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- Panorama do Desenvolvimento de Energias Renováveis na América do Sul: Motores Políticos, Avanços Tecnológicos e Colaboração China-América Latina (2025)
I. Panorama de Mercado: A América do Sul como “Laboratório Global da Transição Energética” Panorama do Desenvolvimento de Energias Renováveis na América do Sul: Motores Políticos, Avanços Tecnológicos e Colaboração China-América Latina (2025) A América do Sul está remodelando o cenário energético global em um ritmo surpreendente. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a participação das energias renováveis na geração elétrica da região já alcançou 60% — muito acima da média global (~30%) — sendo 45% provenientes da hidreletricidade, enquanto a energia solar e eólica crescem rapidamente.Principais destaques por país: Brasil: As fontes renováveis representam 93,1% de sua matriz elétrica (2023), lideradas pela hidreletricidade (60%), com crescimento de 39,51% na capacidade solar e 47,65% na eólica. Chile: As energias limpas respondem por 63% de sua matriz (2023), enquanto a dependência do carvão caiu para 17%. Mais de 20 projetos solares de grande escala estão em análise ambiental, totalizando mais de US$ 2 bilhões em investimentos. Colômbia: A hidreletricidade domina (70%), mas a capacidade solar cresceu 70% em 2023, com meta de instalar 1,24 GW adicionais em 2024. Tendências Estruturais:Os combustíveis fósseis representam cerca de 2/3 da matriz energética sul-americana (abaixo da média global de 80%), e os biocombustíveis têm o dobro da participação média global no transporte — evidenciando um caminho “multilimpas”. Até 2034, estima-se que a região adicionará 160 GW em capacidade solar, com Brasil e Chile à frente, e a geração distribuída combinada com armazenamento se tornando prática comum. II. Forças Motrizes: Políticas, Recursos e Sinergia Econômica Estruturas de Política Metas de Neutralidade de Carbono: Chile: meta de emissão líquida zero até 2050 Brasil: Plano Nacional de Hidrogênio (2023–2025) Colômbia: plano de “Transição Energética Justa” Mecanismos de Mercado: Argentina: PPAs vinculados ao dólar Brasil: leilões de armazenamento de energia (meta de 4,6 GW até 2025) Chile: cotas obrigatórias de armazenamento Incentivos Financeiros: O Fundo Climático do Brasil reduz taxas de financiamento eólico de 8% para 6,5% O Chile oferece créditos fiscais para iniciativas de hidrogênio verde Vantagens de Recursos Solar:O Deserto do Atacama, no Chile (radiação anual de 2.600 kWh/m²), abriga projetos como o Atacama 1, que integra 1.530 MW de armazenamento. Hidrelétrica:O potencial da Bacia Amazônica supera 200 GW, apoiando a expansão da Usina de Itaipu, no Brasil, com aumento de 10% de capacidade por meio de bombeamento reverso. Segurança Econômica Independência Energética:O Chile pretende substituir 30% das importações de combustíveis fósseis por hidrogênio verde, enquanto o projeto HVDC do Nordeste do Brasil leva energia a 12 milhões de pessoas. Retorno sobre o Investimento (ROI):Cada US$ 1 investido em renováveis gera de US$ 3 a 8 em crescimento do PIB. Projetos solares no Peru têm alcançado IRR de 12% a 15%. III. Inovações Tecnológicas: Da Energia Solar em Altas Altitudes aos Avanços no Hidrogênio Integração Solar-Eólica-Armazenamento Projeto HVDC KILO (Chile): linha de transmissão de 1.350 km conecta fazendas solares do Atacama a Santiago, com perdas inferiores a 5%. El Escobal Solar (Colômbia): usina de 200 MW combina agricultura e fotovoltaica, aumentando a eficiência do uso da terra em 40%. Energia Eólica em Condições Extremas Complexo Eólico Villonaco (Equador): utiliza turbinas customizadas para minimizar a perda de eficiência (<5%) em altitudes elevadas. Cluster Eólico Helios (Argentina): 680 MW com turbinas Goldwind de 4,5 MW, capacitando comunidades locais e gerando empregos. Hidrogênio Verde e Sinergia com o Lítio Projeto-piloto de Hidrogênio Verde do Chile (4,5 toneladas/ano, lançamento em 2025): alimentado por 360 MW de energia solar dedicada para exportação de amônia. Bolívia: a industrialização do lítio, apoiada por tecnologia chinesa de separação por membranas, aumenta a eficiência de extração em 40%. IV. O Papel da China: Exportação de Tecnologia e Colaboração Localizada Projetos Emblemáticos Parque Solar Caucharí (Argentina, 315 MW): construído pela PowerChina, define novos padrões técnicos com painéis bifaciais e rastreamento inteligente. Corredor HVDC do Nordeste (Brasil): sistema de transmissão de ±800 kV da State Grid integra clusters de energia eólica, solar e hidrelétrica. Modelos de Parceria Customização Tecnológica: turbinas de alta altitude da Goldwind (Equador) e sistemas de baterias adaptados ao clima tropical da CATL (Brasil). Finanças Verdes: o Banco de Desenvolvimento da China criou um empréstimo especial de US$ 5 bilhões, com juros 1,5–2% abaixo da média de mercado, para projetos como o HVDC KILO. V. Desafios e Perspectivas Futuras Principais Gargalos Limitações de Rede: o norte do Chile enfrenta >20% de desperdício solar (curtailment); o Brasil precisa de US$ 11 bilhões em modernização de rede. Riscos Financeiros: a volatilidade do peso argentino afeta o IRR dos projetos em até ±3%, e mudanças regulatórias no Peru reduzem a confiança de investidores estrangeiros. Oportunidades Estratégicas Hidrogênio Verde: o Brasil pretende liderar as exportações de hidrogênio de baixo carbono até 2030, com investimento de US$ 18,7 bilhões da espanhola Solatio em um hub solar de 11,4 GW. Interconexão Energética Regional: o projeto de interligação Chile–Argentina busca unificar o mercado elétrico da América Latina. VI. Conclusão: Um Paradigma de Cooperação Sul-Sul Até 2050, a América do Sul precisará de US$ 45 bilhões por ano em investimentos em energia renovável. Empresas chinesas já detêm 30% do mercado EPC solar e 25% do eólico.Dos planaltos solares da Argentina aos corredores eólicos do Brasil, a cooperação China–América Latina exemplifica o modelo de “tecnologia, riscos e benefícios compartilhados”, posicionando a região como um ator essencial na descarbonização global. Referências Estudos de Cooperação em Energia Verde China–América Latina (2024) Modelo de Energia Renovável do Uruguai (99,25%) (2024) Relatórios da IRENA e da IEA sobre a América Latina (2023–2024) Projetos Hidrelétricos e Eólicos Brasil–China (2021–2024) Resultados do Fórum de Nova Energia China–LAC (2021) Iniciativas Conjuntas de Finanças e Tecnologia Verde (2021) Compromissos Corporativos do Fórum de Energia China–LAC (2021) Panorama do Desenvolvimento de Energias Renováveis na América do Sul: Motores Políticos, Avanços Tecnológicos e Colaboração China-América Latina (2025)
- Projeto Vesta, da Braskem, é selecionado para o Prêmio SB COP Awards e será apresentado na COP30
Iniciativa reduz cerca de 100 mil toneladas de CO₂e por ano e reforça o papel da indústria brasileira na transição energética global Projeto Vesta, da Braskem, é selecionado para o Prêmio SB COP Awards e será apresentado na COP30 São Paulo, 03 de novembro de 2025 – O projeto Vesta, desenvolvido pela Braskem, petroquímica global que desenvolve soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, em parceria estratégica com a Siemens Energy, foi selecionado para o Prêmio SB COP Awards, promovido pela Sustainable Business COP (SB COP), iniciativa que reconhece as soluções empresariais de destaque na agenda climática. Combinando inovação tecnológica e eficiência energética, o Vesta gerou impactos significativos na operação do cracker a principal unidade industrial da Braskem no Polo Petroquímico do ABC, em São Paulo, de modo a estabelecer um novo patamar de desempenho. Entre os principais resultados, destaca-se a redução de 7,3% no gasto energético – o equivalente ao consumo de uma cidade com um milhão de habitantes. Essa economia foi viabilizada pela diminuição de 120 mil metros cúbicos por dia de gás natural e pela redução de 20 megawatts no consumo de energia elétrica da rede. Essas ações contribuíram para evitar aproximadamente 100 mil toneladas de emissões de CO₂e por ano. Além disso, o projeto alcançou uma economia de 11% no consumo de água da unidade industrial, o