambiente regulatório acompanhe a velocidade das mudanças legislativas. O Brasil tem a lei, tem a demanda e tem o potencial. O que falta é a regulamentação infralegal que transforme a intenção do legislador em realidade operacional para os investidores. A janela de oportunidade é estreita: o primeiro LRCAP para armazenamento está previsto para 2026, e projetos de BESS levam meses para serem estruturados, financiados e habilitados. O relógio está correndo. E a energia que o Brasil precisa armazenar para o futuro não pode esperar. Daniel Pansarella é executivo com vasta experiência no setor de energia solar, especializado em tributação, logística, cadeia produtiva de equipamentos e desenvolvimento de negócios para equipamentos solares nos mercados brasileiro e latino-americano. Atualmente, atua como Public Affairs & Business Developer Latam na Trina Solar, uma das principais fabricantes de módulos fotovoltaicos, Trackers e Storage do mundo. É também Vice-Presidente de Cadeia Produtiva do Conselho da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Diretor do Derex-FIESP e Conselheiro de empresas como Brasol (Siemens e BlackRock), Greener e Pacto Energia. Conheça mais em seu perfil no LinkedIn. A Tempestade Perfeita e o Oásis do REIDI: O Futuro do Armazenamento de Energia no Brasil

  • Petróleo dispara com tensão em Ormuz e sinal de aperto na oferta nos Estados Unidos

    CHOQUE DUPLO NO MERCADO GLOBAL Por Redação EnergyChannel Petróleo dispara com tensão em Ormuz e sinal de aperto na oferta nos Estados Unidos O mercado internacional de petróleo voltou a operar sob forte pressão nesta semana, impulsionado por uma combinação rara e altamente sensível: riscos geopolíticos no principal corredor energético do planeta e sinais concretos de restrição na oferta de combustíveis na maior economia do mundo. As cotações avançaram de forma expressiva ao longo do dia, refletindo o aumento imediato da percepção de risco por parte de traders, refinarias e grandes consumidores globais. O movimento não foi isolado ele revela um novo estágio de instabilidade, em que fatores físicos e geopolíticos passam a atuar simultaneamente sobre os preços. Ormuz volta ao centro do risco global O Estreito de Ormuz, responsável por uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo, voltou ao radar como um dos pontos mais críticos da segurança energética global. Relatos recentes de incidentes envolvendo embarcações comerciais elevaram o nível de alerta no mercado, reacendendo temores sobre possíveis interrupções logísticas na região. Mesmo sem confirmação de bloqueios formais, o simples aumento da insegurança operacional já é suficiente para impactar seguros marítimos, rotas comerciais e custos de transporte elementos que se refletem diretamente na formação do preço do barril. Historicamente, qualquer instabilidade em Ormuz gera efeitos desproporcionais no mercado, justamente por se tratar de um gargalo estratégico onde circula grande parte do petróleo exportado pelo Oriente Médio. Estoques nos EUA acendem sinal de alerta Paralelamente ao fator geopolítico, dados recentes indicam uma redução inesperada nos estoques de combustíveis nos Estados Unidos, especialmente gasolina e destilados. Esse movimento sugere um desequilíbrio momentâneo entre oferta e demanda, reforçando a percepção de um mercado mais apertado do que o previsto. A queda nos estoques em um período de alta demanda interna impulsionada por transporte, logística e consumo industrial adiciona um componente estrutural à alta dos preços, que deixa de ser apenas reativa a eventos externos e passa a refletir fundamentos mais restritivos. Mercado entra em modo defensivo Com esses dois vetores em jogo, o mercado global de petróleo passa a operar em modo defensivo. Investidores e agentes da cadeia energética começam a reprecificar riscos, antecipando possíveis cenários de escassez ou encarecimento prolongado da energia. Esse tipo de movimento tende a gerar volatilidade adicional, especialmente em um contexto onde as negociações diplomáticas no Oriente Médio seguem sem avanços concretos, prolongando a incerteza sobre a estabilidade da região. Impactos que vão além do petróleo A alta do petróleo rapidamente se espalha por outras camadas da economia. Custos de transporte, produção industrial e logística global tendem a subir, pressionando cadeias produtivas e alimentando novos ciclos inflacionários. Além disso, derivados como diesel, querosene de aviação e insumos petroquímicos passam a incorporar esse novo patamar de preços, ampliando os efeitos sobre setores estratégicos como aviação, agricultura e indústria química. Um mercado cada vez mais sensível O episódio reforça uma tendência clara: o mercado energético global está cada vez mais sensível a choques simultâneos. A combinação entre fatores geopolíticos e fundamentos de oferta cria um ambiente onde oscilações bruscas deixam de ser exceção e passam a fazer parte da dinâmica estrutural. Para governos e empresas, o recado é direto: a volatilidade energética deixou de ser um evento pontual e se consolidou como um risco permanente — exigindo estratégias mais robustas de segurança, diversificação e transição energética. O petróleo volta a subir, mas o que realmente cresce é o nível de incerteza sobre o futuro imediato da energia no mundo.

  • Europa já acumula US$ 28 bilhões em perdas e reacende alerta estrutural sobre dependência energética

