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  • PV Operation aposta em plataforma e evento para profissionalizar O&M no setor solar brasileiro

    Por EnergyChannel – Direto do Greener Summit 2025 Durante a cobertura especial do Greener Summit 2025 , o EnergyChannel  conversou com Siqueira Neto , CEO da PV Operation , que compartilhou novidades importantes para o setor de energia solar. À frente de uma das iniciativas mais relevantes em operação e manutenção (O&M) de usinas solares no Brasil, Siqueira apresentou os bastidores do 360 Solar 2025  e o lançamento de uma plataforma digital voltada à gestão de ativos solares . PV Operation aposta em plataforma e evento para profissionalizar O&M no setor solar brasileiro 360 Solar: foco em armazenamento e O&M no centro do debate A próxima edição do 360 Solar já tem data e local: dias 6 e 7 de novembro , no principal centro de eventos de Florianópolis (SC) . A expectativa é reunir 1.500 participantes  entre especialistas, empreendedores e investidores do setor. “A programação está dividida entre dois grandes temas: armazenamento de energia (storage)  e gestão de ativos solares . Acreditamos que esse é o momento certo para aprofundar essas discussões. Storage será metade do evento, com presença de pesquisadores internacionais e líderes de empresas inovadoras. A outra metade vai abordar operação, manutenção, retrofit e performance de usinas” , explicou Siqueira ao EnergyChannel. Plataforma de O&M: inteligência coletiva e curadoria técnica Mais do que eventos, a PV Operation vem apostando na digitalização do relacionamento entre donos de ativos e prestadores de serviço . Para isso, acaba de lançar o Asset Management , uma plataforma gratuita dedicada à gestão de ativos e serviços de O&M no setor solar . “O objetivo é conectar quem tem usina com quem presta um serviço de qualidade. É como um marketplace especializado em O&M, mas com curadoria técnica e sistema de avaliação. O prestador de serviço cria seu perfil, é avaliado por clientes e pode ser contratado com base em reputação e proximidade geográfica”, explica Siqueira. O sistema já está disponível em versão beta no endereço assets.pvoperation.com , e deve se consolidar como uma rede inteligente de eficiência e confiabilidade para o setor de geração distribuída . Educação, curadoria e eficiência como pilares Além da plataforma, a PV Operation também promove ações educativas, como cursos técnicos, treinamentos e eventos paralelos que ajudam a profissionalizar a cadeia de operação e manutenção no Brasil . “Nos pediram para atuar como curadores, já que o mercado ainda carece de parâmetros claros. Hoje, quem busca um prestador de serviço muitas vezes recorre ao Google. A nossa proposta é ir além disso: trazer confiabilidade e ajudar a reduzir custos operacionais, conectando usinas e prestadores de forma mais inteligente e estratégica”, pontua o CEO. O&M como motor de rentabilidade Para Siqueira, o foco agora é otimizar performance, reduzir perdas e aumentar a rentabilidade das usinas . “O setor precisa evoluir, e isso passa por O&M bem feito, com tecnologia, boas práticas e eficiência logística. Nossa plataforma vai ajudar tanto os prestadores quanto os proprietários a operarem melhor seus ativos.” PV Operation aposta em plataforma e evento para profissionalizar O&M no setor solar brasileiro Acompanhe o EnergyChannel para mais entrevistas e reportagens exclusivas direto dos bastidores da energia solar no Brasil. PV Operation aposta em plataforma e evento para profissionalizar O&M no setor solar brasileiro

