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- IA e Eficiência Energética: Quem precisa de quem?
IA e Eficiência Energética: Quem precisa de quem? Nos últimos dois anos, a Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para ocupar espaço definitivo nas discussões sobre produtividade, inovação e competitividade. Mas, quando falamos de eficiência energética, surge uma pergunta que merece reflexão: A Inteligência Artificial precisa da eficiência energética ou a eficiência energética precisa da Inteligência Artificial? Durante décadas, fizemos eficiência energética sem IA Muito antes do surgimento dos modelos generativos, algoritmos e agentes inteligentes, engenheiros já conseguiam reduzir consumos de energia utilizando princípios sólidos de engenharia. Auditorias energéticas, sistemas de gestão baseados na ISO 50001, Lean Energy, análise estatística, monitoramento de consumo, indicadores de desempenho, análise de demanda e melhoria de processos sempre produziram excelentes resultados. Existem inúmeros casos de sucesso obtendo reduções superiores a 10% sem qualquer investimento em novos equipamentos e, sem Inteligência Artificial. Isso mostra uma verdade importante: O desperdício raramente nasce da falta de tecnologia. Ele normalmente nasce da falta de gestão. Então a IA é dispensável? Definitivamente, não. O problema é que muitos estão tentando usar IA para substituir aquilo que ainda não foi estruturado. Não existe algoritmo capaz de interpretar corretamente dados inexistentes, sensores mal calibrados, medições incompletas ou processos operacionais desorganizados. A Inteligência Artificial não corrige uma gestão energética deficiente. Ela apenas automatiza suas consequências. Antes de falar em IA, é preciso responder perguntas muito mais básicas: Os dados são confiáveis? Existem indicadores energéticos bem definidos e alinhados ao negócio? Há uma linha de base (Baseline) consistente? Os processos energéticos são conhecidos? Existe cultura de melhoria contínua? Sem essas respostas, qualquer IA produzirá apenas respostas sofisticadas para problemas mal definidos. Afinal, a máxima da tecnologia continua implacável: se entra lixo, sai lixo (Garbage In, Garbage Out). Quando a IA realmente muda o jogo Dado que os fundamentos estejam estabelecidos, a Inteligência Artificial passa a exercer um papel extraordinário, prevendo desperdícios antes que eles ocorram. A aplicação de algoritmos avançados permite correlacionar variáveis termodinâmicas complexas em sistemas de climatização (HVAC) e refrigeração industrial, maximizando a EFICIÊNCIA EXERGÉTICA onde o olho humano só enxerga o consumo global. O engenheiro deixa de gastar tempo procurando o problema e passa a concentrar esforços na tomada de decisão. A eficiência energética também precisa da IA O crescimento da geração distribuída, armazenamento em baterias, veículos elétricos, tarifas horárias, mercados de flexibilidade, Smart Grids e sistemas conectados está tornando o setor energético extremamente complexo. Hoje, uma única instalação pode gerar milhares de pontos de dados por minuto. Nenhum especialista consegue acompanhar manualmente esse volume de informações, especialmente diante da necessidade de reagir em tempo real a sinais de preço e dinâmicas de tarifas horárias. É justamente nesse momento que a IA deixa de ser um diferencial e passa a ser uma ferramenta estratégica. Ela amplia a capacidade analítica dos profissionais e permite que decisões sejam tomadas em tempo muito menor. Mas existe um detalhe curioso A própria Inteligência Artificial tornou-se um dos maiores consumidores de energia do planeta. Treinar modelos de grande porte exige enormes quantidades de processamento computacional. Data centers destinados exclusivamente à IA já demandam centenas de megawatts de potência instalada. Ou seja, enquanto a IA ajuda a economizar energia em milhares de aplicações, ela também aumenta significativamente o consumo global de eletricidade e a pressão sobre as metas de descarbonização. Essa aparente contradição abre uma nova fronteira para a engenharia. A eficiência energética deixa de ser apenas uma forma de reduzir custos e passa a ser condição necessária e vital para viabilizar a própria expansão e a sustentabilidade econômica da Inteligência Artificial. O futuro pertence à integração Não estamos diante de uma disputa entre engenharia e Inteligência Artificial. Estamos diante de uma parceria. A engenharia continua sendo responsável por compreender os fenômenos físicos, interpretar os sistemas, definir indicadores e construir estratégias. A Inteligência Artificial amplia essa capacidade, acelerando análises, descobrindo padrões e apoiando decisões. Nenhuma substitui a outra. A melhor IA do mundo continua dependente de bons dados. E bons dados continuam dependendo de bons engenheiros. Conclusão A Inteligência Artificial precisa da eficiência energética para operar de forma sustentável, reduzir seu enorme consumo de energia e transformar dados em decisões confiáveis. A eficiência energética, no que lhe concerne, precisa da Inteligência Artificial para enfrentar a crescente complexidade dos sistemas modernos e ampliar sua capacidade de análise. Não há submissão entre elas, mas sim simbiose. No futuro do setor, a grande vencedora não será a tecnologia mais avançada, mas a engenharia que souber conectar esses dois mundos de forma estratégica. IA e Eficiência Energética: Quem precisa de quem?
- Tecnologia energética: Como a convergência entre dados, energia e automação está redesenhando a indústria na América Latina
Por Ricardo Honório, jornalista | EnergyChannel Tecnologia energética: Como a convergência entre dados, energia e automação está redesenhando a indústria na América Latina Em um cenário global marcado por pressões crescentes por eficiência, descarbonização e competitividade industrial, o conceito de “inteligência energética e industrial” emerge como um dos pilares estratégicos da transformação econômica contemporânea. Na América Latina, esse movimento ganha escala acelerada impulsionado pela digitalização, pela expansão das energias renováveis e pela necessidade urgente de modernizar sistemas produtivos. Nesse contexto, a Schneider Electric, líder global em tecnologia de energia, se posiciona como uma das protagonistas ao integrar eletrificação, automação e inteligência digital em uma única arquitetura tecnológica. Em entrevista exclusiva conduzida por Ricardo Honório, João Salgueiro, gerente sênior de eficiência energética para América Latina na SE Advisory Services, divisão global de consultoria da Schneider Electric, e Fabio Castellini, diretor de Power Systems da Schneider Electric, detalham como essa convergência está redefinindo o papel da energia nas residências, nos edifícios, nos data centers, na indústria, na infraestrutura e nas redes elétricas do futuro. Da infraestrutura ao software: a ascensão da inteligência energética “O futuro da sustentabilidade passa pela capacidade de transformar ativos físicos em sistemas definidos por software”, afirma João Salgueiro. No centro dessa transformação está o conceito de “tecnologia em energia”, que combina eletrificação, automação e a inteligência digital para criar ambientes operacionais mais eficientes, resilientes e flexíveis. EcoStruxure, a arquitetura digital da empresa, é o principal motor dessa mudança. Ele conecta três camadas da operação: os dispositivos inteligentes que capturam dados em campo, os sistemas de controle que monitoram e automatizam processos em tempo real e os softwares e serviços que transformam essas informações em insights para a tomada de decisão. Ao integrar dados de energia e de processos, o EcoStruxure cria uma visão unificada que abrange edifícios, centros de dados, indústrias e infraestrutura, permitindo a otimização energética em tempo real, maior confiabilidade dos ativos e estratégias aceleradas de descarbonização. Na prática, isso significa que gestores operacionais conseguem monitorar cada variável energética e industrial, identificar desvios instantaneamente e agir de forma preditiva reduzindo desperdícios e aumentando produtividade. “A inteligência energética e industrial permite coletar, analisar e agir com base em dados. Além de proporcionar ganhos em eficiência