    CRISE ENERGÉTICA GLOBAL 2.0 Por Redação EnergyChannel Europa já acumula US$ 28 bilhões em perdas e reacende alerta estrutural sobre dependência energética A Europa volta a enfrentar um cenário que parecia ter ficado para trás. Menos de cinco anos após o choque provocado pela guerra na Ucrânia, o continente mergulha em uma nova onda de instabilidade energética desta vez impulsionada por tensões no Oriente Médio que já impõe um custo bilionário à sua economia e pressiona setores estratégicos. Dados recentes apontam que o bloco europeu já desembolsou o equivalente a US$ 28 bilhões adicionais apenas para manter seu nível de importação de energia, sem qualquer ganho real em volume. Na prática, trata-se de um efeito direto da escalada de preços no mercado internacional um fenômeno que expõe, mais uma vez, a fragilidade estrutural da matriz energética europeia, ainda altamente dependente de combustíveis fósseis importados. Um sistema sob pressão O impacto vai além dos números macroeconômicos. A crise começa a se materializar de forma concreta na vida de empresas e consumidores, criando uma reação em cadeia que atravessa diferentes setores da economia. O transporte aéreo é um dos primeiros a sentir os efeitos. A dependência europeia de combustível de aviação importado que gira em torno de 70% coloca o setor em uma posição particularmente vulnerável. O aumento abrupto nos preços já força ajustes operacionais, com redução de rotas, cortes de voos e revisão de custos, o que tende a impactar diretamente o turismo e a conectividade econômica do continente. Na indústria, o cenário é ainda mais sensível. Segmentos intensivos em energia, como o químico e o de transformação, enfrentam um aumento expressivo nos custos de produção. Isso se traduz em repasses ao consumidor final, com elevação de preços em itens essenciais que vão de insumos agrícolas a produtos de limpeza e materiais industriais. O resultado é um ciclo inflacionário mais amplo, que pressiona cadeias produtivas inteiras e reduz a competitividade europeia no cenário global. Efeito dominó na economia real O aumento dos custos energéticos não afeta apenas grandes corporações. Pequenos negócios e atividades tradicionais também começam a sofrer impactos severos. No setor pesqueiro, por exemplo, a alta no preço dos combustíveis compromete diretamente a viabilidade das operações. Em diversas regiões, a atividade já enfrenta redução de escala, com trabalhadores sendo forçados a interromper operações diante da queda nas margens. Ao mesmo tempo, o encarecimento de insumos derivados de petróleo e gás como fertilizantes, plásticos e gases industriais amplia os efeitos da crise para setores como agricultura, alimentos e manufatura. Essa dinâmica cria um ambiente econômico mais restritivo, onde produção, consumo e investimento passam a ser impactados simultaneamente. Risco de desaceleração econômica Com a persistência das tensões geopolíticas e a continuidade das restrições na oferta global de energia, cresce o risco de uma desaceleração mais profunda na economia europeia. As projeções de crescimento já começam a ser revisadas para baixo, refletindo um ambiente de incerteza elevado. A combinação de energia cara, inflação pressionada e redução da atividade industrial cria um cenário que pode evoluir para recessão, especialmente se o fornecimento energético continuar instável ao longo dos próximos meses. No Reino Unido, sinais desse impacto já aparecem com maior clareza. A inflação voltou a subir, impulsionada principalmente pelo aumento nos preços dos combustíveis, alimentos e transporte. O custo de vida mais alto começa a alterar padrões de consumo e intensifica a pressão sobre as famílias. Resposta emergencial e mudança de rota Diante do cenário, governos europeus aceleram medidas emergenciais para conter os efeitos mais imediatos da crise. Entre as ações estão subsídios diretos, redução de impostos sobre energia, apoio a setores críticos e mecanismos de coordenação para garantir abastecimento em situações de escassez. Ao mesmo tempo, a crise reforça uma agenda que já vinha ganhando força: a necessidade de acelerar a transição energética e reduzir a dependência de importações. Projetos de energia renovável, geração distribuída e expansão de infraestrutura local ganham prioridade estratégica. Países começam a investir com mais intensidade em soluções que aumentem a autonomia energética, como solar, eólica e biocombustíveis. Um recado claro para o futuro Mais do que uma crise conjuntural, o momento atual consolida um aprendizado estrutural para a Europa e para o mundo. A volatilidade dos mercados fósseis, somada a riscos geopolíticos crescentes, deixa evidente que segurança energética e transição energética não são agendas separadas, mas partes de uma mesma equação. O custo bilionário acumulado em poucas semanas reforça que a dependência externa tem um preço alto e recorrente. A nova crise energética europeia não apenas testa a resiliência do continente, mas também redefine, de forma acelerada, as prioridades do sistema energético global. Europa já acumula US$ 28 bilhões em perdas e reacende alerta estrutural sobre dependência energética

  • Tudo de Energia: o ecossistema que quer preparar o Brasil para a nova economia da energia