  • ENERGIA NO BRASIL: CONTA MAIS CARA E SEM PAPAI NOEL À VISTA

    Volto a tocar nesse ponto porque ainda tem muito consumidor acreditando em milagres. Muita gente sonha ou espera por quedas drásticas nos preços da energia, sem ter a menor ideia do que está acontecendo no setor seja no aspecto regulatório ou hidrológico.  Ainda tem quem acredite em Papai Noel. Esqueçam 2022 e 2023 faz parte de um passado anômalo.   ENERGIA NO BRASIL: CONTA MAIS CARA E SEM PAPAI NOEL À VISTA O mercado de energia brasileiro retornou à sua realidade e o mesmo enfrentou uma alta volatilidade na última semana de junho de 2025, puxada pela divulgação do Programa Mensal da Operação (PMO) e por expectativas de menor carga e chuvas reduzidas. Aqui, compartilho minha visão sobre os movimentos de preços dos contratos de energia, com base nos dados da BBCE (Balcão Brasileiro de Comercialização de Energia), explico os diferentes prazos contratuais e os impactos do curtailment e das mudanças regulatórias como a MP 1.300/2025 e a Consulta Pública do MME (CP) 187 no setor. Também comento como tudo isso pode refletir nos preços do Ambiente de Contratação Livre (ACL) e no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) futuro.   ALTA VOLATILIDADE NOS CONTRATOS DE ENERGIA CONTRATOS DE JULHO E AGOSTO O PMO trouxe previsões de menor carga e chuvas abaixo do esperado, o que mexeu fortemente com os preços dos contratos de energia convencional na plataforma EHUB da BBCE. Esses contratos de curto e médio prazo (entre 1 mês e 1 ano) são sazonais e geralmente usados para atender demandas específicas, como a complementação da geração térmica em períodos de baixa hidrologia. O resultado: os contratos de julho subiram 9,09%, chegando a R$ 198,50 por MWh. Já os contratos de agosto tiveram uma alta ainda mais expressiva: de R$ 250 para R$ 288,22 por MWh – estamos falando de energia convencional. Isso mostra como o mercado é sensível às projeções operacionais e como esses contratos são altamente expostos ao PLD, especialmente nos ajustes de curtíssimo prazo (de intradiário até 1 mês), mesmo que isso não tenha sido mencionado diretamente nesses casos. A volatilidade está ali, e é clara. CONTRATOS DE LONGO PRAZO Enquanto os contratos de curto prazo dispararam, os de médio prazo (como os do quarto trimestre de 2025) ficaram praticamente estáveis. A energia convencional recuou 1,08%, fechando em R$ 299,99 por MWh, e a energia incentivada ficou em R$ 330,49 por MWh.   ENERGIA NO BRASIL: CONTA MAIS CARA E SEM PAPAI NOEL À VISTA Esses contratos, normalmente, oferecem alguma proteção contra riscos hidrológicos e são usados em estratégias híbridas, tanto no ACL quanto no Ambiente de Contratação Regulada (ACR). Já os contratos para 2026 e 2027 considerados de longo prazo também caíram. A energia convencional de junho de 2026, por exemplo, ficou em R$ 231,50 por MWh (queda de 4,13%), e a incentivada em R$ 261,45 por MWh (queda de 4,01%). Esses contratos são voltados para novos projetos de geração, como usinas eólicas e solares, e servem de base para financiamentos, trazendo um pouco mais de estabilidade no preço. Resumindo: os preços tendem a subir, mas muitos consumidores ainda não perceberam isso. IMPACTOS DO CURTAILMENT NO MERCADO DE ENERGIA EFEITOS NOS PREÇOS NO ACL E NO PLD FUTURO A inclusão da MMGD (geração distribuída) no rateio do curtailment pode afetar diretamente os preços no ACL e no PLD futuro. Hoje, os cortes que chegaram a 3.000 MW médios no primeiro quadrimestre de 2025 (contra 450 MW em 2023) recaem principalmente sobre as usinas centralizadas. Isso aumenta os custos operacionais dessas usinas e pressiona os preços no ACL, principalmente nos contratos de curto prazo como os de julho e agosto. Se o rateio for dividido com a MMGD, a expectativa do ONS é de que os cortes nas usinas centralizadas caiam pela metade, o que pode aliviar os custos e estabilizar, no início, um pouco os preços no ACL. Entretanto, está tema ainda está um pouco longe de ter um fim “amigável”. Mas a proposta do Ministério da Fazenda de aplicar ajustes contábeis à MMGD também pode gerar custos extras para esse segmento, que hoje não tem supervisão direta do ONS. Isso pode fazer com que os preços subam para os consumidores finais no ACL, especialmente em contratos de curto prazo, mais afetados pelo PLD. Em menor grau, isso também afeta os contratos de médio prazo. ENERGIA NO BRASIL: CONTA MAIS CARA E SEM PAPAI NOEL À VISTA No PLD, a ideia de reduzir a sobreoferta com um rateio proporcional pode ajudar a mitigar picos de preço em períodos de geração renovável elevada — o que, em tese, beneficiaria os contratos de curtíssimo prazo. O problema é que, sem controle físico sobre a MMGD, essa medida pode ter eficácia limitada e manter a volatilidade no curto prazo. IMPACTO REGULATÓRIO: COMO A MP 1.300/2025 E A CP 187 PODEM MEXER COM OS PREÇOS DA ENERGIA A MP 1.300/2025 e a Consulta Pública 187 do MME trazem mudanças significativas no setor elétrico e devem impactar diretamente os preços no ACL e o PLD. A seguir, compartilho uma leitura objetiva dos principais efeitos dessas medidas, com base nos dispositivos já apresentados. FIM DOS DESCONTOS E NOVOS ENCARGOS A MP 1.300/2025 prevê o fim dos descontos tarifários a partir de 31/12/2025 (Art. 2º, §1º-P). Com isso, contratos de longo prazo — principalmente para 2026 e 2027 — devem ficar mais caros, já que passam a incorporar os custos do Supridor de Última Instância (SUI), conforme o Art. 15-A. Isso pressiona o PLD e eleva os preços médios no ACL, pois os custos extras serão repassados. ENERGIA NO BRASIL: CONTA MAIS CARA E SEM PAPAI NOEL À VISTA CONSUMIDOR DE BAIXA TENSÃO EXPOTO AO ACL Outro ponto relevante é a migração obrigatória dos consumidores de baixa tensão para o mercado livre até 2027 (Art. 15, §12). Isso expõe esse público à volatilidade do PLD e aos custos extras que até então eram amortizados no mercado regulado. A tendência é que os contratos de curto prazo fiquem mais caros para esse perfil de consumidor. RENOVÁVEIS MENOS VIÁVEIS A retirada de incentivos aos geradores renováveis, também prevista na MP, aumenta os custos de capital e reduz a atratividade de novos projetos, como usinas solares e eólicas. Menos oferta futura e menos competição podem significar preços mais altos no médio e longo prazo. ENCARGOS EXTRAORDINÁRIOS NA CP 187 A CP 187 reforça esse cenário ao prever novos encargos para custear medidas como a mitigação do curtailment e investimentos em transmissão. Esses encargos devem ser incorporados ao PLD, o que também pressiona os contratos no ACL, especialmente os de curto prazo. AUTOPRODUÇÃO POR EQUIPARAÇÃO LIMITADA A GRANDES PLAYERS Um dos pontos mais críticos da CP 187 é a regulamentação da Autoprodução por Equiparação: para ser classificado como autoprodutor, será necessário ter demanda mínima de 30.000 kW (Art. 16-A). Isso praticamente exclui os médios e pequenos consumidores da autoprodução, reduzindo a concorrência e elevando os preços no mercado livre, inclusive nos contratos de médio e longo prazo. EFEITOS ESPERADOS NO MERCADO PLD: Deve subir com os novos encargos da CP 187 e os custos do SUI trazidos pela MP. Preços no ACL: A soma dos fatores fim dos subsídios, encargos extras e menor concorrência tende a gerar alta generalizada em todos os prazos. Riscos Setoriais: Sem incentivos, os projetos renováveis ficam menos viáveis, o que pode frear novos investimentos e pressionar ainda mais os preços. Impacto nos Consumidores: Quem for migrar para o ACL, especialmente baixa tensão, vai enfrentar mais custos e volatilidade. CONCLUSÃO A volatilidade vista em junho de 2025 mostra o quanto o mercado está sensível a condições operacionais e climáticas. Os contratos de curto prazo sazonais e fortemente ligados ao PLD já estão reagindo, enquanto os de médio e longo prazo, como os de 2025 a 2027 (chegando a R$ 330,49 por MWh – energia incentivada), ainda oferecem alguma estabilidade. Mas não por muito tempo. O debate sobre o curtailment e as mudanças trazidas pela MP 1.300/2025 e a CP 187 deixa claro que o mercado vai enfrentar ainda mais incertezas. A inclusão da MMGD nos cortes e o fim dos subsídios podem até ajudar a estabilizar preços no longo prazo, mas trarão altas imediatas e mais exposição à volatilidade especialmente para quem menos entende ou tem menos estrutura para lidar com isso. O consumidor de baixa tensão e  quem opera com contratos de curto e médio prazo que se prepare. Porque a conta vai chegar. Fontes : MP 1.300/2025 (Diário Oficial da União, 21/05/2025). Resolução CCEE nº 109/2024 (Classificação de prazos contratuais). CP 187/2025 (ANEEL, extinção de subsídios). Relatório ONS "Custos do Curtailment" (2024). Terceira fase da Consulta Pública 45 de 2019 BBCE Curva Forward ENERGIA NO BRASIL: CONTA MAIS CARA E SEM PAPAI NOEL À VISTA

  • ABREN destaca o potencial do Brasil para gerar energia a partir dos resíduos durante a IFAT Brasil 2025 

