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  • CEO da Bow-e analisa os vetores que estão transformando o mercado brasileiro de energia.

    Energia, tecnologia e capital: a nova equação do setor elétrico CEO da Bow-e analisa os vetores que estão transformando o mercado brasileiro de energia. Alta da conta de luz, corrida por energia para data centers e consolidação de empresas redesenham o mercado elétrico brasileiro e abrem novas oportunidades para investidores e consumidores. O setor elétrico brasileiro atravessa um período de profundas transformações. Em meio à expectativa de aumento médio de 8,6% na conta de luz em 2026, ao avanço da geração distribuída solar, à crescente demanda energética impulsionada por data centers e inteligência artificial, e ao aumento do interesse de investidores por ativos do setor, empresas e consumidores precisam se adaptar a uma nova dinâmica de mercado. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que o segundo semestre de 2026 será marcado por uma intensificação dos movimentos de consolidação, fusões e aquisições (M&A), além da busca por novos modelos de negócios voltados à eficiência energética, geração própria e monetização de ativos. Para analisar esse cenário e discutir as perspectivas para os próximos meses, conversamos com Ciro Neto, CEO da Bow-e, que compartilha sua visão sobre os desafios do setor, o futuro das usinas solares de geração distribuída, o impacto da alta das tarifas de energia e as oportunidades que surgem em um mercado cada vez mais estratégico para a economia brasileira. CEO da Bow-e analisa os vetores que estão transformando o mercado brasileiro de energia. Entrevista | Ciro Neto, CEO da Bow-e Setor elétrico vive transformação histórica com energia solar, IA e novos modelos de negócios. 1) A Aneel projeta um aumento médio de 8,6% na conta de luz em 2026, acima da inflação. Quais fatores explicam essa pressão tarifária e quais alternativas empresas e consumidores têm para reduzir seus custos com energia? O desafio do setor elétrico não é apenas produzir energia competitiva, mas garantir que ela chegue ao consumidor com confiabilidade e segurança. A pressão tarifária decorre de uma combinação de fatores, incluindo investimentos em transmissão, encargos setoriais, expansão da infraestrutura e a necessidade de modernização do sistema elétrico para acomodar uma matriz cada vez mais renovável e descentralizada. Para empresas e consumidores, a resposta passa menos pela expectativa de redução estrutural das tarifas e mais pela gestão inteligente da energia. Mercado livre, geração própria, eficiência energética e gestão do consumo são instrumentos que permitem maior previsibilidade de custos e aumento da competitividade. 2) O setor elétrico vive uma transformação impulsionada pela digitalização, pela descentralização da geração e pela necessidade de maior eficiência energética. Como a Bow-e tem adaptado seu modelo de negócios para capturar essas novas oportunidades? A transformação do setor energético exige inovação, mas também disciplina na execução. A digitalização e a descentralização da energia estão criando novas oportunidades, mas também aumentando a complexidade da gestão dos ativos e dos contratos. Na Bow-e temos investido na combinação entre tecnologia, inteligência de dados e conhecimento setorial para melhorar a eficiência operacional e apoiar nossos clientes em suas decisões energéticas. Acreditamos que o diferencial competitivo estará cada vez mais na capacidade de transformar informação em decisões melhores, mantendo foco em resultado, governança e geração de valor. 3) O mercado de energia deve registrar um aumento das operações de fusões e aquisições (M&A) em 2026. Quais segmentos estão mais atrativos para investidores e quais características tornam uma empresa de energia um alvo estratégico nesse momento? O capital está procurando setores capazes de combinar previsibilidade de receitas com potencial de crescimento. Vejo oportunidades relevantes em infraestrutura energética, geração renovável, armazenamento de energia e serviços ligados a gestão energética. Mais do que ativos isolados, os investidores buscam empresas que possuam capacidade de execução, governança sólida e posicionamento alinhado as transformações do setor. Em um ambiente mais seletivo, qualidade da gestão e capacidade de adaptação passaram a ser tão importantes quando os próprios ativos. 4) O crescimento da inteligência artificial e dos data centers está elevando a demanda por energia em todo o mundo. Como essa nova realidade pode impactar o planejamento energético e os investimentos em infraestrutura no Brasil? A inteligência artificial está criando uma nova fronteira de demanda para o setor de energia. O crescimento dos data centers exigirá investimentos significativos em geração, transmissão e confiabilidade do suprimento energético. Isso não é apenas uma questão tecnológica, mas também uma questão de infraestrutura. O Brasil possui vantagens competitivas importantes, como uma matriz predominantemente renovável e potencial de expansão energética. O desafio será transformar essas vantagens em projetos concretos, capazes de atrair investimentos e garantir energia confiável para sustentar o crescimento econômico. 5) As usinas solares de geração distribuída (GD) passaram por mudanças regulatórias e de mercado nos últimos anos. Como o senhor avalia a maturidade desse segmento e quais modelos de negócio devem ganhar mais relevância nos próximos anos? A geração distribuída deixou de ser uma tendência e passou a ser um componente permanente da matriz energética brasileira. Após um período de forte crescimento, o segmento entra agora em uma fase de consolidação e amadurecimento. Os projetos mais bem sucedidos serão aqueles que entregarem valor consistente ao consumidor e estiverem apoiados em modelos econômicos sustentáveis. Nos próximos anos devemos observar maior integração entre geração distribuída, armazenamento, gestão de consumo e soluções digitais, ampliando a eficiência e a previsibilidade dos resultados para os clientes. 6) Muitas empresas que investiram em geração solar própria agora buscam novas formas de monetizar ativos energéticos. Quais tendências de negócios e serviços relacionados à gestão de energia devem ganhar força no segundo semestre de 2026? O foco do mercado está migrando da simples posse do ativo para a maximização do valor gerado por ele. Empresas que investiram em ativos energéticos estão buscando formas mais sofisticadas de capturar retorno sobre esses investimentos. Devemos observar crescimento de soluções relacionadas a otimização operacional, gestão integrada de energia, armazenamento, comercialização de excedentes e utilização de inteligência analítica para melhorar a performance dos ativos. O objetivo será extrair mais valor dos investimentos já realizados, com eficiência e disciplina financeira. 7) Considerando o cenário econômico, regulatório e tecnológico atual, quais são as principais perspectivas para o setor de energia no Brasil até o final de 2026 e quais oportunidades devem se destacar para investidores e desenvolvedores de projetos? O setor energético brasileiro entra em uma fase de expansão que exigirá equilíbrio entre crescimento, inovação e segurança operacional. O Brasil continuará atraindo investimentos por reunir uma demanda crescente por energia, necessidade de expansão da infraestrutura e oportunidades associadas a transição energética. Os temas que devem se destacar são a expansão do mercado livre, o crescimento do gás natural como vetor de competitividade, o avanço das fontes renováveis, o armazenamento de energia e a aplicação de tecnologias digitais para aumentar eficiência e produtividade. Os maiores vencedores serão as empresas capazes de combinar visão de longo prazo, excelência operacional e capacidade de adaptação as transformações tecnológicas e regulatórias que estão remodelando o setor. CEO da Bow-e analisa os vetores que estão transformando o mercado brasileiro de energia.

  • Medicina de Precisão Avança na América Latina com Integração entre Diagnóstico, Terapia e Dados