    Série Especial EnergyChannel Episódio 4 Indústria, inovação e mercado: a engrenagem da nova economia da energia Tudo de Energia: o ecossistema que quer preparar o Brasil para a nova economia da energia A transformação do setor energético não acontece de forma isolada. Ela é resultado da interação entre diferentes atores que compõem a cadeia de valor da energia: fabricantes de tecnologia, empresas de engenharia, empreendedores, integradores, investidores e consumidores. Essa rede de relações forma uma engrenagem dinâmica um sistema interdependente que impulsiona o desenvolvimento do mercado energético. De um lado estão as empresas responsáveis por desenvolver novas tecnologias.Do outro, os empreendedores que levam essas soluções até o mercado. Quando esses dois mundos se conectam de forma eficiente, o resultado é um ciclo contínuo de inovação, desenvolvimento de negócios e expansão do setor. O papel da indústria na transição energética Nos últimos anos, a indústria global de energia passou por um processo intenso de inovação tecnológica. Fabricantes de equipamentos e desenvolvedores de soluções energéticas vêm investindo bilhões de dólares em pesquisa, desenvolvimento e novos produtos voltados à transição energética. Entre as tecnologias que mais avançaram recentemente estão: sistemas de armazenamento em baterias inversores e eletrônica de potência mais inteligentes plataformas digitais de monitoramento energético soluções de mobilidade elétrica sistemas híbridos de geração e gestão de energia Essas inovações são fundamentais para tornar o sistema energético mais limpo, eficiente e digitalizado. No entanto, tecnologia por si só não transforma um mercado. Para que essas soluções realmente cheguem ao consumidor final, é essencial a existência de uma rede de profissionais e empresas capazes de implementá-las de forma estratégica. O empreendedor como ponte entre tecnologia e mercado É nesse ponto que o empreendedor energético assume um papel central dentro da nova economia da energia. Ele deixa de ser apenas um intermediário e passa a atuar como elo estratégico entre inovação tecnológica e aplicação prática. São esses profissionais que identificam demandas, estruturam projetos e transformam tecnologias em soluções reais para consumidores residenciais, empresas, indústrias e produtores rurais. Nesse processo, o empreendedor evolui. Deixa de vender equipamentos e passa a desenhar soluções completas. Interpreta o mercado, compreende os desafios de cada cliente e integra diferentes tecnologias em projetos eficientes, inteligentes e economicamente viáveis. Essa capacidade de integração define o novo perfil do profissional do setor energético. A importância de aproximar indústria e mercado Quanto maior a conexão entre indústria e mercado, maior a velocidade de inovação. Fabricantes passam a entender melhor as necessidades reais.Empreendedores acessam tecnologias mais avançadas.E o mercado se torna mais dinâmico e competitivo. Essa aproximação acelera a disseminação de soluções. Tecnologias antes restritas a grandes projetos começam a chegar ao setor comercial, industrial e residencial. O resultado é a expansão do acesso à energia inteligente e o surgimento de novas oportunidades de negócio em toda a economia. O papel dos ecossistemas de inovação É nesse cenário que surgem os ecossistemas de inovação. Mais do que redes de contato, eles funcionam como ambientes estruturados que conectam indústria, especialistas, empreendedores e empresas com um objetivo claro: acelerar o desenvolvimento do setor. Esses ecossistemas atuam como catalisadores. Eles encurtam distâncias entre ideias e aplicações, entre tecnologia e mercado, entre conhecimento e execução. Dentro dessa lógica, o Tudo de Energia surge como uma iniciativa que busca fortalecer exatamente essa conexão. Idealizado por Merivaldo Britto, o projeto nasce com a proposta de integrar conhecimento técnico, visão de mercado e desenvolvimento de negócios em um único ambiente. Mais do que uma plataforma, o Tudo de Energia se posiciona como um ponto de convergência para profissionais e empresas que querem atuar de forma estratégica na nova economia da energia estimulando conexões, ampliando oportunidades e preparando o setor para os desafios que estão por vir. Tudo de Energia: o ecossistema que quer preparar o Brasil para a nova economia da energia Preparando o setor para a próxima etapa da transição energética A transição energética ainda está em curso. Nos próximos anos, novas tecnologias continuarão surgindo, novos modelos de negócio ganharão espaço e o setor se tornará cada vez mais digital, integrado e descentralizado. Nesse contexto, a capacidade de conectar indústria, inovação e mercado será um dos principais fatores de sucesso. Empreendedores preparados para atuar nesse novo cenário terão papel decisivo na construção das soluções que irão moldar o futuro da energia. No próximo e último episódio desta série especial do EnergyChannel, vamos explorar como iniciativas baseadas em ecossistemas como o Tudo de Energia podem estruturar essa nova economia e preparar o mercado brasileiro para uma nova era energética. Tudo de Energia: o ecossistema que quer preparar o Brasil para a nova economia da energia

  • Curtailment e segurança regulatória: o que está em jogo para a expansão renovável no Brasil