que reforça o compromisso da companhia com práticas produtivas mais sustentáveis e de alto desempenho. “Ter o projeto Vesta reconhecido pelo SB COP Awards reforça o papel da Braskem na transição energética e na redução de emissões dentro do setor produtivo. Estamos muito felizes com o reconhecimento”, celebra Gustavo Checcucci, diretor de Energia e Descarbonização Industrial da Braskem. “A escolha da Siemens Energy para a execução desse projeto é resultado de um trabalho conjunto de alinhamentos técnicos, somados às aspirações de ambas as empresas em buscar por soluções industriais sustentáveis. O modelo de negócio desenvolvido para a planta de cogeração permite que a Braskem possa concentrar seus recursos no negócio, transferindo para a Siemens Energy a disponibilização de energia e vapor de forma contínua e ininterrupta,” afirma Andre Carrasco, Head de O&M e Serviços da Siemens Energy no Brasil. O SB COP Awards integra a programação oficial da Sustainable Business COP (SB COP), braço empresarial da COP30, que tem como objetivo apresentar cases reais de sucesso na agenda verde, de modo a destacar as contribuições do setor privado em temas como transição energética, economia circular e cidades sustentáveis. A apresentação oficial das iniciativas vencedoras será realizada no dia 12 de novembro de 2025, durante o evento principal da COP30, no Teatro SESI, em Belém (PA). A programação será híbrida, com exibição de vídeos institucionais e participações presenciais das empresas, além de ser divulgada em plataformas como o LinkedIn da SB COP, os canais de mídia especializados, a playlist da CNI no YouTube e o e-book oficial do prêmio. Compromisso e sustentabilidade O projeto Vesta foi desenvolvido pela Braskem com foco em eficiência energética, redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), maior confiabilidade no suprimento de energia elétrica e aumento de competitividade. A iniciativa redesenhou completamente o sistema termelétrico do complexo industrial, substituindo turbinas a vapor, utilizadas para acionamento de grandes equipamentos, por motores elétricos de alta velocidade (high-speed). Além disso, implementou uma nova planta de cogeração, movida a gás residual rico em hidrogênio um subproduto do processo industrial - com concentração de até 80%, o que garante maior aproveitamento sustentável. A solução de cogeração foi implementada em parceria com a Siemens Energy, com motorização realizada pela GE, e uniu governança dedicada, metodologia ágil e uso inteligente do espaço físico disponível. “O Vesta é um exemplo de como é possível unir inovação e eficiência com retorno rápido sobre o investimento. Além dos ganhos ambientais, o projeto mostrou viabilidade econômica e pode ser replicado em outras unidades industriais, o que amplia seu impacto positivo no setor,” completa Checcucci. A Braskem acredita que a indústria é parte da solução. Por isso, participará da COP30 e reafirmará seu papel como agente de transformação do desenvolvimento sustentável da indústria, em busca do alcance da neutralidade climática. Sobre a Braskem A Braskem é uma companhia petroquímica global, orientada ao ser humano, com olhar para o futuro, que cultiva relacionamentos sólidos e gera valor para todos. Oferecendo soluções sustentáveis da química e do plástico para melhorar a vida das pessoas, a petroquímica possui um completo portfólio de resinas plásticas e produtos químicos para diversos segmentos, como embalagens alimentícias, construção civil, industrial, automotivo, agronegócio, saúde e higiene, entre outros. A Braskem acredita que a inovação disruptiva é o único caminho possível para se estabelecer uma nova relação com o planeta, por isso, escolhe agir no presente, promovendo a circularidade do plástico e impulsionando a revolução dos materiais de base biológica. Porque o futuro mais sustentável começa agora e a indústria tem um papel fundamental nesta construção. Com unidades industriais no Brasil, EUA, México e Alemanha, a companhia exporta seus produtos para clientes, em mais de 71 países, e atua em um modelo de gestão que demonstra compromisso com a ética, de modo a respeitar as normas de conformidade em todos os países e garantir o respeito à competitividade responsável. Mais informações: https://www.braskem.com.br Projeto Vesta, da Braskem, é selecionado para o Prêmio SB COP Awards e será apresentado na COP30
- Expoind fecha 2ª edição movimentando cerca de R$ 100 milhões em negócios
Realizada pela primeira vez no Centro de Convenções de Goiânia, a Feira de Fornecedores de Tecnologia e Soluções para a Indústria de Goiás reuniu 77 expositores e recebeu cerca de 30 mil visitantes durante quatro dias Expoind fecha 2ª edição movimentando cerca de R$ 100 milhões em negócios Cerca de R$ 100 milhões em volume de negócios durante quatro dias de muita inovação, debates, vendas, prospecções e a certeza de que a indústria goiana está no caminho certo. Esse é o saldo pra lá de positivo da segunda edição da Expoind 2025 Feira de Fornecedores de Tecnologia e Soluções para a Indústria de Goiás, que terminou sábado 1º de novembro. Realizado pela primeira vez no Centro de Convenções de Goiânia, o evento da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) recebeu aproximadamente de 30 mil visitantes, superando com folga a marca da primeira edição em 2024, de 6,5 mil pessoas.“Saímos dessa Expoind 2025 com resultados concretos: foram mais de 70 expositores, um público de 30 mil visitantes e quase R$ 100 milhões em negócios. Vimos a indústria goiana abraçar soluções de produtividade, da automação às rotas de energia limpa”, afirmou André Rocha, presidente da Fieg, ao destacar os bons resultados da feira.Ele também destacou que o conjunto de expositores da feira refletiu o perfil inovador e ao mesmo tempo sustentável da indústria goiana. “A feira integrou entidades, governo e empresas, e reforçou Goiás como polo de inovação com responsabilidade ambiental. Esse é o rumo que defendemos: competitividade com sustentabilidade, formação de gente e tecnologia a serviço da indústria”, ressaltou o dirigente ao fim do evento, que este ano integrou a FIC Goiás – Feira da Indústria, Comércio, Habitação, Empreendedorismo e Cooperativismo. Contatos, visibilidade e muitos negócios dos mais modernos robôs industriais, passando pelo que há de mais novo em geração de energia limpa, até as mais sofisticadas soluções em biotecnologia para tratamento de água e reaproveitamento de resíduos, fornecedores dos mais variados produtos e serviços tiveram a oportunidade de estarem em contato direto com empresas goianas de diversos ramos da indústria. E mais uma vez o feedback foi positivo entre a grande maioria dos 77 expositores que participaram desta última edição.Apesar de ser a primeira vez que a Autho Distribuição e Comércio de Equipamentos Industriais e Automação participa na Expoind, Everton Carneiro, coordenador de vendas da empresa, não é um novato na feira organizada pela Fieg. “No ano passado eu participei, porém por uma outra empresa, e este ano estamos aqui pela Autho e a minha avaliação é de que a estrutura da Expoind melhorou muito, a organização da feira também melhorou, na questão de estacionamento, da logística, ou seja, tudo muito bom”, afirmou, ao esclarecer que um dos principais objetivos para a empresa participar da feira foi a busca por visibilidade. “Temos uma gama de clientes aqui na região, não só em Goiás, mas também no Distrito Federal, portanto, buscamos aqui trazer os nossos clientes para esse ambiente diferenciado e mostrar o que temos de soluções e inovações”, acrescentou.Hosana Loiola, CEO da Ionix, empresa com 25 anos de mercado e que atua na fabricação de equipamentos para indústrias alimentícias, especialmente as de bebidas, afirma que a Expoind representou um momento valioso de contato entre indústrias e fornecedores. “Hoje para eu fazer uma prospecção, visitar alguns clientes e ter esse contato direto, levaria muito tempo. Então, no meu dia a dia seria muito mais difícil, portanto, pegar um evento desse com quatro dias, onde você tem os principais clientes e fazer essa interação é um grande diferencial para o negócio”, avalia Hosana, cuja empresa fabrica