    Por Ricardo Honório, especial para o EnergyChannel Medicina de Precisão Avança na América Latina com Integração entre Diagnóstico, Terapia e Dados Em um cenário global onde a saúde caminha rapidamente para modelos mais personalizados, baseados em dados e tecnologia, a integração entre diagnóstico e tratamento se consolida como um dos pilares da chamada medicina de precisão. Na América Latina uma região marcada por desafios estruturais, mas também por avanços importantes essa transformação já começa a ganhar escala. Para entender como esse movimento está sendo conduzido na prática, o EnergyChannel conversou com Carlos Martins, presidente da Roche Diagnóstica, que detalhou como a companhia tem estruturado uma abordagem integrada entre diagnósticos, terapias e soluções digitais. A convergência que redefine o cuidado Segundo Martins, a medicina de precisão só se torna realidade quando há uma conexão direta entre dados diagnósticos de alta qualidade e decisões terapêuticas assertivas. “A Roche possui uma posição única ao atuar tanto em diagnóstico quanto em farmacêutica, o que nos permite compreender toda a jornada do paciente. Essa integração acelera a identificação de biomarcadores, apoia a escolha das terapias mais adequadas e melhora o monitoramento clínico”, explica Carlos Martins. Na prática, isso significa que pacientes especialmente em áreas críticas como oncologia, neurologia e doenças raras passam a receber tratamentos mais direcionados, no momento certo, aumentando significativamente as chances de melhores desfechos clínicos. Esse ecossistema é potencializado por plataformas digitais como o navify®, que conecta dados clínicos e laboratoriais, transformando informações complexas em insights acionáveis para equipes médicas. Diagnóstico precoce: o elo mais crítico e mais desafiador Se por um lado a tecnologia avança, por outro, o acesso ainda é um dos principais gargalos no Brasil e na América Latina. “O diagnóstico precoce é um dos fatores que mais influenciam os resultados clínicos e a sustentabilidade dos sistemas de saúde”, afirma Martins. Apesar disso, o país ainda enfrenta desafios estruturais relevantes, como desigualdade regional de infraestrutura, necessidade de modernização tecnológica e dificuldades na incorporação de novas tecnologias. Ao mesmo tempo, avanços importantes começam a surgir. Um exemplo citado é a ampliação do uso de testes moleculares para detecção do DNA do HPV, que representam uma mudança significativa na prevenção do câncer do colo do útero especialmente quando combinados com softwares de gestão de rastreamento de populações. Sustentabilidade e acesso: o novo modelo da inovação Outro ponto central discutido na entrevista é o desafio de tornar terapias inovadoras especialmente biotecnológicas acessíveis de forma sustentável. De acordo com Martins, modelos tradicionais já não são suficientes para acompanhar o ritmo da inovação e os novos caminhos de acesso dependem de um alto nível de colaboração entre indústria, setor público, operadoras de saúde e comunidade científica um movimento que vem ganhando força globalmente e começa a se estruturar com mais consistência na região. Informação, mídia e o papel do audiovisual na saúde Em um ambiente saturado de informação, o executivo também reforça o papel estratégico da comunicação de qualidade na área da saúde. “A informação baseada em evidências é um componente essencial. E o audiovisual tem um papel fundamental para traduzir temas complexos e ampliar o alcance da informação”, afirma. Para ele, iniciativas independentes com responsabilidade editorial como documentários, séries e conteúdos jornalísticos especializados contribuem diretamente para o aumento do letramento científico da população, impactando decisões sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. O futuro: dados, inteligência e personalização Olhando para a próxima década, a visão da Roche é clara: a saúde será cada vez mais orientada por dados, inteligência digital e personalização. “A grande transformação está na convergência entre diagnóstico, dados e inteligência digital”, explica Martins. Nesse contexto, soluções como algoritmos avançados de apoio à decisão clínica a exemplo do GAAD e plataformas integradas de dados devem ampliar a capacidade dos profissionais de saúde de identificar pacientes em risco, apoiar diagnósticos mais precoces e personalizar a tomada de decisão clínica. Mais do que desenvolver tecnologias, o objetivo, segundo ele, é deixar um legado estrutural. “Queremos contribuir para um futuro em que cada paciente tenha acesso ao diagnóstico correto, no momento adequado, e a decisões clínicas cada vez mais individualizadas, apoiadas por ciência e inovação.” Uma transformação em curso A entrevista deixa claro que a medicina de precisão já deixou de ser uma promessa distante ela está em implementação real, ainda que em estágios diferentes de evolução, na América Latina. O desafio agora não é apenas tecnológico, mas estrutural: garantir que inovação, acesso e sustentabilidade avancem de forma coordenada. E, nesse cenário, a integração entre diagnóstico, tratamento e dados não é apenas uma vantagem competitiva é um novo padrão para o futuro da saúde. Medicina de Precisão Avança na América Latina com Integração entre Diagnóstico, Terapia e Dados

  • 🇧🇷 EP22 – Inteligência artificial e segurança cibernética: ataques, defesa e riscos digitais

    Série Especial EnergyChannel | Inteligência Artificial: Tudo o Que Precisamos Saber O que é inteligência artificial e segurança cibernética A inteligência artificial e segurança cibernética tratam do uso de algoritmos avançados para proteger sistemas digitais contra ameaças cada vez mais sofisticadas. A IA permite identificar padrões anômalos, prever ataques e responder a incidentes em tempo real. Com a digitalização acelerada, a segurança torna-se estratégica. Como a inteligência artificial e segurança cibernética se conectam A conexão entre inteligência artificial e segurança cibernética ocorre por meio da análise automatizada de grandes volumes de dados de rede, comportamento de usuários e tráfego digital. A IA amplia a capacidade humana de detecção e resposta. Inteligência artificial e segurança cibernética na detecção de ataques Na detecção de ameaças, a inteligência artificial e segurança cibernética identificam comportamentos suspeitos antes que danos ocorram. Sistemas inteligentes reconhecem padrões de malware, phishing e invasões. A prevenção torna-se mais eficaz e proativa. Inteligência artificial e segurança cibernética na defesa de sistemas A inteligência artificial e segurança cibernética fortalecem defesas digitais por meio de respostas automáticas, isolamento de ameaças e correção rápida de vulnerabilidades. A defesa passa a ser dinâmica e contínua. Inteligência artificial e segurança cibernética e ataques automatizados Ao mesmo tempo, a inteligência artificial e segurança cibernética também são usadas por criminosos digitais. Ataques automatizados tornam-se mais rápidos, adaptáveis e difíceis de detectar. O cenário de ameaças evolui constantemente. Inteligência artificial e segurança cibernética e riscos para empresas Empresas enfrentam riscos significativos com a inteligência artificial e segurança cibernética, incluindo vazamento de dados, interrupção de operações e danos à reputação. A proteção digital torna-se um fator competitivo. Inteligência artificial e segurança cibernética e proteção de dados A inteligência artificial e segurança cibernética desempenham papel central na proteção de dados sensíveis. Algoritmos ajudam a identificar acessos indevidos e garantir conformidade com leis de privacidade. A confiança digital depende da segurança da informação. Inteligência artificial e segurança cibernética e infraestrutura crítica Infraestruturas críticas, como energia, transporte e telecomunicações, dependem da inteligência artificial e segurança cibernética para evitar falhas e ataques de grande impacto. A resiliência digital torna-se essencial. Desafios da inteligência artificial e segurança cibernética Os desafios da inteligência artificial e segurança cibernética incluem falsos positivos, dependência tecnológica e escassez de profissionais qualificados. A tecnologia precisa ser aliada à estratégia humana. O futuro da inteligência artificial e segurança cibernética O futuro da inteligência artificial e segurança cibernética aponta para sistemas autônomos, preditivos e integrados. A corrida entre atacantes e defensores continuará a evoluir. A segurança digital será cada vez mais inteligente. 🇧🇷 EP22 – Inteligência artificial e segurança cibernética: ataques, defesa e riscos digitais

  • Energia solar + armazenamento: a transição da geração para a gestão energética

    A energia solar revolucionou a forma como a eletricidade é produzida.Mas, sozinha, ela tem uma limitação estrutural: Energia solar + armazenamento: a transição da geração para a gestão energética A geração não acontece necessariamente no momento em que a energia é mais necessária. É nesse ponto que entra um dos maiores avanços do setor: A integração entre energia solar e sistemas de armazenamento. Mais do que uma evolução tecnológica, essa combinação redefine o papel da energia no dia a dia. ⚡ O limite da geração isolada Sistemas solares produzem energia principalmente durante o dia — especialmente nas horas de maior incidência solar. Mas o consumo nem sempre acompanha esse padrão. Na prática: Empresas podem ter picos fora do horário solar Residências consomem mais à noite A rede pode estar saturada em determinados momentos Isso cria um descompasso entre geração e demanda. 🔋 O papel das baterias Os sistemas de armazenamento surgem exatamente para resolver esse desafio. Eles permitem: Armazenar o excedente gerado durante o dia Utilizar essa energia em horários de maior consumo Reduzir a dependência da rede elétrica A energia deixa de ser apenas gerada e passa a ser gerenciada no tempo. 🧠 Da geração à gestão energética Com a integração entre solar e armazenamento, muda completamente a lógica do sistema. Antes: Gerar energia e compensar na rede Agora: Gerar, armazenar, decidir quando usar e otimizar o consumo Isso transforma a energia em um recurso estratégico. 📊 Benefícios na prática A combinação de solar + baterias traz ganhos claros: Maior autonomia energética Redução de custos em horários de ponta Menor exposição a variações tarifárias Aumento da previsibilidade Além disso: Reduz a necessidade de injetar energia na rede Ajuda a mitigar problemas como a inversão de fluxo ⚡ Energia sob demanda Um dos principais avanços é a possibilidade de usar energia quando ela é mais valiosa. Isso inclui: Consumo noturno Horários de tarifa elevada Momentos de pico operacional A energia deixa de ser instantânea e passa a ser estratégica. 🏢 Aplicações no mundo real Residencial: Uso da energia à noite Backup em caso de queda Maior independência Comercial: Redução de demanda contratada Otimização de custos operacionais Proteção contra picos tarifários Industrial: Estabilidade de operação Continuidade em processos críticos Gestão energética avançada 🔧 Integração com sistemas inteligentes O verdadeiro potencial surge quando o armazenamento é integrado a sistemas de controle. Com software, é possível: Automatizar decisões de uso Priorizar consumo interno Definir estratégias energéticas Integrar com a rede elétrica 🌐 Tendência global Em mercados mais avançados, a combinação de solar + armazenamento já é vista como o próximo padrão. Fatores que impulsionam essa evolução: Limitações da rede elétrica Necessidade de estabilidade Avanço tecnológico das baterias Redução de custos ao longo do tempo 🇧🇷 O momento do Brasil No Brasil, o armazenamento ainda está em fase inicial, mas cresce rapidamente. Com desafios como: Inversão de fluxo Aumento tarifário Maior exigência por controle O armazenamento passa de opcional para estratégico. 🔄 A mudança de paradigma A principal transformação é clara: A energia deixa de ser um fluxo contínuo e passa a ser um recurso controlável. Isso muda tudo: Como sistemas são projetados Como empresas consomem energia Como a rede elétrica é utilizada 🚀 Conclusão: o início de uma nova era energética A integração entre energia solar e armazenamento marca o início de uma nova fase do setor. Uma fase onde: Geração é apenas o primeiro passo Controle é o verdadeiro diferencial Inteligência define o valor do sistema E, nesse cenário, quem consegue gerenciar energia tem vantagem. ⚡ Próximo episódio No próximo capítulo: AC coupling: como integrar baterias a sistemas solares existentes com mínimo retrofit Energia solar + armazenamento: a transição da geração para a gestão energética