    A associação realizou 3 painéis de debates sobre o tema com a participação de especialistas e representantes de grandes empresas durante o evento, realizado na última semana em São Paulo. ABREN destaca o potencial do Brasil para gerar energia a partir dos resíduos durante a IFAT Brasil 2025 São Paulo, 02 de julho de 2025 –  A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) participou na última semana, entre os dias 25 e 27 de junho, da IFAT Brasil , principal feira do setor de gestão ambiental e saneamento da América Latina. O evento, realizado em São Paulo, contou com a realização de três painéis de debate por parte da ABREN. Os debates aconteceram na quinta-feira, 26 de junho, durante o período da manhã. O primeiro painel teve o tema “CDR no Coprocessamento – Tecnologias, Qualidade e Eficiência”. Participaram da conversa Mia Gu , representante da JONO (China), Diego Tarragó , da Fundação Proamb, e Rejane Afonso , da Monitore Engenharia. A mediação será feita por Juliano Menezes de Melo , da   Revalora – CSN Cimentos S.A. A porta-voz da Jono  destacou em sua fala as soluções modulares oferecidas pela empresa com a utilização da Inteligência Artificial (IA), digitalização e mecânica de precisão, além de abordar o funcionamento das usinas de recuperação energética e de CDR da empresa na China. Já a representante da Monitore Engenharia  fez uma apresentação sobre o papel do CDRu na descarbonização do setor cimenteiro, com exemplos de cases de sucesso na Suíça, Áustria, Grécia e Bulgária. O segundo painel teve a temática “Soluções Globais para a Produção Sustentável de Biogás e Biometano”. Participaram do debate Harmen Dekker , da European Biogas Association (Bélgica), Luciane Fornari , da PlanET Brasil, Carlos Mancino , da   PRODEVAL (França), e Adilson Teixeira , da H2A. A mediação foi realizada por Yuri Schmitke , presidente da ABREN e vice-presidente LATAM do Global WtERT. O representante da H2A  explicou sobre os investimentos da empresa e sua atuação com foco no biometano certificado, no CO₂ food grade e em biofertilizantes, com destaque para a atuação nos estados de Santa Catarina e Goiás. A porta-voz da PlanET  abordou a atuação global da empresa e o vasto potencial do Brasil para produção e utilização do biometano. Já o representante da PRODEVAL  destacou o histórico e a expertise da companhia no tratamento e recuperação de biogás proveniente da digestão anaeróbia de resíduos orgânicos. O terceiro e último painel realizado pela ABREN teve o tema “Waste-to-Energy: Lições Globais e Oportunidades para o Brasil”. Participaram Siegfried Scholz , da ESWET (Bélgica), Roland Greil , da Kanadevia Inova (Suíça), Reges Dias , da Burntech, Francisco Olivati , da Interunion, e Helena Brandão , da ApexBrasil. A mediação foi feita por Antonio Bolognesi , presidente do Conselho da ABREN e CEO da WTEEC. O porta-voz da ESWET  abordou os exemplos europeus, que são referência na hierarquia de resíduos, e destacou que o waste-to-energy (WTE) deve ser priorizado como um complemento ao processo de reciclagem, o que contribuiria para uma expressiva redução do metano. O representante da Kanadevia Inova , por sua vez, destacou os benefícios do WTE e trouxe exemplos de usinas em Dubai, que possui eficiência energética de até 31%, e também de usinas na Europa, Oriente Médio, Ásia e África que são consideradas cases de sucesso no setor. Já o porta-voz da Burntech destacou   as tecnologias oferecidas pela empresa para gerar energia a partir dos resíduos, uma solução ambientalmente mais adequada do que as convencionais.  De acordo com Yuri Schmitke , presidente da ABREN, a realização de 3 painéis em um evento dessa magnitude demonstrou a importância da geração de energia a partir dos resíduos. “ Além de abordar temas essenciais para o setor de resíduos no Brasil, como o CDR, o Waste-to-Energy e a produção de biogás e biometano, os painéis contaram com especialistas de empresas nacionais e internacionais que contribuíram por meio de suas experiências e evidenciaram o enorme potencial do Brasil para gerar energia a partir dos resíduos não recicláveis” , destaca.  Parceria com a APEXBrasil Na quarta-feira, 25 de junho, a ABREN promoveu uma reunião com a APEXBrasil para a realização de uma rodada de negócios entre seus associados e as entidades parceiras. Além disso, a associação anunciou um Memorando de Entendimento (MOU na sigla em inglês) com a ApexBrasil.  Na mesma data, a associação participou de duas apresentações junto ao BNDES. A primeira abordou a estruturação de projetos por meio de concessões e parcerias público-privadas de saneamento no Brasil. Já a segunda teve como foco o financiamento para produtores e compradores de equipamentos e máquinas. Na ocasião, Helena Brandão, representante da ApexBrasil , apresentou o papel da Apex na atração de investimentos sustentáveis e destacou o papel da energia a partir de resíduos como parte da agenda de infraestrutura ambiental, descarbonização e segurança energética. Realizada pela Messe München, a IFAT Brasil reuniu os principais players do setor para apresentar inovações em gestão de resíduos, energia limpa, água e efluentes, promovendo o networking entre empresas, governos e especialistas de todo o mundo. Sobre a ABREN: A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) é uma entidade nacional, sem fins lucrativos, que tem como missão promover a interlocução entre a iniciativa privada e as instituições públicas, nas esferas nacional e internacional, e em todos os níveis governamentais. A ABREN representa empresas, consultores e fabricantes de equipamentos de recuperação energética, reciclagem e logística reversa de resíduos sólidos, com o objetivo de promover estudos, pesquisas, eventos e buscar por soluções legais e regulatórias para o desenvolvimento de uma indústria sustentável e integrada de tratamento de resíduos sólidos no Brasil.  A ABREN integra o Global Waste to Energy Research and Technology Council (Global WtERT), instituição de tecnologia e pesquisa proeminente que atua em diversos países, com sede na cidade de Nova York, Estados Unidos, tendo por objetivo promover as melhores práticas de gestão de resíduos por meio da recuperação energética e da reciclagem. O Presidente Executivo da ABREN, Yuri Schmitke, é o atual Vice-Presidente LATAM do Global WtERT e Presidente do WtERT – Brasil. Conheça mais detalhes sobre a ABREN acessando o site , Linkedin , Facebook , Instagram  e YouTube  da associação. ABREN destaca o potencial do Brasil para gerar energia a partir dos resíduos durante a IFAT Brasil 2025

  • Mercado Solar em Transformação: Noris quer destravar aquisições estratégicas no setor de GD

    Por EnergyChannel – Direto do Greener Summit 2025 Em meio a um cenário de incertezas regulatórias e gargalos para novas conexões no sistema elétrico, cresce no Brasil um movimento de consolidação no setor de geração distribuída (GD). E é exatamente nesse contexto que surge a Noris , empresa que atua na intermediação de aquisições de usinas solares já operacionais e que se posiciona como uma solução para quem deseja investir de forma mais segura no segmento. Mercado Solar em Transformação: Noris aposta na intermediação de usinas para destravar aquisições estratégicas no setor de GD Durante o Greener Summit 2025 , o EnergyChannel conversou com Rafael Moret , CEO e fundador da Noris, que explicou a proposta da empresa e os desafios desse novo momento do setor. “Hoje, quem tenta construir uma nova usina enfrenta grandes dificuldades, especialmente com pareceres de acesso e limitações da rede. A aquisição de ativos operacionais se torna uma alternativa viável e menos arriscada. A Noris foi criada para facilitar essas transações”, afirma Moret. Do modelo tradicional à era das aquisições A Noris atua como um hub estratégico que conecta vendedores de usinas já em operação com investidores sérios, oferecendo suporte técnico e análise completa dos ativos. Para Rafael, a empresa vai além do que se poderia chamar de "uma imobiliária solar". “Nosso trabalho é garantir que o vendedor consiga negociar com equilíbrio e transparência. Não se trata apenas de vender um ativo, mas de viabilizar negócios com potencial de retorno real, que façam sentido para ambos os lados”, destaca. A tendência se consolida em meio à baixa atratividade de novos projetos de GD2, cuja viabilidade está ameaçada pela incerteza das regras futuras da ANEEL. Moret destaca que, para quem deseja aumentar o portfólio ou mesmo entrar no setor agora, adquirir uma usina existente pode ser a forma mais eficiente e segura. Ativos entre R$ 5 e R$ 30 milhões A Noris opera com usinas a partir de 1 MWp, com valores médios por projeto que variam de R$ 5 milhões a R$ 30 milhões . Segundo o CEO, a maior parte da demanda vem de vendedores que não são originalmente do setor e que encontraram dificuldades na operação das usinas. “Muitos entraram por oportunidade, mas se depararam com a complexidade de manter uma usina rodando, atender clientes e garantir retorno. Por outro lado, há investidores com tese de construir e vender, mas que agora precisam sair. Nós ajudamos a estruturar essa ponte”, explica. Transparência e análise técnica: ativos precisam de “laudo” completo Um ponto sensível nas aquisições é a qualidade dos ativos. Moret destaca que há muitas usinas no mercado que foram mal projetadas ou executadas com equipamentos que não vão atingir a performance esperada. Por isso, a avaliação técnica rigorosa  se torna um diferencial da Noris. “Antes de levar um ativo ao investidor, fazemos uma análise completa. Identificamos pontos críticos, possíveis necessidades de retrofit e riscos ocultos. É como comprar um carro periciado o comprador sabe exatamente o que está adquirindo”, compara. Segundo o CEO, usinas com problemas corrigíveis têm viabilidade. O desafio são os ativos comprometidos estruturalmente, que exigiriam um investimento tão alto em recuperação que inviabilizaria o negócio. Nesses casos, o deságio pode ser significativo. Mercado em amadurecimento Para Moret, o setor solar brasileiro está passando por um processo de amadurecimento natural. A profissionalização dos processos de compra e venda de ativos é reflexo disso. E a Noris pretende ocupar um papel central nesse novo ciclo. “Transparência, diligência técnica e compromisso com o resultado. É isso que oferecemos. O investidor não quer surpresas, e o vendedor precisa de apoio para mostrar o real valor do seu ativo. Nossa missão é garantir que as transações ocorram com segurança e resultado”, conclui. EnergyChannel acompanha de perto a evolução da geração distribuída no Brasil.  Acompanhe nossas matérias especiais e entrevistas com os principais líderes e empreendedores do setor. Mercado Solar em Transformação: Noris quer destravar aquisições estratégicas no setor de GD 📍 Direto do Greener Summit 2025 – São Paulo