tanques de aço inox e com sistemas de limpeza dentro desses equipamentos, trabalhando com marcas como Ambev, Laticínios, Bela Vista e Itambé. Expectativas superadas Com 15 anos de mercado e atuando no ramo de painéis elétricos de baixa e média tensão e com automação para a indústria, a Brava Infraestrutura Elétrica e Automação é outra empresa goiana que encerrou sua participação na Expoind 2025 com saldo positivo, conforme explicou Edson Bernardes de Mello, diretor de vendas da empresa. “Nós tivemos um número bom de negócios levantados, conseguimos, inclusive, concluir algumas vendas e o que não foi fechado aqui, será consolidado na semana que vem”, destacou o expositor. Com o sucesso alcançado nesta última edição, Bernardes já adianta a presença da feira para a Expoind 2026. “Foram quatro dias de bons negócios e acho que a qualidade do público melhorou muito em relação à edição anterior e com certeza estaremos na feira do ano que vem”, revelou.Como supervisora comercial da Engre & Cors, empresa com 14 anos de mercado e especializada no fornecimento de correntes, correias e engrenagens industriais, Flávia Rodrigues diz que se surpreendeu com os bons resultados alcançados durante a Expoind 2025. “ O evento realmente superou nossas expectativas, aliás foi bem além do que nós esperávamos. Tivemos muita captação de novos clientes, e na minha avaliação o público foi bem selecionado, voltado realmente para a indústria”, salientou. Para Flávia, a presença da Engre & Cors representou grandes ganhos futuros. “Muitas vezes para conseguirmos prospectar os clientes, que contactamos aqui, nós levaríamos meses para fazer esse contato, fazer uma reunião, ao passo que na Expoind conseguimos esse contato de forma muito mais fácil e eficaz”, destacou. Rodadas, prêmios e jornada Além das novidades e soluções trazidas por seus 77 expositores, a Expoind 2025 também foi palco de ótimas oportunidades de negócios. A feira abrigou a 12ª edição do Encontro Internacional de Comércio Exterior (Eice), que reuniu compradores de 12 países e 40 indústrias goianas interessadas em exportar. Ao longo de dois dias foram realizadas 159 reuniões, que movimentaram mais de US$ 13,2 milhões em negócios. Além das negociações internacionais, o evento também fomentou conexões para o mercado interno. As rodadas nacionais de negócios, realizadas entre indústria de Goiás e expositores da feira, movimentaram aproximadamente R$ 9,2 milhões em negócios futuros. A Expoind 2025 também reconheceu o empenho de empresas goianas na busca e promoção de uma indústria mais moderna e sustentável, por meio da entrega do 2º Prêmio Fieg de Inovação e 2ª edição do Prêmio Fieg de Sustentabilidade. Além disso, a Expoind 2025 foi palco da Etapa Regional Centro-Oeste da Jornada de Inovação da Indústria CNI. Senai apresenta soluções tecnológicas e corporativas Além de participar da programação técnica com o painel sobre inovação em biogás , o Senai também marcou presença na Expoind com um espaço voltado à demonstração de serviços e tecnologias industriais.No estande da instituição, o público pôde conhecer soluções inovadoras nas áreas de inteligência artificial (IA), automação industrial e indústria 4.0, apresentadas pelas equipes técnicas das unidades. Entre os destaques, estavam as aplicações de IA desenvolvidas pela Faculdade Senai Fatesg, o uso do Scan Zeiss pela equipe Ítalo Bologna, além da Planta 4.0, que simula processos de produção industriais.As demonstrações reforçam o compromisso do Senai de aproximar a indústria de tecnologias avançadas, oferecendo suporte técnico, capacitação profissional e soluções personalizadas para aumentar a competitividade e a produtividade do setor industrial goiano. Sesi leva inovação, tecnologia e educação Com nomes criativos e originais, que marcam a identidade e o espírito de equipe, fundamentais em competições de robótica mundo afora, times do Sesi Goiás marcaram presença na Expoind, mostrando ao grande público parte das soluções corporativas e experiências desenvolvidas em sala de aula. No espaço dedicado à robótica educacional, os visitantes puderam acompanhar de perto o desempenho dos robôs, jogos interativos e um projeto de logística reversa para resíduos eletrônicos, todos criados pelos alunos. Os robôs humanoides NAO e Robodog também chamaram atenção ao interagir com o público, demonstrando o avanço da tecnologia educacional nas escolas Sesi. Além disso, o público conferiu diversas soluções tecnológicas para a indústria, como aplicações em realidade virtual, impressoras 3D e scanners 3D. Durante o evento, também foram oferecidas oportunidades de cadastro para matrículas na rede de educação, permitindo que visitantes conhecessem mais de perto as possibilidades de formação oferecidas pela instituição. Expoind fecha 2ª edição movimentando cerca de R$ 100 milhões em negócios
- RES mantém a 2ª posição no ranking global de O&M solar da Wood Mackenzie e consolida sua liderança como prestadora independente com maior presença geográfica no setor
Londres, Reino Unido – 4 de novembro de 2025 – A RES, maior empresa independente de energia renovável do mundo e prestadora global de serviços, conquistou o segundo lugar no relatório Solar PV Operations & Maintenance (O&M) Technology Outlook 2025 da Wood Mackenzie — uma das principais consultorias internacionais de pesquisa e análise do setor energético. RES mantém a 2ª posição no ranking global de O&M solar da Wood Mackenzie e consolida sua liderança como prestadora independente com maior presença geográfica no setor Embora ocupe a segunda colocação geral, a RES se destaca como a prestadora de serviços independente ( Independent Service Provider – ISP) com a maior presença global e consistência operacional em todas as principais regiões do mercado. Atualmente, a empresa administra 21,9 GW de capacidade solar , um aumento de 39% em relação ao ano anterior , reforçando seu papel fundamental na maximização do desempenho e da durabilidade de ativos solares em todo o mundo. Segundo o relatório, a RES é a maior provedora de serviços de O&M na região EMEA (Europa, Oriente Médio e África), com 13 GW de capacidade sob gestão , além de ter ampliado significativamente sua atuação nas Américas. Nos Estados Unidos , a RES dobrou sua capacidade solar mantida , alcançando 3 GW , impulsionada por contratos de destaque entre eles, uma parceria com a empresa espanhola Repsol . Já no Chile , a companhia administra 2,3 GW , consolidando-se como a principal prestadora de serviços independente do país . “Esse reconhecimento da Wood Mackenzie reflete a confiança que nossos clientes depositam em nós e o comprometimento das nossas equipes em todo o mundo”, afirmou Juan Gutierrez , CEO da RES Services. “Nossa capacidade de oferecer excelência técnica consistente, independentemente da região, é uma de nossas maiores forças. À medida que a energia solar se expande globalmente, seguimos focados em fornecer serviços de O&M confiáveis, eficientes e sustentáveis que ajudam nossos clientes a otimizar o desempenho e o valor de seus ativos.” O crescimento da RES evidencia seu compromisso com serviços de alta qualidade e consistência operacional em mercados diversos. Com uma rede internacional de equipes técnicas e um modelo de operação flexível, a empresa oferece serviços escaláveis de O&M voltados à eficiência operacional e sustentabilidade . Sobre a RES A RES é a maior empresa independente de energia renovável do mundo, com presença em 24 países e atuação nos setores de energia eólica, solar, armazenamento, hidrogênio verde e transmissão e distribuição de energia . Com mais de 40 anos de liderança em inovação , a RES soma 28 GW em projetos de energia renovável concluídos e planeja adicionar 26 GW de nova capacidade nos próximos cinco anos. Como prestadora de serviços, a empresa gerencia um portfólio de 45 GW de ativos renováveis, oferecendo soluções em gestão de ativos, operação, manutenção e fornecimento de peças sobressalentes . A RES também desenvolve produtos e soluções digitais avançadas que maximizam o investimento e a eficiência na geração de energia limpa. Com uma equipe global de 4.500 profissionais , a RES é impulsionada pela inovação e pela paixão por um futuro de energia limpa e acessível para todos transformando a forma como a energia é gerada, armazenada e distribuída em todo o mundo. RES mantém a 2ª posição no ranking global de O&M solar da Wood Mackenzie e consolida sua liderança como prestadora independente com maior presença geográfica no setor