energética, ela propicia atuar em outras dimensões críticas da sustentabilidade, como na gestão hídrica e na redução da intensidade no uso de recursos e na geração de resíduos.”, explica Salgueiro. A incorporação de inteligência artificial especialmente modelos mais eficientes, conhecidos como IA frugal amplia ainda mais essa capacidade analítica, sem aumentar o impacto ambiental, permitindo decisões mais rápidas, seguras e estratégicas. Descarbonização além do hardware: uma transformação sistêmica Segundo Salgueiro, diminuir emissões operacionais exige uma abordagem muito mais ampla do que a simples substituição de equipamentos. A estratégia da companhia passa por uma análise sistêmica das operações industriais e comerciais dos clientes, combinando eficiência energética, eletrificação, otimização de processos e energias renováveis. Tecnologias como bombas de calor, sistemas avançados de controle industrial, automação para HVAC e compressores, além da eletrificação gradual de processos que antes dependiam de combustíveis fósseis, são exemplos de soluções usadas pela empresa nesse tipo de projeto. “O objetivo é estruturar a descarbonização das operações considerando recursos, obsolescência dos equipamentos e a curva de aprendizado, promovendo ganhos de eficiência antes de mudanças estruturais”, destaca. Nesse âmbito ganha destaque a aplicação de softwares e tecnologias industriais, como o Advanced Process Control (APC), ou Controle Avançado de Processos, que permite otimizar processos produtivos sem a necessidade de mudanças físicas estruturais. Esse tipo de solução é particularmente relevante para setores energo-intensivos, onde melhorias operacionais podem gerar impactos significativos em emissões e custos. “Com essa visão sistêmica, os clientes conseguem planejar melhor a descarbonização e direcionar os investimentos de modo mais estratégico, maximizando os resultados ambientais e financeiros no curto, médio e longo prazo”, afirma. Redes inteligentes e o desafio da energia descentralizada Já no campo das redes elétricas, Fabio Castellini destaca que a expansão da geração distribuída está transformando profundamente o setor energético. “O Brasil ultrapassou 40 GW de geração solar distribuída em 2025, enquanto a América Latina já supera 85 GW instalados”, afirma. Segundo ele, esse avanço exige redes mais inteligentes, flexíveis, resilientes e preparadas para sustentar a expansão das energias renováveis na região. A Schneider Electric responde a esse desafio com plataformas como EcoStruxure Grid ADMS e EcoStruxure Grid Analytics, que utilizam inteligência artificial para cruzar informações sobre clima, geração distribuída e consumo, permitindo antecipar instabilidades e executar ações preventivas. Tecnologias de automação integradas a sistemas SCADA possibilitam que a rede opere com uma lógica de “self-healing”, reconfigurando automaticamente circuitos, reduzindo falhas e restabelecendo o fornecimento com maior rapidez. Já o EcoStruxure DERMS permite coordenar milhares de ativos distribuídos, como painéis solares, baterias e programas de resposta à demanda, transformando consumidores em agentes ativos da rede e ajudando com o equilíbrio do sistema elétrico. O papel da mídia na democratização da transição energética Para Salgueiro, um dos grandes desafios da atualidade é tornar conceitos técnicos mais acessíveis ao público. “A democratização do conhecimento é essencial para ampliar o impacto positivo dessas tecnologias e acelerar a descarbonização”, afirma. A Schneider Electric investe em iniciativas educacionais e programas de acesso à energia, com o objetivo de fornecer eletricidade limpa e confiável a milhões de pessoas e, através da capacitação em gestão energética, prover a milhares de jovens uma oportunidade de inclusão e ascensão social. Até o final de 2025, o programa já havia garantido acesso a soluções de energia renovável para mais de 50 milhões de pessoas e capacitado mais de um milhão de outras em gestão energética. A empresa também apoia a disseminação de conhecimento técnico de forma aberta por meio da Schneider Electric University e do Schneider Sustainability Research Institute (Instituto de Pesquisa em Sustentabilidade da Schneider), que disponibilizam conteúdos técnicos, estudos e white papers de forma aberta e sem viés comercial. Segundo Salgueiro, o apoio a mídias independentes e produções documentais é fundamental nesse processo. “Quando grandes marcas apoiam conteúdos de impacto, ajudam a tornar temas complexos mais compreensíveis e ampliam o alcance das discussões.” Essa conexão entre tecnologia, comunicação e sociedade é vista como essencial para estimular mudanças culturais e comportamentais necessárias para acelerar a transição climática. O legado da nova era energética Para os próximos anos, Salgueiro destaca que o principal legado será a construção de uma transformação sustentável baseada em automação aberta, integração de sistemas e gestão inteligente dos recursos. “As tecnologias necessárias para promover a descarbonização já estão disponíveis. O desafio é implementá-las de forma estruturada, integrada e economicamente viável”, afirma. A estratégia passa por conectar ativos existentes, integrar diferentes sistemas e criar ambientes interoperáveis, evitando substituições desnecessárias e maximizando o valor da infraestrutura já instalada. Esse modelo permite integrar geração distribuída, armazenamento, microrredes e resposta à demanda em uma única arquitetura inteligente, ampliando a flexibilidade dos consumidores e acelerando a adoção de fontes renováveis. Nesse processo, a divisão global de consultoria da companhia, SE Advisory Services, desempenha papel central ao combinar profundo conhecimento especializado, tecnologia e uma capacidade de implementação global para transformar metas de sustentabilidade, energia e digitalização em resultados mensuráveis. Em um cenário de inúmeras tecnologias disponíveis, a SE Advisory Services ajuda os clientes a estabelecer uma rota clara, priorizando projetos de curto, médio e longo prazo, reduzindo riscos e maximizando o retorno dos investimentos em cada etapa. “Nosso objetivo é ajudar empresas a construir uma transformação duradoura, que combine eficiência operacional, competitividade e sustentabilidade”, conclui. Uma nova lógica para energia e indústria Em um momento em que a energia está se tornando um dos recursos mais importantes do mundo, a tecnologia em energia representa uma mudança estrutural na forma como energia é produzida, distribuída e consumida. Ao integrar dados, automação e eletrificação, empresas passam a operar com inteligência, previsibilidade e eficiência em níveis inéditos. Na América Latina, essa transformação pode representar não apenas ganhos ambientais, mas uma vantagem competitiva estratégica no cenário global. E, como destacam os executivos da Schneider Electric, o futuro já não depende de novas invenções mas da capacidade de integrar, escalar e aplicar tecnologias que já estão disponíveis. A revolução energética já começou. E ela é, acima de tudo, digital. Tecnologia energética: Como a convergência entre dados, energia e automação está redesenhando a indústria na América Latina
- O sangue da liberdade corre nas veias da história