    O corte de geração deixou de ser um tema apenas operacional. No Brasil, ele já afeta confiança, financiamento e previsibilidade três pilares sem os quais a expansão renovável perde tração justamente no momento em que deveria ganhar escala. Por Laís Víctor Durante algum tempo, o curtailment foi tratado quase como um ruído inevitável de um sistema em transição. Um problema técnico, relevante para operadores, geradores e especialistas, mas ainda distante da percepção mais ampla do mercado. Esse enquadramento já não se sustenta. Quando o Ministério de Minas e Energia abre uma consulta pública para discutir compensação financeira a geradores eólicos e solares afetados por cortes de geração, com o objetivo declarado de reduzir prejuízos, fortalecer o ambiente de investimentos e dar previsibilidade ao mercado, fica claro que o tema mudou de patamar. O que está em debate já não é apenas como operar o sistema em momentos críticos, mas como preservar a confiança na expansão renovável brasileira.  O problema não é mais só técnico O ONS é direto ao afirmar que a restrição de geração, o curtailment, é uma realidade estrutural em sistemas com alta participação de renováveis e que, no Brasil, ela decorre do descompasso entre a produção variável dessas fontes e os momentos de maior consumo. O operador também enfatiza que a restrição não é uma escolha discricionária, mas uma medida técnica necessária para preservar a segurança e a confiabilidade do SIN.  Esse ponto é importante e precisa ser reconhecido. Minimizar o desafio operacional seria um erro. O próprio MME informou, ao instalar em março de 2025 o grupo de trabalho do CMSE sobre cortes de geração renovável, que eles ocorrem por razões elétricas, de confiabilidade do sistema e de suas áreas elétricas, ou ainda por insuficiência de consumo diante da geração instantânea. No mesmo anúncio, o ministério listou como frentes de solução o reforço da transmissão, novos compensadores síncronos, antecipação de obras, aperfeiçoamento de modelos e até avaliações sobre uso de armazenamento.  Mas reconhecer a dimensão técnica do problema não encerra a discussão. Pelo contrário. É justamente porque o curtailment passou a ser estrutural que ele deixou de caber apenas no campo da operação. Quando o corte vira risco de investimento Na prática, nenhum investidor financia um ativo apenas com base em capacidade instalada. Ele financia com base em receita esperada, previsibilidade regulatória e confiança de que o ambiente institucional sabe lidar com fricções do sistema. Quando o corte de geração aumenta, se prolonga e exige mecanismos extraordinários de compensação, a leitura muda. O próprio MME, na consulta pública aberta em 31 de dezembro de 2025, reconheceu que a medida busca construir critérios claros para ressarcimento dos agentes afetados, com uma solução equilibrada que traga segurança jurídica aos investidores sem custos excessivos aos consumidores. Essa formulação é reveladora. Ela admite, na prática, que curtailment já não é apenas uma contingência operacional; ele passou a ter implicações econômicas e jurídicas relevantes para o ambiente de negócios.  Na minha leitura, esse é o centro da questão. O setor renovável consegue conviver com risco hidrológico, variação de preço, competição e ciclos de investimento. O que corrói confiança mais rapidamente é a sensação de que o ativo pode produzir, mas não consegue escoar, ou que a regra para tratar esse evento chega tarde, depois que o problema já afetou caixa, contratos e percepção de risco. A previsibilidade virou ativo tão importante quanto a energia A ANEEL reforçou esse deslocamento ao aprovar, em novembro de 2025, apoio institucional ao plano emergencial do ONS para corte de geração tipo III nas redes de distribuição. A agência justificou a medida com base em episódios de carga líquida muito baixa, elevada geração não controlável e baixa capacidade de inércia, controle de frequência e controle de tensão, destacando a necessidade de tornar os procedimentos mais transparentes e previsíveis para reduzir risco sistêmico, elevar a eficiência operacional e proteger consumidores e demais usuários.  Esse ponto merece atenção. Transparência e previsibilidade não aparecem aqui como adorno regulatório. Elas aparecem como condição de estabilidade setorial. Quando até um plano emergencial precisa ser institucionalizado para organizar o corte, o recado para o mercado é claro: a expansão renovável brasileira entrou em uma fase em que a qualidade da coordenação regulatória importa tanto quanto a velocidade de expansão da oferta.  O sinal mais relevante é que o tema deixou de ser episódico O ONS publicou um diagnóstico e uma prospecção da evolução dos cortes de geração no Brasil, olhando o horizonte de 2026 a 2029, e tratou o problema a partir de três restrições sistêmicas relevantes: limites de exportação do Nordeste, limites de exportação do Norte e Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste e cortes por razões energéticas ligados ao controle de frequência. O próprio relatório ressalta que não pretende fornecer números exatos para o futuro, mas oferecer base sólida para identificar tendências e apoiar aprimoramentos necessários.  Acredito que o ponto mais importante aí não é o detalhe metodológico. É o fato de o operador já trabalhar o curtailment como fenômeno prospectivo, com horizonte plurianual e necessidade de aperfeiçoamento estrutural. Isso confirma que o debate saiu do improviso e entrou na agenda de planejamento do setor. O que está realmente em jogo O que está em jogo não é apenas o volume de energia cortada em determinados períodos. É a confiança na coerência entre o discurso de transição energética e a capacidade real do sistema de absorver essa transição. O Brasil construiu, com razão, uma reputação internacional de potência renovável. Mas reputação não se sustenta só com recurso natural abundante. Sustenta-se com rede, regra, coordenação e previsibilidade. Se o investidor percebe que o corte de geração se tornou recorrente e que a resposta regulatória ainda está em consolidação, o custo de capital tende a refletir isso. E, quando o custo de capital sobe, a expansão perde eficiência mesmo antes de perder apetite. Na minha visão, esse é o ponto que o setor precisa enfrentar com mais franqueza: curtailment não é mais apenas uma questão de despacho. É uma questão de confiança. Três mensagens que o mercado já recebeu A primeira é que o problema é real e estrutural. O ONS o trata dessa forma, e não como desvio passageiro.  A segunda é que o governo reconhece o impacto econômico do tema. O MME abriu consulta pública específica para compensação financeira e fala expressamente em previsibilidade e ambiente de investimentos.  A terceira é que a regulação precisou sair do abstrato e entrar em arranjos emergenciais para preservar a segurança operativa diante de eventos de baixa carga líquida e alta geração não controlável.  Conclusão O curtailment deixou de ser um assunto de bastidor técnico e passou a ocupar o centro da discussão sobre expansão renovável no Brasil. E isso não é um detalhe. É uma mudança de escala. Se a próxima etapa da transição energética brasileira dependerá cada vez mais de eólica, solar, armazenamento, reforço de rede e melhor coordenação operativa, então segurança regulatória deixa de ser complemento e passa a ser infraestrutura invisível do investimento. No fim, o que está em jogo não é apenas quanto de energia será cortado. É quanto de confiança o setor será capaz de preservar enquanto tenta crescer. Sobre a autora Laís Víctor é especialista em energias renováveis e diretora executiva de parcerias, com 15 anos de atuação no setor de energia. Sua trajetória reúne experiência em desenvolvimento de negócios, estruturação de alianças estratégicas e atração de investimentos voltados à transição energética, com foco na construção de ecossistemas sustentáveis e na inovação do mercado global de renováveis. Curtailment e segurança regulatória: o que está em jogo para a expansão renovável no Brasil

  • Segurança elétrica na energia solar: o risco invisível dos sistemas tradicionais