- Ecori promove treinamento sobre nova geração de inversores GoodWe com foco em performance e vendas inteligentes
A Ecori Energia Solar realiza nesta terça-feira (5), das 19h às 21h, um treinamento online voltado a profissionais do setor fotovoltaico que buscam aprimorar seu desempenho técnico e comercial. Ecori promove treinamento sobre nova geração de inversores GoodWe com foco em performance e vendas inteligentes O evento, em parceria com a GoodWe, apresenta o inversor GoodWe 7.5 kW Fast Track , modelo que vem chamando atenção no mercado por oferecer até 80% de oversizing , homologação simplificada e sistema AFCI inteligente , que eleva o padrão de segurança e eficiência nas instalações. O FastTrack Inteligente GoodWe será conduzido pelo time de produto da Ecori, que pretende mostrar como o conhecimento técnico pode se converter diretamente em vantagem comercial. Durante a sessão, os participantes aprenderão a destacar os diferenciais do equipamento em propostas de venda, otimizando resultados e fortalecendo a confiança dos clientes. O treinamento é gratuito e tem como objetivo aproximar instaladores e integradores das inovações que vêm moldando o futuro da geração solar distribuída no Brasil. A Ecori reforça que dominar os argumentos técnicos é essencial para se destacar em um mercado cada vez mais competitivo. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link oficial:👉 https://comunica.ecori.com.br/webinario-ecori-e-goodwe-fast-track-inteligente EnergyChannel — notícias e análises sobre energia, tecnologia e inovação sustentável. Ecori promove treinamento sobre nova geração de inversores GoodWe com foco em performance e vendas inteligentes
- SolaX Power lança assistente virtual para atendimento técnico imediato a profissionais de energia solar
A plataforma desenvolvida pela empresa Renew Energia auxiliará com conhecimentos voltados aos inversores híbridos, microinversores, BESS e baterias Por Assessoria de Imprensa SolaX Power e Renew Energia O pós-venda é uma das ‘principais dores’ no mercado de energia solar e armazenamento de energia. E foi justamente para minimizar os desafios vivenciados pelos profissionais que lidam diariamente com esse desafio, que a SolaX Power lança a SolaXia – uma das primeiras assistentes virtuais de Inteligência Artificial para oferecer suporte técnico e comercial aos seus clientes. Desenvolvida pela empresa Renew Energia, a plataforma reúne todo o conhecimento técnico da multinacional voltado às linhas de inversores híbridos, microinversores, BESS comerciais e baterias de alta performance, para garantir um atendimento com eficiência e rapidez 24 horas por dia, 7 dias na semana. Foi projetada para atuar como uma ponte entre o fabricante, os distribuidores e os instaladores. “Em via de regra, o pós-vendas das distribuidoras de equipamentos e dos próprios fabricantes é o calcanhar de aquiles do setor. Por isso, ter uma plataforma que resolve essa dor sem ter que aguardar o horário comercial é um avanço significativo e um diferencial que até agora eu não vi no Brasil e nem nos EUA, onde também tenho empresa de energia solar”, enfatiza Eduardo Nicol, CEO da RENEW Energia. E completa: “Toda a metodologia de treinamento da IA generativa foi desenvolvida internamente com foco na humanização do atendimento, tornando a SolaXia o mais próximo possível da linguagem natural. Esses assistentes inteligentes estão sendo treinados para assumir características cada vez mais humanizadas — a ponto de já ser difícil saber se você está falando com um humano ou não, por isso já estão redefinindo o atendimento ao cliente”. O objetivo da plataforma é oferecer relatórios de performance de usinas, análises de contas de energia e suporte proativo baseado em dados reais de operação. Dentre os principais suportes da SolaXia, estão: Esclarecimento de dúvidas técnicas: respostas rápidas sobre especificações de produtos, funcionalidades e capacidades; Apoio no pré-dimensionamento e projetos: auxílio na escolha dos equipamentos certos para cada necessidade energética; Facilitação de contato comercial: conectar clientes e distribuidores oficiais de forma prática e personalizada; Suporte na decisão de compra: enfatizar benefícios e diferenciais dos produtos SolaX; Melhoria da experiência do cliente: atendimento profissional, humanizado e centrado em resultados. Gilberto Camargos, diretor-executivo da Solax Power no Brasil, enfatiza que “a SolaXiA une tecnologia e eficiência para simplificar o acesso às informações da SolaX, além de reduzir os chamados e visitas técnicas, já que soluções simples poderão ser resolvidas na hora, bem como auxiliar os integradores a realizar instalações mais rápidas e assertivas. Dessa forma, é possível proporcionar excelência no atendimento ao cliente, minimizar os ruídos no acesso às informações e a disseminação de informações equivocadas sobre nossas soluções”. E completa: “A plataforma representa um avanço significativo na forma como fabricantes de equipamentos solares se relacionam com o mercado, pois democratiza o acesso ao conhecimento técnico e comercial de forma instantânea e confiável”, conclui o executivo. Quer conhecer a SolaXiA? Para ter acesso à plataforma basta enviar um “olá” para a SOLAXiA pelo WhatsApp +55 34 9152-9708 . Depois que ela se apresentar, você poderá interagir por mensagens de texto ou voz. Aassistente virtual está programada para responder em português, espanhol e inglês, mas pode ser facilmente adaptada para outras línguas como mandarim, alemão ou qualquer outro idioma do planeta. Sobre a SolaX Power - Fundada em 2012, a SolaX Power é consolidada como uma das principais fornecedoras globais de soluções solares e de armazenamento. Sendo uma empresa de capital aberto na Bolsa de Valores de Xangai e uma das fabricantes pioneiras de inversores híbridos na Ásia, a SolaX Power caminha hoje para a sua quinta geração de inversores híbridos. Com mais de 3.000 funcionários em todo o mundo, 100 patentes globais e mais de 1.100 certificações de mercado, a empresa reforça sua posição como líder no setor. SolaX Power lança assistente virtual para atendimento técnico imediato a profissionais de energia solar
- Dando uma Espiada no Futuro Energético
Por Daniel Lima – ECOnomista Dando uma Espiada no Futuro Energético A descentralização da geração elétrica está reproduzindo o que vimos com a Internet e os celulares: redes antes centralizadas agora se tornam distribuídas, inteligentes e interativas. Assim como a telefonia passou de centrais fixas para redes móveis, descentralizadas e interoperáveis, o sistema elétrico está migrando de grandes usinas para geração distribuída , com prosumidores (quem consome e produz energia), baterias , carros elétricos e gestão inteligente da demanda . A revolução é semelhante: mais liberdade, mais complexidade, mais necessidade de coordenação. Peer-to-peer - energia como rede social O modelo peer-to-peer (P2P) permite que consumidores troquem energia diretamente entre si, sem depender exclusivamente de grandes distribuidoras. No Brasil, esse conceito está em fase de estudo e experimentação: Plataformas digitais conectam os participantes, permitindo que negociem preços, horários e volumes de energia. Blockchain e contratos inteligentes garantem segurança, rastreabilidade e automação das transações. Medidores inteligentes monitoram geração e consumo em tempo real, viabilizando a operação técnica. Redução de perdas e custos, pois a energia é gerada e consumida localmente. Democratização do acesso à energia, com comunidades energéticas, cooperativas solares e mercados locais de energia. Esse modelo exige mudanças regulatórias, mas já há propostas concretas sendo discutidas. Futuro: Com a queda dos preços da geração solar e das baterias, o modelo P2P tende a se tornar indispensável. Ele transforma o consumidor em protagonista da transição energética assim como a