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O Brasil e suas oportunidades energéticas

Por Eustaquio Sirolli 

 

Faz um bom tempo que tenho a oportunidade de trabalhar com novas energias. Em 1984, a empresa para a qual trabalhava construiu um veículo a gás metano, precisamente um ônibus urbano, que foi cedido ao setor de motores da USP para rodar experimentalmente na referida universidade. Deste primeiro teste seguiu-se com a montagem de 3 veículos urbanos para rodarem pelo país nos locais onde havia metano.


O Brasil e suas oportunidades energéticas
O Brasil e suas oportunidades energéticas

Nesse contexto de provação de nova energia, uma sequência de montagem de veículos para oferta ao mercado foi feita, mas infelizmente as vendas não ocorreram e um lote expressivo ficou no pátio da montadora.


Essas informações estou compartilhando “de memória”, sem intenção de um resgate preciso no tempo, mas são como me lembro.


Já em 2018, tive a oportunidade de trabalhar com 4 caminhões chineses que operavam com metano líquido, LCH4, combustão no ciclo Otto, e as surpresas apareceram: boa performance, baixo ruido, freio motor muito bom, consumo adequado para as expectativas. Após um período de rodagem, o teste foi concluído e os resultados passados ao cliente para seguir no negócio com o fornecedor dos caminhões.


Nessa fase de testes dos caminhões, foi possível contatar o RCGI, Research Centre for Greenhouse Gas Innovation da USP, cujo contato foi feito com a Professora Doutora Dominique Mouette, para entender os andamentos acadêmicos de P&D&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) e ver se as investigações empresariais teriam convergências ou divergências no tema. Também com um grupo de empresários do setor de ônibus, fizemos uma visita à unidade de produção de hidrogênio a partir do etanol, conceito desenvolvido pela brasileira Hytron, sendo o Dr. Gabriel Daniel Lopes um dos desenvolvedores desse processo. Fomos atendidos pela Professora Doutora Karen Louise


Mascarenhas e equipe, sendo o Professor Júlio Romano Meneghini o diretor do RCGI. Vale ressaltar que a estação de produção de hidrogênio do RCGI vai abastecer pelo menos 3 ônibus e carros da Toyota que usam essa fonte energética.


Na busca do conhecimento de novas fontes energéticas, com apelo em energias de fontes renováveis, chegamos ao etanol, que é o combustível “plantado” onde o Brasil se destaca. Com observações de experts no tema, obtive a seguinte linha técnica: é possível desenvolver um motor focado em usar somente o etanol na sua combustão e assim pode-se otimizar a queima para se obter um motor energeticamente falando muito próximo ao diesel, por exemplo. Fazê-lo sendo um flex dificulta a queima eficiente dos combustíveis envolvidos, tema a ser observado e acompanhado.


Nessa fase fiz para mim mesmo a seguinte pergunta: qual o novo energético a ser considerado? Assim acabei em contato com o IPEN, Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, onde já havia feito o mestrado em Ciência dos Materiais. Agora com foco energético para propulsão veicular, os Professores Doutores Fabio Coral Fonseca e Elisabete Inacio Santiago me apresentaram o hidrogênio e células a combustível cujo centro de Pesquisa encontra-se dentro do IPEN na USP.

 

Por sugestão dos professores Fábio e Elisabete orientaram-me a fazer as matérias que poderiam ser usadas como créditos para mestrado, doutorado ou pelo menos nivelar conhecimento no tema.


As matérias foram:

           - Célula a Combustível, ministrada pela professora Elisabete e Fábio

          - Hidrogênio, pelo professor Vanderlei Bergamaschi e Jamil Ayoub

          - Eletro-catalisadores, pelos professores Almir Oliveira e Rodrigo Brambilla

 

            Esse conjunto de matérias foi importante para fundamentar entendimento nos artigos, papers e materiais relacionados ao tema hidrogênio/Fuel Cell. Aos interessados sugiro analisarem participação nesse curso, algo de vanguarda tecnológica.

           

Preciso externar minha surpresa com o time de professores e pesquisadores do IPEN focados em hidrogênio e Fuel Cell, bem como a receptividade na interlocução sobre essa energia que permite que as emissões sejam calor e vapor de água!

           

Como investigação sobre como obter o hidrogênio, fiz contato com a GAS FUTURO, representada pelo Rodrigo Bogcaz e Ricardo Barreira e sua parceira chinesa HOUPU, para obter detalhes sobre eletrolisadores e estações de abastecimento. Resumindo, é preciso aportar um capital expressivo para criar esse posto de abastecimento.


Faço esse histórico nominando os colaboradores, pois os contatos foram possíveis pelas pessoas e não pelas siglas das empresas.


Para não me alongar também tenho que mencionar a dedicação da Mônica Panik por sua curadoria no time da SAEH2 student challenge e seria muito injusto não externar esse fato.


Há muito a mencionar, mas gostaria de ressaltar a visita feita a Toyota com o time que o MSc. Camilo Adas da SAE, que coordenou, posteriormente com os professores e pesquisadores do IPEN, que contou com a presença da sua superintendente Professora Doutora Isolda Costa. Externo minha percepção da rodagem com o Mirai a hidrogênio, um “tapete voador”.


Fiz esse resgate histórico do envolvimento pessoal com novas fontes de energias, para fazer uma sugestão para o Brasil na questão do hidrogênio.


Direto ao tema: uma estação de abastecimento com hidrogênio a 350 bar, 700 bar e liquefeito, poderia ser disponibilizada em São Paulo e outra no Rio de Janeiro que tem uma distância de 450 km. Isso permitiria que empresas já com carros, caminhões e ônibus usando hidrogênio pudessem exercitar o uso dos veículos nesse novo mundo energético.


A Toyota tem o Mirai, Hyundai com o Nexo e com o caminhão XCIENT, a Daimler Tuck com o caminhão GenH2, que usa hidrogênio líquido. A Marcopolo, com seus ônibus a hidrogênio, também, ou seja, o Brasil criaria a primeira rota operacional para essa nova tecnologia. Todas essas empresas já têm um know-how mínimo com seus veículos.

Resumindo, essas duas estações permitiriam a criação de um “consórcio” de usuários e interessados no hidrogênio no Brasil.


O Brasil e suas oportunidades energéticas


Bio

Eustaquio Sirolli 

Mestrado em Ciência dos Materiais IPEN/USP

MBA em Automotive Business FGV 

Engenharia de Produção FEI

Engenharia Automobilística FEI

Foton Caminhões 9 anos

Mercedes-Benz 39 anos 

H2 Fuel Cell Engenharia 

1 comentário

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Paulo André Pressinoti
09 de jun. de 2025
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Uma excelente reflexão sobre o tema feito por um profissional que em sua história de vida tem sua carreira sempre dedicada ao tema, o que valoriza ainda mais essas reflexões

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