O sangue da liberdade corre nas veias da história Estar em Brasília e compartilhar um almoço com o deputado Lafayette de Andrada foi mais do que uma experiência política: foi uma aula de ancestralidade. Ouvir de um descendente direto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, a trajetória de sua família no parlamento brasileiro é como abrir um livro vivo, escrito não apenas com palavras, mas com sangue e memória. A família Andrada, desde os primórdios do Brasil, carrega o peso e a responsabilidade de participar das decisões que moldaram e moldam o país. Lafayette, mineiro de origem e herdeiro de uma linhagem parlamentar que atravessa gerações do avô ao pai, e agora nele atua com firmeza na defesa da energia elétrica livre e democratizada. É impossível não perceber nesse compromisso o reflexo do espírito libertário de seus ancestrais. Se José Bonifácio lutava pela emancipação dos escravizados e pela construção de uma nação independente, Lafayette hoje se coloca na linha de frente pela emancipação energética, pela liberdade de acesso a um bem essencial. É como se a chama da liberdade tivesse se transformado em eletricidade, iluminando o caminho das gerações. Durante aquele almoço, percebi que me alimentava não apenas de comida, mas de conhecimento. Era como beber direto da fonte da história, ouvir de quem carrega no próprio sangue a experiência de séculos. E nesse mergulho, ficou claro como a comunicação ao longo da história foi tantas vezes deturpada, como documentos falsos e narrativas manipuladas tentaram reescrever o passado. O exemplo da suposta carta de Lynch, que nunca existiu, mas circula como se fosse real, mostra como a manipulação pode atravessar séculos. É por isso que precisamos sempre voltar às fontes, às figuras que realmente viveram e decidiram, como José Bonifácio. Bonifácio foi tutor de Dom Pedro II, educou Dom Pedro I e trouxe ao Brasil, junto da corte portuguesa, uma visão de futuro que se chocava com a realidade escravocrata da época. Seu espírito libertário não era apenas político, mas humano. Ele compreendia que a escravidão não era apenas uma injustiça moral, mas uma ferida que se perpetuaria por gerações. E de fato, as decisões tomadas lá atrás moldaram o destino dos descendentes dos escravizados, que até hoje carregam os efeitos da exclusão, da marginalização e da desigualdade. A escravidão não terminou com a Lei Áurea. Terminou no papel, mas deixou marcas profundas na sociedade brasileira. A ausência de políticas de integração, de reparação e de reconhecimento condenou milhões de libertos à pobreza e à invisibilidade. Essa herança pesa até hoje, justificando a necessidade de correções históricas e sociais. Não se trata de olhar para trás com rancor, mas de compreender que as responsabilidades são intergeracionais. O que foi negado aos ancestrais precisa ser reconhecido e corrigido para seus descendentes. Ao ouvir Lafayette, percebi que a ancestralidade não é apenas uma linha genealógica, mas uma linha de responsabilidade. José Bonifácio abriu caminhos, enfrentou escravocratas e plantou sementes de liberdade. A Princesa Isabel, influenciada por esse espírito, assinou a Lei Áurea mesmo contra a elite que a cercava. O Barão de Cotegipe, símbolo da resistência escravocrata, justificava a escravidão como necessária à economia e à ordem social, mas sua visão ficou registrada como a de quem tentou frear o inevitável. Hoje, nomes como o dele ainda estão em ruas e cidades, lembrando-nos de que a história não é feita apenas de heróis, mas também de opositores. O almoço em Brasília foi, portanto, mais do que um encontro político. Foi um encontro com a história viva, com a certeza de que o sangue da liberdade corre nas veias da família Andrada e que esse espírito libertário precisa continuar iluminando o Brasil. Porque se decisões tomadas há séculos moldaram injustiças que ainda persistem, cabe às gerações atuais e às futuras a responsabilidade de corrigir, reparar e construir um país verdadeiramente livre. Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética Contato: rena.zimm@gmail.com O sangue da liberdade corre nas veias da história
- Rio Grande do Sul reúne condições para liderar novo ciclo de investimentos em energia, data centers e inteligência artificial, avalia CEO da EPCOR Energia
Rio Grande do Sul reúne condições para liderar novo ciclo de investimentos em energia, data centers e inteligência artificial, avalia CEO da EPCOR Energia Nilo Quaresma Neto afirma que o Estado pode atrair até R$ 60 bilhões em investimentos privados na próxima década, impulsionado pela expansão da energia eólica, infraestrutura elétrica, armazenamento de energia, hidrogênio de baixo carbono e economia digital. Brasil, 2 de julho de 2026 - O Rio Grande do Sul vive uma oportunidade estratégica para se consolidar como um dos principais polos brasileiros de energia renovável e infraestrutura tecnológica. A avaliação é de Nilo Quaresma Neto, CEO da EPCOR Energia e diretor de Energia da APTEL, que destaca a combinação de recursos naturais, capacidade de expansão da transmissão, proximidade dos grandes centros consumidores e avanço da infraestrutura digital como fatores capazes de atrair uma nova geração de investimentos ao Estado. Com mais de três décadas de atuação no setor elétrico e participação direta na estruturação de mais de 6 GW em projetos de geração renovável, Nilo Quaresma acompanha desde os primeiros parques eólicos brasileiros a evolução da matriz energética nacional. Segundo o executivo, o setor elétrico brasileiro passa por uma mudança estrutural. Se no passado o principal desafio era ampliar a capacidade de geração, hoje a disponibilidade de infraestrutura para escoar a energia tornou-se decisiva para a implantação de novos empreendimentos. Esse cenário reposiciona regiões que oferecem maior equilíbrio entre geração, transmissão e consumo. "O Rio Grande do Sul reúne um conjunto de vantagens competitivas extremamente raro. Além do elevado potencial eólico, o Estado possui condições favoráveis para expansão da rede elétrica, proximidade dos mercados consumidores e uma base industrial consolidada. Esses fatores aumentam significativamente sua atratividade para projetos de grande porte", afirma Nilo Quaresma. Rio Grande do Sul reúne condições para liderar novo ciclo de investimentos em energia, data centers e inteligência artificial, avalia CEO da EPCOR Energia De acordo com o CEO da EPCOR Energia, cada megawatt instalado representa aproximadamente R$ 6 milhões em investimentos. Caso o Estado desenvolva entre 5 GW e 10 GW de novos projetos até meados da próxima década, o volume de investimentos privados poderá variar entre R$ 30 bilhões e R$ 60 bilhões, sem considerar os efeitos indiretos sobre fornecedores, indústria, logística e geração de empregos. Além da expansão da energia eólica e solar, a crescente demanda por infraestrutura digital abre novas oportunidades para o Rio Grande do Sul. O avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem vem ampliando a necessidade de grandes data centers, que exigem fornecimento contínuo de energia renovável, estabilidade elétrica, conectividade internacional e ambiente regulatório seguro. "O crescimento da inteligência artificial está transformando o mercado mundial de energia. Os grandes operadores de data centers buscam exatamente os atributos que o Rio Grande do Sul pode oferecer: energia limpa, infraestrutura robusta, segurança operacional e conectividade", destaca. Outro segmento considerado estratégico pela EPCOR Energia é o armazenamento de energia por baterias (BESS), tecnologia que deverá desempenhar papel fundamental na modernização do sistema elétrico brasileiro. Para Quaresma, o armazenamento aumenta a flexibilidade da operação, melhora o aproveitamento das fontes renováveis e fortalece a confiabilidade da rede elétrica. Rio Grande do Sul reúne condições para liderar novo ciclo de investimentos em energia, data centers e inteligência artificial, avalia CEO da EPCOR Energia O executivo também ressalta o potencial da indústria gaúcha para participar dessa nova cadeia produtiva. A fabricação nacional de torres, estruturas metálicas, componentes elétricos, equipamentos para armazenamento e demais soluções voltadas à transição energética poderá ampliar a geração de empregos qualificados e agregar valor à economia regional. Na avaliação da EPCOR Energia, a integração entre geração renovável, transmissão, armazenamento, hidrogênio de baixo carbono, mercado livre de energia, data centers e inteligência artificial tende a redefinir a dinâmica do setor elétrico brasileiro ao longo da próxima década. Rio Grande do Sul reúne condições para liderar novo ciclo de investimentos em energia, data centers e inteligência artificial, avalia CEO da EPCOR Energia "O Rio Grande do Sul reúne condições para se tornar uma referência nacional em infraestrutura energética e digital. Com planejamento, integração entre poder público e iniciativa privada e segurança regulatória, o Estado poderá liderar um novo ciclo de desenvolvimento baseado em inovação, sustentabilidade e competitividade", conclui Nilo Quaresma Neto. Rio Grande do Sul reúne condições para liderar novo ciclo de investimentos em energia, data centers e inteligência artificial, avalia CEO da EPCOR Energia