  • GoodWe e Fotus miram liderança em mercado bilionário no Brasil

    A GoodWe e a Fotus não querem apenas participar do mercado de energia solar brasileiro elas querem conquistar uma fatia maior. As duas empresas assinaram, na terça-feira (17), um acordo estratégico, o Memorando de Entendimento para a comercialização de 300MW, que marca uma guinada ousada rumo à consolidação de sua presença no país, mirando um espaço mais amplo em um dos setores que mais cresce no mundo. GoodWe e Fotus miram liderança em mercado bilionário no Brasil A parceria, que une a tecnologia global da GoodWe à logística ágil e ao conhecimento de mercado da Fotus, chega com a missão clara de acelerar a adoção de soluções fotovoltaicas de ponta. “A assinatura deste Memorando de Entendimento com a Fotus representa uma aliança estratégica com o objetivo único de melhor servir aos usuários finais, por meio de uma rede de integradores fiel, altamente capacitada e que compartilha dos valores comuns entre nossas empresas. Estamos entusiasmados com o potencial desta colaboração para impulsionar projetos de geração distribuída em todo o país”, afirma Fabio Mendes, vice-presidente da GoodWe para a América do Sul. GoodWe e Fotus miram liderança em mercado bilionário no Brasil Com previsão de crescimento de 25% em 2025, o setor solar brasileiro se tornou um campo de batalha estratégico para grandes players. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), o país deve adicionar mais de 13,2 gigawatts (GW) à sua capacidade instalada neste ano. Só no ano passado, o setor atraiu R$ 54,9 bilhões em investimentos. GoodWe e Fotus querem conquistar uma parte significativa desse mercado em expansão. A parceria entre as empresas tem como foco ampliar a oferta de sistemas de geração distribuída, soluções de armazenamento inteligente e suporte técnico especializado, voltados principalmente a integradores que atuam em todas as regiões do país. A Fotus, por exemplo, já opera com sua sede administrativa em Vila Velha (ES) e centros de distribuição em Campinas (SP), Aparecida de Goiânia (GO), Viana (ES), Guaramirim (SC), Ananindeua (PA) e Cabo de Santo Agostinho (PE). Além disso, está prevista a abertura de dois novos centros ainda em 2025, ampliando a presença física e reduzindo o tempo de resposta logística em todo o território nacional. “Com uma estrutura robusta de consultores especialistas, suporte técnico com engenheiros e atendimento pré e pós-venda, a Fotus fortalece o ecossistema solar nacional com agilidade, proximidade e profundo conhecimento técnico”, destaca o CEO da empresa, José João Cunha Filho. Ele também acrescentou que a parceria com a GoodWe, uma das líderes globais do setor, é motivo de grande orgulho. “A GoodWe esteve conosco desde o início da trajetória da Fotus e foi essencial para o nosso crescimento. Compartilhamos o compromisso com a inovação e a qualidade e temos plena confiança de que essa colaboração continuará gerando benefícios concretos para os integradores em todas as regiões do Brasil”, finalizou. Sobre a GoodWe A GoodWe é uma empresa global líder no setor de energia limpa e sustentável, comprometida em fornecer soluções inovadoras e de alta qualidade para um futuro mais verde. Seu portfólio inclui inversores solares, tecnologias de armazenamento de energia e sistemas BIPV. Está presente em mais de 100 países, com destaque para sua excelência em inovação e desempenho. Sobre a Fotus A Fotus Distribuidora Solar é uma das principais empresas do setor de distribuição de equipamentos fotovoltaicos no Brasil. Fundada em 2019, atua em todo o território nacional com foco no mercado B2B, oferecendo soluções completas para integradores que desenvolvem projetos solares em clientes de diversos portes.

  • Hoymiles aposta em inovação acessível e fortalece laços com o Brasil em visita exclusiva da EnergyChannel à sede na China

    Hangzhou (China), junho de 2025 A Hoymiles, uma das líderes globais em microinversores e soluções para geração distribuída, abriu as portas de sua sede em Hangzhou para uma comitiva especial do setor solar brasileiro. Hoymiles aposta em inovação acessível e fortalece laços com o Brasil em visita exclusiva da EnergyChannel à sede na China A convite da fabricante, representantes do Sebrae , da ABSOLAR  e do EnergyChannel  tiveram acesso exclusivo às inovações mais recentes da empresa que vem consolidando sua posição de destaque no cenário internacional com foco em acessibilidade tecnológica, segurança e eficiência operacional. A visita acontece em um momento estratégico para a marca, que enxerga na América Latina especialmente no Brasil um mercado prioritário para sua expansão global nos próximos anos. Hoymiles aposta em inovação acessível e fortalece laços com o Brasil em visita exclusiva da EnergyChannel à sede na China Segurança, performance e agilidade na instalação Durante a imersão técnica, a equipe da Hoymiles apresentou uma de suas principais apostas para o setor: microinversores com potência individual inferior a 120 W, atendendo rigorosamente aos padrões de segurança da IEC e reduzindo drasticamente riscos de incêndio nos sistemas fotovoltaicos. Outro destaque é o sistema plug-and-play  para conexões do lado AC, que reduz o tempo de instalação e otimiza a eficiência no campo. “Nosso objetivo é facilitar o dia a dia dos instaladores. Cada detalhe é pensado para entregar praticidade e confiabilidade”, explicou um dos engenheiros da empresa durante a demonstração técnica. Design modular e adaptação a realidades locais Inspirada no conceito LEGO, a Hoymiles desenvolveu um sistema modular para armazenamento de energia, permitindo que as soluções sejam montadas por blocos. Isso reduz a complexidade na instalação e garante maior escalabilidade. A inovação, segundo os executivos, foi inicialmente proposta pela própria Hoymiles e hoje já inspira outras empresas no setor. Antes de entrar em um novo mercado, a fabricante realiza uma análise minuciosa sobre clima, infraestrutura da rede elétrica e padrões de instalação. No caso do Brasil, o foco tem sido adaptar os sistemas às altas temperaturas e condições tropicais, garantindo desempenho otimizado. Três pilares estratégicos: foco, cliente e solução A expansão global da Hoymiles se baseia em três pilares bem definidos: 1. Foco estratégico:  concentrar recursos em produtos e mercados específicos, evitando dispersão e priorizando excelência. 2. Centrado no cliente:  ouvir e antecipar as necessidades do consumidor final, com soluções que resolvem tanto os desafios atuais quanto os futuros. 3. Mentalidade orientada a soluções:  reconhecer que nenhum cliente busca apenas um produto, mas sim um sistema confiável e integrado. Capacitação e presença local no Brasil A Hoymiles reforçou ainda seu compromisso com o mercado brasileiro, destacando a atuação de sua equipe técnica local e os investimentos em centros de treinamento. “Falamos a mesma língua dos instaladores. Acreditamos que o acesso ao conhecimento técnico é um pilar essencial para nosso crescimento. Criamos pontes reais entre quem fabrica e quem instala”, afirmou um dos porta-vozes da empresa. Além da equipe dedicada no Brasil, a Hoymiles tem estreitado relações com seus distribuidores autorizados e investido fortemente em capacitação. Segundo os diretores, esse é um sinal claro de confiança mútua entre a empresa e o setor solar brasileiro. Brasil no centro da estratégia Receber a comitiva brasileira em Hangzhou foi, segundo a própria Hoymiles, um momento simbólico. “Para nós, isso representa mais do que uma visita institucional. É uma confirmação de que o Brasil confia no que estamos construindo. E nós também confiamos no potencial desse mercado”, concluiu a empresa. Cobertura especial: EnergyChannel – Notícias internacionais sobre energia, inovação e sustentabilidade. Hoymiles aposta em inovação acessível e fortalece laços com o Brasil em visita exclusiva da EnergyChannel à sede na China