  • Victron Energy acelera expansão da autonomia energética na Amazônia com novo parceiro estratégico em Manaus

    Expertise Energia Solar, de Manaus, passa a distribuir as soluções da multinacional holandesa para projetos fotovoltaicos, sistemas híbridos com baterias de lítio e aplicações náuticas de alta autonomia energética na Região Amazônica; Com crescimento de 113% no Brasil em 2025 e avanço de 133% em participação de mercado no primeiro trimestre de 2026, a Victron Energy consolida o país como um de seus mercados estratégicos. A multinacional holandesa, com mais de 50 anos de atuação global, fornece soluções completas de autonomia energética que impulsionam a expansão do setor de motorhomes, embarcações e sistemas off-grid no Brasil; Com 16 parques solares no Amazonas, mais de 30 mil módulos fotovoltaicos instalados e uma carteira superior a 2 mil clientes, a Expertise Energia Solar consolidou-se como uma das principais referências do setor na região, ampliando o acesso à energia limpa por meio de projetos residenciais, empresariais e usinas de geração compartilhada. Brasil, 12 de junho de 2026 - A expansão da infraestrutura energética sustentável na Amazônia acaba de ganhar um novo capítulo. A Victron Energy, referência global em soluções avançadas de armazenamento e gerenciamento de energia, anuncia a Expertise Energia Solar como sua nova parceira estratégica para a Região Amazônica. Victron Energy acelera expansão da autonomia energética na Amazônia com novo parceiro estratégico em Manaus Com sede em Manaus (AM), a Expertise passa a atuar como distribuidora e integradora das tecnologias Victron Energy, com foco especial em projetos de energia solar, sistemas híbridos com baterias de lítio e aplicações náuticas para embarcações e marinas. A movimentação reforça a estratégia da fabricante holandesa de ampliar sua presença em mercados que exigem autonomia energética, confiabilidade operacional e independência da rede elétrica, características particularmente relevantes para a realidade amazônica. Energia confiável para uma região de desafios únicos A Amazônia reúne alguns dos cenários mais complexos do Brasil quando o assunto é fornecimento de energia. Comunidades isoladas, propriedades rurais, empreendimentos turísticos, embarcações de transporte e operações comerciais frequentemente enfrentam limitações de infraestrutura elétrica. Nesse contexto, as soluções da Victron Energy ganham relevância ao combinar geração fotovoltaica, armazenamento em baterias de lítio e sistemas inteligentes de gerenciamento energético, permitindo operação contínua mesmo em locais remotos ou sujeitos a interrupções no fornecimento. A Expertise Energia Solar já possui experiência consolidada na implementação de sistemas Victron e passa agora a ampliar sua atuação como distribuidora oficial na região. Mercado solar em crescimento acelerado Fundada em 2017, a Expertise Energia Solar construiu uma trajetória de forte expansão no Amazonas. Atualmente, a empresa opera 16 parques solares instalados ao longo das rodovias BR-174 e AM-010, contabiliza mais de 30 mil módulos fotovoltaicos instalados em residências e empresas e atende uma base superior a 2 mil clientes. Além dos sistemas convencionais de geração distribuída em telhados, a companhia oferece modelos de geração compartilhada por meio de usinas solares, permitindo que consumidores sem área disponível para instalação de painéis também tenham acesso à economia proporcionada pela energia solar. O modelo converte a energia produzida em créditos que são compensados diretamente na conta de luz dos participantes. Victron Energy acelera expansão da autonomia energética na Amazônia com novo parceiro estratégico em Manaus Sistemas híbridos elevam segurança energética Entre os segmentos de maior crescimento está o mercado de sistemas híbridos, que une geração fotovoltaica e armazenamento em baterias de lítio. Com a tecnologia Victron Energy, a energia gerada durante o dia pode ser armazenada e utilizada durante a noite ou em momentos de interrupção da concessionária, garantindo fornecimento contínuo para residências, empresas, fazendas e operações críticas. A arquitetura modular da plataforma permite expandir a capacidade do sistema conforme a necessidade do usuário, além de oferecer monitoramento remoto e gerenciamento inteligente do consumo energético. Navegação elétrica e híbrida avança na Amazônia Outro segmento estratégico para a nova parceria é o mercado náutico. A crescente busca por embarcações mais eficientes e sustentáveis abre espaço para soluções híbridas e elétricas capazes de reduzir consumo de combustível, emissões e custos operacionais. Os sistemas Victron Energy permitem integrar painéis solares, baterias de lítio, inversores, carregadores e monitoramento remoto em uma única plataforma energética para barcos, lanchas, iates, balsas e embarcações de apoio. Na prática, isso significa maior autonomia de navegação, operação silenciosa, redução da dependência de geradores convencionais e disponibilidade contínua de energia para equipamentos de bordo. Em uma região onde os rios funcionam como verdadeiras rodovias, a eletrificação gradual das embarcações surge como uma oportunidade relevante para modernização da logística e do turismo regional. Plataforma completa para a transição energética Com a chegada da Expertise Energia Solar ao ecossistema Victron Energy, consumidores e integradores da Região Amazônica passam a contar com suporte local especializado para projetos de geração solar, sistemas híbridos, armazenamento de energia e aplicações náuticas. A iniciativa acompanha uma tendência global de descentralização da geração elétrica, na qual consumidores deixam de ser apenas usuários da rede para se tornarem produtores e gestores da própria energia. Em uma região marcada por desafios logísticos e ambientais, a combinação entre energia solar, baterias de lítio e sistemas inteligentes desponta como uma das principais ferramentas para ampliar a segurança energética, reduzir custos e acelerar a transição para uma matriz mais sustentável. Microrredes substituem modelos rígidos por arquitetura flexível Historicamente, projetos de grande porte fora da rede elétrica exigiam sistemas complexos, controladores centralizados e expansões que demandavam reengenharia significativa. A proposta da Victron Energy segue uma lógica diferente. Sua plataforma de Microrrede Victron permite conectar múltiplos sistemas independentes de inversores e carregadores, conhecidos como "Power Banks", em um barramento de corrente alternada compartilhado. Cada módulo opera de forma autônoma, com suas próprias baterias, inversores e sistema de monitoramento. Na prática, cada Power Bank funciona como uma unidade energética completa, capaz de compartilhar automaticamente a carga com os demais equipamentos instalados. A principal vantagem é a escalabilidade. Em vez de substituir equipamentos ou redesenhar toda a infraestrutura, o usuário pode simplesmente adicionar novos módulos conforme a demanda cresce. A arquitetura permite que sistemas de diferentes capacidades trabalhem em conjunto, alcançando potências de até 400 kW sem necessidade de controladores centrais ou redes complexas de comunicação entre equipamentos. Para aplicações em áreas rurais, mineração, telecomunicações, agronegócio, turismo sustentável e comunidades isoladas, o modelo reduz riscos operacionais e amplia significativamente a disponibilidade energética. Outro diferencial é a redundância incorporada ao sistema. Como os módulos operam de forma independente, a eventual indisponibilidade de uma unidade não compromete toda a operação, aumentando a confiabilidade da instalação. A energia embarca junto No setor náutico, a busca por eficiência energética e redução do uso de combustíveis fósseis tem acelerado a adoção de sistemas híbridos e elétricos em embarcações de diferentes portes. A Victron Energy desenvolveu uma plataforma que integra geração, armazenamento e gerenciamento inteligente de energia para atender desde pequenas embarcações, iates e lanchas particulares, barcos de recreio, empurradores de balsa de grande porte, navios motores (N/M) e comboios de carga geral. O conceito é simples: armazenar energia em bancos de baterias de lítio e disponibilizá-la de forma eficiente para todos os equipamentos de bordo, eliminando a necessidade de manter motores ou geradores funcionando continuamente. O resultado é uma navegação mais silenciosa, econômica e confortável. A energia armazenada pode ser proveniente de diferentes fontes, como conexão em marinas, alternadores, geradores ou sistemas fotovoltaicos instalados na própria embarcação. O gerenciamento inteligente permite que a rede elétrica do barco se adapte automaticamente às condições de operação, distribuindo energia de forma otimizada entre iluminação, refrigeração, sistemas de comunicação, navegação e equipamentos de lazer. Baterias ganham papel central A expansão das soluções híbridas tem colocado as baterias de lítio no centro da estratégia energética das embarcações. Segundo especialistas do setor, uma configuração adequada deve considerar o perfil de consumo diário e o tempo de autonomia desejado. Em aplicações recreativas ou de turismo, por exemplo, a capacidade de armazenamento costuma ser dimensionada para garantir pelo menos 48 horas de operação sem necessidade de recarga externa. Nesse contexto, as baterias de lítio apresentam vantagens relevantes em comparação às tecnologias convencionais de chumbo-ácido, oferecendo maior profundidade de descarga, menor peso, maior eficiência e vida útil significativamente superior. Associadas aos inversores inteligentes da Victron, elas permitem atender tanto cargas contínuas quanto picos momentâneos de potência, mantendo estabilidade operacional mesmo em situações de alta demanda energética. A descentralização da energia avança O avanço das microrredes e dos sistemas híbridos reflete uma transformação mais ampla no setor elétrico global. Consumidores residenciais, empresas, produtores rurais e operadores de embarcações passam a buscar não apenas energia disponível, mas também controle sobre sua geração, armazenamento e consumo. Nesse contexto, tecnologias modulares e inteligentes ganham espaço ao oferecer uma combinação de segurança energética, flexibilidade operacional e redução da dependência de infraestruturas centralizadas. Para a Victron Energy, a convergência entre armazenamento, geração distribuída e gerenciamento digital deverá impulsionar uma nova fase de crescimento do mercado de energia autônoma, tanto em terra quanto na água. Sobre a Victron Energy: https://brasil.victronenergy.com/ Victron Energy acelera expansão da autonomia energética na Amazônia com novo parceiro estratégico em Manaus