Internet transformou cada usuário em produtor de conteúdo. Plug-and-play: conecte, gere e participe Inspirado na informática, plug-and-play significa literalmente “conectar e usar”. No setor elétrico, aplica-se a equipamentos que: São pré-configurados e prontos para operar assim que instalados. Dispensam obras civis complexas, como fundações ou redes dedicadas. Integram-se automaticamente à rede elétrica ou sistemas locais. O conceito plug-and-play no setor elétrico significa que qualquer dispositivo painel solar, bateria, carro elétrico — pode ser conectado à rede com mínima configuração e começar a operar de forma inteligente, permitindo: Integração automática com sistemas de gestão de energia. Compatibilidade com plataformas digitais e apps que monitoram geração, consumo e preços. Facilidade para o consumidor comum participar da transição energética, sem precisar ser especialista. Isso exige redes mais inteligentes, com sensores, automação e interoperabilidade como aconteceu com os modems e roteadores na era da Internet. Futuro: O modelo plug-and-play será essencial para acelerar a transição energética no Brasil. Ele transforma o consumidor em protagonista, e a rede elétrica em uma plataforma aberta, flexível e interativa. Plug-and-play + Peer-to-peer = evolução elétrica Quando sistemas plug-and-play se combinam com modelos peer-to-peer, o resultado é uma rede elétrica mais: • Democrática: qualquer um pode gerar, armazenar e negociar energia. • Resiliente: menos dependente de grandes usinas e distribuidoras. • Inteligente: com automação, apps e integração digital. Futuro: É como se cada casa virasse uma “torre de celular” da energia gerando, consumindo e trocando eletricidade com os vizinhos E no Brasil? O Brasil tem tudo para seguir esse caminho: Crescimento acelerado da geração distribuída, especialmente solar residencial. Queda nos preços de baterias e sistemas de gestão. Interesse crescente em modelos P2P, especialmente em comunidades remotas ou cooperativas urbanas. Mas ainda há desafios: Regulação conservadora, que dificulta a comercialização direta entre consumidores. Infraestrutura de rede limitada em algumas regiões. Falta de incentivos claros para armazenamento residencial e flexibilidade de consumo. O futuro da energia será tão descentralizado quanto a telefonia. Quem não se adaptar, ficará fora da rede literalmente. O consumidor será o novo operador, e a rede elétrica será tão dinâmica quanto a Internet. O Brasil pode e deve liderar essa evolução, desde que a regulação acompanhe a tecnologia . Sobre o autor: Economista com MBA em Arquitetura, Construção e Gestão de Construções Sustentáveis, Daniel Lima construiu uma carreira plural e estratégica, atuando nos setores público, privado e terceiro setor. Com ampla experiência em projetos sustentáveis e captação de recursos nacionais e internacionais, Daniel se destacou como Coordenador Geral do PRODETUR Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste, onde liderou iniciativas de impacto regional. Atualmente, é especialista e consultor em energia solar e armazenamento de energia, Diretor da GVD Energia, CEO da Agrosolar Investimentos Sustentáveis, e Conselheiro da Energia Verde do Brasil – EVBIO, contribuindo para a transição energética e o fortalecimento da economia verde no país. Seu trabalho une visão econômica, inovação tecnológica e compromisso ambiental pilares essenciais para um futuro mais justo e sustentável. Dando uma Espiada no Futuro Energético
- PLV 10/2025: A “REFORMA” QUE NÃO REFORMOU — NOVOS ENCARGOS, MAIS CUSTOS E UM SETOR AINDA MAIS POLÍTICO
Por Arthur Oliveira Li e analisei detalhadamente cada artigo do Projeto de Lei de Conversão nº 10/2025 , que resulta da MPV 1304/2025 . O texto é apresentado como uma “reforma do setor elétrico”, mas, na prática, não reforma nada. Em vez de simplificar, ele amplia encargos, cria novos mecanismos de arrecadação e transfere custos para o consumidor — tanto no Ambiente de Contratação Livre (ACL) quanto no Ambiente de Contratação Regulada (ACR) . Sob o discurso de modernização, o PLV consolida um modelo de expansão estatal travestida de regulação técnica , onde a ANEEL e o MME concentram poder decisório, e o mercado se torna refém de regras futuras e incertas. Na prática, o texto é mais arrecadatório do que reformista , mais político do que técnico , e mais intervencionista do que liberal . O impacto econômico é direto: eleva o custo da energia, reduz a atratividade do mercado livre, desestimula investimentos privados e reintroduz subsídios e encargos cruzados que distorcem preços e penalizam a competitividade industrial. A tão prometida modernização do setor dá lugar a uma colcha de retalhos regulatórios, cujos efeitos reais serão sentidos nas tarifas e no aumento estrutural do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) . A seguir, analiso ponto a ponto os principais dispositivos do PLV 10/2025 e seus reflexos sobre consumidores, geradores, comercializadores e sobre a estabilidade econômica do setor elétrico. ABERTURA DO MERCADO LIVRE: AVANÇO COM RISCOS REGULATÓRIOS O Art. 15 sinaliza a abertura total do mercado livre, permitindo que todos os consumidores escolham seus fornecedores. No entanto, a execução depende de regulamentações futuras da ANEEL e do MME , que podem atrasar o cronograma e criar insegurança jurídica.Sem garantias de neutralidade e transparência, o processo corre o risco de se transformar em mera promessa política, mantendo a concentração nas mãos das distribuidoras e grupos verticalizados. SUPRIDOR DE ÚLTIMA INSTÂNCIA: MECANISMO NECESSÁRIO, MAS ARRISCADO O Art. 2º cria o Supridor de Última Instância (SUI) — importante para garantir o fornecimento em falhas contratuais —, porém a ausência de licitação e a ampla margem de regulamentação posterior abrem espaço para favorecimentos e decisões políticas. O setor ganha em segurança formal, mas perde em previsibilidade e isonomia. AUTOPRODUÇÃO REDEFINIDA: CONCENTRAÇÃO E BARREIRAS DE ENTRADA O Art. 16-B redefine o conceito de autoprodutor, exigindo participação mínima de capital e controle societário direto. O objetivo é coibir fraudes, mas o efeito real é restringir o modelo aos grandes grupos econômicos, excluindo médios e pequenos consumidores. A medida contraria o princípio de democratização do acesso à geração própria e reforça a concentração de mercado. ARMAZENAMENTO DE ENERGIA: O CONTROLE ESTATAL SOBRE A INOVAÇÃO Os §§9º e 10 tratam o armazenamento de energia como infraestrutura pública a ser licitada, transformando o investimento privado em serviço regulado. Isso limita a inovação, reduz a flexibilidade operacional e impõe socialização de custos via TUST/TUSD .A centralização do controle estatal sobre as baterias contrasta com práticas internacionais e compromete a competitividade de um segmento estratégico para a transição energética. TAXA DE FISCALIZAÇÃO (TFc): NOVO ENCARGO SOB OUTRO NOME O Art. 12 cria a Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica (TFc) , proporcional ao porte do agente e incidindo sobre a energia vendida. Apesar de chamada de taxa, na prática funciona como novo encargo setorial , impactando comercializadoras, autoprodutores e geradores, com inevitável repasse ao consumidor final. PRIORIDADE HÍDRICA E CENTRALIZAÇÃO DE PODER O Art. 4º altera a Política Nacional de Recursos Hídricos , tornando a geração de energia uso prioritário da água. Essa mudança beneficia diretamente a Axia Energia (ex-Eletrobras) , que detém cerca de 70% dos reservatórios nacionais.A medida reforça o modelo centralizador e enfraquece a descentralização energética. Enquanto grandes grupos garantem receita e estabilidade, pequenos produtores rurais e comunidades locais perdem acesso à água, e o consumidor paga a conta via CDE e encargos de capacidade. 