    Durante anos, a expansão da energia solar foi guiada principalmente por um objetivo: gerar mais energia ao menor custo possível. Segurança elétrica na energia solar: o risco invisível dos sistemas tradicionais Mas, à medida que o setor amadurece, uma nova variável ganha protagonismo e começa a redefinir decisões técnicas e comerciais: A segurança elétrica dos sistemas fotovoltaicos. O que antes era tratado como detalhe técnico passa agora a ocupar o centro do debate. Um risco que nem sempre é visível Grande parte dos sistemas solares instalados atualmente opera com corrente contínua (DC) em alta tensão ao longo dos cabos que conectam os módulos ao inversor. Esse modelo, comum em sistemas com inversores string, funciona — mas traz consigo riscos que muitas vezes não são percebidos no dia a dia. Entre eles: Formação de arco elétrico Aquecimento excessivo de conexões Falhas progressivas difíceis de detectar Risco de incêndio em casos extremos O desafio é que esses problemas, na maioria das vezes, não são imediatamente visíveis. Arco elétrico: o principal ponto de atenção Um dos fenômenos mais críticos nesse contexto é o arco elétrico. Ele pode ocorrer quando há falhas de conexão, desgaste de componentes ou até pequenas imperfeições na instalação. Em sistemas com alta tensão DC, o arco tende a ser mais persistente e difícil de interromper. Diferente da corrente alternada (AC), a corrente contínua não possui passagem natural por zero — o que dificulta a extinção do arco. Isso aumenta o risco de danos ao sistema e, em situações mais graves, pode evoluir para incêndios. Crescimento acelerado e qualidade variável O rápido crescimento do setor também trouxe um desafio adicional: a padronização da qualidade. Com a entrada de novos instaladores e o aumento da demanda, nem todos os projetos seguem o mesmo nível de rigor técnico. Isso pode resultar em: Conexões mal executadas Dimensionamento inadequado Falta de inspeção detalhada Uso de componentes de baixa qualidade O problema não está apenas na tecnologia, mas na forma como ela é aplicada. Segurança deixa de ser diferencial e vira requisito Em mercados mais maduros, a segurança já não é tratada como opcional. Ela influencia diretamente: Normas técnicas Certificações Seguradoras Decisões de investimento Empresas e consumidores começam a entender que o custo de um sistema não pode ser analisado sem considerar o risco associado. Como a arquitetura impacta o risco A forma como o sistema é projetado tem impacto direto na segurança. 🔴 Sistemas tradicionais (string) Longos trechos com alta tensão DC Maior exposição a falhas elétricas Dependência de conexões em série 🟢 Sistemas com microinversores Conversão imediata para AC no módulo Redução significativa da tensão DC Menor propagação de falhas Ao eliminar ou reduzir a presença de alta tensão contínua, o risco estrutural do sistema também diminui. Detecção e resposta: um ponto crítico Outro fator importante é a capacidade de identificar problemas rapidamente. Em muitos sistemas tradicionais, falhas elétricas podem passar despercebidas por longos períodos. Já sistemas com monitoramento mais granular permitem: Identificação rápida de anomalias Intervenção antes que o problema se agrave Maior controle sobre o desempenho e a segurança A mudança de mentalidade no setor O mercado começa a entender que segurança não é apenas um requisito técnico — é uma questão de gestão de risco. Isso muda completamente a lógica de decisão: Não se trata apenas de quanto o sistema gera, mas de quão seguro ele é ao longo de sua vida útil. O cenário brasileiro No Brasil, essa discussão ainda está em evolução, mas ganha força rapidamente. Fatores como: Aumento do número de instalações Crescente atenção a normas técnicas Maior rigor de seguradoras Casos pontuais de falhas e incidentes indicam que a segurança será um dos principais critérios de escolha nos próximos anos. Conclusão: o novo padrão do setor A energia solar entra em uma fase onde performance e segurança caminham juntas. Tecnologias que conseguem entregar ambos os fatores tendem a se destacar em um mercado cada vez mais exigente. O crescimento continua mas agora com um novo nível de responsabilidade. Próximo episódio No próximo capítulo: Geração módulo a módulo: como os microinversores aumentam a eficiência real Segurança elétrica na energia solar: o risco invisível dos sistemas tradicionais Segurança elétrica na energia solar: o risco invisível dos sistemas tradicionais

  • Estão Estrangulando o Setor Elétrico do Nordeste

    Por Daniel Lima – Economista e Especialista no Setor Energético Estão Estrangulando o Setor Elétrico do Nordeste O Nordeste está sendo sabotado O Nordeste é hoje a maior potência de energia limpa do Brasil. Desde 2019, a região exporta vento e sol transformados em eletricidade para o restante do país. Mas essa conquista está sendo estrangulada por negligência e omissão. A prova da sabotagem O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou o Painel de Margens para Escoamento de Geração para o ciclo 2027–2031. O resultado é escandaloso: todas as regiões terão aumento de capacidade de escoamento, menos o Nordeste, que ficará com margem zero. Enquanto o Sudeste triplica sua capacidade, o Sul e o Norte crescem, e até o Centro-Oeste ganha espaço, o Nordeste é simplesmente ignorado. Isso apesar da previsão da matriz elétrica da região crescer 25% nos próximos cinco anos, saltando de 76 GW para 95 GW. Cortes e desperdício Na prática, parques eólicos e solares já instalados são obrigados a cortar produção (curtailment), desperdiçando energia limpa e barata. É como plantar e colher, mas deixar a safra apodrecer porque não há estrada para escoar. Quem são os culpados? Não há como suavizar: - O governo federal falhou em priorizar a infraestrutura de transmissão no Nordeste. - A ANEEL não garantiu leilões de transmissão compatíveis com a expansão da geração. - O ONS não antecipou gargalos e não apresentou soluções estruturais. - Os políticos da região por não defender seus eleitores. O resultado é um estrangulamento deliberado da vocação energética nordestina. A solução está na mesa O mais revoltante é que uma única ação já resolveria boa parte do problema: Implantar sistemas de armazenamento em baterias (BESS) na Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) e nas subestações sobrecarregadas. Com isso, seria possível: - Absorver excedentes de geração eólica e solar. - Reduzir cortes de energia (curtailment). - Aliviar gargalos de transmissão sem esperar anos por novas linhas. - Garantir estabilidade e confiabilidade ao sistema elétrico. Ou seja: não é falta de tecnologia, não é falta de solução. É falta de vontade política. Impactos sociais e econômicos Investidores privados já falam em redirecionar recursos para outras regiões. Comunidades locais perdem empregos e renda. O Nordeste não pede favor: exige respeito. A região é o motor da transição energética brasileira. A implantação de BESS é uma solução imediata, barata e eficaz. Ignorá-la é mais do que incompetência: é um crime econômico contra o Nordeste e contra o futuro energético do Brasil. Precisamos punir os culpados! Estão Estrangulando o Setor Elétrico do Nordeste

  • Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025

    Documento foi lançado pelo CIBiogás durante o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, e consolida dados estratégicos para o avanço do setor no país Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025 O Brasil atingiu a marca de 1.803 plantas de biogás cadastradas e produção próxima a 5 bilhões de Nm³/ano em 2025, consolidando um ciclo consistente de crescimento do setor. Os dados fazem parte do Panorama do Biogás no Brasil 2025, lançado no dia 15 de abril, durante o 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu (PR). Elaborado pelo  Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás), o documento aponta o avanço tanto no número de unidades quanto no volume produzido, entre outras análises de amplo interesse do mercado. Durante a apresentação, o diretor-presidente do CIBiogás, Felipe Souza Marques, destacou o crescimento do setor e a evolução do perfil das plantas no país. Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025 “O Brasil alcançou 1.803 plantas de biogás, com crescimento de 5% no número de unidades e aumento de 6% no volume produzido em relação ao ano anterior. Esse avanço mostra não apenas expansão, mas também ganho de escala e eficiência das plantas”, afirmou. Segundo ele, o amadurecimento do mercado também se reflete na mudança de perfil dos empreendimentos. “Estamos observando uma transformação importante: menos plantas entrando por ano, mas com maior capacidade produtiva. Isso indica evolução tecnológica e novos modelos de negócio mais robustos”, completou. Marques ressalta que a diversificação do uso energético do biogás reforça a maturidade do setor. Atualmente, a geração de energia elétrica segue como principal destino, concentrando cerca de 62% do volume, enquanto o biometano já responde por aproximadamente 34%, mesmo representando uma parcela menor de plantas. “Esse movimento evidencia uma transição gradual no setor. O biometano ganha espaço como rota estratégica, especialmente pela sua inserção nos mercados de gás e transporte, operando em plantas de maior escala”, destaca o diretor.  Complementando os dados apresentados por Felipe, a diretora técnica do CIBiogás, Daiana Gotardo Martinez, destaca que o avanço do setor também amplia o papel do biogás para além das aplicações energéticas tradicionais. Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025 “Quando observamos esse crescimento, com o Brasil atingindo quase 5 bilhões de Nm³ de biogás por ano e expansão média de dois dígitos na última década, estamos falando de uma base que permite ao biogás evoluir para novas rotas tecnológicas. O Panorama evidencia que o setor começa a se posicionar como fornecedor de moléculas renováveis, com potencial para produção de biometano, hidrogênio e outros combustíveis de baixo carbono”, afirma. Segundo ela, esse movimento conecta o Brasil a tendências globais de descarbonização e abre espaço para aplicações estratégicas, como os combustíveis avançados. “Hoje, cerca de 37% do biogás já é destinado à produção de biometano, o que mostra um avanço importante na cadeia de valor. A partir dessa base, o documento aponta o desenvolvimento de rotas como gás de síntese, metanol renovável, combustíveis sintéticos e o combustível sustentável de aviação, o SAF. Isso amplia significativamente o papel do biogás, que deixa de ser apenas uma solução para gestão de resíduos ou geração de energia e passa a integrar cadeias mais complexas, como a aviação e a indústria química”. Corrida entre os estados para produção de biogás O Panorama do Biogás 2025 também detalha a distribuição da produção no país e evidencia a concentração do volume em poucos estados. São Paulo lidera com ampla vantagem, atingindo cerca de 4,9 milhões de Nm³/dia, seguido pelo Rio de Janeiro, com aproximadamente 1,8 milhão de Nm³/dia. Na sequência aparecem Paraná e Minas Gerais, ambos com volumes próximos a 1,5 e 1,2 milhão de Nm³/dia, respectivamente, consolidando-se como pólos relevantes na produção nacional. Pernambuco e Santa Catarina completam o grupo intermediário, enquanto estados como Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Ceará e Espírito Santo integram o ranking dos dez maiores produtores, refletindo a diversificação gradual da atividade no território brasileiro. Além da liderança consolidada, o levantamento aponta uma dinâmica interessante de crescimento regional. Estados como Paraná e Minas Gerais vêm registrando taxas de expansão superiores à média nacional nos últimos anos, o que pode alterar o ranking no médio prazo. Ao mesmo tempo, o estudo evidencia o potencial ainda pouco explorado das regiões Norte e Nordeste, onde a produção permanece incipiente. Essa concentração geográfica reforça a importância de políticas públicas e investimentos direcionados para ampliar a capilaridade do setor e aproveitar o potencial de geração de biogás em novas fronteiras, especialmente em áreas com forte disponibilidade de resíduos agroindustriais e urbanos . Biometano em ascensão histórica Este é o maior salto histórico, no que tange o crescimento e a projeção do biometano. Aline Scarpetta, diretora de Estratégias de Mercado e Inovação do CIBiogás, explica que em 2025 o setor observou a maior taxa de crescimento já registrado, no entanto, o ano de 2026 apresenta uma ascensão semelhante quando observado os pedidos de ampliação e em autorização à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sinalizando uma expectativa de novo recorde de crescimento.  Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025 “Por ser um biocombustível regulado pela ANP, apresenta maior vocação para comercialização, com destaque para o setor de transportes, especialmente o uso veicular”, afirma.  A tendência de crescimento do biometano ganha ainda mais força com a evolução do ambiente regulatório, a exemplo das duas resoluções publicadas pelo Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano, criados pela lei Combustível do Futuro (14.993/2024), estabelecendo emissão e comercialização do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB).  “As novas demandas energéticas, o avanço regulatório e a integração com mercados de combustíveis renováveis, também são fatores que vem impulsionando o biometano brasileiro. Em especial a definição da meta pelo CNPE no início de abril”, conclui. Na avaliação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o avanço do setor depende diretamente da qualidade das informações disponíveis. Para o coordenador-geral de Tecnologias Setoriais, Rafael Menezes, o mapeamento do setor é fundamental para subsidiar políticas públicas mais assertivas. Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025 “Quanto mais dados qualificados tivermos, maior será a capacidade de direcionar investimentos e fortalecer o desenvolvimento do biogás e do biometano no país”. O MCTI articula uma nova fase de expansão do setor, com foco nas regiões Norte e Nordeste, onde ainda há baixa concentração de plantas. A iniciativa envolve parceria com instituições como o CIBiogás, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Senai Cimatec, além de articulação com os ministérios dos Transportes e das Cidades para o desenvolvimento da bioeconomia regional e descarbonização do setor de transporte. O diretor executivo da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Tiago Santovito, reforça que o Panorama se consolidou como ferramenta essencial para o setor e para a redução da assimetria de informações. Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025 “O Panorama é hoje a principal base de dados do setor. Ele organiza informações que antes estavam dispersas e permite que empresas, governo e investidores tomem decisões mais qualificadas”, afirma . Segundo Santovito, a parceria entre ABiogás e CIBiogás tem avançado na estruturação de novas soluções para o mercado, incluindo o desenvolvimento de uma plataforma digital que permitirá acompanhar, em tempo real, dados de produção, capacidade instalada e impactos de descarbonização. “A construção de uma ferramenta robusta, que integre dados de produção atual e projetos futuros, será fundamental para apoiar a definição de metas nacionais e dar mais transparência ao mercado”. Novidades do Panorama O Panorama do Biogás no Brasil 2025 chega a sua oitava edição com avanços relevantes também no formato e na construção do conteúdo. O documento foi disponibilizado, pela primeira vez, em edição especial na versão impressa, além da tradicional versão digital, ampliando seu alcance e consolidando-se como um registro permanente da evolução do setor.  A publicação contou com o apoio de 51 empresas no mapeamento dos dados, reforçando o caráter colaborativo do levantamento, e reúne análises e comentários de especialistas de instituições estratégicas como o MCTI, ABiogás, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Itaipu Binacional e Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR), fortalecendo seu papel como principal referência nacional em dados, tendências e inteligência de mercado sobre biogás e biometano. Com acesso gratuito, o documento pode ser baixado diretamente pelo link: https://materiais.cibiogas.org/panorama-do-biogas-2025-download-lp Unidade de Demonstração de Biocombustíveis Como parte da agenda de lançamentos do setor, a semana também foi marcada pela reinauguração, no dia 13 de abril, da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis da Itaipu (UD Itaipu), em Foz do Iguaçu (PR), fruto da parceria entre Itaipu Binacional e CIBiogás.  O espaço passou por modernização, ampliou sua infraestrutura e agora conta com circuito de visitação, reforçando seu papel como vitrine tecnológica e ambiente de difusão de conhecimento. A unidade já processou mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, desde a sua inauguração em 2017, gerando biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros.  Mais do que uma planta operacional, a UD Itaipu atua como uma plataforma integrada de desenvolvimento tecnológico, reunindo diferentes rotas de aproveitamento do biogás, sendo o volume majoritário destinado a  produção de biometano para uso veicular e outra parte destinada ,  a produção de hidrocarbonetos renováveis, o biosyncrude, também conhecido por petróleo sintético que pode dar origem a vários outros combustíveis entre eles o combustível sustentável de aviação (SAF). O espaço também viabiliza testes, capacitações e conexões entre empresas, pesquisadores e formuladores de políticas públicas, ampliando o alcance das soluções desenvolvidas e contribuindo para a descarbonização, a segurança energética e a valorização de resíduos no país. Sobre O Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás) é uma Instituição de Ciência, Tecnologia e Inovação (ICT) dedicada ao desenvolvimento da cadeia do biogás e biometano. Com mais de 13 anos de atuação, o Centro promove pesquisa, inovação tecnológica e estruturação de projetos que transformam resíduos orgânicos em energia limpa, contribuindo para a descarbonização, a segurança energética e o fortalecimento de uma economia de baixo carbono. Com atuação nacional e internacional, o CIBiogás consolidou-se como referência no setor, apoiando empresas, governos e instituições na geração de conhecimento, inteligência de mercado e soluções sustentáveis para diferentes segmentos produtivos. Brasil registra 1.803 plantas de biogás e amplia protagonismo do biometano, aponta Panorama do Biogás de 2025