  • Flexibilidade como Serviço: o próximo modelo de negócio que o setor elétrico brasileiro ainda não nomeou

    Por Marcelo Figueiredo, CEO da Iquira Energy Innovation Junho 2026 Flexibilidade como Serviço: o próximo modelo de negócio que o setor elétrico brasileiro ainda não nomeou Existe uma transição silenciosa acontecendo no setor elétrico que vai além da geração distribuída, além do armazenamento, além do mercado livre. Ela tem a ver com uma pergunta que as distribuidoras brasileiras ainda não sabem responder com precisão: quanto vale, para a rede, um megawatt que some no horário de ponta? A resposta a essa pergunta é o fundamento de um modelo de negócio que mercados mais maduros já chamam de Flexibility as a Service (ou FaaS), e que o Brasil está construindo as condições para adotar, mesmo sem ainda ter dado nome ao que está sendo construído. O problema que a rede não consegue resolver sozinha O sistema elétrico brasileiro enfrenta uma assimetria crescente. De um lado, uma expansão acelerada de geração solar distribuída que injeta energia em massa durante as horas centrais do dia, quando a demanda é moderada e o preço de liquidação das diferenças tende ao piso. De outro, um pico de carga residencial entre 18h e 21h que concentra pressão sobre a rede de distribuição no exato momento em que a geração solar se retira. Esse descasamento não é um problema de capacidade instalada. É um problema de temporalidade. A energia está no lugar errado, na hora errada. A solução convencional é cara: a distribuidora investe em reforço de rede (transformadores de maior capacidade, subestações adicionais, cabos subdimensionados trocados etc) para suportar um pico que dura algumas horas por dia. É uma infraestrutura dimensionada pelo pior momento, financiada por toda a base tarifária. Existe uma alternativa. E ela não vem de dentro da distribuidora. O que é Flexibilidade como Serviço FaaS é um modelo no qual um terceiro (agregador, comercializadora, gestor de ativos energéticos) contrata, agrega e opera recursos distribuídos de forma coordenada para entregar alívio de rede à distribuidora ou ao operador do sistema em horários específicos de congestionamento. Esses recursos podem ser baterias residenciais ou comerciais (BESS) que descarregam durante o pico e carregam fora dele. Podem ser cargas flexíveis, como sistemas de climatização, processos industriais com tolerância a deslocamento temporal, que reduzem consumo mediante sinal. Podem ser geradores distribuídos despachados ativamente. O que os une não é a tecnologia: é a capacidade de responder a um sinal externo com previsibilidade e velocidade suficientes para ter valor sistêmico. A distribuidora, nesse modelo, não opera os ativos. Ela contrata o serviço, por exemplo o alívio de X MW por Y horas, com Z confiabilidade, e remunera por resultado. O agregador é responsável por orquestrar os recursos e entregar o compromisso. É, em essência, a mesma lógica dos serviços ancilares que operam há décadas no mercado de transmissão transladada para a camada de distribuição, onde os recursos são menores, mais fragmentados e, até recentemente, invisíveis para qualquer operador de sistema. Por que agora, por que Brasil O timing não é acidental. Três movimentos convergem simultaneamente. O primeiro é físico: a massa crítica de ativos distribuídos com potencial de flexibilidade chegou a um patamar no qual a agregação começa a fazer sentido econômico. Dezenas de GW de solar instalados, uma frota crescente de baterias em unidades comerciais e industriais, e uma penetração de veículos elétricos ainda incipiente mas acelerando. O portfólio de recursos existe, mas está fragmentado, desconectado e sem sinal de preço para coordenar comportamento. O segundo é regulatório: a Lei 15.269/2025 reconheceu formalmente o armazenamento como atividade sujeita a regulação no setor elétrico e atribuiu à ANEEL competência expressa para normatizar modelos de negócio associados. A agenda regulatória 2026-2027 da agência discute a habilitação de novos agentes de flexibilidade, além da discussão de tarifas com granularidade horária nas distribuidoras. O arcabouço ainda está sendo construído, mas a direção está definida. O terceiro é econômico: o custo de não fazer isso está subindo. Revisões tarifárias que incorporam o custo de reforço de rede pressionam as distribuidoras a buscar soluções menos intensivas em capital. Reguladores que observaram a experiência britânica, australiana e californiana têm evidência empírica de que programas de flexibilidade distribuída postergam investimentos em infraestrutura a uma fração do custo equivalente. O modelo de negócio por trás do serviço A estrutura econômica do FaaS tem três camadas. Na base estão os proprietários dos ativos: consumidores residenciais e comerciais com baterias, cargas flexíveis ou geração despachável. Eles têm capacidade de flexibilidade, mas não têm nem escala, nem acesso ao mercado, nem capacidade de gestão em tempo real para monetizá-la sozinhos. No meio está o agregador: a empresa que contrata o uso dessa flexibilidade dos proprietários, investe na camada de controle e otimização, e assume a responsabilidade pela entrega do serviço para a distribuidora. A receita do agregador vem da diferença entre o que a distribuidora paga pelo alívio e o que o agregador repassa ao proprietário do ativo, mais a eficiência que a tecnologia de otimização captura. No topo está a distribuidora: compradora do serviço, paga por performance entregue (MW aliviados no horário comprometido) e não por capacidade instalada. O contrato substitui ou posterga investimento em infraestrutura física. O que torna esse modelo atraente para os três vértices é que nenhum deles precisa fazer o que não é sua vocação. A distribuidora não precisa gerenciar ativos distribuídos de terceiros. O agregador não precisa construir rede. O proprietário do ativo não precisa operar no mercado de energia. O que o Brasil precisa resolver O modelo existe. As condições tecnológicas existem. O que falta é, em grande parte, o regulatório, mas com especificidades que vale nomear. Primeiro: a remuneração do serviço. Para que uma distribuidora pague por flexibilidade, precisa existir um mecanismo formal que defina como esse custo entra na sua estrutura tarifária e como é repassado ao consumidor. Sem isso, a distribuidora não tem nem incentivo nem autorização para contratar o serviço, por mais que ele seja economicamente superior ao reforço de rede. A ANEEL precisa criar o produto regulatório. Segundo: a medição e verificação. FaaS só funciona se for possível medir com precisão o que foi entregue, em qual horário e com qual desvio em relação ao compromisso. Isso exige medição inteligente nos pontos relevantes e protocolos de comunicação padronizados entre agregadores e distribuidoras. A expansão do smart metering no Brasil está em andamento, mas o ritmo e a interoperabilidade ainda são muito baixos comparados com outros mercados. Terceiro: a qualificação do agregador. Quem pode prestar esse serviço? Com quais requisitos técnicos, financeiros e operacionais? A formalização do agregador na CCEE é um passo necessário, mas ainda não suficiente, porque a relação FaaS é com a distribuidora, não com o mercado atacadista. Precisam existir regras de habilitação específicas para o nível de distribuição. Nenhum desses problemas é insolúvel. Todos eles foram resolvidos em outras jurisdições, claro que com variações importantes que o Brasil precisará adaptar, não simplesmente copiar. O que comercializadoras e gestores de ativos deveriam estar fazendo agora Há uma janela entre o estado atual, sem regulação formal e sem produto estabelecido, e o estado futuro, quando o arcabouço estiver em vigor e a margem de pioneirismo tiver sido comprimida pela concorrência. Essa janela é o momento de construir as competências que o modelo vai exigir. A primeira competência é tecnológica: a capacidade de monitorar, controlar e despachar remotamente ativos distribuídos com granularidade temporal relevante. Não é monitoramento passivo, é o controle ativo com latência compatível com resposta a pico. Empresas que chegarem ao mercado formalizado sem essa infraestrutura vão depender de terceiros para construí-la às pressas, com custo e risco. A segunda é contratual: a estrutura de acordos com proprietários de ativos que garanta disponibilidade confiável da flexibilidade. Contratos mal estruturados, sem SLAs de performance, sem mecanismos de compensação por não entrega tornam o portfólio de flexibilidade não precificável para uma distribuidora. O produto que se vende para a distribuidora é tão bom quanto o pior contrato na base do portfólio. A terceira é de dados: a acumulação de histórico operacional de ativos sob gestão. Distribuidoras e reguladores vão exigir evidência de que o agregador consegue entregar o que promete. Essa evidência só existe se o operador tiver dados sobre como os ativos respondem, como os proprietários se comportam, e qual é o intervalo de confiança real da promessa de flexibilidade. Empresas que começarem a construir essas três competências hoje, mesmo antes da regulação formal, vão chegar ao mercado com um ativo que não pode ser replicado rapidamente: histórico operacional verificável, base de ativos contratados e tecnologia já calibrada. A pergunta que o setor precisa começar a responder O setor solar e o setor de GD no Brasil têm falado extensivamente sobre o valor do kilowatt-hora gerado. É uma conversa necessária, mas cada vez mais incompleta. O próximo salto de valor não está no kilowatt-hora. Está no kilowatt que pode ser acionado, adiado, deslocado ou suprimido em resposta a um sinal da rede, com confiabilidade suficiente para ser contratado com antecedência. Isso não é arbitragem de energia. É serviço de infraestrutura. E infraestrutura, quando confiável e verificável, comanda uma precificação completamente diferente da commodity energética. A pergunta relevante para qualquer comercializadora, integradora ou gestora de ativos no setor é direta: você está construindo a capacidade de vender flexibilidade ou apenas energia? Porque quando o mercado formal existir, essa distinção vai separar quem capturou o próximo ciclo de valor de quem chegou tarde. Marcelo Figueiredo CEO da Iquira Energy Innovation Nota do autor: referências regulatórias neste artigo baseiam-se na Lei 15.269/2025 e na Agenda Regulatória ANEEL 2026-2027, publicada em dezembro de 2025. O arcabouço para serviços de flexibilidade na distribuição permanece em elaboração — afirmações sobre o estado regulatório devem ser verificadas à luz de publicações mais recentes da ANEEL. Flexibilidade como Serviço: o próximo modelo de negócio que o setor elétrico brasileiro ainda não nomeou