1% DAS RECEITAS DAS COMERCIALIZADORAS: O NOVO ENCARGO TRAVESTIDO DE P&D O Art. 6º obriga as comercializadoras a destinarem 1% de sua receita líquida a pesquisa e eficiência energética. É um encargo em tudo, menos no nome.A medida onera empresas com margens estreitas e cria barreiras de entrada para novos agentes, concentrando o mercado e aumentando o custo da energia. ECR E CDE: A SALVAÇÃO TEMPORÁRIA QUE O CONSUMIDOR PAGA O Art. 7º reformula a CDE e cria o Encargo de Complemento de Recursos (ECR) , um mecanismo automático de ajuste orçamentário.Embora mantenha a geração distribuída (GD) protegida no curto prazo, o ECR transfere o custo para os consumidores e reduz a transparência sobre os subsídios.Na prática, a conta continua a mesma: o benefício é privado, e o custo, socializado. CURTAILMENT E COMPENSAÇÃO VIA ESS: SEGURANÇA PARA GERADORES, CUSTO PARA TODOS Os Arts. 1º-A e 1º-B garantem compensação a eólicas e solares por cortes externos, pagos via Encargo de Serviço do Sistema (ESS) .O avanço é importante para as renováveis, mas cria um “seguro obrigatório” pago por todos os consumidores — inclusive do ACL —, elevando encargos e o preço final da energia. COMPARTILHAMENTO DE RISCOS (ART. 2º-E): SEGURO COLETIVO SEM LIMITE A ANEEL passa a poder ratear os custos de restrições sistêmicas entre geradores e consumidores.Na prática, o mecanismo protege os agentes de geração, mas transfere ao consumidor final a conta das falhas estruturais e limitações do sistema. RESERVA DE CAPACIDADE E ARMAZENAMENTO: DESESTÍMULO ÀS BATERIAS E REFORÇO AO CARVÃO O Art. 3º-A exclui as baterias do rateio de custos da reserva de capacidade, tornando-as menos competitivas.Já o Art. 3º-D impõe obrigações às térmicas a carvão — inclusive a instalação de sistemas de armazenamento —, mas sem remuneração adicional.Resultado: o carvão continua subsidiado, e as baterias tornam-se economicamente inviáveis. ERCAP: UM FUNDO SETORIAL ELÁSTICO E POLÍTICO O Art. 3º-E transforma o ERCAP em um fundo setorial “elástico”, que passa a financiar incentivos diversos, inclusive pagamentos acima do PLD .Sob o pretexto de estimular a geração e a resposta da demanda, o ERCAP torna-se um instrumento arrecadatório que concentra benefícios em hidrelétricas reversíveis e térmicas, enquanto eleva encargos e distorce preços para o consumidor do ACL e do ACR. REESTRUTURAÇÃO DA CCEE: UM DOS POUCOS AVANÇOS REAIS O Art. 4º é um dos poucos pontos positivos do PLV.Ele fortalece a governança e a transparência da CCEE , ampliando sua autonomia e suas atribuições institucionais. A medida consolida a CCEE como uma plataforma de infraestrutura de mercado, mais moderna e alinhada às melhores práticas internacionais. CONTRATOS TÉRMICOS E DESCONTOS REGIONAIS: CUSTO NACIONALIZADO Os Arts. 4º-E e 2º-G prorrogam contratos térmicos e concedem descontos tarifários regionais, especialmente na Região Norte.São medidas de cunho político e temporário, que aliviam tarifas locais à custa de todos os consumidores do país, reproduzindo o modelo de socialização de custos e de transferência de riscos ao sistema. REENQUADRAMENTO DE CENTRAIS E REIDI: INCENTIVOS RESTRITOS E DISTORCIDOS O Art. 11 permite que centrais existentes migrem para o regime de micro e minigeração distribuída , aumentando o custo da CDE .O Art. 22 , ao incluir as baterias no REIDI , oferece alívio fiscal limitado, sem resolver o principal problema: a ausência de remuneração adequada pelo serviço de flexibilidade.O resultado é um incentivo aparente e ineficaz, que não atrai novos investimentos nem reduz custos. CONCLUSÃO O PLV 10/2025 é um projeto que fala em reforma , mas o que entrega é arrecadação .Não há reforma estrutural do setor elétrico, não há liberalização efetiva, nem desoneração do consumidor. O que há é uma reorganização de encargos, tarifas e fundos — uma “reforma fiscal” disfarçada de modernização energética. Os mecanismos criados — como ECR , ERCAP , TFc e os novos encargos sobre comercializadoras — funcionam como instrumentos de arrecadação automática. A ANEEL e o MME ganham poder regulatório e discricionário, enquanto o setor privado perde espaço e previsibilidade.O discurso de incentivo à inovação e à sustentabilidade não se sustenta quando o armazenamento é desincentivado, o carvão é premiado e as tarifas continuam subindo. Economicamente, o PLV amplia a complexidade do sistema, eleva o PLD , encarece o custo de capital para novos investimentos e reduz a competitividade industrial. Politicamente, consolida um modelo intervencionista que beneficia grandes grupos, mantém reservas de mercado e posterga a verdadeira modernização que o setor precisa: previsibilidade, isonomia e neutralidade regulatória . Em síntese, o PLV nº 10/2025 representa uma oportunidade perdida.Em vez de corrigir distorções históricas e criar um ambiente favorável à competição e à inovação, reforça a lógica arrecadatória e o controle político sobre um dos setores mais estratégicos da economia brasileira. O resultado previsível será energia mais cara, menor competitividade e mais dependência de decisões centralizadas .O consumidor, mais uma vez, pagará o preço da falta de coragem em realizar uma reforma verdadeira do setor elétrico. PLV 10/2025: A “REFORMA” QUE NÃO REFORMOU — NOVOS ENCARGOS, MAIS CUSTOS E UM SETOR AINDA MAIS POLÍTICO
- Após perdão de Trump, fundador da Binance promete transformar os EUA na “Capital das Criptomoedas”
Changpeng Zhao, bilionário chinês e cofundador da Binance, retoma protagonismo global ao anunciar nova fase da exchange e planos de fortalecer a presença nos Estados Unidos. Após perdão de Trump, fundador da Binance promete transformar os EUA na “Capital das Criptomoedas” Horas depois de receber um perdão presidencial de Donald Trump, o bilionário Changpeng Zhao , conhecido no mundo cripto como CZ , voltou a se pronunciar publicamente com uma mensagem que sinaliza o início de uma nova fase tanto para sua trajetória pessoal quanto para a Binance , a maior corretora de criptomoedas do planeta. “Sou grato pelo perdão e pelo reconhecimento de que inovação e justiça podem caminhar juntas”, escreveu Zhao em sua conta na rede X (ex-Twitter) , durante um voo. “Nosso compromisso é contribuir para que os Estados Unidos se tornem a capital mundial das criptomoedas e liderem a próxima era da Web3.” O gesto do ex-presidente Trump encerra um capítulo conturbado na história de Zhao, que em 2023 admitiu falhas no controle de operações de lavagem de dinheiro dentro da Binance e deixou o cargo de CEO. A condenação, que poderia ter encerrado sua carreira no setor, agora dá lugar a uma reabilitação política e empresarial de peso e reacende o debate sobre o futuro regulatório das criptomoedas nos EUA. Com o perdão, CZ volta ao tabuleiro global com liberdade total para atuar e investir. Fontes ligadas à exchange afirmam que o executivo pretende reforçar a presença institucional da Binance no mercado norte-americano , onde enfrenta forte concorrência de plataformas locais e um cenário regulatório ainda incerto. Especialistas veem o movimento como estratégico: ao se alinhar ao discurso pró-inovação e pró-cripto de Trump, Zhao pode garantir uma nova rodada de confiança do mercado , especialmente entre investidores que buscam segurança em ativos digitais. O retorno de CZ acontece em um momento de transformação do ecossistema cripto. Com a expansão das stablecoins, da tokenização de ativos reais e do crescimento da Web3 , o bilionário volta a posicionar a Binance como protagonista em um setor que busca amadurecimento e integração com o sistema financeiro tradicional. Para o EnergyChannel, o caso ilustra como a política e a inovação tecnológica estão cada vez mais entrelaçadas e como decisões de alto impacto, como o perdão de Zhao, podem redefinir o futuro da economia digital global. Após perdão de Trump, fundador da Binance promete transformar os EUA na “Capital das Criptomoedas”
- CGN Brasil Energia e Goldwind firmam parceria para projeto-piloto de armazenamento de energia para complexo eólico na Bahia