  • Grano Alimentos: A Jornada de Sustentabilidade e Inovação

    Na interseção entre desenvolvimento sustentável e excelência empresarial, a Grano Alimentos emerge como um modelo de inovação no setor de vegetais congelados no Brasil. Estabelecida em 2000, a empresa se consolidou como a maior produtora nacional de vegetais congelados – um segmento em franca ascensão, especialmente num contexto onde sustentabilidade se tornou palavra de ordem. Em uma entrevista exclusiva ao EnergyChannel, Fernando Giansante, atual CEO da Grano Alimentos, detalha a trajetória da empresa e seus avanços em responsabilidade social e sustentabilidade. Inicialmente, Giansante destaca a evolução da Grano após sua aquisição por um fundo de investimentos em 2015, o que impulsionou uma série de investimentos estratégicos que elevaram a relevância do negócio. A Grano, localizada em Serafina Correia, no Rio Grande do Sul, sustenta sua liderança no mercado com uma robusta estratégia em ESG (ambiental, social e governança), integrando ativamente 10 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A troca de empilhadeiras tradicionais por versões elétricas, juntamente com a implementação de projetos que visam reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa, exemplificam essa dedicação. Fernando Giansante, atual CEO da Grano O compromisso da Grano com a sustentabilidade estende-se também à gestão da agricultura familiar. Ao trabalhar com mais de 100 agricultores locais, a empresa mantém contratos que asseguram produção estável e segurança financeira para esses trabalhadores, facilitando assim um desenvolvimento econômico regional inclusivo. Apesar dos desafios enfrentados, como as enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul, Giansante destaca que a resiliência da Grano foi possível graças a uma governança robusta e preparação estratégica. Grano também tem se destacado no campo social A empresa conseguiu manter sua operação em meio à adversidade, ressaltando a importância do planejamento preventivo e do controle eficiente. Além dos avanços ambientais e de governança, a Grano também tem se destacado no campo social, promovendo a diversidade e a inclusão em sua força de trabalho, onde mais de 50% dos colaboradores são mulheres, refletindo um compromisso real e não meramente superficial com a igualdade de gênero. Grano Alimentos: A Jornada de Sustentabilidade e Inovação Com uma visão futurista, a participação da Grano na COP 30 deste ano promete reafirmar suas iniciativas inovadoras. A empresa pretende lançar produtos que abordem uma das maiores preocupações nacionais: a fome. Ao proporcionar uma alimentação prática, saudável e sustentável, a Grano não apenas atende às demandas atuais do consumidor moderno, mas também contribui para um futuro melhor. Por fim, Giansante enfatiza a importância do consumidor em entender a origem de seus alimentos, fortalecendo a relação de confiança entre a marca e seus clientes. A Grano continua a traçar seu caminho em direção a um desenvolvimento que alia crescimento econômico com sustentabilidade ambiental e social, demonstrando que é possível fazer negócios de maneira consciente e responsável. Foi um prazer para o EnergyChannel explorar a jornada da Grano Alimentos, uma empresa que planta não só vegetais, mas também as sementes de um futuro mais equilibrado e sustentável. Grano Alimentos: A Jornada de Sustentabilidade e Inovação

  • Tecnologia grid-forming: a peça-chave para a estabilidade energética do futuro

    Por EnergyChannel – Especial para o setor de energia e armazenamento À medida que o mundo acelera a transição para fontes renováveis, como solar e eólica, um novo desafio técnico surge com força: como manter a estabilidade da rede elétrica em um sistema cada vez mais limpo, mas também mais volátil? A resposta começa a ganhar forma com uma tecnologia emergente que promete revolucionar a operação dos sistemas elétricos: o grid-forming. Tecnologia grid-forming: a peça-chave para a estabilidade energética do futuro Ao contrário das usinas tradicionais a gás ou carvão — que fornecem serviços fundamentais como inércia, regulação de frequência e estabilidade de tensão — os sistemas renováveis precisam de soluções digitais e dinâmicas para garantir essas mesmas funções. É aí que entram os sistemas de armazenamento de energia com controle avançado e inversores inteligentes, capazes de não apenas seguir a rede (grid-following), mas sim de “formar” a rede elétrica. Ou seja, criar as condições básicas para o funcionamento estável de todo o sistema. Tecnologia grid-forming: a peça-chave para a estabilidade energética do futuro O papel da SMA e a virada tecnológica Pioneira nessa frente, a empresa alemã SMA  tem liderado a implementação global de soluções grid-forming, com equipamentos e softwares que simulam o comportamento de geradores síncronos, mas com maior velocidade de resposta, eficiência e flexibilidade. “Ao invés de simplesmente imitar máquinas do passado, nossa missão tem sido criar um sistema mais robusto, resiliente e preparado para o futuro 100% renovável”, explica um dos engenheiros-chefe da companhia. A tecnologia vem sendo aplicada com sucesso em projetos complexos ao redor do mundo, como na região de West Murray, na Austrália, onde a SMA garantiu operação contínua mesmo em condições de rede fraca e instável. Outro marco foi alcançado na ilha de St. Eustatius, no Caribe, onde, em 2017, a companhia operou com sucesso toda a rede elétrica insular sem uso de geradores a diesel, comprovando na prática a eficácia do conceito grid-forming. Como funciona a tecnologia grid-forming? A inovação está tanto no hardware quanto no software. Os inversores grid-forming da SMA operam com um controle inteligente que estabiliza automaticamente os parâmetros da rede elétrica — como frequência, tensão e corrente — em situações críticas. Isso é possível graças a uma combinação precisa entre algoritmos de inércia digital, controle de droop (compensação de carga) e capacidade de lidar com distúrbios elétricos severos, como saltos de fase ou curtos-circuitos. Para tornar isso viável, foi preciso desenvolver inversores com maior capacidade térmica e topologias capazes de suportar sobrecargas temporárias e distorções assimétricas. Tudo isso garante uma integração harmoniosa de fontes renováveis à rede, mesmo em contextos extremos. Tecnologia grid-forming: a peça-chave para a estabilidade energética do futuro Austrália como laboratório global Com a meta de atingir 82% de energia renovável até 2030, a Austrália se tornou um verdadeiro laboratório para soluções grid-forming. O país enfrenta um conjunto singular de desafios: grandes distâncias de transmissão, elevada penetração solar e eólica, e uma rede insularizada. Nesse contexto, o uso de sistemas de armazenamento em larga escala (BESS) com controle grid-forming se mostrou indispensável. Projetos de destaque, como o Blackhillock  e diversas instalações financiadas pela ARENA  (Agência Australiana de Energia Renovável), vêm recebendo aportes milionários justamente para ampliar a implantação dessas tecnologias. A SMA, que já detém uma expressiva participação no mercado australiano, foi contemplada com parte significativa desses recursos para avançar ainda mais com suas soluções. O futuro já começou A consolidação do grid-forming representa uma virada de chave para a transição energética. Ao permitir que fontes renováveis forneçam os mesmos serviços de estabilidade que antes eram exclusividade das térmicas, essa tecnologia pavimenta o caminho para redes elétricas totalmente limpas — e ainda mais seguras. Mais do que um avanço técnico, trata-se de uma transformação estrutural na forma como produzimos e distribuímos energia. E os resultados práticos já mostram: sistemas mais resilientes, capacidade ampliada de integração renovável e menos dependência de combustíveis fósseis. No EnergyChannel, seguiremos acompanhando de perto o desenvolvimento e a aplicação dessa tecnologia, que será decisiva para garantir uma matriz energética limpa, confiável e acessível nas próximas décadas. 📡 Para saber mais sobre como o grid-forming está moldando a nova geração de redes elétricas, continue com o EnergyChannel — sua fonte de informação sobre o futuro da energia. Tecnologia grid-forming: a peça-chave para a estabilidade energética do futuro