  • Factorenergia e Path Investimentos criam comercializadora para atuar no mercado livre de energia no Brasil

    • A multinacional espanhola aposta na democratização do mercado de energia, na tecnologia e na geração renovável para crescer no país e competir com as comercializadoras tradicionais. • A operação reforça a presença internacional da Factorenergia, que já atua em mercados como México, Chile e Portugal, após a entrada da SmartestEnergy em sua estrutura acionária, empresa de referência que integra o grupo Marubeni Corporation. Brasil, 11 de junho de 2026 — A multinacional espanhola Factorenergia, a primeira comercializadora independente de energia da Espanha e uma das maiores da Europa, criou uma comercializadora de energia no Brasil em sociedade com a Path Investimentos, aproveitando sua trajetória de mais de 26 anos em mercados maduros e altamente competitivos. Com forte presença nos segmentos varejista residencial e empresarial na Europa, a companhia, sediada em Barcelona, chega ao país com uma estratégia ambiciosa para aproveitar a abertura do mercado livre de energia. O foco estará nas pequenas e médias empresas (PMEs) e, futuramente, nos consumidores residenciais, segmentos que deverão liderar o crescimento do setor nos próximos anos, sem deixar de competir também no mercado atacadista de grandes consumidores. A proposta consiste em replicar no Brasil um modelo já consolidado na Europa, baseado em eficiência operacional, inovação e relacionamento próximo com o cliente. Essa abordagem permitiu à Factorenergia consolidar-se como uma das principais comercializadoras independentes de energia, com faturamento superior a 600 milhões de euros e mais de 300 mil clientes em 2025. Estratégia integrada e visão de longo prazo A estratégia da companhia baseia-se na construção de um ecossistema integrado de soluções, posicionando a empresa como uma plataforma completa (one stop shop). Seu portfólio integra atacado, varejo, BESS, GD, eficiência energética e gestão de energia, oferecendo uma experiência unificada ao longo de toda a cadeia de valor. No mercado de gás, a Factorenergia também traz experiência internacional. Com sede na Espanha, a companhia opera ainda em outros mercados internacionais, como Portugal, México e Chile. No Brasil, a empresa acompanha de perto a evolução regulatória, preparando-se para atuar em um ambiente mais competitivo e maduro. Brasil, mercado-chave para a nova etapa de expansão internacional A entrada no Brasil ocorre em um momento estratégico para a companhia e marca o início de uma nova fase de crescimento e expansão internacional. Recentemente, a SmartestEnergy, empresa integrante do conglomerado japonês Marubeni Corporation, adquiriu 85% do capital da companhia. Essa aliança reforça a estratégia de internacionalização da Factorenergia, com foco especial na América Latina e, particularmente, no Brasil como mercado-chave. A Factorenergia chega ao Brasil com um posicionamento diferenciado em relação a boa parte das comercializadoras do mercado: um modelo baseado na previsibilidade e relacionamento de longo prazo com os clientes, evitando estratégias ligadas à trading direcional e priorizando a segurança contratual e o crescimento sustentável, posicionamento que a empresa define como “na contramão do mercado”. A chegada da Factorenergia impulsionará a abertura gradual do mercado para consumidores de menor porte e ampliará significativamente o setor, permitindo que milhões de empresas e, futuramente, consumidores residenciais, possam escolher livremente seus fornecedores de energia. “O Brasil é hoje um dos mercados mais promissores do mundo no setor de energia, com um claro processo de abertura e crescimento do varejo de energia. Chegamos trazendo experiência internacional e tecnologia proprietária de ponta”, afirma Emilio Rousaud, CEO da Factorenergia Espanha (foto). “Contamos com uma trajetória consolidada na Europa e na América Latina e chegamos com uma estrutura sólida, investidores globais e um portfólio completo de soluções”, acrescenta. "A Factorenergia Brasil nasce com o objetivo de aproximar o mercado livre de energia das empresas brasileiras por meio de uma proposta baseada na confiança, na transparência e na proximidade com o cliente. Nosso objetivo é contribuir com esse avanço, combinando a experiência internacional da Factorenergia Espanha com o profundo conhecimento local e o know-how da Path Investimentos, bem como sua comprovada capacidade de execução, para oferecer soluções customizadas e adaptadas à realidade de cada consumidor. Queremos ser um parceiro estratégico para todos os players que buscam eficiência, competitividade e previsibilidade independentemente do tamanho", destaca Gabriel Barreto, COO da Factorenergia Brasil (foto). Amplo portfólio de soluções energéticas e estrutura local A Factorenergia chega ao Brasil com uma oferta abrangente de soluções energéticas que inclui a comercialização de energia elétrica e gás natural, gestão energética para consumidores, eficiência energética e operações estruturadas. A proposta combina competitividade, segurança energética e sustentabilidade, em linha com a crescente demanda por soluções voltadas à descarbonização e à transição energética. Inicialmente, a operação brasileira contará com escritórios em São Paulo, Recife e Goiânia. No Brasil, a empresa atuará em conjunto com a Path Investimentos,companhia com sólida experiência nos setores de energia e infraestrutura. A Path possui experiência em mais de 2 GW de projetos de energia renovável desenvolvidos, mais de 300 MW já construídos, gestão de mais de 500 unidades consumidoras e comercialização anual superior a 1,5 GWm de energia ao longo de sua trajetória. Sobre a Factorenergia A Factorenergia é uma das principais comercializadoras independentes de eletricidade e gás da Espanha e faz parte do grupo energético SmartestEnergy, respaldado pela Marubeni Corporation. Fundada em 1999, foi a primeira companhia independente a operar no mercado elétrico liberalizado do país. Atualmente, a empresa atende mais de 300 mil clientes, entre residências e empresas, oferecendo soluções energéticas eficientes, transparentes e sustentáveis. Com operações na Espanha e subsidiárias no México, Portugal, Chile e Brasil, a Factorenergia combina 26 anos de experiência com um forte compromisso com a inovação tecnológica e a transição energética. A companhia conta com mais de 400 profissionais e gera receitas anuais superiores a 600 milhões de euros. Factorenergia e Path Investimentos criam comercializadora para atuar no mercado livre de energia no Brasil

  • 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber

    Episódio 39 – O que fazer se o sistema de energia solar parar de funcionar? 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber Mesmo sendo confiável, nenhum sistema está totalmente livre de falhas. Quando a geração cai drasticamente ou para de vez, surge a dúvida: o que fazer primeiro? Neste episódio, o EnergyChannel apresenta um passo a passo claro para identificar problemas e agir corretamente. 📉 Identifique o problema pelo monitoramento O primeiro sinal costuma aparecer no aplicativo ou portal do sistema: Geração zerada ou muito baixa Alertas do inversor Dados inconsistentes O monitoramento é a principal ferramenta do consumidor. 🔌 Verifique o inversor O inversor costuma indicar falhas por meio de: Luzes de alerta Mensagens no display Notificações no aplicativo Muitas vezes, o problema é temporário. ⚡ Confira o fornecimento da rede Em sistemas conectados à rede: Quedas de energia desligam o sistema automaticamente Após o retorno da rede, o sistema pode demorar alguns minutos para religar Isso é normal e não indica defeito. 🔍 Avaliação visual básica Sem subir no telhado, observe: Cabos soltos visíveis Inversor desligado Disjuntores acionados Nunca mexa em componentes energizados. 📞 Acione a empresa instaladora Se o problema persistir: Entre em contato com a empresa Informe os alertas e códigos de erro Solicite suporte técnico Empresas confiáveis oferecem pós-venda. 🛠️ Garantias em vigor Verifique: Garantia do inversor Garantia dos painéis Contrato de instalação Muitos problemas são cobertos. ⚠️ Evite soluções improvisadas Nunca: Desmonte equipamentos Reconfigure o inversor sem orientação Contrate técnicos não especializados Isso pode agravar o problema e anular garantias. 🧭 Informação reduz prejuízos Agir corretamente e rapidamente evita perda de geração e danos maiores. No próximo episódio, o EnergyChannel explica: 👉 Seguro para energia solar: vale a pena contratar? 📌 Série Especial EnergyChannel Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa SaberConteúdo claro para ajudar o consumidor a lidar com imprevistos sem pânico. 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber

  • Missão à China abre caminho para fábrica de células de bateria na América do Sul

    INOVAÇÃO ENERGÉTICA Grupo liderado por Merivaldo Britto levou empresários brasileiros ao início da cadeia produtiva do lítio e avançou em negociações para instalação de unidade industrial no continente Mais do que conhecer fabricantes de baterias, um grupo de 15 empresários brasileiros teve acesso a uma etapa raramente visitada por delegações internacionais: a produção das células de lítio, componente considerado o coração dos sistemas de armazenamento de energia. A experiência ocorreu durante missão técnica à China liderada por Merivaldo Britto, fundador da plataforma Tudo de Energia, e pode representar um passo importante para a atração de novos investimentos para a América do Sul. A agenda, realizada entre os dias 30 de maio e 7 de junho, incluiu visitas a instalações industriais de alta tecnologia e participação na SNEC, maior feira de energia solar do mundo. O diferencial da missão, segundo Britto, foi levar os empresários para conhecer a origem da cadeia produtiva das baterias, etapa que normalmente não faz parte dos roteiros técnicos internacionais. Enquanto grande parte do mercado concentra atenção nos fabricantes que montam os sistemas de armazenamento para aplicações residenciais, comerciais, industriais e do agronegócio, a missão chegou às fábricas responsáveis pela produção das células de lítio utilizadas por esses fabricantes. “Falamos muito sobre baterias, mas poucos conhecem onde tudo começa. Conseguimos levar empresários brasileiros para conhecer uma das etapas mais estratégicas da indústria global de armazenamento de energia, que é justamente a fabricação das células que dão origem às baterias utilizadas em diversos setores da economia”, destacou Merivaldo Britto. Durante a viagem, também foi firmado um Memorando de Entendimento (MOU) com a Navion, empresa especializada em soluções de armazenamento energético. O acordo prevê estudos e articulações voltados à instalação de uma fábrica de células de lítio na América do Sul. Embora as negociações ainda estejam em fase inicial, Britto revelou que duas localidades despontam como candidatas a receber o empreendimento: o Paraguai e a região de Manaus (AM). A iniciativa é considerada estratégica diante do crescimento da demanda por sistemas de armazenamento de energia impulsionados pela expansão da geração solar, da mobilidade elétrica e da eletrificação de processos industriais e do agronegócio. Além das discussões sobre a futura unidade industrial, a missão também abriu espaço para a construção de parcerias voltadas à introdução de novas tecnologias no mercado brasileiro. Segundo Britto, os contatos realizados durante a viagem devem resultar em projetos voltados aos segmentos residencial, comercial, industrial e agrícola, ampliando o acesso do país a soluções de armazenamento energético já consolidadas no mercado internacional. “Estamos trabalhando em um projeto inovador para a América do Sul. Mais do que uma oportunidade de negócio, é uma missão de vida e um propósito dentro do setor energético. Ter a confiança de parceiros internacionais para construir algo inédito nessa área é uma grande responsabilidade”, afirmou. Missão à China abre caminho para fábrica de células de bateria na América do Sul

  • Trael recebe Prêmio Cativar por apoio a projeto que atende mais de 700 famílias

    RESPONSABILIDADE SOCIAL Trael recebe Prêmio Cativar por apoio a projeto que atende mais de 700 famílias Reconhecimento destaca parceria da empresa com as Obras Sociais Seara de Luz, responsável pelo projeto Panetone do Bem, que completa 11 anos transformando solidariedade em assistência social. O compromisso com o desenvolvimento humano, valor presente na trajetória da Trael Transformadores, ganhou mais um reconhecimento em junho. A empresa foi uma das homenageadas com o 7ª Prêmio Cativar, iniciativa das Obras Sociais Seara de Luz que celebra organizações e instituições parceiras responsáveis por contribuir para a manutenção de projetos sociais voltados ao atendimento de famílias em situação de vulnerabilidade. A entrega foi realizada durante visita da juíza Maria Rosi de Meira Borba, integrante da Seara de Luz e uma das idealizadoras do projeto Panetone do Bem. O reconhecimento foi recebido pelo presidente da Trael, Marinaldo Ferreira dos Santos, parceiro da iniciativa desde os primeiros anos da campanha. “O reconhecimento simboliza mais do que uma homenagem institucional. Representa a valorização de uma parceria construída ao longo dos anos em torno de um propósito comum: investir em pessoas e contribuir para a construção de uma sociedade mais solidária”, disse Marinaldo. Nesta sétima edição, a entidade optou por levar as homenagens diretamente às empresas apoiadoras, fortalecendo vínculos e valorizando aqueles que ajudam a manter viva uma rede de solidariedade que impacta centenas de famílias em Cuiabá. O principal motor dessa transformação é o Panetone do Bem. Criado em 2014, o projeto surgiu da necessidade de garantir recursos para dar continuidade às ações sociais desenvolvidas pela instituição. O que começou com a produção de quatro mil unidades se transformou em uma das maiores campanhas solidárias do estado, com previsão de produzir cerca de 35 mil panetones em 2025. Segundo a juíza Maria Rosi, a iniciativa nasceu em um momento desafiador, quando era necessário encontrar uma forma sustentável de manter os atendimentos prestados pela instituição. “Começamos com quatro mil unidades e hoje estamos planejando produzir 35 mil panetones. É um projeto que nasceu da necessidade, mas que cresceu graças ao apoio de pessoas e empresas que acreditam na solidariedade como ferramenta de transformação”, destacou. Atualmente, os recursos arrecadados ajudam a manter o atendimento de mais de 700 famílias em situação de vulnerabilidade social em bairros como Colina Verde, Liberdade, São João Del Rey, Osmar Cabral, Fortaleza, Novo Milênio e Santa Laura. Fundada oficialmente em 2018, a Obras Sociais Seara de Luz mantém uma ampla estrutura de atendimento em Cuiabá, incluindo espaços para acolhimento de crianças, adolescentes, gestantes, idosos, oficinas de capacitação, atividades esportivas e culturais, além da Vila de Luz, projeto que oferece moradia permanente para idosos em situação de vulnerabilidade. As Obras Sociais derivaram-se da Seara Espírita de Luz, fundada em 18 de maio de 2000. Trael recebe Prêmio Cativar por apoio a projeto que atende mais de 700 famílias

  • EL NIÑO NÃO É UM DESTINO, MAS UM DESAFIO DE CÁLCULO: POR QUE A GESTÃO DA INCERTEZA GANHA CADA VEZ MAIS IMPORTÂNCIA NO SETOR ELÉTRICO

