Leilão dos Sistemas Isolados de 2027 entra em consulta pública e propõe 30% de renováveis
Proposta prevê 123,66 MW de potência requerida para atender 31 localidades da Amazônia Legal; contribuições seguem até 17 de novembro.

Por Redação EnergyChannel
O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu, em 29 de outubro, a consulta pública sobre as diretrizes do Leilão para Suprimento aos Sistemas Isolados de 2027. O processo também discute a formulação dos preços de referência e dos custos de combustível que serão considerados na disputa. Brasil Participativo
A modelagem prevê oito lotes, distribuídos entre Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia e Acre, com população estimada em 482.701 habitantes. Os contratos poderão alcançar 180 meses, equivalentes a 15 anos, conforme a localidade. Os 123,66 MW correspondem à disponibilidade de potência requerida para o atendimento. Ministério de Minas e Energia
Pela minuta, ao menos 30% da energia gerada pelas soluções de suprimento deverá vir de fontes renováveis. O percentual se refere à produção de eletricidade, e não simplesmente à capacidade instalada dos equipamentos. A exigência ainda está em discussão. Ministério de Minas e Energia
A proposta amplia a participação mínima em relação ao leilão de 2025, que exigiu 22% de renováveis. Naquela disputa, foram contratados projetos que combinam diesel, geração solar e armazenamento para seis localidades: cinco no Amazonas e uma no Pará. Se mantida na versão final, a nova referência representará um avanço de oito pontos percentuais sobre aquele requisito. Ministério de Minas e Energia
O desafio envolve redes que operam sem conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Em regiões com limitações geográficas, técnicas ou econômicas à interligação, o abastecimento precisa considerar os recursos e as condições de cada localidade. A geração térmica tem presença histórica nesses sistemas, que já incorporam, em alguns casos, energia solar e armazenamento. Ministério de Minas e Energia
A mudança também tem relevância econômica. A Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) reembolsa parte dos custos do atendimento aos sistemas isolados, conforme critérios legais e regulatórios. Assim, a eficiência da geração nessas localidades afeta o financiamento do serviço e a necessidade de subsídios do setor elétrico. Isso não permite antecipar uma redução tarifária específica como resultado do futuro leilão.
Do ponto de vista técnico, ampliar a participação renovável exige mais do que instalar painéis solares. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) sobre a transição nos sistemas isolados destaca a importância do dimensionamento conjunto da geração e do armazenamento, além da estratégia de operação, para preservar a estabilidade da rede e reduzir o consumo de diesel. epe.gov.br
A leitura para os projetos é que a escolha dos equipamentos precisa acompanhar o perfil de consumo e a forma de operação de cada sistema. Soluções semelhantes em capacidade podem apresentar resultados diferentes conforme o despacho da geração e o uso das baterias. A economia de combustível depende dessa integração. epe.gov.br
A minuta também admite ativos de geração usados, condicionados a laudo técnico independente, e propõe tratamento específico para variações na tarifa de transporte de gás natural. As medidas integram o desenho contratual submetido à avaliação pública.
O leilão faz parte do Programa Energias da Amazônia, voltado à redução da dependência do diesel, das emissões e dos custos da geração nos sistemas isolados. Ministério de Minas e Energia
As manifestações podem ser encaminhadas até 17 de novembro de 2026, no âmbito da Consulta Pública nº 240, pelo Portal de Consultas Públicas do MME, indicado também na página do Brasil Participativo. A consulta é uma etapa de discussão das regras: os parâmetros apresentados ainda podem ser ajustados antes de sua consolidação. Brasil Participativo
Leilão dos Sistemas Isolados de 2027 entra em consulta pública e propõe 30% de renováveis









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