  • Senado dos EUA prepara votação de projeto que ameaça setor solar e eleva risco de apagões no país

    Por EnergyChannel – Washington, EUA O futuro da energia solar nos Estados Unidos está em jogo. O Senado norte-americano se prepara para votar, ainda esta semana, um novo texto do projeto de lei de reconciliação que, segundo especialistas e líderes do setor, poderá desferir um duro golpe na indústria de energia limpa do país. Senado dos EUA prepara votação de projeto que ameaça setor solar e eleva risco de apagões no país As mudanças apresentadas na última sexta-feira (27) foram recebidas com preocupação pela Associação das Indústrias de Energia Solar (SEIA), que acusa o Congresso de comprometer diretamente a transição energética nacional, encarecer a conta de luz dos consumidores e colocar em risco milhares de empregos na cadeia produtiva da energia solar. “Essa proposta é um retrocesso. Ela prejudica justamente as empresas e os trabalhadores que vêm impulsionando a economia americana com energia limpa e acessível”, afirma Abigail Ross Hopper, CEO da SEIA. “Se aprovada, a conta será paga pelas famílias, com tarifas mais altas e risco real de apagões.” Ataque aos incentivos e nova carga tributária Entre os pontos mais criticados do projeto está a alteração nos créditos fiscais federais que hoje impulsionam o crescimento da energia solar em larga escala. A redação atual determina que apenas projetos que entrarem em operação até o fim de 2027 serão elegíveis para os créditos do ITC (Investment Tax Credit) e do PTC (Production Tax Credit). Anteriormente, bastava iniciar as obras até o fim de 2025. Para os sistemas residenciais — aqueles instalados por proprietários de imóveis —, o crédito fiscal permanece com validade apenas até o final de 2025. A boa notícia para o setor é que empresas que atuam com leasing residencial voltaram a ser elegíveis para os benefícios fiscais, após uma exclusão inicial. Contudo, a proposta impõe uma barreira inédita ao impor uma nova tributação de 50% sobre projetos que utilizem componentes com qualquer vínculo com países considerados “entidades estrangeiras de interesse” — com foco evidente na China, maior fornecedor global de equipamentos fotovoltaicos. A medida, que entraria em vigor após o fim dos atuais créditos fiscais, representa uma ameaça à viabilidade econômica de novos projetos solares de grande porte. Armazenamento e manufatura resistem Entre as poucas exceções positivas está a manutenção do crédito para sistemas de armazenamento de energia (baterias), que continuará vigente até 2033. Também permanecem os incentivos à fabricação nacional de componentes solares, como módulos e células, com possibilidade de empilhamento dos créditos — o que representa um alívio para a indústria manufatureira local. Impactos já preocupam setor A votação iminente mobiliza o setor e levanta alertas entre analistas sobre os potenciais efeitos da medida na estabilidade do sistema elétrico americano. Ao restringir os incentivos para novos projetos solares e dificultar o acesso a insumos, o projeto pode reduzir a capacidade instalada de energia renovável nos próximos anos — em um momento em que a demanda energética cresce e os Estados Unidos buscam reduzir sua dependência de combustíveis fósseis. “É uma decisão com consequências profundas e duradouras. A segurança energética, os preços para os consumidores e a competitividade industrial do país estão em jogo”, reforça a presidente da SEIA. Enquanto isso, o setor solar norte-americano, que já representa uma das principais frentes de geração de empregos e inovação tecnológica nos EUA, aguarda com tensão o desfecho das votações no Senado. Para acompanhar os próximos desdobramentos sobre este e outros temas estratégicos da transição energética global, siga a cobertura completa do EnergyChannel . Senado dos EUA prepara votação de projeto que ameaça setor solar e eleva risco de apagões no país