    Nos últimos meses, o possível retorno do El Niño voltou a ocupar o centro das discussões no setor elétrico brasileiro. EL NIÑO NÃO É UM DESTINO, MAS UM DESAFIO DE CÁLCULO: POR QUE A GESTÃO DA INCERTEZA GANHA CADA VEZ MAIS IMPORTÂNCIA NO SETOR ELÉTRICO Historicamente, esse fenômeno está associado ao aumento do risco hidrológico, especialmente quando coincide com temperaturas acima da média e redução das chuvas em bacias estratégicas para o Sistema Interligado Nacional (SIN). A preocupação é legítima e o cenário exige monitoramento rigoroso. No entanto, existe um erro metodológico recorrente que o mercado precisa evitar: transformar uma tendência climática em uma previsão fatalista de crise energética. A principal lição que as últimas décadas deixaram ao setor é que o comportamento do sistema elétrico não pode ser explicado por uma única variável climática. O desafio contemporâneo não está em prever exatamente o que acontecerá com o clima, mas em construir estratégias operacionais e econômicas capazes de responder adequadamente a diferentes cenários possíveis. O EL NIÑO AUMENTA O RISCO Os principais centros globais de previsão climática, como o NOAA e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), indicam uma alta probabilidade de consolidação do El Niño para o segundo semestre de 2026. Na ciência meteorológica, isso significa que a atmosfera tem uma inclinação estatística a se comportar de determinada maneira, mas não representa uma certeza absoluta. A atmosfera opera em um sistema complexo e o El Niño não joga sozinho. O regime de chuvas que abastece as hidrelétricas depende de uma coreografia de múltiplos fatores: O Atlântico Tropical: O aquecimento ou resfriamento deste oceano frequentemente dita a trajetória das frentes frias de forma muito mais direta sobre o Sudeste e Nordeste do que o Pacífico isoladamente. A Oscilação Madden-Julian (MJM): Uma onda de escala intrassazonal que atua como um "gatilho" atmosférico. Se estiver em fase favorável, ela pode romper temporariamente o bloqueio do El Niño e despejar volumes massivos de chuva em questão de duas semanas, alterando completamente o balanço do mês. Prever o nível exato dos reservatórios com muitos meses de antecedência ignora a complexidade do sistema climático brasileiro. Eventos classificados sob a mesma intensidade de El Niño já produziram respostas hidrológicas bastante distintas entre regiões e bacias. Por isso, mais importante do que buscar certezas é compreender a amplitude dos riscos envolvidos. RESERVATÓRIOS NÃO SÃO APENAS "CAIXAS D'ÁGUA” Uma das interpretações mais simplistas do mercado é resumir a segurança energética do país a um percentual médio de armazenamento dos reservatórios. Para a engenharia de sistemas, dois cenários com exatamente os mesmos 70% de armazenamento podem significar realidades operativas e financeiras completamente opostas. O indicador soberano para o planejamento é a Energia Armazenada Equivalente (EAR). A EAR não mede apenas o volume bruto de água, mas a sua capacidade efetiva de produzir energia com base na topologia da rede hidráulica: LOCALIZAÇÃO DA ÁGUA DINÂMICA HIDRÁULICA VALOR ESTRATÉGICO Usinas na Cabeceira (Ex: Rio Grande ou Paranaíba) A água desce em cascata, gerando energia repetidas vezes em dezenas de usinas localizadas rio abaixo. Altíssima Produtividade e Resiliência Usinas na Foz / Baixo Trecho (Usinas a fio d'água) O fluxo é de uso imediato. Sem capacidade de acumulação, a água precisa ser turbinada na hora. Baixa Flexibilidade Estratégica Uma mesma quantidade de água armazenada nas cabeceiras dos grandes sistemas hidráulicos pode possuir valor energético significativamente superior àquela localizada em trechos de menor capacidade de regularização. Por isso, a localização da água armazenada é tão importante quanto o volume total disponível. Por isso, o impacto do El Niño depende de onde a chuva vai falhar. O primeiro efeito de uma hidrologia desfavorável não é o risco de desabastecimento (apagão), mas o custo financeiro de acionar termelétricas preventivas para preservar a água estratégica das cabeceiras. O "PATO" NA SALA: O DESAFIO MIGROU DA ENERGIA PARA A POTÊNCIA Enquanto o debate público se concentra nos níveis dos reservatórios, uma transformação estrutural silenciosa mudou a operação do Sistema Interligado Nacional: a expansão acelerada da geração solar. Essa nova realidade trouxe ao Brasil a chamada "Curva do Pato". Entre, aproximadamente, 10h e 14h, o país dispõe de energia solar abundante e de baixo custo. O desafio surge no final da tarde, quando a geração fotovoltaica cai rapidamente ao mesmo tempo em que a demanda aumenta. Em determinados dias, o sistema precisa substituir cerca de 10 GW por hora de geração solar, exigindo uma resposta rápida das demais fontes. Esse não é um problema de energia no acumulado do ano, mas de potência, flexibilidade e capacidade de resposta operacional. É nesse momento que hidrelétricas, termelétricas e intercâmbios regionais assumem papel estratégico para garantir a segurança do sistema. Curiosamente, a Curva do Pato e o crescimento do curtailment refletem a mesma transformação: o desafio do setor deixou de ser apenas produzir energia e passou a ser administrar sua disponibilidade no momento certo. CURTAILMENT: O PARADOXO DA ABUNDÂNCIA COMO SINAL DE MERCADO Pela primeira vez em sua história, o Brasil convive simultaneamente com o risco hidrológico e o excesso de geração renovável em determinados horários do dia. Esse fenômeno gera o curtailment cortes compulsórios da geração eólica e solar determinados pelo ONS por restrições de transmissão ou falta de carga. Em vez de ser visto puramente como desperdício ou erro de planejamento, o curtailment recorrente poderia funcionar como um valioso sinal econômico de mercado. Ele avisa aos investidores que existe energia abundante e quase gratuita disponível em horários específicos, mas faltam mecanismos para armazená-la ou consumi-la no local. Essa dinâmica é o motor que viabilizará novas tecnologias e negócios no país: Sistemas de Armazenamento por Baterias (BESS): Para absorver a sobra solar diurna e injetá-la na rampa da noite; Atração de Cargas Tecnológicas: Como grandes data centers de Inteligência Artificial A FORÇA DA COMPLEMENTARIDADE E O PORTFÓLIO CLIMÁTICO Avaliar o setor sob um prisma exclusivamente pessimista faz o mercado esquecer a complementaridade da nossa matriz energética. O Brasil possui um verdadeiro portfólio de ativos climáticos: vento, chuva e sol raramente falham ao mesmo tempo e na mesma direção. Historicamente, enquanto o El Niño impõe restrições de vazão na bacia do Rio São Francisco ou no Sudeste, ele costuma desencadear dois gatilhos de compensação: Anomalias positivas de precipitação na Região Sul, aumentando as afluências e o potencial de geração hidrelétrica local. Contudo, eventos extremos de chuva também podem elevar riscos operacionais, provocar vertimentos, comprometer infraestruturas e gerar impactos relevantes sobre a transmissão e a operação do sistema. Intensificação dos ventos de superfície em partes do Nordeste, elevando o potencial de geração eólica. Contudo, a efetiva captura desse benefício dependerá das condições de transmissão e da capacidade do sistema de absorver a energia adicional produzida. Essa complementaridade entre fontes e regiões é uma das maiores fortalezas da matriz elétrica brasileira. Embora não elimine os riscos climáticos, ela reduz significativamente a vulnerabilidade do sistema a eventos extremos concentrados em uma única região ou tecnologia. PLANEJAR O IMPREVISÍVEL: A NOVA FRONTEIRA DO SETOR ELÉTRICO Costumo acompanhar os trabalhos recentes do professor Alexandre Street que ajudam a qualificar e elevar o nível desse debate. A ciência moderna demonstra que o planejamento do setor elétrico não pode tratar o sistema de forma estática ou focar apenas no cenário médio do passado. Pesquisas do grupo evidenciam que o maior risco operacional muitas vezes decorre de vieses otimistas nas previsões de afluências nos modelos computacionais oficiais (NEWAVE e DECOMP). Quando os modelos assumem uma convergência forçada para a média histórica que não se realiza na física real, as decisões de despacho térmico preventivo atrasam. Quando o erro é percebido, a flexibilidade hidráulica já foi exaurida, forçando um acionamento emergencial de alto custo. A mensagem técnica da academia é clara e serve como norte para o regulador e para os consumidores: a robustez deve ser o ingrediente central da programação da geração. Não basta planejar para a média; é preciso modelar os riscos de cauda (cenários adversos extremos). Esse é o ponto de O IMPACTO FINANCEIRO NO MERCADO DE ENERGIA Para diretores financeiros, gestores de suprimentos e consumidores do Mercado Livre de Energia, a volatilidade climática e as mudanças na operação do ONS exigem uma mudança estratégica de postura. No setor elétrico, o impacto econômico começa muito antes do impacto físico. A simples expectativa de um segundo semestre mais seco altera o comportamento de comercializadores e geradores, elevando os preços dos contratos de longo prazo (curva para frente) devido à aversão ao risco, mesmo com os reservatórios cheios no presente. O risco associado ao El Niño em 2026 é real e pede o monitoramento constante da EAR, da Energia Natural Afluente (ENA) e do despacho térmico de rampa. Contudo, o pânico que inflaciona o mercado de curto prazo é injustificado. O Brasil possui uma das matrizes mais resilientes do planeta. O sucesso na gestão de custos energéticos não dependerá de adivinhar o clima de amanhã, mas sim da inteligência em precificar a flexibilidade, estruturar contratos robustos e tratar o risco climático como a variável soberana do século XXI. Fontes: ONS, CCEE, EPE, MME, ANA, INMET, OMM/WMO, NOAA Climate Prediction Center e artigos do Prof. Alexandre Street. EL NIÑO NÃO É UM DESTINO, MAS UM DESAFIO DE CÁLCULO: POR QUE A GESTÃO DA INCERTEZA GANHA CADA VEZ MAIS IMPORTÂNCIA NO SETOR ELÉTRICO