- Vitória do Brasil sobre o Japão reforça laços entre duas nações na Trael
COPA 2026 Vitória do Brasil sobre o Japão reforça laços entre duas nações na Trael Empresa reuniu colaboradores para acompanhar a classificação sobre o Japão e transformou a partida em uma homenagem à história construída entre brasileiros e japoneses A classificação do Brasil para a Copa do Mundo de 2026, após a vitória por 2 a 1 sobre o Japão, no dia 29 de junho, foi comemorada em clima de confraternização na Trael Transformadores. Mais do que a torcida pela Seleção Brasileira, o confronto reuniu colaboradores em torno de uma partida carregada de simbolismo para a empresa, fundada por duas famílias. Entre os sócios estão os irmãos japoneses Paulo e Alberto Uezato, que vieram ao Brasil para construir sua história, além dos irmãos brasileiros Marinaldo Ferreira dos Santos e Carlos Roberto dos Santos. Durante o expediente, a empresa preparou uma estrutura especial para que os colaboradores acompanhassem o jogo sem interromper as atividades. Dois telões foram instalados, enquanto os setores que permaneceram em atendimento assistiram à transmissão diretamente nos postos de trabalho. Para o responsável pelo Marketing e Comercial da Trael, Dimas Yamanaka, descendente de japoneses, o resultado em campo trouxe alegria pela classificação brasileira, mas também respeito pelo desempenho da seleção japonesa. “Foi um jogo emocionante, digno de uma final de Copa do Mundo. Na verdade, era esse o confronto que a gente gostaria de ver decidindo o título. O Japão mostrou a evolução do seu futebol e fez uma partida à altura da tradição das duas seleções. Foi uma disputa muito bonita e emocionante.” Segundo Dimas, o desempenho da equipe japonesa representa uma trajetória construída ao longo de décadas de trabalho e dedicação, valores que também fazem parte da cultura da empresa. “Os japoneses merecem esse reconhecimento. Foi, sem dúvida, a melhor seleção japonesa que já vimos em uma Copa. Isso mostra o caminho fantástico que o país construiu no esporte, assim como em tantas outras áreas. Somos brasileiros e a nossa torcida sempre será pelo Brasil. Mas tenho muito orgulho das minhas origens e da história construída pelos imigrantes japoneses no nosso país.” Dimas também destacou o gesto do técnico da seleção japonesa, Hajime Moriyasu, que, após a partida, agradeceu o carinho e o respeito demonstrados pelo povo brasileiro, atitude que, para ele, reforça a relação de admiração mútua entre os dois países. A proximidade entre Brasil e Japão também está presente na história do futebol. Um dos principais responsáveis pela evolução da modalidade no país asiático foi o ex-jogador brasileiro Zico. Ídolo do Flamengo e reverenciado pelos japoneses, ele atuou no Japão na década de 1990 e ajudou a implantar uma cultura de maior profissionalismo, dedicação e competitividade, contribuindo para o desenvolvimento do futebol local e para a consolidação da liga japonesa. Vitória do Brasil sobre o Japão reforça laços entre duas nações na Trael
- Do carregador ao grid: os gargalos silenciosos da revolução dos veículos elétricos
Com autonomia em rápida expansão e investimentos bilionários em infraestrutura, a mobilidade elétrica entra em uma nova fase — onde os desafios deixam de ser visíveis ao consumidor e passam a se concentrar na rede, nos padrões e na viabilidade econômica do sistema. Do carregador ao grid: os gargalos silenciosos da revolução dos veículos elétricos Uma transição que muda de escala A eletrificação veicular deixou de ser um movimento emergente para se tornar uma transformação estrutural da economia global. Segundo a International Energy Agency (IEA), as vendas de veículos 100% elétricos já ultrapassaram 17 milhões de unidades anuais, com projeções que apontam para mais de 30 milhões até o fim da década. A liderança segue concentrada na China, que responde por mais da metade do mercado global, seguida pela Europa e pelos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina começam a acelerar sua adoção, impulsionadas por políticas públicas, redução de custos e pressão por descarbonização. Mas à medida que os veículos evoluem rapidamente, o sistema que os sustenta começa a revelar suas fragilidades. Infraestrutura: investimento acelerado, risco calculado Nos últimos cinco anos, a expansão da infraestrutura de recarga foi tratada como prioridade estratégica. Redes públicas e privadas instalaram milhares de carregadores rápidos com potência entre 80 kW e 180 kW — padrão que, até recentemente, atendia à maior parte da frota. Esse cenário, no entanto, começa a mudar. A nova geração de veículos elétricos já opera com arquiteturas de 800 volts, permitindo recargas acima de 300 kW. Na prática, isso reduz drasticamente o tempo de recarga e altera a lógica de uso da infraestrutura. O impacto é direto: parte dos ativos instalados hoje pode enfrentar obsolescência antecipada. Ainda assim, o risco não é absoluto. A maior parte dos sistemas modernos foi projetada com algum nível de modularidade, permitindo upgrades de potência sem substituição completa. O desafio está no equilíbrio econômico — investir hoje em capacidade maior implica custos mais altos, enquanto investir menos pode reduzir a competitividade no médio prazo. Na Europa, redes de carregamento já avançam para potências superiores a 350 kW. Na China, o ritmo de implantação e atualização tecnológica é ainda mais acelerado, sustentado por forte coordenação estatal. Autonomia crescente, uso imprevisível Se a infraestrutura enfrenta um dilema técnico, o comportamento do consumidor adiciona uma camada adicional de complexidade. A autonomia média dos veículos elétricos praticamente dobrou na última década. Modelos que antes ofereciam 200 quilômetros hoje superam facilmente 500 km, com protótipos e lançamentos recentes se aproximando de 800 a 1000 km em condições ideais. Isso levanta uma questão central: veículos que rodam mais exigem menos infraestrutura? A resposta, observada nos principais mercados, é mais complexa. O aumento da autonomia reduz a frequência de recarga, mas não elimina a demanda por infraestrutura. Pelo contrário, ela tende a se concentrar em momentos específicos — viagens longas, uso comercial intensivo e recargas rápidas em corredores logísticos. O resultado é um sistema com menos uso distribuído e maior necessidade de capacidade concentrada, especialmente em carregadores ultrarrápidos. Na prática, isso exige uma infraestrutura mais robusta, não necessariamente mais numerosa. Padrões em disputa Outro desafio estrutural está na padronização. Hoje, o mercado global opera com diferentes padrões de conectores e protocolos, incluindo CCS, NACS (liderado pela Tesla nos Estados Unidos) e GB/T na China. Movimentos recentes indicam uma possível convergência regional com montadoras americanas adotando o padrão da Tesla, mas a unificação global ainda parece distante. Essa fragmentação impacta diretamente a experiência do usuário, os custos de infraestrutura e a interoperabilidade entre redes. A tendência mais provável não é a padronização total, mas o avanço de soluções que permitam compatibilidade entre sistemas distintos. O gargalo invisível: a rede elétrica Se há um ponto crítico que une todos os desafios, ele está na rede elétrica. A expansão da mobilidade elétrica impõe novas demandas ao sistema: Aumento de carga em áreas urbanas Picos concentrados de consumo Necessidade de reforço em distribuição e transmissão Em países europeus, já há casos de limitação para novas conexões de alta potência devido à saturação local da rede. O problema não está na geração de energia, mas na capacidade de entrega. Ao mesmo tempo, soluções começam a ganhar escala: Recarga inteligente (smart charging), que ajusta o consumo conforme a disponibilidade da rede Sistemas de armazenamento em baterias para suavizar picos Tecnologias de Vehicle-to-Grid (V2G), que permitem que veículos devolvam energia ao sistema A mobilidade elétrica, nesse contexto, deixa de ser apenas uma carga e passa a ser parte ativa do sistema energético. Energia no ponto de consumo: uma mudança de lógica Diante das limitações da rede, cresce o interesse por geração local associada à recarga. Eletropostos com energia solar, armazenamento e gestão inteligente começam a surgir como