  • Brasil e o novo mapa global da energia: oportunidades e riscos

    Por Laís Víctor – Diretora Executiva de Parcerias e Especialista em Energia A nova ordem energética global está sendo moldada por uma convergência sem precedentes entre soberania energética, competitividade industrial e descarbonização. Brasil e o novo mapa global da energia: oportunidades e riscos O mundo não assiste apenas à substituição de fontes de energia, mas a uma profunda reconfiguração dos fluxos de poder, investimentos e cadeias produtivas. Trata-se de uma transição que está redefinindo a arquitetura da influência global e criando polos de poder baseados não apenas em reservas de combustíveis fósseis, mas na capacidade de produzir, armazenar e exportar energia limpa de forma confiável e escalável. Estamos diante de uma disputa por protagonismo tecnológico, diplomático e logístico que ultrapassa a lógica tradicional dos mercados energéticos. Países que dominarem a produção e exportação de fontes renováveis, como solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde, estarão não apenas na vanguarda da transição, mas no centro das decisões geopolíticas, atraindo investimentos, estabelecendo padrões regulatórios e influenciando cadeias globais de valor. Com isso, mais do que acompanhar essa transformação, é importante liderá-la com visão estratégica, planejamento integrado e capacidade institucional robusta.  Brasil e o novo mapa global da energia: oportunidades e riscos A posição estratégica do Brasil   O Brasil ocupa uma posição singular nesse tabuleiro energético global. Com uma matriz energética já predominantemente renovável, uma das mais limpas entre as grandes economias, aliada à abundância de recursos naturais como sol, vento, água e biomassa, o país reúne atributos incomuns. Além disso, possui tradição em planejamento energético de longo prazo e instituições consolidadas no setor, o que confere previsibilidade técnica mesmo em cenários de instabilidade. Acompanhando de perto o posicionamento do Brasil no cenário internacional, e reforço que o país também detém um ativo geoestratégico pouco explorado: sua localização privilegiada o torna um elo natural entre os mercados do Atlântico e do Pacífico, podendo atuar como hub logístico de exportação de energia, seja na forma de hidrogênio verde, biocombustíveis ou mesmo energia embarcada via cabos submarinos no médio prazo. A crescente demanda por fontes limpas e rastreáveis, especialmente por parte da Europa e da Ásia, amplia as possibilidades de integração do Brasil em cadeias de valor descarbonizadas. Somado a isso, a crescente demanda interna por eletricidade limpa e a reindustrialização verde impulsionam um mercado doméstico sólido, que pode atrair investimentos industriais em equipamentos, semicondutores, fertilizantes verdes e outros elos da cadeia energética. Nesse cenário, o Brasil não é apenas um fornecedor de energia é um possível articulador de novos arranjos produtivos e comerciais sustentáveis. Riscos que limitam o protagonismo Apesar das vantagens naturais e estruturais, a consolidação do protagonismo energético do Brasil esbarra em entraves recorrentes que comprometem sua capacidade de atrair investimentos estratégicos e ampliar sua inserção global com competitividade. A instabilidade regulatória e a insegurança jurídica continuam sendo os principais fatores de aversão ao risco para investidores de longo prazo. Mudanças abruptas em regras de leilões, subsídios, licenciamento e tributação corroem a confiança do mercado e elevam o custo de capital. A infraestrutura nacional ainda apresenta gargalos significativos, sobretudo nos sistemas de transmissão e logística de exportação. Projetos de grande escala ficam vulneráveis a atrasos e perdas econômicas quando não há sincronia entre geração e escoamento energético. A burocracia associada ao licenciamento ambiental, embora necessária para garantir sustentabilidade, carece de previsibilidade e celeridade. A ausência de critérios padronizados entre esferas federais, estaduais e municipais gera incertezas e aumenta a exposição a litígios e judicializações. Além disso, a falta de uma estratégia nacional robusta e integrada para o hidrogênio verde, hoje uma das principais apostas globais para descarbonização de indústrias intensivas, demonstra uma lacuna crítica de coordenação institucional. O Brasil precisa de metas claras, estímulos regulatórios e incentivos à inovação para não perder espaço nesse mercado emergente. Oportunidades globais a serem capturadas Vivemos um momento de inflexão, no qual as dinâmicas globais da energia estão abrindo novas rotas de crescimento, cooperação e influência. Para o Brasil, esse contexto representa não apenas uma chance de inserção comercial, mas de liderança estratégica na redefinição dos fluxos energéticos internacionais . As transformações em curso criam um campo fértil para países com matriz limpa, capacidade produtiva e credibilidade internacional. Cabe a nós, enquanto nação, decidir se seremos expectadores ou protagonistas desse novo capítulo. Entre os principais vetores de oportunidade, destaco: O crescimento exponencial da demanda por energias limpas, impulsionado por acordos internacionais de descarbonização, exigências regulatórias cada vez mais rigorosas e a incorporação definitiva dos critérios ESG por parte de investidores e grandes corporações. Esse movimento amplia a busca por fornecedores confiáveis e sustentáveis. A reconfiguração das cadeias globais de valor e o avanço da industrialização verde criam espaço para a relocalização de unidades produtivas, especialmente em países com energia renovável em abundância. O Brasil pode se beneficiar com a atração de fábricas de baterias, insumos industriais de baixo carbono e centros de inovação tecnológica. A expansão de projetos estratégicos como hidrogênio verde, eólica offshore e armazenamento de energia está em ascensão. Essas frentes representam não apenas diversificação tecnológica, mas também oportunidades de longo prazo para geração de empregos qualificados, desenvolvimento de novos mercados e incremento da pauta exportadora. A possibilidade concreta de o Brasil se consolidar como fornecedor estratégico de energia limpa para regiões como Europa, Estados Unidos e Ásia-Pacífico. Esses mercados estão acelerando políticas de transição energética e buscam parceiros confiáveis para contratos de longo prazo e segurança de suprimento. A materialização dessas oportunidades depende, contudo, de posicionamento proativo, estratégia integrada e capacidade de articulação público-privada. É hora de transformar potencial em protagonismo. Recomendações para um protagonismo sustentável Diante do redesenho do cenário energético global, não basta ao Brasil contar com seus recursos naturais: é imprescindível estruturar uma base institucional, regulatória e estratégica capaz de sustentar seu protagonismo. A consolidação de uma liderança verde exige decisões orientadas por visão de longo prazo e ações concretas em múltiplas frentes. Com base na minha atuação prática junto a empresas, governos e organismos multilaterais, apresento quatro eixos prioritários que devem orientar a próxima fase da política energética brasileira: Estabelecer um marco regulatório robusto, transparente e estável : A previsibilidade das regras é condição essencial para atrair investimentos de longo prazo. Um ambiente regulatório moderno, que valorize inovação e garanta segurança jurídica, será determinante para a expansão de novas tecnologias como hidrogênio verde, armazenamento e eólica offshore. Investir em infraestrutura energética integrada : A competitividade do setor depende da eficiência logística e da capacidade de escoamento. São urgentes os aportes em redes de transmissão, modernização portuária e criação de corredores verdes de exportação, interligando polos de geração a centros de consumo e rotas comerciais internacionais. Criar instrumentos financeiros eficazes para mobilizar o capital privado : Políticas públicas devem funcionar como catalisadoras de investimentos. Fundos garantidores, incentivos fiscais, e parcerias público-privadas são ferramentas indispensáveis para reduzir riscos e acelerar a bancabilidade dos projetos. Articular uma diplomacia energética estratégica e ativa : A inserção internacional do Brasil exige presença em fóruns multilaterais, liderança em consórcios climáticos e acordos bilaterais que consolidem o país como fornecedor confiável de energia limpa. A política externa precisa refletir a ambição de protagonismo verde. O Brasil como arquiteto da nova ordem energética   O novo mapa global da energia não será traçado apenas com base no potencial natural de cada país, mas com a capacidade concreta de transformar recursos em liderança, visão em política pública e vocação em resultado. O Brasil possui ativos únicos: abundância de renováveis, expertise técnica, diversidade industrial e uma posição geoestratégica privilegiada. No entanto, esses atributos precisam ser orquestrados com intencionalidade e disciplina institucional. Como especialista envolvida na estruturação de projetos, atração de investimentos e articulação internacional, afirmo com convicção: o protagonismo energético não é uma condição natural, é uma conquista estratégica. E isso exige mais do que planejamento, exige execução, governança e narrativa global coerente. Estamos diante de uma encruzilhada histórica. Se o Brasil quiser ocupar um papel de liderança sustentável na nova economia de baixo carbono, precisa agir com ambição, coragem e consistência. O tempo para preparar o futuro não é amanhã é agora. Sobre a autora   Laís Víctor é especialista em energias renováveis e diretora executiva de parcerias, com 14 anos de atuação no setor de energia. Sua atuação inclui o desenvolvimento de negócios, estruturação de alianças estratégicas e apoio à atração de investimentos para projetos de transição energética, com foco na construção de ecossistemas sustentáveis e inovação no mercado global de renováveis.  Fontes de referência   • International Energy Agency (IEA). Navegador de Dados de Estatísticas de Energia – Ferramentas de Dados . Paris: IEA, 2023.• BloombergNEF. Investimento global em energia limpa salta 17% e atinge US$ 1,8 trilhão em 2023 . Serviço Bloomberg Professional, 2024.• Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA). Perspectiva das Transições Energéticas Mundiais 2024: Caminho de 1,5°C . Abu Dhabi: IRENA, 2024.• IPCC. AR6 Synthesis Report: Climate Change 2023 – Longer Report . Intergovernmental Panel on Climate Change, 2023.• REN21. Capacidade recorde de energias renováveis fica aquém da meta global , Reuters, 2024.• Deloitte. Perspectivas do Setor de Energia Renovável para 2025 . Deloitte Insights, 2024.• International Energy Agency (IEA). Brasil e o novo mapa global da energia: oportunidades e riscos