  • BATERIAS, CAPACIDADE E FLEXIBILIDADE: A DECISÃO DA ANEEL QUE REDEFINE O PAPEL DO ARMAZENAMENTO NO SETOR ELÉTRICO

    A aprovação do marco regulatório para sistemas de armazenamento de energia pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ocorrida em 2 de junho de 2026, consolida-se como um movimento de grande relevância na governança setorial brasileira. Muito além de chancelar a inserção física de baterias no Sistema Interligado Nacional (SIN), a decisão estabelece parte das bases de segurança jurídica necessárias para destravar o mercado e dialoga diretamente com a preparação do primeiro Leilão de Reserva de Capacidade por Armazenamento do país. A importância da medida é acentuada pelo atual momento de transformação da matriz nacional: à medida que o Brasil se prepara para absorver novas e robustas cargas eletrointensivas como centros de dados voltados à inteligência artificial e infraestruturas de eletromobilidade, a flexibilidade e a resiliência da rede deixam de ser metas secundárias e passam a ser pré-requisitos operacionais. Ao encerrar um longo período de debates sob a Consulta Pública nº 39/2023, que contou com 652 contribuições de 70 participantes, a agência não apenas normatizou um novo ativo elétrico, mas iniciou uma transição estrutural. A partir deste marco, o modelo regulatório brasileiro afasta-se de uma visão focada estritamente no suprimento energético e passa a criar as bases regulatórias para que atributos como potência, flexibilidade sistêmica e confiabilidade possam ser reconhecidos e, futuramente, remunerados de forma mais adequada. O ESGOTAMENTO DO MODELO BASEADO APENAS EM ENERGIA Durante décadas, o sistema elétrico brasileiro foi sustentado por uma característica singular: a predominância das hidrelétricas com grandes reservatórios. Esses ativos não apenas geravam energia, mas também forneciam armazenamento, reserva operativa, controle de potência e flexibilidade para acomodar variações da demanda. O debate sobre a modernização desse arranjo ganhou força com a Lei nº 15.269/2025 (originada da conversão da Medida Provisória nº 1.304/2025), que trouxe diretrizes fundamentais e reconheceu o armazenamento como elemento estratégico para a expansão e a segurança do sistema elétrico. A expansão acelerada das fontes solar e eólica alterou a equação tradicional. O Brasil passou a incorporar grandes volumes de geração de baixo custo e baixas emissões, mas também aumentou sua dependência de recursos capazes de compensar a variabilidade dessas fontes. O resultado é um fenômeno cada vez mais frequente: há energia disponível no sistema, mas nem sempre há capacidade para utilizá-la no local e no momento em que ela é produzida. Essa realidade ficou evidente com o crescimento dos eventos de restrição de escoamento da geração — o corte forçado da produção renovável —, fartamente documentado em relatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), observados principalmente na região Nordeste. Ali, restrições elétricas e operativas levaram ao desligamento parcial de usinas mesmo em momentos de elevada disponibilidade de vento e sol. Soma-se a isso um cenário complexo nas pontas do sistema: o excesso de geração na distribuição e a incapacidade de absorção na alta tensão exigem uma reforma regulatória profunda, e não apenas a inserção de mais geradores centralizados. O problema, portanto, deixou de ser apenas gerar energia. O desafio agora é garantir flexibilidade para utilizá-la adequadamente. O QUE A ANEEL EFETIVAMENTE APROVOU O aspecto mais inovador da decisão não está relacionado à tecnologia das baterias, mas ao tratamento regulatório dado a elas. A diretoria da ANEEL reconheceu que determinados sistemas de armazenamento podem atuar como ativos de interesse sistêmico quando submetidos ao despacho integral do ONS. Nesses casos, para sistemas autônomos que operem sob essa condição, os empreendimentos poderão celebrar Contrato de Uso do Sistema de Transmissão (CUST) com Montante de Uso do Sistema de Transmissão de Carga (MUST-C) igual a zero e Montante de Uso do Sistema de Transmissão de Geração (MUST-G) correspondente à energia posteriormente injetada. O princípio adotado é relativamente simples: a energia armazenada não está sendo consumida de forma definitiva; ela apenas é deslocada no tempo. Entra na bateria em um momento e retorna ao sistema em outro. Por essa razão, a ANEEL concluiu que cobrar pelo uso da rede tanto no carregamento quanto na posterior devolução dessa mesma energia poderia representar uma dupla tarifação de um mesmo fluxo energético. RESSALVAS IMPORTANTES DA NORMA É importante destacar, contudo, que a decisão não criou uma isenção generalizada de tarifas de uso da rede para sistemas de armazenamento. No carregamento: A cobrança associada ao carregamento foi afastada apenas para os empreendimentos submetidos ao despacho integral do ONS. Na injeção: A utilização da infraestrutura elétrica na etapa de injeção continua sujeita às regras de acesso aplicáveis a cada modalidade de conexão. Essa distinção é particularmente relevante para empreendimentos conectados em Rede Básica, Demais Instalações de Transmissão (DITs) ou sistemas de distribuição. Para essas modalidades, as regras específicas e os tratamentos tarifários detalhados ainda deverão ser formalizados nos Procedimentos de Rede pelo ONS, que terá prazos específicos para apresentar essas adequações e publicar mapas indicativos dos melhores pontos de conexão do sistema. O VOTO VENCEDOR E A DISTINÇÃO ENTRE ATIVO DE SISTEMA E ATIVO COMERCIAL O ponto central do voto vencedor da diretoria da ANEEL, liderado pelo diretor Willamy Frota, foi criar uma separação regulatória clara entre dois modelos distintos de armazenamento, conforme sintetizado abaixo: ATRIBUTO ATIVO DE SISTEMA (RECURSO DE REDE) ATIVO COMERCIAL (PRIVADO) OPERAÇÃO Sob coordenação e despacho integral do ONS. Operado livremente pelos agentes privados. FINALIDADE Atender necessidades de segurança, confiabilidade e flexibilidade da rede. Arbitragem de preços, deslocamento de energia ou estratégias de mercado. TRATAMENTO NO CARREGAMENTO Diferenciado (afastamento da contratação/cobrança associada à carga, nos casos submetidos ao despacho integral do ONS). Sujeito à contratação convencional e regras comerciais padrão. Essa diferenciação aproxima o Brasil de experiências internacionais que vêm reconhecendo que recursos de armazenamento podem exercer funções distintas dentro do sistema elétrico e, portanto, não devem receber o mesmo tratamento tarifário. De um lado, busca-se proteger a estabilidade da rede; de outro, entidades do setor, como a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), apontam que a manutenção da dupla cobrança sobre os sistemas de atuação livre pode encarecer aplicações autônomas e limitar mercados importantes, como o de arbitragem de preços. A DISCUSSÃO SOBRE CAPACIDADE COMEÇA A CHEGAR AO BRASIL A regulamentação das baterias ocorre em paralelo a outro debate estratégico conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME): as diretrizes para a contratação de potência e reserva de capacidade por armazenamento. A mudança é significativa porque desloca o foco da discussão da energia para a disponibilidade. O produto pretendido nos certames deixa de ser apenas a quantidade de energia gerada (MWh) e passa a focar na contratação de potência em megawatt (MW) disponível para atender à demanda em momentos críticos. Essa discussão não é nova. Nos Estados Unidos, diversos operadores independentes já utilizam mecanismos de capacidade para garantir a chamada Adequação de Recursos. Em linhas gerais, conforme conceitos difundidos por instituições como o Electric Power Research Institute (EPRI), a Adequação de Recursos corresponde à avaliação da suficiência dos recursos existentes e planejados para atender à demanda futura de energia e potência de um sistema elétrico. Nesse contexto surge outro conceito fundamental: o Crédito de Capacidade. Um megawatt de potência solar não possui necessariamente o mesmo valor para a confiabilidade do sistema que um megawatt de uma usina térmica, nuclear ou de um sistema de armazenamento. Por essa razão, os mercados internacionais normalmente utilizam métricas específicas para estimar quanto cada tecnologia efetivamente contribui para a segurança do suprimento. O DESAFIO BRASILEIRO: FOCO NA NECESSIDADE SISTÊMICA E OS TRÊS FUTUROS EM JOGO Essa experiência internacional traz uma reflexão importante para o debate nacional. Nos últimos meses surgiram críticas relacionadas às tecnologias elegíveis para os leilões brasileiros, aos volumes contratados e aos preços esperados. Entretanto, qualquer avaliação técnica sobre esses parâmetros depende da compreensão da métrica de adequação de recursos utilizada no desenho do certame. A pergunta central não deveria ser apenas qual fonte será contratada, mas qual necessidade sistêmica se pretende atender. Reserva de potência, controle de frequência, resposta rápida, armazenamento, geração despachável e serviços ancilares são atributos distintos e exigem metodologias próprias de avaliação. Alargar essa visão é urgente. O armazenamento não deve ser pensado apenas para os grandes projetos centralizados, mas surge também como uma forte tendência de empoderamento por trás do medidor. Abre-se aqui um potencial de mercado singular para os grandes consumidores comerciais e industriais através da autoprodução de energia (APE) por locação de ativos. Embora o atual marco regulatório centralize seus benefícios tarifários nos ativos despachados pelo ONS, a evolução tecnológica sinaliza que combinar modelos de locação de usinas com sistemas de baterias integrados poderá, no futuro, permitir que o consumidor gerencie proativamente sua demanda de ponta e garanta segurança energética contra interrupções, sem a necessidade de investimentos pesados em capital próprio. O foco exclusivo em grandes leilões de capacidade centralizada corre o risco de retardar o desenvolvimento dessas soluções descentralizadas e postergar três futuros promissores: O potencial do consumidor e do autoprodutor: Aquele que, por meio de modelos comerciais eficientes de locação de ativos acoplados a baterias, busca aumentar sua confiabilidade interna, mitigar riscos de suprimento e reduzir custos operacionais; O desenvolvimento da geração distribuída (GD): Que pode evoluir de um desafio de fluxo para as distribuidoras para se tornar um ativo capilarizado de flexibilidade nas pontas do sistema; A construção de um mercado integrado: Com atacado e varejo conectados, onde mercados locais de flexibilidade nas distribuidoras auxiliem no equilíbrio entre custos, confiabilidade e utilização de rede nas últimas milhas antes do consumidor final. A decisão da ANEEL sobre armazenamento representa justamente o primeiro passo no reconhecimento regulatório dessa complexidade de atributos. UMA MUDANÇA DE PARADIGMA O setor elétrico brasileiro está entrando em uma nova fase. A expansão das renováveis continuará sendo fundamental para a transição energética, mas a discussão passa a incorporar novos elementos ligados à confiabilidade, flexibilidade e segurança operativa. As baterias são apenas a face mais visível dessa transformação. O verdadeiro debate não é sobre armazenamento de forma isolada. É sobre como criar sinalizações econômicas para remunerar os atributos necessários para manter a estabilidade de um sistema elétrico cada vez mais renovável, descentralizado e complexo. Nesse contexto, a regulamentação aprovada pela ANEEL será lembrada no futuro como o ponto de partida para a construção de um ambiente em que energia, potência, flexibilidade e confiabilidade deixem de ser tratados de forma unificada e passem a ter as bases para serem devidamente valorizados de maneira independente. BATERIAS, CAPACIDADE E FLEXIBILIDADE: A DECISÃO DA ANEEL QUE REDEFINE O PAPEL DO ARMAZENAMENTO NO SETOR ELÉTRICO

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