Iniciativa busca reduzir curtailment e aprimorar a eficiência operacional de usinas renováveis CGN Brasil Energia e Goldwind firmam parceria para projeto-piloto de armazenamento de energia para complexo eólico na Bahia A CGN Brasil Energia e a Goldwind assinaram durante o Brazil Windpower, o maior evento de energia eólica da América Latina, realizado entre 28 e 30 de outubro em São Paulo (SP), um contrato de cooperação. O acordo prevê a implantação de um projeto-piloto de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Complexo Eólico Tanque Novo, na Bahia.Com potência de 745 kW e capacidade de 1,49 MWh, o sistema será instalado em uma das turbinas do parque eólico e tem como principal objetivo reduzir as perdas de geração causadas por restrições da rede elétrica ( curtailment ). A iniciativa permitirá armazenar a energia excedente durante períodos de limitação de escoamento e disponibilizá-la posteriormente, dentro dos limites contratuais, aumentando a eficiência do aproveitamento da energia renovável produzida. O projeto integra a estratégia conjunta das duas empresas de avaliar em ambiente real de operação, soluções tecnológicas que fortaleçam a estabilidade e a flexibilidade do sistema elétrico brasileiro, contribuindo para a integração mais inteligente das fontes eólicas ao Sistema Interligado Nacional (SIN). “O armazenamento de energia é um dos pilares da transição energética e uma ferramenta essencial para o aproveitamento integral do potencial renovável do Brasil. Este projeto demonstra o compromisso da CGN com a inovação e com o desenvolvimento sustentável do setor elétrico brasileiro”, afirma Isabela Barata, gerente de Desenvolvimento de Negócios da CGN Brasil Energia. Para a Goldwind, “é uma grande oportunidade firmar essa parceria com a CGN Brasil Energia em um projeto pioneiro que une tecnologia de ponta e experiência operacional. O sistema de baterias de 745 kW / 1,49 MWh foi desenvolvido para oferecer confiabilidade, segurança e flexibilidade, contribuindo diretamente para a redução do curtailment e a maximização da entrega de energia limpa”, destaca Liang Xuan, general manager da Goldwind Brazil. De caráter experimental, o projeto Tanque Novo BESS representa um marco na introdução de soluções de armazenamento em empreendimentos eólicos no Brasil e deve gerar aprendizados técnicos e regulatórios relevantes para a expansão dessa tecnologia no país. A parceria reforça o papel da CGN Brasil e da Goldwind como protagonistas na transição energética e na promoção de um sistema elétrico mais eficiente, resiliente e sustentável. CGN Brasil Energia e Goldwind firmam parceria para projeto-piloto de armazenamento de energia para complexo eólico na Bahia
- Brasil e Europa nas cadeias de biometano: oportunidades, barreiras e cooperação tecnológica
Por Laís Víctor – Especialista em energias renováveis e Diretora executiva Brasil e Europa nas cadeias de biometano: oportunidades, barreiras e cooperação tecnológica O biometano como elo entre continentes Entre metas climáticas ambiciosas e uma corrida por autonomia energética, o biometano emerge como uma ponte invisível, mas decisiva, entre Brasil e Europa.De um lado, o continente europeu acelera sua transição energética em busca de segurança e soberania, impulsionado pela crise do gás e pela necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis. De outro, o Brasil reúne todos os ingredientes de uma potência verde: território extenso, abundância de biomassa e décadas de experiência com biocombustíveis. Essa combinação não é apenas complementar; ela é estratégica. A Europa precisa de fornecedores confiáveis de biometano certificado, e o Brasil tem condições técnicas e naturais para ocupar esse papel. A questão é: estamos preparados para nos posicionar antes que essa janela de oportunidade se feche? Mais do que um combustível limpo, o biometano representa uma oportunidade de reposicionar o país na economia global de baixo carbono. Mas isso exige mais do que potencial: requer regulação estável, confiança técnica, infraestrutura adequada e convergência política. A Europa avança e dita o ritmo Desde 2022, o plano REPowerEU tem redesenhado o mapa energético europeu ao estabelecer a ambiciosa meta de produzir 35 bilhões de metros cúbicos de biometano por ano até 2030, posicionando esse combustível como um dos pilares da transição para gases renováveis. Para sustentar essa meta, a European Commission lançou, durante a European Sustainable Energy Week , a Biomethane Industrial Partnership (BIP) — uma iniciativa que une governos, empresas e centros de pesquisa em torno de um mesmo propósito: transformar o biometano em vetor de segurança energética e competitividade industrial. Entre os países que lideram esse movimento, a Dinamarca se destaca como referência global. De acordo com a International Energy Agency (IEA) , o país já alcançou 37,9% de participação de biometano e biogás renovável em sua rede de gás, um marco que demonstra como políticas consistentes e integração tecnológica podem acelerar a descarbonização sem comprometer a segurança do abastecimento. A trajetória europeia mostra que o biometano não é apenas uma alternativa ao gás fóssil, é um instrumento de soberania energética e de reindustrialização verde. No entanto, os desafios ainda são significativos: custos de implantação elevados, assimetrias regulatórias e limitações de crédito dificultam a expansão do setor em escala continental. É justamente nesse contexto que enxergo uma oportunidade estratégica para o Brasil. Enquanto a Europa busca parceiros confiáveis e sustentáveis para diversificar seu suprimento de energia limpa, o país reúne condições únicas, abundância de biomassa, experiência em bioenergia e crescente capacidade técnica, para se consolidar como protagonista na oferta de moléculas renováveis e na cooperação tecnológica internacional. A convergência entre o avanço europeu e o potencial brasileiro pode redefinir não apenas a geopolítica dos biocombustíveis, mas também o papel do Brasil na nova economia verde global. O Brasil, potência verde ainda em espera De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil possui potencial técnico superior a 120 milhões de metros cúbicos diários de biometano, o equivalente a aproximadamente 40% da demanda nacional de gás natural.Esse volume é suficiente para substituir parte relevante das importações e ainda gerar excedentes para exportação. As fontes estão distribuídas entre resíduos agroindustriais, urbanos e pecuários. O setor sucroenergético responde por mais de um terço desse potencial, seguido pela agropecuária (com destaque para a suinocultura) e pelos resíduos sólidos urbanos. O país tem a biomassa, a tecnologia e a experiência, mas carece de escala, integração e governança. Nos últimos anos, houve avanços importantes. A Lei nº 14.993/2024 e o Decreto nº 12.614/2025 instituíram o Programa Nacional de Biometano e criaram o Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), passo essencial para rastrear e comprovar o desempenho ambiental do combustível. Essa certificação será decisiva para atender às exigências da Diretiva Europeia de Energias Renováveis (RED III) e abrir caminho para exportações. Mas, enquanto a regulação amadurece, a infraestrutura e o financiamento ainda caminham lentamente. O Brasil tem a base produtiva, mas falta transformar política pública em mercado. A ponte energética: tecnologia e confiança A cooperação tecnológica é o alicerce que pode transformar potencial em integração. A Parceria Energética Brasil–Alemanha (BEP) tem atuado nesse sentido, com grupos de trabalho dedicados à certificação de origem, rastreabilidade e compatibilidade entre sistemas de medição. Essa troca técnica aproxima os padrões nacionais dos europeus e abre caminho para o reconhecimento mútuo das garantias de origem. Empresas europeias especializadas em purificação, upgrading, compressão e liquefação (Bio-GNL) já avaliam o mercado brasileiro como destino prioritário para parcerias. Há espaço para joint ventures e co-investimentos em polos de biometano, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sul, onde o agronegócio e a produção de resíduos agrícolas convergem. Transformar parcerias pontuais em cooperação institucional é o próximo passo. A interoperabilidade regulatória e tecnológica é o que permitirá ao Brasil deixar de exportar biomassa para exportar energia de fato, em forma de moléculas de baixo carbono. O biometano como negócio e não apenas energia O biometano não é apenas um combustível: é uma plataforma econômica de baixo carbono. Pode abastecer frotas urbanas e agrícolas, substituir o gás natural fóssil em indústrias e gerar créditos de carbono.Em um cenário de precificação de carbono crescente, trata-se de um