alternativa para reduzir custos e dependência da rede. Esse modelo oferece vantagens claras: Menor impacto sobre a infraestrutura elétrica existente Redução do custo operacional ao longo do tempo Maior previsibilidade energética Em regiões com alta incidência solar, como Brasil, Oriente Médio e Austrália, essa abordagem pode se tornar dominante em determinados segmentos. Precificação e competição: um mercado em formação Apesar do avanço tecnológico, o modelo de negócios ainda está em consolidação. Hoje, convivem diferentes formas de cobrança: Por kWh consumido Por tempo de uso Modelos híbridos Assinaturas A tendência é de maior transparência e padronização, especialmente em mercados regulados. Ao mesmo tempo, a concorrência se intensifica. Empresas de energia, utilities, montadoras e até petroleiras entram no setor, buscando posicionamento na nova cadeia de valor. O resultado é um ambiente competitivo, ainda em fase de definição, onde escala, localização e eficiência operacional serão determinantes. Um sistema em construção A eletrificação veicular não enfrenta uma barreira única, mas uma combinação de fatores que evoluem em ritmos diferentes. Os veículos avançam rapidamente em autonomia e desempenho. A infraestrutura cresce, mas precisa se adaptar. A rede elétrica, por sua vez, exige planejamento de longo prazo. Nesse cenário, o principal desafio não é tecnológico — é sistêmico. A mobilidade elétrica do futuro dependerá da capacidade de integrar veículos, infraestrutura e rede em um modelo eficiente, flexível e economicamente sustentável. Mais do que instalar carregadores, será necessário redesenhar o funcionamento do sistema energético como um todo. E é nesse ponto longe dos olhos do consumidor que os verdadeiros gargalos começam a aparecer. ⚡ Comparison: Charging Power vs Charging Time Vehicle Type Battery Capacity Charger Type Power (kW) Time (0–80%) Typical Use Notes Plug-in Hybrid (PHEV) 10–25 kWh Residential (AC) 3.7 – 7 kW 2 to 4 hours Home No fast charging needed Compact EV (Urban) 30–50 kWh AC public / wallbox 7 – 22 kW 3 to 6 hours Home / Work Ideal for daily use Mid-size EV (e.g. light SUV) 50–75 kWh Fast DC 50 – 100 kW 40 to 90 min City / Highway Current global standard Modern EV (new generation) 70–100 kWh Fast DC 120 – 180 kW 25 to 40 min Highway Widely deployed today Premium EV (800V architecture) 80–120 kWh Ultra-fast DC 250 – 350 kW 15 to 25 min Long distance Rapidly expanding Next-generation EV 100–150 kWh Advanced HPC 350 – 500 kW 10 to 20 min Highway corridors Limited availability Electric trucks / fleets 150–600 kWh Megawatt Charging (MCS) 500 – 1000+ kW 30 min – 1 hour Logistics Near-future deployment Do carregador ao grid: os gargalos silenciosos da revolução dos veículos elétricos
- 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber
Episódio 35 – Como escolher uma empresa confiável para instalar energia solar? 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber A escolha da empresa instaladora é um dos fatores mais importantes para o sucesso do projeto de energia solar. Um bom sistema mal instalado pode gerar problemas, prejuízos e frustração. Neste episódio, o EnergyChannel explica como identificar empresas confiáveis e evitar armadilhas comuns. 🏗️ Experiência e histórico contam muito Empresas sólidas costumam apresentar: Portfólio de projetos concluídos Tempo de atuação no mercado Avaliações reais de clientes Desconfie de empresas sem histórico comprovado. 📄 Projeto técnico detalhado é obrigatório Uma empresa confiável sempre entrega: Projeto elétrico completo Estudo de geração Análise do consumo Simulação realista de economia Propostas genéricas são um sinal de alerta. 🔌 Equipamentos com procedência Verifique se a empresa trabalha com: Painéis certificados Inversores homologados Garantias claras de fabricante Preço baixo não pode significar baixa qualidade. 🧾 Contrato claro e transparente O contrato deve especificar: Escopo do serviço Prazos Garantias Responsabilidades Evite acordos verbais ou contratos vagos. 🛠️ Pós-venda e suporte técnico Energia solar é um investimento de longo prazo. Avalie: Atendimento pós-instalação Monitoramento do sistema Suporte em caso de falhas A venda não termina na instalação. ⚠️ Cuidado com promessas irreais Promessas de: Conta de luz zerada Retorno garantido Lucro com energia solar São sinais claros de risco. 🧭 Confiança se constrói com informação Escolher bem a empresa instaladora é tão importante quanto escolher os equipamentos. No próximo episódio, o EnergyChannel responde: 👉 Quais documentos e aprovações são necessários para instalar energia solar? 📌 Série Especial EnergyChannel Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa SaberUm guia independente para ajudar o consumidor a investir com segurança e clareza. 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber
- 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber
Episódio 44 – Energia solar funciona bem em regiões muito quentes ou frias? 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber Uma dúvida comum é se a energia solar funciona apenas em climas específicos. Afinal, o desempenho do sistema muda muito em regiões muito quentes ou muito frias? Neste episódio, o EnergyChannel explica como o clima influencia a geração solar e o que o consumidor precisa saber. ☀️ Energia solar não depende de calor Painéis solares funcionam com luz solar, não com calor. Por isso: Regiões frias também geram energia Países com clima frio têm alta geração solar Dias ensolarados e frios podem ser ideais 🌡️ Efeito das altas temperaturas Temperaturas muito elevadas podem: Reduzir ligeiramente a eficiência dos painéis Diminuir a tensão elétrica Isso é normal e já previsto no projeto. ❄️ Desempenho em regiões frias Em climas frios: A eficiência elétrica tende a ser maior Painéis funcionam normalmente sob baixas temperaturas Neve (onde existe) só afeta se cobrir os módulos O frio não danifica os painéis. 🌥️ Importância da irradiação solar Mais importante que a temperatura é: Quantidade de sol ao longo do ano Horas de irradiação Ausência de sombreamento Regiões diferentes exigem projetos diferentes. 🏗️ Projeto adequado ao clima local Empresas qualificadas ajustam: Tipo de painel Ventilação Inclinação Estrutura de fixação Tudo conforme a região. 🧭 Energia solar é versátil Do calor intenso ao frio moderado, a energia solar se adapta bem a diferentes climas quando corretamente dimensionada. No próximo episódio, o EnergyChannel esclarece: 👉 Energia solar funciona em qualquer região do Brasil? 📌 Série Especial EnergyChannel Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa SaberInformação clara para mostrar que a energia solar vai muito além do clima idealizado. 🌞 Energia Solar: Tudo o Que o Consumidor Precisa Saber
- Eletricidade 4.0: Como a convergência entre dados, energia e automação está redesenhando a indústria na América Latina
Por Ricardo Honório, jornalista | EnergyChannel Na nova fronteira da transição energética, a eletricidade deixou de ser apenas infraestrutura para se tornar inteligência. Em um cenário global marcado por pressões crescentes por eficiência, descarbonização e competitividade industrial, o conceito de “Eletricidade 4.0” emerge como um dos pilares estratégicos da transformação econômica contemporânea. Eletricidade 4.0: Como a convergência entre dados, energia e automação está redesenhando a indústria na América Latina Na América Latina, esse movimento ganha escala acelerada impulsionado pela digitalização, pela expansão das energias renováveis e pela necessidade urgente de modernizar sistemas produtivos. Nesse contexto, a Schneider Electric se posiciona como uma das protagonistas ao integrar eletrificação, automação e inteligência digital em uma única arquitetura tecnológica. Em entrevista exclusiva conduzida por Ricardo Honório, João Salgueiro, gerente sênior de soluções sustentáveis para América Latina na SE Advisory Services, e Fabio Castellini, diretor de Power Systems da Schneider Electric, detalham como essa convergência está redefinindo o papel da energia na indústria, nas cidades e nas redes elétricas do futuro. Da infraestrutura ao software: a ascensão da inteligência energética “O futuro da sustentabilidade passa pela capacidade de transformar ativos físicos em sistemas