  • 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber

    Episódio 23 – Baterias: quando vale a pena armazenar energia solar? Com a popularização da energia solar, cresce também o interesse por baterias. A ideia de gerar, armazenar e usar a própria energia a qualquer momento parece atraente, mas nem sempre faz sentido para todos os consumidores. Neste episódio, o EnergyChannel explica quando o uso de baterias vale a pena, quais são seus benefícios e quais cuidados o consumidor deve ter . 🔋 Para que servem as baterias em um sistema solar? As baterias permitem armazenar parte da energia gerada durante o dia para uso posterior, especialmente: Durante quedas de energia À noite Em horários de pico Elas aumentam a autonomia, mas mudam completamente a lógica do sistema. ⚡ Por que a maioria dos sistemas não usa baterias? No Brasil, o modelo de compensação de energia permite “armazenar” energia na rede elétrica, na forma de créditos. Isso faz com que, economicamente, o uso da rede seja mais vantajoso do que investir em baterias na maioria dos casos. 🏠 Quando as baterias fazem sentido? O uso de baterias pode valer a pena quando: Há quedas frequentes de energia Existe necessidade de backup para equipamentos críticos O local é remoto ou fora da rede O consumidor busca maior autonomia Nesses casos, o benefício vai além da economia. 💰 O impacto no custo do sistema Adicionar baterias aumenta significativamente o custo do projeto. Além disso, as baterias têm vida útil limitada e precisarão ser substituídas ao longo do tempo. Por isso, o retorno financeiro deve ser avaliado com cuidado. 🛡️ Segurança e projeto adequado Sistemas com baterias exigem: Inversores compatíveis Proteções específicas Ventilação adequada Instalação profissional Baterias mal dimensionadas podem gerar riscos e frustrações. ⚠️ Autonomia total é exceção, não regra Mesmo com baterias, alcançar autonomia completa exige projetos robustos e custo elevado. A maioria dos sistemas prioriza apenas cargas essenciais durante apagões. 🧭 O que o consumidor deve avaliar Antes de optar por baterias, considere: Frequência de quedas de energia Importância da autonomia Orçamento disponível Retorno esperado Nem sempre mais tecnologia significa melhor decisão. 🔎 Armazenar energia é estratégia, não padrão Baterias são soluções específicas para necessidades específicas. Entender isso evita investimentos desnecessários. No próximo episódio, o EnergyChannel entra em um tema pouco falado: 👉 O que acontece quando o sistema gera mais do que consome? 📌 Série Especial EnergyChannel Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber Um guia completo, independente e didático criado pelo EnergyChannel para ajudar o consumidor brasileiro a entender, comparar e decidir com segurança sobre a energia solar. 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber

  • KnowRisk, DBEST PLAN e Diário de Minas unem inteligência, sustentabilidade e comunicação para impulsionar uma nova era de investimentos no Brasil

