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O desafio ambiental e a transição energética

A questão ambiental hoje se resume a uma equação simples: não há futuro sustentável com base em combustíveis fósseis. O petróleo, o carvão e o gás natural ainda representam cerca de 80% da matriz energética global, mas são responsáveis por mais de 75% das emissões de gases de efeito estufa.


O desafio ambiental e a transição energética
O desafio ambiental e a transição energética

Essas emissões alimentam o aquecimento global, que já elevou a temperatura média da Terra em 1,1°C desde a Revolução Industrial. Parece pouco, mas esse aumento já é suficiente para intensificar furacões, derreter geleiras e provocar secas devastadoras.


A transição energética, portanto, não é apenas uma pauta ambiental: é uma questão de sobrevivência. Migrar para fontes renováveis solar, eólica, biomassa e hidrogênio verde significa reduzir drasticamente as emissões e abrir caminho para uma economia menos dependente de recursos finitos. No Brasil, por exemplo, mais de 80% da eletricidade já vem de fontes renováveis, mas o desafio está em setores como transporte e indústria, ainda fortemente dependentes de combustíveis fósseis.


Por que mudar hábitos de consumo

Não basta trocar a fonte de energia; é preciso repensar o consumo. O modelo atual, baseado em descartabilidade e excesso, é insustentável. Para produzir um simples par de jeans, consome-se cerca de 7 mil litros de água. Para alimentar o mundo, a pecuária intensiva emite mais gases de efeito estufa do que todo o setor de transportes. Se mantivermos o ritmo atual, em 2050 precisaremos de quase dois planetas Terra para sustentar a demanda humana.


Mudar hábitos significa optar por menos desperdício, mais eficiência e maior valorização da durabilidade. É escolher transporte coletivo ou bicicleta em vez do carro individual, reduzir o consumo de carne, reutilizar e reciclar. São pequenas mudanças individuais que, somadas, têm impacto coletivo.


As dificuldades da mudança

É claro que não se trata de uma transição simples. Há resistências políticas, econômicas e culturais. Países produtores de petróleo temem perder receitas bilionárias. Indústrias tradicionais relutam em investir em inovação. E consumidores, acostumados ao conforto imediato, resistem a abrir mão de conveniências.


Além disso, a infraestrutura necessária para energias renováveis exige investimentos pesados e tempo para implementação.


Mas a dificuldade não pode ser desculpa para a inação. A história mostra que grandes transformações sempre enfrentaram resistência. A revolução digital, por exemplo, parecia impossível há 40 anos. Hoje, ninguém imagina viver sem internet. O mesmo ocorrerá com a transição energética: inevitável, embora árdua.


A certeza da impermanência

Aqui entra uma lição didática: a única certeza da vida é a mudança. Tudo é impermanente. Civilizações surgiram e desapareceram, tecnologias foram substituídas, hábitos se transformaram. A natureza nos ensina isso diariamente: estações mudam, rios se alteram, espécies evoluem. Resistir à mudança é resistir à própria essência da vida. Entender a impermanência é aceitar que o mundo de amanhã não será igual ao de hoje e que cabe a nós moldá-lo de forma responsável.


O alerta final

O planeta já está nos enviando sinais claros: incêndios florestais cada vez mais intensos, ondas de calor que ultrapassam 50°C em algumas regiões, enchentes que devastam cidades inteiras. Não são “exageros alarmistas”, mas fatos registrados pela ciência. A tranquilidade vendida por discursos negacionistas de que “a tecnologia dará conta” ou que “a natureza se adapta” é ilusória. A tecnologia só terá chance se houver vontade política e mudança cultural. A natureza se adapta, sim, mas não necessariamente de forma favorável ao ser humano.


O futuro não está garantido. Está em disputa. E a disputa exige coragem para abandonar velhos hábitos, eliminar os combustíveis fósseis e abraçar a impermanência como motor da transformação. Se não agirmos agora, as próximas gerações herdarão não um planeta sustentável, mas um campo de batalha contra os efeitos irreversíveis da nossa inércia.


O desafio ambiental e a transição energética


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