definidos por software”, afirma João Salgueiro. No centro dessa transformação está o conceito de “tecnologia em energia”, que combina eletrificação, automação e análise de dados para criar ambientes operacionais mais eficientes, resilientes e flexíveis. A arquitetura digital EcoStruxure é o principal motor dessa mudança. Por meio dela, fábricas, edifícios, data centers e infraestruturas críticas passam a operar com visibilidade total em tempo real. Na prática, isso significa que gestores industriais conseguem monitorar cada variável energética, identificar desvios instantaneamente e agir de forma preditiva — reduzindo desperdícios e aumentando produtividade. “A inteligência energética permite coletar, analisar e agir com base em dados. É isso que transforma eficiência em vantagem competitiva”, explica Salgueiro. A incorporação de inteligência artificial — especialmente modelos mais eficientes, conhecidos como IA frugal — amplia ainda mais essa capacidade analítica, permitindo decisões mais rápidas, seguras e estratégicas. Descarbonização além do hardware: uma transformação sistêmica Segundo Salgueiro, a descarbonização exige uma abordagem muito mais ampla do que a simples substituição de equipamentos. “A transição energética não é apenas trocar uma caldeira por outra. É repensar toda a lógica operacional”, destaca. A estratégia da companhia passa por uma análise sistêmica das operações industriais, combinando eficiência energética, eletrificação e otimização de processos. Tecnologias como bombas de calor, automação avançada de HVAC e controle de compressores fazem parte desse ecossistema. Um dos maiores avanços está no uso de softwares industriais, como o Advanced Process Control (APC), que permite otimizar processos produtivos sem a necessidade de mudanças físicas estruturais. Esse tipo de solução é particularmente relevante para setores energo-intensivos, onde pequenas melhorias operacionais podem gerar impactos significativos em emissões e custos. “O ganho está em estruturar a jornada de descarbonização de forma inteligente, equilibrando investimentos e maximizando retorno ambiental e financeiro”, afirma. Redes inteligentes e o desafio da energia descentralizada Já no campo das redes elétricas, Fabio Castellini destaca que a expansão da geração distribuída está transformando profundamente o setor energético. “O Brasil ultrapassou 40 GW de geração solar distribuída em 2025, enquanto a América Latina já supera 85 GW instalados”, afirma. Segundo ele, esse avanço exige redes mais inteligentes, flexíveis e resilientes. A Schneider Electric responde a esse desafio com plataformas como EcoStruxure Grid ADMS e Grid Analytics, que utilizam inteligência artificial para prever oscilações na geração e no consumo de energia. Esses sistemas permitem antecipar instabilidades e executar ações preventivas, enquanto tecnologias integradas a sistemas SCADA possibilitam que a rede opere com lógica de “self-healing”, reconfigurando automaticamente circuitos e reduzindo o tempo de resposta a falhas. “O consumidor deixa de ser passivo e passa a atuar como agente ativo do sistema elétrico”, explica Castellini. O papel da mídia na democratização da transição energética Para Salgueiro, um dos grandes desafios da atualidade é tornar conceitos técnicos mais acessíveis ao público. “A democratização do conhecimento é essencial para acelerar a transição energética”, afirma. A Schneider Electric investe em iniciativas educacionais e programas de acesso à energia, além de apoiar a disseminação de conhecimento técnico de forma aberta. Segundo ele, o apoio a mídias independentes e produções documentais é fundamental nesse processo. “Quando grandes marcas apoiam conteúdos de impacto, ajudam a tornar temas complexos mais compreensíveis e ampliam o alcance das discussões.” Essa conexão entre tecnologia, comunicação e sociedade é vista como essencial para estimular mudanças culturais e comportamentais em larga escala. O legado da nova era energética Para os próximos anos, Salgueiro destaca que o principal legado será a construção de um ecossistema energético mais integrado e inteligente. “O desafio não é mais desenvolver tecnologia — é implementá-la de forma estruturada e economicamente viável”, afirma. A estratégia passa por conectar ativos existentes, integrar diferentes sistemas e criar ambientes interoperáveis, evitando substituições desnecessárias e maximizando o valor da infraestrutura já instalada. Esse modelo permite integrar geração distribuída, armazenamento, microrredes e resposta à demanda em uma única arquitetura inteligente. Nesse processo, a divisão global de consultoria da companhia, SE Advisory Services, desempenha papel central ao transformar metas de sustentabilidade em resultados mensuráveis. “Nosso objetivo é ajudar empresas a construir uma transformação duradoura, que combine eficiência operacional, competitividade e sustentabilidade”, conclui. Uma nova lógica para energia e indústria A Eletricidade 4.0 representa uma mudança estrutural na forma como energia é produzida, distribuída e consumida. Ao integrar dados, automação e eletrificação, empresas passam a operar com inteligência, previsibilidade e eficiência em níveis inéditos. Na América Latina, essa transformação pode representar não apenas ganhos ambientais, mas uma vantagem competitiva estratégica no cenário global. E, como destacam os executivos da Schneider Electric, o futuro já não depende de novas invenções — mas da capacidade de integrar, escalar e aplicar tecnologias que já estão disponíveis. A revolução energética já começou. E ela é, acima de tudo, digital. Eletricidade 4.0: Como a convergência entre dados, energia e automação está redesenhando a indústria na América Latina
- Conta de luz permanecerá mais cara em julho; consumidores aceleram busca por alternativas para economizar
Conta de luz permanecerá mais cara em julho; consumidores aceleram busca por alternativas para economizar Com a manutenção da bandeira amarela pela Aneel, brasileiros continuam pagando adicional na tarifa de energia e procuram soluções para reduzir despesas sem obras ou investimentos. Brasil, 29 de junho de 2026 - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter a bandeira tarifária amarela durante o mês de julho de 2026. Com isso, os consumidores brasileiros continuarão pagando um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, elevando o custo da conta de luz em todo o país. Conta de luz permanecerá mais cara em julho; consumidores aceleram busca por alternativas para economizar A sinalização tarifária permanece em vigor desde abril e reflete as condições menos favoráveis para a geração de energia elétrica. Durante o período seco, a redução dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas aumenta a necessidade de despacho das usinas termelétricas, cuja geração apresenta custo significativamente superior. Criado para indicar, em tempo real, o custo da produção de energia no Sistema Interligado Nacional, o sistema de bandeiras tarifárias busca tornar mais transparente a composição das tarifas e incentivar o consumo consciente de eletricidade. Na avaliação de especialistas do setor, a permanência da bandeira amarela reforça um movimento que vem ganhando força nos últimos anos: a busca de consumidores e empresas por soluções capazes de reduzir despesas com energia e proporcionar maior previsibilidade financeira, especialmente em um ambiente de custos operacionais elevados. Economia na conta de luz impulsiona novos modelos de contratação Com a energia elétrica ocupando parcela cada vez mais relevante do orçamento de residências e empresas, cresce o interesse por modelos de contratação que permitam economia sem exigir investimentos iniciais ou mudanças na infraestrutura dos imóveis. Nesse contexto, soluções baseadas em energia por assinatura têm ampliado sua presença no mercado ao oferecer descontos recorrentes na conta de luz, dispensando obras, instalação de equipamentos ou contratos de longo prazo. VR Energia amplia atuação com modelo de energia por assinatura A VR Energia, empresa gestora de energia, tem reforçado sua estratégia de expansão nas regiões Sul e Sudeste apostando na modalidade de energia por assinatura. Por meio da solução Desconto Garantido, a empresa permite que