    Por Sebastião Martins (*) O Brasil vive um momento decisivo. Em meio aos desafios econômicos globais, às pressões climáticas crescentes e à necessidade urgente de modernização produtiva, surge no horizonte uma oportunidade histórica: transformar tecnologia, sustentabilidade e capital estratégico em motores reais de desenvolvimento nacional. É nesse cenário que ganha relevância a convergência entre KnowRisk , DBEST PLAN e Diário de Minas , três forças complementares que, quando conectadas, representam muito mais do que uma parceria institucional: simbolizam a construção de um novo modelo brasileiro de crescimento baseado em ESG , energia limpa, inteligência artificial e atração de investimentos . O Brasil pronto para liderar a nova economia verde Poucos países no mundo reúnem tantas vantagens competitivas quanto o Brasil para liderar a transição sustentável. O país possui matriz energética renovável, abundância de recursos naturais, escala territorial, base agroindustrial robusta e potencial extraordinário em biocombustíveis, hidrogênio verde, solar, eólica e valorização de resíduos sólidos urbanos. No entanto, riqueza potencial sem gestão estratégica não basta. O diferencial competitivo do século XXI está na capacidade de transformar ativos naturais em negócios eficientes, financiáveis e tecnologicamente inteligentes. É exatamente neste ponto que a KnowRisk surge como elemento central. KnowRisk: inteligência artificial aplicada ao crescimento sustentável Especializada em soluções digitais avançadas, automação, ciência de dados e inteligência preditiva, a KnowRisk posiciona-se como ferramenta essencial para empresas e governos que desejam tomar decisões melhores, reduzir riscos e aumentar performance. Sua atuação dialoga diretamente com os pilares ESG: Ambiental (E) A IA permite reduzir desperdícios, otimizar cadeias logísticas, melhorar consumo energético, aumentar eficiência industrial e apoiar metas de redução de emissões de carbono. Social (S) A tecnologia aplicada ao setor público e privado fortalece produtividade, geração de empregos qualificados, modernização urbana e melhoria dos serviços prestados à população. Governança (G) Compliance, relatórios inteligentes, rastreabilidade, transparência de indicadores e gestão estratégica baseada em dados tornam organizações mais sólidas e confiáveis para investidores. Em outras palavras, a KnowRisk oferece aquilo que o mercado global mais valoriza hoje: segurança decisória com impacto sustentável . DBEST PLAN: visão estratégica para energia limpa e novos negócios A DBEST PLAN surge como protagonista em soluções voltadas ao futuro energético brasileiro. Seu foco em projetos sustentáveis, recuperação energética, biocombustíveis, economia circular e investimentos estruturados coloca a empresa em sintonia com as maiores tendências mundiais. Num país onde resíduos podem virar energia, cidades podem gerar combustível limpo e ativos ambientais podem se transformar em riqueza regional, a DBEST PLAN representa planejamento com propósito. Ao incorporar inteligência artificial e analyticsavançado da KnowRisk, a capacidade de estruturar projetos rentáveis e escaláveis se multiplica. Projetos passam a contar com: • maior previsibilidade financeira; • modelagem de riscos; • análise de viabilidade dinâmica; • otimização operacional; • monitoramento ESG; • atração de investidores institucionais. Diário de Minas: informação que transforma e mobiliza Nenhuma transformação estrutural acontece sem comunicação forte, credível e influente. É nesse contexto que o Diário de Minas assume papel estratégico como ponte entre inovação, mercado e sociedade. Informar sobre oportunidades, educar o público, dar visibilidade a projetos sustentáveis e mobilizar lideranças econômicas torna-se parte essencial da agenda do desenvolvimento. Mais do que noticiar fatos, o jornalismo moderno também ilumina caminhos. Ao integrar-se a uma agenda positiva de inovação e investimentos, o Diário de Minas fortalece o ecossistema mineiro e nacional, ampliando o alcance de iniciativas capazes de gerar emprego, renda e progresso regional. ESG deixou de ser discurso: tornou-se critério de investimento Fundos internacionais, bancos de desenvolvimento, grandes corporações e investidores institucionais já operam sob critérios ESG. Recursos globais migram, cada vez mais, para projetos que combinem retorno financeiro, responsabilidade ambiental e governança robusta. Nesse ambiente, a união entre KnowRisk, DBEST PLAN e Diário de Minas se destaca por reunir exatamente os elementos exigidos pelo capital moderno: • projetos ligados à energia limpa; • inteligência artificial aplicada; • gestão profissional de riscos; • narrativa institucional forte; • impacto social positivo; • compromisso ambiental. O resultado é a formação de um ecossistema altamente atrativo para investimentos no Brasil. Minas Gerais pode liderar esse movimento Com tradição industrial, vocação empreendedora, localização estratégica e enorme potencial mineral, energético e logístico, Minas Gerais reúne todas as condições para liderar um novo ciclo econômico nacional. Se combinar inovação tecnológica, capital privado, comunicação estratégica e sustentabilidade, o estado pode tornar-se referência latino-americana em economia verde e infraestrutura inteligente. Um novo Brasil pode nascer da convergência entre tecnologia e propósito O futuro não será liderado apenas por quem produz mais. Será liderado por quem produz melhor, com inteligência, responsabilidade e visão de longo prazo. • KnowRisk oferece inteligência. • DBEST PLAN oferece direção estratégica. • Diário de Minas oferece voz e influência pública. As visões estratégicas dessas três organizações convergem para impulsionar investimentos sustentáveis, ampliar a captação de recursos internacionais com base nos princípios ESG e utilizar inteligência preditiva como instrumento de segurança decisória. Essa aliança promove geração de riqueza com responsabilidade ambiental, fortalece a competitividade nacional e prepara o Brasil para enfrentar as transformações tecnológicas disruptivas da nova economia global, reduzindo riscos impostos pela crescente dinâmica da globalização. Juntas, essas forças ajudam a desenhar um novo capítulo para o país: um Brasil mais competitivo, sustentável, digital e preparado para atrair os grandes investimentos das próximas décadas. Mais do que uma parceria, trata-se de um sinal claro de que o desenvolvimento brasileiro pode e deve ser construído sobre bases modernas. E o tempo dessa transformação já começou KnowRisk, DBEST PLAN e Diário de Minas unem inteligência, sustentabilidade e comunicação para impulsionar uma nova era de investimentos no Brasil

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