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O AVANÇO SILENCIOSO DAS CONCESSIONÁRIAS E O RISCO À LIVRE CONCORRÊNCIA NO SETOR ELÉTRICO

Por Arthur Oliveira


As principais concessionárias de energia no Brasil, como Neoenergia, Equatorial e Enel, possuem contratos sólidos que lhes garantem receitas estáveis e previsíveis, tornando o setor elétrico um dos investimentos mais atrativos e seguros do país. Além dessa base regulatória robusta, essas empresas expandiram sua atuação para novas frentes, como a comercialização atacadista de energia e a geração distribuída (GD), frequentemente se beneficiando de informações privilegiadas e da base de dados de clientes que detêm por serem distribuidoras reguladas. Tal prática levanta sérias preocupações concorrenciais e questiona o tratamento isonômico entre os diversos agentes que operam no mercado livre.


O AVANÇO SILENCIOSO DAS CONCESSIONÁRIAS E O RISCO À LIVRE CONCORRÊNCIA NO SETOR ELÉTRICO
O AVANÇO SILENCIOSO DAS CONCESSIONÁRIAS E O RISCO À LIVRE CONCORRÊNCIA NO SETOR ELÉTRICO

A acumulação dessas atividades — distribuição, comercialização e GD — nas mãos dos mesmos agentes amplia o poder das concessionárias, que passam a alavancar sua infraestrutura, influência regulatória e acesso a dados de consumidores para consolidar posições dominantes nos novos segmentos. Esse fenômeno cria barreiras de entrada para comercializadoras independentes e restringe o potencial de competição real no setor elétrico, provocando desequilíbrios de mercado. Além de se sentir acoado com “imposições de facilidades ao migrar conosco psra o ACL”, o consumidor acaba pagando mais caro por essa “parceria vantajosa”.


Pesquisas recentes sobre geração distribuída indicam que o crescimento desordenado do segmento e a ausência de sinais tarifários adequados agravam problemas sistêmicos e perpetuam subsídios cruzados, onerando os consumidores cativos e favorecendo grandes grupos empresariais.


Investir nas empresas do setor elétrico brasileiro, especialmente nas distribuidoras que também atuam como comercializadoras e geradoras, continua sendo uma das estratégias mais rentáveis da Bolsa em 2025. A regulação garante estabilidade de fluxo de caixa, e campanhas de lobby bem articuladas permitem que essas companhias influenciem medidas provisórias e emendas legislativas para manter privilégios e expandir suas fronteiras de atuação. O desempenho das ações é impulsionado por uma combinação de previsibilidade regulatória, elevado endividamento do setor e aumento projetado das tarifas, que crescem consistentemente acima da inflação — fatores que consolidam a rentabilidade e o poder dessas empresas.


Nesse contexto, a MP 1304/2025 surge como um ponto de inflexão, trazendo emendas que buscam restabelecer o equilíbrio competitivo do setor. A Emenda nº 1, proposta pelo senador Mecias de Jesus, visa limitar a verticalização das concessionárias, impondo restrições ao duplo papel de distribuidora e comercializadora para conter abusos de poder econômico e ampliar a competição. Já a Emenda nº 36, do deputado João Carlos Bacelar, propõe suprimir o artigo que autoriza a comercialização pelas concessionárias, abrindo espaço para geradores independentes e autoprodutores. Ambas as emendas buscam reduzir a concentração de mercado, proteger o consumidor e fortalecer o desenvolvimento sustentável do setor.


A atuação ampla das concessionárias como distribuidoras, comercializadoras e geradoras oferece ganhos institucionais e econômicos inegáveis, mas acarreta sérios problemas concorrenciais e de eficiência. A adoção das Emendas nº 1 e nº 36 representa um passo essencial para conter abusos, restabelecer a isonomia entre agentes e promover um ambiente de maior transparência, inovação e competitividade. O futuro do mercado elétrico brasileiro depende de um marco regulatório que priorize o equilíbrio e a diversidade de participantes — não a consolidação de poder nas mãos de poucos grupos dominantes.


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