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Nova York acelera a descarbonização predial — mas cooperativas enfrentam custos que desafiam políticas públicas

Por EnergyChannel


Nova York avança para um dos maiores desafios climáticos urbanos do planeta: transformar o perfil energético de milhares de edifícios que, juntos, respondem por quase dois terços das emissões de gases de efeito estufa da cidade. Mas, enquanto a meta parece clara no papel, a realidade mostra um cenário desigual entre as cooperativas residenciais um modelo habitacional muito comum na cidade que tentam se adaptar às exigências da Lei Local 97, legislação que estabelece metas progressivas de redução de emissões para prédios acima de 25 mil pés quadrados.


Nova York acelera a descarbonização predial — mas cooperativas enfrentam custos que desafiam políticas públicas
Nova York acelera a descarbonização predial — mas cooperativas enfrentam custos que desafiam políticas públicas

E embora alguns edifícios já estejam perto de concluir sua transição energética, outros enxergam obstáculos financeiros e técnicos praticamente intransponíveis.


Um prédio que virou vitrine da transição energética

No coração de Manhattan, o edifício cooperativo International Tailoring Company Building se tornou um exemplo de como a descarbonização pode funcionar na prática. A cobertura, antes apenas mais um espaço urbano entre tantos no centro de Nova York, agora reúne bombas de calor, dry coolers e equipamentos elétricos que praticamente aposentaram o antigo sistema à base de gás natural.


Segundo o presidente do conselho do co-op, Eric Einstein, esse avanço não foi obra do acaso: envolveu planejamento financeiro de longo prazo, refinanciamento da hipoteca, criação de reservas e aproveitamento de incentivos federais, estaduais e municipais. No total, cerca de US$ 9 milhões foram investidos para modernizar todo o sistema de aquecimento e refrigeração do prédio.


A mudança trouxe benefícios diretos conforto individualizado para os moradores, redução expressiva da dependência de combustíveis fósseis e, claro, conformidade com as metas atuais e futuras da Lei Local 97.


Mesmo assim, Einstein destaca que a decisão não nasceu da legislação:

“Nosso objetivo era melhorar o conforto térmico. O cumprimento da lei veio como consequência.”

Por que cooperativas sofrem mais para se adaptar?

Co-ops funcionam como corporações: cada morador é acionista, as decisões são colegiadas e qualquer obra estrutural exige consenso e planejamento de longo prazo. Isso significa que:

  • custos altos precisam ser divididos entre todos;

  • aumentos na taxa de manutenção impactam diretamente famílias;

  • decisões complexas dependem de aprovação coletiva.


É nesse ponto que a transição energética se torna mais difícil. Alguns conselhos relatam que, para adequar sistemas antigos muitos ainda baseados em vapor seriam necessários investimentos tão altos que inviabilizariam financeiramente boa parte dos moradores.

Warren Schreiber, presidente de um co-op no Queens, resume o temor:

“Teria que aumentar a taxa mensal em até 35%. Temos idosos, famílias monoparentais… isso é insustentável.”

No Queens, o megaempreendimento Glen Oaks Village, com 134 edifícios, calcula entre US$ 50 e 70 milhões para modernizar sua infraestrutura elétrica e abandonar o vapor. Para o presidente Bob Friedrich, empréstimos não resolvem:

“Você não pode empurrar uma dívida gigantesca para moradores de classe média.”

Ambos já tentaram reverter a lei na Justiça sem sucesso.

Caminhos estudados pela cidade para destravar a transição

Para tentar reduzir desigualdades entre edifícios capazes de investir e aqueles que não conseguem, a prefeitura lançou, em parceria com o Urban Land Institute New York, um relatório com novas estratégias.


As propostas incluem:

1. Criar “coortes de cooperativas”

Agrupar co-ops com perfis semelhantes para compartilhar diagnósticos, dados, especialistas e negociar equipamentos em escala reduzindo custos.

2. Integrar a descarbonização ao refinanciamento de hipotecas

A ideia é aproveitar momentos em que prédios já assumem novos financiamentos para incluir a modernização energética no pacote, evitando custos extras ao longo do tempo.

3. Ampliar suporte técnico e linhas de crédito

O objetivo é reforçar programas como o NYC Accelerator, que conecta edifícios a engenheiros, instaladores e orientações sobre incentivos disponíveis.

O principal argumento dos defensores da lei é simples: quanto mais cedo o prédio planejar a transição e quanto mais esperar o momento natural de substituição de equipamentos menor será o impacto financeiro.


Uma corrida contra o tempo climático e financeiro

O prefeito Eric Adams e o prefeito eleito Zohran Mamdani afirmam que pretendem ampliar incentivos, especialmente para prédios de classe média. A proposta inclui reforço em subsídios e expansão de incentivos fiscais, embora ainda desperte dúvidas entre as cooperativas.


Durante um debate recente, Mamdani resumiu o desafio que Nova York enfrenta:

“A crise climática é urgente. Mas precisamos tornar viável para proprietários, cooperativas e condomínios cumprir essas regras.”

Enquanto isso, Nova York segue em uma encruzilhada: avançar na descarbonização de seus edifícios essenciais para cumprir metas climáticas — ou permitir que desigualdades financeiras atrasem a transição. O resultado dessa equação definirá, nos próximos anos, não apenas o perfil urbano da metrópole, mas também sua liderança no combate global à crise climática.


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