ativo estratégico tanto para a transição energética quanto para a competitividade industrial. Empresas globais já percebem esse movimento. A BP anunciou planos para desenvolver nove projetos de biometano no Brasil, começando por uma planta em Goiás com produção estimada em 70 mil m³/dia a partir de bagaço de cana. Outros grupos, como Raízen e Vibra Energia, também estudam investimentos para integrar biogás e biometano em suas cadeias de valor. Segundo o Rabobank (2024), o custo de produção brasileiro já se mostra competitivo com o gás natural importado, especialmente quando associado à cogeração de etanol e energia elétrica. Essa sinergia coloca o país em posição privilegiada para atrair capital europeu voltado à substituição de combustíveis fósseis. Os entraves ainda são domésticos Mesmo diante de tamanha oportunidade, os gargalos continuam sendo internos.A regulação de injeção na rede de gás ainda é fragmentada, a burocracia ambiental retarda licenças e a tributação sobre biometano carece de previsibilidade.O financiamento também segue desafiador: embora o BNDES disponha de linhas sustentáveis, os modelos de crédito ainda não se adequam à natureza descentralizada dos projetos de biogás e biometano. Soluções passam por mecanismos de blended finance, que combinam capital público, privado e climático. O Banco Europeu de Investimento (BEI) já manifestou interesse em apoiar projetos de biometano no Brasil, mas a consolidação dessa ponte financeira depende de marcos estáveis e transparência de dados. A certificação internacional é outro obstáculo. Para que o biometano brasileiro seja reconhecido pela União Europeia, será necessário harmonizar o CGOB com a Union Database e garantir auditorias independentes. Essa interoperabilidade é o que dará credibilidade às exportações e abrirá portas para contratos de longo prazo. Da cooperação técnica à integração de mercados Sem integração regulatória e confiança técnica, não haverá mercado internacional de biometano.O potencial produtivo, por si só, não basta. O Brasil precisa de uma estratégia nacional coordenada, unindo governo, setor privado e instituições financeiras em torno de um objetivo comum: transformar biomassa em valor agregado. O biometano pode se tornar o vetor de uma nova fase da relação energética entre Brasil e Europa.O continente europeu quer gás renovável certificado; o Brasil tem biomassa, tecnologia e experiência em bioenergia. A convergência entre esses dois mundos pode redefinir não só o papel do país nas cadeias de energia limpa, mas também sua relevância geopolítica. A transição energética é mais que uma corrida por novas fontes, é uma disputa por protagonismo tecnológico e reputacional. A Europa já se move. O Brasil precisa decidir se quer liderar essa transição ou apenas assisti-la. O tempo da cooperação é agora O biometano representa uma das oportunidades mais tangíveis para o Brasil se consolidar como protagonista da transição energética global. Temos base produtiva, capital humano e uma matriz majoritariamente renovável, ativos que poucos países possuem. O que falta é decisão política e pragmatismo regulatório. A integração com a Europa pode acelerar esse processo, mas o relógio está correndo. Se o país não avançar em certificação, infraestrutura e incentivos, outros ocuparão esse espaço e voltaremos a exportar commodities enquanto importamos tecnologia. O biometano não é apenas uma molécula limpa: é uma ponte de confiança entre economias que acreditam no mesmo futuro, um futuro em que sustentabilidade, segurança energética e cooperação internacional caminham lado a lado. O momento de atravessar essa ponte é agora. Sobre a autora Laís Víctor é especialista em energias renováveis e diretora executiva de parcerias, com 14 anos de atuação no setor de energia. Sua atuação inclui o desenvolvimento de negócios, estruturação de alianças estratégicas e apoio à atração de investimentos para projetos de transição energética, com foco na construção de ecossistemas sustentáveis e inovação no mercado global de renováveis. Brasil e Europa nas cadeias de biometano: oportunidades, barreiras e cooperação tecnológica
- A COP30 será palco de embates cruciais: entre o futuro sustentável e os interesses fósseis, a sociedade civil precisa estar mais presente do que nunca
Enquanto Belém se prepara para sediar a COP30, cresce a tensão sobre a influência dos lobistas da indústria do petróleo nas negociações climáticas. A COP30 será palco de embates cruciais: entre o futuro sustentável e os interesses fósseis, a sociedade civil precisa estar mais presente do que nunca Segundo levantamento recente, mais de 260 organizações ambientais exigem maior transparência e o veto à presença desses representantes, que historicamente atuam para frear avanços na transição energética. A pressão é legítima: os lobistas não fazem parte das delegações oficiais, mas circulam nos bastidores das COPs com o objetivo claro de proteger os interesses de empresas que lucram com a destruição ambiental. A indústria do petróleo é poderosa, bem financiada e estrategicamente articulada. Seus lobistas são profissionais altamente capacitados, treinados para travar o progresso rumo à descarbonização. Um dos alvos preferenciais dessa ofensiva é o carro elétrico , constantemente atacado por campanhas que tentam desacreditá-lo. Alegações infundadas sobre a pegada ambiental das baterias ou a suposta inviabilidade econômica são amplamente disseminadas, muitas vezes por estudos financiados por grupos ligados ao petróleo. Mas a verdade é que o carro elétrico representa um pilar fundamental da transição energética . Ele é mais eficiente, silencioso, e sobretudo, limpo . Ao contrário dos veículos a combustão, não despeja óleo nas vias, que com as chuvas escorre para os lençóis freáticos, contaminando solos e rios. Além disso, possui menos componentes mecânicos, o que reduz a necessidade de manutenção e o consumo de recursos naturais. É um caminho sem volta não apenas por razões ambientais, mas porque é tecnologicamente superior . A tentativa da indústria fóssil de desacreditar o carro elétrico é parte de uma estratégia maior: manter a inércia da opinião pública . Ao financiar estudos enviesados e campanhas de desinformação, essas empresas tentam criar dúvidas, atrasar decisões e perpetuar um modelo energético insustentável. É por isso que eventos como a COP precisam ser abertos, transparentes e participativos . Quanto mais espaço para ativistas, cientistas independentes e representantes da sociedade civil, maior a chance de equilibrar o jogo e garantir que as decisões reflitam o que é melhor para o planeta e, por consequência, para o ser humano. Porque o ser humano não é um ente separado da natureza. Somos parte de um circuito complexo e harmonioso de biodiversidade. Quando destruímos florestas, poluímos rios ou alteramos o clima, estamos comprometendo nossa própria sobrevivência . A justiça climática não é um conceito abstrato: ela significa proteger os mais vulneráveis, financiar adaptações em comunidades afetadas e preservar o que ainda resta dos ecossistemas. A COP30 tem tudo para ser a mais participativa de todas. A escolha de Belém como sede é simbólica: está no coração da Amazônia, uma das regiões mais ameaçadas e ao mesmo tempo mais vitais para o equilíbrio climático global. A presença ativa da sociedade civil, de povos originários e de jovens engajados será essencial para inaugurar um novo momento nas convenções sobre o clima um momento em que o cidadão não apenas observa, mas atua . E que fique claro: não serão os lobistas da indústria do petróleo que irão estragar esse evento . Eles estarão sob os olhos atentos de quem acredita que ainda é possível reverter o aquecimento global. A COP30 será um marco não apenas pelas decisões que serão tomadas, mas pela força de quem estará lá para garantir que essas decisões sejam justas, sustentáveis e verdadeiramente voltadas para o bem comum. A COP30 será palco de embates cruciais: entre o futuro sustentável e os interesses fósseis, a sociedade civil precisa estar mais presente do que nunca Por Renato Zimmermann – Desenvolvedor de Negócios Sustentáveis e Ativista da Transição Energética