consumidores reduzam o valor da fatura mensal utilizando créditos de energia provenientes do mercado de geração distribuída, sem necessidade de investimentos, aquisição de equipamentos ou alterações na instalação elétrica. Segundo a companhia, mais de 12 mil clientes entre residências, condomínios e empresas já utilizam a solução, que acumulou cerca de R$ 55 milhões em economia líquida até maio de 2026. O serviço é destinado a consumidores com contas de energia a partir de R$ 300 mensais, oferecendo descontos que variam entre 15% e 24%, conforme o perfil de consumo. Além da redução imediata dos custos, o modelo busca trazer maior previsibilidade às despesas com eletricidade, fator considerado estratégico para empresas que enfrentam pressão sobre margens e necessidade de maior controle financeiro. Para segmentos com elevado consumo energético, como supermercados, restaurantes, academias, escolas e pequenos negócios, a economia recorrente na conta de luz pode representar aumento da competitividade, melhoria do fluxo de caixa e maior capacidade de investimento, sem a necessidade de aportes iniciais. Como parte da estratégia de crescimento, a companhia passa a oferecer, a partir de 2026, contratação totalmente digital. Pelo site www.vrgestora.com, consumidores podem aderir ao serviço em poucos minutos, ampliando o alcance da solução para além do atendimento consultivo tradicional. A iniciativa busca atender um público que prioriza conveniência e autonomia, mantendo as mesmas condições: sem investimento, sem obras e sem fidelidade. “Percebemos que uma parcela dos clientes valoriza autonomia e praticidade. A contratação online atende exatamente esse perfil, permitindo que todo o processo seja feito pela internet, de forma ágil, sem perder a transparência e a segurança”, diz Viviane Rosa, CEO da VR (foto). Conta de luz permanecerá mais cara em julho; consumidores aceleram busca por alternativas para economizar Conta de luz permanecerá mais cara em julho; consumidores aceleram busca por alternativas para economizar
- Galpões industriais ganham espaço nos FIIs e reforçam modelo do PZ Log em Sinop
Galpões industriais ganham espaço nos FIIs e reforçam modelo do PZ Log em Sinop Primeiro condomínio logístico AAA do estado aposta em contratos longos e operação integrada para atrair empresas e investidores Os galpões industriais e logísticos deixaram de ser apenas infraestrutura operacional e passaram a ocupar espaço estratégico também no mercado financeiro. Nos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), esse tipo de ativo ganha cada vez mais relevância por oferecer algo raro: previsibilidade de receita. A explicação está na natureza do próprio negócio. Diferente de outros segmentos, os galpões industriais e logísticos costumam operar com contratos mais longos e maior dependência do inquilino em relação ao espaço. Quando a operação está integrada ao imóvel, a saída se torna mais complexa e a receita, mais estável. Esse modelo, já consolidado em grandes centros, começa a se expandir para novas fronteiras logísticas. E é nesse movimento que surge em Sinop o PZ Log, da PZ Empreendimentos. O projeto será o primeiro condomínio logístico padrão AAA de Mato Grosso, implantado às margens da BR-163, principal corredor de escoamento do país. A proposta é atender empresas do agronegócio, indústria e distribuição que buscam eficiência operacional em uma região estratégica. Com módulos a partir de 1.540 m², expansíveis até 4.533 m², os galpões seguem padrão Classe AAA, com pé-direito acima de 12 metros, piso de alta resistência, cobertura termoacústica, ventilação natural e sistema de sprinklers J4 — considerado o mais elevado nível de prevenção contra incêndio para operações industriais. Além da estrutura dos galpões, o condomínio foi desenhado como um hub logístico completo. O projeto inclui monitoramento 24 horas, portaria controlada, balança de pesagem, pátio vigiado, estacionamento amplo, vestiários, praça de alimentação e salas de reuniões compartilhadas. Há ainda uma proposta de infraestrutura humanizada para motoristas e trabalhadores que operam na cadeia logística. “O investidor está olhando cada vez mais para ativos que geram previsibilidade. E o galpão logístico, principalmente em regiões produtivas, tem essa característica. Quando a operação depende daquele espaço, o contrato tende a ser mais longo e estável. E quando você entrega um produto AAA, com infraestrutura completa, isso aumenta ainda mais a atratividade”, afirma o CEO da PZ Empreendimentos, Filipe Pitz. Galpões industriais ganham espaço nos FIIs e reforçam modelo do PZ Log em Sinop Dados da consultoria Newmark apontam que o mercado logístico na América Latina já soma cerca de 76 milhões de m² de estoque, com demanda consistente por ativos de maior qualidade. No Brasil, São Paulo lidera esse movimento, mas a expansão começa a alcançar regiões produtivas. Na prática, isso significa que o modelo de galpões logísticos, que antes concentrado em grandes centros, agora passa a ganhar força em polos como Sinop, impulsionado pelo agro e pela necessidade de reduzir custos de transporte. Para os FIIs, esse tipo de ativo reúne características valorizadas: contratos mais longos, menor rotatividade de inquilinos e geração de caixa previsível. Para o mercado regional, representa um salto de maturidade. “Se antes o desafio em Mato Grosso era apenas produzir, agora passa também por armazenar, distribuir e operar com eficiência. E é justamente nesse novo estágio que projetos como o PZ Log se posicionam: como infraestrutura essencial para uma economia que cresce e que começa a exigir logística no mesmo nível”, finalizou Pitz. Galpões industriais ganham espaço nos FIIs e reforçam modelo do PZ Log em Sinop
- Armazenamento de energia em baterias no Brasil: os desafios técnicos e regulatórios que definem a próxima década
Por Daniel Pansarella Armazenamento de energia em baterias no Brasil: os desafios técnicos e regulatórios que definem a próxima década O Brasil está prestes a inaugurar um novo capítulo em sua história energética. Com o primeiro leilão dedicado exclusivamente a sistemas estacionários de armazenamento de energia em baterias (BESS) marcado para dezembro de 2026, o país reconhece, finalmente, que a transição energética não é apenas sobre geração renovável, mas também sobre flexibilidade operacional e confiabilidade do sistema. A Portaria Normativa MME nº 136/2026 estabeleceu um marco regulatório ambicioso, mas a implementação prática revela lacunas significativas que podem impactar a viabilidade econômica e técnica dos projetos. O paradoxo da rigidez técnica em um mercado em formação A regulamentação do LRCAP 2026 - Armazenamento Nacional estabeleceu parâmetros técnicos rigorosos: potência mínima de 30 MW, eficiência total (RTE) mínima de 85%, recarga completa em até 6 horas, duração de 4 horas consecutivas e limite de 366 ciclos completos anuais. Esses requisitos refletem aprendizados internacionais e garantem que os recursos contratados sejam capazes de entregar o que prometem. Porém, a rigidez desses parâmetros, combinada com a exigência de credenciamento no BNDES e a necessidade de aprovação técnica da EPE antes do leilão, cria um cenário onde empreendedores e fornecedores de equipamentos enfrentam incertezas significativas sobre a flexibilidade operacional após a contratação. A questão central é: em um mercado nascente, onde a tecnologia evolui rapidamente e os fornecedores globais competem por espaço, como conciliar a necessidade de estabilidade regulatória com a flexibilidade técnica necessária para inovação e otimização de custos? A janela crítica entre habilitação e assinatura do contrato Um aspecto pouco discutido da estrutura do LRCAP 2026 é o período entre a habilitação técnica (que ocorre antes do leilão) e a assinatura do Contrato de Reserva de Capacidade para Potência (CRCAP). Durante essa janela, mudanças tecnológicas podem ser necessárias: um fornecedor de inversores pode oferecer um modelo mais eficiente, um integrador pode identificar oportunidades de otimização de custos, ou uma mudança de fornecedor pode se tornar necessária por questões comerciais ou de supply chain. A Portaria MME nº 136/2026 exige que o SAE seja credenciado no CFI do BNDES, o que implica