  • ANEEL À MÍNGUA: O GOVERNO DEBILITA A AGÊNCIA QUE SUSTENTA O SETOR ELÉTRICO

    Nos bastidores da transição energética, da modernização do setor elétrico e da busca por segurança energética, há uma crise silenciosa que ameaça toda a estabilidade do sistema: a asfixia orçamentária imposta à Agência Nacional de Energia Elétrica — a ANEEL. ANEEL À MÍNGUA: O GOVERNO DEBILITA A AGÊNCIA QUE SUSTENTA O SETOR ELÉTRICO A agência reguladora, que deveria ser a guardiã da modicidade tarifária, da previsibilidade dos investimentos e da estabilidade institucional do setor, está sendo deixada à míngua. A situação em 2025 ultrapassou qualquer limite razoável. O orçamento da autarquia foi reduzido de R$ 155 milhões para R$ 117 milhões, resultando na demissão de 145 trabalhadores terceirizados. Áreas críticas como fiscalização, ouvidoria e análise regulatória foram diretamente impactadas. E mais: mesmo antes dos cortes, a ANEEL já operava com déficit de pessoal. O colapso funcional não é mais uma possibilidade remota — é um processo em curso. UMA ENGRENAGEM VITAL SENDO DESMONTADA A ANEEL não é uma repartição burocrática comum. Ela regula concessões bilionárias, fiscaliza contratos complexos, assegura a segurança jurídica para investidores e protege o consumidor do abuso tarifário. Em qualquer país que leve a sério a estabilidade institucional do setor elétrico, essa agência seria tratada como prioridade absoluta. Mas, no Brasil, o cenário é o oposto. O governo contingencia, mutila e paralisa. E faz isso mesmo sabendo que a ANEEL arrecada muito mais do que consome. Apenas em 2024, a Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica (TFSEE), paga por todos os consumidores na conta de luz, gerou mais de R$ 1,3 bilhão em receitas. Desse valor, a ANEEL teve acesso a menos de R$ 400 milhões — e isso sem considerar os cortes mais recentes. É um verdadeiro confisco institucionalizado. Os recursos existem, são pagos pela sociedade, mas são sequestrados sob o pretexto do teto de gastos e de uma política fiscal cega, que ignora as especificidades e a criticidade da regulação energética. O ALARME DE SANDOVAL FEITOSA Em carta enviada ao Ministro de Minas e Energia, o diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, alertou que R$ 13 milhões adicionais seriam o mínimo necessário para evitar a paralisação iminente das atividades da agência. O apelo é claro: sem reforço orçamentário, a capacidade da autarquia de cumprir suas funções será comprometida. Enquanto isso, os servidores da casa e os poucos terceirizados remanescentes estão sobrecarregados, sem qualquer garantia de que seu trabalho — técnico, qualificado e essencial — terá continuidade ou reconhecimento. NÃO É SÓ A ANEEL: A EROSÃO INSTITUCIONAL AVANÇA A ANEEL não é a única vítima dessa lógica perversa. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento estratégico de longo prazo do setor, também sofre com cortes e incertezas. A impressão é clara: o governo sustenta discursos ambiciosos sobre transição energética e expansão das renováveis, mas abandona as instituições que tornam essa transição possível. O CUSTO DA OMISSÃO A fragilização da ANEEL tem consequências diretas e mensuráveis: Aumento da instabilidade regulatória Redução da segurança jurídica para investidores Menor capacidade de resposta a crises elétricas ou climáticas E, inevitavelmente, impactos negativos sobre a tarifa de energia Quem paga a conta, mais uma vez, é a sociedade. Seja por meio de tarifas mais caras, de apagões não evitados, ou da retração de investimentos em infraestrutura crítica. FORTALECER A ANEEL É PROTEGER O BRASIL É hora de abandonar a ficção de que a Aneel pode operar com excelência sendo tratada como um apêndice orçamentário do governo federal. O setor elétrico brasileiro é um dos mais complexos e sofisticados do mundo. Exige regulação técnica, estabilidade institucional e agências fortes. Fortalecer a Aneel não é favor — é um imperativo de Estado.  É proteger os investimentos, a modicidade tarifária, a expansão das energias renováveis e o próprio desenvolvimento do país. Sem uma agência reguladora robusta, imparcial e bem estruturada, o risco de apagões institucionais será tão real quanto os físicos . ANEEL À MÍNGUA: O GOVERNO DEBILITA A AGÊNCIA QUE SUSTENTA O SETOR ELÉTRICO

  • Queremos trilhões do mundo, mas não fazemos nosso dever de casa

    Por Heber Galarce , Presidente na INEL - Instituto Nacional de Energia Limpa Durante encontro recente com o presidente da França, Emmanuel Macron, o presidente Lula defendeu a mobilização de um fundo global de US$ 1,3 trilhão para combater as mudanças climáticas. Queremos trilhões do mundo, mas não fazemos nosso dever de casa A proposta, correta em essência, esbarra, porém, em um paradoxo incômodo: o Brasil ainda desperdiça oportunidades internas, cancela projetos de energia limpa já contratados e segue paralisado diante do colapso iminente de um setor elétrico que clama por modernização regulatória. É impossível pedir ao mundo uma contribuição trilionária se, no plano doméstico, faltam execução, governança e responsabilidade política. A crise atual, marcada por cancelamentos de usinas solares centralizadas no Nordeste e perdas bilionárias em projetos renováveis devido ao curtailment, é o resultado direto da omissão do Ministério de Minas e Energia em promover o novo marco legal do setor elétrico —algo prometido, mas jamais entregue. Estamos diante de um setor que passou da concentração na geração centralizada para uma era descentralizada, conectada, digital e renovável. Entretanto, o Brasil continua operando sob regras de um passado analógico. A ausência de um novo arcabouço regulatório revela o fracasso de uma liderança que já soma quase três anos de gestão e ainda não apresentou nenhuma proposta estruturante com respaldo técnico ou legislativo. Enquanto países desenvolvidos avançam com legislações modernas de armazenamento de energia, precificação de carbono e incentivos à digitalização das redes, seguimos com uma burocracia emperrada, que penaliza o investidor, inibe a inovação e obriga o país a renunciar à competitividade energética —justamente em um momento de protagonismo internacional rumo à COP30. O resultado disso? Investidores internacionais frustrados; leilões de transmissão adiados; projetos de geração limpa arquivados. E, em muitos casos, comunidades inteiras ainda estão à margem do acesso à energia por falta de conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Para se ter ideia da gravidade, somente em 2023, mais de 11 GW em projetos de energia renovável tiveram suas outorgas revogadas pela Aneel —um recorde histórico. Muitos desses empreendimentos haviam sido planejados para o Nordeste, região com o maior potencial solar e eólico do país, mas sem a infraestrutura de escoamento necessária e com um ambiente regulatório instável e desatualizado. Não é possível defender uma pauta ambiental global com autoridade moral se internamente permitimos o desperdício de energia renovável em plena abundância. É preciso, antes de tudo, fazer o dever de casa: revisar o modelo institucional, aprovar o novo marco legal do setor elétrico e garantir segurança jurídica para quem investe na transição energética brasileira. A agenda climática exige ambição, mas também coerência. Que o apelo por trilhões seja acompanhado de um plano doméstico sério, transparente e eficiente. O mundo está atento — e o tempo está acabando. Queremos trilhões do mundo, mas não fazemos nosso dever de casa

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