que qualquer alteração significativa na composição do sistema — seja na potência do inversor, na configuração das baterias, ou na estratégia de operação — pode exigir novo credenciamento ou validação. Porém, as instruções da EPE não detalham explicitamente quais parâmetros são "congelados" após a habilitação técnica e quais podem ser ajustados. Essa ambiguidade cria um risco regulatório para empreendedores. Se um projeto foi habilitado com um PCS (Power Conversion System) de 100 MW de um fornecedor específico e, posteriormente, o empreendedor encontra uma alternativa de 99 MW com maior eficiência, a mudança pode ser questionada como alteração material do projeto. Inversamente, se a mudança for permitida, ela pode exigir novo credenciamento BNDES, atrasando a assinatura do contrato. A prática internacional sugere que pequenas variações de capacidade instalada (tipicamente até 5% para mais ou para menos) são permitidas, desde que a potência contratada seja mantida e os requisitos técnicos mínimos sejam atendidos. Porém, essa regra não está explícita na documentação brasileira, deixando empreendedores em posição de incerteza. Oversizing versus augmentation: escolhas de design com implicações duradouras O design de um BESS envolve decisões fundamentais sobre como alocar capacidade entre o inversor (PCS) e o pack de baterias. Dois modelos principais competem: oversizing e augmentation. No modelo de oversizing, o PCS é dimensionado com potência maior que a necessária para atingir a energia contratada em 4 horas. Por exemplo, um projeto que contrata 100 MW de potência por 4 horas (400 MWh de energia) pode ter um PCS de 110 MW, permitindo ciclos mais curtos, maior flexibilidade operacional e potencialmente melhor resposta dinâmica. Esse modelo oferece vantagens operacionais, mas com custo adicional no PCS. No modelo de augmentation, o PCS é dimensionado para exatamente a potência contratada (100 MW), mas a bateria é dimensionada para mais de 400 MWh, permitindo ciclos mais longos, maior profundidade de descarga (DoD) e potencialmente melhor aproveitamento da energia armazenada. Esse modelo tende a ser mais econômico, mas com menos flexibilidade operacional. A escolha entre esses modelos afeta não apenas custos imediatos, mas também degradação de baterias, eficiência ao longo do tempo, e capacidade de resposta a despachos do ONS. Um projeto habilitado com oversizing que depois tenta mudar para augmentation (ou vice-versa) pode enfrentar questionamentos regulatórios, especialmente se a mudança resultar em alteração significativa da capacidade instalada. Essa rigidez é compreensível do ponto de vista regulatório — garante que o projeto contratado seja aquele que foi avaliado — mas cria um dilema para empreendedores: comprometer-se com uma estratégia de design antes de ter certeza de que é a mais econômica e tecnicamente ótima. A degradação como variável crítica de incerteza A Portaria MME nº 136/2026 estabelece um limite de 366 ciclos completos anuais, equivalente a aproximadamente 1 ciclo por dia. Essa métrica é usada como referência para simular o perfil operacional médio anual e, consequentemente, para estimar degradação de baterias ao longo dos 15 anos de contrato. Porém, usar 1 ciclo/dia como premissa de degradação envolve simplificações significativas. A degradação de baterias LFP (Lithium Iron Phosphate), comumente usadas em BESS utility scale, depende de múltiplos fatores: número de ciclos, profundidade de descarga (DoD), temperatura operacional, tempo em repouso, e até mesmo o padrão de carga (rápida versus lenta). Estudos internacionais mostram que baterias LFP degradam, em média, 4-5% após 365 ciclos, dependendo das condições operacionais. Se um projeto usar 1 ciclo/dia como premissa, isso significa 365 ciclos/ano. Após 15 anos, isso seria 5.475 ciclos, resultando em degradação acumulada de aproximadamente 60-75%, dependendo do DoD e da temperatura. Porém, a Portaria permite até 366 ciclos/ano, não obriga. Se o ONS despachar o recurso menos frequentemente (por exemplo, 200 ciclos/ano), a degradação será menor, e o projeto terá margem de segurança. Inversamente, se o despacho for mais agressivo, a degradação pode ser mais rápida que o previsto. Essa variabilidade cria um risco de receita para empreendedores. A Portaria exige que o RTE mínimo de 85% seja mantido ao longo dos 15 anos de contrato, referenciado ao PMI (Ponto de Medição Individual). Se a degradação for mais rápida que o previsto, o projeto pode não conseguir manter esse RTE, resultando em penalidades ou até rescisão contratual. A solução passa por simulações detalhadas de degradação, validadas com dados de projetos similares, e pela inclusão de margens de segurança adequadas. Alguns empreendedores estão considerando planos de reposição de módulos de baterias durante o contrato, o que adiciona complexidade operacional e custos, mas oferece segurança de desempenho. Eficiência como métrica de risco: os limites da RTE A exigência de RTE mínima de 85% é, simultaneamente, rigorosa e ambígua. Rigorosa porque exclui tecnologias menos eficientes e força otimização de design. Ambígua porque a RTE pode variar significativamente conforme o perfil de operação, a profundidade de descarga, e as condições ambientais. Um BESS típico com PCS moderno, transformador e baterias LFP pode atingir RTE entre 85% e 92%, dependendo das condições. Porém, essa eficiência não é constante. Um ciclo com descarga profunda (100% DoD) terá RTE diferente de um ciclo com descarga rasa (50% DoD). Operações em temperaturas extremas (muito quentes ou muito frias) afetam a eficiência. Até mesmo o ponto de operação do PCS (operando a 50% da potência nominal versus 100%) impacta a eficiência. A Portaria MME nº 136/2026 também permite que o ONS despache o recurso por mais de 4 horas (até 12 horas), com potência proporcionalmente inferior. Isso significa que o RTE pode variar conforme o perfil de operação. Se o projeto declarar RTE de 85% para ciclos de 4 horas, mas for despachado em ciclos de 12 horas com potência reduzida, a eficiência real pode ser diferente. Essa variabilidade cria um risco de conformidade: se o projeto não conseguir manter RTE ≥ 85% em todas as condições operacionais, pode ser questionado pela ANEEL ou pela EPE. Alguns empreendedores estão adotando abordagens conservadoras, declarando RTE de 85-88% e validando com simulações detalhadas em múltiplos cenários operacionais. A importância da clareza regulatória para um mercado em formação As lacunas regulatórias abordadas neste artigo refletem um padrão comum: a Portaria MME nº 136/2026 estabeleceu um marco geral ambicioso, mas deixou questões operacionais críticas sem resposta explícita. Isso é compreensível em um mercado nascente, onde a experiência é limitada e a tecnologia evolui rapidamente. Porém, essa ambiguidade cria risco regulatório para empreendedores e pode desestimular investimentos. A EPE, ANEEL e BNDES têm a oportunidade de publicar guias técnicos adicionais que respondam essas questões antes do leilão. Esclarecimentos sobre flexibilidade de design, limites de variação de capacidade instalada, metodologias de degradação e requisitos de descarte reduziriam a incerteza e acelerariam a maturação do mercado. Enquanto isso, empreendedores devem ser proativos: solicitar esclarecimentos formais aos órgãos reguladores, estruturar propostas com margens de segurança técnica e regulatória, e aprender com experiências internacionais de BESS em mercados mais maduros. A primeira geração de projetos BESS contratados no LRCAP 2026 estabelecerá precedentes que moldarão o mercado pelos próximos anos. O sucesso dessa geração dependerá não apenas de tecnologia robusta e gestão operacional competente, mas também de clareza regulatória e colaboração entre empreendedores, órgãos reguladores e fornecedores de equipamentos. O Brasil tem a oportunidade de construir um mercado de armazenamento de energia em baterias que seja, simultaneamente, robusto tecnicamente, ambientalmente responsável e economicamente viável. Isso requer, acima de tudo, clareza sobre as regras do jogo e disposição de ajustá-las conforme o mercado amadurece. Armazenamento de energia em baterias no Brasil: os desafios técnicos e regulatórios que definem a próxima década










